Ninguém é louco de dizer que um disco, lançado lá nos idos de 1994, chamado Raimundos, não foi de extrema importância para o rock brasileiro. Quando esses ‘caras’ produziram uma obra contendo clássicos que misturavam hardcore, punk, forró e outros gêneros tipicamente brasileiros e revelou canções como “Puteiro em João Pessoa” e “Nêga Jurema”, o país conhecia um quarteto que se estabelecia, especialmente, pela criatividade de um guitarrista chamado Rodolfo.
Enquanto outras bandas, como o Legião Urbana, se despediam ou se afundavam em melancolias, esses sujeitos de Brasília se jogavam a um som cheio de atitude, humor e energia, que marcaram a cena nos anos 90. A história mostraria que a intensidade ainda se seguiu com o disco sucessor, Lavô Tá Novo (1995), que revelou “Esporrei na Manivela” e “Eu Quero Ver o Oco” e a mistura musical que faziam, chamada de forrocore. E no sucesso meteórico do Mamonas, então (que mesmo tendo uma vibe musical distinta, era fortemente adepta do humor), o Raimundos encontrava legitimidade para o meio, que sofria retrações comerciais frente ao sertanejo e pagode.
Mais tarde, escorregaram com Lapadas do Povo (1997), mas certamente a banda teve o atestado de que, naquela altura do campeonato, a grande massa e a indústria não estava levando o rock (embalado nos Acústicos MTV) tão a sério. Com um disco mais direto, complexo, estranho e próximo ao hardcore, a banda teve imensa dificuldade de se inserir nas rádios. A única opção, então, era retornar a caricatura que os fizeram conhecidos, mas sempre a inserir uma certa crítica bem implícita. A capa de Só No Forévis (1999), maior sucesso comercial do Raimundos, já tecia, com uma dose certeira de ironia e bom-humor, a declaração de que os ‘pagodeiros’ estavam tomando espaço. “Me Lambe”, “A Mais Pedida” e o enorme hit “Mulher de Fases” era uma amostra das várias boas músicas no repertório, como “Fome do Cão” e “Alegria”. Fecharam os anos 90 com um sucesso que nenhuma outra banda, nos anos 2000, emplacou.
Se o sucesso do grupo estava cada vez maior, seu guitarrista e principal letrista, Rodolfo, não estava em seus melhores momentos. O músico, que sempre enfatiza isso, tornou-se cristão protestante após afundar no vício em drogas, o que mudaria fortemente sua visão acerca das coisas. Agora, tomando uma nova “ótica”, Abrantes notou que estava sendo um “personagem”, e para não se tornar uma mera caricatura decadente, optou deixar a banda em 2001.
O Rodox surgiu em seguida, com o disco Estreito, cujas canções, por vezes, falam abertamente da nova fé de Rodolfo. “Olhos Abertos” abre o disco com frases como “Mais de uma coisa eu sei / Foi o homem quem criou a lei / Que eu conheço e não sigo / Hoje eu só sirvo ao meu Rei” e é seguido por “Não Lembro Mais” e seu trecho “Já não sou mais eu quem está na direção“. O grande feito do Rodox, talvez, é de ter chamado a atenção de dois diferentes públicos: parte do público cristão, menos legalista e mais ligado ao rock, e ao público não-religioso, que acompanhou a banda por consequência do caso Rodolfo. Musicalmente, era um grupo com excelentes músicos, trazendo até Canisso, ex-colega de Raimundos, na última formação. Mas aquele equilíbrio estético entre as boas letras, sem qualquer proselitismo, e as experiências de fé de Rodolfo tinha um curtíssimo prazo de validade. Logo Abrantes queria promover suas crenças sem a aprovação de seus colegas, a gota d’água.
Punk e cristianismo, uma mistura possível ou estranha? Seja qual a resposta, uma banda, em cenário protestante, chamava a atenção naquele período. Militantes, conjunto surgido no fim dos anos 90, chegava em 2004 com o seu segundo disco de inéditas, Escute o que Digo e Faça como eu Faço. Com letras menos religiosas que o anterior, o trabalho, que foi distribuído pela gravadora Gospel Records, trouxe a participação de Rodolfo na música “Velho Homem”.
