Autor: Tiago Abreu

  • Rocklogia – Figuras à parte, fundamentais!

    Já parou para pensar na quantidade de músicos e cantores que, apesar de não fazerem exatamente (ou exclusivamente rock) foram fundamentais e ativamente participativos na cena? Por isso, neste post, vamos falar um pouco sobre eles.


    Vencedores por Cristo: O grupo musical cristão mais importante dos anos 70, tinha uma estética musical que transgredia qualquer limite de gêneros. Revelando grandes músicos, algumas canções da banda e seus compositores seriam gravadas pelo Rebanhão, especialmente a clássica “Viajar” (1985), escrita por Sérgio Pimenta.

    Edson e Tita: Dupla formada pelos músicos Edson Lobo e Tita Lobo, os instrumentistas gravaram o primeiro trabalho, juntos, em 1982. Chamado Novidade de Vida, o álbum até esteve em nossa lista dos 100 maiores álbuns da história da música cristã brasileira, e com este projeto os músicos cariocas se apresentavam em uma série de locais, especialmente teatros, com a banda Rebanhão e a atriz Darlene Glória (pseudônimo de Helena Brandão). O segundo disco foi lançado em 1990, chamado Partiu do Alto, pela Gospel Records. E lá estavam eles no meio dos roqueiros da Renascer…

    João Alexandre: Ex-Vencedores por Cristo, João criou outro grupo ainda muito jovem (Pescador). Participou do disco Janires e Amigos (1985) do ex-Rebanhão Janires. Mais tarde, Alexandre ingressou no Milad, grupo que não era de rock, mas tinha seu posto dentre os conjuntos jovens da época. Em carreira solo, lançou seu primeiro disco em 1991 pela Gospel Records com produção do tecladista Pedro Braconnot. E lá estava ele no meio dos roqueiros da Renascer… Anos depois, participaria do disco O que na Verdade Somos (2003), do Fruto Sagrado. Aliás, em termos de discurso e contestação, João Alexandre é roqueiro por natureza.

    Banda Fé: Foi um grupo de curta duração. Lançou apenas um vinil e tocou no disco Janires e Amigos. Mais tarde, alguns membros deste grupo fundaram o Banda & Voz.

    Banda & Voz: Com um som muito mais próximo do que pode se chamar de soul e black music, a Banda & Voz cresceu num espaço pouquíssimo explorado no meio evangélico, até mesmo nos dias de hoje. Mas eles estavam bem mais próximos dos roqueiros do que de muitas outras pessoas. Com uma parceria antiga com os integrantes do Rebanhão, membros do grupo participaram de vários discos como backing vocals: Natan Brito participou do disco Semeador (1986). Mais tarde, Carlinhos Felix escreveu e gravou o sucesso “Falando de Vida” no disco homônimo, e Beno César tocou baixo com o Rebanhão num curto período, em substituição de Paulo Marotta. Nos anos 90, Pedro Braconnot produziria alguns discos de Marina de Oliveira e Cristina Mel ao lado de Natan e Jolce Brito.

    Novo Som: Talvez uma das três maiores bandas pop que o meio cristão brasileiro já conheceu, o Novo Som cresceu e se popularizou, de certa forma, sozinho e isolado. Uma banda jovem, mas não pertencente ao circuito do rock cristão propriamente dito, a banda até adotou uma certa aproximação com o Catedral, ao longo dos anos. Mito participou de um dos discos do Catedral e ambos grupos lançaram um disco ao vivo juntos em 2013.

    Actos 2 ou Kadoshi: Banda que se aventurava em diversos sons, mas identificava-se na proposta jovem das bandas de rock, foi crescendo vertiginosamente em sua carreira, especialmente nos anos 90.

    Cristina Mel: Durante certo período, a mais importante e conhecida cantora evangélica de seu tempo, Cristina teve seus primeiros passos diretamente guiados por Pedro Braconnot e Natan Brito. Amante dos grupos de rock cristão (o Sinal de Alerta, por exemplo), Cristina por algumas vezes se apresentou próxima a eles e fez até regravações.

    Renascer Praise: Surgida para ser a banda de louvor da Renascer em Cristo (Katsbarnea era a banda da igreja até então), a instituição centralizou (ou monopolizou) o movimento das bandas de rock cristão nos anos 90. O primeiro disco, e vários, contém a participação de Zé Bruno, Brother Simion, Luciano Manga e outras figuras.

    Amaury Fontenele: Amaury que usava o rock e a vibe do rap para constituir sua carreira musical, ainda foi produtor e parceiro musical de Brother Simion, Luciano Manga e da banda Fruto Sagrado.

    Patmus: Banda pop revelou Dudu Borges, que mais tarde seria integrante do Resgate. Um de seus ex-integrantes, Cris de Matteis, ainda produziu o disco Eclipse (Brother Simion) e Na Estrada (Walter Lopes).

    SILVA: Cantor que se destaca cada vez mais na cena pop-MPB nacional, foi produtor musical e principal compositor de várias canções de seu irmão, Lucas Souza. Produziu, também, o Palavrantiga.

    Leonardo Gonçalves: Admirado pelos integrantes da Oficina G3 e vice-versa, Leonardo subiu ao mainstream da música cristã de uma forma muito incomum: Preservando sua arte e agindo com extremo perfeccionismo. Ao conseguir agradar públicos muito diferentes, o cantor mostrou versatilidade participando das sessões de gravação do álbum Histórias e Bicicletas, ainda se juntando a Mauro Henrique e Guilherme de Sá nos shows Loop Session + Friends.

  • Rocklogia – Rebanhão 35 anos – o retorno

    De 2010 pra cá, muitos grupos, outrora sumidos, retornaram as atividades, ou fizeram pequenas apresentações. Stauros e Banda Azul voltaram com todo o fôlego, Complexo J fez algumas apresentações com alguns membros originais e Sinal Verde fez uma apresentação única… mas nada causou impacto em termos de público e imprensa do que a volta do Rebanhão em 2014.

    Quando o O Propagador surgiu, nós da equipe do site, decidimos trazer algumas matérias sobre a banda, e a cada ano, se possível, abordar um cantor ou grupo que já tenha encerrado as atividades. O retorno deste grupo foi praticamente uma surpresa pra mim, e veio exatamente na mesma época em que nós do site estávamos publicando muitos materiais sobre eles.

    Anteriormente a isso, Pedro Braconnot, juntamente com Anderson Freire, foi o compositor da canção “Ame Mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel. Em uma entrevista a uma revista em 2013 (que já está fora do ar), Braconnot afirmou que tocava com o Pablo Chies em alguns eventos, mas que estava difícil reunir o grupo, embora fosse uma vontade geral. No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro daquele ano, Pedro e Pablo fizeram uma surpresa e os três tocaram juntos. Carlinhos, inclusive, estreava pela Sony com o disco Lindo Senhor.

    Mais tarde, ainda em 2013, numa entrevista ao Super Gospel, Carlinhos falou um pouco sobre a banda.

    “Acho não. Estivemos juntos dia 25 de janeiro no meu aniversario, que era a festa de 40 anos da vigília de Bento Ribeiro. Foi emocionante. Sempre falamos que só faríamos se fosse uma produção maravilhosa, pois o Rebanhão merece. E o povo que curte também merece. Creio que a Sony faria isso com muita propriedade”. [Carlinhos Felix, sobre uma reunião em fevereiro de 2013, Super Gospel]

    O movimento continuou, e no final de 2013, Braconnot divulgou uma música inédita no iTunes, chamada “Mais que Palavras”, com a participação de uma de suas filhas nos vocais. Mais tarde, em seu Soundcloud, publicaria mais duas novas músicas, com a tendência mais congregacional existente em Vamos Viver o Amor: “Nada Mais” e “Amado da Minh’Alma” (esta última recebeu a hashtag #Rebanhão).

    Enquanto isso, Carlinhos e Paulo Marotta, nestes anos, tornaram-se intensamente críticos da pobreza de conteúdo do meio gospel. Marotta, em uma entrevista à MPC em 2000, diria que “é preciso tirar Jesus do rótulo e trazê-lo de volta para o centro“, e Felix, diria repetidamente, em entrevistas, que estava vendo muita música sem criatividade no meio. Paulo foi o único integrante do grupo a participar do Tributo a Janires, gravado no Som do Céu em 2003.

    Quando Braconnot, Felix e Marotta anunciaram a reunião do grupo, lembro que foi uma surpresa para todos, e imediatamente, a nova página da banda no Facebook passou a ser divulgada. Fernando Augusto ia participar, mas acabou ocorrendo algo que inviabilizou sua participação. Para completar, a banda chamou Pablo Chies para a guitarra solo, e trabalhou com o músico contratado Lucio de Paula para a bateria, durante os ensaios.

    Depois da volta, Pedro Braconnot e Carlinhos Felix responderam entrevistas aqui no site, falando sobre a carreira e projetos com o grupo. Durante os ensaios, se encontraram com Lucas Ribeiro, principal mente atrás da Sinal Verde, um dos embriões antecedentes do Rebanhão e Bené Gomes, líder do Koinonya.

    Depois disso, o Rebanhão acabou firmando uma parceria com a Mess Entretenimento, que fará a distribuição do futuro álbum de 35 anos do grupo.

    Abaixo, veja os blocos de uma entrevista com o Rebanhão veiculada pela TV Boas Novas e vamos aguardar as novidades do Rebanhão 35 anos.

  • TOP 10 – músicas sobre a vaidade

    A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade, e infelizmente pode atingir a todos. Esta questão foi tratada em muitas das músicas cristãs, e por isso decidimos trazê-las aqui no O Propagador. Confira.

