A Aeroilis, como já dito aqui no site, foi o primeiro nome do chamado novo movimento. Em nossa última postagem, o grupo, em 2006, tinha um repertório para um próximo disco, mas uma série de contratempos ocorreram, o que demorou para a produção.
Não são todos que possuem a oportunidade de viver somente da música. Muitos músicos, a maioria deles, possuem famílias, outras atividades, e não podem se concentrar totalmente numa carreira musical. Raphael Campos e Arvid Auras, em 2008, estavam lá, firmes e fortes, juntamente aos novos integrantes Fi Silveira e Alan Wenning. A primeira faixa divulgada ao público foi a canção “Cega Inocência”, uma crítica subliminar aos cristãos que são enganados por falsas doutrinas. Com mais teclados, experimentações e uma produção musical mais afiada, era a prévia de um grande álbum: Nada Mais Além.
O disco foi lançado para download em 30 de abril de 2010 (mesma data do lançamento de Ainda não É o Último), e foi masterizado pelo experiente Lampadinha. Duas músicas em particular me agradam: “Não Importa Mais” e “Seguirei”. No geral, o trabalho é expressivo, consegue conter os vícios e exageros do primeiro e mesmo não nos deixando um clima de despedida, fecha muito bem sua curta discografia.
A ideia de lançar pela internet se mostrou bem acertada, com tantos downloads, o servidor teve problemas. Por isso, a banda acabou distribuindo o disco também em SMD, por um preço de cinco reais. O material ainda acompanha um pequeno encarte, com as letras das músicas.
https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE
O retorno do grupo aos palcos foi lento, mas ocorreu. Alguns shows foram feitos até 2013. O grupo se juntou a Tanlan e o Quarto Fechado em algumas apresentações, mas, em 2013, Arvid Auras anunciou o fim do grupo, uma decisão que partiu principalmente de Raphael Campos, tornando realidade, então, o fim da Aeroilis. No entanto, os dois discos produzidos, sem dúvida, ficarão na história do rock cristão nacional.
O disco Nada Mais Além, aliás, representa, em minha visão particular, um fim de um movimento. Após este disco e Esperar é Caminhar, do Palavrantiga (que falaremos semana que vem), o novo movimento parece ter deixado de passar o seu sentido original (uma resposta e contestação musical/lírica para a decadência do movimento gospel) para se tornar uma mera ideologia de mercado abraçada por artistas de vários gêneros. Aliás, seria muito incoerente um movimento de início nos anos 2000 perdurar por mais de uma década.
Para mim, o fim do novo movimento em meados de 2010 é visível, já que em 2011, vários novos artistas absorvidos pelo mercado, com poesias e músicas para o público jovem lançam discos de estreia, como Marcela Taís e Bruno Branco, além de ganhar força o conceito inconsistente de crossover, mercadologicamente falando, para a boca de artistas e gravadoras.
Aliás, o conceito de novo movimento ainda precisa ser melhor trabalhado aqui na Rocklogia, e estou convicto de que o próprio texto o qual escrevi ano passado encontra-se muito desatualizado e, em partes, equivocado. Mas um dia chegaremos lá, nem que seja em uma publicação futura. Prometo.
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