Se os Militantes alçavam, a cada projeto, em trabalhos mais complexos e menos religiosos, Rodolfo foi exatamente ao contrário. Seu primeiro disco totalmente solo, Santidade ao Senhor, deu as pistas do caminho que o músico seguiria deste então: letras presas ao “evangeliquês”, que versam seu novo momento sem qualquer autocensura. Além da sonoridade não se comparar aos anos de Rodox, as canções acabaram soando compreensíveis apenas para a massa evangélica, o que é uma pena.
Os Militantes chegaram a 2010 com o seu disco mais agressivo e direto, Destrua o Controle, com canções que, em maioria, fazem críticas diretas a mídia, política e economia. Algumas músicas já soaram completamente sem qualquer traço de religiosidade, e o som, mais agressivo do que nunca.
A Aeroilis, como já dito aqui no site, foi o primeiro nome do chamado novo movimento. Em nossa última postagem, o grupo, em 2006, tinha um repertório para um próximo disco, mas uma série de contratempos ocorreram, o que demorou para a produção.
Não são todos que possuem a oportunidade de viver somente da música. Muitos músicos, a maioria deles, possuem famílias, outras atividades, e não podem se concentrar totalmente numa carreira musical. Raphael Campos e Arvid Auras, em 2008, estavam lá, firmes e fortes, juntamente aos novos integrantes Fi Silveira e Alan Wenning. A primeira faixa divulgada ao público foi a canção “Cega Inocência”, uma crítica subliminar aos cristãos que são enganados por falsas doutrinas. Com mais teclados, experimentações e uma produção musical mais afiada, era a prévia de um grande álbum: Nada Mais Além.
O disco foi lançado para download em 30 de abril de 2010 (mesma data do lançamento de Ainda não É o Último), e foi masterizado pelo experiente Lampadinha. Duas músicas em particular me agradam: “Não Importa Mais” e “Seguirei”. No geral, o trabalho é expressivo, consegue conter os vícios e exageros do primeiro e mesmo não nos deixando um clima de despedida, fecha muito bem sua curta discografia.
A ideia de lançar pela internet se mostrou bem acertada, com tantos downloads, o servidor teve problemas. Por isso, a banda acabou distribuindo o disco também em SMD, por um preço de cinco reais. O material ainda acompanha um pequeno encarte, com as letras das músicas.
https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE
O retorno do grupo aos palcos foi lento, mas ocorreu. Alguns shows foram feitos até 2013. O grupo se juntou a Tanlan e o Quarto Fechado em algumas apresentações, mas, em 2013, Arvid Auras anunciou o fim do grupo, uma decisão que partiu principalmente de Raphael Campos, tornando realidade, então, o fim da Aeroilis. No entanto, os dois discos produzidos, sem dúvida, ficarão na história do rock cristão nacional.
O disco Nada Mais Além, aliás, representa, em minha visão particular, um fim de um movimento. Após este disco e Esperar é Caminhar, do Palavrantiga (que falaremos semana que vem), o novo movimento parece ter deixado de passar o seu sentido original (uma resposta e contestação musical/lírica para a decadência do movimento gospel) para se tornar uma mera ideologia de mercado abraçada por artistas de vários gêneros. Aliás, seria muito incoerente um movimento de início nos anos 2000 perdurar por mais de uma década.
Para mim, o fim do novo movimento em meados de 2010 é visível, já que em 2011, vários novos artistas absorvidos pelo mercado, com poesias e músicas para o público jovem lançam discos de estreia, como Marcela Taís e Bruno Branco, além de ganhar força o conceito inconsistente de crossover, mercadologicamente falando, para a boca de artistas e gravadoras.
Aliás, o conceito de novo movimento ainda precisa ser melhor trabalhado aqui na Rocklogia, e estou convicto de que o próprio texto o qual escrevi ano passado encontra-se muito desatualizado e, em partes, equivocado. Mas um dia chegaremos lá, nem que seja em uma publicação futura. Prometo.
Este ano, há alguns meses, fiquei fascinado pelo Musical Maps, uma ferramenta extremamente útil do Spotify, que lista as músicas mais ouvidas em várias cidades do mundo. Para quem sempre está a procura de algo diferente ou novo, é muito interessante conhecer grupos e músicos que estão ‘estourando’ em outros lugares e talvez, daqui a muitos anos, serão citados na imprensa local.