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    O que não Precisa – Resgate

    Abrindo a lista, temos “O que não Precisa”, da banda de rock Resgate. A faixa alerta o esquecimento das coisas de Deus, atentando-se para questões passageiras deste mundo. (2012)

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    Tudo o que eu Preciso – Nívea Soares

    O nono lugar é de Nívea Soares, com “Tudo o que eu Preciso”. Do álbum Reina Sobre Mim, esta canção é uma oração, a qual pede que Deus venha tirar o foco das coisas deste mundo e que neguemos a nós mesmos. (2003)

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    Tudo Passa – Rebanhão

    Escrita pelo cantor Carlinhos Felix, “Tudo Passa” abre a discografia do Rebanhão nos lembrando que “tudo neste mundo é ilusão”, e que, mesmo dias, meses e anos passando, Cristo nunca passará. O músico ainda canta que Cristo “é tempo sem perder”. (1981)

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    Quem Sou Eu? – PG

    Embora se trate de uma versão do Casting Crowns, “Quem Sou Eu” foi um sucesso importante na carreira de PG. Sua letra é uma reflexão do quão pequenos, frágeis e tolos que somos, sem poder para controlar tudo ao nosso redor. Deus, ao contrário de nós, não é passageiro. (2007)

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    Vaidade – Hibernia

    A maior parte do repertório da banda Hibernia é composto por canções introspectivas e extremamente reflexivas. “Vaidade” não foge deste padrão, e analisa a prevalência da transitoriedade a qual lidamos todos os dias, além da nossa vontade constante de ter coisas fúteis. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=_GhhqSpO_cg

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    Milímetro – Daniela Araújo

    Canção que abre a carreira solo de Daniela Araújo, “Milímetro” é uma reflexão sobre a brevidade da vida, tão curta em relação à tudo em nosso redor. E, de tempos em tempos, seres nascem, seres morrem, num ciclo de repetições. (2011)

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    Senhor do Tempo – Paulo César Baruk

    Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)

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    Vaidade – Tanlan e Marcos Almeida

    A medalha de bronze vai para a banda Tanlan, com a participação do cantor Marcos Almeida. “Vaidade” explora justamente as definições deste conceito, mas, de forma esperançosa, afirma que “a vida ainda vale a pena” e que a busca pela realidade o levou até a este ponto. (2012)

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    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre é notável por afirmações e canções polêmicas, sem a menor pretensão de agradar egos, abordando verdades bíblicas. “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a prosperidade até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano, afirmando que tudo isto é vaidade. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

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    Vaidade – Heloisa Rosa

    O primeiro lugar vai para a cantora Heloisa Rosa, com “Vaidade”. O mundo cada vez mais frenético e acelerado. Os anseios consumistas nos fazem que, de tempo em tempo, busquemos por coisas que realmente não precisamos. “Vaidade” vai exatamente neste tema, com o clamor de que Deus nos atraia para perto dEle e longe dos propósitos deste tempo. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=_uD7m8zfaVs

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Desafios para o novo movimento

    Fico muito feliz sempre quando vejo algum músico do novo movimento divulgando um dos primeiros textos que escrevi para a Rocklogia em 2014, sobre o assunto. E fico mais satisfeito ainda quando muitos cristãos veem, nestes artistas, questões muito interessantes sobre os desdobramentos do segmento evangélico no país (por seus lados bons e ruins).

    Mas antes de tudo, eu preciso dizer que não acredito mais na existência do novo movimento da mesma forma com a qual disse naquele texto. Acredito que um movimento, com contexto e raízes históricas, nos dias de hoje, não existe. Sim, existe a ideologia, mas o movimento não. E naquele texto, fiz uma confusão, pois não diferenciei o novo movimento como movimento e o novo movimento como ideologia.

    Confesso que os meus conceitos estão mudando conforme me aprofundo no assunto que, aliás, é ainda bastante complexo. Vejo que o contexto para a existência deste “movimento” já passou, e foi na década passada. Este pano de fundo foi quando os mais esclarecidos já observavam os rumos errados do chamado “meio gospel” e cresceu a falta de identificação ao “rock gospel” (toda aquela estrutura de eventos e gravadoras e a crescente letargia lírica). Sem falar nos fóruns cristãos, cheio de pessoas em busca de novidades que fugissem o lugar-comum. Nisso, o campo estava formado para novas ideias. E, particularmente, acho que de 2011 para cá, as ideias sobre um movimento foram esvaziadas. Se tudo é novo movimento, logo novo movimento não significa nada. O termo crossover, definido como um sinônimo, entrou no vocabulário dos diretores de gravadoras, artistas de vários gêneros, e a discussão, que antigamente era muito mais profunda, parece ter se limitado a discutir o possível alcance mercadológico da música produzida por esses músicos.

    Em contrapartida (uma divagação pessoal), parte do que alguns gostam de chamar de “pós-gospel” (estes artistas mais novos que tem despontado de uns quatro anos pra cá), para mim, não é nada mais do que um “gospel” que certas pessoas querem vender (ou simplesmente divulgar) como música popular. Então, particularmente, não creio que um novo movimento, organizado e concreto, exista hoje.

    E dentre os remanescentes do movimento, com o passar dos anos, alguns artistas procuraram embasar todo aquele descontentamento verbalizado em músicas por correntes teóricas. Foi aí que os nomes de Rookmaaker, por exemplo, caíram como uma luva para estas propostas. Naquele momento, a questão musical tornou-se muito mais ideológica (uma perda enorme, diga-se de passagem). Estas teorias bebem da fonte de clássicos da antropologia e sociologia nacional. Ver um músico cristão citando Sérgio Buarque de Holanda, por exemplo, é algo muito incomum para o que temos visto nas últimas décadas. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que o chamado ‘gospel’ (nada mais do que um rótulo bizarro surgido no início dos anos 90) é um mercado com letras maiúsculas: está muito bem articulado, forte e segmentado. Transitar entre os meios ‘populares’ e neste espaço, dependendo da forma como se é proposto, não faz sentido algum. Reforçando: Vejo que a proposta essencial do novo movimento era de questionar, proporcionar alternativas, restaurar o sentimento de muitos artistas cristãos aos tempos que antecederam o movimento gospel. Afirmar, ou utilizar-se do novo movimento como mera ideologia de mercado é usar de um reducionismo muito inocente.

    Mas, se o questionamento é de fazer uma música que provoque identificação para um público religioso e não-religioso, a questão fica ainda mais tênue e difícil. É impossível? Tenho a absoluta certeza que não. É interessante para o mercado gospel? Tenho a absoluta certeza que não. Mas, considerando que fosse, diria o seguinte:

    O preconceito, talvez, é a chave de toda a dificuldade de transitar entre o ‘gospel’ e o ‘secular’, o ‘profano’ e o ‘sagrado’. O crescimento dos evangélicos na população, o surgimento de todo um meio específico e segmentado para este público, ilhou e destruiu a maioria das pontes possíveis. Nos anos 70, era normal Wolô e Ozéias de Paula serem produzidos por Ângelo Apolônio (Poli). Nos anos 80, era normal o Rebanhão gravar com Jessé Sadoc, um dos melhores trompetistas do Brasil, trabalhar com Amaro Moço, engenheiro de gravação responsável por discos da Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Martinho da Vila. Era normal serem produzidos por Paulo Debétio, que trabalhou em diversos discos para a Polygram nos anos 80 e gravar uma composição de Tutuca Borba, tecladista/pianista do cantor Roberto Carlos. Sem falar na dupla Edson e Tita, que tocam até hoje com medalhões da MPB. Era totalmente aceitável Carlinhos Felix gravar com Paulinho Guitarra, um dos mestres da guitarra no Brasil. Mesmo após o início do chamado movimento gospel, não era estranho Resgate e Katsbarnea trabalhar com Paulo Anhaia e Rick Bonadio, este último que se tornou nacionalmente conhecido produzindo os Mamonas Assassinas, e até hoje é um produtor musical extremamente notável. Mais recentemente, ocorreu a ascensão de Dudu Borges no cenário sertanejo e como um dos produtores musicais mais caros do país, e sua consequente saída do Resgate fomentou novas discussões. Vi, por várias vezes, pessoas acusando-o de falso cristão, mercenário, ou coisas do tipo. Curiosamente, quando é entrevistado por grandes mídias, sequer citam que, por dez anos, trabalhou com o Resgate (sendo seis anos como integrante), e, no máximo, diz que gravou com músicos do gospel. Por que? Pela “aparelhagem” do meio. E, mesmo querendo ou não, introduzir-se neste mercado obriga o artista a abrir mão de várias coisas. No ‘gospel’, há regras, linguajar e propostas específicas e que dificultam muito o diálogo com qualquer meio que não seja o seu. Eles, com razão, não entendem o que nós produzimos.

    Em 2012, tivemos três coisas interessantes: Uma delas foi o discurso tido, por um portal de música não-religiosa, como confuso do álbum Sobre o Mesmo Chão, as fortes críticas do disco Este Lado para Cima e as polêmicas de Zé Bruno acerca de sua insatisfação com o meio gospel. Esses acontecimentos e registros reiniciaram uma discussão que precisa ser trazida constantemente para o nosso meio. Para questionar os que dizem que tudo é válido, questiono: Será que, realmente, esta popularização do gospel no mercado é real e benéfica? Será que, como evangélicos, as pessoas não tem sido apenas usadas e manipuladas como consumidores fiéis de produtos originais? Será que vale a pena renegar a cultura brasileira, a crítica, a alma artística, tão valorizada em clássicos dos anos 70 e 80, para importar e copiar, irracionalmente, o pop-rock-Hillsong-Gateway-Masterizado-No-Sterling-Sound nos anos 2010? Será que trazer de volta os clichês “Jesus-luz”, “Jesus-cruz” e “Jesus-conduz” não é cuspir em todo o esforço que cristãos das décadas anteriores tiveram para tornar a música feita por evangélicos mais criativa e menos caracterizada como mera propaganda fútil? Seja qual a resposta, é importante refletir.

    Por isso, talvez seja interessante bandas e artistas pensarem se o mais válido, no momento, seria se livrar de toda a estrutura e associação com o chamado meio “gospel” que, pelo menos em minha visão, representa todo o oposto do que querem fazer. Ou então, tentarem, à sua maneira, transformar o mercado, pois em seu estado atual, qualquer proposta de transgressão ao rótulo é impossível e desinteressante para toda a sua estrutura. Até porque, se definir adepta ao novo movimento e ter toda a sua agenda dedicada ao meio gospel é, no mínimo, incoerente.

    Antes do final, eu preciso pontuar algo que eu venho observando: é necessário também, aos grupos que conseguirem contratos com gravadoras, explicitar o que realmente se propõem a fazer. Um caso: há uns meses, estava visitando a página do selo gospel da gravadora Sony Music Brasil e notei que a Tanlan, por exemplo, estava sendo chamada, em um post, de “pop rock gospel”. Só que Tanlan é uma banda de rock alternativo, não de pop rock (engraçado que no Brasil, tudo é pop).

    Portanto, acima e independentemente de tudo, sigam fazendo o que todos os bons músicos fizeram e fazem: música com arte. Daqui a algumas décadas, veremos no que deu tudo isso.

