Juninho Afram já estava como vocalista há muito tempo, mas as canções da banda exigiam muito do cantor para dividir as guitarras com os vocais. Por outro lado, vinha um álbum agressivo em produção, chamado Depois da Guerra, enquanto conheciam um rapaz de voz monstruosa e rasgada de nome Mauro Henrique. Obviamente, a banda cresceu os olhos e ele foi anunciado como novo vocalista. Muitos acham que, apesar de Juninho ser o líder, quem influencia na sonoridade é o vocal (o que é uma bobagem sem tamanho, já que tudo, segundo eles, é no consenso entre todos). E, neste caso, claro, não foi assim.
O disco foi lançado no início de dezembro do ano de 2008 e rapidamente causou delírio do público pela forte característica do metal progressivo, já desenvolvido no Além do que os Olhos Podem Ver. Antes de tudo, qual a diferença fundamental entre os dois discos? A mixagem e parte da sonoridade. Além tem uma mix relativamente pop, em que todos os instrumentos ganham destaque, enquanto, no DDG, as guitarras possuem mais peso e o baixo ficou um tanto quanto apagado. Outro detalhe, que vale mencionar, é a influência de metalcore, que Além do que os Olhos Podem Ver não tem.
É óbvio que DDG é um bom álbum, mas o considero superestimado. A começar que parte do repertório não é autoral. Acredito que seja da consciência geral de que uma banda de rock que se preze deve dar prioridade ao material autoral, e parte das melhores músicas não são, como “Meus Próprios Meios” (Déio Tambasco), “Incondicional” (membros da ex-banda de Mauro, com Mauro) e “Better” (Celso Machado). Em segundo ponto, a influência da produção musical na sonoridade é tão grande que pouco da Oficina tão evoluída dos dois discos anteriores se vê neste álbum. Soou um grupo totalmente diferente. Terceiro, e mais importante: a maioria das baladas deste disco, em minha opinião, são muito chatas, especialmente “Tua Mão”, uma das coisas mais diabéticas que o grupo já fez. A temática “guerra”, explorada nas músicas, em certos momentos soou repetitiva, se tornando algo bastante cansativo ao ouvir. Mas, tirando estes detalhes relevantes, o álbum é realmente surpreendente.
Sobre a melhor faixa do álbum, Déio Tambasco disse:
“Esta letra é parte da história da minha vida.
Todos nós, em algum momento, vivemos escravizados pelo medo, e creio que esta é uma das piores prisões, pois tiram a força, a honra e até a vontade de viver.
Mas na força dEle, podemos dar um basta.
De onde vem esta força? Deixe Deus feliz, pois é de Sua alegria que vem a nossa força. Nehemias 8:10”
O clipe de “Incondicional”, dirigido por Hugo Pessoa, foi bastante visualizado, e filmado no mesmo local onde foi produzido o DDG Experience, em 2009. A respeito deste projeto, é excelente. Ter escolhido Hugo Pessoa foi uma escolha muito acertada, afinal ele vinha com uma produção premiada, o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, do Trazendo a Arca, que venceu o Troféu Talento (apesar de ser uma votação popular, a categoria DVD era avaliada por críticos especializados).
A banda escolheu o melhor diretor do momento para o trabalho, e o efeito bullet-time é, sem dúvida o principal atrativo das filmagens. Mas o que mais me incomoda neste DVD é a performance de Mauro Henrique, que se limita a bordões como “sai do chão!”, “rock’n’roll” e adjacências. Em “Incondicional”, Mauro apresenta um discurso confuso, e suas palavras não parecem empolgar o público, da tão grande timidez a qual o músico dispunha. Juninho Afram apresenta uma ótima palavra, que acredito ser o melhor momento do DVD dentre a parte “evangelística”.
O projeto gráfico, tanto quanto do CD e do DVD/Blu-ray foram produzidos por Gustavo Sazes, excelente designer e com um currículo bastante completo na cena do rock nacional. Todo o conceito do álbum é muito bem reproduzido, e acredito que seja a melhor arte de um disco da Oficina G3 já feita.
Vale lembrar que, para quem diz que a Oficina G3 não é uma banda valorizada por sua gravadora: DDG Experience foi o primeiro, e até agora o único disco em blu-ray lançado pela MK. (e O Tempo foi o primeiro DVD da gravadora também)
Depois da Guerra ganhou o Troféu Talento na categoria Melhor CD de rock, e também o Grammy Latino. Em 2011, Alexandre Aposan seria efetivado como integrante.
A respeito do processo de produção do disco, alguns vídeos, divulgados pelo canal oficial da banda na época são interessantes de ver, até mesmo para prever como seria o álbum nos vocais de Juninho Afram:
Deixe um comentário