Categoria: Rocklogia

  • Rocklogia – Até eu Envelhecer

    Era 2006 e o Resgate lançou mais um disco (quase inédito), pra considerar o mais inédito desde o fracasso de 2002. Até eu Envelhecer, sem dúvida marcou novos elementos na sonoridade do Resgate. O principal motivo foi a entrada do tecladista Dudu Borges em 2005, o qual também assinou a produção musical. A música que deu título ao álbum foi “Passo a Passo”, na qual, em sua parte instrumental aposta em frases de guitarra e boas execuções “bluezísticas” de Dudu.

    E como disse que era quase inédito, o único ponto que tira o total ineditismo deste projeto é a canção “Apocalipse Now”, que é um cover do Katsbarnea, com seu registro original gravado há quase 15 anos do lançamento de Até eu Envelhecer. A banda apostou em uma sonoridade experimental, porém muito diferente das experimentações feitas na original, com piano, cordas e dois solos de guitarra. Sem a menor dúvida, um dos melhores covers que já ouvi no meio cristão.

    É claro, como nem tudo são flores, o álbum derrapa feio em algumas letras, como parte de “A Gente”, que defende a teologia da prosperidade, e “Meus Pés”, bastante “renascersista”. Mas como era a verdade do que os integrantes estavam vivendo, era totalmente coerente que gravassem faixas com estas características. A banda ainda toca “A Gente”, porque é uma música que o público gosta, mas removendo os trechos que não fazem mais parte do que acreditam atualmente.

    Em minha opinião, a melhor canção do álbum é “Astronauta”, com sua pegada tão gostosa de ouvir. O baterista Jorge Bruno conta, no encarte da coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito, que o processo de gravação da música foi bastante experimental, embora Zé Bruno, ao apresentar para os quatro, tinha ideias gerais de como deveria soar. A bateria utilizada foi uma antiga Signia que o músico tinha, e seu timbre foi fundamental para aquela sonoridade característica.

    “Este CD foi muito tranquilo de gravar, testamos muitas coisas e trabalhamos bem juntos, todo mundo participa e as ideias convergem. Uma coisa que a gente sempre procura é o clima. Não basta ser uma música legal, os timbres precisam “falar”. Achávamos que quem ouvisse a música deveria se sentir em órbita. [Jorge Bruno, sobre “Astronauta”, 2011].

    “Este foi o primeiro CD que eu produzi por inteiro, tivemos tempo de escolher cada microfone, testar os timbres e chegar ao melhor resultado que estivesse ao nosso alcance. A coisa soou um pouco mais gringa do que nos outros trabalhos. Gravamos no mesmo estúdio em que foram feitos On the Rock e Resgate, e para eles foi como estar em casa de novo” [Dudu Borges, sobre o álbum, 2011].

    Em 2008, foi lançada a versão ao vivo do disco, gravada em julho de 2006 no atual HSBC Brasil, além de alguns outros sucessos da banda.

  • Rocklogia – Brother Simion independente

    Após uma temporada na MK Music, Brother Simion decidiu seguir seu rumo de forma independente. Em 2004 produzia um novo disco, chamado Eclipse, o qual trazia a tão em moda sonoridade new metal. Apesar disso, o álbum não foi mal recebido, muito pelo contrário. O projeto é, até hoje, um dos mais elogiados do cantor.

    Eclipse, além de um disco antenado nos sons da época, revisitava o discurso de protesto e crítica não tão evidente nos dois trabalhos anteriores (embora haja, em poucas músicas). A grande paulada do projeto, com tons de novidade, é “Semideus”, com críticas ferrenhas à “líderes que transformaram igrejas do corpo de Cristo em empresas e se acham proprietários daquilo que só a Deus pertence”, conforme dedicatória contida na introdução do álbum. Esses falsos profetas, os quais o trabalho é dedicado, também são intrincados com as mensagens de exortação que Simion aborda em suas músicas, como a experimental “Perdoar” e “10 Real”, tratando a escravização de seres humanos através das drogas, um tema, convenhamos, bastante recorrente em toda a carreira do músico.

    https://www.youtube.com/watch?v=xrZ2RlE6-sk

    O disco não contém muitos pontos negativos, e ainda é muito agradável por “Ei, Amigo“, canção que, ao contrário das clichês faixas de amizades, aborda o quão difícil é as vezes caminhar na mesma direção, e que nossos ideais e diferenças não podem se sobrepor ao relacionamento que temos com nossos amigos. Simion também faz reflexões acerca de sua carreira, como em “Hotel Paradiso” e “Onde Deus me Levar”, sua última composição gravada por muitos anos. Se definitivamente fosse o último disco de inéditas de Brother, definitivamente seria uma ótima síntese do músico, apresentando, em suas letras, elementos essenciais do trabalho do cantor em cerca de 20 anos.

    Mas Simion não parou, e em 2005 lançou um álbum contando, de forma bastante legal o seu testemunho de vida, incluindo algumas versões acústicas e com cordas das canções “Hotel Paradiso”, “Ei, Amigo”, “10 Real” e “Onde Deus me Levar.

    Em 2007, o cantor lançaria mais um álbum, e novamente sem inéditas. Comemorando sua carreira, o cantor escolheu dez músicas de sua autoria em carreira solo e pelo Katsbarnea e produziu Gênesis for New Generation. Basicamente, o trabalho seguiu influências do pop rock e do rock progressivo contemporâneo. Em 2009, o cantor mudou-se para o exterior com sua família, para evangelizar.

    Simion esteve pelo Brasil em 2012, onde gravou um novo álbum, desta vez com músicas inéditas sob produção de Lucas Nogueira. O projeto estava sendo mixado em novembro daquele ano, mas algo aconteceu e até o momento em que escrevo este post, não foi lançado. Uma música, de título “Beautiful“, foi divulgada no site do cantor, que atualmente está fora do ar.