  • Rocklogia – O Kats ainda é o Kats?

    Há algo que incomoda a todos que conhecem o Katsbarnea: a excessiva mudança de integrantes, ao longo dos anos. Desde 1991, quando Estevam Hernandes mandou que a formação de cerca de dez músicos fosse “enxugada”, o Kats se tornou uma banda instável, com constantes mudanças de formações, pondo em xeque sua identidade.

    Mesmo assim, A Tinta de Deus tem vários prós e pela sua qualidade acabou tornando-se um disco importante na discografia da banda, que, em 2010 novamente estava sem Déio e Marcelo Gasperini. Embora Gasperini se arrependa de deixar a banda, Déio Tambasco publicou, em 2014, uma foto das sessões de Armagedom, afirmando que era a melhor formação da época (Simion, Jadão, Giovani, Déio e Flávio). Brother Simion deu RT na imagem, centralizando, especialmente, Jadão e Déio (que, junto a Giovani, já tocaram em discos solo do músico).

    https://www.facebook.com/deio.tambasco/photos/a.545128545536471.1073741825.428733013842692/636315379751120/

    Makuko seguiu com dois novos músicos, jovens, e que fazem parte desta nova formação: Marrash (filho do vocalista) e Moisés Brandão. Completando o lineup, o grupo contém Jeff Fingers nas guitarras.

    O single do disco, “Nasceu um Novo Dia“, foi divulgado em 2012. As gravações do disco foram extensamente atrasadas, embora um making of tenha sido divulgado. Em justificativa, Makuko afirmou que o primeiro estúdio, com o qual gravaram o disco, não era um bom ambiente, e decidiram refazer todo o projeto.

    https://www.youtube.com/watch?v=AsOhSR9gxDE

    Enfim, Eis que Estou à Porta e Bato foi lançado na segunda metade de 2013, e pode ser resumido da seguinte forma: músicas inéditas, regravações da carreira solo de Makuko, e uma sonoridade mais direta ainda em relação ao ‘A Tinta’, que ainda mergulhava sutilmente em teclados. O grupo lançou também, em divulgação, clipes de algumas canções.

    Sem qualquer outro integrante da formação original (o último destes a sair foi Simion, em 1999), Makuko segue com a música e o nome Katsbarnea, embora a formação seja muito diferente da maioria de seus anos. O grupo já anunciou, em suas redes sociais, que gravará um futuro disco de inéditas em breve.

    Para você, o atual Kats ainda é o Kats?

    https://www.youtube.com/watch?v=BTbz4I7WIOQ

  • TOP 10 – músicas de arrependimento

    O arrependimento é algo constantemente citado na Bíblia. É este sentimento, mais verdadeiro e sincero do que o remorso, nos leva a querer tomar novas atitudes como cristãos e deixarmos velhas práticas ou ideias para trás. Pensando nisso, trouxemos dez canções sobre este tema. Confira!

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    Chorem – Fernandinho

    “Chorem”, do álbum Sede de Justiça, abre nossa lista, com o pedido a Deus para que “Não deixes cair a vergonha sobre a Tua igreja“. A canção se une à uma ministração de Fernandinho. (2007)

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    Última Chance – Ministério Ipiranga

    “Última Chance”, hit do Ministério Ipiranga, foi também gravada por Soraya Moraes. A canção pede “[…] tua presença / Nem que seja pela última vez“, com a vontade de matar a própria carne. (2007)

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    Vim Orar – Davi Sacer

    De autoria de Davi Fernandes, Jill Viegas e Renato Cesar, “Vim Orar” faz parte de Confio em Ti, álbum de Davi Sacer. A canção é um reconhecimento de erros do eu lírico, que diz necessitar imensamente de Deus e pedindo perdão pelos erros cometidos sobre si. (2010)

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    De Volta pra Casa – Marcos Antonio

    “De Volta pra Casa”, de Marcos Antonio conta a parábola do filho pródigo, a qual relata o arrependimento de um jovem em ter deixado sua casa. Foi lançada no álbum Toma os Pedaços. (2003)

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    Eu me Arrependo – Eyshila

    Em seu trabalho musical, Eyshila gravou “Eu me Arrependo”, integrante do projeto Jesus, o Brasil Te Adora. A faixa foi escrita pela própria cantora e reflete o arrependimento pela independência e rebeldia em diversas situações. Um clipe para a música foi divulgado. (2012)

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    Em Arrependimento – Santa Geração

    O Santa Geração gravou um álbum inteiro sobre o arrependimento, chamado Coração em Arrependimento, com as participações de Heloisa Rosa e Nívea Soares. “Em Arrependimento”, por sua vez, é a faixa principal do álbum, com uma reflexão escrita e cantada por Antônio Cirilo. (2003)

    https://www.youtube.com/watch?v=hQNrDpQMcSA

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    Me Levanta com Tua Destra (Salmo 32) – Trazendo a Arca

    Do álbum Salmos e Cânticos Espirituais, o pianista Ronald Fonseca criou “Me Levanta com Tua Destra”, baseada na oração de Davi no Salmo 32, o qual se arrepende do pecado com Bate-Seba, e demonstra sua confiança em Deus. Davi Sacer é o intérprete desta canção, sendo sua última música gravada com seus vocais na história do Trazendo a Arca. (2009)

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    Arde Outra Vez – Thalles

    Uma das três canções que consagraram a carreira de Thalles, “Arde Outra Vez” é um registro de alguém que se achega a Deus e humilhando-se, quer voltar ao estado anterior de comunhão. Diferentemente das outras canções deste TOP, a música traz a resposta de Deus logo após. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=p_qTzP95kcU

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    Muda Minha Vida – Alex e Alex

    A dupla Alex e Alex estreia nos nossos TOP 10 com “Muda Minha Vida”, sucesso do álbum Até o Céu Te Ouvir. A canção fala de alguém que tentou acertar, mas não conseguiu, caindo em seus erros, os quais resultaram em dor e cicatrizes. Ouça! (2009)

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    Recomeçar – Aline Barros

    O primeiro lugar vai para “Recomeçar”, hit de Aline Barros. A canção, lançada no álbum Pelo Poder do Teu Amor, afirma da vontade do eu lírico em recomeçar em Deus. Foi escrita por Marcelo Manhãs e fez parte da trilha sonora da telenovela Duas Caras, da Rede Globo. (2001)

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  • Rocklogia – A dramaticidade de Histórias e Bicicletas

    Apesar de o novo movimento ter começado em 2000, creio que se tornou apenas algo em alta, no meio cristão, quando se transformou em ideologia. Agora, a Oficina G3 está claramente influenciada, e seu álbum Histórias e Bicicletas é fruto disso. Letras que professam a fé, mas com muito menos religiosidade e mais senso artístico.

    O sucesso de Depois da Guerra deve ter tido um peso muito grande na banda. Agora, o grupo completava 25 anos de carreira, com o seu lado progressivo assumido há quase dez anos, novo vocalista e novo baterista. Anos de silêncio, e um novo disco anunciado. A surpresa: o câncer da esposa de Mauro Henrique. Apesar de ser uma questão mais pessoal, é óbvio que um acontecimento como este afetou a banda como um todo, já que o sofrimento de um integrante torna-se de todos. A soberana vontade de Deus se manifestou, e Ele resolveu levá-la. Mauro tornou-se viúvo e o novo disco seria dedicado à Jaky Dantas.

    Acredito que esta época foi a mais difícil para a Oficina G3 não apenas por este acontecimento, mas também com problemas na vida de Duca Tambasco e Jean Carllos. Duca divorciou-se após dez anos de casamento pela traição de sua esposa com um pastor da igreja a qual frequentavam. Durante um tempo, o compositor manifestou em suas redes sociais a insatisfação de ter sua filha levada junto com a esposa. Mais tarde, postagens publicadas por sites da categoria do O Fuxico Gospel jogavam o acontecimento pessoal para o ventilador. Jean também divorciou-se e chegou a namorar a cantora Israela Claro, filha de Cláudio Claro e, até o momento em que escrevo este texto, mantém-se solteiro. A alegria estava para Alexandre Aposan, que teve seu primeiro filho. A gravação do projeto foi cercada por muito mistério, o que deixou os fãs apreensivos.

    Devido a todos esses acontecimentos, Histórias e Bicicletas pode ser considerado como o álbum mais triste feito pela Oficina G3, por suas letras que citam as dores e desilusões da vida, a morte, eternidade e o mundo dinâmico e complexo que vivemos atualmente. Ou seja, pelos ocorridos, era óbvio que chegaria um disco mais denso e “leve” que os anteriores. Apesar de tudo, não é um registro pessimista. A arte do álbum foi feita pelo tecladista Jean Carllos com Hugo Pessoa. Este disco mantém-se na vibe do anterior, porém com baladas bem mais trabalhadas.

    A melhor música é “Lágrimas”. Inicialmente seria um dueto de Mauro com Leonardo Gonçalves, que colaborou nas gravações, mas não obteve permissões da gravadora para a divulgação (e até hoje acho isto um pouco estranho, pois foi citado na ficha técnica). “Água Viva”, dentre as pesadas é a melhor. Por outro ponto, interessante a inclusão do cover de “Aos Pés da Cruz”, que recolocou o sucesso de Kleber Lucas em muitas igrejas pelo país.

    As músicas de Histórias e Bicicletas eram um prato cheio para que fizessem algo que até nos tempos de PG estava em falta: a maior presença do grupo em igrejas. Pensando nisso, a banda criou o G3 na Igreja, em que a banda daria, em sua agenda, certa prioridade aos eventos neste local, com toda a sua apresentação adaptada para o clima congregacional. Um desses eventos, ocorrido na Primeira Igreja Batista de São Paulo, foi gravado, e divulgado em clipes no canal oficial da banda no YouTube. A primeira das canções foi “Encontro”, que foi digna até de uma bela introdução por Juninho Afram e Jean Carllos, que parecem beber no instrumental da clássica “Magia Alguma”, dos álbuns Ao Vivo e Indiferença.

    Em 2014, logo após este evento, Aposan sairia do grupo, após questões de contrato, como era possível prever, devido à sua intensa atividade com artistas de outras gravadoras. Celso Machado também anunciou o afastamento de suas atividades como músico contratado do grupo em 2015, e agradeceu por todo este tempo. No lugar de Aposan, a banda passou a trabalhar com Maick Souza.

