Quando falo com alguns fãs da Oficina G3 que Elektracustika é um de seus melhores álbuns, muitos discordam e acham absurda a afirmação. Não que eu queira generalizar, mas grande parte dos admiradores das músicas da banda valorizam extremamente a velocidade e peso no rock. Ou seja, amam fritações. É legal? Sim. Mas particularmente, creio que outros critérios devem vir em primeiro lugar.
Elektracustika é um disco diferente por ser um projeto comemorativo dos 20 anos da Oficina G3. A banda fez uma fusão muito bem feita do acústico com o elétrico neste álbum, e o rock progressivo deste trabalho, além de excelentemente executado, possui seus toques G3lianos. As flautas celtas também são interessantíssimas, e toda a instrumentação é técnica, complexa, ao mesmo tempo delicada, mesmo que soe aparentemente simples. Desde a canções mais recentes, como “Desculpas” a mais antigas, como “Razão” e “Resposta de Deus”, o álbum cumpre muito bem o seu papel. As inéditas “Eu, Lázaro”, “Me faz Ouvir”, “A Deus” e outras também são parte das melhores baladas que a banda já fez em sua carreira. No lugar de Lufe e Déio Tambasco, temos Alexandre Aposan e Celso Machado.
É uma clara suposição minha, mas eu também acredito que Elektracustika é um bálsamo na carreira de Juninho Afram, por tê-lo dado mais tranquilidade como frontman da banda. Até porque, já é muito difícil tocar os arranjos complexos da banda, imagina também cantar? As canções acústicas, sem dúvida, contribuiu para que o músico aguentasse toda a carga das canções mais complexas. Duca afirmou, mais tarde que, realmente, o público não compreendeu o álbum e questionaram se era a volta da fase pop. Mas o certo é que, Elektracustika foi a bela despedida da Oficina G3 como um trio, fase que tenho como predileta (embora eu goste dos vocais de Mauro Henrique).
Uma curiosidade: Inicialmente, o álbum se chamaria OficinelektracustikamenteG3, mas ainda bem que decidiram mudar o título!
Elektracustika também é o último álbum que a Oficina G3 trabalha com o tecladista e produtor Geraldo Penna, que produziu cerca de sete álbuns da banda.
Deixe um comentário