Pois bem, pelas minhas andanças, fui com sede nas cidades britânicas, porque, pelo menos por gosto pessoal, tenho um apreço muito maior pela música feita no Reino Unido do que nos EUA. Ao passear pelos hits em Londres, Cambridge e Leicester, conheci uma banda de art rock chamada Everything Everything, que estava lançando o seu terceiro trabalho, Get it Heaven que, somente o clipe de “Distant Past” traz um milhão e meio de visualizações para o grupo no YouTube. Também conferi alguns nomes novatos no rap e uma banda de punk e hardcore chamada Slaves. E, curiosamente, não vi nenhum “dinossauro” na lista.
Quando se está no Brasil, a realidade, ao menos em termos de rock, é muito diferente. Para começar, além do sertanejo universitário dominar as paradas de praticamente todas as cidades com 90% das listas, cantores de outros gêneros tomam espaço com várias músicas. Wesley Safadão, por exemplo, é praticamente um ícone brasileiro desde a última vez que olhei. A surpresa veio com Marcela Taís, do meio evangélico, se infiltrando em várias cidades do país com o disco Moderno à Moda Antiga. Em Goiânia, cidade que moro há alguns anos, pensei que o sertanejo fecharia a listagem, mas tive a grata surpresa de que há materiais interessantes, como a banda psicodélica Boogarins e alguns grupos de rap. Aliás, grupos locais são uma tendência observada nas cidades (obviamente). Você vê Selvagens à Procura de Lei em “queda de braço” com bandas de forró em Fortaleza, Palavrantiga em Vitória, o veterano Skank em Belo Horizonte… e por aí vai.
A cidade realmente diferente é Porto Alegre. Aliás, sem qualquer bairrismo, o Rio Grande do Sul é um ponto fora da curva em relação aos outros estados do país. Com uma lista muito diferente de praticamente todas as demais capitais brasileiras, o setlist foi equilibrado, eclético e recheado de bandas de rock nacionais, tanto alternativas, emocore e indie. A lista também contemplava músicos já longevos e muito conhecidos, como Júpiter Maçã, sem faltar, claro, os sertanejos e as músicas de massa vistas nas outras capitais. Inclusive, a quem se interessar, escrevi uma notícia sobre isso para um site de rock.
Agora, em setembro, ocorreu o Rock in Rio. A primeira surpresa, diretamente, é que não há nenhum grupo ou músico, dentre as atrações principais, que não tenha participado em alguma edição do festival. Dentre as atrações mais “conhecidas”, a que eu achei, de fato, mais curiosa, foi o supergrupo Queen + Adam Lambert, ainda mais depois dos comentários pós-apresentação que ocorreram pela rede. Do nada, observei vários novos “fãs” da banda e até mesmo uma aclamação que, em minha visão particular, é completamente exagerada. No entanto, eu já imaginava que esta apresentação “daria o que falar” e que a imprensa brasileira escreveria muitas bobagens sobre o assunto.
Para quem não conhece bem o trabalho do Queen, vou contextualizar: a banda acabou em 1991, com a morte do pianista e vocalista Freddie Mercury. Dentre 1991 e 1997, os três membros ainda vivos, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, fizeram poucas apresentações, lançaram uma música inédita, um disco póstumo e só. De 1997 pra frente, a única coisa feita com o nome “Queen” foi a coletânea Queen Forever de 2014, cujo repertório ainda incluiu três músicas “inéditas” – na verdade, versões novas de músicas já lançadas anteriormente por outros artistas, mas gravadas pelo Queen.
Em meados de 2004, a dupla Brian e Roger se reuniu com um dos melhores cantores de rock de todos os tempos, o experiente Paul Rodgers. Dessa união, surgiu o supergrupo Queen + Paul Rodgers, que excursionou mundialmente (incluindo o Brasil, em 2008) e lançou um disco inédito, bem fraco, inclusive, chamado The Cosmos Rocks. A parceria, insatisfatória, acabou em 2009. Anos depois, o mesmo tipo de colaboração seria formado com o cantor pop Adam Lambert. Aí, as associações e afirmações grosseiras de “continuação do grupo original” seguiram-se de forma bem mais intensa. Os fãs mais conservadores torceram o nariz: afinal, para um grupo que trouxe alguém do nível de Rodgers, apresentar um cantor jovem e pouco aclamado foi algo arriscado. Mas os senhores Brian e Roger gostaram do garoto, e seguem felizes com ele.
