Há poucos anos em atividade, mas com uma maturidade e proposta musical admirável. A banda de rock gaúcho Tanlan chega ao mercado nacional com seu segundo álbum de estúdio, intitulado Um dia a Mais, produzido de forma independente com distribuição da gravadora Sony Music Brasil.
Segundo o vocalista do grupo, Fábio Sampaio o repertório deste trabalho responde a algumas perguntas feitas no álbum de estreia, Tudo que eu queria, lançado em 2008. Um dia a Mais foi gravado em estúdios na cidade de Porto Alegre dentre fevereiro e junho de 2012, e foi masterizado no Sterling Sound, localizado em Nova York, EUA. A mixagem do trabalho ficou a cargo de Fábio Sampaio, que também assina a maior parte das faixas do álbum.
O projeto gráfico do disco foi produzido pela agência NaMassa, e apresenta uma imagem de bom gosto que remete ao tema da obra. Vamos às faixas.
A primeira canção é Louco Amor. A partir desta nota-se bem as diferenças letrísticas contidas neste trabalho em relação ao anterior. Aqui, o amor de Deus é tratado de forma simples e popular. Nos arranjos, vários riffs interessantes e uma presença forte de sintetizadores, principalmente na introdução.
Numa pegada mais pesada que anterior, temos Meu nome, Meu sangue, que também recebeu uma versão em videoclipe. A faixa conta com uma presença maior e percussiva da bateria, lembrando muito sonoridades gringas. Uma das melhores.
Um dia a Mais é bastante parecida com as canções do CD Tudo que eu queria. Na letra, temos aqui um questionamento acerca da motivação humana de viver, perguntando ao ouvinte o que o faz acordar toda a manhã, se há algum motivo ou não. Destaco, instrumentalmente a sonoridade bate-estaca da bateria e a dinâmica instrumental da banda.
A música acabou é uma das faixas mais leves e religiosas do repertório. Contando com uma presença maior da guitarra no início, e ganhando um peso gradativo e minimalista, é uma canção agradável de ouvir. Destaque para a interpretação de Fábio Sampaio.
A seguir, temos Hermético, bem alternativa, mescla momentos com fortes riffs de guitarra com uma sonoridade do baixo bem presente. A necessidade de nos desligarmos de nossos conceitos, o individual universo particular e viver a vontade de Deus é tratada na canção de uma forma bem simples e entendível.
O primeiro single divulgado do álbum, há um bom tempo foi a canção De Onde Vem, que possui umas das sonoridades e letras mais comerciais do projeto. Contando com uma introdução bem eletrônica, riffs bem marcados e uma bateria que lembra algumas das faixas anteriores, a música versa sobre o novo lar que teremos após essa vida.
Seguindo o clima alternativo, temos Meu Defeito, que se destaca nos arranjos do baixo, e em seguida com a bateria, bem marcada do início ao fim. Sua letra versa sobre erros e fatalidades do passado, e a necessidade de continuar em meio às dificuldades.
Ser ou Não Ser possui, em sua letra uma base consideravelmente filosófica, fazendo afirmações na linha de “Um dia a mais”. Qual a importância da vida? O que é viver? O refrão da faixa é cativante e rapidamente marca na mente.
A canção mais “gospel” do trabalho é Sobre o Amor, que possui forte influência do folk rock, contando com violões na intro, e a seguir bons arranjos de baixo, que contribuem para o clima vertical contido na letra. Canção de entrega, pouco poética, mas bem articulada, gostei.
Quero Viver é uma bem pop rock, e versa a respeito da nossa caminhada constante para a vida vindoura através de um encontro com Deus. Excelentes riffs na introdução e arranjos do baixo nas primeiras estrofes.
Também uma das primeiras canções divulgadas, e dentre as melhores do repertório, temos Fingir. Com um título bem sugestivo, versa sobre a duplicidade humana, a necessidade que o indivíduo tem de fingir para as pessoas que está vivendo como deveria, fugindo dos problemas e das situações. No arranjo, destaque para a sonoridade bate-estaca da bateria.
Fechando o álbum positivamente, temos o folk Vaidade, com a participação especial do cantor Marcos Almeida, ex-back e tecladista de Heloisa Rosa e vocalista do Palavrantiga, banda de destaque no nicho. A letra é a melhor do repertório, e exprime bem o conceito eclesiástico de vaidade, mas trazendo a afirmação de que a vida ainda vale a pena. Ainda há a presença de metais no final da canção, e destaco a ótima interpretação vocal de Marcos Almeida. Excelente.
Finalmente, deixo minhas considerações gerais acerca da obra. É um álbum excelente, diferindo bastante de Tudo que eu queria em alguns pontos, principalmente na parte letrista, ao qual posso considerar mais “gospel” que o anterior. Os arranjos estão bem elaborados, mesclando bem várias vertentes como o rock alternativo, pop rock e folk rock. O desafio, agora para a Tanlan é firmar seu nome no mainstream, pois qualidade e coesão em seu trabalho a banda já tem.