Autor: Tiago Abreu

  • Rocklogia – Um dia a Mais

    Antes de tudo, após a Tanlan ter lançado o Tudo que eu Queria, o vocalista Fábio Sampaio ficou notório na rede pelo cover que fez de “É Preciso Saber Viver”, na época, um dos vídeos mais assistidos do YouTube. Se você ainda não viu, dá uma olhada:

    Após as perguntas feitas em Tudo que eu Queria, a Tanlan preparou-se para dar as respostas em um disco chamado Um Dia a Mais, que claramente se contrasta com o anterior. É preciso deixar bem claro que, na altura do campeonato, o “público cristão” da banda era muito pequeno, a banda estava bem mais inserida dentre eventos não-religiosos. Este segundo disco, então, meio que ‘supre’ esta falta, ou até mesmo desequilibrou a “gangorra” dos públicos.

    Em 2010, a revista Época tenta falar de um suposto movimento dentro do meio protestante que, segundo a publicação, é uma “nova reforma protestante”. Dentre alguns nomes, na parte musical, citaram a Tanlan. O texto é um pouco confuso, mas a intenção da Época valeu. Sobre este assunto, vale ouvir um episódio do podcast irmaos.com.

    No mesmo ano, após as prévias dadas através das músicas “De Onde Vem” e “Fingir”, divulgadas no site da banda, o grupo estava a todo vapor para produzir um disco que acabou soando mais ‘gospel’ que o anterior (se é que podemos chamá-lo assim, para uma compreensão mais geral).

    “Louco Amor”, faixa que abre o álbum, mostra bem o que o grupo se propôs a fazer neste projeto: com letras que falam mais evidentemente do cristianismo do que o anterior e versos bem marcantes, a sonoridade ficou menos experimental e mais direta, com um post-grunge que lembra bastante bandas como o Foo Fighters. Os teclados, mais presentes no trabalho anterior, ficaram ofuscados e deram espaço para mais guitarras, gerando mais “peso”.

    Outro destaque acerca do disco foi a participação de Marcos Almeida nos vocais de “Vaidade”. O disco foi lançado de forma independente, e meses depois, atraiu o interesse da Sony Music, que decidiu relançá-lo, distribuindo-o com o novo selo. Um pequeno problema entre a Som Livre e a Sony ocorreu, pois a gravadora queria vetar a faixa com a participação de Marcos. No fim das contas, a versão lançada pela Sony tem só os vocais de Fábio (como podem conferir no Spotify).

    Beto Reinke acabou tendo que se afastar do grupo, embora tenha participado das gravações. Em seu lugar, a banda efetivou Lucas Moser, que já estava tocando com a Tanlan há um bom tempo. Após algumas diferenças e discussões internas com o grupo (leia nossa entrevista com Fábio para entender), acabou saindo. Beto voltou e segue com a banda nos dias de hoje.

  • Rocklogia – Esperar é caminhar sobre o mesmo chão

    Após o lançamento do EP, a Palavrantiga seguiu com o produtor Lúcio Souza, o SILVA, e Jordan Macedo, e gravou Esperar é Caminhar. Este disco, cuja distribuição ficou a cargo da CanZion, conteve quatro das seis faixas do disco anterior, mais uma série de inéditas, todas assinadas por Marcos Almeida.

    Neste álbum, o cantor Thalles participa na faixa-título: “Em junho de 2009, conheci o Thalles quando ele esteve no Polo Estúdio para gravar uma participação no disco do Palavrantiga, que, na época, estava sendo produzido. Desde então, ele decidiu finalizar Na Sala do Pai comigo, apesar de já ter iniciado a gravação em outro estúdio”, disse Jordan ao Super Gospel.

    O lançamento do disco catapultou a popularidade do grupo, com canções como “Seguro Vou”, “Amor que nos Faz Um”, e principalmente “Rookmaaker”. Para completar, o disco foi masterizado no Abbey Road Studios, o que de certa forma foi um diferencial importante. Sonoramente, o disco tem referências bem explícitas ao britpop.

    Mais tarde, no segundo semestre de 2011, o grupo gravou um Recife um álbum ao vivo que teve o lançamento cancelado. O título era Uma Noite em Recife e foi completamente engavetado. Por outro lado, a banda seria contratada pela Som Livre, selo pelo qual gravariam e distribuiriam um novo projeto.

    Em 2012, o novo disco, de título Sobre o Mesmo Chão, seria decisivo na filosofia do grupo. Foi gravado no estúdio da banda Diante do Trono, com um repertório autoral de Marcos. O compositor afirmou, em entrevistas, que as influências para o álbum foram totalmente diferentes do primeiro, a começar pela vida de homem casado que estava começando a ter. As letras deste disco foram mais ousadas, mas não foi tão unânime quanto o anterior. Por exemplo, um jornalista do portal Fita Bruta, site conhecido por suas análises por vezes polêmicas, considerou o disco morno, hermético e as ideias do grupo bastante confusas. Os portais de música cristã, no entanto, foram amplamente favoráveis a obra. A produção musical ficou, novamente, a cargo de Jordan Macedo.

    Algo incomum aconteceu na época de lançamento do álbum, que foi a participação do Palavrantiga no programa da Rede Super, 6ª Básica. Além do quarteto, era noite de Oficina G3. Juninho Afram e Marcos Almeida, representando as duas bandas, falaram sobre a carreira e novos projetos. Depois, Mauro Henrique ainda cantou “Feito de Barro” com o Palavrantiga. A Igreja Batista da Lagoinha, nesta noite, ficou lotada.

    https://www.youtube.com/watch?v=2Cr5RnLvdGI

    Após o lançamento do disco, o clipe da canção “Rio Torto” foi divulgada, e Marcos participaria de uma faixa num disco da Tanlan, o qual falaremos no próximo post. Muitas coisas no grupo ocorreria nestes breves anos.

    Naquela altura do campeonato, era óbvio que a banda chamava a atenção. Eles saíram do underground, como nomes do extinto novo movimento, trazem de vez a palavra crossover para a discussão no mercado, mas era Marcos Almeida, ali, que se preparava para dar mais passos. Apesar de toda a contribuição sonora da cozinha, o vocalista e letrista decidiu traçar seus rumos, sozinho, enquanto a banda seguiria, ao menos teoricamente, com um novo vocalista.

    Mais de um ano depois, o silêncio continua, e é muito cedo para qualquer um “teorizar” a importância que a curta discografia da banda tem na história do rock produzido por cristãos no Brasil.

    Enquanto isso, Marcos já produziu single, gravou disco ao vivo e planeja lançamento inédito para 2016.

    https://www.youtube.com/watch?v=SPZgo9SDI3o


    Retalhos

    Em 2015, Marcos Almeida falou um pouco sobre suas composições. Decidimos reproduzir, abaixo, seus comentários.

    Branca [2011]: Nenhum móvel sequer no apartamento. Apenas um modem de internet wireless e um violão. A emoção de entrar no nosso futuro lar ainda é viva na minha memória. Eu estava sozinho e aproveitei o reverb do quarto vazio para dar vazão àquele sentimento em erupção. Foi impressionante; o primeiro acorde que toquei? Um Sol menor com décima terceira e logo, de imediato, como que soprado por Ele, veio a melodia pra ela: “Branca, acordei você”…

    Casa [2006]: Só consegui acreditar que a dupla Chrystian e Ralf gravaria a minha composição depois de gravada.
    Eu dava aula no Colégio Presbiteriano de Belo Horizonte e foi no intervalo que corri na sala dos professores, abri o computador, baixei o mp3 e, ainda sem fé, comecei a escutar o que eles tinham feito. Confesso que me emocionei. Por muitas razões: era uma homenagem de uma dupla que eu nunca conheci pessoalmente e até hoje não tenho contato com eles. Era Chrystian e Ralf do hit “tinha um sonho ir pra Nova York”, que a gente cantava em casa quando era criança! Era uma dupla sertaneja gravando uma canção de rock e aumentando o ganho da distorção ainda mais – sim, eles conseguiram ser mais roquenrou que o Palavrantiga. Era eu, um iniciante no mundo da música, que de repente começava a receber ligação de gente importante querendo saber mais do meu trabalho como autor.

    “Casa” é minha obra prima, obra prima no sentido de primeira obra, porque depois dela entendi que poderia ser compositor com um caminho próprio. Olha, estou mais seguro hoje do que nunca, quase 10 anos depois de ter escrito essa canção, que não posso receber todos os créditos por ela. Na verdade, tudo aconteceu por causa Dele, o Deus gracioso que jamais nos abandonou. O Deus da obra, que trabalha na gente e através da gente, numa misteriosa jornada de cooperação,tornando possível o absurdo: uma estranha dupla, uma mística dupla. Casa e Dono da Casa!