E o que John Deacon sempre pensou disso? Ele não quer estar envolvido em gravações e shows ao vivo e em 2001 até teceu críticas a uma gravação de seus ex-colegas com Robbie Williams, através do The Sun. Dentro do que certamente uma parte de pessoas acham, o músico prefere manter preservada a memória da banda. Enfim, não adiantou Mercury e Deacon estarem de fora e o Queen, de fato, não existir mais, a imprensa dirigiu para meio mundo que se tratava de um “retorno” e que Adam era o “novo vocalista”. Reportagens superficiais e mal apuradas brotaram aos montes no UOL, G1 (e pasmem, até na Superinteressante!), confirmando outro dado lamentável: de todos os textos que eu li, apenas um publicado na Folha de S. Paulo, cujo artigo é uma crítica negativa da apresentação, citou o ex-baixista como músico da formação clássica.
Isso vem a revelar, além da má apuração de muitos jornalistas (não é o foco deste texto), é que as pessoas, no geral, parecem ter perdido completamente o discernimento entre um grupo original em ótima forma, um grupo original cansado e nas últimas, um músico substituto, ou até mesmo um tributo. Chamar de “Queen” um grupo com metade da formação clássica e um músico convidado é brincar e zombar com a inteligência do leitor. Esta superficialidade nas matérias seguiu-se diretamente para os comentários na rede. Usando as notícias como base, pessoas passaram a sustentar teses e opiniões acerca da apresentação, partindo de pressupostos equivocados.
OK. Sobre a apresentação, assisti, e como alguém que gosta bastante do trabalho e do legado do Queen, sofri muito, especialmente nas primeiras músicas. Ver Roger Taylor, sempre o mais enérgico dos quatro, em uma performance evidentemente menos acelerada e com a ajuda do filho, é o atestado de que a idade, infelizmente, hora ou hora alcança a todos. Adam Lambert cantando, sem qualquer tipo de alma, a lindíssima “In the Lap of the Gods…Revisited”, foi o ápice da minha agonia. Brian May é o alívio da apresentação. Um músico visivelmente honesto, estava ali, com sua Red Special. Depois disso, o show até melhorou. Não que a performance da dupla e de Adam tenha ajudado, mas o repertório, juntamente com o público que em uníssono cantava as músicas, deixou a experiência menos amarga e mais nostálgica. Definitivamente, lá no fundo, você vê o quanto o rock de arena da banda é eficiente mesmo em uma performance tão plastificada. E, no fim, dentro de uma zona de conforto extrema, a apresentação, aparentemente, funcionou. Mas para falar a verdade, nos dias de hoje, outras bandas, como o Muse, conseguem mostrar mais a “alma” do Queen do que os próprios May e Taylor (já ouviram o disco The Resistance? Aquilo seria o Queen do século XXI).
https://www.youtube.com/watch?v=L6StSABIa4k
É ouvir e comparar (não simplesmente os vocalistas, mas toda a química de banda em torno)…
https://www.youtube.com/watch?v=kO_w7GHMAUw
Os dilemas do Queen, em diferentes contextos, se aplicam a várias bandas clássicas e com nomes já escritos na história. Afinal, como esquecer o The Who, ainda na ativa com apenas dois integrantes vivos? O que dizer das mudanças no AC/DC do ano passado para cá? Os desgastes cruéis no Yes e as inúmeras formações no Nazareth? E os inúmeros contratempos que atingem o Black Sabbath? Por fim, Motörhead e a lamentável situação do vocalista Lemmy? Esses são apenas alguns exemplos dos limites extremos que estes grupos, de longa trajetória, tem alcançado. Os motivos? Obviamente, são vários, e dependem de cada situação. Mas, no geral, podemos afirmar que estes caras viveram a vida inteira nos palcos, e se dissociar desta rotina não é fácil. E, claro, a indústria da música explora nomes estabelecidos o máximo que pode, pois há um público consumidor muito forte desta música. A internet, por outro lado, até hoje deixa as gravadoras, que antes monopolizavam tudo, confusas.
Considerando isso, o Rock in Rio, em 2015, pode ser facilmente considerado como uma edição abarrotada de comodismo. Muitos, em contrapartida, afirmam que este ano é uma exceção, pois comemora-se os trinta anos, desde a primeira edição. Mas, analisando todas as atrações, existem alguns nomes que não serão atrações principais, mas que poderiam, tranquilamente, debutar e nos oferecer uma visão de “novidade”: Mastodon, Lamb of God, Queens of Stone Age e Deftones.
