Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a segunda metade da década de 90, uma época bastante produtiva, em termos de rock cristão nacional. O ápice do boom, grandes bandas chegaram ao seu auge, musicalmente falando. Desta vez, o Resgate rouba a cena com a maior quantidade de discos na lista. Confira!
Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 80 e 1990-1994
[infobox title=’10º: A Revolução’]Artista: Catedral
Ano de lançamento: 1998
Número de faixas: 11[/infobox]
Jhonata: Sem comentários!
João: Achei uma lástima esse disco estar nessa posição, é um álbum fabuloso da Catedral, um dos melhores da banda, e o primeiro em que eles literalmente romperam de vez com a linguagem “religiosa”, colocando uma linguagem muito mais direta ao povo em geral, não uma música feita “só pra crente”, um mal que começaria ainda nessa década, mas que se alastrou a partir da década de 2000, literalmente fazendo o povo “voltar pra dentro da igreja” ao invés de trazer uma mensagem mais Para Todo Mundo (parafraseando o álbum seguinte deles). Eu mesmo na primeira vez que ouvi esse disco, em 2002 (um ano depois daquele caso lá daquela usina sonora [risos]) eu achava um disco bem bizarro, que quase não mencionava o nome de Deus, etc e tal. Só depois de um tempo vi como a ideia foi inteligente e hoje em dia virou até “modinha”, espero que as bandas do Novo Movimento tenham cuidado pra não fazer tal cosmovisão de qualquer jeito, ou as coisas podem ficar com muita polêMK, ops, polêmica sem direção (risos). Em suma, esse disco fez minha adolescência e digamos que foi um dos culpados por eu ser tão “perigosamente pensante” pra muitos.
Phil: Esse é um álbum do Catedral que eu não reclamo. Eu não gosto da banda, acho meio “frankenstein” (umas coisas até interessantes mas que não rola juntá-las), mas A Revolução é bem feito. Um pop rock até bem ajustado, apesar da bateria meio esquisita – ou é detalhismo meu, que sou baterista – mas Cezar veio quebrando tudo com as guitarras. Não tenho muito a destacar, senão que foi o último álbum com a MK e foi bastante elogiado pela crítica, e não à toa entrou no nosso TOP 10.
Thiago: A Revolução do Catedral, talvez, é um álbum até interessante para se estar numa posição melhor, mas eu o acho apenas bom. Kim já estava incorporando, em suas interpretações, performances que lembram totalmente Renato Russo. A banda seguia fazendo seu pop rock, misturado a outros gêneros musicais em algumas canções. Cezar é um bom guitarrista, e mostrou proficiência em alguns solos. É uma grande perda sua morte. A melhor música é “A Revolução”, com seus arranjos contagiantes, interpretações vocais eletrizantes e uma ótima letra sobre a verdadeira revolução. O álbum, aliás, é mais identificável pelas suas boas letras. “Os Filhos de Caim”, “O Sonho”, “Onde o Amor Reina” e “Por Te Conhecer”são boas faixas também. Porém, fiquei incomodado com o violão, inserido tão estranhamente em “Somos Todos Iguais”. Eu não sou o melhor para falar desse álbum, no entanto, creio que vale ter sido colocado na lista.
Tiago: A Revolução é um disco muito importante para o Catedral e, aliás, deveria estar um pouco mais acima, hein? Já mostrando claramente o que queriam fazer nos anos seguintes, a obra mantém uma linguagem muito menos religiosa que nos outros discos, no entanto, aposta em algumas músicas radiofônicas, que deram o sucesso garantido. Só não consigo gostar de “A Revolução” que, francamente, me remete muito à “Perfeição”, do Legião Urbana (Do O Descobrimento do Brasil, de 1993). Destaque para “Somos Todos Iguais” e “Os Filhos de Caim”. Esta última contém riffs de baixo que só o melhor músico da banda, Júlio, poderia fazer. Foi o primeiro da banda que tive a oportunidade de ouvir inteiro.
[infobox title=’9º: Asas’]Artista: Brother Simion
Ano de lançamento: 1998
Número de faixas: 10[/infobox]
Jhonata: Para não ser arrogante e nem sair por “crítico que não entende de música”, eu opto por não comentar esse álbum.
João: O maior sucesso do Brother, a primeira música que eu ouvi do mesmo, lá em 1998, no ano que lançou, tocava à exaustão na rádio Manchete Gospel FM 94.3 Recife e muito embora pra mim seja bem inferior musicalmente ante os discos Brother, Esperança, Na Virada do Milênio e Eclipse, é inegável a importância desse disco. Foi um dos meus iniciadores no rock cristão, gastei um dinheirão na época pra comprar o meu exemplar (eu era só um pré-adolescente, cara, não tinha grana nem pro chiclete direito [risos]), e o guardo com muito carinho até hoje. “Voaaaaaaar nas asas do Espírito de Deus”, uma mensagem que ficou na minha memória de 1998 até hoje, dá pra imaginar o quanto isso vale a pena né. Destaco também as faixas “Liberdade”, “S.O.S Terra” e a regravação de “Etéreo”, que pra mim ficou bem melhor que a original do Katsbarnea.