  • Rocklogia – Oficina G3 como um trio

    Fotografia: Jean Carllos no Canta Zona Sul | MK Music, no portal da banda em 2004

    Com a saída de PG, os integrantes remanescentes, de longa data do grupo, não sabiam quem colocar nos vocais. A ação foi pontual: Juninho Afram teve que se achegar com força total aos microfones. Duca Tambasco faria as partes que anteriormente eram destinadas à Juninho em algumas músicas, e Jean, que expandia sua participação nos vocais desde Humanos, sem dúvida tinha espaço total nesta nova conjuntura.

    Juninho Afram não estava completamente satisfeito para atuar nos vocais, até porque muitos dos riffs da banda são complexos demais para tocar e cantar. Por isso, a banda chamou Déio Tambasco, que, na época gravava seu segundo disco solo, para atuar com a banda na guitarra base. Com a participação de Lufe na bateria, que trabalhava com a Oficina G3 por uns anos, o trio fundamental do grupo seguiu na ativa.

    A turnê de Humanos foi uma das mais longas da banda, e, assim, podia ser dividida em duas fases. A segunda, da Oficina G3 como um trio, recebeu um belo registro no Canta Zona Sul, ocorrido em abril de 2003 no Rio de Janeiro. Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos demonstraram ótima proficiência em seus instrumentos, e nos vocais também. Você pode ouvir os três em “Onde Está?”, por exemplo. Essas faixas foram remasterizadas e relançadas na coletânea Gospel Collection, lançada em 2014.

    Além dos shows, o grupo andava em alto vapor na produção de um álbum futuro.

    É assim, honestamente, eu preferiria que Deus preparasse uma pessoa, a minha vontade seria essa. Enquanto eu tiver que fazer, eu faço, e faço com amor, com seriedade, estou dando o meu melhor. O que eu posso fazer, estou fazendo. Mas é uma coisa minha com Deus. Se Deus quiser preparar outra pessoa, pra mim seria melhor. Mas eu também não quero colocar as palavras na boca de Deus ou dar ordens para Deus. [Juninho Afram, sobre ser vocalista, G3ManiA, 2004].

    As gravações de Além do que os Olhos Podem Ver foram demoradas, mas bastante positivas. O vocalista do Fruto Sagrado, Marcão, participou dos vocais e da composição de “Sem Trégua”. Déio Tambasco tocou guitarras em “O Fim é só o Começo”, música com sua influência de blues. Juninho Afram gravou os vocais, enquanto Duca Tambasco e Jean Carllos ficaram com seus respectivos instrumentos. Todo o processo de composição, no entanto, foi iniciado do zero durante seis meses, e foi o disco criado dentro da maior pressão e dificuldade já enfrentada pela Oficina.

    O álbum foi lançado em fevereiro de 2005, e vendeu 20 mil cópias em apenas três dias, alcançando elogios gerais pela sonoridade de volta aos trilhos. O peso no instrumental cresceu as especulações acerca do pop na fase com PG, mas Juninho negou que a culpa fosse do ex-vocalista, e afirmou que não havia um culpado para isto. Anos depois, Jean Carllos afirmou o mesmo, em outra entrevista.

    Déio Tambasco tocou com a Oficina G3 até que fosse convidado por Paulinho Makuko para voltar ao Katsbarnea, que estava sendo reformulado, e Lufe deixou de tocar com o grupo em novembro de 2006. Em seus lugares, chegariam os músicos Celso Machado e Alexandre Aposan.

  • Rocklogia – O hiato do Katsbarnea (2004-2007)

    Em 2004, o Katsbarnea iniciaria um novo tempo de crises. Paulinho Makuko deixara a banda e Jadão, juntamente com Marcelo Gasperini procuravam um novo vocal. No fim do mesmo ano, o cantor retornaria a banda novamente, enquanto paralelamente produziria o disco solo 12.

    Em março de 2005, após vários shows, Jadão sairia do Katsbarnea, com a vontade de se dedicar a outros gêneros musicais e cantores do meio gospel. Mais tarde, tornaria-se integrante do Filhos do Homem.

    O grupo se reuniria para gravar (na formação Makuko/Gasperini/Déio Tambasco) no final de 2006, quando Déio terminou seus compromissos com a Oficina G3 (abordaremos isso em breve…).


    O nosso relacionamento hoje é muito bom. Inclusive até já toquei com ele também, mas antes disso a gente se falava por telefone, MSN e quando a gente se encontrava sempre rolava uma festa – Iuhu! Antes da saída dele do Kats, ele tava dividido entre a carreira solo dele e a banda. Então ele teve que tomar a decisão. Com a saída dele o Kats voltou a andar novamente, gravou um novo trabalho. Na verdade ele não saiu né, porque a banda continuou a tocar as músicas dele… porque o Kats era o projeto principal de todos os integrantes, não havia divisão. [Jadão, sobre relacionamento com Brother Simion, Super Gospel, 2005]

    Eu não tirei o Simion do Kats. Quando ele saiu fui convidado para voltar para a banda no lugar dele, e aceitei o convite. E se você quiser saber mais sobre a saída do Simion pergunte para ele! [Paulinho Makuko, sobre saída de Brother Simion, Super Gospel, 2004]

    Não tenho muito pra falar porque não estou ligado a eles, não tenho contato com eles, mas que Deus os abençoe e possam ganhar muitas vidas pra Jesus. [Brother Simion, sobre contato com o Katsbarnea, Super Gospel, 2005]

    A minha saída foi desgaste de convivência, eu amo o Katsbarnea, demos muitas risadas juntos, viajamos o Brasil todo ganhando almas para Jesus, ganhei muito dinheiro. Às vezes me sentia sufocado, amo os músicos que estão e que passaram pelo Kats. A minha saída foi uma questão humana, o dedo humano me fez sair, até poderia ter ficado, mas a escolha da saída foi minha. Em relação à banda não os vejo desde Janeiro de 2004 e com o Apóstolo a minha relação é maravilhosa sempre vejo ele conversamos numa boa, mesmo porque frequento a Renascer Lins e ele sempre está lá e não pretendo sair de lá também. [Paulinho Makuko, sobre saída da banda, Super Gospel, 2004]