    Vem Me Socorrer [2008]: Estávamos no estúdio do SKANK em Belo Horizonte gravando uma participação para o programa Feira Moderna da REDE MINAS. O Henrique Portugal escolheu 4 bandas da cena independente, entre elas a belíssima TRANSMISSOR, da qual eu me tornaria um fã logo depois daquele dia.
    A brincadeira era assim: cada banda tocava duas – uma releitura e outra autoral. Levei para os meninos do Palavra – nesse dia só o baterista não participou – a surpreendente “Todos estão surdos”, do Roberto Carlos e uma inédita de minha autoria: “Vem me socorrer”. Tivemos o luxo de tocar as duas com o Henrique Portugal fazendo um Rhods cheio de sentimento.
    O curioso aconteceu nos bastidores. Fiquei sabendo disso depois. Quando o técnico do estúdio – uma figura bastante conhecida da cena musical belorizontina – me ouviu cantar o refrão de “Vem me socorrer”, muito surpreso perguntou para a equipe: “ele disse ‘Deus’? Foi isso mesmo!?” Ao que responderam pra ele: “sim, o cara disse Deus!”. O técnico, como que não acreditando no que ouvia, e com muito entusiasmo, foi enfático na sua alegria soltando um clássico palavrão : “do CARAL**O!!”.
    “Vem me socorrer” hoje é tocada em bares e igrejas. Foi mais longe do que eu imaginava. É a música da vida de muita gente. Outro dia recebi uma mensagem dizendo: “minha mulher começou a sentir as contrações e corremos para o hospital. Quando entramos no carro ela disse: coloca “Vem me socorrer”, me acalma. E a nossa filha se preparou para vir ao mundo ao som da sua música”! Muito lindo, não?!
    “Vem me socorrer” é um grito, e como percebeu o cara do estúdio, do jeito dele, de fato essa não é mais uma canção de amor!

    Deus, Onde Estás? [2007]: Estava em casa e recebi um telefonema. Era minha mãe dizendo que não tinha jeito, teria que fazer uma delicada operação que há anos tentava evitar com outros tratamentos. O médico disse que era um procedimento urgente que (talvez) resolveria o problema, mas disse também que não era uma cirurgia fácil.
    A gente lida com a dor de forma muito arbitrária, damos audiência às diversas formas de sofrimento que passam nos canais de notícias, às versões impressas nos jornais; ou quando conversamos com algum vizinho ali tem sempre uma tragédia sendo relatada e nada disso incomoda de verdade. A não ser que aconteça com quem amamos. Aí tudo muda. Dói de verdade.
    Mas, aprendi uma coisa: quando sentimos uma dor de verdade, ela nos abre um campo de inédita sensibilidade, fazendo a gente perceber um mundo que já estava ali – só não tínhamos visto antes. A cirurgia de minha mãe e a dor que senti com essa notícia me abriram uma paisagem a princípio detestável, estava diante daquela matéria mais difícil da vida, que os filósofos e teólogos lutam tanto pra explicar: o Sofrimento Humano. A natureza do mal, por que o mundo é assim… E é nesse momento que crentes e ateus se encontram com a mesma pergunta: se o mundo é injusto, como pode existir um Deus justo? Deus, onde estás???

    Rio Torto [2012]: A gestação de uma nova canção pode durar meses. É um assunto que incomoda o compositor, um problema para resolver, mas que precisa descansar no inconsciente para em algum misterioso momento ser iluminado por uma Idéia que chega como uma grande descoberta, um espanto. “Rio Torto” é dessas canções. E quase três anos depois ainda consigo sentir aquela emoção de estar cantando algo nascido das regiões mais íntimas da minha alma, por isso ainda meio incompreensível, mas que foi iluminado pela Graça.

    Partiu [2011]: Inspirado no primeiro homem a quebrar aquela ideia de que a vida é circular, fiz essa canção. Antes dele, estaríamos repetindo a vida dos nossos pais, estaríamos presos ao que construíram, à geografia em que nascemos, ao ambiente que nos deram; e como um karma, seria impossível se libertar desse destino repetitivo, estaríamos presos a um círculo. Abraão partiu, quando ainda era apenas Abrão filho de Terá. Partiu e desfez o círculo. Partiu e esticou a linha. Partiu e ganhou um novo nome. Partiu e inventou a jornada!

    Minha Menina [2011]: Quintana já disse: “nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.” Rubem Alves me ensinou a responder assim: “o que eu quis dizer é exatamente isso que escrevi. Porque, se eu quisesse dizer outra coisa, teria escrito diferente.”

    Os dois estão tocando no mesmo ponto; que, a não ser que alguém revele, não é possível saber “a outra coisa”, “a outra interpretação”, apenas a minha coisa, a minha interpretação. Um poema em si é a melhor “revelação” que o poeta pode nos oferecer, até que ele faça outro e mais outro e mais outro, na tentativa de ver melhor o que aponta.

    Eu incentivo sempre os meus amigos a buscar a interpretação mais pessoal que puderem ter. A beleza disso é deixar ouvir o que a canção canta em mim, os efeitos desse som na grande sala do coração.

    “Minha Menina” tem participado de inúmeros roteiros e narrativas aonde chega. Deixou de ser apenas minha, mas continua uma menina, insegura e carente de amor.

    Sagrado [2011]: “Sagrado” nasce depois de eu ter andado algum tempo no meio de avivalistas, de ver de perto certas estruturas religiosas já corrompidas pela filosofia do “conquistar e dominar” e sobretudo de verificar o resultado prático na vida daqueles que defendiam essa onda. Foi um choque perceber que aquilo que 10 anos antes era sagrado na vida de tantos amigos, passou a animar as rodas de piada; eles agora riam do misterioso e intocável. A constatação não foi outra, e foi imediata: “é que o sagrado se tornou hilário…”

    Rookmaaker [2010]: Tenho guardado na caixa de e-mails dezenas de cartas, recebidas de várias partes do país, com a pergunta: quem é Rookmaaker? “Não achei nada na internet” ou “ouvi a música doidona que você cantou no show, quero saber mais”; “velho, você fumou o que?”. E coisas do tipo… De fato, na época, se alguém procurasse e encontrasse dois ou três links em português sobre Rookmaaker, ficaria contente. Passados 5 anos, o Google chega a apontar quase 100.000 menções desse nome tão importante na história recente da renovação intelectual da nossa juventude. Livros foram lançados pela Ultimato, artigos acadêmicos nasceram, covers da canção se espalharam no YouTube…
    O barulho foi tão grande que Marleen Rookmaaker, filha de Hans, chegou a mandar uma mensagem, antes do nosso inesquecível encontro em Natal, que me enche de alegria até hoje! “apreciamos muito os vídeos da canção no Youtube… Gostamos muito de ver a animada resposta do público e que as pessoas cantam junto nas apresentações. Apreciamos também a entrevista no rádio, apesar de compreendermos muito pouco por não falarmos português. É maravilhoso ver isso acontecendo no Brasil nesse momento. Ah! Achamos muito engraçada a maneira que vocês pronunciam Rookmaaker /rukimaki/! Por fim, consideramos toda essa manifestação cultural muito especial. Tenho certeza que meu pai teria ficado com muito orgulho.” Da pronúncia ela achou graça, mas morreria de rir se ouvisse alguns bilíngues que dizem “ruquimeiquer”, como se fosse uma palavra inglesa, ou outros que chegam a cantar algo próximo à “riquimartin”! Depois dessa mensagem, como disse, nos encontramos em Natal. Seu esposo é o cara mais gentil que já conheci… Tivemos a oportunidade de conversar durante quase 3 horas, sobre seu pai, sobre arte, brasilidade, os tempos na Holanda e Suíça… E tudo começou despretensiosamente com uma canção…

    Sobre o Mesmo Chão [2010]: Havia dito em uma entrevista que o trabalho dos novos artistas era, também, o de conseguir criar novas categorias de pensamento que superassem a oposição gospel/secular (especialmente, enquanto fórmula de comunicação). Cheguei a apresentar o “esperances” como vocabulário dessa aventura e a distinção entre gênero musical e circuito cultural como base para invenção de um espaço mais criativo para todos nós.

    Alguém comentou a entrevista dizendo algo do tipo: “vocês estão é em cima do muro, cuidado”. Logo em seguida, um outro comentário, só que com outra perspectiva: “eles não estão em cima do muro… Sabem que quem já foi criança não vê dificuldade em saltar muros. Pois, todos os muros estão sobre o mesmo chão.” Uau! Aquilo foi um lampejo, uma revelação! Existiria, então, algo anterior e mais importante que o muro, aquilo que sustenta o peso de todas as diferenças, aquilo que nos torna iguais: o chão! Devo ao Guilherme de Carvalho, amigo e filosofo mineiro, autor desse último comentário, todas as imagens de liberdade que essa canção tão importante traz em si.

    Boa Nova [2009]: Ela passou a ser um hino para quem cansou de teologizar a fé sem ver o resultado numa vida prática, real e humana. É uma obra contra o religiosismo, contra o filosofismo, contra os debates intermináveis e tolos que não levam em conta o encontro com a realidade do Amor. Aquele Amor que me faz bem, me deixa amar, sem perguntar a quem.

    De Manhã [2012]: Como uma necessidade imperiosa. Não tive como escapar. Uma certa saudade, já conhecida e experimentada, surgiu no meu coração. Fui para a varanda e com o violão em mãos tentei ouvir minha alma. Fiz de tudo para que nada interrompesse, na minha mente, aquele sussurro interior.
    Quis falar com Deus. Quis ficar a sós com Ele. Lembrei, enquanto dedilhava o violão, que aquilo não seria um monólogo, uma prosa imanente. Me agarrei nas palavras Dele: “jamais te deixarei”. E senti que Ele estava ali me abraçando.