Minha preocupação com isso também se reserva a bandas novas e que tentam seu lugar ao sol. Todo mundo está careca de saber que grupos autorais não tem espaço frente aos conjuntos que tocam covers. Todo mundo sabe que ser músico independente é difícil, e muitas pessoas, de certa forma, querem culpar o chamado “rock clássico” nisso. A minha impressão, por incrível que pareça, é que músicos destas bandas, na verdade, são vítimas e reféns de seu próprio trabalho. No fim das contas, a situação é muito mais complexa e envolve a indústria, gravadoras e, principalmente, público. O baixista do Deep Purple, Roger Glover, utilizando uma abordagem interessantíssima, diria em 2011 que o lance de “classic rock” atrapalha. Interessante, né?
Por fim, nesta abertura de Rock in Rio, todos estiveram satisfeitos. O público que, em algum momento, alimentou a fantasia de que aquilo foi uma grande, maravilhosa e legítima apresentação, a organização do festival, que lucrou e, em momento algum, se arriscou, além de Brian e Roger, que descansam sob os louros e o legado que construíram. Quando se olha com os olhares da indústria, infelizmente sujeitos como John Deacon parecem loucos.
O Resgate é uma banda incrível. Não é somente porque sua formação é bem sólida, devido ao sentimento de amizade que seus membros alimentam entre si, mas também porque, apesar de suas limitações, a banda sempre se esforçou para melhorar o seu som e se tornar relevante. Muitas bandas de alta qualidade, e de músicos com egos altíssimos ficaram pelo caminho, e o Resgate, na sua limitada capacidade, seguiu ativo e surpreendendo.
A melhor coisa que aconteceu para o grupo, então, foi a entrada de Dudu Borges. Quem imaginaria que um dos produtores, senão o produtor musical mais requisitado dos últimos anos, seria integrante de uma banda de rock cristão cujos integrantes afirmam não serem grandes músicos? Dudu foi uma peça muito importante para a renovação que sua música sofreu nos últimos anos.
Após Até eu Envelhecer, muitas coisas mudariam em volta da banda. A gravadora Gospel Records, que distribuiu discos do grupo desde os primeiros anos, encerraria as atividades. Os escândalos em relação à Igreja Renascer em Cristo balançaram (e muito) a confiança de muitos membros. Zé Bruno também chegou a ser deputado, foi investigado por um suposto envolvimento de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro através de igrejas laranjas. Zé foi inocentado, mas, em 2010 deixaria a igreja, ação que também foi tomada pelos demais integrantes.
Em 2009, o executivo Maurício Soares pretendia lançar uma gravadora própria, e o Resgate era sua primeira parceria. Quando foi convidado para estar à frente do selo gospel da Sony Music Brasil, o Resgate acabou se tornando a primeira contratação. Mais um fato inusitado para uma banda que já não estava dentre os “gigantes” há muito tempo.
Enquanto isso, o grupo preparava Ainda não É o Último. A obra foi gravada no estúdio VIP, de Dudu Borges. Por ter sido gravado no estúdio do músico, a banda teve liberdade e tempo total para se dedicar ao disco. O hammond, rhodes e experimentações de Borges estão lá, em todas as músicas. Não foram utilizados teclados no álbum. Sem sintetizadores, o som é bem orgânico, vintage, mas ao mesmo tempo tem um som muito dentro do nosso tempo.
Zé Bruno se superou como vocalista, e cantou muito bem as faixas deste álbum. Evitando exageros dos discos antigos, o intérprete se destacou, principalmente no single “Depois de Tudo” e “Neófito”. O vocalista ainda foi o compositor majoritário, mas as composições foram mais coletivas que nos últimos discos. Uma destas canções individuais foi “Jack, Joe and Nancy in the Mall”, uma brincadeira do músico, que mais tarde tornou-se uma ideia bastante original. O clipe da canção foi dirigido por Kako Alves, baterista do Militantes (banda que falaremos daqui a algumas semanas).
Mas claro, os demais músicos também são dignos de nota. Hamilton Gomes está lá, na vanguarda, um pouco diminuído, enquanto você puder ouví-lo. O baterista Jorge Bruno e o baixista Marcelo Bassa cumprem o que as músicas pedem e não exageram. No fim, o que se ouve é uma banda experiente, coesa, mas vívida como nunca. Ainda não É o Último mostrou que é possível fazer um disco “pop e comercial”, mas, ao mesmo tempo, de qualidade. A obra foi lançada no dia 30 de abril de 2010.