    Eu não estou aqui para agradar a gravadora nenhuma e muito menos ao homem, estou aqui para a obra de Deus, e comigo no vocal foi onde o Kats teve a maior vendagem de CDs de todos os tempos sendo que foram cem mil cópias do CD Acústico. [Paulinho Makuko, sobre o fato de alguns fãs gostarem mais da época com Simion nos vocais, Super Gospel, 2004]

  • Rocklogia – Rosa de Saron

    Antes de tudo, preciso esclarecer algo que nunca disse na Rocklogia: o rock cristão nacional, sim, tem participação das bandas católicas! Digo isso porque a impressão que dá, em um ano e meio de Rocklogia é que os grupos católicos não tiveram participação efetiva e importante neste processo, o que é o contrário. Mas, na minha limitada visão, me reservei a abordar bandas e músicos os quais teria mais propriedade e conhecimento para contar suas histórias. Por isso que,  por exemplo, eu não mencionei o Virtud até hoje aqui, pois não conheço o suficiente sobre o conjunto para falar dele.

    Ao mesmo tempo, o Rosa de Saron tem se destacado de uma forma muito positiva no meio musical em geral no meio dos anos. Quebrando as barreiras do religioso versus profano, do católico versus evangélico, sua música é bem produzida, embora não seja composta por grandes músicos (e quando falo grandes músicos, não me refiro exatamente em competência nos seus trabalhos, mas a reconhecimento). O que pode faltar no instrumental do Rosa ganha em dobro nas letras poéticas. Confesso que não conheço muito do grupo, mas há um colunista aqui do site que é fã do grupo. Creio que o Jhonata Fernandes da Um Brinde tem muito mais propriedade para falar do Rosa aqui, e por isso o convidei para escrever o post desta semana. Com vocês, abaixo, as palavras dele sobre o Rosa de Saron.


    Quando recebi o convite do Tiago Abreu para falar um pouco do Rosa de Saron aqui no Rocklogia como espécie de biografia da banda, me senti muito honrado, mas ao mesmo tempo senti uma grande responsabilidade sobre mim. É difícil descrever a história de uma banda a qual você é muito fã, com uma análise crítica da trajetória musical deles. Mas, agora, vamos tentar conhecer o Rosa de Saron, que muitos só conhecem por nome e por algumas músicas consideradas românticas.

    A banda nasceu da renovação carismática dentro da igreja católica em 1988 em Campinas. Rogério Feltrin, líder e baixista da banda, se uniu com Marcelo Machado, vocal, Eduardo Faro na guitarra, Alessandro na bateria, Alex Nozaki Mota na guitarra dois e Eduardo Bortolato nos teclados, e formavam a banda Rosa de Saron, primeira banda de rock católico no Brasil e acredito que foi a primeira do mundo. Lançaram seu primeiro disco em 1995, intitulado Diante da Cruz, e com uma temática bem evangelística. O álbum lançado pela CODIMUC, gravadora católica, alcançou um público gigantesco nunca antes alcançado por ministérios de louvor do mesmo segmento. O trabalho tinha elementos de hard rock e heavy metal. Marcelo Machado, vocalista, teve poucas canções de sua autoria no disco, contando com “Sacrifício Perfeito” juntamente com o Eduardo Faro, “Latas Retorcidas” junto com o Daniel Colazzos e a faixa-titulo em parceria com o Rogério Feltrin e Eduardo Faro. As nove faixas versava assuntos como drogas, dependência de Cristo e adoração ao Pai. Em 1997, era lançado Angústia Suprema, o qual a banda conseguiu expor mais seu lado católico sem ser chato. Claro, com exceção da música “Intro”, intitulada “Via Crucis”, que mais uma vez foi feita pelo tecladista Eduardo Bortolato, repetindo sua dosagem devocional que fez no “Rosa de Saron (Intro)”, do álbum de estreia, que mostra a ‘áurea’ sonora do catolicismo. Em seguida, surge “Olhos Vermelhos”, composição de Feltrin, o qual também assina “Século I” em parceria com o vocalista Marcelo Machado e o guitarrista Eduardo Faro, e “Angústia Suprema” também em parceria com o Edu. O disco é fechado com “Tempo”, “Chance”, “Carregue os Feridos”, “Caminho de Emaús”, “Anjos das Ruas” e “Linda Menina”. Além de “Angústia Suprema”, “Chance” e “Anjos das Ruas” foram as músicas de mais destaque desse álbum, sendo regravadas no álbum acústico em comemoração de 20 anos de banda em 2008. Em 1999, a banda gravou um EP com três faixas chamado Olhando de Frente. A música teve apenas “Mesmo Assim” e “Olhando de Frente” como inéditas, sendo a faixa 3 uma versão remix da música “Diante da Cruz”. O EP não foi muito sucesso. Talvez aqui venha um retrocesso do sucesso que foi o Angústia Suprema.

    Ainda em 1999, Marcelo Machado, que já tinha um trabalho com sua atual banda, The Flanders, decidiu deixar o Rosa alegando estar difícil a conciliação de ambas as bandas. Uma das especulações é que ele queria investir em outros sons e isso não seria feito com o Rosa de Saron. Outros integrantes também deixaram a banda até 2000 como exemplo o tecladista Eduardo Bortolato. O baterista Grevão entrou mais ou menos nesse período de transição da banda.