    Hoje Tem Guerra [2007]: “Hoje tem guerra” anunciava para mim a possibilidade de uma música que canta os temas mais profundos (guerra e paz, amor e distância, tempo e eternidade) mas sem formalidades. O próprio refrão em lá, lá, lá, uma reminiscência de rock anos 60, alguma coisa Beatles, deixou a canção mais leve. Foi um achado aquele acorde inicial: um Ré Maior, com sétima maior, décima primeira aumentada e a sétima maior dobrando uma oitava acima [D7M (#11)]. Essa coisa brasileira na harmonia, coloca essa e outras canções que fiz mais perto da tradição bossa-nova atualizada nos Novos Baianos, grupo que juntamente com o Clube da Esquina apontam infinitas combinações entre as intenções do Rock e a tal MPB.

    Eu Olhei o Meu Dia [2007]: A construção da harmonia veio primeiro e poucos minutos depois eu já estava cantarolando alguma coisa parecida com: “eu olhei o meu dia, percebi que tu és melhor que uma canção de amor…”. A linha melódica foi me levando para outros blocos harmônicos, o Lá menor se tornou maior no refrão e eu tinha agora uma outra cor para trabalhar. Foi então que cheguei na letra: “me esconda em Ti, meu Deus eu preciso andar no teu caminho…” Depois dessas duas partes prontas, resolvi voltar na parte A e fazer uma segunda letra para ser cantada na repetição. Só que agora ao invés de ir do tom menor para o maior, o caminho era contrário; estava voltando do maior para o menor – precisei de uma ponte! Gastei um tempo pensando em como resolver isso e mais uma vez a melodia me ajudou a escolher os acordes certos para a transição.
    “Eu olhei o meu dia” é uma das canções que mais me realiza nesse aspecto harmônico. O Lúcio Souza, produtor da gravação que foi feita com o Palavrantiga, soube valorizar essa atmosfera quando minuciosamente inseriu aquele timbre de teclado tão marcante.

    Amor que nos Faz Um [2007]: Foi um ano em que ouvi Bob Marley um tanto! Nas férias da faculdade em 2007 eu acordava e dormia ouvindo “Exodus”, “One Love”, “Get up, Stand Up”, “Is This Love”… Eu queria fazer música como Bob Marley!!! Ele mostrava ser possível criar uma música profundamente espiritual e ao mesmo tempo alegre e dançante. Ele conseguia colocar dentro do discurso social e político a sua esperança e isso pra mim era fascinante.
    “Amor que nos faz um” é a minha primeira tentativa de expressar esse sentimento reggae que me habita. Essa vontade de ver as pessoas juntas, superando os discursos religiosos e misticistas, se encontrando.

    Esperar é Caminhar [2006]: Todo o sentido peregrino da minha fé se tornou claro quando assistindo ao seriado “Hoje é dia de Maria”, a personagem principal diz: “Vamo, Maria, que esperança num é esperá! Esperança é caminhá!”. Guardei essa revelação durante um tempo no meu coração e isso foi gerando versos, melodias e ideias que transformei em canção meses depois.
    A minisérie foi exibida em 2005 pela Rede Globo. Mas, foi só depois de entrarmos para estúdio em 2008, com o trabalho já mixado, que percebi o óbvio: essa música não deveria se chamar “Espero em Ti”, como eu a chamava até então. A parte principal da letra que revela todo o paradoxo guardado em meu coração desde aquele dia que assisti a minisérie estava no final do último verso: “esperar em Ti é sempre caminhar”. Esperar é Caminhar. Era isso! Era Abraão resolvendo Babel, era Maria me ajudando a entender a narrativa cristã: que esperar vem de esperança e aquele que tem esperança caminha!

    Palavra Antiga [2007]: São tantos lados de uma mesma canção, mas aqui só cabe pedaço, fragmento, retalho.
    Essa canção de 2007 eu escrevi antes mesmo de formar a banda que todos vocês conhecem com o mesmo nome (ou o mesmo som, a escrita que difere – num grande detalhe que poucos percebem de cara).
    Durante um curto período, o grupo de rock se chamou Verbo Remoto! (sim, com essa exclamação no final). Não durou muito essa coisa terrível – “Verbo Remoto!”. Graças a sinceridade de Marcel Lins Camargo, sociólogo amigo, que no final de três meses de “Verbo Remoto!” viu chegar Palavra Antiga, que depois virou Palavrantiga, afim de dar mais sentido ao paradoxo velho/novo que sempre curti tanto.
    Palavra Antiga chegara como a composição mais próxima do disco Ventura dos Los Hermanos. Na época, eu não percebia a influência do disco dos caras na minha forma de escrever. Mas hoje, mais maduro e menos bobo, percebo que as horas que eu passava ouvindo Ventura, aquele show deles transmitido ao vivo pela rádio 98 (rádio do rock em BH) e as rodinhas de violão indie dos irmãos da igreja, contribuíram para que eu chegasse naqueles caminhos melódicos e harmônicos. Bem, só não estou satisfeito ainda, porque nunca consegui fazer um arranjo oficial de marchinha de carnaval, especialmente para os versos iniciais: “No acaso ia, não vou mais / vou pela fé na tua voz”… Pam pam pamram / Pam pam pam pam! Ei! Quem sabe agora nesse futuro que acaba de chegar!? Lá vamos nós!

  • Rocklogia – De Rodolfo Abrantes a Militantes

    Ninguém é louco de dizer que um disco, lançado lá nos idos de 1994, chamado Raimundos, não foi de extrema importância para o rock brasileiro. Quando esses ‘caras’ produziram uma obra contendo clássicos que misturavam hardcore, punk, forró e outros gêneros tipicamente brasileiros e revelou canções como “Puteiro em João Pessoa” e “Nêga Jurema”, o país conhecia um quarteto que se estabelecia, especialmente, pela criatividade de um guitarrista chamado Rodolfo.

    Enquanto outras bandas, como o Legião Urbana, se despediam ou se afundavam em melancolias, esses sujeitos de Brasília se jogavam a um som cheio de atitude, humor e energia, que marcaram a cena nos anos 90. A história mostraria que a intensidade ainda se seguiu com o disco sucessor, Lavô Tá Novo (1995), que revelou “Esporrei na Manivela” e “Eu Quero Ver o Oco” e a mistura musical que faziam, chamada de forrocore. E no sucesso meteórico do Mamonas, então (que mesmo tendo uma vibe musical distinta, era fortemente adepta do humor), o Raimundos encontrava legitimidade para o meio, que sofria retrações comerciais frente ao sertanejo e pagode.

    Mais tarde, escorregaram com Lapadas do Povo (1997), mas certamente a banda teve o atestado de que, naquela altura do campeonato, a grande massa e a indústria não estava levando o rock (embalado nos Acústicos MTV) tão a sério. Com um disco mais direto, complexo, estranho e próximo ao hardcore, a banda teve imensa dificuldade de se inserir nas rádios. A única opção, então, era retornar a caricatura que os fizeram conhecidos, mas sempre a inserir uma certa crítica bem implícita. A capa de Só No Forévis (1999), maior sucesso comercial do Raimundos, já tecia, com uma dose certeira de ironia e bom-humor, a declaração de que os ‘pagodeiros’ estavam tomando espaço. “Me Lambe”, “A Mais Pedida” e o enorme hit “Mulher de Fases” era uma amostra das várias boas músicas no repertório, como “Fome do Cão” e “Alegria”. Fecharam os anos 90 com um sucesso que nenhuma outra banda, nos anos 2000, emplacou.

    Se o sucesso do grupo estava cada vez maior, seu guitarrista e principal letrista, Rodolfo, não estava em seus melhores momentos. O músico, que sempre enfatiza isso, tornou-se cristão protestante após afundar no vício em drogas, o que mudaria fortemente sua visão acerca das coisas. Agora, tomando uma nova “ótica”, Abrantes notou que estava sendo um “personagem”, e para não se tornar uma mera caricatura decadente, optou deixar a banda em 2001.

    O Rodox surgiu em seguida, com o disco Estreito, cujas canções, por vezes, falam abertamente da nova fé de Rodolfo. “Olhos Abertos” abre o disco com frases como “Mais de uma coisa eu sei / Foi o homem quem criou a lei / Que eu conheço e não sigo / Hoje eu só sirvo ao meu Rei” e é seguido por “Não Lembro Mais” e seu trecho “Já não sou mais eu quem está na direção“. O grande feito do Rodox, talvez, é de ter chamado a atenção de dois diferentes públicos: parte do público cristão, menos legalista e mais ligado ao rock, e ao público não-religioso, que acompanhou a banda por consequência do caso Rodolfo. Musicalmente, era um grupo com excelentes músicos, trazendo até Canisso, ex-colega de Raimundos, na última formação. Mas aquele equilíbrio estético entre as boas letras, sem qualquer proselitismo, e as experiências de fé de Rodolfo tinha um curtíssimo prazo de validade. Logo Abrantes queria promover suas crenças sem a aprovação de seus colegas, a gota d’água.

    Punk e cristianismo, uma mistura possível ou estranha? Seja qual a resposta, uma banda, em cenário protestante, chamava a atenção naquele período. Militantes, conjunto surgido no fim dos anos 90, chegava em 2004 com o seu segundo disco de inéditas, Escute o que Digo e Faça como eu Faço. Com letras menos religiosas que o anterior, o trabalho, que foi distribuído pela gravadora Gospel Records, trouxe a participação de Rodolfo na música “Velho Homem”.