Segundo a banda, desde Praise, foi o primeiro projeto em que realmente terminaram as gravações e viram que o resultado tinha sido muito positivo. Foi o primeiro lançamento do selo gospel da Sony Music e, na minha particular visão, continua sendo, cinco anos depois, um dos três melhores álbuns que a música cristã viu nestes últimos anos.
Convenhamos que, teologicamente falando, a banda saiu-se bem, de uma forma não vista desde o disco Resgate (1997). Mais, recentemente, foi incluso na lista dos 100 maiores álbuns da música cristã nacional.
Com a saída da Renascer, o que gerou muitas críticas, e ao mesmo tempo elogios, Zé Bruno acabou fundando uma igreja, a Casa da Rocha. Desde então, o Resgate aumentou sua agenda. Dudu Borges, por sua vez, tornava-se mais conhecido como produtor musical, o que tiraria muito de seu tempo, como veremos em breve. Mas isso é assunto para outro post…
E antes de tudo: Dudu, volta para o Resgate! (risos)
Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.
Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.
Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?
Hibernia
O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!
Quarto Fechado
O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.
Lucas 9
Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.
Memora
A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.
Observ
O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.
Iahweh
Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.
Godcore
O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.
Os Oitavos
Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).
Hazerhort
OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.
Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.
Juninho Afram já estava como vocalista há muito tempo, mas as canções da banda exigiam muito do cantor para dividir as guitarras com os vocais. Por outro lado, vinha um álbum agressivo em produção, chamado Depois da Guerra, enquanto conheciam um rapaz de voz monstruosa e rasgada de nome Mauro Henrique. Obviamente, a banda cresceu os olhos e ele foi anunciado como novo vocalista. Muitos acham que, apesar de Juninho ser o líder, quem influencia na sonoridade é o vocal (o que é uma bobagem sem tamanho, já que tudo, segundo eles, é no consenso entre todos). E, neste caso, claro, não foi assim.
O disco foi lançado no início de dezembro do ano de 2008 e rapidamente causou delírio do público pela forte característica do metal progressivo, já desenvolvido no Além do que os Olhos Podem Ver. Antes de tudo, qual a diferença fundamental entre os dois discos? A mixagem e parte da sonoridade. Além tem uma mix relativamente pop, em que todos os instrumentos ganham destaque, enquanto, no DDG, as guitarras possuem mais peso e o baixo ficou um tanto quanto apagado. Outro detalhe, que vale mencionar, é a influência de metalcore, que Além do que os Olhos Podem Ver não tem.
É óbvio que DDG é um bom álbum, mas o considero superestimado. A começar que parte do repertório não é autoral. Acredito que seja da consciência geral de que uma banda de rock que se preze deve dar prioridade ao material autoral, e parte das melhores músicas não são, como “Meus Próprios Meios” (Déio Tambasco), “Incondicional” (membros da ex-banda de Mauro, com Mauro) e “Better” (Celso Machado). Em segundo ponto, a influência da produção musical na sonoridade é tão grande que pouco da Oficina tão evoluída dos dois discos anteriores se vê neste álbum. Soou um grupo totalmente diferente. Terceiro, e mais importante: a maioria das baladas deste disco, em minha opinião, são muito chatas, especialmente “Tua Mão”, uma das coisas mais diabéticas que o grupo já fez. A temática “guerra”, explorada nas músicas, em certos momentos soou repetitiva, se tornando algo bastante cansativo ao ouvir. Mas, tirando estes detalhes relevantes, o álbum é realmente surpreendente.
Sobre a melhor faixa do álbum, Déio Tambasco disse:
“Esta letra é parte da história da minha vida.
Todos nós, em algum momento, vivemos escravizados pelo medo, e creio que esta é uma das piores prisões, pois tiram a força, a honra e até a vontade de viver.
Mas na força dEle, podemos dar um basta.
De onde vem esta força? Deixe Deus feliz, pois é de Sua alegria que vem a nossa força. Nehemias 8:10”
O clipe de “Incondicional”, dirigido por Hugo Pessoa, foi bastante visualizado, e filmado no mesmo local onde foi produzido o DDG Experience, em 2009. A respeito deste projeto, é excelente. Ter escolhido Hugo Pessoa foi uma escolha muito acertada, afinal ele vinha com uma produção premiada, o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, do Trazendo a Arca, que venceu o Troféu Talento (apesar de ser uma votação popular, a categoria DVD era avaliada por críticos especializados).