    Em 2015, a banda anunciou o filme Histórias e Bicicletas, com a participação efetiva de Alexandre Aposan, afinal, nas sessões de gravação, o instrumentista ainda era integrante. O registro é uma espécie de documentário das gravações do CD, e também é um registro de clipes.

    https://www.youtube.com/watch?v=BmgKJ6RpEDE

    “De uns quatro anos para cá, nós do G3 fomos… não vou dizer ‘massacrados’, mas fomos extremamente machucados pela vida – não por ninguém especificamente – com a permissão de Deus. Hoje eu vejo desta forma. Nada acontece, nenhum fio de cabelo cai da nossa cabeça sem que Deus permita. Para mim, foi permissão de Deus e se Deus permitiu, foi para que Ele tratasse, cuidasse de tudo. A gente teve muitas perdas. O Mauro perdeu a esposa – vítima de uma doença terrível, que é o câncer – o Duca se separou, eu me separei… São situações que marcam muito a vida da gente, machucam muito. A gente escreve e passa nas músicas, exatamente isso: o que a gente está sentindo.

    Acho que o cristão não é nenhum ‘super herói’. O ‘super herói’ aqui é Jesus. A gente é muito falho, a gente vacila, pisa na bola, erra muito, mas também tem vontade de acertar, de estar perto do Pai e precisa disto. O resultado disso é o que pessoal viu neste trabalho. O D.D.G. saiu de um jeito e o ‘Histórias’ saiu de outro jeito e por que ele saiu dessa forma? Porque, de fato, foi o momento que a gente estava vivendo. Foi um momento de perda, de dificuldade, de dor, mas também um momento de esperança, descanso, espera e é isso, cara. Sabe? Não é um desabafo ou um ‘recado para alguém’.. de forma alguma. É só como nós estamos, de fato”. [Jean Carllos, sobre o conceito do álbum, em entrevista ao Guia-me, 2015].

  • TOP 10 – músicas sobre o preconceito

    O preconceito é um assunto que, infelizmente, nunca sai de moda. Manifestado através do racismo, xenofobia, bullying, etnocentrismo, no geral se manifesta através do julgamento alheio, sem qualquer prática de amor. Pensando nesta temática, apresentamos dez canções que falam de preconceito. Leia e dê o play.

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    Pedro Zé, um Nordestino – Catedral

    A banda Catedral, no terceiro trabalho, gravou a canção “Pedro Zé, um Nordestino” que, como o nome sugere, trata da questão da exclusão social e da xenofobia. Acabou se tornando um sucesso do grupo. (1991)

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    [tab title=”9º”]

    Somos Iguais – Semeando

    A nona posição é do grupo Semeando, que gravou a canção “Somos Iguais” no final dos anos 90. Esta música trata de forma bem simples que todos são iguais, independente dos preconceitos do homem: “Viver com dignidade é conseguir fazer / Do amor a força para vencer / Todo o sofrimento que o preconceito traz / É dar as mãos aonde há separação / Não há discriminação / Pra Deus somos iguais / Apesar do que o homem faz“. (1998)

    https://www.youtube.com/watch?v=mCGWrcbkCmk

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    [tab title=”8º”]

    Se – Rosa de Saron

    O oitavo lugar vai para o Rosa de Saron com “Se”, do álbum Lagitude, Longitude. A música, que conta com uma reflexão introdutória de Guilherme de Sá sobre o julgamento alheio pela aparência, sintetiza, toda a letra, que trata de amar sem preconceitos. (2013)

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    [tab title=”7º”]

    Meio Fio – Katsbarnea

    O Katsbarnea, em seu álbum Cristo ou Barrabás, escreveu “Meio Fio”, de autoria do ex-vocalista Brother Simion, em parceria com Estevam Hernandes. Na verdade, esta canção faz uma reflexão acerca do amor de Deus que, em sua visão, “está disponível a toda criatura“, afirmando que não importa quem seja o indivíduo, Cristo o ama. (1992)

    https://www.youtube.com/watch?v=N9lPMEn0AtI

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    [tab title=”6º”]

    Lucifeia – Resgate

    Tratando acerca do padrão de beleza, o Resgate gravou, no seu disco acústico, a canção “Lucifeia”, que trata de uma jovem que não enxerga a sua beleza interior desde que é pequena. Quando entende que a verdadeira beleza vem de dentro, a felicidade surge. (2001)

    https://www.youtube.com/watch?v=t3yPNwobBMc

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    [tab title=”5º”]

    Bullying, sai pra Lá – Cristina Mel

    Em seu disco infantil Fazendo a Diferença, Cristina Mel foi ousada e tratou de questões “espinhosas”, mas necessárias para as crianças. Uma delas, que ganhou destaque nas mídias, foi a pedofilia. Mas a cantora também cantou sobre o bullying, em “Bullying, sai pra Lá”. Ouça. (2014)

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    [tab title=”4º”]

    Olhos da Fé – PG

    Do álbum Senhor, Exaltado Tu És, PG escreveu uma música que trata do preconceito a deficientes e discriminação racial. “Olhos da Fé” também contém a participação de Juninho Afram, da Oficina G3, nas guitarras, nesta canção que trata de uma temática pouco comum no meio cristão, afirmando que “O homem atenta para o exterior / Deus vê o coração / Aprenda a ver com os olhos do Criador / Veja com os olhos da fé“. (2015)

    https://www.youtube.com/watch?v=fCSviY98YS0

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    [tab title=”3º”]

    Viver o Amor – Luiz Arcanjo

    A medalha de bronze é de Luiz Arcanjo que, em seu disco solo, escreveu o samba “Viver o Amor” que, como o nome presume, é uma canção que trata da importância de amar as pessoas sem olhar a quem. Na música, o cantor cita que o amor deve ser dado a cristãos, judeus, muçulmanos, ateus, homossexuais, prostitutas, mendigos, a quem for. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=4LPgYoNsj2E

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    [tab title=”2º”]

    Ame Mais, Julgue Menos – Marcela Taís

    Carro-chefe do álbum Moderno à Moda Antiga, a canção “Ame Mais, Julgue Menos”, de Marcela Taís, é enfática na questão do julgamento e falta de amor, muito presente na ocorrência de preconceito: “Quem somos nós pra ditar / O valor de alguém? / Somos pó / Não podemos julgar ninguém“. (2015)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Jimmy – Fruto Sagrado

    O primeiro lugar vai para uma das poucas músicas que falam diretamente e muito claramente sobre o preconceito mais conhecido: o racismo. “Jimmy”, do Fruto Sagrado, conta a história de um jovem chamado Jimmy que, sendo negro e com o carro quebrado num local do Rio de Janeiro, não foi ajudado pelas pessoas em sua volta por causa da cor de sua pele. A canção foi tocada por quase uma década nos shows da banda. (1993)

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções sobre o preconceito? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Este Lado para Cima e as polêmicas de Zé Bruno

    Após o lançamento de Ainda não É o Último, como dito, a agenda do Resgate continuou a aumentar, e os compromissos de Dudu Borges também. Enquanto isso, comemorando os vários anos de carreira, a banda decidiu revisitar os seus discos antigos e fazer um greatest hits definitivo: Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito. Para quem já teve a oportunidade de conferir a obra física em mãos, nota-se que o acabamento foi interessante, com fotografias antigas, depoimentos e o repertório bem escolhido e remasterizado. Mais que uma coletânea, a obra é praticamente um documentário sobre o Resgate.

    Nesta época, Dudu Borges forneceu uma entrevista ao Super Gospel, e afirmou que cada vez mais seu tempo para a banda estava diminuindo. Borges passou a faltar vários shows, e teve que deixar o grupo para dedicar-se à sua crescente carreira de produtor musical. E não preciso dizer que o Resgate perdeu muito com isso, mas Dudu também perdeu. Afinal, sua atividade no rock lhe rendeu grande parte da sua formação e experiência musical, tanto como instrumentista, quanto como compositor.

    Após a saída de Dudu, quem produziria um disco de respeito do Resgate? Só restou um nome: Paulo Anhaia. O produtor de On the Rock, após dez anos de Eu Continuo de Pé, estava de volta assinando um disco do quarteto. Acabou que a sonoridade também se tornou mais crua, voltada ao hard rock, em relação às influências pop trazidas por Dudu.

    As gravações do disco se seguiram durante o inverno de 2012. Em junho, a bateria para o disco, e depois o baixo, foram gravados. Um ponto a salientar é que, pela primeira vez, as sessões de gravação e produção foram detalhadamente filmados e divulgados no canal da banda. E este trabalho com a internet é um dos pontos positivos do Resgate em seus últimos anos.

    Ao contrário do disco anterior, este trabalho conteria mais material individual de Zé Bruno, que aliás, envolveu-se em várias polêmicas por conta de algumas afirmações ácidas, as quais também são parte do conceito do disco Este Lado para Cima. A primeira delas foi na semana de lançamento do disco. Zé divulgou um texto na página da banda, chamado Quero Ganhar o Troféu Promessas, com críticas diretas ao prêmio e a toda forma e estrutura do chamado ‘mercado gospel’. Um dos trechos, falando sobre versões, irritou uma legião de fãs do Diante do Trono, que se juntaram em peso para promover ataques a Zé Bruno nas redes sociais. O fato foi notícia aqui no site e até entrou na lista das maiores polêmicas de 2012.

    É claro que as críticas não ficaram por assim mesmo, e no Troféu Promessas 2013, o Resgate não foi candidato em nenhuma das categorias. Foi decidido pela comissão organizadora que a banda seria banida do prêmio.

    Após a primeira polêmica, o músico fez uma segunda parte do texto, parafraseando a canção “O Pulso”, dos Titãs. Este texto, curiosamente, foi excluído das redes sociais, mas você pode lê-lo aqui. O disco foi lançado durante a Expocristã 2012, no dia 27 de setembro, e é um dos discos mais conceituais da banda. Este Lado para Cima é um álbum que retrata a importância de nos desligarmos deste mundo terreno e caminharmos em direção ao céu. As letras seguem o que o Resgate fez nos últimos anos, mas trazendo críticas mais explícitas. O destaque foi para “Eles Precisam Saber”,  com uma crítica contundente ao neopentecostalismo, como um todo.