    Se os Militantes alçavam, a cada projeto, em trabalhos mais complexos e menos religiosos, Rodolfo foi exatamente ao contrário. Seu primeiro disco totalmente solo, Santidade ao Senhor, deu as pistas do caminho que o músico seguiria deste então: letras presas ao “evangeliquês”, que versam seu novo momento sem qualquer autocensura. Além da sonoridade não se comparar aos anos de Rodox, as canções acabaram soando compreensíveis apenas para a massa evangélica, o que é uma pena.

    Os Militantes chegaram a 2010 com o seu disco mais agressivo e direto, Destrua o Controle, com canções que, em maioria, fazem críticas diretas a mídia, política e economia. Algumas músicas já soaram completamente sem qualquer traço de religiosidade, e o som, mais agressivo do que nunca.

  • Rocklogia – O fim da Aeroilis e de um ciclo

    A Aeroilis, como já dito aqui no site, foi o primeiro nome do chamado novo movimento. Em nossa última postagem, o grupo, em 2006, tinha um repertório para um próximo disco, mas uma série de contratempos ocorreram, o que demorou para a produção.

    Não são todos que possuem a oportunidade de viver somente da música. Muitos músicos, a maioria deles, possuem famílias, outras atividades, e não podem se concentrar totalmente numa carreira musical. Raphael Campos e Arvid Auras, em 2008, estavam lá, firmes e fortes, juntamente aos novos integrantes Fi Silveira e Alan Wenning. A primeira faixa divulgada ao público foi a canção “Cega Inocência”, uma crítica subliminar aos cristãos que são enganados por falsas doutrinas. Com mais teclados, experimentações e uma produção musical mais afiada, era a prévia de um grande álbum: Nada Mais Além.

    O disco foi lançado para download em 30 de abril de 2010 (mesma data do lançamento de Ainda não É o Último), e foi masterizado pelo experiente Lampadinha. Duas músicas em particular me agradam: “Não Importa Mais” e “Seguirei”. No geral, o trabalho é expressivo, consegue conter os vícios e exageros do primeiro e mesmo não nos deixando um clima de despedida, fecha muito bem sua curta discografia.

    A ideia de lançar pela internet se mostrou bem acertada, com tantos downloads, o servidor teve problemas. Por isso, a banda acabou distribuindo o disco também em SMD, por um preço de cinco reais. O material ainda acompanha um pequeno encarte, com as letras das músicas.

    https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE

    O retorno do grupo aos palcos foi lento, mas ocorreu. Alguns shows foram feitos até 2013. O grupo se juntou a Tanlan e o Quarto Fechado em algumas apresentações, mas, em 2013, Arvid Auras anunciou o fim do grupo, uma decisão que partiu principalmente de Raphael Campos, tornando realidade, então, o fim da Aeroilis. No entanto, os dois discos produzidos, sem dúvida, ficarão na história do rock cristão nacional.

    O disco Nada Mais Além, aliás, representa, em minha visão particular, um fim de um movimento. Após este disco e Esperar é Caminhar, do Palavrantiga (que falaremos semana que vem), o novo movimento parece ter deixado de passar o seu sentido original (uma resposta e contestação musical/lírica para a decadência do movimento gospel) para se tornar uma mera ideologia de mercado abraçada por artistas de vários gêneros. Aliás, seria muito incoerente um movimento de início nos anos 2000 perdurar por mais de uma década.

    Para mim, o fim do novo movimento em meados de 2010 é visível, já que em 2011, vários novos artistas absorvidos pelo mercado, com poesias e músicas para o público jovem lançam discos de estreia, como Marcela Taís e Bruno Branco, além de ganhar força o conceito inconsistente de crossover, mercadologicamente falando, para a boca de artistas e gravadoras.

    Aliás, o conceito de novo movimento ainda precisa ser melhor trabalhado aqui na Rocklogia, e estou convicto de que o próprio texto o qual escrevi ano passado encontra-se muito desatualizado e, em partes, equivocado. Mas um dia chegaremos lá, nem que seja em uma publicação futura. Prometo.

  • Rocklogia – Sobre o Rock in Rio, Queen e o rock clássico

    Este ano, há alguns meses, fiquei fascinado pelo Musical Maps, uma ferramenta extremamente útil do Spotify, que lista as músicas mais ouvidas em várias cidades do mundo. Para quem sempre está a procura de algo diferente ou novo, é muito interessante conhecer grupos e músicos que estão ‘estourando’ em outros lugares e talvez, daqui a muitos anos, serão citados na imprensa local.

    Pois bem, pelas minhas andanças, fui com sede nas cidades britânicas, porque, pelo menos por gosto pessoal, tenho um apreço muito maior pela música feita no Reino Unido do que nos EUA. Ao passear pelos hits em Londres, Cambridge e Leicester, conheci uma banda de art rock chamada Everything Everything, que estava lançando o seu terceiro trabalho, Get it Heaven que, somente o clipe de “Distant Past” traz um milhão e meio de visualizações para o grupo no YouTube. Também conferi alguns nomes novatos no rap e uma banda de punk e hardcore chamada Slaves. E, curiosamente, não vi nenhum “dinossauro” na lista.

    Quando se está no Brasil, a realidade, ao menos em termos de rock, é muito diferente. Para começar, além do sertanejo universitário dominar as paradas de praticamente todas as cidades com 90% das listas, cantores de outros gêneros tomam espaço com várias músicas. Wesley Safadão, por exemplo, é praticamente um ícone brasileiro desde a última vez que olhei. A surpresa veio com Marcela Taís, do meio evangélico, se infiltrando em várias cidades do país com o disco Moderno à Moda Antiga. Em Goiânia, cidade que moro há alguns anos, pensei que o sertanejo fecharia a listagem, mas tive a grata surpresa de que há materiais interessantes, como a banda psicodélica Boogarins e alguns grupos de rap. Aliás, grupos locais são uma tendência observada nas cidades (obviamente). Você vê Selvagens à Procura de Lei em “queda de braço” com bandas de forró em Fortaleza, Palavrantiga em Vitória, o veterano Skank em Belo Horizonte… e por aí vai.

    A cidade realmente diferente é Porto Alegre. Aliás, sem qualquer bairrismo, o Rio Grande do Sul é um ponto fora da curva em relação aos outros estados do país. Com uma lista muito diferente de praticamente todas as demais capitais brasileiras, o setlist foi equilibrado, eclético e recheado de bandas de rock nacionais, tanto alternativas, emocore e indie. A lista também contemplava músicos já longevos e muito conhecidos, como Júpiter Maçã, sem faltar, claro, os sertanejos e as músicas de massa vistas nas outras capitais. Inclusive, a quem se interessar, escrevi uma notícia sobre isso para um site de rock.

    Agora, em setembro, ocorreu o Rock in Rio. A primeira surpresa, diretamente, é que não há nenhum grupo ou músico, dentre as atrações principais, que não tenha participado em alguma edição do festival. Dentre as atrações mais “conhecidas”, a que eu achei, de fato, mais curiosa, foi o supergrupo Queen + Adam Lambert, ainda mais depois dos comentários pós-apresentação que ocorreram pela rede. Do nada, observei vários novos “fãs” da banda e até mesmo uma aclamação que, em minha visão particular, é completamente exagerada. No entanto, eu já imaginava que esta apresentação “daria o que falar” e que a imprensa brasileira escreveria muitas bobagens sobre o assunto.

    Para quem não conhece bem o trabalho do Queen, vou contextualizar: a banda acabou em 1991, com a morte do pianista e vocalista Freddie Mercury. Dentre 1991 e 1997, os três membros ainda vivos, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, fizeram poucas apresentações, lançaram uma música inédita, um disco póstumo e só. De 1997 pra frente, a única coisa feita com o nome “Queen” foi a coletânea Queen Forever de 2014, cujo repertório ainda incluiu três músicas “inéditas” – na verdade, versões novas de músicas já lançadas anteriormente por outros artistas, mas gravadas pelo Queen.

    Em meados de 2004, a dupla Brian e Roger se reuniu com um dos melhores cantores de rock de todos os tempos, o experiente Paul Rodgers. Dessa união, surgiu o supergrupo Queen + Paul Rodgers, que excursionou mundialmente (incluindo o Brasil, em 2008) e lançou um disco inédito, bem fraco, inclusive, chamado The Cosmos Rocks. A parceria, insatisfatória, acabou em 2009. Anos depois, o mesmo tipo de colaboração seria formado com o cantor pop Adam Lambert. Aí, as associações e afirmações grosseiras de “continuação do grupo original” seguiram-se de forma bem mais intensa. Os fãs mais conservadores torceram o nariz: afinal, para um grupo que trouxe alguém do nível de Rodgers, apresentar um cantor jovem e pouco aclamado foi algo arriscado. Mas os senhores Brian e Roger gostaram do garoto, e seguem felizes com ele.

    E o que John Deacon sempre pensou disso? Ele não quer estar envolvido em gravações e shows ao vivo e em 2001 até teceu críticas a uma gravação de seus ex-colegas com Robbie Williams, através do The Sun. Dentro do que certamente uma parte de pessoas acham, o músico prefere manter preservada a memória da banda. Enfim, não adiantou Mercury e Deacon estarem de fora e o Queen, de fato, não existir mais, a imprensa dirigiu para meio mundo que se tratava de um “retorno” e que Adam era o “novo vocalista”. Reportagens superficiais e mal apuradas brotaram aos montes no UOL, G1 (e pasmem, até na Superinteressante!), confirmando outro dado lamentável: de todos os textos que eu li, apenas um publicado na Folha de S. Paulo, cujo artigo é uma crítica negativa da apresentação, citou o ex-baixista como músico da formação clássica.