A banda escolheu o melhor diretor do momento para o trabalho, e o efeito bullet-time é, sem dúvida o principal atrativo das filmagens. Mas o que mais me incomoda neste DVD é a performance de Mauro Henrique, que se limita a bordões como “sai do chão!”, “rock’n’roll” e adjacências. Em “Incondicional”, Mauro apresenta um discurso confuso, e suas palavras não parecem empolgar o público, da tão grande timidez a qual o músico dispunha. Juninho Afram apresenta uma ótima palavra, que acredito ser o melhor momento do DVD dentre a parte “evangelística”.
O projeto gráfico, tanto quanto do CD e do DVD/Blu-ray foram produzidos por Gustavo Sazes, excelente designer e com um currículo bastante completo na cena do rock nacional. Todo o conceito do álbum é muito bem reproduzido, e acredito que seja a melhor arte de um disco da Oficina G3 já feita.
Vale lembrar que, para quem diz que a Oficina G3 não é uma banda valorizada por sua gravadora: DDG Experience foi o primeiro, e até agora o único disco em blu-ray lançado pela MK. (e O Tempo foi o primeiro DVD da gravadora também)
Depois da Guerra ganhou o Troféu Talento na categoria Melhor CD de rock, e também o Grammy Latino. Em 2011, Alexandre Aposan seria efetivado como integrante.
A respeito do processo de produção do disco, alguns vídeos, divulgados pelo canal oficial da banda na época são interessantes de ver, até mesmo para prever como seria o álbum nos vocais de Juninho Afram:
Como dito no primeiro post da Aeroilis, a Tanlan surgiu no início dos anos 2000, com uma proposta semelhante. De um projeto solo do cantor Fábio Sampaio, evoluiu para uma banda. Em 2005, foi lançado o primeiro EP de canções do grupo, que tornou-se um álbum completo em 2008, produzido por Kiko Ferraz.
Este primeiro trabalho da Tanlan é liricamente mais ousado do que o primeiro projeto da Aeroilis. Evidentemente, as composições são mais implícitas, o que facilitou o sucesso da banda no meio em geral. A Tanlan seguiu um rumo um pouco diferente das bandas do novo movimento: o seu público, na maioria dos anos, era, em maioria, formado por não-cristãos. O grupo tinha imensa dificuldade de, por exemplo, fazer agendas em igrejas. Com os anos, isso foi mudando.
Tudo que eu Queria é basicamente um álbum de rock alternativo, com canções alegres, com o destaque das execuções instrumentais do guitarrista Beto Reinke. Vale salientar que este projeto alcançou relevância na mídia local de Porto Alegre, o que colaborou para a continuação do grupo e expansão de sua agenda para outros estados do país. Destaco as canções “Castelo” e “Bem-Vindo”, as quais só tive a oportunidade de conhecer no início de 2012.
Entre o primeiro e o segundo álbum, algumas coisas em relação ao grupo, especialmente em relação ao rótulo que receberia dos meios de comunicação, foram mudando, mas isso é assunto para outro post, daqui a algumas semanas. Aguardem!
Quando falo com alguns fãs da Oficina G3 que Elektracustika é um de seus melhores álbuns, muitos discordam e acham absurda a afirmação. Não que eu queira generalizar, mas grande parte dos admiradores das músicas da banda valorizam extremamente a velocidade e peso no rock. Ou seja, amam fritações. É legal? Sim. Mas particularmente, creio que outros critérios devem vir em primeiro lugar.
Elektracustika é um disco diferente por ser um projeto comemorativo dos 20 anos da Oficina G3. A banda fez uma fusão muito bem feita do acústico com o elétrico neste álbum, e o rock progressivo deste trabalho, além de excelentemente executado, possui seus toques G3lianos. As flautas celtas também são interessantíssimas, e toda a instrumentação é técnica, complexa, ao mesmo tempo delicada, mesmo que soe aparentemente simples. Desde a canções mais recentes, como “Desculpas” a mais antigas, como “Razão” e “Resposta de Deus”, o álbum cumpre muito bem o seu papel. As inéditas “Eu, Lázaro”, “Me faz Ouvir”, “A Deus” e outras também são parte das melhores baladas que a banda já fez em sua carreira. No lugar de Lufe e Déio Tambasco, temos Alexandre Aposan e Celso Machado.