    Falando em “Eles Precisam Saber”, nas gravações do álbum, o guitarrista da Oficina G3, Juninho Afram, participou no solo explosivo da música, mas a gravadora MK Music não permitiu que fosse lançado. Por conta disso, Zé e Hamilton regravaram o trecho.

    Numa entrevista ao Missão Gospel, Zé Bruno falou um pouco sobre o conceito do disco:

    Acho que a própria fase que a gente está vivendo, no meio apologético, de recomeço, da nossa fé, do nosso cristianismo, acabou desembocando, Fora do sistema, Eles precisam saber, falando um pouco da missão como Eu estou aqui, Errando e aprendendo. Resgate nunca foi assim uma banda muito comum, e como agora estamos também em um momento pastoral, de igreja, de mudança, acabou que culminou nisso aí.” [Zé Bruno, sobre o álbum, 2013].

    O lançamento do álbum foi gravado, e mais tarde tornou-se um DVD, de título Aos Vivos. Além dos sucessos, as faixas de Este Lado para Cima, muitas canções de Ainda não É o Último estiveram neste projeto. O Making Of deste projeto traz um pouco da história da banda, com seus membros a falar acerca de vários assuntos.

    Em 2013, as polêmicas não diminuíram, e durante a Feira Internacional Cristã, no lançamento de Aos Vivos, uma entrevista da banda para a TV Boas Novas foi notícia pelas declarações de Zé, Hamilton Gomes e Marcelo Bassa. No vídeo, os músicos criticaram a forma que o cristianismo tem sido utilizado por instituições e afirmaram a necessidade de se ‘acordar’. Com todos estes acontecimentos, a mensagem do álbum soou mais contundente e contextualizada.

    A mim, particularmente, Este Lado para Cima representa simplesmente a volta definitiva do Resgate a essência do rock. Não em termos de sonoridade, mas de discurso. A grande função do rock, em sua história, foi de transcender limites, denunciar e falar o que deve ser dito, conflitar com o sistema: e depois de muitos anos, o Resgate fez isso lindamente. O período de letargia da banda, que chegou ao seu ápice entre 2002 e 2008, não foi um período sem grandes canções, no entanto, o renascimento do grupo em seus discos mais recentes tem provado que nem tudo está perdido no meio musical protestante.

    Confira, também, uma entrevista com Zé Bruno feita este ano para o Super Gospel.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2000 a 2004

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, iniciamos o período dos anos 2000. É uma época em que os grandes dos anos 90 continuaram a “dominar”, e cresce uma certa ‘crise’ na cena. No entanto, ainda somos brindados com bons discos. Por isso, confira a nossa seleção, dominada por Brother Simion e Fruto Sagrado.

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-1994 e 1995-1999

    [infobox title=’10º: Fóssil Praise’]Artista: Luciano Manga
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Luciano Manga - Fóssil Praise - 2003Jhonata: Esse disco me parece uma mistura simples e preguiçosa do bom hardcore norte-americano da época, música cristã contemporânea dos anos 80 e uma tentativa de pôr um rock nacional no negócio (entenderam?). Não é um álbum ruim como um todo, mas particularmente não gostei… é isso!

    João: A inclusão desse disco é bem-vinda. Um raro álbum de releituras de grandes músicas antigas no universo “gospel”, muitas da era pré-gospel, como as do mestre Adhemar de Campos (“Leão da Tribo de Judá” e “Nosso General”) e do VPC (“Somos Convidados”), além de boas versões para “Valéria” e “Naves Imperiais” da sua ex-banda Oficina G3. Poucos sabem o valor que esse disco possui, infelizmente meio que passou despercebido no início dos anos 2000 e a explosão do pseudo-rock “congregacional” (argh!) e os grupos de worship & praise cópias de Hillsong e os de “louvor jovem”. O rock gospel nessa época produziu muita banda boa, como Pontocom, Escarlate e similares, mas que ficaram tristemente relegadas ao esquecimento pela mídia evangélica.

    Márllon: Apesar de hoje em dia não o escutar tanto, quando o conheci ele não saia de dentro do meu rádio. A proposta do disco é algo que sempre gostei, pois como sou de berço Batista tradicional, estava mais do que acostumado com a grande maioria desses hinos e ouvi-los nesta roupagem foi bem bacana, principalmente porque eu estava começando a me interessar pelo rock em si. Tive o prazer de conhecer pessoalmente Eval Arantes, da banda Escarlate (que fizeram o instrumental do disco) e ouvi várias histórias sobre a produção do mesmo. Triste foi saber que as guias originais foram perdidas 🙁

    Thiago: Fóssil Praise do Luciano Manga é uma mistura de regravações de clássicos, como a “Paz do Senhor”, do Rebanhão, e canções com a banda Oficina G3. Hard rock, new metal e punk rock são encontrados nesse álbum. Eu não votei nele e, pessoalmente, não sou o melhor juiz para julgar se esse álbum deveria ou não estar aqui, mas a posição é justa, se estivesse mais acima seria injusto.

    Tiago: Fóssil Praise é o disco mais simples desta lista: Luciano Manga revisitando canções que por si só são ótimas. O cantor, ex-vocal do Oficina G3, desempenha bons vocais e faz versões interessantes junto a banda Escarlate. É o seu melhor trabalho solo e gostei demais por vê-lo aqui.

    [infobox title=’9º: O Segredo’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Fruto Sagrado - O Segredo - 2001Jhonata: Sem comentários.

    João: A todo momento que li essa lista me perguntei “O QUE ESSE DISCO FAZ AQUI?” Só isso tenho a dizer. OK, representou uma mudança na sonoridade do Fruto, que muitos amam essa fase dos anos 2000 (e eu tenho ojeriza), mas basicamente é um disco muito confuso. Só gosto de algumas faixas, e mesmo assim elas são muito desconexas.

    Márllon: Ah, aquelas prensagens promocionais de R$ 6,90 da Top Gospel (risos). Aqui a gente encontra de um tudo: pop rock, forrock, baladas, rap metal e por aí vai. Pode parecer mais um balaio de gatos, só que aqui a coisa é bem feita, com destaque absoluto para “O Novo Mandamento”, que, se fosse lançada por uma gravadora de maior porte, iria enjoar de tanto que seria tocada.

    Thiago: Muita gente pode discordar desse álbum ter figurado aqui, mas eu o considero uma boa produção. O Segredo representa uma nova mudança no estilo da banda, que vinha de uma obra diferente e baseada no metal progressivo, para o new metal, época em que o gênero estava na alta. Os trabalhos posteriores foram guiados pela mesma pegada. Há quatro canções que foram nesse caminho: “A Mensagem,” com seus riffs velozes e o bom solo de guitarra; “No Porão da Alma”, uma das melhores do disco, que tem peso e uma boa letra; “O Segredo”, o qual curti muito o arranjo de violão colocado; e “The Time Is Over”. “Forrock”, a melhor do disco, mistura o forró, o hardcore e o rock, aquela coisa à lá Raimundos, com uma crítica política, que soou, em parte, pouco profunda. O disco é recheado de baladas. Tem “Livre Arbítrio”, que é uma boa canção sobre perdão e pessoas desviadas, “O Impossível”, com a clássico ambiguidade amorosa da banda, mas essa é declaradamente a Deus e “A Resposta”. “O Novo Mandamento”, quase a melhor do disco, é uma balada que tem uma bela letra sobre o amor cristão, o novo mandamento, e uma boa crítica ao denominacionalismo e divisão no Reino de Deus. O grupo finalmente conseguiu se encontrar nas canções românticas (o que produziam do assunto era muito estranho) e “Love’n Roll” representa essa boa produção. A partir desse disco, o violão começou a ser mais usado e os teclados de Bênlio quase abandonados. Ainda contém três faixas instrumentais. Bom disco, eu diria que até merecia uma posição melhor.

    Tiago: Sinto sempre que há um apelo pró-FS e anti-FS nestas listas… desta vez, a galera anti-FS tem razão: O Segredo não merece estar entre os dez. É um disco sem um conceito bem trabalhado, um pouco preguiçoso e é conduzido como vai. Nem se compara a Na Contramão do Sistema (1993) e O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar (1995).

    [infobox title=’8º: Metal Nobre III’]Artista: Metal Nobre
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Metal Nobre IIIJhonata: Eu nunca gostei de Metal Nobre e, sinceramente me envergonho disso, porque na minha concepção musical, é necessário ter um motivo convincente para que o teu “não gosto” faça sentido para quem gosta. Mas, ouvindo esse álbum, entende-se um pouco o porquê há uma galera que gosta da banda: a única resposta que encontrei foi guitarras. Talvez para uma banda, sei lá, de hard/heavy metal, as guitarras sejam óbvias e eminentemente necessárias, mas os meus caros colegas terão que concordar comigo que o mínimo que esperamos de um grupo de rock são GUITARRAS. Então, considerar isso como um ponto para indicá-la nessa lista, seria de uma piada imensa. E esse deve ser o momento em que eu chego e digo: “porém, esse álbum é bom”, certo? Errado. Pra quem me conhece sabe o quanto sou chato com letras, e a lírica desse disco é uma piada, né gente? Imaginei meu irmão de 8 anos escrevendo isso. Sem mais…

    João: Particularmente eu prefiro o disco Revelação do MN, mas esse foi o primeiro disco que eu ouvi da banda, e realmente é ótimo (só não sei se tanto pros 10 mais, e se nos 10 mais, não sei se oitavo seria o correto). Não é tão “metálico” como os dois primeiros, mas rende momentos fantásticos. “Mensageiro” por muito tempo foi meu hino de guerra (risos). “Paraíso” com uma pegada meio rockabilly deixou o disco muito dançante. As baladas “Só Há um Deus”, “Volte” (que originalmente era da banda Akza) e “Vou Confiar” não são aquela coisa pedante e grudenta que muitas bandas fazem, o “Corinho” é bem divertido medley de canções clássicas (o MN ama fazer essas viagens no tempo) e as músicas “Apocalipse” e “Servo de Deus” garantem os momentos mais “metalheads”. “Blues 121”, outra regravação, dessa vez da antiga banda do JT, Kadesh (que virou Virtud anos depois), ficou bem melhor que a versão original, mais na linha do hard blues.

    Márllon: Nunca gostei do som do Metal Nobre em estúdio. Aliás, o único CD que realmente gosto deles é o ao vivo que foi lançado em 2002 e que tem parte de seu repertório baseado nesse disco, que, para mim, não fede nem cheira. Respeito o grupo e quem curte o seu som, mas não é pra mim.