Phil: Brother mostra de novo porque é um grande compositor (e compulsivo). O cara escreve um monte de coisas. Criatividade é o sobrenome desse cara, só pode, gente! É um álbum tão gostoso de ouvir. Tem umas boas doses de rock, pop rock, folk rock, mas é claro que viaja bastante, se não, não seria o Simion. Até axé entra no álbum. E nada mal, viu? Esse experimentalismo é marca dele, e mesmo assim consegue fazer um álbum com menos rock do que outros tantos grupos, mas que é bem melhor do que qualquer um desses outros. Esse, aliás, foi o último álbum solo do Brother antes de sair do Katsbarnea. Uma pena pro Kats, eu diria, mas Brother continua sendo uma referência de música cristã nacional e ganha um merecido nono lugar nessa lista.
Thiago: Asas ocupou uma posição muito injusta pela qualidade do disco. Brother Simion caprichou nas composições, junto com Estevam Hernandes, e deixou-nos um rock com arranjos e uma produção musical bem feita. Os teclados foram destaques e as guitarras muito bem colocadas. Os riffs de guitarra e a gaita de “S.O.S. Terra”, “Hey, Brother”, canção com grandes influências dos Beatles, “Tempestade” e sua verve eletrônica e “I Hope You See the Light” são as mais legais do disco. “Canguru Águia” me incomodou demais, principalmente do barulho de percussão e sua pegada de lambada exagerada. O disco foi o maior sucesso de Simion e realmente é uma ótima produção. Merecia uma colocação melhor.
Tiago: Eu sempre vou dizer que Brother Simion é o nosso Bowie do cenário nacional. Ele nunca cansa de experimentar e fazer algo diferente. Em carreira solo, com a presença de Amaury Fontenele na produção musical e participação de Paulo Anhaia no baixo, começou a trazer, levemente, o techno para suas músicas. Era uma tendência internacional, mas ia totalmente na contramão do que as bandas e cantores faziam no cenário nacional, com seus acústicos. É claro que isso seria aprofundado no disco seguinte, pois este ainda revela um hard “I Hope You See Light”, a gostosa “Hey, Brother” e preocupações acerca do meio ambiente, explícitas em “SOS Terra” e “Tempestade”, sem falar da faixa-título “Asas”, o maior sucesso da carreira solo do cantor. Gosto tanto deste disco que consegui comprá-lo recentemente, mesmo fora de catálogo.
[infobox title=’8º: Angústia Suprema’]Artista: Rosa de Saron
Ano de lançamento: 1997
Número de faixas: 10[/infobox]
Jhonata: Este álbum não é um dos melhores da banda, mas é um bom álbum. Angústia Suprema é cheio de influências de hard rock e heavy metal. Inclusive, nessa época a banda bebia muito da banda Stryper, o que explica todo o peso das guitarras. Destaco as clássicas “Anjos das Ruas” e a faixa-título, “Angústia Suprema”.
João: Meu primo Thiago Batinga é fã doente de bandas católicas, em especial Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Católico do pé roxo, era de se esperar. Mas o Rosa que ele ouvia nunca me encheu os ouvidos, um pop rock mais manso que bandas como RM6 e Tempus. Mas daí eu ouvi falar de uma fase heavy metal da banda. Isso me chocou um bocado e eu fui lá ouvir. O Diante da Cruz, de 1994, embora mais importante, devido ser o primeiro disco de heavy metal católico do mundo lançado, não me agradou muito, seja pelo vocal ou pela qualidade da gravação mesmo, e por pouco desisti por completo da banda. Daí decidi dar outra chance e ouvi o disco seguinte, Angústia Suprema. Esse disco mexeu comigo demais, foi o extremo oposto do anterior. Realmente é um disco que não é pra muitos “tão bom assim”, mas pra mim é o momento que eu decidi ouvir mais sem preconceito nenhum, uma banda que numa música fala de Maria sem aquela devoção doentia de muitos católicos (“Linda Menina”) e faz um cover irado da banda Tourniquet (“Carregue os Feridos”), isso me fez querer ouvir outros sons dessa vertente religiosa, como Eterna, Testemunha, Beatrix, Extremo Unção e Ceremonya, entre outras.
Phil: Rosa é outra banda que eu não sou tão fã, porém é mais fácil gostar de algo dela do que Catedral, e o Angústia Suprema é um rock com bastante pegada, viu. Achei bem “plug and play“, som direto, sem muita firula, apesar de o CD ter uma faixa introdutória e algumas faixas longas, o que não é nada demais, né? Bem redondinho, bem produzido, mereceu TOP 10 dessa meia-década 95-99.
Thiago: Eu achei injusta a colocação dessa banda aqui. Rosa de Saron começou a progredir com entrada do Guilherme e Angústia Suprema não mereceu entrar nessa lista. Sem muitos comentários, é um disco da fase hard rock e heavy metal dela, e é muito mal produzido.
Tiago: Se toda lista tem sua parte ruim, aqui está a desta. Ainda estou me perguntando o que este disco está fazendo aqui. O Rosa tinha um problema com a bateria… nos trabalhos mais antigos, ela quase nunca tinha peso (quer dizer, esse problema ainda persiste, de forma mais leve). A banda, tecnicamente falando, estava muito limitada para os demais grupos musicais da época. Particularmente, acho que as letras também não são muito fortes. No mais, não mereceu entrar entre os dez. Rosa é uma boa banda, tem bons discos, mas ainda é muito cedo para tê-la aqui.