É uma clara suposição minha, mas eu também acredito que Elektracustika é um bálsamo na carreira de Juninho Afram, por tê-lo dado mais tranquilidade como frontman da banda. Até porque, já é muito difícil tocar os arranjos complexos da banda, imagina também cantar? As canções acústicas, sem dúvida, contribuiu para que o músico aguentasse toda a carga das canções mais complexas. Duca afirmou, mais tarde que, realmente, o público não compreendeu o álbum e questionaram se era a volta da fase pop. Mas o certo é que, Elektracustika foi a bela despedida da Oficina G3 como um trio, fase que tenho como predileta (embora eu goste dos vocais de Mauro Henrique).
Uma curiosidade: Inicialmente, o álbum se chamaria OficinelektracustikamenteG3, mas ainda bem que decidiram mudar o título!
Elektracustika também é o último álbum que a Oficina G3 trabalha com o tecladista e produtor Geraldo Penna, que produziu cerca de sete álbuns da banda.
Acredito eu que seja de conhecimento geral que os integrantes do Palavrantiga eram antigos músicos de apoio da cantora Heloisa Rosa. O guitarrista Josias Alexandre é irmão da cantora, mas antes de começar a tocar com ela, o baterista Lucas Fonseca e o baixista Felipe Vieira já trabalhavam com a artista.
A entrada do tecladista Marcos Almeida foi a mais tardia. Heloisa precisava de alguém para tocar teclado em algumas canções, e uma de suas amigas indicou o irmão, um estudante de piano, chamado Marcos. No álbum Andando na Luz, de 2006, a formação estava completa.
O álbum Andando na Luz, por sua vez, é bastante interessante de ouvir. Soa mais simples que Liberta-me, mas é também mais coeso. Na canção “Pai”, uma das minhas preferidas, Heloisa e Marcos fazem um dueto.
Almeida contou, em uma entrevista cedida ao Carlinhos Veiga, que a dissidência ocorreu com o apoio de Heloisa Rosa, quando se casou e teve que dar uma pequena pausa na carreira. Nesta época, o tecladista apresentou composições próprias, e ela incentivou a criarem uma banda, a qual se tornou o Palavrantiga.
Uma das primeiras canções que surgiu da banda foi “Casa”, regravada por Chrystian & Ralf, dupla que criou o formato SMD de discos, o mesmo formato que o Palavrantiga adotou para lançar seu primeiro EP. O álbum, de seis faixas, foi produzido por Lúcio Souza, o cantor SILVA.
Em 2006, o Katsbarnea seria reformulado. A banda, agora como um trio, seria formada por Paulinho Makuko (vocal/guitarra), Déio Tambasco (guitarra/vocal de apoio) e Marcelo Gasperini (bateria). Déio veio de uma turnê agitada com a Oficina G3, na divulgação do álbum Além do que os Olhos Podem Ver, o qual possui sua participação. No baixo, dois músicos estiveram responsáveis, Villaça e Robinho Tavares. O toque final – e mais que especial – seria Dudu Borges, pianista e produtor do Resgate, na produção musical.
Com esta equipe, foi lançado talvez o último álbum realmente interessante do Katsbarnea, A Tinta de Deus. Aqui, Makuko provou ser mais que um intérprete de composições do ex-vocalista Brother Simion, apresentando seu estilo lírico nas letras. Mas é claro, ele sozinho não conseguiria. Déio Tambasco faz um desempenho excelente nas guitarras, com riffs marcantes. O timbre da bateria de Gasperini também é um show à parte. Claro, todos estes bons elementos são evidentemente êxitos de Dudu Borges, com sua proficiência como produtor.
O trio aproveitou para gravar um DVD ao vivo, lançado em 2009, que revisitou as canções deste disco e outras mais antigas. No geral, o trabalho ficou muito bom, sendo produzido pelo próprio grupo, e serviu como uma lembrança dos anos mais antigos. Ex-membros, como Jadão e Simion, não participaram.
A instabilidade surgiria novamente. Déio Tambasco retornou para a carreira solo, e Marcelo Gasperini decidiu deixar o grupo. Assim foi o retorno do Katsbarnea.
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