    Isso vem a revelar, além da má apuração de muitos jornalistas (não é o foco deste texto), é que as pessoas, no geral, parecem ter perdido completamente o discernimento entre um grupo original em ótima forma, um grupo original cansado e nas últimas, um músico substituto, ou até mesmo um tributo. Chamar de “Queen” um grupo com metade da formação clássica e um músico convidado é brincar e zombar com a inteligência do leitor. Esta superficialidade nas matérias seguiu-se diretamente para os comentários na rede. Usando as notícias como base, pessoas passaram a sustentar teses e opiniões acerca da apresentação, partindo de pressupostos equivocados.

    OK. Sobre a apresentação, assisti, e como alguém que gosta bastante do trabalho e do legado do Queen, sofri muito, especialmente nas primeiras músicas. Ver Roger Taylor, sempre o mais enérgico dos quatro, em uma performance evidentemente menos acelerada e com a ajuda do filho, é o atestado de que a idade, infelizmente, hora ou hora alcança a todos. Adam Lambert cantando, sem qualquer tipo de alma, a lindíssima “In the Lap of the Gods…Revisited”, foi o ápice da minha agonia. Brian May é o alívio da apresentação. Um músico visivelmente honesto, estava ali, com sua Red Special. Depois disso, o show até melhorou. Não que a performance da dupla e de Adam tenha ajudado, mas o repertório, juntamente com o público que em uníssono cantava as músicas, deixou a experiência menos amarga e mais nostálgica. Definitivamente, lá no fundo, você vê o quanto o rock de arena da banda é eficiente mesmo em uma performance tão plastificada. E, no fim, dentro de uma zona de conforto extrema, a apresentação, aparentemente, funcionou. Mas para falar a verdade, nos dias de hoje, outras bandas, como o Muse, conseguem mostrar mais a “alma” do Queen do que os próprios May e Taylor (já ouviram o disco The Resistance? Aquilo seria o Queen do século XXI).

    https://www.youtube.com/watch?v=L6StSABIa4k

    É ouvir e comparar (não simplesmente os vocalistas, mas toda a química de banda em torno)…

    https://www.youtube.com/watch?v=kO_w7GHMAUw

    Os dilemas do Queen, em diferentes contextos, se aplicam a várias bandas clássicas e com nomes já escritos na história. Afinal, como esquecer o The Who, ainda na ativa com apenas dois integrantes vivos? O que dizer das mudanças no AC/DC do ano passado para cá? Os desgastes cruéis no Yes e as inúmeras formações no Nazareth? E os inúmeros contratempos que atingem o Black Sabbath? Por fim, Motörhead e a lamentável situação do vocalista Lemmy? Esses são apenas alguns exemplos dos limites extremos que estes grupos, de longa trajetória, tem alcançado. Os motivos? Obviamente, são vários, e dependem de cada situação. Mas, no geral, podemos afirmar que estes caras viveram a vida inteira nos palcos, e se dissociar desta rotina não é fácil. E, claro, a indústria da música explora nomes estabelecidos o máximo que pode, pois há um público consumidor muito forte desta música. A internet, por outro lado, até hoje deixa as gravadoras, que antes monopolizavam tudo, confusas.

    Considerando isso, o Rock in Rio, em 2015, pode ser facilmente considerado como uma edição abarrotada de comodismo. Muitos, em contrapartida, afirmam que este ano é uma exceção, pois comemora-se os trinta anos, desde a primeira edição. Mas, analisando todas as atrações, existem alguns nomes que não serão atrações principais, mas que poderiam, tranquilamente, debutar e nos oferecer uma visão de “novidade”: Mastodon, Lamb of God, Queens of Stone Age e Deftones.

    Minha preocupação com isso também se reserva a bandas novas e que tentam seu lugar ao sol. Todo mundo está careca de saber que grupos autorais não tem espaço frente aos conjuntos que tocam covers. Todo mundo sabe que ser músico independente é difícil, e muitas pessoas, de certa forma, querem culpar o chamado “rock clássico” nisso. A minha impressão, por incrível que pareça, é que músicos destas bandas, na verdade, são vítimas e reféns de seu próprio trabalho. No fim das contas, a situação é muito mais complexa e envolve a indústria, gravadoras e, principalmente, público. O baixista do Deep Purple, Roger Glover, utilizando uma abordagem interessantíssima, diria em 2011 que o lance de “classic rock” atrapalha. Interessante, né?

    Por fim, nesta abertura de Rock in Rio, todos estiveram satisfeitos. O público que, em algum momento, alimentou a fantasia de que aquilo foi uma grande, maravilhosa e legítima apresentação, a organização do festival, que lucrou e, em momento algum, se arriscou, além de Brian e Roger, que descansam sob os louros e o legado que construíram. Quando se olha com os olhares da indústria, infelizmente sujeitos como John Deacon parecem loucos.

  • Confira os álbuns indicados ao Grammy Latino 2015

    Em sua décima sexta edição, o Grammy Latino divulgou sua lista de indicados. No meio nacional, nomes como Humberto Gessinger, Banda do Mar, Malta e Pato Fu competiam entre categorias de música brasileira, rock e outros gêneros. Para o meio cristão brasileiro, vários discos também entraram dentre os finalistas.

    Este ano, a gravadora MK Music foi recordista em indicações. Os discos Ao Vivo (Anderson Freire), Da Eternidade (Fernanda Brum), Não Vou Desistir (Wilian Nascimento) e Como Águia (Bruna Karla), todos com distribuição da distribuidora carioca, receberam espaço dentre os finalistas. Como exceção, a cantora Jane Gomes, com um lançamento independente, chamado Posso Tudo Nele.

    Em 2012, a gravadora causou polêmica por publicar uma pauta sobre a vitória de Aline Barros, antes do comitê anunciar o vencedor que, naquele ano, foi Aline, com álbuns Aline Barros & Cia 3.

    Confira todas as indicações na página do prêmio.

  • Entrevista: Murilo Braga

    Ele fez parte de várias bandas de rock nos anos 80 e 90. Fez parte do Complexo J, e também do Rebanhão. Participando de vários projetos no meio protestante e no meio não-religioso, Murilo Braga é um nome experiente quando se trata de música feita por cristãos. Leia nossa entrevista com o músico, que falou sobre os projetos com a volta do Complexo J, o movimento gospel e seus trabalhos paralelos.


    O PROPAGADOR – Antes de tudo, quais sempre foram as suas principais referências musicais? O que você mais gosta de ouvir?

    A primeira vez que a música me pegou de jeito eu tinha 11 anos. Um amigo, um pouco mais velho, colocou o disco Help dos Beatles. Aquilo me fez tão bem que não sosseguei até meu pai comprar pra mim… (risos). Ele me deu numa noite de sexta e acordei às 6h pra ouvir sem parar até às 9h. Virei um “beatlemaníaco” e com 12 anos sabia tudo deles, tinha tudo. Depois fui crescendo e descobrindo o som dos anos 60 e 70, décadas onde se criou toda a base do pop e rock. Ouvia Kiss, Led Zeppelin, Peter Frampton, Pink Floyd, Deep Purple, Elton John, Rush. Hoje ainda ouço muito, mas estou mais eclético. Ouço de tudo, menos funk de baile e pagode pop.


    O PROPAGADOR – Como se deu a sua entrada no meio musical?

    Foi no susto em 1981! (risos) O Rebanhão estava nos primeiros passos e eu fazia parte de uma igreja americana, a Maranatha Ministries (não existe mais). Os pastores trouxeram a cultura do rock cristão e formaram uma banda na igreja, o Novo Começo. Tentei a vaga para o violão, já que o baixo estava ocupado. Fiquei de fora. Marcaram uma apresentação da banda na Concha Acústica da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e o guitarrista não ia aparecer. Ligaram pra mim às presas pedindo que o substituísse. Fui pra lá cheio de medo. Timidez era meu sobrenome (risos). Dispensaram o guitarrista pela falta e assumi o posto. Como era baixista e não sabia solar na guitarra, sugeri o Helio Zagaglia, que depois veio a ser fundador e toca no Complexo J, pra fazer outra guitarra. Dali veio muita história.


    O PROPAGADOR – Quando o Complexo J começou nos anos 80, o mercado musical no meio evangélico ainda era incipiente, mas algumas bandas já existiam, como o Rebanhão e Sinal de Alerta. Como foi esta fase de início de sua banda?

    Aqui eu peço licença pra responder em duas partes. Pessoalmente, fiz parte da fase inicial do movimento de música cristã pra jovem, pra rapaziada, pra tocar nas praças, praias, points, e ser ouvido. Isso se deu comigo no Novo Começo em 1981 e a maior dificuldade não estava na sociedade. A galera curtia e ouvia música com letras mais livres, falando de Jesus com ritmo pesado, roupas modernas, visual legal e nos aceitava. O problema se dava nas igrejas, especialmente as pentecostais e de linha mais legalista. Qualquer balada eles diziam que era heavy metal. Foi a época em que se pregou demais sobre o rock ser do diabo. Quanta infantilidade… Rolava perseguição. Mas o que nos importava era ver gente saindo das drogas, do vício, sendo feliz com Jesus. Quando entrei no Complexo J em 1989, o rock cristão vivia seu melhor momento, especialmente no número de grupos com oportunidade de mostrar um bom trabalho, especialmente porque nossas referências de composição estavam na chamada “música secular”. Até os 80 eram raríssimos os trabalhos cristãos de qualidade. Destaco o grupo S8 e os Vencedores, ambos vindos da década anterior.