    Mas da formação atual, o último a entrar na banda foi Guilherme de Sá, atual vocalista e um dos melhores da atualidade no cenário rockeiro no Brasil. Em 2002, a banda voltou a gravar com o novo membro e também mudando sua estrutura de composições: se antes ouvia-se a banda identificando um problema, mostrando e dizendo uma forma para solucioná-lo, a partir de Depois do Inverno, vemos um Rosa de Saron exteriorizando os sentimentos e mostrando sua perspectiva sem se preocupar em mostrar soluções fáceis e objetivas. Em outras palavras, ficou mais poético. A entrada de Guilherme serviu para mostrar um lado que estava morno ainda: a individualidade que uma banda pode ter. Quando ouvimos Diante da Cruz, por exemplo, percebemos um aglomerado de referências musicais mas sem nada que fosse indubitavelmente autoral. Com a entrada de Guilherme, o som modificou-se, já que ele também é guitarrista e violonista. Algumas canções desse álbum ficaram marcadas, como “No meu coração”, “Estar com você” e “Muitos Choram”. Acho que o único defeito extremamente perceptível deste projeto é a capa. Sinceramente não me agrada.

    https://www.youtube.com/watch?v=erOGESfTVRo

    Eu tinha esquecido deste importante detalhe, mas as capas do Rosa de Saron de 1995 até 2008 que foi o lançamento do acústico, foram muito ruins. O projeto gráfico só veio melhorar – isso em minha perspectiva – em 2009 com o Horizonte Distante. Mas não julguem o trabalho da banda pela capa, pois o conteúdo faz valer a pena a falha da arte.

    Em 2005, veio o Casa dos Espelhos, com produção de Guilherme de Sá, tendo grandes músicas emplacando nas rádios como “Sem Você” e “Lembranças”. Considero este como um dos melhores álbuns da banda. A dosagem de guitarras foi muito bem aplicada e a ordem das faixas fizeram muita diferença. Eles mantiveram o número de 12 faixas comparado ao trabalho anterior. E em 2007 a banda gravou um CD Acústico, e no ano seguinte um DVD Acústico e Ao Vivo na sede da Rede Século XXI em comemoração de 20 anos de banda. Não vou falar muito do acústico aqui pois já estou fazendo uma resenha sobre ele e sai em breve aqui. Mas resumindo, o acústico foi o primeiro DVD da banda e poupando palavras: ficou muito bom, a nível de acústicos de bandas famosas como Scorpions, Engenheiros do Hawaii e Aerosmith. Em 2008, foi lançado o livro Rock, Fé e Poesia – 20 anos de Rosa de Saron narrados através de suas músicas, escrito pelo baixista Rogério Feltrin.

    A banda conseguiu e consegue manter lançamentos anuais. Para mim isso é ótimo, pois sou um radical-devorador-de-álbuns e 1 ano é suficiente para absorver as principais informações do disco e me preparar para o próximo lançamento da banda. Isso se repetiu com o Horizonte Distante. Após dois anos dedicados a acústico em comemoração de duas décadas na estrada, eles não descansaram e já pegaram as guitarras mais uma vez para lançarem o Horizonte Distante. E aqui eu acho importante abrir um parêntese. Este disco é ímpar no repertório da banda, porque mostra um Rosa de Saron sólido, com todos os instrumentos sendo audíveis e letras entendíveis. O que quero dizer de fato com essa afirmação? É que o HD marca um novo tempo na carreira da banda e isso é um fato inegável, pois só quem acompanha a banda desde 2006, como eu, sabe o que os caras passaram para estar onde estão. Fecha parêntese. Eu fiz resenha desse disco aqui, mas vale reforçar que 70% dele estourou nas rádios. Perdi a conta de quantas vezes eu vi a Rede Globo reprisar o comercial de divulgação do disco e de quantas tardes eu ligava a rádio 98FM daqui de Rio Branco e ouvia “O Sol da Meia-Noite” e “Perto, Longe e Depois” (que ficou de fora do disco por direitos autorais). Foi e é um disco louvável que acabou sendo disco de ouro. E se tratando de prêmios e certificações, o Rosa de Saron é especialista. Ganhou, por vários anos o Troféu Louvemos o Senhor e foi indicado, por vezes, ao Grammy Latino.

    Em 2010, veio o primeiro DVD elétrico, o Horizonte Vivo Distante, gravado no HSBC, em São Paulo. O DVD foi sucesso de vendas e teve seu formato em CD também muito vendido. O trabalho teve participação especial do cantor Maurício Manieri cantando “Rara Calma” e justo no dia do seu aniversário. A banda também cantou a música “Mais uma Vez”, de composição do Renato Russo e Flavio Venturini. No ano seguinte, em 2011, foi ano de JMJ (Jornada Mundial da Juventude) em Madrid, Espanha. E a banda gravou seu segundo EP da carreira e primeiro em outro idioma. O EP contém musicas super populares no repertório da banda em espanhol e em inglês. Eu já fiz resenha desse trabalho aqui, confere lá.

    Como eu já disse, todo ano eles se superam e em 2012 foi um ano fenomenal em termos de composições: eles lançavam O Agora e o Eterno, mais um pela Som Livre e que foi um sucesso de vendas, recebendo, também, disco de ouro. Considero o melhor trabalho de estúdio da banda até aqui. Em 2013, lançaram o terceiro DVD, o Latitude, Longitude, em símbolo dos 25 anos de banda, que teve muitas (boas) participações especiais, a exemplo de Mauro Henrique (Oficina G3), Johnny Voice e Renato Vianna. Em 2014, a banda lançou o CD Cartas ao Remetente e trouxe uma renovação do som pesado o qual faziam anos atrás e foi aliviado com o acústico e trabalhos mais densos. Numa apresentação da banda no programa Encontro com Fátima Bernardes da Rede Globo, falavam de religião e Guilherme opinou dizendo que a salvação não está restringida aos católicos. Em seguida, o padre Paulo Ricardo fez um vídeo em seu canal, contra-argumentando o Guilherme e chamando-o de herege. Isso abalou muito o vocalista, que até pensou em aposentadoria. Claro que essa noticia mobilizou os fãs, e comigo não foi diferente: fiz grupos no Facebook, campanha e até orei para que ele não parasse de cantar, não naquele momento e por aquele motivo.