[infobox title=’7º: Demonocídio’]Artista: Antidemon
Ano de lançamento: 1999
Número de faixas: 27[/infobox]
Jhonata: Estava no ensino médio quando ouvi o Demonocídio pela primeira vez. Estava começando a ouvir um rock mais pesado e, gostei da banda. Este álbum traz significantes influências para bandas cristãs do mesmo gênero. Tirando a bateria, que em boa parte do álbum é bem enjoante, o álbum é técnica e regularmente muito bom.
João: Era 2002 e eu estudava no Colégio Adventista do Arruda, quando um amigo meu, Diogo Sobral, chegou na aula de informática e nos mostrou a capa desse disco, e colocou o mesmo pra rodar no PC. Pra mim, que de heavy metal só tinha ouvido aqueles metal farofa dos anos 80 (que minha mãe era muito fã) e uma ou outra banda como Bride e Guardian, aquele som foi o apocalipse, fora a capa com um “capetão” na capa (só um tempo depois entendi – e acabei gostando da ideia – que o capeta estava todo empalado, perfurado por espadas e condenado à destruição, portanto não era um louvor ao mesmo, e sim, como o nome do disco antecipava, um “demonocídio”). Imagino a reação de muitos ao ouvir esse que provavelmente é ainda o mais aclamado disco do metal cristão, de uma banda que no início era apenas uma iniciante no meio de várias outras como Devilcrusher, Theosophy, Calvário, Kletus, Martíria, Arcanjo, The Joke? e Afterdeath, entre outras do inicinho dos anos 90. A The Joke? até então era a banda com o disco mais pesado lançado, ainda que de maneira beeeeem artesanal, e tava mais pra um thrash groove que um death metal com pegadas de grindcore, que é o que o Antidemon apresentou nesse álbum. Apesar de ao longo dos anos a banda ter lançado bons discos, inclusive o impecável Apocalipsenow, Demonocídio permanece sendo um marco, um marco tão impressionante que hoje em dia, 13 anos depois do susto inicial, acabou que me tornou um dos seus frutos, já que death metal hoje em dia é uma das minhas praias prediletas (risos). Um “Massacre” à religiosidade e um chute de coturno nas portas do inferno.
Phil: É hora de matar os capetas! AEEEEEEEHOOOOOOO! Cara, que emoção ouvir esse álbum. Como é incrível descobrir grupos nacionais antigos de grindcore e death metal e ainda por cima com temática cristã. Esse foi o primeiro full do Antidemon – só tinham um demo em fita cassete – e já balançou a cena rapidamente. Ah, e fez esse barulho todo de forma independente, como a maioria da turma estreante da época (e como boa parte do metal ainda circula hoje). Se você não curte o gênero, OK, mas se seus ouvidos aguentam de boa, certamente é uma grande escolha!
Thiago: Apesar de eu não conseguir gostar de grindcore e essas vozes pig scream, Antidemon tem um grande mérito: inovou no meio cristão com um estilo totalmente inconvencional, e deu a cara a tapa com uma música bem anticomercial. O que me incomoda é eu não conseguir entender as letras gritadas por Batista, algumas meio sem sentido, meio “eu adoro expulsar Satanás”, muito antidemônio, como a própria banda chama. Digo quase o mesmo para os arranjos de todas as músicas. O álbum é bem grande, tem 27 composições, mas com faixas curtas, característica comum no grindcore. Algumas são tão estranhas que chega a ser bem zoeira, como “Libertação” e “Libertação II”. É difícil ouvir este CD esperando criatividade como um todo, porém é uma produção bastante engraçada e incomum. Foi justa a banda aparecer na lista por sua inovação.
Tiago: Eu já conhecia a banda de nome há muito tempo, mas confesso que só fui conferir de mais perto quanto eles lançaram o fortíssimo disco Apocalypsenow, e foi uma grata descoberta. Antidemon é demais por sua proposta, e Demonocídio dispensa descrições ou comentários maiores, pois já é um clássico em seu gênero. Claro, tecnicamente a banda veio a melhorar muito mais em seus três discos mais recentes, mas aqui já vemos um death de respeito e bastante avassalador. É, de longe, a maior banda do gênero no nosso cenário.
[infobox title=’6º: O Sentido da Vida’]Artista: Stauros
Ano de lançamento: 1997
Número de faixas: 11[/infobox]
Jhonata: O Sentido da Vida é daqueles tipos de álbuns que quando você termina de ouvir pergunta: “e o resto?” Ele é incompleto. Não sei afirmar onde de fato ele peca mais, porém, afirmo que é expansivamente indesejável. A começar pela bateria fajuta e guitarra enjoante. Mas não é de todo ruim: tem lá suas particularidades positivas a exemplo de um bom vocal para o estilo heavy metal e, algumas de suas letras são bem poéticas.