    Thiago: Na lista de 95-99, afirmei que a entrada do Metal Nobre na lista seria mais justa que a do Rosa de Saron e acabou que  ela ficou de fora. Nesta lista, agora penso o contrário: MN não deveria estar aqui em comparação a outros discos e o Rosa de Saron poderia ter ocupado essa posição. Musicalmente, é um álbum bem produzido, com algumas canções de hard rock bem legal, como, por exemplo, as brilhantes “Mensageiro”, “Servo de Deus” e o blues rock de “Blues 121”, e “Apocalipse”, “Paraíso” e “Corinho”, mas as letras da banda e algumas baladas açucaradas demais a estragam.  Parece grupo de metaleiro gospel. Não há uma letra que se salva direito. E a voz de JT, que é até interessante, me dá mais ainda essa sensação. Não dá apara ouvir essa banda mais do que uma vez. Não é pelas repetições, no entanto é os mesmos assuntos e jargões tratados dentro do mundo do evangeliquês.

    Tiago: Metal Nobre é uma banda que tem uma importância enorme na descentralização do eixo Rio-SP, oriunda da região centro-oeste. OK, mas até hoje nenhum disco deles chega a impressionar. Metal Nobre III é um desses. Definitivamente, preferiria o solo Na Estrada, de Walter Lopes, no lugar. É um trabalho muito melhor e que quase ninguém se lembra.

    [infobox title=’7º: Na Virada do Milênio’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Na Virada do Milênio - Brother Simion - 2000Jhonata: Sem comentários. Por mais que esse álbum tenha boas referências, continuo não gostando do tal Simion.

    JoãoBrother Simion é o sinônimo básico de uma música do Katsbarnea: “Revolução”. Pois bem, e esse disco realmente foi algo fora do comum. A sonoridade está bem naquela linha que todo mundo queria fazer “na virada do milênio”, aquela transa transcendental de “Era de Aquarius”, new age, música eletrônica e ambiente. OK, tudo isso hoje em dia além de soar brega pra caramba é muito tosco, mas naqueles tempos era algo completamente novo, e o Simion soube se encaixar nessa viagem doida inteira muito bem. Lamento profundamente não ser um frequentador de bancas de revistas naquela época, pra comprar o disco direto de uma delas, outra novidade que infelizmente (ou não) ficou só com o Brother mesmo, quando ele lançou esse disco pelo selo do Lobão (outro louco incompreendido por muitos). Fantástico. “Sede”, “Profecia” e aquela faixa lá cheia de números e puro noise a lá Revolution 9 dos Beatles são as mais top do disco.

    Márllon: Não curto a carreira solo do BS, próximo item da lista.

    Thiago: Na Virada do Milênio me provou o ecletismo musical do Brother Simion. O álbum, com influências eletrônicas, mistura o techno e o rock. Outro disco que não votei, não o considero melhor que outros da lista para estar aqui. O disco tem muitas letras muito interessantes, e até cômicas, como “É Preciso Mais”. As canções são bastante incomuns, devido a influência estampada da música eletrônica. É o álbum mais exótico da lista, isso é óbvio. “A Marca”, “Uai! Why?”, “Onde Encontrar”, “É Preciso Mais”, “Caos” e “Help” foram as minhas preferidas. Uma obra que tem um instrumental com nome “01001011” e uma faixa silenciosa sem título, com toda certeza, não é nada comum.

    Tiago: É um dos discos mais ousados que o rock cristão nacional já viu. Naquela altura do campeonato, nenhum cantor ou banda sabia melhor onde chegar além de Simion. Na Virada do Milênio é uma combinação de rock alternativo e techno. A capa e todo o projeto gráfico me faz crer que há muita influência de Matrix no negócio: as letras versam sobre o caos na sociedade em vésperas de um novo milênio, a tristeza, a solidão, numa sonoridade estranha, as vezes que te aproxima, por vezes te repele. É um disco bastante difícil de digerir. Talvez seja por isso que, por vezes, seja daqueles álbuns os quais você ama ou odeia.

    PS: Aquela foto de Simion, Ciça e Jadão juntos, denuncia tudo…

    [infobox title=’6º: O Tempo’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Oficina G3 - O Tempo - 2000Jhonata: O Tempo tem boas letras, por mais que eu as ache pouco criativas. Juninho Afram segura a peteca do disco em vários momentos e deve ser por isso que o disco não se torna tão enjoativo. Indiscutivelmente, a faixa-título é a melhor do disco e ela vale por todo o resto. Se você ouvir só a faixa-título, você não precisa ouvir mais nada do álbum.

    João: Digam o que quiserem dizer: esse disco é muito bom. OK, é o nível mais extremo do pop que o Oficina G3 se enfiou, antes da tentativa TOSCA de sair daí com o Humanos (e outra tentativa muito mais bem-sucedida com o Além do que os Olhos Podem Ver), porém o disco é consistente, fácil de ouvir e curtir e certamente marcou uma geração inteira de fãs. Diversas pessoas que hoje amam rock cristão (e até vertentes mais pesadas como o punk e o metal) lá no início dos 2000 começaram nesse. É um disco legal, e também o primeiro a mandar uma banda cristã brasileira para o Rock in Rio (junto com Os Nazaritos – QUEM?) e pro TOP 20 da extinta MTV Brasil (quer dizer, isso se não contarmos com o Catedral na época do Para Todo Mundo). Não destaco faixas porque esse é um disco que vale a pena ouvir completo, da intro (uma das duas do Oficina desde q eles começaram com essa onda de intros que eu realmente gostei – a outra foi a D.A.G.) até à última faixa.

    Márllon: Hoje em dia nem escuto esse álbum, mas ele foi o responsável pela minha entrada (e de muita gente também) do mundo do rock. Falando através da nostalgia, é um álbum que foi muito especial, mas analisando friamente é apenas um pop rock comum e sem sal. Há alguns lampejos de criatividade aqui e ali, mas no geral fica muitíssimo aquém do que os músicos eram capazes. Aliás, o maior pecado desse álbum é dar início a praga que seria chamada de ‘Oficináticos’.

    Thiago: Muita gente deve ter rechaçado esse álbum para ele estar nessa posição. O Tempo, apesar de toda a crítica direcionada a fase pop rock da banda, é bom. Eu conheci Oficina G3 através da versão ao vivo desse lançamento e me tornei fã da banda. O disco representa uma mudança de estilo do álbum anterior, que era hard rock, para uma sonoridade pop rock, porém, não esse de fácil consumo que se apresenta no mercado, mas com mais técnica, cuja habilidade Juninho Afram, Duca Tambasco, Jean Carlos e Walter Lopes sabem esbanjar. Juninho Afram, seja em qualquer estilo, faz tudo da melhor forma possível, inovador, cheio de feeling nos dedos e no ouvido. As canções continuam tendo os típicos solos do guitarrista e também dos outros músicos. PG entra na banda, com a saída de Manga, para ocupar o espaço de vocal e, às vezes, de guitarrista base. As melhores são “Ele Vive”, “Atitude”, “Necessário”, “Brasil ” e  “Tua Voz”. A única realmente chata e horrível do disco, “Sempre Mais”, até começa com uma introdução bacana, mas é muito sonolenta e pedante no nível hardcore. “Preciso Voltar”, minha impressão é dualista, às vezes curto, às vezes detesto. As que eu não citei são todas boas. Esse disco merecia uma posição melhor.

    Tiago: O Tempo é um dos discos mais subestimados da Oficina G3. É pop, é açucarado, mas é a proposta feita com competência. Aqui o grupo mostra a proficiência em fazer baladas com um vocalista de grande habilidade para o gênero. PG entra com suas novas músicas (com aquele visual de quem quer ser o Bono Vox do cenário nacional). Mas no instrumental é Juninho Afram e Duca Tambasco que roubam a cena, especialmente com “Preciso Voltar”. Não consigo entender o porquê as pessoas, no geral, optam pelo Humanos, pior disco da banda. O disco sucessor faria uma mistura estranha e inconsistente de new metal com baladas pop rock. Foi cansativo, chato e pouco criativo.

    [infobox title=’5º: Seaquake’]Artista: Stauros
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Stauros - 2000 - SeaquakeJoão: Nunca fui muito fã desse disco do Stauros, não pelas letras em inglês (que são meio que um dogma no metal, então pelo contrário, é muito legal) ou pela sonoridade mais prog metal do que nunca (eu não sou tão fã desse gênero, mas esse disco não peca em excessos dreamtheatereanos), mas sim o vocal. Mil perdões ao Carlos César, que até que se esforçou no disco, mas Celso de Freyn é mil vezes melhor. Nesse mesmo ano uma banda menos conhecida, Getsêmani, lançou um disco também pela Gospel Records e o vocal se saiu bem melhor que o do César.

    Mas enfim, indo ao disco, os instrumentistas estavam mais inspirados que nunca. As faixas “Seaquake”, “Rusty Machine”, “Dance of Seeds” “Victory Act” e “Every Pain II” pra mim são as melhores do disco inteiro, fora a jornada de “The First Mile” e “The Second Mile” e a épica “Faith in the Arena”, com suas quatro partes, tornam o disco uma peça genial do metal progressivo (fora que a letra dessa última faixa é muito impactante por falar dos mártires cristãos). Quatro faixas desse disco foram lançadas numa coletânea da gravadora australiana Rowe Productions (do vocalista da lendária Mortification, Steve Rowe), junto com duas outras bandas do Brasil (Völlig Hellig, que mudaria de nome logo a seguir pra Belica, e a Light Hammer). Oficialmente, em 2000 quando a coletânea era planejada a mesma aparentemente teria mais bandas, mas só as três acabaram certas, o que foi ótimo pra elas, que apresentaram muito mais faixas pro mercado externo (o disco foi lançado na Austrália – edição limitada -, EUA e Brasil). Com isso o Seaquake acabou ficando bem conhecido no exterior, fazendo da Stauros a segunda banda de metal cristã mais conhecida do Brasil, depois da Antidemon.