    Enfim galera, eu não sei mais o que dizer. A banda Rosa de Saron é sensacionalmente incrível! Digo como fã. Atualmente o grupo tem 150 mil acessos/mês no site oficial, mais de 2,3 milhões de fãs no Facebook, quase 200 mil seguidores no Twitter e mais de 29,8 milhões de views em seu canal do YouTube. Números grandes para bandas de rock no Brasil.

    Concluindo: nunca havia feito biografia de banda nenhuma, e gostei da experiência. Queria ajudar o Tiago e falar um pouquinho da historia dessa banda. Obrigado e muito rock, fé e poesia pra nós!

  • Rocklogia – A polêmica saída de PG

    A saída de PG é, até hoje, a história mais polêmica e controversa na longa história da banda Oficina G3. Se por um lado, com Humanos, a banda tentava impulsionar sua unidade, creditando todas as faixas aos quatro integrantes, no fim de 2003 PG tornaria-se pastor e, mais tarde, anunciaria sua saída do grupo. O grande problema a respeito de sua saída, na visão de Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, na época, foi que o vocalista supostamente não pensou no grupo e sequer os preparou. Sabendo os motivos ou não, a manchete “PG saiu do Oficina G3” foi bastante polêmica na época.

    Por outro lado, PG afirmava que suas atividades pastorais, as quais já ocorriam há uns certos meses, não encontrava apoio total de seus colegas de banda e que queria um tempo particular para exercer seu ministério como pastor. O músico ainda afirmou que, no momento de sua saída, tinha escrito cerca de oito músicas sem letras, as quais não utilizou para seu disco solo, Adoração. No entanto, a Oficina G3 nunca se pronunciou se algumas dessas oito músicas foram utilizadas em Além do que os Olhos Podem Ver.

    Antes da Oficina G3 lançar um disco, PG já chegava com seu trabalho de estreia como cantor solo. Segundo o músico, grande parte do trabalho foi feito em conjunto com seu irmão, com colaborações de Emerson Pinheiro em algumas gravações. Assim, Pinheiro levou crédito como produtor musical. Vale lembrar que, no momento de sua saída da Oficina, o cantor ainda tinha um contrato a cumprir, e, através de um acordo com a MK, passou a cumprir o restante deste contrato com uma carreira solo.

    Em janeiro de 2004, PG, Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos se encontraram na sede da MK Music, um encontro bastante tenso o qual não detalham. A relação entre os músicos só melhoraria anos depois.

    Confira nossa seleção de citações a partir de várias entrevistas feitas na época. Uma, com PG, outra com os três integrantes da Oficina G3 e algumas citações de outra entrevista.


    Este mês, fiz apenas duas apresentações. Todo o tempo restante eu dediquei à minha igreja, ministrando o louvor com a minha banda, que também é de lá. Eu sou líder de louvor de todas as nossas igrejas. Hoje tenho mais responsabilidades, e preciso de pessoas ao meu lado que entendam isso. Numa banda em que todos mandam, há conflito de idéias. Hoje existe uma liderança, mas que é conquistada, e não imposta. Nós pensamos da mesma forma. Eu acredito que ser uma banda não é comer pizza todo dia junto. É ficar uma semana sem se ver, mas mesmo assim continuar orando um pelo outro. Hoje não vou mais à igreja só aos domingos, tenho liberdade para administrar minha agenda. [PG, a respeito das mudanças da carreira solo em relação à banda, Universo Musical, 2004]

    A gente realmente ficou muito decepcionado, a gente não esperava que as coisas acontecessem dessa forma. É impossível ficar indiferente diante de coisas do tipo: “olha, amanhã eu vou ser presidente da GM do Brasil e não posso mais tocar no Oficina G3″. Vou estar mentindo se falar que a gente é amigo hoje. Não dá pra dizer que continuamos amigos. Mas isso não é bom pra gente, pra mim, pro Juninho, pro Duca, pro PG! E pra ninguém. [Jean Carllos, sobre a saída de PG, G3ManiA, 2004]

    Passamos por momentos difíceis como qualquer pessoa. Vivemos muito tempo juntos e, como num casamento, existem momentos de extrema alegria e de dificuldades, as vezes pintam divergências de opiniões, ocorrem desentendimentos, mas sempre conseguimos passar por cima disso. Estamos juntos há muito tempo nesta formação: Duca está há 10 anos, Jean há 8 anos e o PG ia fazer 6 anos. Houve nesses anos algumas discordâncias sim, mas sempre resolvemos numa boa. [Juninho Afram, sobre o relacionamento da banda, Revista O Levita, 2004]

    Na época algumas pessoas do meio musical me fizeram essa proposta. Mas nem eu nem o pessoal da banda nunca fomos a favor disso. E eu não saí porque queria fazer uma carreira solo, mas sim por causa de um propósito, o meu ministério pastoral, que não estava sendo bem compreendido. Era aquela coisa: “eu entendo, mas não aceito”. E eu não queria ser o chato da banda. Sabe a história de Sadraque, Mesaque e Abdenego? Eles eram três, mas tinham um único objetivo. Por mais que um deles tivesse medo, eles estavam juntos, acreditavam um no outro. Comentaram muitas coisas erradas quando eu saí. Não houve briga, não saí porque queria ganhar dinheiro. Saí exatamente porque queria continuar cantando e me dedicar a outros propósitos. Onde estava eu não conseguia. [PG, sobre manter uma carreira solo junto à banda, Universo Musical, 2004]

    Quando o cantor tem uma carreira solo além de ampliar os horizontes ele ganha mais. No meu caso, saí do Oficina G3 devido a um ministério; fiquei seis anos sem gravar. Mas o que efetivamente acontece é que muitas vezes as próprias gravadoras incentivam isso. O desejo de algumas gravadoras é que o CD seja vendido e as vezes Deus não faz parte deste contexto. [Luciano Manga, sobre divisões em bandas, Revista O Levita, 2004]