João: Calvário pode ter sido a pioneira dos discos com I.X.O.Y.E. (1993), seguida pelo The Joke com o The Death of the Brittle Biscuit (1995), Rosa de Saron com Diante da Cruz (1994) e pela própria Stauros com Vento Forte (1995), mas foi O Sentido da Vida de 1997 que se tornou o primeiro CD de metal cristão brasileiro lançado de maneira “profissional”, com uma qualidade inquestionável, lançado pelo selo Todo Som, que nada mais era que um selo da gravadora Gospel Records (que logo passou todos os lançamentos desse selo pro seu catálogo), catapultou a banda de Itajaí, Santa Catarina (é, uma banda de rock cristão de SANTA CATARINA [risos]) nacionalmente, e até hoje é um dos marcos do chamado metal cristão brasileiro, junto com o já citado Demonocídio da Antidemon. Os vocais de Celso de Freyn são excepcionais, e foi aquilo que mais me marcou desde a primeira audição. Hoje em dia um material raríssimo, os felizes possuidores de um exemplar original desse disco se orgulhem bastante, porque é um dos lançamentos mais icônicos da história (e se caso você não se orgulha, fale comigo que eu recebo seu CD com prazer).
Phil: Meu Deus! Essa década só fica melhor e melhor! Só rock bom, cara! UUUUHUUUUU! Esse álbum é o segundo da banda e foi reconhecido até internacionalmente de tanta qualidade, e realmente é um grande trabalho de hard rock/metal progressivo. Muito bem gravado, bastante qualidade técnica pra uma banda que tinha pouco tempo na ativa, e letras bem escritas. É sem dúvidas um clássico.
Thiago: O Sentido da Vida é um álbum com velocidade, técnica e peso do heavy metal e metal progressivo. A voz de Celso de Freyn é bem diferente, com aqueles interpretações melódicas e rasgadas clássicas do metal. A introdução aguda e gritada do vocalista em “A Guerra Final” me fez esperar algo na linha do Stryper no disco, mas só ficou na impressão. É um disco que desce, mas meu conhecimento da banda é fraco para analisar profundamente o álbum. Quem espera virtuosismo achará, pois é melhor, musicalmente falando que um outro disco ali em cima.
Tiago: Como eu já disse, senti falta da banda Calvário na lista anterior. Mas pelo menos este clássico do Stauros está aqui. Talvez o primeiro disco totalmente metal que ganha um destaque maior fora do underground, O Sentido da Vida é historicamente importantíssimo: um som com pegada meio heavy/thrash, aqui vemos uma banda enérgica e procurando sair do lugar comum. É um bom trabalho.
[infobox title=’5º: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar’]Artista: Fruto Sagrado
Ano de lançamento: 1995
Número de faixas: 11[/infobox]
Jhonata: Faço do título desse álbum meu comentário sobre o mesmo.
João: Mais uma previsão acertada a contento meu (risos). Bem, muita gente sei lá porque malha esse disco, falam coisas como “cópia de Dream Theater” e similares, mas eu não entendo: o que nesse mundo no fim das contas não é uma “imitação”? Na verdade, esse disco tem muito mais elementos do som clássico e hard rock da banda, apesar de inegavelmente possuir muitos arranjos que lembram bastante Dream Theater, mas não só ela, também lembram muito em alguns momentos Rush e Queensrÿsche. OK. Estou procurando até agora qual o problema, enfim. Esse álbum é fantástico, e a linguagem que o mesmo possui é genial, embora sem dúvidas tenha causado e muito na época, já que o “gospel” já havia terrivelmente criado padrões até do que seriam “letras aceitáveis para bandas cristãs”. Até hoje essa praga persiste no meio dos “fãs de música gospel”, pois se uma banda cristã não se rotula como tal, logo na cabeça de alguns ela está “traindo o Evangelho”. É claro que isso não significa Thallequismos, ops…
Como o primeiro disco do FS que eu ouvi na vida, esse disco me fez viajar pacas e quebrou muitos paradigmas meus e até hoje o refrão de “Retórica”, que é o enorme título do álbum, ecoa na minha mente e seria ótimo que ecoasse na de tantos “religiosos” desse país e desse mundo.
Phil: Entramos no TOP 5. O papo ficou sério agora. Aqui é o auge do Fruto Sagrado. Talvez não o auge da acidez (mas pra época acho que foi) ou da técnica, mas do conceito de “Fruto Sagrado” mesmo, porque depois de 2000 a banda nunca mais foi a mesma. O fato é que esse conjunto da obra, nascido em 1995, é o melhor álbum deles e isso é praticamente um axioma, uma afirmação matemática daquelas que você olha e diz “é isso mesmo” e pronto, não há como ser falsa. O álbum é bom mesmo, é digno de ser escutado mesmo, e pronto, “cabou”, vai logo atrás de ouvir que cê tá perdendo tempo!
Thiago: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar foi pautado no metal progressivo, influenciado pela gringa Dream Theather, e manteve, nas letras, as críticas religiosas e políticas que caracterizam o Fruto. Até aquele momento, as produções foram boas e medianas. Esse disco teve ótimas músicas como “A Missão”, uma letra que fez referência a JOCUM (Jovens com uma Missão), as guitarras de Internal War (versão em inglês de “Guerra Interior”), a crítica política de “Podridown”, a reflexão amorosa de “Nosso Erro”, contudo, deixou algumas canções estranhas e fracas como “Presente”, cuja combinação de peso e letra romântica ficou bastante nonsense (como misturar água e óleo), uma letra meio desconexa sobre o estilo da instrumentalização de “Música” (música pesada do Fruto Sagrado tem que ter letra ácida crítica, senão não desce) e uma produção musical que deixou a desejar. No entanto, em resumo é um bom álbum e merece a posição de quinto lugar. Destaque a capa que possui uma aparência bem brasileira.