    Márllon: Um álbum divisor de águas na carreira da Stauros. O vocalista da formação clássica não estava mais em sua formação, o estilo saiu do metal mais ‘clássico’ para algo mais prog e o português deu lugar ao inglês. De longe foi a fase onde a banda teve mais exposição, chegando a fazer abertura para o lendário Mortification em sua única tour pelo Brasil. A única cosia que me incomoda (e muito) é o timbre do vocalista César. Nos tons baixos ele arrebenta, mas chega os momentos mais altos e a coisa tende a incomodar. Gosto muito da faixa título, “Vital Blood”, das baladas “Every Pain II”, “Victory Act” e “Love in Vain”, além de “Faith in the Arena”, com claras influências de Metallica na fase do Black Album.

    Thiago: Seaquake esbanja heavy metal, metal progressivo e até thrash metal, de forma bem feita e a voz do tecladista César combinou bem com a proposta, apesar de destoar em algumas partes. Ao contrário da última produção, resolveu apostar em boas letras na língua inglesa. Eu faço parte da opinião que músico brasileiro tem que fazer música para o Brasil, porém esse disco consegue ser ótimo mesmo assim. Rusty Machine tem uma pegada que me lembrou da banda Metallica. The First Mile herda a mesma pegada. A balada “Victory Act” é inspirativa, com a camada de violão muito bem colocada. “Vital Blood” serve um prato de riffs cadenciados de guitarra, andando para o lado heavy metal. “Friendly Hand” caminha nos passos do “Vital Blood”, com guitarras bem melódicas. “Every Pain II” é uma exposição de progressividade que a banda sabe fazer. O disco também apresenta um banho de poesias bem escritas, com ideias bastante interessantes, como ter comparado o homem a uma máquina em Rusty Machine, e a bela letra da faixa-título. As canções citadas são poucas para o que Stauros proporcionou no disco. Foi justa a banda ter aparecido na lista.

    Tiago: Confesso que eu tenho preconceito com metal brasileiro em inglês. Engraçado né, geralmente é o contrário. Mas minha ‘birra’ é geralmente pela necessidade que muitas bandas possuem de se projetar internacionalmente, e pelo mau sotaque. Devaneios à parte, o disco da Stauros funciona. Demonstra uma clara mudança musical em relação ao anterior, tendendo para uma vertente mais progressiva, o que seria continuado em Adrift (2001).

    [infobox title=’4º: Eclipse’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Brother Simion - 2004 - EclipseJhonata: Não, pera! Dois álbuns do tal Brother Simion na lista? Eu não estou entendendo. Será que existe algo de errado comigo que não consigo ver o que de tão sensacional tem esse cara? (desculpem, mas esse álbum é muito ruim).

    João: “Semideus, desce do pedestal, grande orador, grande negociador!” Com esses versos Simion traria de volta pro rock (no caso, o rock cristão, claro) aquilo que o rock sempre teve, a contestação. É notório que a carreira-solo do Brother, além de errática (os dois discos que separam esse do Na Virada do Milênio, lançados pela MK, são bem inferiores musical e liricamente), nunca conteve o espírito contestador do Kats. Mas nesse disco ele jogou tudo pro alto e voltou com letras mais urgentes, inclusive no “Prelúdio” do disco o aviso é dado: “À todos aqueles que transformaram igrejas, o corpo de Cristo, em empresas, e se acham proprietários daquilo que só a Deus somente pertence!” Um aviso bem direto do que vai se ver aí: letras que falam da exploração de falsos pastores (Semideus), da miséria e pobreza  na sociedade (“10 Real”), e da necessidade desesperada dos homens por Deus, em faixas como “Ei, Amigo”, “O Despertar dos Loucos” e “Noite de Johnny” (inspirada num festival que o próprio Simion organizou por um tempo).

    Na linha do nu metal, estilo esse tão em voga no início dos anos 2000, causou estranheza decerto em muitos, e a selvageria de “Semideus” mostrou que o Brother estava mesmo antenado em tudo, sendo um dos primeiros “filhos do gospel” (embora teoricamente Brother foi um dos “pais” [risos]) a se rebelar contra a simplicidade do mercado e da sujeira de muitas instituições ditas “cristãs”.

    Márllon: Idem à sétima posição.

    Thiago: Brother Simion se confirma nesse disco como o músico mais incomum e inovador no meio cristão. Eclipse apresenta um novo experimento do cantor: new metal. “Semideus”, “10 Real” e “All Right” caminham nesse som. “Memorandum” tem influências desse estilo, apesar de eu considerá-lo mais metal alternativo. “Hotel Paradiso” e “Onde Deus Me Levar” oferece um rock alternativo de primeira. “Noite de Johnny” é influenciado pelo punk rock. Já “Perdoar” é um hardcore puro no estilo Simion. “Ei, Amigo” é a típica canção folk rock com toques de gaitas presentes nos álbuns antigos do Brother, contudo, distinta, numa pegada mais Eclipse. O mais interessante nesse disco foram as letras, contendo boas críticas a teologia da prosperidade (como é perceptível na introdução), e outras poesias inovadoras, como a da cômica “10 Real”. Aliás, com o “Prelúdio”, que parece tema de jogo de guerra, eu já estava esperando um álbum eletrônico, o que não aconteceu. Os efeitos desse tipo foram usados na obra, mas com equilíbrio.

    Tiago: Esse disco podia estar em terceiro (não entendo a “censura” que vocês tem com o Simion). O trabalho inédito de “despedida” do cantor, é praticamente um amontoado de novos temas aliados a uma certa dose de retrospectiva e nostalgia. “Semideus” é uma crítica maravilhosa ao neopentecostalismo, “Ei, Amigo” em relação aos conflitos em amizades, sem falar nas faixas em inglês que estavam tão sumidas nos discos anteriores, como “All Right”. Mas é em “Onde Deus me Levar” que você vê Brother olhando para trás e implicitamente dizendo: fui longe, essas décadas deram certo. Pena que o cantor não chegou a lançar ainda o álbum que gravou em 2012. Estamos aguardando, Johnny.

    [infobox title=’3º: Praise’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Resgate PraiseJhonata: Eu acho uma tarefa muito difícil falar de Resgate. Não sei se já disse isso aqui, mas ela está na minha lista de artistas/bandas que ainda não decidi se mantenho ou deleto de vez do computador. Esse álbum é muito bom por suas referências do rock inglês e letras suficientemente agradáveis. O que não me entra são os títulos de álbuns que a banda escolhe pôr nos trabalhos.

    João: Fantástico. Eu não sei dizer muitas palavras desse disco. Ele me marcou demais. Esse disco me tornou fã do rock cristão para todo o sempre. O melhor disco da geração ‘praise’ brasileira, que seguiu bem os moldes dos Praises do Petra (apesar de não regravar músicas clássicas), sem ser meloso e trazendo o rock sem medo. Mais um disco que não dá pra destacar uma ou outra faixa, é um disco lindo demais e pra mim ESSE devia ser o primeiro. Mas fazer o que…

    P.S.: Paulo Anhaia, eu te amo! Ainda quero fazer um disco produzido por você! (risos)

    Márllon: Apesar de não ser muito fã da fase “Renascer” do Resgate, esse é um álbum que aprendi a gostar com o tempo. OK, é bem leve, não tem o peso de um On the Rock da vida, mas acho que o principal fator qualitativo desse álbum se encontra nas letras, sendo a de “Ao Rei” a minha favorita. Não teve o meu voto, mas foi uma grata surpresa encontrá-lo aqui.

    Thiago: Com uma temática congregacional, servindo-se de bastante de coral, Resgate produziu Praise. O álbum é considerado um divisor de águas para a banda. Nesse disco, combinaram duas coisas que posteriormente viria dar muito certo na banda: órgão hammond, piano e rock. E como essa combinação deu certo. O disco é legal, consegue atingir a proposta que teve. As guitarras, vibrantes, ficaram bem encaixadas com o disco. Eu gostei bastante dos riffs de guitarra – meio southern rock – excepcionais de “Nada Me Faltará”, o folk rock de “O Nome da Paz”. As outras faixas, mesmo não sendo citadas, foram boas. Um disco de 11 composições que não perdeu o embalo. Agora, para se estar no pódio da lista, pessoalmente, não mereceu a posição.

    Tiago: É um bom disco. Musicalmente falando, certamente é um dos mais importantes do Resgate. O som de toda uma década da banda, a partir de então, seria pautado no que alcançaram no Praise. Hammond, pianos se chocam as guitarras de Zé e Hamilton. Liricamente, me soa como o início de uma acomodação. Sugerida por Estevam Hernandes, a temática volta-se para canções de cunho congregacional. Algumas coisas no álbum caem perfeitamente, outras fogem levemente. Mas, no geral, há boas canções, como “O Nome da Paz”, “Infinitamente Mais” e “Sol do Meio Dia”. Mas prefiro o Resgate mais crítico, de 2010 para frente.

    [infobox title=’2º: O que na Verdade Somos’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Fruto Sagrado - O que na Verdade Somos - 2003Jhonata: Dizem ser um álbum pesado, concordo na medida em que forem me definindo a concepção de “pesado”. Não gosto de Fruto Sagrado, com exceção da canção “Superman”. Eu nunca entendi a proposta desse disco…

    João: Já falei o que eu penso dos discos pós-2000 do FS. Mas esse aqui é bom, tem algumas faixas legais pra pensar, como “O Sangue de Abel” e a faixa-título, mas não é nada demais pra mim.

    Márllon: Pra mim o campeão moral dessa lista, um disco que teve um papel de muita relevância no início da minha caminhada no rock. O impacto dessas faixas em mim continua o mesmo depois de mais de 10 anos de lançamento. “Desesperado” era a coisa mais agressiva que tinha ouvido até o momento. Não tinha ciência de quem era o FS, da sua discografia prévia ou das tretas, o que sabia é que esse álbum abriu minha mente para muita coisa dentro da música. Acho um trabalho diversificado e que tanto nas faixas mais leves ou pesadas a qualidade é o que sobressai. Clássico obrigatório na coleção de qualquer um.