    O PROPAGADOR – Na mesma época em que o rock cristão nacional ganhava força com o surgimento de bandas, o meio nacional fervilhava com notáveis e novas bandas, como Titãs, Paralamas do Sucesso, RPM e a Legião Urbana, enquanto ocorria, aqui, o Rock in Rio em 85. Você, como vivenciador desta época, acha que os músicos cristãos que gostavam de rock foram influenciados por este “boom”?

    Acredito que sim. O Rock in Rio de 1985 foi disparado o melhor de todos. Foi um ROCK in Rio. Assim como começaram a surgir bandas nacionais que ganharam a mídia, fazendo a festa de uma geração com o bom e velho rock and roll, no meio cristão o Rebanhão foi fundamental pra inspirar outros a montarem trabalhos semelhantes. Aqui vale ressaltar o nome do falecido Janires, o fundador do Rebanhão, que saiu do grupo em 1984, ano que “trocou seus jeans pelas vestes brancas do Senhor” conforme cantou… (risos). Ele era o “Raul Seixas de Jesus”. Um revolucionário na música cristã. Seu carisma era impressionante e levou o grupo a ser conhecido no Brasil todo.


    O PROPAGADOR – O Complexo J teve muitas particularidades em relação a maioria das bandas da época, como um vocal feminino (Liza) e por letras bastante atípicas. Essas narrativas e propostas já eram muito claras no início, ou foram se desenvolvendo com o passar dos anos?

    Eram naturais. Nada foi programado. A Liza também entrou na música no Novo Começo, também por indicação minha, depois que me efetivaram. Nós estávamos num treinamento de liderança da igreja nos Estados Unidos, e eu a ouvi cantarolando. Falei que ela deveria ser da banda. O pastor concordou que ela somaria no vocal e acabou entrando com o Hélio. O tipo de letras e de sonoridade estão relacionados ao que ouvíamos. O primeiro disco – Solidão, tem canções com elementos de rock progressivo, o que se percebe até o terceiro – Complexo J 3. No entanto, tem um pouco das influências de cada um.


    O PROPAGADOR – Alguns músicos cristãos deste período se queixam acerca de desonestidade por produtores de eventos e adjacências. Em algum momento, no Complexo J, aconteceu com a banda?

    Eu estou de volta à banda desde o final de 2014, depois de 22 anos. Estive entre 1989 e 1992. Gravei o segundo e terceiro trabalhos (Arte Final – 1990 e Complexo J 3 – 1992). Dá pra responder de forma geral à sua pergunta porque a banda nunca fez exigências financeiras pra tocar. Então, no aspecto desonesto de não pagar o combinado, nada a declarar, porque a gente espera a consciência de quem nos chama e entenda que temos despesas, e consciência tem-se ou não. Mas quando foi preciso viajar, transporte, hospedagens e refeições nunca faltaram.


    O PROPAGADOR – Após dois discos lançados, vocês participaram do Programa do Jô. Como se deu esta entrevista e, na época, qual o impacto na carreira da banda?

    Complexo J e Jô SoaresA banda estava prestes a lançar o que considero (e parece que dizem ser) o mais marcante trabalho do grupo: o Complexo J 3. Tínhamos um amigo que quis ser nossos relações públicas, e foi ao SBT e deixou o Solidão e o Arte Final na mão do Jô. Alguns dias depois, a produção fez contato dizendo que o “gordo” queria fazer uma entrevista com a gente. Ficamos surpresos e felizes! Na época, o Jô fechava seus programas entrevistando alguém da música, que se apresentava no encerramento. Tudo transcorreu bem, mas rolou um pequeno mal entendido, contornado, mas que nos fez suar de tensão. A produção falou que o tema da entrevista seria “Deus é Real”, nome de uma canção do disco Solidão. Como foi-nos dito que a música era uma sugestão e nós nem tocávamos nos shows, pegamos uma do disco novo, demos “um gás” na passagem de som, e depois que só teríamos como tocar pra valer diante das câmeras, soubemos que não tínhamos escolha: a música não poderia ser outra! Tivemos que “ensaiar de boca” no camarim! “Martinho, a batera faz tum-ta-tchun-ta”…”e Helio, entra o solo depois que o Zé Carlos mandar aquela parte pirauã…pidauê”…”Murilo, marca o baixo pedal”…”Vamos lá, lembra o vocal Liza?…É…Não…Isso!” Foi por aí! rsrs. No final deu tudo certo pela graça de Jesus! Tá no YouTube. O público não entende porque rimos quando o Jô diz: “é Deus é Real que vocês vão tocar, né???!” Hahahaha. Foi importante pra abrir o leque de oportunidades pra tocar. Nós queríamos falar melhor de Jesus no programa, mas estávamos muito tensos com a parte da música no final. O que pode ter atrapalhado um pouco o nível da oportunidade foi que 1992 foi um ano de mudanças intensas.


    O PROPAGADOR – Depois, vocês assinaram com a MK Music e lançaram a obra-prima da banda, o disco 3. Inclusive, recentemente, o álbum entrou em nossa lista dos 100 maiores álbuns da música cristã brasileira. Este disco certamente se destaca por ter letras com temáticas mais ousadas e polêmicas e pelos hits que teve. Como se deu a produção deste disco? Alguma composição deste projeto lhe é especial?

    É preciso esclarecer um pouco melhor sobre o Complexo J 3. Primeiramente ele foi gravado pela Anno Domini, um selo novo aberto pelo baterista da época, Martinho Luthero. Depois de lançado, ele encontrou problemas com distribuições e divulgação. Nossos melhores divulgadores foram, e ainda são, o público. As pessoas compravam e falavam “uau, que trabalho maneiro!” e assim o disco chegou a ter sua crítica positiva publicada em O Globo pelo jornalista Mauro Ferreira, que tinha nos entrevistado e ao Rebanhão para uma matéria de capa do Segundo Caderno em 1990. Sinto uma grande alegria de ter feito esse trabalho com o grupo. Chegamos a vender 250 discos em 2 noites numa igreja em Santos (SP). Nós éramos os distribuidores… (risos). Em 1993, a formação já havia mudado quando a MK comprou a matriz. Prensou uma quantidade, distribuiu, mas não divulgou. Decidiu gravar um novo trabalho. Com todas essas dificuldades, sem apoio da mídia, praticamente no “ouvi dizer”, o disco é falado até hoje. É comovente vê-lo em 13º lugar dentre todos os trabalhos lançados na música cristã em todos os tempos. Infelizmente, eles nunca se interessaram em lançar em CD.

    Sobre composição especial, existe uma composição minha – “Abra Seus Olhos”, composta com outra letra aos 16 anos. Aos 19, no Novo Começo, mudei para a letra gravada e criei uma encenação enquanto cantava. Colocava um roupão preto com uma interrogação na frente e rasgava na estrofe final. Tinha muito impacto no público, e eu poderia contar várias situações diferentes e impressionantes. A mais marcante foi no festival de bandas de rock da antiga “rádio rock”, a Fluminense FM. A gente se meteu no meio de bandas de todo tipo e mandamos rock falando de Jesus. Os malucos ficaram mais malucos me vendo rolar no chão e rasgar o roupão (detalhe: tinha roupa por baixo… rs). O Evangelho é loucura para os que creem. Mas isso é um detalhe. Esse disco soa como um todo. Gosto dele inteiro.


    O PROPAGADOR – Após o disco 3, você deixou o Complexo J. Quais foram os motivos da sua saída da banda?

    Eu tinha um convite para assumir um culto de domingo à noite na igreja que frequentava. A ideia era que meu visual de cabeludo aproximasse os jovens. O louvor seria mais “barulhento” e eu pregaria. Chamava-se “Giro 180”. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que banda é parecido com casamento, só que mais complicado: não são duas pessoas na busca de entendimento pra andarem juntas, mas 4..5..6..8 pessoas. Nós dialogávamos bastante. Não tivemos nenhuma briga, desentendimento, mas chega um momento em que todos tem razão, só fica complicado equacionar prioridades. Percebi que em alguns pontos eu iria violentar minhas convicções, então conversamos, fiz meu show de despedida, choramos juntos no final, e agora voltamos.


    O PROPAGADOR – Quando o Rebanhão passava por profundas mudanças de integrantes, você permaneceu como baixista, com eles, por cerca de um ano. Como se deu a sua entrada no grupo?

    A banda estava com Paulinho Marotta no baixo e Pedro Braconnot como integrantes originais do primeiro disco. Paulinho teve um convite de trabalho na área dele (engenharia) fora do Rio de Janeiro e meu nome surgiu em consenso com Pedrinho, que me ligou. Eu havia acabado de pedir pra sair da liderança do Giro 180, porque percebia que meu lugar era na música. Fiquei muito feliz e honrado com o convite. Pedro me falou que o afto de conhecer a banda desde o início, ser amigo da turma, ter as condições técnicas e entender a missão, eu seria o mais indicado. Foi muito bom. Tocar com Pablo Chies, Serginho Batera (depois Wagner Carvalho), Pedrinho, Dico Parente (que cantor de rock!) e Zé Canuto foi um presente. Praticamente um ano depois, a banda teve convite para excursionar pelo nordeste. Eu tinha emprego fixo. Aí foi final da linha.


    O PROPAGADOR – Você se lembra, mais ou menos, dos músicos que passaram nesta época na banda ou alguma situação em especial no tempo em que ficou com eles?

    Lembro de todos! No Complexo J não houve mudança de membros. Era Martinho Luthero (bateria), eu (baixo, gaita e voz), Marco Salomão (Voz e guitarra), Helio Zagaglia (Guitarra), Zé Carlos Salgado (teclados) e Liza Zagaglia (Voz). Histórias marcantes? Vou acabar com o seu espaço (risos). Pra falar por alto: entrevistas para O Globo e Jô Soares. Tocar no Festival de Bandas de Rock e ser premiada com uma das melhores bandas dentre 100 competidoras (o prêmio era ter uma faixa gravada num disco produzido pela rádio). Tocar na Catedral Metropolitana do Rio, num festival católico, a música “Ressuscitou”, debaixo de um crucifixo de uns 10 metros com Cristo pendurado na cruz foi muito legal (apesar de saber que católicos creem que Jesus ressuscitou também). Ah… e tem coisa que eu não gosto de contar, do tipo “orei pelo cego e ele enxergou” (não rolou isso). Motivo: não sou nem somos NADA. Quem fez e faz qualquer coisa é Jesus. Só contei fatos legais e marcantes pra gente.


    O PROPAGADOR – Os anos 90, no rock feito por cristãos, foi muito marcado pelo “movimento” das bandas da Renascer, mas no Rio de Janeiro, além de Rebanhão e Complexo J, tinham outras bandas como o Catedral. Como era a relação de vocês com tudo aquilo que ocorria na capital paulista e com as bandas do Rio?

    Era ótimo no princípio de tudo. Com o Complexo J fiz shows grandes junto com o Resgate. Ficamos amigos da formação original do Katsbarnea. Tocamos junto com Oficina G3. Era um tempo ainda “pré-gospel”. Ainda se podia ver amor falando mais alto que o mercado, que a grana, a fama, o glamour.


    O PROPAGADOR – O movimento gospel, ocorrido nos anos 90, causou uma intensa mudança no meio musical protestante em geral. Você acha que essas mudanças foram benéficas?

    Benefícios só no aspecto de investimentos maiores na infraestrutura de mercado. Passou-se a gravar melhor, se tornou mais profissional o resultado da sonoridade. O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica. A Renascer de Estevam Hernandes, homem de marketing, junto com Toninho Abbud, dono da Gospel Records e publicitário, conseguiu colocar todo mundo que canta música cristã como “gospel”. Gospel Music é um estilo de música americano, logo não pode haver “rock gospel”, “samba gospel”. O que passou a acontecer desde então foi uma mercantilização cada vez maior da música cristã, chegando ao que temos hoje. Minha resposta? Maléficas! Não confundam com malignas! Mudou pra pior. Hoje vemos gente que sonha em ser cantor(a) gospel “pra honra e glória de Jesus” mas eu pergunto se esse sonho se mantém de pé se for pra cantar por amor, ou aceitando ofertas voluntárias. Há igrejas que investem grana nos músicos pra ver se gravam “os levitas” e fazem um CD e um DVD, e “se Deus nos abençoar”, na MK (porque se for no Rio, dá pra garantir que vai tocar na rádio e vai chover convite). Junto com essa onda de fazer sucesso, tem a máquina de “compor sucesso”. Lixo! Letras sem conteúdo, ou mesmo sem sentido ou base no Evangelho! Outro dia ouvi cantarem numa igreja uma letra que dizia “Espírito Santo, ore por mim”. Provavelmente porque diz que o Espirito intercede por nós. Deve ser de algum cantor gospel desses que cobram 10 mil pra cantar 3 “louvores” em playback! Tiago, se eu for falar o que eu sei de malefícios vindos desse gospel que está aí, não paro de falar e de ficar chateado.


    O PROPAGADOR – Depois do Rebanhão, quais projetos musicais você tem participado desde então?

    Depois do Rebanhão eu fui chamado para uma banda que fez sucesso nos anos 80 junto com Radio Taxi, Blitz, Herva Doce, etc, chamada Grafite. Explodiu em 84 com a música Mamma Maria. O líder fundador havia se convertido e era pastor. Remontou o Grafite cristão. Fui fazer a voz e guitarra-base, mas logo assumi o baixo. Um ano depois, todos cristãos na banda, pensamos que o lugar de ser luz era fora, e que o Grafite deveria lutar pro espaço na mídia secular. Fiquei no grupo até 98. Tim Maia ouviu nosso CD e elogiou. Chegamos a meio passo de estourar, mas a mídia decidiu lançar o axé do Tchan. Fiz um único show solo cristão em 2000, e não prossegui. Voltei para bandas. Ajudei a montar algumas, mas só em 2004 comecei a tocar novamente profissionalmente. Montei bandas-tributo e covers, todas seculares: Vid Versus, The Kalks e desde 2008 toco nos Rockólatras que faz flash back do rock dos anos 60 aos 90. Fiz gravações ao longo do tempo, e no final do ano passado retornei ao Complexo J na proposta de retomar a pegada do Complexo J 3. Também tenho um projeto de power trio pra 2016 com um guitarrista que já tocou no Rebanhão e hoje toca na noite, Chello Freitas, e um batera que gravou com Bruce Dickinson do Iron Maiden.


    O PROPAGADOR – Como você vê a música dita gospel atualmente? Em que, talvez, é preciso melhorar?

    Eu não vejo nem ouço… e pra ser honesto, nunca fui de ouvir rádio evangélica. O que eu gostava, eu comprava. Nunca curti rádio. Por isso sempre tive muitos discos e tenho CDs, DVDs e mp3s aos montes. Mas pra melhorar a dita “gospel” tem que começar pelo espírito da coisa. Não estou generalizando, porque tenho certeza de que tem gente boa e honesta, mas que vive cercada de corrupção. É preciso OUVIR música de qualidade pra COMPOR melhor. Ler e prestar a atenção em grandes letristas, na poesia, e sair do mantra. Parar de compor música como se fosse ração pra gado: aprende algumas sequências de acordes que mexem na emoção das pessoas, e só alteram a melodia. Encaixam umas letras colocando as palavras-chavão fora de ordem, e está pronto o novo sucesso gospel. É incrível, como dá pra identificar quando é gospel às vezes por um trechinho de 10 segundos!


    O PROPAGADOR – Nos últimos anos, tem-se visto a volta de bandas que outrora encerraram as atividades, como o Stauros, a Banda Azul, mais recentemente o Rebanhão, e agora o Complexo J. Como se deu esta reunião de vocês?

    Complexo J 2015A banda nunca parou, mas fala-se que depois do Complexo J 3, os novos integrantes deram uma nova roupagem ao grupo, e os fãs da banda gostavam mais da fase anterior. Um fato: os músicos que entraram eram (e são) tecnicamente excelentes. O que eu notei também foi isso: o estilo mudou. Aí o público também muda. Recentemente, a banda estava apenas com os dois membros da formação original, Marco Salomão e Helio Zagaglia, ainda sem novos rumos. Sem saber de nada, comentei com o Helio, que voltaria a tocar na banda com prazer. Pouco depois ele e Marco me chamaram pra conversar e me falaram da gente resgatar a pegada roqueira. Topei e aqui estamos.

    Sobre o retorno de bandas antigas, que podemos de chamar do rock cristão brasileiro de base, a explicação é simples. Cresce o número de pessoas com saudade do som que fazíamos, das letras, do bom clima, da ausência de competição pelas luzes, fama. A gente toca coisa de 30 anos atrás e pensam que é coisa nova e gostam! O povão se acostumou com o “gospel” e quando alguém mostra algo mais consistente, acham que “a revolução está começando” (risos). Não. Ela estava ganhando raízes quando o mercantilismo tomou conta.


    O PROPAGADOR – O que o público pode esperar desta volta do Complexo J? Terá algum registro de inéditas, ou vocês pretendem apenas se apresentar com o material já lançado?

    Por enquanto, estamos apresentando o material já gravado, resgatando o dos 3 primeiros trabalhos que deram a marca mais forte ao grupo, e pra 2016 os planos são inserir novas composições e músicas seculares que são Evangelho puro. Muita gente pelas igrejas não consegue ouvir porque se fecha, mas Deus está falando através de Beto Guedes, Teatro Mágico, Rod Stewart…


    O PROPAGADOR – Deixe uma mensagem/recado para os nossos leitores.

    Antes de tudo: AMEM!! Jesus disse aos apóstolos: “Vocês serão conhecidos como meus DISCÍPULOS pelo AMOR que tiverem uns pelos outros”. Deus escolheu ser amado no seu próximo. Alguém tem sede? Água pra ele. Fome? Rango! Tá doente, preso? Visita. Tá fazendo tudo pra Jesus. É isso que vai fazer a diferença quando chegar diante dEle.

    Pra quem quer ser músico cristão: seja músico. Cristão você já é. Não pense em luzes. Já vi as luzes e a fama. Ilusão. Grana corrompe. Cuidado. Pense no Evangelho e no amor pelas pessoas.

    Curtam a página do Complexo J no Facebook, e quem quiser ser meu amigo(a) por lá, Murilo Kardia Braga, só mandar uma mensagem dizendo: “li sua entrevista e quero ter você entre os amigos” e o pedido. Será um prazer.

  • TOP 10 – músicas sobre a imperfeição humana

    Somos pecadores, com Cristo morrendo por nós, nos sustentando por Sua graça. E é por ela que continuamos a caminhar e viver. No entanto, continuamos imperfeitos, lutando diariamente para a perfeição, até o dia da eternidade. Por isso, trouxemos dez canções cristãs sobre a imperfeição humana.

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    Pai, eu não Confio em Mim – Thalles

    Single do álbum Sejam Cheios do Espírito Santo, “Pai eu não Confio em Mim” é um tema recorrente na carreira do cantor: as tentações e desejos do mundo que, muitas das vezes, tentam cegar os cristãos. Por nossa fraqueza, não podemos colocar nossas expectativas sobre nossas forças, mas confiar no Pai. (2013)

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    Entrega – Daniela Araújo e Lito Atalaia

    Daniela Araújo e Lito Atalaia duetam, nesta que é uma das canções mais fortes do álbum Criador do Mundo. Refletindo que, mesmo convertidos ainda podemos nos perder, caindo na hipocrisia e farisaísmo, por nossa imperfeição, devemos nos entregar por completo a Deus. (2014)

    https://www.youtube.com/watch?v=ylX-Zi3xLXw

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    Imperfeito – Anderson Freire

    O oitavo lugar vai para Anderson Freire, com “Imperfeito”. A canção fala acerca do nosso olhar julgador, que muita das vezes não se apercebe dos erros que existem em nosso coração e em nossas ações. Assim, o eu lírico pede que Deus o ajude a melhorar. (2010)

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    [tab title=”7º”]

    Assim Caminha a Humanidade? – Resgate

    A única faixa inédita da coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito, é uma reflexão autobiográfica do vocalista do Resgate, Zé Bruno, concluindo que o mundo constantemente vive em desespero, incapaz de viver em harmonia, buscando soluções para inúmeros problemas, enquanto Deus observa nossa loucura com Sua singular perfeição. (2011)

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    O Sangue de Abel – Fruto Sagrado e João Alexandre

    Uma das canções mais fortes do Fruto Sagrado e que também aborda a imperfeição humana. Nela, com a participação de João Alexandre, é pedido perdão a Deus por todas as atrocidades e criações humanas que derramaram sangue, provocaram dissensões, ódio e terror. “Perdoa-nos oh Deus / pois o mal que semeamos / tem se virado implacavelmente contra nós“. (2003)

    https://www.youtube.com/watch?v=LbpFg5O9Si0

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    [tab title=”5º”]

    Seis da Tarde – Heloisa Rosa

    O quinto lugar vai para Heloisa Rosa, com “Seis da Tarde”. Uma de suas canções mais introspectivas, é focada na queda do homem no jardim do Éden, com letra bastante poética. O refrão é forte e direto: “estou aqui / no Teu jardim, oh Deus / estou aqui / não quero mais me esconder de Ti”. Contém a participação dos integrantes do Palavrantiga na execução instrumental. (2006)

    https://www.youtube.com/watch?v=xs5qhkqKAjA

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    [tab title=”4º”]

    Deus me Ama – Mariana Valadão

    Escrita por Thalles, esse sucesso de Mariana Valadão é simples, básico, mas profundo. Mesmo com nossos erros e pecados, Deus continua sendo Deus e nos amará. Foi por isso que Ele entregou seu único filho para morrer por nós, um amor, sem dúvida, incondicional. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=pctmGAmGBNM

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    [tab title=”3º”]

    Até Quando? (Humanos) – Oficina G3

    Um dos principais hits da Oficina G3, “Até Quando”, geralmente apelidada de humanos, é direta no ponto da imperfeição humana, citando exemplos de pessoas que ainda possuem a dificuldade de viver o amor de Deus, seja por atos de religiosidade, ódio ou simplesmente ignorância. Assim, questionam “quando vamos viver a vontade do Deus Pai? / De viver seu amor, de vivermos em paz?” (2002)

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    [tab title=”2º”]

    O Espelho – Voz da Verdade

    A medalha de prata vai para o Voz da Verdade, com o clássico “O Espelho”, o qual intitula um de seus álbuns. A canção é direta na nossa dificuldade em praticar o bem, muitas vezes tendendo ao mal. Por isso, o eu lírico pede a Deus que permita-o servir mesmo em sua imperfeição. (1999)

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    Sou Humano – Bruna Karla

    Sucesso de Bruna Karla, “Sou Humano” venceu como a melhor música no Troféu Promessas de 2011, e não foi por tanto. A canção foi hit em grande parte das igrejas evangélicas de cunho pentecostal. Sua letra é direta na temática da imperfeição humana, pedindo a Deus força para continuar. Um dos vídeos dessa canção no YouTube possui, até o momento em que este post é escrito, quase 70 milhões de visualizações, um número absolutamente incrível. (2009)

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Ainda não é o Último

    O Resgate é uma banda incrível. Não é somente porque sua formação é bem sólida, devido ao sentimento de amizade que seus membros alimentam entre si, mas também porque, apesar de suas limitações, a banda sempre se esforçou para melhorar o seu som e se tornar relevante. Muitas bandas de alta qualidade, e de músicos com egos altíssimos ficaram pelo caminho, e o Resgate, na sua limitada capacidade, seguiu ativo e surpreendendo.

    A melhor coisa que aconteceu para o grupo, então, foi a entrada de Dudu Borges. Quem imaginaria que um dos produtores, senão o produtor musical mais requisitado dos últimos anos, seria integrante de uma banda de rock cristão cujos integrantes afirmam não serem grandes músicos? Dudu foi uma peça muito importante para a renovação que sua música sofreu nos últimos anos.

    Após Até eu Envelhecer, muitas coisas mudariam em volta da banda. A gravadora Gospel Records, que distribuiu discos do grupo desde os primeiros anos, encerraria as atividades. Os escândalos em relação à Igreja Renascer em Cristo balançaram (e muito) a confiança de muitos membros. Zé Bruno também chegou a ser deputado, foi investigado por um suposto envolvimento de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro através de igrejas laranjas. Zé foi inocentado, mas, em 2010 deixaria a igreja, ação que também foi tomada pelos demais integrantes.

    Em 2009, o executivo Maurício Soares pretendia lançar uma gravadora própria, e o Resgate era sua primeira parceria. Quando foi convidado para estar à frente do selo gospel da Sony Music Brasil, o Resgate acabou se tornando a primeira contratação. Mais um fato inusitado para uma banda que já não estava dentre os “gigantes” há muito tempo.

    Enquanto isso, o grupo preparava Ainda não É o Último. A obra foi gravada no estúdio VIP, de Dudu Borges. Por ter sido gravado no estúdio do músico, a banda teve liberdade e tempo total para se dedicar ao disco. O hammond, rhodes e experimentações de Borges estão lá, em todas as músicas. Não foram utilizados teclados no álbum. Sem sintetizadores, o som é bem orgânico, vintage, mas ao mesmo tempo tem um som muito dentro do nosso tempo.

    Zé Bruno se superou como vocalista, e cantou muito bem as faixas deste álbum. Evitando exageros dos discos antigos, o intérprete se destacou, principalmente no single “Depois de Tudo” e “Neófito”. O vocalista ainda foi o compositor majoritário, mas as composições foram mais coletivas que nos últimos discos. Uma destas canções individuais foi “Jack, Joe and Nancy in the Mall”, uma brincadeira do músico, que mais tarde tornou-se uma ideia bastante original. O clipe da canção foi dirigido por Kako Alves, baterista do Militantes (banda que falaremos daqui a algumas semanas).

    Mas claro, os demais músicos também são dignos de nota. Hamilton Gomes está lá, na vanguarda, um pouco diminuído, enquanto você puder ouví-lo. O baterista Jorge Bruno e o baixista Marcelo Bassa cumprem o que as músicas pedem e não exageram. No fim, o que se ouve é uma banda experiente, coesa, mas vívida como nunca. Ainda não É o Último mostrou que é possível fazer um disco “pop e comercial”, mas, ao mesmo tempo, de qualidade. A obra foi lançada no dia 30 de abril de 2010.

    Segundo a banda, desde Praise, foi o primeiro projeto em que realmente terminaram as gravações e viram que o resultado tinha sido muito positivo. Foi o primeiro lançamento do selo gospel da Sony Music e, na minha particular visão, continua sendo, cinco anos depois, um dos três melhores álbuns que a música cristã viu nestes últimos anos.

    Convenhamos que, teologicamente falando, a banda saiu-se bem, de uma forma não vista desde o disco Resgate (1997). Mais, recentemente, foi incluso na lista dos 100 maiores álbuns da música cristã nacional.

    Com a saída da Renascer, o que gerou muitas críticas, e ao mesmo tempo elogios, Zé Bruno acabou fundando uma igreja, a Casa da Rocha. Desde então, o Resgate aumentou sua agenda. Dudu Borges, por sua vez, tornava-se mais conhecido como produtor musical, o que tiraria muito de seu tempo, como veremos em breve. Mas isso é assunto para outro post

    E antes de tudo: Dudu, volta para o Resgate! (risos)

  • Rocklogia – Um pouco de outras bandas independentes

    Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.

    Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.

    Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?


    Hibernia

    O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!


    Quarto Fechado

    O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.


    Lucas 9

    Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.


    Memora

    A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.


    Observ

    O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.


    Iahweh

    Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.


    Godcore

    O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.


    Os Oitavos

    Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).


    Hazerhort

    OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.


    Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.