Tiago: Confesso que eu tenho uma relação um pouco estranha com esse disco. Por vezes gosto e acho incrível, em outros momentos sinto que é meio “forçado”. O Fruto Sagrado tem uma discografia bem lógica. Os álbuns foram crescendo em qualidade e pretensão progressivamente, exceto em O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar, de longe o trabalho mais pretensioso do grupo fluminense. Fortemente e escancaradamente influenciado pelo Dream Theater, aqui eles tentaram um som mais pesado, letras muito complexas, mas a produção musical não soou muito legal, até mesmo inferior a Na Contramão do Sistema (1992). Mas vale ser ouvido por sua tentativa, e por conter canções fortes e polêmicas, como “Retórica” e “Podridown”. Na época em que ouvi este trabalho pela primeira vez, custei pegar a “matemática” das letras. Isso é bom.
[infobox title=’4º: Resgate’]Artista: Resgate
Ano de lançamento: 1997
Número de faixas: 8[/infobox]
Jhonata: De todos os trabalhos do Resgate que já ouvi, esse é o que considero mais pop da banda. “Terceiro Dia” é a minha favorita desse disco (gente, ouçam os primeiros 3 segundos dessa música e o seu dia já vai tá valendo a pena) e, é claro que, o Resgate para mim é um grupo muito fraco em letras. Não sei se é pelo meu costume de ouvir Rosa de Saron (pós-Olhando de Frente EP) que suas letras não são Ctrl C + Ctrl V da Bíblia, e sim histórias da vida e coisas que vivenciamos, mas eu dou mais crédito para bandas cristãs (o que são poucas) que tenham letras mais profundas e que vão além de colas de versículos bíblicos.
João: Paulo Anhaia. Esse cara é o Rei Midas do rock! (risos) Exageros à parte, este disco do Resgate a princípio eu não ia tanto com a cara porque as letras pra mim eram bem confusas (mesmo caso do A Revolução da Catedral e do álbum do Fruto Sagrado), mas depois, exatamente como os já citados anteriores, este disco me conquistou. A mudança da sonoridade também meio que me morgou um pouco, APESAR QUE eu conheci o Resgate no Praise, que era bem calminho comparando-se a esse até, mas com o tempo este realmente me pegou pelo ouvido. “E Daí” que esse disco tem poucas músicas (8, sem contar com a faixa anônima escondida após “Em Todo Lugar”), a mensagem dele já antecipava o que o Resgate produziria de alguns anos pra cá, e que eles já faziam de mansinho em todos os discos, mas nesse eles chutaram o pé na porta, de um jeito que tal qual o já citado do Fruto Sagrado, na época causou uma estranheza terrível. Novamente a religiosidade boba afetando a mente até dos “antirreligiosos” do rock “gospel”.
Phil: Aí sim, fomos surpreendidos novamente! Esse disco é muito louco. A começar pelo fato de não ter sido masterizado. Não vou explicar o que significa pra não ficar enorme (só digo que corrige/equilibra algumas coisas) e muito produtor arrancaria os cabelos só de saber disso. Além disso, tem uma cara meio vintage e experimental, comparado com os anteriores (principalmente o On the Rock), com letras complexas e profundas. Pra mim é difícil falar de Resgate sem parecer fanboy, então falando da produção, Paulo Anhaia fez um belo trabalho aqui. E a bateria, cara… a graça de fazer arte é fazê-la imperfeita e imprevisível, e o timbre da bateria é fantástico sem a master, se melhorassem ia estragar. Eles saíram da caixa do hard rock e foram passear no britpop/britrock, com os quais continuam flertando até hoje. 🙂
Thiago: Resgate dominou o período 95-99. Buscando novas experimentações, o grupo ousou um rock britânico com guitarras fritando e vibrantes no álbum Resgate, de 97. Esbanjando criatividade e inovação, o disco integrou muitas canções boas, listo “Liberdade”, “E Daí” e “Terceiro Dia” como bons exemplos, porém é um CD que só se vale a pena ouvir por inteiro. “No One” e a segunda parte de “Em Todo Lugar” apresentam um folk rock daqueles que só se ouvem no gringo. A produção das guitarras foram bem colocadas, com a vibe britânica. Ótimo álbum, posição justa.
Tiago: Resgate foi um dos melhores, e talvez o último disco realmente bom do Resgate por muito tempo. Aliás, sua turnê foi acompanhada por ótimas apresentações da banda juntamente com os caras da Oficina G3. A obra tem seu tom claramente questionador, com letras complexas e versos bem trabalhos, mas que também conta com arranjos primorosos. É um trabalho liricamente e instrumentalmente anticlichê. Neste época, a banda começa a se mostrar bastante atraída pelo rock britânico, e apresenta, aqui, a sua versão do britpop. É um som de vanguarda, pois, se você parar para pensar, só o Skank faria algo parecido no mainstream do cenário nacional, e em Cosmotron (2003). É certamente curioso como um disco que sequer foi masterizado ter uma orgânica tão agradável.