    Realmente existia uma amizade, mas depois de tudo que aconteceu, ficou um sentimento chato, mas a gente tentou, acredito que todo mundo tentou não deixar a coisa acabar. Mas infelizmente, depois de algumas conversas, depois de um último encontro que tivemos na MK no começo do ano, que não foi muito legal, chegamos à conclusão de que o relacionamento foi embora. E hoje a gente coloca diante de Deus, na presença de dEle, pra que Deus a seu tempo possa trazer uma cura. [Juninho Afram, sobre o relacionamento da banda com PG, G3ManiA, 2004]

    A gente ficou sabendo através de um comunicado. [Duca Tambasco, sobre a saída de PG, G3ManiA, 2004]

    Em primeiro lugar, quero deixar claro que, quando saí, nunca disse que iria parar de cantar. Eu havia sido promovido a pastor, mas mesmo assim permaneci seis meses na banda. O que eu fazia no Oficina não estava mais de acordo comigo. E a Bíblia diz: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”. Esperei o tempo certo, e tenho certeza de que fiz a vontade de Deus. Quanto à sua pergunta, realmente muita gente achou que eu ia mudar de estilo. [PG, sobre a sonoridade do disco ser rock, Universo Musical, 2004]

    O Manga começou com a gente. Desde o começo, ele já tinha atuação na igreja, e, depois de anos juntos, o Manga foi transferido para ser pastor no Rio de Janeiro. Chegou uma hora que se tornou impossível ensaiar, tocar. A gente tocava uma, duas vezes por mês, no máximo. Até que um dia a gente conversou com o Manga e ele mesmo chegou pra nós e falou assim “gente, realmente, do jeito que tá eu não consigo, eu não tenho como cumprir os compromissos da banda”. Foi então que, junto com o Manga, procuramos outro vocalista, e ele ajudou a achar o PG, e orou pelo PG junto com a gente. As diferenças principais são essas: quando o Manga saiu a gente já tinha o PG. Quando o PG saiu, a gente não tinha ninguém. [Juninho Afram, sobre as diferenças na saída de Luciano Manga e PG, G3ManiA, 2004]

    Acho que já está mais do que provado que o Oficina G3, pelo seu tempo de estrada que já tem, é capaz de prosseguir, até porque Deus não vai desampará-los, como também não me desamparou. Acho que existe uma perda em relação à pessoa porque o PG não faz mais parte do Oficina. Mas quanto ao grupo n/ao, o Oficina G3 é um grupo amadurecido. [PG, sobre Oficina G3 sem PG, Revista O Levita, 2004].

    O que eu tenho pra dizer é que, é impressionante como o Juninho come! Ele chegou aqui e falou assim “cara, não vou comer porque já jantei, que desperdício de dinheiro”. Cara, ele não parou de comer até agora! Nunca vi isso! (risos) [Duca Tambasco, sobre alimentação de Juninho Afram, G3ManiA, 2004]


  • Rocklogia – Catedral após as turbulências

    Após o fim do contrato com a WEA, a banda optou pela Line Records, gravadora a qual lançaram o álbum que é considerado por muitos o melhor da Catedral, o acústico Acima do Nível do Mar que vendeu muito e mesclou canções inéditas com regravações.

    Em 2003, uma enorme fatalidade ocorre e o guitarrista Cezar morre num acidente. Obviamente, isso impactaria enormemente a carreira e vida pessoal dos integrantes da banda, principalmente seus irmãos Júlio e Kim. No ano seguinte, continuando a parceria com Carlos Trilha, lançaram A Resposta de 1 Desejo, que apresenta materiais póstumos do guitarrista e é sua última participação na banda. Os integrantes remanescentes passaram a atuar com guitarristas convidados, postura que mantém até os dias de hoje, mais de dez anos da morte do músico.

    Em meados de 2006, lançaram Atemporal, o qual contém várias canções da fase MK com novos arranjos. Afinal é de certa forma complicado manter no ostracismo anos de vastos repertórios que foram tirados de circulação. O processo ainda seguia, sem resultados.

    Após vários discos e o investimento na carreira independente, a Catedral lançou M.I.M, com uma edição limitada incluído com materiais inéditos da banda. No ano seguinte, fecharam contrato com a Sony Music e o relançaram com capa branca.

    No final de 2013, o jornalista Ricardo Alexandre publicou em seu portal sua visão a respeito da banda e a polêmica da Usina do Som. Por conta disso, logo a Catedral gravou um longo vídeo esclarecendo todas as histórias e controvérsias que a envolvem.

    Com a breve passagem pela Sony Music, e atualmente, na Mess Entretenimento, a banda prepara um trabalho de 25 anos e anunciou o término das atividades.

  • Rocklogia – A volta dos que não foram

    Embora a história do Fruto Sagrado tenha muitos elementos para comentar ou analisar, prefiro trazer o restante acerca da banda em um único post, até porque há muitas informações as quais não acrescentariam aos leitores acerca do grupo, e poderiam até mesmo servir para ressuscitar mágoas antigas por parte de integrantes. A verdade é que, em meados de 2002, o então quarteto possuía uma proposta promissora por parte da MK Music, e várias mudanças ocorrendo em sua estrutura interna.

    A MK, até aquele presente momento procurava expandir seu leque de artistas. O incidente com o Catedral não afetou a gravadora, que encontrou, na Oficina G3, a substituição perfeita da “representação do rock” no selo. A banda indicou Brother Simion, e, provavelmente, essas conexões abriram a porta para o Fruto Sagrado.

    Entretanto, o processo da Salmus Produções ainda estava sendo requentado na estrutura interna da banda, e as mudanças musicais se expandiam para seu disco futuro, O que na Verdade Somos. Nesta época, o vocalista Marcão deixou seu baixo para o músico convidado Francisco Falcon, enquanto Bene Maldonado atuava como produtor musical no disco. Existem muitas controvérsias acerca da gravação deste disco, as quais você poderá entender melhor nos links contidos no fim deste texto.

    Era exigência da gravadora que as pendências com a Salmus fossem resolvidas, e elas foram. Com atraso, O que na Verdade Somos foi lançado em janeiro de 2003, e o disco é, até hoje, o mais conhecido da banda. Com canções de impacto como “A Sanguessuga” e “Vício”, com muita influência do new metal, além de baladas características, como “Não Quero mais Acordar Assim”, “O que na Verdade Somos” e “Diferente dos Anjos”. É claro que o contrato do Fruto com a MK não foi recebido com louvor por parte do público, até porque, o grande medo era que a sonoridade da banda tendesse ao pop, como ocorreu com a Oficina G3 e Brother Simion nos álbuns O Tempo e Redenção. Como resposta, Marcão defendeu a gravadora afirmando em uma entrevista divulgada no DotGospel que “grande parte do que se fala a respeito da MK é lenda […]”, e um disco muito mais pesado que os anteriores. O cantor João Alexandre participa em “O Sangue de Abel”, enquanto Amaury Fontenele produz uma faixa-bônus.

    Após meses o lançamento do disco, Bênlio Bussinger estava de fora do Fruto Sagrado, e sua saída foi, certamente, o ponto mais polêmico na história da banda. Na época, o tecladista e Marcão chegaram a trocar ofensas em fóruns (principalmente o DotGospel e o Fórum Gospel Mania). É claro que nos dias de hoje é praticamente impossível verificar, afinal, além de terem removido o material, o DotGospel está fora do ar há alguns anos, mas quem viveu a época lembra-se bem. Nestes tempos, também, Bênlio ofereceu uma entrevista à Revista Eclésia, e após à publicação, queixou-se de que o material publicado não era exatamente suas palavras. Mais tarde, diria que o vocalista processou-o, embora tenha perdido na justiça.

    Uma das músicas previamente escaladas para O que Verdade Somos não chegou a ser lançada, e existem muitas especulações a respeito disso. Citam, por exemplo, que “Vai Acabar” foi censurada pela gravadora, no entanto, esta informação se choca com a afirmação de Marcão, em 2003, que a gravadora não interferiu em nenhum processo da produção do disco. “Vai Acabar” apareceu posteriormente no álbum seguinte, porém praticamente distinta de sua versão anterior, a qual apenas um trecho pode ser encontrada na rede, com letra.

    https://www.youtube.com/watch?v=dEae8jrnKws

    Como um trio, a banda retornou aos estúdios Reuel ainda em 2004, para gravar um disco que seria a resposta dos questionamentos de O que na Verdade Somos. Distorção, musicalmente, é mais duro que o anterior. “Superman” claramente tornou-se, e ainda é, uma das principais canções da banda, embora contrasta com a polêmica “O Preço”. Nesta época, Marcão estava simpaticamente alinhado com as ideias do que se tornaria o novo movimento, e parte do álbum possui letras mais complexas, mas entendíveis até mesmo por pessoas de fora do segmento evangélico. No entanto, é claro que em pleno 2005 uma gravadora não saberia utilizar-se desta característica para divulgar melhor o trabalho da banda. O contrato com a MK foi encerrado logo após este projeto.

    “Cantar ou compor coisas como “Amar ao meu irmão assim como Jesus me amou”, “chorar com os que choram, se alegrar com os que cantam” é algo de muitíssima responsabilidade. Estamos todos os 4 na mesma situação. Quem não estiver é porque é tão indiferente que nem sente a seriedade desse “cheque-mate” do mundo espiritual que você levantou. Ao que li da letra de “O Preço”, não é bem a mensagem que eu esperava ouvir do Marco e do Bene, os autores. Enquanto cristãos, isso se o Bene entrou para uma igreja depois da minha saída, porque antes não havia compromisso algum.

    É quando de fato um ministério deixa de ter esse efeito e passa a ser uma banda de artistas que dominam a arte da poesia e da música, coisa inegável entre eles. Os caras são muito, mas MUITO bons no que fazem, ainda mais com o apoio de um estúdio. Uma qualidade absurdamente boa.

    Assim que saí comecei a escrever coisas novas e vi que é difícil demais escrever o que vem do coração sem trazer à tona a confusão. Ou eu deletava as letras novas ou usava as antigas (não poucas) que escrevi e foram dispensadas com desprezo pelo Marco. A parceria Bene x Marco já estava perfeita. Letras do Marco, riffs do Bene. Eu já tinha dançado mesmo”. [Bênlio Bussinger, 2008]

    Embora tenham ocorrido tais acontecimentos, Bênlio afirmou publicamente, tempos depois, que sua situação com Marcão tinha se resolvido. Marcão afirmaria, após a saída da banda, que reconhecia vários erros cometidos durante a carreira e que preferia, naquele momento servir a Deus na comunidade local. Sylas e Bene decidiram continuar as atividades do grupo com um novo vocalista, já que Marcão tornara-se pastor. Assim, Vanjor foi integrado. Em 2010, foi lançado o álbum Fruto Sagrado 20 Anos, e durante o ano de 2012, o trio divulgou seis canções inéditas.

    “Quando eu percebi que o Fruto estava servindo mais a mim que ao Reino então eu decidi sair. Demorou pra eu perceber que eu era muito mais servido do que servia, mas o Espírito Santo me mostrou! Hoje eu continuo apaixonado por ROCK, apaixonado por música, apaixonado por Jesus e apaixonado em servir!