    Thiago: O que falar de O que na Verdade Somos? É o meu disco preferido da banda. Bom, primeiramente, é um álbum excepcionalmente bom, embora tenha seus defeitos. Começo pelos defeitos e depois parto para os elogios. O disco é aberto por uma boa música que tem uma sonoridade new metal, mas a ideia dela é quase fajuta, não é coisa do Fruto Sagrado fazer. “Desesperado” é o tipo de composição nada haver de uma banda, mas chega a ser engraçado, com aqueles gritos inspirados em filmes de terror e de alguém endemoninhado. A mix de Sanguessuga ficou também completamente deslocada e sem sentido no disco. O segundo defeito do álbum é a letra de “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos” que se une à extrema hipocrisia que ocorria nos bastidores do FS. A figura de Marcão é extremamente marcada pelas máscaras que o rodeiam, em virtude de carregar a personalidade crítica da banda e ser cara de pau. Suas atitudes, suas provocações no grupo, as intrigas que ocorreram entre ele e Bênlio deixam o álbum, porém, principalmente essa música, com um ar de falsidade. Outro defeito (considero esse mais moral do que musical) foi o Bene Maldonado ter ignorado quase todos os teclados para o CD que Bênlio gravou. Enfim, depois desses problemas, o tecladista saiu da banda numa série de confusões virtuais e judiciais (com Marcão). O defeito central do álbum é isso, a hipocrisia.

    No entanto, mesmo tendo esse caráter polêmico por trás da produção, O que na Verdade Somos é uma superação. Essa obra conseguiu reunir toda a acidez e crítica na sua melhor forma, numa musicalidade que combinou. É o tipo de disco que gosto de comentar nos mínimos detalhes. Primeiro, as letras. A segunda faixa, “A Sanguessuga”, é uma das melhores músicas do FS, ou quase a melhor, difícil falar. Ela expõe uma ótima ideia sobre o vazio da humanidade, baseando se em uma passagem de Provérbios. A balada “Não Quero Mais Acordar Assim” já foi uma das minhas canções preferidas sobre solidão. É uma ótima produção, bem intimista. “De Deus não se Zomba” é o tipo exato de música que te dá vontade de quebrar algo, principalmente pela letra revoltante tratando sobre a opressão humana, fundamentando-se na passagem de Eclesiastes. Quando se fica confuso sobre o tema “ira divina”, essa canção é como uma luz sobre o assunto. Eles conseguiram repensar uma frase bíblica usada de forma tão clichê e conseguiu colocá-la de um jeito ácido, perfeitamente encaixada no contexto da letra, pedindo o fim de guerras humanas. “Vício”, como o título diz, fala sobre drogas. Essa faixa está aqui no CD por estar, é o tipo de composição que ocupa um disco para preencher o espaço. A faixa-título é excepcional. Novamente, tendo aquela dose aguçada de crítica religiosa, a balada constrói a ideia da falta de amor cristão: “Pra falar do amor tenho que aprender a repartir o pão, chorar com os que choram, me alegrar com os que cantam, senão ninguém vai me ouvir…”. O trecho final contém uma ótima reflexão sobre nossa condição, quem nós somos no mundo. A próxima faixa, até hoje penso se é a melhor do Fruto Sagrado, mas uma coisa não tenho dúvida: é a melhor canção de natal que eu já ouvi. “Uma Noite de Paz” mandou uma crítica social e religiosa para lá de surpreendente, usando o tema natal. A canção ficou simplesmente perfeita. “Involução 2003” demonstra uma crítica mais social e política do que as demais, porém não carrega o feeling das outras. “O Sonho do Profeta” é interessante, um tipo de música que busca reanimar inertes para viver o Reino de Deus. “Diferente dos Anjos” carrega a clássica ambiguidade da banda, quando quer se falar de amor. Parece ser uma confissão de devoção a Deus, mas também romântica. Contudo, me rendi a ela. Fruto Sagrado, a partir do O Segredo aprendeu a compor canções com temas amorosos. A penúltima faixa, “O Sangue de Abel”, custei a captar o sentimento da composição, entretanto, quando captei, foi um choque introspectivo. A obra consegue unir perfeitamente a confissão de pecados e crítica social, religiosa e política. Vale citar versos: “Nos perdoe, ó Deus / Pelo imperialismo, o nazismo, o comunismo, / O capital selvagem, impiedoso, inescrupuloso / A escravidão… a religião… / Sempre querendo te domesticar / Te encaixotar, te fazer de empregadinho / Perdão, por tanto fariseu se dizendo filho teu / Que não convenceu, que só dividiu / Levando muita gente boa pro covil / Nos perdoe, ó Deus, pelo terrorismo / O holocausto, a pornografia, a pedofilia / A mentira! O dinheiro mal adquirido e mal repartido / A discriminação racial, social, irracional… / Nos perdoe, ó Deus!

    Juro que esses versos chocam o meu coração, conseguem atingir um ponto que poucas críticas conseguem. Aliás, todo o álbum consegue ter este feito. Citei dois trechos de canções, mas o disco é recheado de frases de efeito. Os arranjos do disco ajudaram na captação do conteúdo do disco. O hard rock com programações de DJ, unindo se aos drives de Marcão em “A Sanguessuga”, o peso dos riffs de guitarra e de baixo completando a revoltante letra em “De Deus não se Zomba”, os acordes de violão e o solo de cordas elétricas bem postos com a crítica de “O que na Verdade Somos”, o dedilhado natalino e o excelente violão de “Uma Noite de Paz”, a brasilidade fundida ao new metal em “Involução 2003”, o som da hipócrita “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos”, a balada com belos dedilhados de violão da apaixonante “Diferentes dos Anjos”, o dedilhado intimista com a boa participação vocal de João Alexandre da chocante “Sangue de Abel” foram muito bem produzidas. Enfim, discaço, merecia o primeiro lugar disparadamente. Foi injustiça o segundo lugar para a banda.

    Tiago: O Fruto Sagrado naquele momento chegava ao auge de tudo: sucesso, respeito do público e da pequena crítica, e ao extremo de suas crises. Acho curioso a banda ter chegado com um disco mais forte e coeso mesmo dentro destes contextos. Talvez, porque menos cabeças pensaram naquilo. Talvez. Mas o que vale pontuar são as misturas: o new metal já abraçado em O Segredo, as influências eletrônicas (dedo do Bene) e os elementos de maracatu e outros gêneros percussivos. As letras de Marcão são ácidas, fortes, tocam na ferida, lembrando-nos que em crise ou sem crise, não haveria nenhuma banda no cenário nacional do rock cristão como o Fruto Sagrado.

    [infobox title=’1º: Aeroilis’]Artista: Aeroilis
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Aeroilis 2004Jhonata: Primeiro lugar com louvor! A primeira faixa, “Onde Encontrei Tudo”, já vem mostrando que o álbum tem muito (muito mesmo!) a mostrar. A princípio o que me incomodava nesse trabalho era a bateria, até que me acostumei e conclui que ela está do jeito que deveria estar. Não me incomoda mais, nem um pouco. As letras de Arvid Auras e Raphael Campos são de qualidade genial. Não acrescentaria nada e nem retiraria nada desse disco a não ser pôr uma versão acústica de “Silêncio”. As influências do rock inglês e californiana são indiscutíveis e de resto, deixo para que os meus colegas falem.

    João: Essa lista definitivamente foi a mais bizarra que eu já tive que comentar. Desculpem-me fãs do novo movimento, mas embora sim, esse disco é revolucionário, mas daí a ficar em primeiro… não… não mesmo. Enfim, as letras são fantásticas, o início de uma nova era, de abrir as mentes dentro do rock mainstream (porque isso de letras pensantes no metal e no punk cristão brazuca não era nenhuma novidade – Ressurreição, Foco Nocivo, Justa Advertência, Trino, Saint Spirit, Berith e Disharmonical Tempest, entre outras, tão aí pra provar isso), mas no máximo esse tinha que estar em terceiro lugar, eu acho. Enfim, é isso.

    Márllon: Me recuso a comentar.

    Thiago: Aeroilis em primeiro lugar? Sério, esse disco é legal, trouxe coisa nova, mas essa posição não poderia ter sido ocupada por ela. No máximo, o segundo lugar, ou até mesmo terceiro e quarto. A produção é boa, traz um bom pop rock e rock alternativo, com canções introspectivas. Contudo, o que poderia trazê-la ao pódio é ter sido justamente a criadora do querido novo movimento, uma onda musical que buscou quebrar o muro entre o “gospel” e o “secular”, de forma independente. Por ter sido a primeira banda do meio, isso é um fato muito importante, merece uma boa posição. O álbum Aeroilis, do mesmo nome da banda, é bem aberto com a faixa “Onde Encontrei Tudo”, uma das melhores. Um disco, para provocar interesse no ouvinte, preciso de uma boa faixa inicial e esse CD conseguiu isso. “Silêncio” e “Posso Ver” tem refrões que parecem uma continuação da outra, porém, esta última é melhor e consegue convencer com o resto da canção. “Em Suas Mãos” e o seu teclado tem uma vibe muito boa. “Sei que Passou” esbanja nas teclas novamente e essa faixa é uma das melhores. Os riffs de guitarra abafadas e os vocais duplos em “Os Teus Olhos” é uma boa faixa, quebra a quantidade de composições baseadas na mesma levada. “Sigo em Paz” é outra “Sei que Passou” nos pianos, tem um refrão pegajoso e impactante. O disco é dosado de muito intimismo e equilibrado. É uma obra interessante, mas primeiro lugar foi demais para ela. Desnecessário.

    Tiago: Talvez não seja o melhor disco da época. Mas é o mais importante. O disco de estreia da Aeroilis representou, a princípio, um rompimento total com o rótulo, o meio, o chamado público do “gospel”. Produzido e distribuído de forma completamente independente, o trabalho foi lançado exatamente naquela época em que os fóruns na rede começavam a fervilhar, e estes mesmos internautas mostravam suas insatisfações com os rumos do gospel (leia-se, principalmente, dotgospel). E, de longe, a banda conseguiu verbalizar isso melhor (Tanlan chega um pouco depois, com um EP em 2005). A musicalidade vai dentro do rock alternativo, com guitarras limpas, teclados, violão e vocais de Raphael pairando pela sonoridade e claro, com todas aquelas letras introspectivas, íntimas, mas nem um pouco apologéticas (exceto “Os Teus Olhos”). Os shows, um pouco “frios”, representavam um claro desprezo a toda a parafernália evangélica que, até hoje, encanta a massa. Lembro que aqui em Goiânia as músicas da banda tocavam numa das rádios, e tocaram aqui algumas vezes, mas eu era muito novo. Uma pessoa que eu conheci numa feira evangélica deu a definição perfeita para a música do quarteto: é aquele som ambiente que você ouve enquanto conversa no bar com amigos. Particularmente, se a Aeroilis ou o Fruto Sagrado encabeçassem a lista, estaria satisfeito. São dois grandes discos desta época de 2000 a 2004.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Phil não pôde participar.