[infobox title=’3º: Armagedom’]Artista: Katsbarnea
Ano de lançamento: 1995
Número de faixas: 12[/infobox]
Jhonata: Sem comentários (muito ruim!)
João: Esse pódio está estranhamente perfeito na minha opinião, acho que é a primeira vez que eu curti o pódio, inclusive as posições que os discos ficaram. Bem, ESSE álbum do Katsbarnea, que pra mim é O MELHOR da discografia inteira da banda e um dos melhores discos de rock cristão ever, foi um dos mais vendidos da cena lá na década de 90 (muito pelo sucesso gigantesco de “Gênesis”, possivelmente, mas o disco é muito bom no todo). Daí você puxa a ficha de quem produziu o disco e… Paulo Anhaia. De novo. Citar ele agora vai até parecer um fanatismo sem dúvidas (risos).
Um dos discos mais autênticos da década de 90, Armagedom finalmente deu uma identidade sonora à banda que andava meio “perdida” no anterior Cristo ou Barrabás (apesar de eu achar o disco muito bom, mas é inegável a evolução incrível apresentada no seguinte). Além da balada arrasa quarteirão chamada “Gênesis”, o disco possuí ótimas faixas como a meio progressiva “Invasão”, o heavy metal orquestral de “Armagedom”, o punk rock de “Crack”, o reggae-rock de “Pra Onde Você Vai, Brother?”, o forrock de “Alegria” e o surf rock de “Do Céu”. Fora a piadinha crítica habitual do Brother na faixa “Fariseu”, com um experimentalismo a lá Pink Floyd e até Duca Tambasco fazendo ponta cantando erudito ([risos] essa faixa é muito zoeira); o mais notável é que esses elementos já constavam no Cristo ou Barrabás, mas nesse disco realmente saiu muito melhor. Imperdível, esse disco foi o primeiro do Kats que eu ouvi na vida, e sem dúvidas o que mais me marcou, com uma das melhores (senão a melhor) formações da banda.
Phil: Não querendo ser malvado mas já sendo: obrigado, Paulinho Makuko, por ter ido passear fora da banda por um tempo. Ao meu ver, a ausência daquelas percussões todas em álbuns anteriores fez um bem danado pra banda! Brother Simion pareceu mais loucão agora que temos um rock “de verdade” nas faixas que são rock, e pra mim as letras subiram uns degraus na qualidade. Deixaram pra trás a parte mais pop oitentista e amadureceram um bocado. Paulo Anhaia também assina a produção aqui. Déio Tambasco (guitarra) e Jadão (baixo) deram um grande up no trabalho, embora Brother Simion continue sendo a cara da banda.
Thiago: Resumo do Katsbarnea até o Armagedom: superações e deslizes juntos em vários álbuns, o som terrivelmente chato do Makuko tocando percussão, uma voz não muito legal do Brother Simion, letras interessantes, músicas ora legais, ora fracas. Resumo do Armagedom: progresso enorme da banda, na qualidade musical e na produção. É um discão de prog rock/metal, heavy metal, com experimentações excêntricas do hardcore punk. A influência do reggae no álbum foi bem perceptível em algumas faixas do álbum, mas as melhores são as mais progressivas. Brother Simion arriscou gritos guturais que eu achei demais. Deixou Jean Carlos no chinelo. Apesar de algumas músicas do disco serem meio indefiníveis, ele contém canções dignas de muito elogio, musicões mitantes. As progs “Invasão” , “Armagedom” , “Fariseu” e o southern rock “Get Out of Babylon” são E-X-T-R-A-O-R-D-I-N-Á-R-I-A-S. E todo esse mérito que a obra tem, Déio Tambasco teve uma fundamental participação. As gravações de guitarras do álbum ficaram excelentes. Disco bom, vale a pena conferir.
Tiago: Esse TOP 3 está lindo de se ver! Após o forçado enxugamento da formação, que matou a estabilidade da formação do Kats (não me canso de falar disso), a banda tinha que encontrar o seu caminho. Embora Cristo ou Barrabás tenha seus pontos fortes, é um disco meio aborrecido, mas ao ouvir Armagedom você percebe que eles encontraram um rumo. O rock experimental, então, era a vertente perfeita para o Katsbarnea. Brother Simion, então, parece carregar a banda em suas costas. Isso, de fato, não é uma ofensa para os demais da banda, pois o disco reserva grandes performances de Déio Tambasco e Jadão, mas o que o nosso vocal faz neste disco não é brincadeira: vocais, piano, harmônica, teclado, guitarra e, claro, assina todas as músicas. Paulo Anhaia (você lerá muito ainda este nome) chega pra somar e enriquece a produção do disco, que conta com “Invasão”, “Do Céu” (que música!), “Crack – Atos 4:11” e “Fariseu”, sem falar nas ótimas camadas de teclado de Giovani Bon, que dão um ar sombrio a algumas canções.
[infobox title=’2º: Indiferença’]Artista: Oficina G3
Ano de lançamento: 1996
Número de faixas: 15[/infobox]
Jhonata: Eu gosto muito desse álbum do Oficina e acho merecida a sua colocação. A versatilidade de vozes nesse disco é muito melhor que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (e olha que eu amo Los Hermanos). O peso nas guitarras e bateria foram muito bem encaixados, nada de exageros. Destaco a faixa-título, “Espelhos Mágicos”, “Davi” e “Fé”.