    O louvor aqui da minha igreja é executado praticamente todo com rock, só que agora eu vivo música pra servir a minha comunidade local que nunca foi assistida por mim… porque quem faz muito show aos fins de semana não tem tempo pra servir a igreja local – essa é que é a verdade – e vocês precisam pesar tudo isso na balança – qual é o chamado de vocês hoje? É realmente pra estar numa banda que fará muitos shows no Brasil e com isso o Reino de Deus será glorificado? Se é esse o chamado de Deus pra vida de vocês hoje, quem estiver fora estará em pecado!” [Marcão, 2010]

    https://www.youtube.com/watch?v=288hEfhYVvI


    Links

    Letra da versão original de “Vai Acabar”

    Entrevista com Marcão (2003)

    Bênlio conta, em fórum, detalhes acerca de sua saída e conflitos internos com os ex-colegas de banda (2008)

    Marcão fala sobre seus anos de banda e o motivo de sua saída (2010)

  • Rocklogia – Humanos

    O sucesso de O Tempo não foi de fato acomodante para a Oficina G3, até porque, após o disco, um dos dois integrantes restantes da formação inicial deixou a banda. O baterista Walter Lopes, após diferenças musicais e administrativas saíra, após cerca de quinze anos de atividade.

    A Bíblia já diz em Eclesiastes 3: 1-8 “que pra tudo tem um tempo determinado”, e esse essencialmente é o principal motivo. Houveram alguns problemas pessoais que se completaram com desencontros de idéias e princípios que divergiam da banda, o que culminou na minha saída. Claro que não foi fácil, foi um processo, onde Deus me fez entender seus propósitos, e hoje tenho paz em dizer, que “há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo….” [Walter Lopes, Super Gospel, 2002]

    Apesar disso, a banda não parou. Juninho Afram, como remanescente da formação original e agora líder do grupo decidiu que não colocaria nenhum membro fixo na bateria. PG trouxe seu irmão, Johnny Mazza para tocar com a Oficina G3 por um tempo. Mais tarde, a banda optou por tocar com o músico Luís Fernando, vulgo Lufe, que, anos atrás era integrante num trio juntamente com o baixista Duca Tambasco e seu irmão Déio.

    Nesta altura do campeonato, PG havia se estabelecido como importante compositor para a banda, mesmo que Juninho Afram continuasse como o letrista majoritário. O vocalista escreveu, juntamente com Emerson Pinheiro, aquela que se tornaria a faixa mais comercialmente viável do disco, “Te Escolhi”. As canções novas que surgiam estavam fortemente influenciadas pelo new metal (que era a tendência da época), como as pesadas “Onde Está?” e “Até Quando?”. Humanos foi lançado no final de dezembro de 2002.

    A repercussão de Humanos, até os dias de hoje foi a mais negativa de toda a carreira da banda. É preciso esclarecer que, comercialmente, o álbum saiu-se muito bem, ganhando disco de ouro da ABPD ainda em 2003 por mais de 100 mil cópias vendidas, no entanto, grande parte da crítica especializada e os fãs mais antigos “torceram o nariz” com o projeto, principalmente no que cerca à sua inconsistência. Humanos não conseguiu criar uma unidade entre suas faixas mais pesadas e o excesso de baladas. O hard rock característico da banda é inexistente, embora os integrantes da banda, na época, estivessem bastante satisfeitos com o disco: “Muitas pessoas acham que o nosso disco mais pesado é Indiferença, que tem uma concepção heavy metal. Mas eu acho que os rocks de Humanos são os mais pesados que já fizemos“, disse Juninho Afram em 2003 para o Universo Musical. Ainda disse que estava ouvindo muito P.O.D. e Linkin Park.

    Humanos foi o último álbum com a participação de PG como vocalista. Sua saída, em 2003, gerou um grande imbróglio entre os membros do grupo. Esta ocorrência será detalhada em um artigo, em breve.

  • Rocklogia – 15 anos de Resgate

    Várias bandas e artistas de rock tem aquele álbum catastrófico, com músicas medianas (ou até mesmo horríveis). Se a “horripilância” da Oficina G3 é Humanos e do Rebanhão é Vamos Viver o Amor, o do Resgate é, de longe, Eu Continuo de Pé. A única coisa que se salva deste disco é a ótima “Pra Todos os Efeitos”, que até hoje continua no set list de shows da banda. O Resgate até que tentou por “A Resposta”, mas não adiantou. Na coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito a única música do álbum que figurou foi “Pra Todos os Efeitos”, com a banda admitindo que o disco é resultado de uma maré muito baixa nas composições. ““Pra Todos os Efeitos”, é a canção que mais gostamos de um CD que não gostamos. O título era “Eu Continuo de Pé”, tinha uma bela proposta, mas eu acho que foi uma maré baixa nas composições. Ainda assim, tem algumas coisas legais para lembrar, esta música é uma delas, diz Zé Bruno no encarte do álbum. “Amor”, por sua vez, foi regravada no recente disco de 25 anos da banda.

    À exceção disso, Eu Continuo de Pé marca a primeira vez em que o tecladista Dudu Borges integra a banda. O grupo trabalhava com Paulo Anhaia, mas devido ao talento do jovem músico, Dudu tornou-se o produtor da banda nas obras subsequentes. A escolha foi ótima. Dois anos depois, o Resgate grava seu CD e DVD 15 anos – ao vivo, que reúne seus maiores sucessos. Dudu está lá, tocando e produzindo. Dentre as inéditas, temos as ótimas “O Meu Lugar” e “O Rio”. Também temos “Mais Longe”, que é tão ruim quanto as canções do Eu Continuo de Pé.

    Nesta época, para promoverem o álbum, lançaram o clipe de “O Meu Lugar”, que quase ocasionou um acidente fatal com um avião. Ainda bem que o acidente não aconteceu e a banda continua a existir, nos dando boas músicas.

    Em 2005, os demais integrantes do Resgate resolveram aceitar Dudu Borges como integrante do grupo. Dudu, antes era integrante de outra banda chamada Patmus, que se encerrou anos antes de sua entrada. Mais tarde, ele se tornaria um exímio produtor musical no cenário nacional.