João: O melhor disco do Kats, seguido pelo melhor do Oficina, é lógico. E, advinha, Paulo Anhaia de novo… (muitos risos). Um festival de hard rock de melhor qualidade, é isso que esse disco injeta nos ouvidos de todos, e não a toa pra muitos é o melhor disco do rock cristão brasileiro supremo (apesar que o disco seguinte nessa lista supera muito a esse). O talento nato de Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos (que até hoje são a formação base do Oficina desde então), juntamente à bateria precisa de Walter Lopes e dos vocais soberbos e inacreditavelmente perfeitos pro hard rock de Luciano Manga, que nesse disco se despedia da banda e chega a ser irônico que com sua partida a sonoridade básica que tanto encantou no Oficina foi embora com ele.
OK, eu conheci Oficina G3 no primeiro Acústico, o de estúdio, lá em 1998 (um amigo meu me mostrou e eu viajei como poderia haver rock cristão, e desse disco, junto com o Asas do Brother, me introduziram nesse mundo, mal eu tinha virado “crente” [risos]). Mas quando se compara com cuidado e atenção a fase original com o que viria a seguir, você acaba tendo meio que a minha atitude quanto a isso: vira fã incondicional do Oficina com Manga e um cara que até tem um certo apreço pelo quesito saudosismo da fase “popcina G3”, mas nada mais além disso. Indiferença foi o primeiro disco que o Oficina mostrou letras mais “urgentes” pro mundo ao seu redor e também uma sonoridade profissional, que não deixa a desejar nenhuma banda de glam metal/hard rock cristã dos anos 80 lá dos “isteitis”.
Phil: Clássico é pouco pra falar desse álbum. Agora vou chutar o pau da barraca: sou fanboy de Oficina mesmo! (risos). Podemos considerar esse álbum como sendo o grande marco da era Luciano Manga, com tantas canções lembradas até hoje. Aposto que você conhece aquele irmão mais antigo que canta “Indiferença” ou “Espelhos Mágicos”. Tudo bem que o álbum Acústico que veio depois contribuiu pra amaciar a sonoridade e espalhar a fanbase, mas o que dizer do clássico (e difícil!) solo introdutório de “Glória”? Eu só acho que ainda faltou um “quê” nas letras, algo que se foi com Túlio Régis, mas é sem dúvidas mais amadurecido que o álbum anterior, e lançou a banda a lugares bem mais altos, consolidando seu espaço na música cristã como um todo.
Thiago: Indiferença é outro clássico da lista. Considerado pelos fãs mais oldschool como o melhor álbum do Oficina G3, mostrou a evolução da banda e demonstrou o que o G3 é capaz de fazer. Afram e seus dedos virtuosos e sentimentais exibiu técnica e musicalidade do início ao fim, Duca Tambasco mitou no baixo, Jean Carlos deu sua contribuição e o saudoso Walter Lopes mostrou quem era na bateria. Esse quinteto pode não ser reconhecido como a formação clássica, mas foi o que mais fez história na banda. O brilhante solo de Juninho na faixa “Glória Ist.” foi o melhor de todos, brilhantismo que foi mantido na interpretação da música cantada. “Davi” abriu muito bem, com a faixa-título sendo a segunda melhor. Duca contribuiu bastante também no seu curto – mas valioso – instrumental, “Duca’s Jam”, e em “Contra Cultura”, música que teve a melhor performance de Jean Carlos em seus teclados. Manga fez sua parte como vocalista. Ainda rendeu a progressiva “Your Eyes” e “Your Eyes II”, a cantada e seu instrumental subsequente. Hard rock, heavy metal, blues rock e rock progressivo direto do forno pode-se apreciar nesse projeto que exala muita técnica. “Rei de Salém”, com sua vibe açucarada demais, e “Magia Alguma” não me agradaram.
Tiago: Eu gosto muito de Indiferença e sou daqueles sujeitos que o defendem como melhor disco da banda. Não é questão de saudosismo, mas a evolução lírica, técnica e instrumental deste trabalho, para a época, é notável. Se Jean Carllos estreava, Duca Tambasco e Waltão arrebentavam e Luciano Manga brilhava como vocalista, o que dizer de Juninho Afram? De coadjuvante, se tornou protagonista, escrevendo sozinho a maioria das músicas, tornando-se o principal compositor da Oficina e até intérprete em várias faixas. “Glória Inst.” é a coisa mais brilhante deste grande álbum, que ainda nos surpreende pelas belas baladas “Magia Alguma” e “Novos Céus”, sem falar nos hards “Davi”, “Indiferença”, “Espelhos Mágicos” e “Não Temas”. Outra beleza que vejo no disco é “Your Eyes”, para mim, uma das melhores e mais subestimadas músicas do G3.
[infobox title=’1º: On the Rock’]Artista: Resgate
Ano de lançamento: 1995
Número de faixas: 14[/infobox]
Jhonata: Certa vez me disseram pra ouvir 5:50 AM do Resgate como se tivesse ouvindo “Sem Você” do Rosa de Saron, ou seja, é o clássico mais conhecido da banda. Confesso que gostei da música e, como já disse em postagens anteriores, gosto da banda. O que mais me agrada neste disco são as guitarras. Finalmente um disco dessa lista com guitarras agradáveis de começo ao fim.
João: ON THE MARVELOUS ROCK!!! Praticamente escrevi essa review dos 10 discos da lista com esse disco rolando no meu PC. O disco que eu mais ouço do rock cristão, hoje e sempre. Como já falei no disco Resgate de 1997, o meu primeiro contato com a banda do Zé Bruno, Jorge Bruno, Hamilton e Marcelo foi com o Praise de 2000, que é sem dúvidas um dos melhores discos da banda. Mas um certo dia, em 2002, 2003, não lembro ao certo, pedi emprestado ao pastor Carlos Alberto (Carlão) da minha velha Renascer Beberibe que eu fazia parte na época, esse disco. Eu queria muito ouvir devido ao fato de ter visto os caras do Resgate tudo cabeludão, igual à matéria da Revista Gospel Nº 2 (dezembro/2001) que mostrava várias fotos de shows antigos da banda. Fiquei imaginando o som que eles faziam, já que na época o que rolava era o Acústico da banda (por sinal também muito bom, e foi o primeiro disco de rock cristão que eu comprei na vida). Quando ouvi esse petardo, foi um momento meio “decisivo” pra mim. Eu já na época queria ouvir e tocar uns sons mais “pesados”, embora ainda não fosse uma coisa bem determinativa (acho que só em 2005, há 10 anos atrás, que eu realmente comecei a “entrar de cabeça” nesse som). E assim, On the Rock se tornou meu disco predileto.
Mais uma produção de Paulo Anhaia, provavelmente a primeira dele com bandas “cristãs”, e ele já chegou destroçando tudo, porque esse é sem dúvidas o melhor disco que ele produziu, com letras precisas, hard rock bem medido, falando de solidão, problemas sociais, hipocrisia religiosa e até humor (temática que começou no disco anterior Novos Rumos com o cover de “Florzinha”, e que seguiu adiante em vários discos da banda até hoje). Acho que não tenho mais o que falar desse disco, senão vai ser repetitivo, o que posso dizer é: QUE DISCO!
Phil: Abram alas pro campeão. Cara, se for pra fazer um apanhado do rock cristão nacional de todos os tempos esse álbum fica no TOP 5 fácil. O mito Paulo Anhaia ataca novamente e fez um grande trabalho, aparando as arestas dos caras e os direcionando no hard rock de uma forma mais expressiva que os álbuns anteriores. Ficou muito redondinho. Bem feito demais. Os caras soavam muito melhor. Aqui, os temas das letras variam mas carregam diferentes temáticas de uma forma meio satirizada, que se tornaria a marca do Resgate ao longo dos anos. Parece que as canções conversam com a gente, digo, pelo linguajar mesmo. E do On the Rock saiu o que (dizem) é o maior sucesso da banda: “5:50 AM”. É um CD pra ninguém botar defeito, e não digo isso pelo jargão!
Thiago: On the Rock foi descrito como um clássico da banda Resgate, mas apesar de eu preferir Ainda não É o Último, é um ótimo trabalho musical. O disco reuniu músicas com sonoridade hard rock com flertes ao heavy metal, mais pesado que os álbuns anteriores e muito melhor, tanto musicalmente, quanto conceitualmente. A obra teve a música de maior sucesso da banda e uma das melhores deles, a fera 5:50 AM, uma bela canção sobre solidão. As humorísticas “Papo de Lóki” e “Fogo” são hilárias, mas o sarcasmo de “Fogo” é bem neopentecostal. “Doutores da Lei” incorpora uma crítica aos fariseus, apimentada pelo hard rock. Os riffs magnéticos de guitarra eletrizam e atrai do início ao fim. “He’ll Come Again” é a única mediana do álbum. On the Rock, Indiferença e Armagedom ocuparam com muita justiça o pódio da lista de 95-99.
Tiago: Primeiro lugar merecido, embora sei que alguns dos meus colegas vão discordar. Nos discos anteriores, o Resgate ainda tentava se encontrar, e com Paulo Anhaia chegaram onde queriam. On the Rock é o registro de uma banda vibrante, alegre, deslumbrada pela possibilidade musical que encontraram. Há algo muito particular no quarteto, já observado nos dois anteriores, que não encontramos em nenhuma banda ou cantor cristão da época: o humor cínico. Este álbum é repleto dele. A banda trata de temáticas seríssimas de forma despojada, como o isolamento social (“Solidão”), morte (“Vida”) e até o diabo (“Fogo”). Mais pesado, o disco foi gravado ao vivo, e é pancada. Vale destacar, também, as fortes críticas em “Doutores da Lei” e a balada mais repetidamente regravada da banda, “5:50 AM”. Os riffs de Zé Bruno e Hamilton estão afiados, a cozinha pega fogo e nas catorze faixas não perde o fôlego. Para um ano em que o Brasil começou a vibrar com os Mamonas Assassinas, o Resgate já evoluía o seu humor desde 1991, curiosamente ao lado do Creuzebeck. De longe, o seu melhor trabalho e um dos melhores álbuns da década.
A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora.