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  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2000 a 2004

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, iniciamos o período dos anos 2000. É uma época em que os grandes dos anos 90 continuaram a “dominar”, e cresce uma certa ‘crise’ na cena. No entanto, ainda somos brindados com bons discos. Por isso, confira a nossa seleção, dominada por Brother Simion e Fruto Sagrado.

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-1994 e 1995-1999

    [infobox title=’10º: Fóssil Praise’]Artista: Luciano Manga
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Luciano Manga - Fóssil Praise - 2003Jhonata: Esse disco me parece uma mistura simples e preguiçosa do bom hardcore norte-americano da época, música cristã contemporânea dos anos 80 e uma tentativa de pôr um rock nacional no negócio (entenderam?). Não é um álbum ruim como um todo, mas particularmente não gostei… é isso!

    João: A inclusão desse disco é bem-vinda. Um raro álbum de releituras de grandes músicas antigas no universo “gospel”, muitas da era pré-gospel, como as do mestre Adhemar de Campos (“Leão da Tribo de Judá” e “Nosso General”) e do VPC (“Somos Convidados”), além de boas versões para “Valéria” e “Naves Imperiais” da sua ex-banda Oficina G3. Poucos sabem o valor que esse disco possui, infelizmente meio que passou despercebido no início dos anos 2000 e a explosão do pseudo-rock “congregacional” (argh!) e os grupos de worship & praise cópias de Hillsong e os de “louvor jovem”. O rock gospel nessa época produziu muita banda boa, como Pontocom, Escarlate e similares, mas que ficaram tristemente relegadas ao esquecimento pela mídia evangélica.

    Márllon: Apesar de hoje em dia não o escutar tanto, quando o conheci ele não saia de dentro do meu rádio. A proposta do disco é algo que sempre gostei, pois como sou de berço Batista tradicional, estava mais do que acostumado com a grande maioria desses hinos e ouvi-los nesta roupagem foi bem bacana, principalmente porque eu estava começando a me interessar pelo rock em si. Tive o prazer de conhecer pessoalmente Eval Arantes, da banda Escarlate (que fizeram o instrumental do disco) e ouvi várias histórias sobre a produção do mesmo. Triste foi saber que as guias originais foram perdidas 🙁

    Thiago: Fóssil Praise do Luciano Manga é uma mistura de regravações de clássicos, como a “Paz do Senhor”, do Rebanhão, e canções com a banda Oficina G3. Hard rock, new metal e punk rock são encontrados nesse álbum. Eu não votei nele e, pessoalmente, não sou o melhor juiz para julgar se esse álbum deveria ou não estar aqui, mas a posição é justa, se estivesse mais acima seria injusto.

    Tiago: Fóssil Praise é o disco mais simples desta lista: Luciano Manga revisitando canções que por si só são ótimas. O cantor, ex-vocal do Oficina G3, desempenha bons vocais e faz versões interessantes junto a banda Escarlate. É o seu melhor trabalho solo e gostei demais por vê-lo aqui.

    [infobox title=’9º: O Segredo’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Fruto Sagrado - O Segredo - 2001Jhonata: Sem comentários.

    João: A todo momento que li essa lista me perguntei “O QUE ESSE DISCO FAZ AQUI?” Só isso tenho a dizer. OK, representou uma mudança na sonoridade do Fruto, que muitos amam essa fase dos anos 2000 (e eu tenho ojeriza), mas basicamente é um disco muito confuso. Só gosto de algumas faixas, e mesmo assim elas são muito desconexas.

    Márllon: Ah, aquelas prensagens promocionais de R$ 6,90 da Top Gospel (risos). Aqui a gente encontra de um tudo: pop rock, forrock, baladas, rap metal e por aí vai. Pode parecer mais um balaio de gatos, só que aqui a coisa é bem feita, com destaque absoluto para “O Novo Mandamento”, que, se fosse lançada por uma gravadora de maior porte, iria enjoar de tanto que seria tocada.

    Thiago: Muita gente pode discordar desse álbum ter figurado aqui, mas eu o considero uma boa produção. O Segredo representa uma nova mudança no estilo da banda, que vinha de uma obra diferente e baseada no metal progressivo, para o new metal, época em que o gênero estava na alta. Os trabalhos posteriores foram guiados pela mesma pegada. Há quatro canções que foram nesse caminho: “A Mensagem,” com seus riffs velozes e o bom solo de guitarra; “No Porão da Alma”, uma das melhores do disco, que tem peso e uma boa letra; “O Segredo”, o qual curti muito o arranjo de violão colocado; e “The Time Is Over”. “Forrock”, a melhor do disco, mistura o forró, o hardcore e o rock, aquela coisa à lá Raimundos, com uma crítica política, que soou, em parte, pouco profunda. O disco é recheado de baladas. Tem “Livre Arbítrio”, que é uma boa canção sobre perdão e pessoas desviadas, “O Impossível”, com a clássico ambiguidade amorosa da banda, mas essa é declaradamente a Deus e “A Resposta”. “O Novo Mandamento”, quase a melhor do disco, é uma balada que tem uma bela letra sobre o amor cristão, o novo mandamento, e uma boa crítica ao denominacionalismo e divisão no Reino de Deus. O grupo finalmente conseguiu se encontrar nas canções românticas (o que produziam do assunto era muito estranho) e “Love’n Roll” representa essa boa produção. A partir desse disco, o violão começou a ser mais usado e os teclados de Bênlio quase abandonados. Ainda contém três faixas instrumentais. Bom disco, eu diria que até merecia uma posição melhor.

    Tiago: Sinto sempre que há um apelo pró-FS e anti-FS nestas listas… desta vez, a galera anti-FS tem razão: O Segredo não merece estar entre os dez. É um disco sem um conceito bem trabalhado, um pouco preguiçoso e é conduzido como vai. Nem se compara a Na Contramão do Sistema (1993) e O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar (1995).

    [infobox title=’8º: Metal Nobre III’]Artista: Metal Nobre
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Metal Nobre IIIJhonata: Eu nunca gostei de Metal Nobre e, sinceramente me envergonho disso, porque na minha concepção musical, é necessário ter um motivo convincente para que o teu “não gosto” faça sentido para quem gosta. Mas, ouvindo esse álbum, entende-se um pouco o porquê há uma galera que gosta da banda: a única resposta que encontrei foi guitarras. Talvez para uma banda, sei lá, de hard/heavy metal, as guitarras sejam óbvias e eminentemente necessárias, mas os meus caros colegas terão que concordar comigo que o mínimo que esperamos de um grupo de rock são GUITARRAS. Então, considerar isso como um ponto para indicá-la nessa lista, seria de uma piada imensa. E esse deve ser o momento em que eu chego e digo: “porém, esse álbum é bom”, certo? Errado. Pra quem me conhece sabe o quanto sou chato com letras, e a lírica desse disco é uma piada, né gente? Imaginei meu irmão de 8 anos escrevendo isso. Sem mais…

    João: Particularmente eu prefiro o disco Revelação do MN, mas esse foi o primeiro disco que eu ouvi da banda, e realmente é ótimo (só não sei se tanto pros 10 mais, e se nos 10 mais, não sei se oitavo seria o correto). Não é tão “metálico” como os dois primeiros, mas rende momentos fantásticos. “Mensageiro” por muito tempo foi meu hino de guerra (risos). “Paraíso” com uma pegada meio rockabilly deixou o disco muito dançante. As baladas “Só Há um Deus”, “Volte” (que originalmente era da banda Akza) e “Vou Confiar” não são aquela coisa pedante e grudenta que muitas bandas fazem, o “Corinho” é bem divertido medley de canções clássicas (o MN ama fazer essas viagens no tempo) e as músicas “Apocalipse” e “Servo de Deus” garantem os momentos mais “metalheads”. “Blues 121”, outra regravação, dessa vez da antiga banda do JT, Kadesh (que virou Virtud anos depois), ficou bem melhor que a versão original, mais na linha do hard blues.

    Márllon: Nunca gostei do som do Metal Nobre em estúdio. Aliás, o único CD que realmente gosto deles é o ao vivo que foi lançado em 2002 e que tem parte de seu repertório baseado nesse disco, que, para mim, não fede nem cheira. Respeito o grupo e quem curte o seu som, mas não é pra mim.

    Thiago: Na lista de 95-99, afirmei que a entrada do Metal Nobre na lista seria mais justa que a do Rosa de Saron e acabou que  ela ficou de fora. Nesta lista, agora penso o contrário: MN não deveria estar aqui em comparação a outros discos e o Rosa de Saron poderia ter ocupado essa posição. Musicalmente, é um álbum bem produzido, com algumas canções de hard rock bem legal, como, por exemplo, as brilhantes “Mensageiro”, “Servo de Deus” e o blues rock de “Blues 121”, e “Apocalipse”, “Paraíso” e “Corinho”, mas as letras da banda e algumas baladas açucaradas demais a estragam.  Parece grupo de metaleiro gospel. Não há uma letra que se salva direito. E a voz de JT, que é até interessante, me dá mais ainda essa sensação. Não dá apara ouvir essa banda mais do que uma vez. Não é pelas repetições, no entanto é os mesmos assuntos e jargões tratados dentro do mundo do evangeliquês.

    Tiago: Metal Nobre é uma banda que tem uma importância enorme na descentralização do eixo Rio-SP, oriunda da região centro-oeste. OK, mas até hoje nenhum disco deles chega a impressionar. Metal Nobre III é um desses. Definitivamente, preferiria o solo Na Estrada, de Walter Lopes, no lugar. É um trabalho muito melhor e que quase ninguém se lembra.

    [infobox title=’7º: Na Virada do Milênio’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Na Virada do Milênio - Brother Simion - 2000Jhonata: Sem comentários. Por mais que esse álbum tenha boas referências, continuo não gostando do tal Simion.

    JoãoBrother Simion é o sinônimo básico de uma música do Katsbarnea: “Revolução”. Pois bem, e esse disco realmente foi algo fora do comum. A sonoridade está bem naquela linha que todo mundo queria fazer “na virada do milênio”, aquela transa transcendental de “Era de Aquarius”, new age, música eletrônica e ambiente. OK, tudo isso hoje em dia além de soar brega pra caramba é muito tosco, mas naqueles tempos era algo completamente novo, e o Simion soube se encaixar nessa viagem doida inteira muito bem. Lamento profundamente não ser um frequentador de bancas de revistas naquela época, pra comprar o disco direto de uma delas, outra novidade que infelizmente (ou não) ficou só com o Brother mesmo, quando ele lançou esse disco pelo selo do Lobão (outro louco incompreendido por muitos). Fantástico. “Sede”, “Profecia” e aquela faixa lá cheia de números e puro noise a lá Revolution 9 dos Beatles são as mais top do disco.

    Márllon: Não curto a carreira solo do BS, próximo item da lista.

    Thiago: Na Virada do Milênio me provou o ecletismo musical do Brother Simion. O álbum, com influências eletrônicas, mistura o techno e o rock. Outro disco que não votei, não o considero melhor que outros da lista para estar aqui. O disco tem muitas letras muito interessantes, e até cômicas, como “É Preciso Mais”. As canções são bastante incomuns, devido a influência estampada da música eletrônica. É o álbum mais exótico da lista, isso é óbvio. “A Marca”, “Uai! Why?”, “Onde Encontrar”, “É Preciso Mais”, “Caos” e “Help” foram as minhas preferidas. Uma obra que tem um instrumental com nome “01001011” e uma faixa silenciosa sem título, com toda certeza, não é nada comum.

    Tiago: É um dos discos mais ousados que o rock cristão nacional já viu. Naquela altura do campeonato, nenhum cantor ou banda sabia melhor onde chegar além de Simion. Na Virada do Milênio é uma combinação de rock alternativo e techno. A capa e todo o projeto gráfico me faz crer que há muita influência de Matrix no negócio: as letras versam sobre o caos na sociedade em vésperas de um novo milênio, a tristeza, a solidão, numa sonoridade estranha, as vezes que te aproxima, por vezes te repele. É um disco bastante difícil de digerir. Talvez seja por isso que, por vezes, seja daqueles álbuns os quais você ama ou odeia.

    PS: Aquela foto de Simion, Ciça e Jadão juntos, denuncia tudo…

    [infobox title=’6º: O Tempo’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Oficina G3 - O Tempo - 2000Jhonata: O Tempo tem boas letras, por mais que eu as ache pouco criativas. Juninho Afram segura a peteca do disco em vários momentos e deve ser por isso que o disco não se torna tão enjoativo. Indiscutivelmente, a faixa-título é a melhor do disco e ela vale por todo o resto. Se você ouvir só a faixa-título, você não precisa ouvir mais nada do álbum.

    João: Digam o que quiserem dizer: esse disco é muito bom. OK, é o nível mais extremo do pop que o Oficina G3 se enfiou, antes da tentativa TOSCA de sair daí com o Humanos (e outra tentativa muito mais bem-sucedida com o Além do que os Olhos Podem Ver), porém o disco é consistente, fácil de ouvir e curtir e certamente marcou uma geração inteira de fãs. Diversas pessoas que hoje amam rock cristão (e até vertentes mais pesadas como o punk e o metal) lá no início dos 2000 começaram nesse. É um disco legal, e também o primeiro a mandar uma banda cristã brasileira para o Rock in Rio (junto com Os Nazaritos – QUEM?) e pro TOP 20 da extinta MTV Brasil (quer dizer, isso se não contarmos com o Catedral na época do Para Todo Mundo). Não destaco faixas porque esse é um disco que vale a pena ouvir completo, da intro (uma das duas do Oficina desde q eles começaram com essa onda de intros que eu realmente gostei – a outra foi a D.A.G.) até à última faixa.

    Márllon: Hoje em dia nem escuto esse álbum, mas ele foi o responsável pela minha entrada (e de muita gente também) do mundo do rock. Falando através da nostalgia, é um álbum que foi muito especial, mas analisando friamente é apenas um pop rock comum e sem sal. Há alguns lampejos de criatividade aqui e ali, mas no geral fica muitíssimo aquém do que os músicos eram capazes. Aliás, o maior pecado desse álbum é dar início a praga que seria chamada de ‘Oficináticos’.

    Thiago: Muita gente deve ter rechaçado esse álbum para ele estar nessa posição. O Tempo, apesar de toda a crítica direcionada a fase pop rock da banda, é bom. Eu conheci Oficina G3 através da versão ao vivo desse lançamento e me tornei fã da banda. O disco representa uma mudança de estilo do álbum anterior, que era hard rock, para uma sonoridade pop rock, porém, não esse de fácil consumo que se apresenta no mercado, mas com mais técnica, cuja habilidade Juninho Afram, Duca Tambasco, Jean Carlos e Walter Lopes sabem esbanjar. Juninho Afram, seja em qualquer estilo, faz tudo da melhor forma possível, inovador, cheio de feeling nos dedos e no ouvido. As canções continuam tendo os típicos solos do guitarrista e também dos outros músicos. PG entra na banda, com a saída de Manga, para ocupar o espaço de vocal e, às vezes, de guitarrista base. As melhores são “Ele Vive”, “Atitude”, “Necessário”, “Brasil ” e  “Tua Voz”. A única realmente chata e horrível do disco, “Sempre Mais”, até começa com uma introdução bacana, mas é muito sonolenta e pedante no nível hardcore. “Preciso Voltar”, minha impressão é dualista, às vezes curto, às vezes detesto. As que eu não citei são todas boas. Esse disco merecia uma posição melhor.

    Tiago: O Tempo é um dos discos mais subestimados da Oficina G3. É pop, é açucarado, mas é a proposta feita com competência. Aqui o grupo mostra a proficiência em fazer baladas com um vocalista de grande habilidade para o gênero. PG entra com suas novas músicas (com aquele visual de quem quer ser o Bono Vox do cenário nacional). Mas no instrumental é Juninho Afram e Duca Tambasco que roubam a cena, especialmente com “Preciso Voltar”. Não consigo entender o porquê as pessoas, no geral, optam pelo Humanos, pior disco da banda. O disco sucessor faria uma mistura estranha e inconsistente de new metal com baladas pop rock. Foi cansativo, chato e pouco criativo.

    [infobox title=’5º: Seaquake’]Artista: Stauros
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Stauros - 2000 - SeaquakeJoão: Nunca fui muito fã desse disco do Stauros, não pelas letras em inglês (que são meio que um dogma no metal, então pelo contrário, é muito legal) ou pela sonoridade mais prog metal do que nunca (eu não sou tão fã desse gênero, mas esse disco não peca em excessos dreamtheatereanos), mas sim o vocal. Mil perdões ao Carlos César, que até que se esforçou no disco, mas Celso de Freyn é mil vezes melhor. Nesse mesmo ano uma banda menos conhecida, Getsêmani, lançou um disco também pela Gospel Records e o vocal se saiu bem melhor que o do César.

    Mas enfim, indo ao disco, os instrumentistas estavam mais inspirados que nunca. As faixas “Seaquake”, “Rusty Machine”, “Dance of Seeds” “Victory Act” e “Every Pain II” pra mim são as melhores do disco inteiro, fora a jornada de “The First Mile” e “The Second Mile” e a épica “Faith in the Arena”, com suas quatro partes, tornam o disco uma peça genial do metal progressivo (fora que a letra dessa última faixa é muito impactante por falar dos mártires cristãos). Quatro faixas desse disco foram lançadas numa coletânea da gravadora australiana Rowe Productions (do vocalista da lendária Mortification, Steve Rowe), junto com duas outras bandas do Brasil (Völlig Hellig, que mudaria de nome logo a seguir pra Belica, e a Light Hammer). Oficialmente, em 2000 quando a coletânea era planejada a mesma aparentemente teria mais bandas, mas só as três acabaram certas, o que foi ótimo pra elas, que apresentaram muito mais faixas pro mercado externo (o disco foi lançado na Austrália – edição limitada -, EUA e Brasil). Com isso o Seaquake acabou ficando bem conhecido no exterior, fazendo da Stauros a segunda banda de metal cristã mais conhecida do Brasil, depois da Antidemon.

    Márllon: Um álbum divisor de águas na carreira da Stauros. O vocalista da formação clássica não estava mais em sua formação, o estilo saiu do metal mais ‘clássico’ para algo mais prog e o português deu lugar ao inglês. De longe foi a fase onde a banda teve mais exposição, chegando a fazer abertura para o lendário Mortification em sua única tour pelo Brasil. A única cosia que me incomoda (e muito) é o timbre do vocalista César. Nos tons baixos ele arrebenta, mas chega os momentos mais altos e a coisa tende a incomodar. Gosto muito da faixa título, “Vital Blood”, das baladas “Every Pain II”, “Victory Act” e “Love in Vain”, além de “Faith in the Arena”, com claras influências de Metallica na fase do Black Album.

    Thiago: Seaquake esbanja heavy metal, metal progressivo e até thrash metal, de forma bem feita e a voz do tecladista César combinou bem com a proposta, apesar de destoar em algumas partes. Ao contrário da última produção, resolveu apostar em boas letras na língua inglesa. Eu faço parte da opinião que músico brasileiro tem que fazer música para o Brasil, porém esse disco consegue ser ótimo mesmo assim. Rusty Machine tem uma pegada que me lembrou da banda Metallica. The First Mile herda a mesma pegada. A balada “Victory Act” é inspirativa, com a camada de violão muito bem colocada. “Vital Blood” serve um prato de riffs cadenciados de guitarra, andando para o lado heavy metal. “Friendly Hand” caminha nos passos do “Vital Blood”, com guitarras bem melódicas. “Every Pain II” é uma exposição de progressividade que a banda sabe fazer. O disco também apresenta um banho de poesias bem escritas, com ideias bastante interessantes, como ter comparado o homem a uma máquina em Rusty Machine, e a bela letra da faixa-título. As canções citadas são poucas para o que Stauros proporcionou no disco. Foi justa a banda ter aparecido na lista.

    Tiago: Confesso que eu tenho preconceito com metal brasileiro em inglês. Engraçado né, geralmente é o contrário. Mas minha ‘birra’ é geralmente pela necessidade que muitas bandas possuem de se projetar internacionalmente, e pelo mau sotaque. Devaneios à parte, o disco da Stauros funciona. Demonstra uma clara mudança musical em relação ao anterior, tendendo para uma vertente mais progressiva, o que seria continuado em Adrift (2001).

    [infobox title=’4º: Eclipse’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Brother Simion - 2004 - EclipseJhonata: Não, pera! Dois álbuns do tal Brother Simion na lista? Eu não estou entendendo. Será que existe algo de errado comigo que não consigo ver o que de tão sensacional tem esse cara? (desculpem, mas esse álbum é muito ruim).

    João: “Semideus, desce do pedestal, grande orador, grande negociador!” Com esses versos Simion traria de volta pro rock (no caso, o rock cristão, claro) aquilo que o rock sempre teve, a contestação. É notório que a carreira-solo do Brother, além de errática (os dois discos que separam esse do Na Virada do Milênio, lançados pela MK, são bem inferiores musical e liricamente), nunca conteve o espírito contestador do Kats. Mas nesse disco ele jogou tudo pro alto e voltou com letras mais urgentes, inclusive no “Prelúdio” do disco o aviso é dado: “À todos aqueles que transformaram igrejas, o corpo de Cristo, em empresas, e se acham proprietários daquilo que só a Deus somente pertence!” Um aviso bem direto do que vai se ver aí: letras que falam da exploração de falsos pastores (Semideus), da miséria e pobreza  na sociedade (“10 Real”), e da necessidade desesperada dos homens por Deus, em faixas como “Ei, Amigo”, “O Despertar dos Loucos” e “Noite de Johnny” (inspirada num festival que o próprio Simion organizou por um tempo).

    Na linha do nu metal, estilo esse tão em voga no início dos anos 2000, causou estranheza decerto em muitos, e a selvageria de “Semideus” mostrou que o Brother estava mesmo antenado em tudo, sendo um dos primeiros “filhos do gospel” (embora teoricamente Brother foi um dos “pais” [risos]) a se rebelar contra a simplicidade do mercado e da sujeira de muitas instituições ditas “cristãs”.

    Márllon: Idem à sétima posição.

    Thiago: Brother Simion se confirma nesse disco como o músico mais incomum e inovador no meio cristão. Eclipse apresenta um novo experimento do cantor: new metal. “Semideus”, “10 Real” e “All Right” caminham nesse som. “Memorandum” tem influências desse estilo, apesar de eu considerá-lo mais metal alternativo. “Hotel Paradiso” e “Onde Deus Me Levar” oferece um rock alternativo de primeira. “Noite de Johnny” é influenciado pelo punk rock. Já “Perdoar” é um hardcore puro no estilo Simion. “Ei, Amigo” é a típica canção folk rock com toques de gaitas presentes nos álbuns antigos do Brother, contudo, distinta, numa pegada mais Eclipse. O mais interessante nesse disco foram as letras, contendo boas críticas a teologia da prosperidade (como é perceptível na introdução), e outras poesias inovadoras, como a da cômica “10 Real”. Aliás, com o “Prelúdio”, que parece tema de jogo de guerra, eu já estava esperando um álbum eletrônico, o que não aconteceu. Os efeitos desse tipo foram usados na obra, mas com equilíbrio.

    Tiago: Esse disco podia estar em terceiro (não entendo a “censura” que vocês tem com o Simion). O trabalho inédito de “despedida” do cantor, é praticamente um amontoado de novos temas aliados a uma certa dose de retrospectiva e nostalgia. “Semideus” é uma crítica maravilhosa ao neopentecostalismo, “Ei, Amigo” em relação aos conflitos em amizades, sem falar nas faixas em inglês que estavam tão sumidas nos discos anteriores, como “All Right”. Mas é em “Onde Deus me Levar” que você vê Brother olhando para trás e implicitamente dizendo: fui longe, essas décadas deram certo. Pena que o cantor não chegou a lançar ainda o álbum que gravou em 2012. Estamos aguardando, Johnny.

    [infobox title=’3º: Praise’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Resgate PraiseJhonata: Eu acho uma tarefa muito difícil falar de Resgate. Não sei se já disse isso aqui, mas ela está na minha lista de artistas/bandas que ainda não decidi se mantenho ou deleto de vez do computador. Esse álbum é muito bom por suas referências do rock inglês e letras suficientemente agradáveis. O que não me entra são os títulos de álbuns que a banda escolhe pôr nos trabalhos.

    João: Fantástico. Eu não sei dizer muitas palavras desse disco. Ele me marcou demais. Esse disco me tornou fã do rock cristão para todo o sempre. O melhor disco da geração ‘praise’ brasileira, que seguiu bem os moldes dos Praises do Petra (apesar de não regravar músicas clássicas), sem ser meloso e trazendo o rock sem medo. Mais um disco que não dá pra destacar uma ou outra faixa, é um disco lindo demais e pra mim ESSE devia ser o primeiro. Mas fazer o que…

    P.S.: Paulo Anhaia, eu te amo! Ainda quero fazer um disco produzido por você! (risos)

    Márllon: Apesar de não ser muito fã da fase “Renascer” do Resgate, esse é um álbum que aprendi a gostar com o tempo. OK, é bem leve, não tem o peso de um On the Rock da vida, mas acho que o principal fator qualitativo desse álbum se encontra nas letras, sendo a de “Ao Rei” a minha favorita. Não teve o meu voto, mas foi uma grata surpresa encontrá-lo aqui.

    Thiago: Com uma temática congregacional, servindo-se de bastante de coral, Resgate produziu Praise. O álbum é considerado um divisor de águas para a banda. Nesse disco, combinaram duas coisas que posteriormente viria dar muito certo na banda: órgão hammond, piano e rock. E como essa combinação deu certo. O disco é legal, consegue atingir a proposta que teve. As guitarras, vibrantes, ficaram bem encaixadas com o disco. Eu gostei bastante dos riffs de guitarra – meio southern rock – excepcionais de “Nada Me Faltará”, o folk rock de “O Nome da Paz”. As outras faixas, mesmo não sendo citadas, foram boas. Um disco de 11 composições que não perdeu o embalo. Agora, para se estar no pódio da lista, pessoalmente, não mereceu a posição.

    Tiago: É um bom disco. Musicalmente falando, certamente é um dos mais importantes do Resgate. O som de toda uma década da banda, a partir de então, seria pautado no que alcançaram no Praise. Hammond, pianos se chocam as guitarras de Zé e Hamilton. Liricamente, me soa como o início de uma acomodação. Sugerida por Estevam Hernandes, a temática volta-se para canções de cunho congregacional. Algumas coisas no álbum caem perfeitamente, outras fogem levemente. Mas, no geral, há boas canções, como “O Nome da Paz”, “Infinitamente Mais” e “Sol do Meio Dia”. Mas prefiro o Resgate mais crítico, de 2010 para frente.

    [infobox title=’2º: O que na Verdade Somos’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Fruto Sagrado - O que na Verdade Somos - 2003Jhonata: Dizem ser um álbum pesado, concordo na medida em que forem me definindo a concepção de “pesado”. Não gosto de Fruto Sagrado, com exceção da canção “Superman”. Eu nunca entendi a proposta desse disco…

    João: Já falei o que eu penso dos discos pós-2000 do FS. Mas esse aqui é bom, tem algumas faixas legais pra pensar, como “O Sangue de Abel” e a faixa-título, mas não é nada demais pra mim.

    Márllon: Pra mim o campeão moral dessa lista, um disco que teve um papel de muita relevância no início da minha caminhada no rock. O impacto dessas faixas em mim continua o mesmo depois de mais de 10 anos de lançamento. “Desesperado” era a coisa mais agressiva que tinha ouvido até o momento. Não tinha ciência de quem era o FS, da sua discografia prévia ou das tretas, o que sabia é que esse álbum abriu minha mente para muita coisa dentro da música. Acho um trabalho diversificado e que tanto nas faixas mais leves ou pesadas a qualidade é o que sobressai. Clássico obrigatório na coleção de qualquer um.

    Thiago: O que falar de O que na Verdade Somos? É o meu disco preferido da banda. Bom, primeiramente, é um álbum excepcionalmente bom, embora tenha seus defeitos. Começo pelos defeitos e depois parto para os elogios. O disco é aberto por uma boa música que tem uma sonoridade new metal, mas a ideia dela é quase fajuta, não é coisa do Fruto Sagrado fazer. “Desesperado” é o tipo de composição nada haver de uma banda, mas chega a ser engraçado, com aqueles gritos inspirados em filmes de terror e de alguém endemoninhado. A mix de Sanguessuga ficou também completamente deslocada e sem sentido no disco. O segundo defeito do álbum é a letra de “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos” que se une à extrema hipocrisia que ocorria nos bastidores do FS. A figura de Marcão é extremamente marcada pelas máscaras que o rodeiam, em virtude de carregar a personalidade crítica da banda e ser cara de pau. Suas atitudes, suas provocações no grupo, as intrigas que ocorreram entre ele e Bênlio deixam o álbum, porém, principalmente essa música, com um ar de falsidade. Outro defeito (considero esse mais moral do que musical) foi o Bene Maldonado ter ignorado quase todos os teclados para o CD que Bênlio gravou. Enfim, depois desses problemas, o tecladista saiu da banda numa série de confusões virtuais e judiciais (com Marcão). O defeito central do álbum é isso, a hipocrisia.

    No entanto, mesmo tendo esse caráter polêmico por trás da produção, O que na Verdade Somos é uma superação. Essa obra conseguiu reunir toda a acidez e crítica na sua melhor forma, numa musicalidade que combinou. É o tipo de disco que gosto de comentar nos mínimos detalhes. Primeiro, as letras. A segunda faixa, “A Sanguessuga”, é uma das melhores músicas do FS, ou quase a melhor, difícil falar. Ela expõe uma ótima ideia sobre o vazio da humanidade, baseando se em uma passagem de Provérbios. A balada “Não Quero Mais Acordar Assim” já foi uma das minhas canções preferidas sobre solidão. É uma ótima produção, bem intimista. “De Deus não se Zomba” é o tipo exato de música que te dá vontade de quebrar algo, principalmente pela letra revoltante tratando sobre a opressão humana, fundamentando-se na passagem de Eclesiastes. Quando se fica confuso sobre o tema “ira divina”, essa canção é como uma luz sobre o assunto. Eles conseguiram repensar uma frase bíblica usada de forma tão clichê e conseguiu colocá-la de um jeito ácido, perfeitamente encaixada no contexto da letra, pedindo o fim de guerras humanas. “Vício”, como o título diz, fala sobre drogas. Essa faixa está aqui no CD por estar, é o tipo de composição que ocupa um disco para preencher o espaço. A faixa-título é excepcional. Novamente, tendo aquela dose aguçada de crítica religiosa, a balada constrói a ideia da falta de amor cristão: “Pra falar do amor tenho que aprender a repartir o pão, chorar com os que choram, me alegrar com os que cantam, senão ninguém vai me ouvir…”. O trecho final contém uma ótima reflexão sobre nossa condição, quem nós somos no mundo. A próxima faixa, até hoje penso se é a melhor do Fruto Sagrado, mas uma coisa não tenho dúvida: é a melhor canção de natal que eu já ouvi. “Uma Noite de Paz” mandou uma crítica social e religiosa para lá de surpreendente, usando o tema natal. A canção ficou simplesmente perfeita. “Involução 2003” demonstra uma crítica mais social e política do que as demais, porém não carrega o feeling das outras. “O Sonho do Profeta” é interessante, um tipo de música que busca reanimar inertes para viver o Reino de Deus. “Diferente dos Anjos” carrega a clássica ambiguidade da banda, quando quer se falar de amor. Parece ser uma confissão de devoção a Deus, mas também romântica. Contudo, me rendi a ela. Fruto Sagrado, a partir do O Segredo aprendeu a compor canções com temas amorosos. A penúltima faixa, “O Sangue de Abel”, custei a captar o sentimento da composição, entretanto, quando captei, foi um choque introspectivo. A obra consegue unir perfeitamente a confissão de pecados e crítica social, religiosa e política. Vale citar versos: “Nos perdoe, ó Deus / Pelo imperialismo, o nazismo, o comunismo, / O capital selvagem, impiedoso, inescrupuloso / A escravidão… a religião… / Sempre querendo te domesticar / Te encaixotar, te fazer de empregadinho / Perdão, por tanto fariseu se dizendo filho teu / Que não convenceu, que só dividiu / Levando muita gente boa pro covil / Nos perdoe, ó Deus, pelo terrorismo / O holocausto, a pornografia, a pedofilia / A mentira! O dinheiro mal adquirido e mal repartido / A discriminação racial, social, irracional… / Nos perdoe, ó Deus!

    Juro que esses versos chocam o meu coração, conseguem atingir um ponto que poucas críticas conseguem. Aliás, todo o álbum consegue ter este feito. Citei dois trechos de canções, mas o disco é recheado de frases de efeito. Os arranjos do disco ajudaram na captação do conteúdo do disco. O hard rock com programações de DJ, unindo se aos drives de Marcão em “A Sanguessuga”, o peso dos riffs de guitarra e de baixo completando a revoltante letra em “De Deus não se Zomba”, os acordes de violão e o solo de cordas elétricas bem postos com a crítica de “O que na Verdade Somos”, o dedilhado natalino e o excelente violão de “Uma Noite de Paz”, a brasilidade fundida ao new metal em “Involução 2003”, o som da hipócrita “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos”, a balada com belos dedilhados de violão da apaixonante “Diferentes dos Anjos”, o dedilhado intimista com a boa participação vocal de João Alexandre da chocante “Sangue de Abel” foram muito bem produzidas. Enfim, discaço, merecia o primeiro lugar disparadamente. Foi injustiça o segundo lugar para a banda.

    Tiago: O Fruto Sagrado naquele momento chegava ao auge de tudo: sucesso, respeito do público e da pequena crítica, e ao extremo de suas crises. Acho curioso a banda ter chegado com um disco mais forte e coeso mesmo dentro destes contextos. Talvez, porque menos cabeças pensaram naquilo. Talvez. Mas o que vale pontuar são as misturas: o new metal já abraçado em O Segredo, as influências eletrônicas (dedo do Bene) e os elementos de maracatu e outros gêneros percussivos. As letras de Marcão são ácidas, fortes, tocam na ferida, lembrando-nos que em crise ou sem crise, não haveria nenhuma banda no cenário nacional do rock cristão como o Fruto Sagrado.

    [infobox title=’1º: Aeroilis’]Artista: Aeroilis
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Aeroilis 2004Jhonata: Primeiro lugar com louvor! A primeira faixa, “Onde Encontrei Tudo”, já vem mostrando que o álbum tem muito (muito mesmo!) a mostrar. A princípio o que me incomodava nesse trabalho era a bateria, até que me acostumei e conclui que ela está do jeito que deveria estar. Não me incomoda mais, nem um pouco. As letras de Arvid Auras e Raphael Campos são de qualidade genial. Não acrescentaria nada e nem retiraria nada desse disco a não ser pôr uma versão acústica de “Silêncio”. As influências do rock inglês e californiana são indiscutíveis e de resto, deixo para que os meus colegas falem.

    João: Essa lista definitivamente foi a mais bizarra que eu já tive que comentar. Desculpem-me fãs do novo movimento, mas embora sim, esse disco é revolucionário, mas daí a ficar em primeiro… não… não mesmo. Enfim, as letras são fantásticas, o início de uma nova era, de abrir as mentes dentro do rock mainstream (porque isso de letras pensantes no metal e no punk cristão brazuca não era nenhuma novidade – Ressurreição, Foco Nocivo, Justa Advertência, Trino, Saint Spirit, Berith e Disharmonical Tempest, entre outras, tão aí pra provar isso), mas no máximo esse tinha que estar em terceiro lugar, eu acho. Enfim, é isso.

    Márllon: Me recuso a comentar.

    Thiago: Aeroilis em primeiro lugar? Sério, esse disco é legal, trouxe coisa nova, mas essa posição não poderia ter sido ocupada por ela. No máximo, o segundo lugar, ou até mesmo terceiro e quarto. A produção é boa, traz um bom pop rock e rock alternativo, com canções introspectivas. Contudo, o que poderia trazê-la ao pódio é ter sido justamente a criadora do querido novo movimento, uma onda musical que buscou quebrar o muro entre o “gospel” e o “secular”, de forma independente. Por ter sido a primeira banda do meio, isso é um fato muito importante, merece uma boa posição. O álbum Aeroilis, do mesmo nome da banda, é bem aberto com a faixa “Onde Encontrei Tudo”, uma das melhores. Um disco, para provocar interesse no ouvinte, preciso de uma boa faixa inicial e esse CD conseguiu isso. “Silêncio” e “Posso Ver” tem refrões que parecem uma continuação da outra, porém, esta última é melhor e consegue convencer com o resto da canção. “Em Suas Mãos” e o seu teclado tem uma vibe muito boa. “Sei que Passou” esbanja nas teclas novamente e essa faixa é uma das melhores. Os riffs de guitarra abafadas e os vocais duplos em “Os Teus Olhos” é uma boa faixa, quebra a quantidade de composições baseadas na mesma levada. “Sigo em Paz” é outra “Sei que Passou” nos pianos, tem um refrão pegajoso e impactante. O disco é dosado de muito intimismo e equilibrado. É uma obra interessante, mas primeiro lugar foi demais para ela. Desnecessário.

    Tiago: Talvez não seja o melhor disco da época. Mas é o mais importante. O disco de estreia da Aeroilis representou, a princípio, um rompimento total com o rótulo, o meio, o chamado público do “gospel”. Produzido e distribuído de forma completamente independente, o trabalho foi lançado exatamente naquela época em que os fóruns na rede começavam a fervilhar, e estes mesmos internautas mostravam suas insatisfações com os rumos do gospel (leia-se, principalmente, dotgospel). E, de longe, a banda conseguiu verbalizar isso melhor (Tanlan chega um pouco depois, com um EP em 2005). A musicalidade vai dentro do rock alternativo, com guitarras limpas, teclados, violão e vocais de Raphael pairando pela sonoridade e claro, com todas aquelas letras introspectivas, íntimas, mas nem um pouco apologéticas (exceto “Os Teus Olhos”). Os shows, um pouco “frios”, representavam um claro desprezo a toda a parafernália evangélica que, até hoje, encanta a massa. Lembro que aqui em Goiânia as músicas da banda tocavam numa das rádios, e tocaram aqui algumas vezes, mas eu era muito novo. Uma pessoa que eu conheci numa feira evangélica deu a definição perfeita para a música do quarteto: é aquele som ambiente que você ouve enquanto conversa no bar com amigos. Particularmente, se a Aeroilis ou o Fruto Sagrado encabeçassem a lista, estaria satisfeito. São dois grandes discos desta época de 2000 a 2004.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Phil não pôde participar.

  • Aeroilis – discografia e obra

    Fundada em terras catarinenses, a Aeroilis foi a primeira banda do chamado novo movimento, ocorrido no início dos anos 2000.


    Guia discográfico

    Aeroilis (Bompastor/2004): Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a banda já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos. (Nota: [usr 4])

    Nada Mais Além (Independente/2010): Numa sonoridade mais experimental, com teclados, sintetizadores, guiando a ambientação lírica da Aeroilis, o álbum fecha bem sua curta discografia. (Nota: [usr 4])


    Melhores músicas

    Cega Inocência, Coragem, Não Importa Mais, O Tempo, Passos Lentos e Silêncio.


    Notícias e matérias sobre a Aeroilis

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado a Aeroilis no O Propagador, clique aqui.

  • Rocklogia – O fim da Aeroilis e de um ciclo

    A Aeroilis, como já dito aqui no site, foi o primeiro nome do chamado novo movimento. Em nossa última postagem, o grupo, em 2006, tinha um repertório para um próximo disco, mas uma série de contratempos ocorreram, o que demorou para a produção.

    Não são todos que possuem a oportunidade de viver somente da música. Muitos músicos, a maioria deles, possuem famílias, outras atividades, e não podem se concentrar totalmente numa carreira musical. Raphael Campos e Arvid Auras, em 2008, estavam lá, firmes e fortes, juntamente aos novos integrantes Fi Silveira e Alan Wenning. A primeira faixa divulgada ao público foi a canção “Cega Inocência”, uma crítica subliminar aos cristãos que são enganados por falsas doutrinas. Com mais teclados, experimentações e uma produção musical mais afiada, era a prévia de um grande álbum: Nada Mais Além.

    O disco foi lançado para download em 30 de abril de 2010 (mesma data do lançamento de Ainda não É o Último), e foi masterizado pelo experiente Lampadinha. Duas músicas em particular me agradam: “Não Importa Mais” e “Seguirei”. No geral, o trabalho é expressivo, consegue conter os vícios e exageros do primeiro e mesmo não nos deixando um clima de despedida, fecha muito bem sua curta discografia.

    A ideia de lançar pela internet se mostrou bem acertada, com tantos downloads, o servidor teve problemas. Por isso, a banda acabou distribuindo o disco também em SMD, por um preço de cinco reais. O material ainda acompanha um pequeno encarte, com as letras das músicas.

    https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE

    O retorno do grupo aos palcos foi lento, mas ocorreu. Alguns shows foram feitos até 2013. O grupo se juntou a Tanlan e o Quarto Fechado em algumas apresentações, mas, em 2013, Arvid Auras anunciou o fim do grupo, uma decisão que partiu principalmente de Raphael Campos, tornando realidade, então, o fim da Aeroilis. No entanto, os dois discos produzidos, sem dúvida, ficarão na história do rock cristão nacional.

    O disco Nada Mais Além, aliás, representa, em minha visão particular, um fim de um movimento. Após este disco e Esperar é Caminhar, do Palavrantiga (que falaremos semana que vem), o novo movimento parece ter deixado de passar o seu sentido original (uma resposta e contestação musical/lírica para a decadência do movimento gospel) para se tornar uma mera ideologia de mercado abraçada por artistas de vários gêneros. Aliás, seria muito incoerente um movimento de início nos anos 2000 perdurar por mais de uma década.

    Para mim, o fim do novo movimento em meados de 2010 é visível, já que em 2011, vários novos artistas absorvidos pelo mercado, com poesias e músicas para o público jovem lançam discos de estreia, como Marcela Taís e Bruno Branco, além de ganhar força o conceito inconsistente de crossover, mercadologicamente falando, para a boca de artistas e gravadoras.

    Aliás, o conceito de novo movimento ainda precisa ser melhor trabalhado aqui na Rocklogia, e estou convicto de que o próprio texto o qual escrevi ano passado encontra-se muito desatualizado e, em partes, equivocado. Mas um dia chegaremos lá, nem que seja em uma publicação futura. Prometo.

  • Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã

    A equipe do O Propagador apresenta a lista dos maiores álbuns nacionais da música cristã. O material foi compilado em parceria com os sites Super Gospel, Arquivo Gospel, Casa Gospel, Gospel no Divã, Gospel Prime, Ruben Mukama e Virtual Gospel, entre uma série de músicos, historiadores, jornalistas e audiófilos. Cada um lançou suas indicações, as quais foram discutidas exaustivamente. O repertório consiste em discos que foram lançados desde a década de 60 à década de 2010. Aqui, no O Propagador, você vê a lista na íntegra e com os comentários previamente escritos.


    100º: Fogo e Glória Curitiba – David QuinlanFogo e Glória Curitiba - David Quinlan - 2000

    Disco que representa o movimento worship ocorrido em Contagem, o simplório violão de David Quinlan se tornaria um padrão intensamente – e irritantemente – copiado. Deste movimento, há de se destacar, como influenciados, Santa Geração e o cantor Fernandinho. Heloisa Rosa e Nívea Soares colocam seus vocais, imprimindo uma parceria que duraria por outros discos.

    2000, Aliança


    99º: Pra Louvar – Raiz CoralRaiz Coral - Pra Louvar - 2004

    Quando o Raiz Coral lançou seu primeiro trabalho, não havia nenhum material semelhante em toda a história cristã. Claramente avassalador, quando o assunto é corais, o disco Pra Louvar rapidamente se popularizou e invadiu as igrejas com canções como “A Coroa” e “Jesus meu Guia É”.

    2004, Independente


    Thalles - Na Sala do Pai - 200998º: Na Sala do Pai – Thalles

    Indiscutivelmente um dos trabalhos mais importantes da última década, a estreia de Thalles é uma mistura de blues, pop rock, black music e soul, distribuída em linhas de baixo grooveadas, com letras diretas e confessionais.

    2009, Graça Music


    97º: Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3 - 2005

    “Não ache que eu estou derrotado, você está errado”, canta Juninho Afram em “Mais Alto”, após latidos de cães. Neste disco, a Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais soberbo.

    2005, MK Music


    96º: Antes do Sol Nascer – Nádia SantolliNádia Santolli - Antes do Sol Nascer - 2005

    Cercada de colaboradores experientes, como Genésio de Souza e Val Martins, produzida por Kleber Lucas e no embalo de sua participação em uma canção do Koinonya, assim foi a estreia de Nádia na MK. Num tempo em que “todo mundo” estava gravando disco ao vivo congregacional, Santolli conseguiu se destacar, graças a sua personalidade, impressa em sua voz grave e potente. No entanto, o grande mérito desse disco é que tudo soa bem.

    2005, MK Music


    95º: Ainda não É o Último – ResgateResgate - Ainda não é o último - 2010

    Após anos de silêncio do rock cristão no mainstream, os membros do Resgate se juntaram e ensinaram, mais uma vez, como é que se faz. Com a pop-produção de Dudu Borges, o disco consegue jogar guitarras e hammonds em equilíbrio em meio a letras humorísticas de Zé Bruno, como “Jack, Joe and Nancy in the Mall” e sua veia à lá Traditional Jazz Band e a grande balada “Vou me Lembrar”.

    2010, Sony Music Brasil


    94º: Daniela Araújo – Daniela AraújoDaniela Araújo - Daniela Araújo - 2011

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top.

    2011, Sony Music Brasil


    93º: Na Casa de Deus – EyshilaNa Casa de Deus - Eyshila - 2003

    A carreira de Eyshila, oriunda dos Altos Louvores, pode ser resumida pré e pós este projeto, cuja produção foi dividida entre Rogério Vieira, Woody e Wagner Carvalho. Gravando sete músicas com participação ao vivo da sua igreja, a cantora que antes era conhecida pelas suas baladas, a partir desse disco se tornou figura garantida no chamado louvor congregacional, consagrando-se como compositora, especialmente por “Posso Clamar”.

    2003, MK Music


    Para o Mundo Ouvir - Rose Nascimento - 200492º: Para o Mundo Ouvir – Rose Nascimento

    Utilizando-se de arranjos e fundindo outros gêneros musicais, este disco de Rose Nascimento fez uma música pentecostal diferente do que se ouvia na maioria dos lançamentos de sua época, também trazendo cordas.

    2004, Zekap Gospel


    91º: Respire Fundo – Ao CuboAo Cubo - Respire Fundo - 2004

    Se muitos grupos se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e criminalidade, sob uma ótica cristã.

    2004, Aperte o Play


    90º: Toque no Altar – Ministério Apascentar de Nova IguaçuToque no Altar - 2003

    Com uma enorme equipe de músicos em tempo integral, o Ministério Apascentar de Nova Iguaçu estreou com um dos registros mais fortes da cena congregacional. Revelando o repertório autoral de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, a obra agrega cordas e metais sem se sobrepor aos pianos e teclados, o grande ponto forte deste grupo.

    2003, Independente


    89º: Quebrantado Coração – Fernanda BrumQuebrantado Coração - Fernanda Brum - 2002

    Enfatizando o tipo de coração que deve ser na caminhada cristã, é o auge musical da dupla Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, estendendo a tendência dos discos anteriores com um repertório introspectivo, mas forte, composto por músicas como “Marcas”, “Amo o Senhor”, “O Amor que Cura” e “Espírito Santo”.

    2002, MK Music


    Por Toda Vida - Voices - 200088º: Por Toda Vida – Voices

    O maior supergrupo já existente do meio cristão, o Voices alcançou grande amadurecimento com seu terceiro trabalho, destacando-se com as canções “Pisa no Inimigo” e “Por Toda Vida”, dentre as mais notáveis de sua discografia.

    2000, MK Music


    Cristiane Carvalho - Novo Amanhecer - 199387º: Novo Amanhecer – Cristiane Carvalho

    Diferentemente de seus trabalhos anteriores, Cristiane Carvalho utilizou-se de composições nacionais, transitando em gêneros musicais como o funk e pop. Há de se destacar a faixa-título e “Até que Te Encontrei”, formando o ecletismo necessário para a obra.

    1993, Line Records


    Humanidade - Banda Rara - 199086º: Humanidade – Banda Rara

    Na ponta das influências do funk e soul, a Banda Rara alcançou o seu auge com Humanidade, especialmente com a faixa-título, nos vocais de Maurílio Santos, além de “Estrela da Manhã” e “Deixa Tudo”.

    1990, Gospel Records


    85º: 2ª Vinda – A Cura – Apocalipse 162ª Vinda a cura - Apocalipse 16 - 2000

    Pregador Luo e DJ Alpiste trouxeram o rap para a cena cristã. Mas 2ª Vinda – A Cura é um divisor de águas no gênero, sombrio e polêmico, tendo o auxílio de Mano Brown (Racionais MC’s) e Eduardo (ex-Facção Central). Seus discos posteriores se fundem de forma mais efetiva com a black music, em contrapartida, perdem o frescor alcançado aqui.

    2000, 7 Taças


    84º: Alta Voz – Kades SingersAlta Voz - Kades Singers - 1997

    Com arranjos do tecladista Paulo Richard (ex-Complexo J) e Raquel Mello, Alta Voz foi fundamental para a caracterização e definição dos grupos vocais na cena mainstream, além de ser um registro de devoção explícita a soul music.

    1997, MK Music


    83º: Aeroilis – AeroilisAeroilis - Aeroilis - 2004

    Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a Aeroilis já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos, o que seria aprofundado em Nada Mais Além, o trabalho sucessor.

    2004, LaCruz / Bompastor


    82º: Um Pinguim com Frio no Alaska – Amaury FonteneleUm Pinguim com Frio no Alaska - Amaury Fontenele - 2001

    Um pouco isolado, Amaury foi o único músico que, em sua época, misturou as batidas do rap com o groove do rock e R&B, com auxílio de Fernando Catatau, ex-colega de banda no Cidadão Instigado formando, assim, uma sonoridade ímpar no âmbito cristão.

    2001, Aliança


    81º: Voar Como a Águia – Alda CéliaAlda Célia - Voar Como a Águia - 2002

    Do Koinonya e Comunidade Cristã de Goiânia para a carreira solo, Alda Célia estabeleceu a ambientação ao vivo como cerne de seu melhor trabalho, Voar Como a Águia o qual, além da faixa-título, se destaca por “Óleo de Alegria” e a regravação de “Poder da Oração”.

    2002, MK Music


    80º: Águas Purificadoras – Diante do TronoDiante do Trono - Águas Purificadoras - 2000

    O follow-up para Exaltado foi um ajuntamento ainda maior, de qualidade técnica superior, inserindo, definitivamente, elementos que se tornariam marca-registrada do Diante do Trono, como as danças e espontâneos gigantescos – fortalecidos pela faixa-título, de sonoridade suave.

    2000, Diante do Trono


    79º: O Valor de Uma Alma – Mara LimaMara Lima - O Valor de uma Alma - 1989

    O Valor de Uma Alma veio para mostrar o porquê Mara Lima é um nome de longevidade no meio cristão: aliando um bom repertório, simplicidade e som direto, o trabalho se destaca, especialmente, pela canção que o intitula, que não se sobrepõe, de forma alguma, ao restante das canções apresentadas.

    1989, Som e Louvores


    78º: O Jardineiro que Chora – Alceu PiresAlceu Pires - O Jardineiro que Chora - 1984

    Um dos grandes poetas da música pentecostal clássica, Alceu Pires é compositor de sucessos emblemáticos como “Abração e Isaque” e “Juízo Final”. O primeiro e mais importante deles, “O Jardineiro que Chora”, foi responsável por colocar o disco homônimo na galeria dos clássicos cristãos. Com influências da música sertaneja de raiz, Alceu fez o Brasil inteiro cantar a parábola sobre a relação entre a flor e seu cuidador.

    1984, Djanir Produções


    77º: Autoridade e Poder – Marcos GóesAutoridade e Poder - Marcos Góes - 1990

    Com produção musical e arranjos de Marcos Góes, o trabalho é de notável qualidade musical, trazendo a participação de músicos como Sidão Pires e Marcos Bonfim. De fato, este é caracterizado como o trabalho solo de maior importância na carreira de Góes.

    1990, Pioneira Evangélica


    76º: Poemas e Canções – Leonardo GonçalvesLeonardo Gonçalves - Poemas e Canções - 2002

    “Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos”, disse Leonardo Gonçalves ao O Propagador. Seu primeiro disco é uma combinação agradável de pop, jazz, blues e contém, além da conhecida “Getsêmani”, uma regravação de João Alexandre. Com o trabalho, Leonardo se inseriu numa nova safra de intérpretes que fogem de temáticas e sonoridades mais populares.

    2002, Novo Tempo


    75º: O que na Verdade Somos – Fruto SagradoO que na Verdade Somos - Fruto Sagrado - 2003

    O que na Verdade Somos é o disco mais forte do Fruto Sagrado: com riffs agressivos de Bene Maldonado, vocais surpreendentes de Marcão, letras fantasticamente ácidas, e apresentando influências diversas, como o maracatu e a música eletrônica, mostraram que só eles, na altura do campeonato, sabiam fazer um som na tendência.

    2003, MK Music


    74º: Oração de Davi – Feliciano AmaralFeliciano Amaral - Oração de Davi - 1981

    Ele é o recordista, segundo o Guiness Book, como o cantor evangélico há mais tempo em atividade no mundo. Mensagem Real, seu disco de 78 rpm (tecnologia pré vinil), é um dos primeiros registros físicos da música evangélica nacional, lançado em 1948. Já com mais de 35 anos de carreira, o cantor lançou uma de suas maiores obras primas, Oração de Davi. O trabalho de 1981 traz os arranjos limpos característicos da música sacra tradicional, a voz inconfundível de Feliciano Amaral e um repertório brilhante, com canções marcantes como “O Rosto de Cristo”, “Tudo Entregarei”, “Cristo meu Mestre” e “Oração de Davi”.

    1981, FA Produções


    73º: Cicatrizes e Testemunho – Jorge AraújoCicatrizes e Testemunho - Jorge Araújo - 1984

    Pode ser que, hoje, seja mais reconhecido como pai de Daniela Araújo, mas Jorge Araújo fez história na música pentecostal como um dos artistas mais ousados do gênero e responsável por grande parte de sua modernização na década de 80. Em um período de resistência à inovação, Jorge esticou a linha, trazendo, para suas produções, a guitarra elétrica e a bateria em destaque. Em Cicatrizes, seu mais reconhecido trabalho, o cantor mostra toda sua veia pop interpretando grandes sucessos, como a faixa-título e “Deus Resolve o Teu Problema”.

    1984, Louvores do Coração


    72º: Tempo de Adoração – Comunidade Vila da PenhaTempo de Adoração - Comunidade Evangélica Vila da Penha - 1994

    A chamada Comunidade Zona Sul se destacaria ao chamado movimento das comunidades dos anos 90. Tempo de Adoração sintetiza, claramente a tudo o que seria feito pelo resto da década, incluindo “Consagração/Louvor a Rei”, uma das mais belas canções cristãs deste período.

    1994, Independente


    71º: Bonança – Os Cantores de CristoBonança - Os Cantores de Cristo

    Muitos grupos, na época, investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo, evoluindo seu som em relação aos discos anteriores, sem perder o enfoque evangelístico.

    1975, Favoritos Evangélicos


    70º: Sem Palavras – CassianeSem Palavras - Cassiane - 1996

    Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua que remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje.

    1996, MK Music


    69º: Primeiro Amor – Shirley CarvalhaesPrimeiro Amor - Shirley Carvalhaes - 1994

    Mesmo já tendo vinte anos de carreira, foi com Primeiro Amor que Shirley Carvalhaes se firmou como a grande dama da música pentecostal brasileira. O disco, produzido por Tuca Nascimento, foi um fenômeno cultural. Seu grande destaque, a música “Faraó ou Deus?”, causou um mix de encanto e repúdio nas igrejas, tamanha era sua ousadia, cujo som misturava referências da música árabe com forró, ritmo que passaria a ser constante nos discos do gênero, a partir de então. Como resultado, a faixa, tratada nas igrejas mais conservadoras como ‘música para dançar’, se tornou um hit inquestionável, elevando a carreira de Shirley e toda a música pentecostal a outro patamar.

    1994, Nancel Music


    68º: Coração Valente – Voz da VerdadeVoz da Verdade - Coração Valente - 1997

    Indiscutivelmente o grupo que mais sabe trazer ecletismo a seu favor, Coração Valente é o maior clássico do Voz da Verdade até aqui. A fusão de orquestras, guitarras wah-wah, baixo funkeado, bateria pulsante, piano e teclado resultam num registro que é pretensioso do início ao fim.

    1997, Independente


    67º: Não é o Fim… – Novo SomNão é o Fim... - Novo Som - 1999

    Não é o Fim… é o melhor trabalho do Novo Som. O pop à lá Roupa Nova chega aqui ao seu ápice, com um repertório sólido, escrito, em grande parte por Lenilton, um dos melhores letristas que o meio cristão já conheceu e responsável por elevar a música do grupo a outro nível.

    1999, NS Records


    66º: Deus Cuida de Mim – Kleber LucasDeus Cuida de Mim - Kleber Lucas - 1999

    Evoluindo desde Meu Maior Prazer, Kleber Lucas fechou a década com Deus Cuida de Mim, um trabalho que consegue trazer para o ambiente congregacional uma música basicamente pop. Assim, Kleber Lucas foi o primeiro cantor solo, a de fato, adentrar este território, agregando outros gêneros musicais ao longo de sua carreira.

    1999, MK Music


    65º: Entrei no Templo – Ozéias de PaulaOzéias de Paula - Entrei no Templo - 1979

    “A melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida, salvou-me por um triz”. Essa foi certamente uma das principais trilhas sonoras do final dos anos 70 e inicio dos 80. O grande, e então já consagrado, Ozéias de Paula, trazia junto com esse sucesso um de seus melhores trabalhos. Com letras de veia poética, como já era característico do cantor, o disco arranjado por Ângelo Apolônio, o famoso Poli, ousava a inserir na tradicional música tipicamente assembleiana os quase profanos contrabaixo, guitarra e bateria.

    1979, Bandeira Branca


    64º: Encontro – Actos 2Encontro - Actos 2 - 1990

    Marcando a geração dos anos 90, o Actos 2 (Kadoshi) chegou ao seu ápice com o disco Encontro e a canção “Cristo Faz a Cabeça”. No entanto, Encontro é rico em gêneros musicais e passeia, com tranquilidade, no louvor congregacional, pop, rock, blues e soul.

    1992, Gospel Records


    63º: Meu Clamor – Denise CerqueiraMeu Clamor - Denise Cerqueira - 1998

    Ela foi uma das grandes vozes femininas que a música evangélica brasileira conheceu. Depois de se tornar sucesso com o disco Eterno Amor, Denise Cerqueira entrou para a história quando, em 1998, lançou o icônico álbum Meu Clamor. Com um time estrelado de compositores e produção impecável de Alcimar Rangel e Pedro Braconnot, o disco rendeu a artista três troféus Talento em 1999. A trágica e precoce morte de Denise em 15 de novembro de 1999, vitimada em um acidente de carro no auge da carreira, imortalizou definitivamente a voz da intérprete e colocou “Jerusalém e Eu”, composição de Josué Teodoro e carro-chefe da obra, em lugar de destaque nos anais das grandes músicas nacionais.

    1998, Line Records


    62º: Deus Vivo – Édison e TelmaDeus Vivo - Édison e Telma - 1983

    Ele é um dos maiores compositores da história da música pentecostal e, ao lado da esposa Telma formou uma das duplas mais importantes do gênero. Acumulando sucessos desde 1971, quando gravaram os primeiros vinis, o ponto alto da dupla veio em 1983 com Deus Vivo. A música tema ultrapassou os limites do tempo e entrou para o repertório de todas as igrejas pentecostais desde então. Embalado por este grande clássico, o disco traz ótimas referências do samba e alguns lampejos de pop.

    1983, Angelical


    61º: Além do Rio Azul – Voz da VerdadeAlém do Rio Azul - Voz da Verdade - 1988

    Além do Rio Azul veio para estabelecer fórmulas que seriam recorrentes nas produções subsequentes do Voz da Verdade: letras e vocais marcantes de Carlos A. Moysés, pianos de Evaristo Fernandes cobrindo e fornecendo camadas, além do sagaz coral, cujo som nenhum grupo e cantor consegue copiar.

    1988, Califórnia


    60º: Tributo ao Deus de Amor – Renascer PraiseTributo ao Deus de Amor - Renascer Praise - 1998

    Gravado no Palácio das convenções no Anhembi, o quinto trabalho do Renascer Praise seguiu as tendências que o tornaria conhecido pelo Brasil: grandes corais, produção musical pomposa e arranjos de Esdras Galo. Três elementos, que juntos, deram certo.

    1998, Gospel Records


    59º: Final Feliz – Armando FilhoArmando Filho - Final Feliz - 1991

    Armando reuniu várias canções autorais e produziu o seu maior clássico até aqui. Final Feliz contém uma das canções mais importantes da época, “O Mover do Espírito”, produzindo baladas pentecostais que seriam fundamentais para o gênero, por muitos anos.

    1991, Bompastor


    58º: Aqui Chegamos pela Fé – Arautos do ReiArautos do Rei - Aqui Chegamos pela Fé - 1975

    O principal grupo vocal da história da música evangélica nacional já conta com mais de 50 anos de carreira. Precursor do estilo a cappella no Brasil, o Arautos do Rei já está em sua vigésima nona formação, conseguindo o feito incrível de se manter musicalmente relevante, mesmo com o passar do tempo, conseguindo se modernizar sem deixar de ser tradicional. Um dos grandes registros dessa bela história foi Aqui Chegamos pela Fé, gravado pela sexta formação de Arautos. Com a perfeição vocal característica do grupo, o disco apresenta um repertório grandioso, com clássicos como “Junto a Cruz”, “Cristo Jesus Voltará” e “No Grande Mar”.

    1975, Novo Tempo


    57º: Tem Coisas que a Gente não Esquece – Cristina MelTem Coisas que a Gente não Esquece - Cristina Mel - 1999

    No final da década de 90, Cristina utilizou-se de temáticas atemporais para o seu décimo trabalho, como a morte de Cristo, o trabalho missionário e os filhos. Os arranjos são mais suaves em relação aos discos anteriores, mas seguem o seu pop característico.

    1999, Line Records


    56º: Razão para Viver – Nascimento e SilvaNascimento e Silva - Razão para Viver

    O cantor, compositor, produtor e arranjador Tuca Nascimento formou ao lado de Onézimo Silva uma das melhores duplas que a música cristã nacional pode conhecer. Os poucos anos de carreira da dupla, que teve sua trajetória encerrada com a trágica morte de Onézimo, vítima de bala perdida em 1994, foi o suficiente para o lançamento de dois discos, entre eles o imperdível Razão pra Viver. Com arranjos simples, executados apenas com teclado, guitarra, violão, flauta e acordeom, o projeto confere pleno destaque ao dueto com suas interpretações singelas em músicas como as excelentes “Deixa Deus Provar” e “A Volta Feliz”.

    1993, Rosa de Saron


    55º: Nascer de Novo – Rayssa e RavelNascer de Novo - Rayssa e Ravel - 1994

    Com a música “Nascer de Novo”, Rayssa e Ravel conseguiam sintetizar sinceridade e simplicidade musical. Em seguida, com as pop-sertanejas “Arrebatamento” e “Sabe”, mostram que possuem força o suficiente para se colocarem como uma das duplas mais expressivas do gênero no país, até hoje.

    1994, Som e Louvores


    54º: O Sétimo – Sérgio LopesO Sétimo - Sérgio Lopes - 1997

    Com produção musical de Pedro Braconnot, O Sétimo conta com o estilo de Sérgio desenvolvido no Altos Louvores, e se destaca por sua temática judaica – distribuída em parte do repertório, projeto gráfico e fotografias. Além do mais, contém uma das canções mais importantes da época, “O Lamento de Israel”.

    1997, Line Records


    53º: Ao Meu Pai – JesséAo meu Pai - Jessé - 1985

    Ele era uma das grandes revelações da MPB nos anos 80. Ganhando prêmios nacionais e internacionais, Jessé, intérprete de canções como “Porto Solidão” e “Estrelas de Papel”, era sucesso por todo o Brasil. Em seu auge na música secular, o cantor abriu um parêntese e gravou o brilhante disco Ao meu Pai. Com um repertório comporto por clássicos cristãos como “Rude Cruz”, “Cidade Santa” e “Achei um Bom Amigo”, a potente voz do cantor ganha traços dramáticos em interpretações memoráveis.

    1985, RGE


    52º: Momentos Vol.1 / Momentos Vol.2 – Marina de OliveiraMomentos Vol. 1 e 2 - Marina de Oliveira - 1995

    Indissociáveis, Momentos Vol.1 e Vol.2 mostram que só alguém como Marina de Oliveira conseguiria trazer os melhores compositores e produtores musicais de sua época em duas obras. Os registros são impecáveis: canções pop (“Procure por Mim na Glória”), mensagens de autoajuda (“Não Desista do Seu Sonho”) e faixas em inglês (“Celebrate the Lord”). Se alguém era capaz de levar bandas inteiras para apoiar seu som, essa foi Marina.

    1995, MK Music


    51º: Preciso de Ti – Diante do TronoDiante do Trono - Preciso de Ti - 2001

    “Uma das coisas de que temos maior consciência é que no dia em que acharmos que algo vem de nós mesmos, Deus nos tirará da obra”, enfatizou Maximiliano Moraes ao Super Gospel. O ponto mais alto da carreira do Diante do Trono, arranjado por Sérgio Gomes e Maximiliano, é embalado com o discurso de fragilidade humana e dependência divina, especialmente na faixa-título, uma das mais importantes do meio cristão.

    2001, Diante do Trono


    50º: Resgate – ResgateResgate  - Resgate - 1997

    No quarto álbum, o grupo provou ser muito mais do que um devoto ao hard rock. Ao experimentar timbres de bateria, guitarra com flertes evidentes ao britpop, o disco monta uma figura de quebra-cabeças, endossadas com as letras tão incomuns e que questionam o status quo do meio cristão.

    1997, Gospel Records


    49º: Oh, Glória – Mattos NascimentoOh, Glória - Mattos Nascimento - 1991

    Trazendo a influência do pop e, principalmente, o ska para o meio cristão, Mattos Nascimento foi o primeiro – e até o único no meio cristão – a fundir o gênero musical com as letras pentecostais. Oh, Glória é um marco musical no início da década de 90, especialmente com as contagiantes “Dia de Pentecostes” e “Sou Feliz”, mostrando que, especialmente ao vivo, Mattos conseguia elevar tudo a outro nível.

    1991, Rosa de Saron


    48º: Com Muito Louvor – CassianeCassiane - Com Muito Louvor - 1999

    Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais.

    1999, MK Music


    47º: Amigos para Sempre – Integração Jr.Integração Jr. - Amigos para Sempre - 1991

    O melhor álbum infantil já produzido no meio cristão, a obra se destaca pelo seu ecletismo musical e a qualidade dos arranjos, especialmente nas músicas “Amigos para Sempre” e “Milagre da Vida”, anos depois regravada por Cristina Mel, no final da mesma década.

    1991, Bompastor


    46º: Discípulo Teu – Prisma BrasilPrisma Brasil - Discípulo Teu - 1988

    O trabalho mais importante do Prisma, Discípulo Teu contém os elementos adventistas a se repetir: corais robustos, cordas e metais em abundância e canções que versam acerca da vida, as dificuldades e desafios em relação a caminhada do sujeito cristão que caminha para a Eternidade.

    1988, Bompastor


    45º: Não Chores Mais – Victorino SilvaNão Chores Mais - Victorino Silva - 1983

    Dono de uma das mais brilhantes e prestigiadas vozes da música cristã nacional, Victorino Silva tem um de seus grandes momentos com Não Chores Mais, um verdadeiro clássico da música sacra. Além da interpretação e afinação impar do cantor, a parceria com o grande maestro Misael Passos, responsável pela direção musical do projeto, evidenciada até na capa do disco, é digna de destaque. Com arranjos soberbos, o álbum é riquíssimo musicalmente, com a presença marcante de pianos, violinos e muitos instrumentos de sopro.

    1983, Bompastor


    44º: Lágrima no Olhar – Altos LouvoresAltos Louvores - Lágrima no Olhar - 1993

    Seguindo as tendências dos discos anteriores, Lágrima no Olhar trouxe um Altos Louvores mais maduro, mas suficientemente em sua zona de conforto. A grande novidade é a faixa-título de Marquinhos Gomes, com o sax de Zé Canuto, tornando-se, assim, um dos principais registros do grupo.

    1993, Som e Louvores


    43º: Diga Não – RaízesRaízes - Diga não - 1991

    Depois dos Jovens da Verdade em 1972, a banda Raízes foi a única a usar, escancaradamente, a temática das drogas como carro-chefe de um disco. Diga Não se destacou pelas canções críticas, mas que não se sobrepuseram as baladas, as quais lembram bastante o estilo pop do Roupa Nova, cujo vocalista participaria em um disco futuro.

    1991, Independente


    42º: Vento Livre – Guilherme KerrVento Livre - Guilherme Kerr - 1985

    Um dos melhores letristas e musicistas do meio cristão, Guilherme Kerr produziu Vento Livre, seguindo as tendências musicais de sua obra no grupo Vencedores por Cristo. Com arranjos vocais e de cordas complexos, sonoridades regionais são exploradas por letras, em grande parte, verticais.

    1985, IBMorumbi Produções


    41º: Brother – Brother SimionBrother - Brother Simion - 1992

    Em meio a obras cada vez mais superproduzidas no início dos anos 90, Brother Simion quebrou a lógica fazendo um disco quase todo em voz e violão. Humor, introspecção e suavidade são características fundidas nesta produção básica de Rick Bonadio.

    1992, Gospel Records


    40º: Sem Limites – Aline BarrosAline Barros - Sem Limites - 1995

    O grande mérito da estreia de Aline Barros foi contar com a produção musical e arranjos de Ricardo Feghali e Cleberson Horsth, membros do Roupa Nova. Assumindo um caráter totalmente pop, a produção seria, com o passar dos anos, o melhor trabalho solo da carreira de Aline.

    1995, Grape Vine


    39º: Pra Cima Brasil! – MiladPrá Cima Brasil! - Milad - 1990

    Com a decrescente predominância de João Alexandre, e verbalizando toda a decepção com o jogo político e as extremas crises econômicas que assolavam o país, o Milad trouxe o disco mais politizado de sua carreira. Isso causou o despojo de grande parte de seu complexo som, adotando moldes pop, mas seguindo-se forte em seus discursos, como na clássica “Brasil” e na regional “Meu Candidato”. Também traz canções de uma das bandas mais influentes dos anos 80 no nordeste, chamada Artecristã, como “Os Sonhos Evaporam” e “Algo Está Errado”, além de apresentar “Navio Negreiro”, de Gladir Cabral.

    1990, Independente


    38º: Manhãs de Outono – Sinal de AlertaSinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987

    Desprendendo-se de sua fixação pelo Rebanhão, o Sinal de Alerta evoluiu tematicamente e sonoramente, e alcançou o seu ápice em Manhãs de Outono, um trabalho que consegue dialogar com sua época, e de quebra ainda apresenta grandes letras guiadas pelo seu pop rock, como “Tempos Modernos” e “Adolescência”.

    1987, Califórnia


    37º: Prá Falar de Amor – Banda & VozBanda e Voz - Prá Falar de Amor - 1992

    Banda & Voz foi, de fato, o primeiro grupo a ter fielmente um repertório muito eclético e variado, passeando pela black music, soul, ska, envolvendo tudo em ganchos pop. Tudo isso amadureceu em Prá Falar de Amor, em que, especialmente, o timbre de Natan Brito se destaca junto ao groove da guitarra de Marcos Brito e baixo de Beno César.

    1992, Line Records


    36º: Tempos de Celebração – Adhemar de CamposTempos de Celebração - Adhemar de Campos - 1993

    Após a Comunidade da Graça, Adhemar trouxe toda a temática congregacional para sua carreira solo, mas, diferentemente de todos, agregando gêneros musicais ‘incomuns’ para o repertório das igrejas, além das excelentes canções “Tributo a Iehovah”, “Fonte de Água Viva” e “Bem Supremo”.

    1993, Comunidade da Graça


    35º: O Amor é a Resposta – Alessandra SamadelloO Amor é a Resposta - Alessandra Samadello - 1996

    O grande mérito do quarto trabalho de Alessandra é de ultrapassar limites musicais dentro da própria tradição musical adventista. Influenciando até o contemporâneo Leonardo Gonçalves, O Amor é a Resposta aposta em sonoridades mais introspectivas, melancólicas e contemporâneas, sempre regadas a vibrantes e viscerais registros vocais, do estilo que só Alessandra Samadello poderia fazer.

    1996, ABBO


    34º: Intimidade – Jorge CamargoIntimidade - Jorge Camargo - 1999

    Uma produção de Jorge Camargo, Nelson Bomilcar e Marquito Cavalcante, é um dos registros mais agradáveis de música popular brasileira cristã, em que Jorge se estabelece como cantor e compositor. As músicas são bem interpretadas e tocadas. A combinação de canções acústicas e eletrônicas, além do excelente encarte, gerou uma das obras-primas do nicho.

    1999, Alento Produções


    Grupo Semente - Criação - 198633º: Criação – Grupo Semente

    Com a influência do Vencedores por Cristo, o Grupo Semente produziu canções de excelência, com a participação de Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Sérgio Pimenta e vários outros. Criação consegue sintetizar, muito bem, a música do conjunto.

    1986, VPC Produções


    32º: Coisas da Vida – Carlinhos FelixCarlinhos Felix - Coisas da Vida - 1991

    Carlinhos Felix, após deixar o Rebanhão, veio como um dos intérpretes com os discos mais bem produzidos nos anos 90, e sua essência musical nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia, Coisas da Vida. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.

    1991, Continental / Warner Music Brasil


    31º: O que Virá? – Comunidade S8Comunidade S8 - O que Virá - 1981

    Seguindo os passos de seu disco anterior, a S8 produziu o seu maior clássico até aqui. Aqui, a banda se rende a um rock progressivo sombrio, de influências pós-tropicalistas, mas não autoindulgente, especialmente pelas guitarras de Ernani Maldonado. Combinando crítica social com o apocalipse, o trabalho é, no mínimo, intrigante.

    1981, Independente


    30º: Novo Dia – RebanhãoRebanhão - Novo Dia - 1987

    Carlinhos Felix e Pedro Braconnot transformaram as influências da tropicália, trazidas anteriormente por Janires, para faixas pop que caracterizam bem a textura das produções dos anos 80, como “Primeiro Amor”, “Nele Você Pode Confiar”, “Jesus é Amor (Jesus Is Love)” e “Razão”.

    1988, PolyGram


    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - Wolô29º: O que a Lua não Pôde, não Pode e não Poderá – Wolô

    O disco mais rico, musicalmente falando, dos anos 70, também é um recheado de influências culturais. Wolô soube verbalizar a ‘loucura’ hippie, transmitir gírias e filosofar acerca de Cristo, fundindo tudo isso a uma sonoridade que mescla rock, bossa nova, com influências da Jovem Guarda.

    1975, Independente


    28º: Calmo, Sereno, Tranquilo – Jairo Trench Gonçalves e Paulo Cezar da SilvaCalmo, Sereno, Tranquilo - Jayrinho e Paulo Cezar - 1976

    Jayrinho e Paulo Cezar, juntos, formariam o Grupo Elo. Mas, este registro predecessor, captura fielmente a tensão e restrições existentes no meio evangélico na época em que foi produzido. A obra é suave, com camadas de violão ovation, e baixo marcante, guiado por sonoridades influenciadas pela MPB.

    1976, Independente


    27º: Simplesmente João – João AlexandreSimplesmente João - João Alexandre - 1991

    Primeiro disco totalmente – e simplesmente de João, é um de seus trabalhos mais acessíveis e pops. A obra mostra um olhar mais positivo do cantor, com canções verticais, reflexivas, e trazendo algumas regravações, com a colaboração de Pedro Braconnot.

    1991, Gospel Records


    26º: Aliança – KoinonyaAliança - Koinonya - 1988

    A música do Koinonya seria o molde para a música congregacional feita na década seguinte: a banda Diante do Trono, por exemplo, bebeu intensamente de sua fonte. Sob a liderança de Bené Gomes, o grupo goianiense iniciou sua trajetória com o seu trabalho mais brilhante: Aliança contém várias músicas que, até hoje, são entoadas nas igrejas, como “Ao Único”, “Quem Pode Livrar” e a faixa-título, “Aliança”.

    1988, Koinonya


    25º: Obra Santa – Luiz de CarvalhoObra Santa - Luiz de Carvalho - 1969

    Ele foi o primeiro cantor a gravar um disco de vinil no meio evangélico nacional, em 1958, foi o primeiro artista evangélico de fato, o responsável por levar às igrejas o, então profano, violão, inseriu o bolero e elementos de samba e marchinhas na tradicionalíssima música cristã da época e se sagrou como o maior nome do cenário musical protestante nas décadas seguintes. O vinil Obra Santa, clássico indiscutível, além de contar com a voz e interpretação inconfundível de Luiz de Carvalho, é responsável por emplacar o primeiro hit da música evangélica nacional. A faixa-título se tornou uma espécie de hino oficial do movimento de Renovação Espiritual que se iniciou no Brasil a partir da década de 1960.

    1969, Som da Palavra


    24º: Está Consumado – CatedralCatedral - Está Consumado - 1993

    Talvez o mais importante álbum duplo da história da música cristã, Está Consumado, juntamente ao antecessor Volume III, faz uma ponte entre o Catedral, antes pertencente ao underground, e o que seria o grupo mais notório dos anos 90 e um dos expoentes do movimento gospel. O trabalho, no geral, é o clássico pop rock com o baixo funky de Júlio e riffs de guitarra – inconfundíveis – de Cezar. Vale destacar o clássico “Galhos Secos” e a letra de “Carpe Diem”, uma das músicas mais brilhantes do grupo, inspirada em pensamentos de Friedrich Nietzsche e José Ângelo Galarga.

    1993, Pioneira Evangélica


    23º: Armagedom – KatsbarneaArmagedom - Katsbarnea - 1995

    “O Arco-Íris de Deus tem muitas cores, e os sons muitas estradas que expressam nossas vidas. Acho que a mesmice cansa”, disse Brother Simion ao Super Gospel. Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum, Armagedom, mostrando que eram mais do que uma caricatura da Blitz. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs blues executados por Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado.

    1995, Gospel Records


    22º: Indiferença – Oficina G3Oficina G3 - Indiferença - 1996

    Finalmente, Oficina G3 se desfez de suas referências explícitas ao Stryper. Quente e solta, a voz de Luciano Manga, cada vez mais poderosa, chega ao ápice junto ao peso das composições do guitarrista Juninho Afram. Elétrico, o disco se complementa aos teclados de Jean Carllos, ao autoritário e agressivo baixo de Duca Tambasco e as baquetas de Walter Lopes em canções como “Espelhos Mágicos”, mas se rendendo a baladas fascinantes, como “Magia Alguma” e “Novos Céus”. Em “Glória Inst.”, Afram mostrou o porquê é o maior guitarrista que a música cristã nacional já conheceu.

    1996, Gospel Records


    21º: On the Rock – ResgateResgate - On the Rock - 1995

    Paulo Anhaia elevou o nível do Resgate de forma abismal em seu terceiro registro. On the Rock capturou todo o potencial de humor autodepreciativo sob sua música, e ascendeu as guitarras de Zé Bruno e Hamilton, com riffs poderosos de hard rock. Sendo o trabalho mais importante e sólido do rock cristão nacional durante a segunda metade dos anos 90, o disco combina temáticas obscuras, como a depressão, solidão e morte com a mais peculiar sátira, cuja habilidade o quarteto é especialista.

    1995, Gospel Records


    20º: Fruto dos Lábios – Comunidade da GraçaComunidade da Graça - 1988 - Fruto dos Lábios

    Clássico do louvor congregacional do Brasil, Fruto dos Lábios é o melhor trabalho da Comunidade da Graça, sob a participação de Adhemar de Campos. Recheado de clássicos, como “Nosso General”, “Louvemos ao Senhor” e “Hosana”, o trabalho se destaca pela qualidade dos arranjos vocais e de instrumentos utilizados.

    1988, Comunidade da Graça


    19º: Alma Cansada – Jair e HozanaAlma Cansada - Jair e Hozana

    As duplas formadas por homem e mulher fizeram história na música sertaneja cristã, e a primeira de destaque foi Jair e Hozana. Jair, aliás, era ninguém menos que Jair Pires, que faria história como um dos mais notórios cantores e compositores da história da música pentecostal. Alma Cansada, um disco embalado por viola e acordeom, misturava canções autorais do músico com alguns poucos hinos da Harpa Cristã. Em meio a faixas de grande relevância na época, como “Canta meu Povo” e “Multiplicações de Pães”, se destacaria a faixa-título, que se tornaria um inegável clássico.

    1968, Celeste


    18º: Portas Abertas – Grupo LogosPortas Abertas - Grupo Logos - 1987

    Um dos últimos trabalhos do Logos nos anos 80, Portas Abertas tem todas as características das produções oitentistas, e foi totalmente aberto para os modismos da época, como os sintetizadores utilizados e o reverb da bateria. Mas as composições seguem fortes e sinceras, como se espera em relação a este grupo.

    1987, Logos


    17º: Novidade de Vida – Edson e TitaNovidade de Vida - Edson e Tita - 1982

    Com a participação de grandes nomes da música nacional, como Paulo Jobim, João Donato, Danilo Caymmi, Toninho Horta e muitos outros, Novidade de Vida é o disco de música popular brasileira mais brilhante da década de 80. Tratando de questões como a solidão, o vazio humano e o encontro com Cristo, o trabalho conta com arranjos refinados de qualidade muito acima da média que o meio evangélico apresentava, na época. O primor das músicas foi tão notável que, anos depois, Tita processou Tom Jobim, por um suposto plágio de uma de suas canções, o qual Tom foi absolvido.

    1982, Parejhara


    16º: Anseios – Altos LouvoresAnseios - Altos Louvores - 1986

    A grande fórmula do Altos Louvores foi, além de seguir os outros grupos musicais com temática de louvor da época, utilizar uma musicalidade mais simples e próxima ao pop em suas produções. Sob o comando de Edvaldo Novaes e colaboração de Pedro Braconnot nos pianos e teclados, o disco contém uma gama variada de composições, escritas por Sérgio Lopes, Léa Mendonça, e muitos outros.

    1986, Som e Louvores


    15º: Voz e Violão – João AlexandreVoz e Violão - João Alexandre - 1996

    Ninguém soa ou soará um dia como João Alexandre. Em boa forma, Voz e Violão é um dos registros mais brilhantes de nossa história, e compreende canções conduzidas de forma literalmente “solo” pelo cantor. O repertório, no geral, nem é lá tão novidade, mas a proficiência e intimidade que Alexandre possui com seu violão é ímpar, produzindo o maior disco do estilo no meio cristão.

    1996, VPC Produções


    14º: Dê Carinho – Cristina MelCristina Mel - Dê Carinho - 1997

    Cristina Mel foi a intérprete mais importante da música cristã nos anos 90, e Dê Carinho registra a intérprete em pleno voo, alcançando o seu ápice, dividindo seu repertório entre vários gêneros musicais. A obra trata do amor, em sua amplitude, versando, por exemplo, sobre amizades (“Ao Amigo Distante”) e o favor de Cristo (“Mestre”). Essencialmente pop, com produção musical de Cristina, e arranjos instrumentais de Karam e Natan Brito, foi também lançado numa edição em espanhol.

    1997, MK Music


    13º: 3 – Complexo JComplexo J - 3 - 1992

    Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, 3 é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.

    1992, MK Music


    12º: Espelho nos Olhos – Banda AzulEspelho nos Olhos - Banda Azul - 1988

    Sendo o canto do cisne de Janires, é um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80. Seu teor poético se entrelaça com o contexto histórico: é neste disco que o cantor faz uma retrospectiva de sua vida, nos dá referências de outras músicas que se tornaram relevantes em sua carreira, e constantemente trata da Eternidade. Trazendo, agradavelmente, variações de rock progressivo, pop rock, reggae e MPB, Espelho nos Olhos é um testemunho musical brilhante de uma vida humana voltada, até o seu último momento, para o céu.

    1988, Bompastor


    11º: Não Há Barreiras – Álvaro TitoÁlvaro Tito - Não Há Barreias - 1986

    Imagine uma das maiores gravadoras do planeta, a PolyGram (hoje Universal Music), abrindo suas portas para a música evangélica brasileira que estava fervilhando nos anos 80. Agora, imagine um talentoso cantor de apenas 21 anos que misturava MPB, jazz, soul e pop como recém contratado por ela para gravar seu terceiro disco. Artisticamente ambicioso, se propõe a não apenas interpretar, mas também atuar no projeto como diretor musical, arranjador, músico e compositor de metade das faixas. A despeito da resistência inicial da cúpula da gravadora em confiar tamanha responsabilidade a um artista tão jovem, o trabalho resultou em um dos melhores discos já produzidos na música evangélica nacional. O sucesso de público e crítica foi imediato e a faixa que o intitula, certamente, uma das mais importantes daquela década dourada.

    1986, PolyGram


    10º: Princípio – RebanhãoRebanhão - Princípio - 1990

    Era 1990 e o Rebanhão disse sim para o início do movimento gospel, intensificando o pop do disco anterior, cuja consistência seria o molde para as produções da época. Neste disco, o grupo apresenta baladas suaves e de excelência, como “Selo do Perdão”, mas questiona os poderosos e regimes totalitários nas elegantes “Muro de Pedra” e “Palácios”, um triunfo de Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Como cereja do bolo, o grupo ainda utilizou-se do fatídico assassinato de Chico Mendes para questionar: “até quando viverei pra testemunhar e dizer sim, sim a Deus e a toda vida?”, dando o desiludido atestado de que mais uma década passara e os dilemas ainda eram os mesmos. Além do mais, foi o primeiro disco gospel, e o primeiro lançado em CD.

    1990, Gospel Records


    9º: Retratos de Vida – MiladRetratos de Vida - Milad - 1987

    Foi no álbum conceitual mais importante da música cristã em que a dupla João Alexandre e Toninho Zemuner explorou a vida noturna paulista e todo o caos urbano que existia – e persiste – na maior cidade do país. Tratando da elite cultural (“Plateia”), prostituição (“Esquinas Cruéis”), desigualdade em seus extremos (“Pobres Ricos” e “Meninos de Rua”) e isolamento social (“Solidão de Ilha”), o trabalho é cheio de riqueza musical, passeando pela MPB, bossa-jazz e até mesmo o post-punk, com muita tranquilidade. Além da clássica “Olhos no Espelho”, o disco contém despojadas e agradáveis faixas instrumentais, confirmando a coragem e relevância que contém para a história da música cristã nacional.

    1987, Água Viva


    8º: Janires e Amigos – JaniresJanires e Amigos

    O primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional é o registro definitivo de toda uma cena que estava se consolidando nos anos 80: Janires reuniu amigos e fincou sua respeitada imagem. Apoiado pela Banda Fé, com participação de João Alexandre, Ed Wilson, Rebanhão e muitos outros músicos e personalidades midiáticas, como o ex-jogador Baltazar e o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, o disco é intimista, e pouco religioso. Falando de sua vida, e refletindo acerca dos testemunhos e dificuldades diárias de seus amigos, o repertório surpreende pelas belas “Mamãe”, “Alex, o Baixinho Voador”, “Helena, Todo Pecado Será Perdoado”, além da icônica “Jesus Super Herói”. No geral, Janires e Amigos é um trabalho que revela o melhor de Janires: riqueza musical, simplicidade e sinceridade.

    1985, Doce Harmonia


    7º: Situações – Grupo LogosGrupo Logos - Situações - 1984

    Após o fim do Grupo Elo, o Grupo Logos surgiu sob o comando de Pr. Paulo Cezar. Situações é o seu clássico, registro que se mostra bastante superior ao trabalho antecessor, Caminhos. Aqui, a banda aposta em um som que segue as tendências do último trabalho do Elo, Nova Canção, trazendo influências populares para a sua música. Outro destaque, acerca de sua sonoridade, é a riqueza de sintetizadores que apresenta. Portanto, além de musicalmente dentro das tendências da época, o disco possui a consistência lírica que tornaria o Logos um dos melhores grupos musicais já existentes.

    1984, Logos


    6º: Luz do Mundo – RebanhãoRebanhão - Luz do Mundo - 1983

    O céu é a temática mais clara para definir Luz do Mundo. Neste álbum, o Rebanhão apresentava uma evolução técnica considerável, em relação ao primeiro trabalho. Gravado no melhor estúdio brasileiro da época, o Estúdio Transamérica, se destaca pela suave “Hoje Sou Feliz”, com influências da MPB, e sua letra, tão atual, sobre a situação do nosso país. Embora o disco descreva, de forma bem forte e incisiva, os problemas da sociedade, não é pessimista, mas indica Cristo como a solução. Janires, claramente, era alguém fixado na Eternidade, e não deixou de cantar sobre ela até o último momento de sua vida: “Ele faz muita falta, mas não aguentaria a forma com que a igreja caminha nos dias de hoje”, disse Carlinhos Felix ao Super Gospel.

    1983, Arca Musical Evangélica


    5º: Cem Ovelhas – Ozéias de PaulaCem Ovelhas - Ozéias de Paula - 1973

    O disco Cem Ovelhas, do cantor Ozéias de Paula é, provavelmente, o mais importante álbum lançado por um artista do movimento pentecostal. O que saiu deste trabalho influenciou as gerações que viriam. Todas as onze canções que compõem o disco se tornaram sucesso e algumas delas clássicas, como “Hoje sou Feliz” e “Oh foi por mim”, além da faixa-título que se tornou um hino o qual ultrapassa o limite do tempo. Outro grande sucesso, “É Assim que eu Te Amo”, embora se tratasse de uma declaração a Deus, passou a ser considerada como uma música romântica, o que abriria portas para as diversas canções e discos apaixonados que viriam nas décadas seguintes. Com grandes letras e uma pegada ousadamente moderna para a época, Ozéias entrou para a história como o maior nome masculino da história da música pentecostal nacional.

    1973, Estrela da Manhã


    4º: Celebraremos com Júbilo – Don e AsaphDon e Asaph Borba - Celebraremos com Júbilo - 1978

    Asaph Borba, juntamente a Adhemar de Campos, são os nomes mais conhecidos, e importantes, do meio congregacional. No entanto, na segunda metade dos anos 70, Asaph já estava no meio evangélico. E, com o músico Donald Stoll, formou a dupla Don e Asaph, produzindo Celebraremos com Júbilo. Gravado totalmente em território estrangeiro, em Bay City, Michigan, nos Estados Unidos, a obra possui uma consistência sonora e instrumental bastante superior, se considerarmos os lançamentos deste período. Por sua vez, este trabalho se destaca com várias canções, mostrando que, mesmo após mais de trinta anos após o seu lançamento, é um dos clássicos de nossa música.

    1978, Life Produções


    3º: Ouvi Dizer – Grupo EloOuvi Dizer - Grupo Elo - 1978

    O Grupo Elo é um dos mais importantes grupos musicais já surgidos na música cristã. Sob o destaque das figuras de Jayrinho (in memoriam) e Pr. Paulo Cezar, a sua obra alcançou outro nível com o disco Ouvi Dizer. Enquanto Nova Jerusalém, o trabalho de estreia, se destacava por trazer instrumentos até então pouco convencionais, como a bateria e a guitarra, o disco sucessor une isso a um bom repertório, que se tornou um clássico no meio evangélico.

    Com bases gravadas nos EUA e representando uma virada no som na banda, conta com uma produção musical de altíssimo nível e músicos competentes. Assim, somos introduzidos a faixas de grande riqueza poética, como a clássica “Céu, Lindo Céu”, além das regravações de “Calmo, Sereno, Tranquilo” e “Mais Perto Quero Estar”. A melhor música, por sua vez, é “Autor da Minha Fé”, uma das mais belas canções nacionais que temos, já regravada por Cristina Mel, Carlinhos Felix, Alex Gonzaga e Paulo César Baruk.

    1978, Elo


    2º: Mais Doce que o Mel – RebanhãoRebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981

    “Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época”, afirmara Pedro Braconnot ao O Propagador. De 1981 pra cá, Mais Doce que o Mel apenas foi mais reconhecido e estimado: o primeiro registro de rock e tropicália que definitivamente alcançou o meio cristão, o disco foi, por muitos anos, um escândalo.

    Com sua sonoridade ousada e direta, o repertório se destaca especialmente pelas composições de Janires que, claramente, dialogava com a cultura do nosso país. O destaque vai para o pot-pourri, cujo som, durante oito minutos, prende o ouvinte, com riffs de baixo bem marcados e um arranjo de metais de classe. A primeira música deste medley, “Salas de Jantar”, claramente faz referência à “Panis et Circenses”, do antológico disco de estreia dos Mutantes. A riqueza de sons se expande ao “Baião” e sua crítica social, e a melhor música do disco, o choro “Casinha”. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot também surgem com as agradáveis “Monte” e “Refúgio”, guiadas por uma sonoridade que passeia pelo pop rock e rock progressivo.

    Mais Doce que o Mel não foi muito bem recebido por conta de suas músicas questionadoras, livres e diretas, mas nada foi mais polêmica do que a capa, em que Janires esbanja simplicidade, com a camisa aberta. ‘Censurada’, a capa teve que ser refeita em outra edição. Além das críticas, boicotes e acusações de satanismo, o reboliço causado pela música do Rebanhão apenas expandiu a sua popularidade, tornando-os conhecidos por todo o país.

    1981, Doce Harmonia


    1º: De Vento em Popa – Vencedores por CristoDe Vento em Popa - Vencedores por Cristo - 1977

    Um dos discos mais aclamados até hoje em termos de letras, ritmos, vocais e instrumentais. A grande importância desse trabalho reside na proposta diferente que trazia, na linguagem inovadora e na influência que provocou em tantos artistas cristãos, que estavam sendo formados naquela época, e mesmo em épocas posteriores. Pela primeira vez, os Vencedores por Cristo lançavam um disco com canções totalmente autorais e cujas letras e sonoridade dialogavam, sem medo, com a cultura brasileira.

    “Eu o considero um marco porque Vencedores àquela altura era o grupo musical de maior penetração no meio cristão devido às equipes que viajavam por todo o país divulgando o trabalho musical da organização”, diria Jorge Camargo, em entrevista ao Arquivo Gospel. De Vento em Popa foi o único disco cristão a ser tema de uma tese de mestrado, defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda, esta obra, devido a sua qualidade musical, transpassou as barreiras do meio cristão, servindo de influência para alguns músicos ‘seculares’, sendo citado, recentemente, por Ed Motta, como “um disco raro no gospel”.

    Aliando-se à música brasileira, na pretensão de nacionalizar as canções cristãs da época, era um contraponto a tantas versões que eram feitas (profético?). Reúne músicas de grandes compositores da música cristã: Aristeu Pires Junior, Artur Mendes, Ederly Chagas, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta e Nelson Bomilcar, que também participam nos vocais e instrumentais. Um disco em que brasilidade, poesia, qualidade e espiritualidade se harmonizam.

    1977, VPC Produções


    Eleitores: Alex Eduardo (músico), Danilo Andrade (editor-chefe, O Propagador), João Dias (historiador), Leiliane Lopes (jornalista), Philipe Daniel (músico), Rafael Ramos (jornalista e editor-chefe, Gospel no Divã), Roberto Azevedo (editor-chefe, Super Gospel), Rogério Oliver (pesquisador, Gospel no Divã), Ruben Mukama (músico), Salvador de Souza (historiador), Tayse Souza (editora, O Propagador), Tiago Abreu (editor colaborador, Super Gospel).

    Contribuintes: Alexandre Pereira, Charles Spencer, Cleber Nadalutti, Gesson Vasconcelos, Jhonata Fernandes, Philippe Santos, Renan Lima, Thiago Ferreira.

  • TOP 10 – Músicas sobre sonhos

    Os sonhos nos acompanham por toda a vida. Por sonhos, grandes homens e mulheres construíram legados como seres humanos e como cristãos. Planos e projetos mudaram a história da humanidade. No entanto, nossos sonhos e vontades nem sempre estão alinhados com a vontade e a soberania de Deus, certo? Em muitos momentos, Ele nos guia para outras direções, que são as mais corretas. Por isto, este TOP 10 vem a citar dez canções sobre sonhos que enfatizem a vontade de Deus sobre os seres humanos. Confere aí!

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    [tab title=”10º”]

    Sonhos não Têm Fim – Eyshila

    Faixa-título de um de seus álbuns, “Sonhos não Têm Fim” foi escrita por Eyshila, e encaixa-se nesta temática de sonhos e projetos. (2011)

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    [tab title=”9º”]

    O Sonho não Acabou – Gisele Nascimento

    Escrita pela dupla Sérgio Marques e Marquinhos, é a faixa-título de um dos mais recentes álbuns de Gisele Nascimento. Com uma letra que fala sobre o cumprimento de promessas, típico do estilo pentecostal, a cantora emprestou sua voz forte para cantar sobre a certeza e confiança em Deus, dizendo “O sonho não acabou, meu Deus realizará / Sua palavra é certa eu posso confiar / Preciso esperar”. (2013)

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    [tab title=”8º”]

    Vou Realizar – Mariana Valadão

    Escrita por Felippe Valadão, “Vou Realizar”, de Mariana Valadão abordam sonhos praticamente impossíveis, mas que, sonhados por Deus, tornam-se reais. A faixa foi regravada no álbum Vai Brilhar. (2009)

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    [tab title=”7º”]

    Na Tua Vontade – Vanilda Bordieri

    “Na Tua Vontade”, faixa-título de um dos mais recentes projetos de Vanilda Bordieri, é uma das canções que se encaixam perfeitamente na temática deste TOP 10. Alguns de seus versos afirmam: “Embora sempre diga seja feita Tua vontade / Na maioria das vezes não é bem assim / Quero que seja cumprido o que eu sonhei / Esqueço que pra mim Tu tens / Planos melhores, coisas que jamais imaginei / Sonhos que não vão me afastar do Teu querer“. (2014)

    https://www.youtube.com/watch?v=IeZ1iiR9Dgw

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    [tab title=”6º”]

    No Teu Altar – Diante do Trono

    “No Teu Altar” é mais uma canção em forma de oração. Gravada pelo Diante do Trono para o seu álbum Nos Braços do Pai, enfoca a renúncia as vontades pessoais em submissão à soberania de Deus manifestada em Seus sonhos. (2002)

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    [tab title=”5º”]

    Para Onde Ir – Davi Sacer

    Conduzida por um arranjo melancólico, “Para Onde Ir”, de Davi Sacer, é parte do álbum Às Margens do Teu Rio. Sua letra explicita um conflito entre as vontades do eu lírico, as vezes aceitas e negadas por Deus, e a súplica de que todos os seus sonhos e projetos sejam substituídos pelos planos de Deus. (2012)

    https://www.youtube.com/watch?v=v_QLefSUe6w

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    [tab title=”4º”]

    Nossos Planos – Aline Barros

    De Marcelo Manhãs, “Nossos Planos” enfatiza que “nossos sonhos são enganos / se não forem projetados por Deus“, reafirmando que mais importante é seguir os seus planos. Aline Barros a interpreta competentemente. (2003)

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    [tab title=”3º”]

    Teus Sonhos – Fernandinho

    Um dos hits do cantor Fernandinho e faixa-título de um dos seus discos, “Teus Sonhos” é uma de suas canções mais fortes, abordando a necessidade de deixar a independência e guiar-se pela vontade de Deus, focando em Seu Reino. (2012)

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    [tab title=”2º”]

    Não Importa Mais – Aeroilis

    Uma das canções mais belas da banda Aeroilis, se destaca em nosso TOP 10, na segunda posição, por possuir uma abordagem diferente em sua letra. O eu lírico observa os acontecimentos da sua vida, os planos pensados que não se realizaram, e as ocorrências, afirmando que nada disso importa, pois os sonhos e projetos de Deus são maiores que os de qualquer pessoa. Foi escrita e arranjada pelo vocalista Raphael Campos e já foi tema de uma reflexão aqui no site.  (2010)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Sonhos – Chris Durán

    O primeiro lugar é o maior sucesso de Chris Durán desde o início de sua carreira no segmento cristão. “Sonhos” foi escrita por Ismael Ramos, que faz participação especial nos vocais. De melodia suave, a faixa foi escrita em primeira pessoa, como se Deus estivesse falando ao ouvinte. Foi também regravada pela dupla Ma-Lu, numa versão bastante conhecida. (2004)

    https://www.youtube.com/watch?v=Bz4o4rhzZ_M

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Aeroilis: o início do novo movimento

    Foto: Raphael Campos, vocalista da Aeroilis em show ocorrido em abril de 2003 | Fotolog Aeroilis

    Em meados de 2001, surgia a Aeroilis. Mais que uma banda independente do chamado rock alternativo, ainda incipiente no Brasil como um todo, o grupo se tornaria, com os anos como o precursor de um movimento musical já abordado aqui, o chamado Novo movimento.

    A banda surgiu na cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina no início de 2001, e caracteriza-se, inicialmente por ter iniciado suas atividades em uma região, anteriormente, de pouco destaque na cena do rock feito por indivíduos cristãos. Se antes, os grupos estavam concentrados no eixo Rio-São Paulo, a Aeroilis fez parte desta época, em que novas bandas de outras regiões se destacavam, principalmente oriundas das regiões Centro-Oeste e Sul.

    Segundo Arvid Auras, baterista e principal letrista da Aeroilis, os integrantes já se conheciam e tocavam em outras bandas em anos anteriores, o que colaborou para a formação, em 2001.

    Na verdade a gente já toca junto, em outras bandas, há um bom tempo, eu toco com o Raphael (vocal) desde 94, tocamos juntos no Hadasha e no Nec Plus Ultra, o Fernando (fejão) também tocava no Nec Plus Ultra, assim com o Eduardo, que foi nosso baixista até pouco tempo atrás [Arvid Auras, 2005, Super Gospel]

    Após a formação da banda, o repertório autoral foi surgindo, e o primeiro álbum foi gravado num home estúdio, o La Cruz. O vocalista Raphael Campos, responsável pela maior parte das ideias instrumentais do grupo, foi o produtor da obra, que foi gravada e mixada entre julho de 2003 e janeiro de 2004. O baixista Eduardo Galvani ficou responsável pelo projeto gráfico.

    O CD, distribuído de forma independente, continha onze faixas. Quatro meses depois, a gravadora Bom Pastor interessou-se pela Aeroilis, contratou a banda e o álbum foi relançado nacionalmente, com mais duas novas canções (“Ter Fé” e “Em Meio ao Frio e a Dor”). Inclusive, tais canções não aparecem no encarte do disco, justamente por terem sido incluídas posteriormente.

    Durante a turnê do álbum, Eduardo precisou deixar a banda por questões de tempo, fazendo com que o músico Helon Borba (atualmente vocalista do Quarto Fechado) assumisse o baixo da banda. A banda fez apresentações em vários locais no Brasil. Lembro que, na época, o quarteto fez algumas apresentações em Goiânia, e nas rádios locais, “O Tempo” era bastante executada. Pelo fato da carreira musical não ser o meio de sobrevivência principal dos integrantes, a atividade da banda em lançar o disco seguinte ficou extensamente prejudicada, mas um post próximo abordará isso de forma mais detalhada.

  • Para refletir – A estante e os troféus

    Quando a realidade é clara, direta e há a insistência de não a enxergar, mesmo estando óbvio e “na cara”. É neste contexto em que o ato de pensar, refletir e reavaliar os acontecimentos cotidianos soa mais dolorido. Construímos uma série de pequenos sonhos diários, ações a fazer, pessoas a interagir, ignorando o natural descontrole que é nosso dia-a-dia. É uma realidade talvez cruel, mas a mais justa, não é mesmo? Tudo o que foi pensado, milimetricamente planejado entra em choque com o outro que está do lado. A única ação, portanto, é aceitar.

    Assim, infelizmente, parece que levamos nossa vida como uma estante. Cada realização, um troféu, que logo logo estará empoeirado, abandonado, enquanto corremos por outro mais belo. E nesse loop de acontecimentos, vemos um pouco de nós morrer a cada instante. Nossos sonhos aparentemente inalcançáveis ficam para trás, sentimentos falecem, e percebemos que no fim das contas somente o essencial permanece. Costumo pensar que a morte física é apenas a conclusão de um processo mortífero, que é a nossa vida. É isso o que experimentamos: a morte do eu.

    E dentro deste processo, querendo ou não, uma hora aprendemos com a vida que nos é oferecida. Não há como construir o amanhã sem as vivências do hoje, as quedas, as dores e as realizações. Nosso caráter é formado através de tudo o que é vivenciado durante este tempo, moldados e reconstruídos por Deus. A medida dos anos, olhar para trás, e saber muito bem o que realmente é e sempre foi importante para nós, e no final nos encontrarmos para sempre com o Pai, concluindo de forma perfeita nossa trilha.

    É desta forma que gosto de pensar a respeito deste processo, no qual nunca estamos sós.

    https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE

  • Um Brinde – Travesseiros

    Um Brinde – Travesseiros

    Se nós entendêssemos que há apenas uma vida pra se viver? que o hoje é o que realmente existe, o amanhã, o depois, o mês que vem são incertezas?

    Pode sim acontecer. Pode vir, e nós cremos que virá: cremos que virá um amanhã e, somos mais otimistas ainda quando cremos que haverá sol no dia seguinte. Ah sol! Como és belo! Teu ardor é mediacional.

    Eu diria que há uma fronteira aberta na qual nós como meros seres racionais, avaliamos o mais importante (pra quem?) como o infalível. Perfeito. Bom, os travesseiros sabem mais do que ninguém que nós somos mortais. Podemos morrer no próximo segundo, próximo minuto. “Uma pessoa já é gente pra caramba!“, já dizia (diz) Humberto Gessiger. E que referência é este cara hein! Eu poderia afirmar que é o único que me deixa feliz em lê-lo e ouvi-lo ao mesmo tempo. Não me lembro de outro artista tão espetacular assim. Já conseguiu entender o título do post? Não? O que importa entender o que não se entende? Assim como as dúvidas do programa de TV te acusa a noite, afinal, Valdecir é nome de homem ou mulher?

    Ouço uma música que muito me marcou no final de 2013, e, creio que a banda está inativa. “Passos Lentos” da Aeroilis, é uma canção que me remete maturidade: pois somente uma pessoa madura deixa a glória para trás. E é isso que diz a música. É besteira querer dormir cedo, pois por mais que eu tente, os travesseiros irão pesar demais, e irá passar um filme retrô e um bem futurista (ele ainda nem existe) em minha cabeça. Neste período “feudal” que vivo todas as noites, tento colocar meus textos em dia e, em uma dessas noites nasceu este, para você de norte, leste, oeste, sul ler. Não sei a dimensão que isso tomou, mas o único objetivo foi te entreter e convidar-te a brindar nossos travesseiros! Mas cá entre nós: eu não gosto deles. Ao contrário de uma pessoa normal, os uso sobre a cabeça. Um brinde ao sono!

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=mFvoLZDMXXA]

  • TOP 10 – músicas gospel sobre primeiro amor

    Não é preciso afastar-se da ‘vida religiosa’ para sentir a necessidade voltar ao primeiro amor. Às vezes a motivação para as práticas não são tão intensas quanto antigamente, e o comodismo bate na porta. Neste TOP10 listaremos dez canções cristãs sobre o tema.

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    “Recomeçar” – Resgate

    Integrante do álbum Este Lado para Cima, “Recomeçar”, do Resgate, aborda os maus conceitos e ideias que temos de Deus, e o fato de repensar o que Ele é. Em muitas vezes por sermos cristãos mal resolvidos levamos uma vida cristã de forma indiscriminada, e atrapalhamos, indiretamente o relacionamento de outras pessoas com Deus. (2012)

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    “Desperta-me” – Trazendo a Arca

    O Trazendo a Arca, após o Toque no Altar alcançou o mesmo sucesso anterior com o lançamento do CD Marca da Promessa. “Desperta-me” é um dos registros do álbum, baseada na parábola das dez virgens, ao qual é abordada nossa necessidade de sempre estarmos preparados para o grande dia e não perdermo-nos do Senhor. (2007)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=iG_flUQFkhw]

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    [tab title=”8º”]

    “Canção do Amor” – Diante do Trono

    Do mesmo álbum, “Canção por Amor” é a faixa-título de um álbum conceitual sobre o primeiro amor. Que nos levantemos do nosso comodismo, do sono espiritual e retornar aos primeiros dias, quando tudo soava mais intenso. O projeto, como um todo é considerado um dos melhores do Diante do Trono. (2008)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=9sVSr_G_R30]

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    [tab title=”7º”]

    “Jesus, meu Primeiro Amor” – Fernanda Brum e Arianne

    Escrita por Antônio Cirilo, mas gravada por Fernanda Brum, trouxe a participação de Arianne, na época desconhecida. A canção é marcante por seu refrão, que lembra a necessidade de reacender a “paixão” por Cristo. (2004)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=U3PRAEIv5Tk]

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    [tab title=”6º”]

    “De Volta à Inocência” – Quatro por Um

    Um dos maiores sucessos da banda, “De Volta à Inocência” é uma das canções que mais se encaixam claramente na temática do primeiro amor, lembrando que Deus pode curar as feridas que o mundo causa, trazendo de volta a pureza das primeiras obras. (2004)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=QVLav7xYzjU]

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    [tab title=”5º”]

    “Arde Outra Vez” – Thalles

    Uma das três canções que consagraram a carreira de Thalles, “Arde Outra Vez” é um registro de alguém que se achega a Deus e humilhando-se, quer voltar ao estado anterior de comunhão. Diferentemente das outras canções deste TOP, a música traz a resposta de Deus logo após. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=p_qTzP95kcU]

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    [tab title=”4º”]

    “Passos Lentos” – Aeroilis

    Uma das canções mais conhecidas da Aeroilis, “Passos Lentos” remete a nossa incapacidade de andar sozinhos. Nós pensamos, planejamos, mas nunca sabemos de nada. Afinal, somos humanos, falhos e os enganos são fáceis de se alcançar. O importante é deixar para trás tudo o que nos afasta do criador. Composição de Arvid Auras/Raphael Campos. (2010)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=mFvoLZDMXXA&feature=youtu.be]

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    [tab title=”3º”]

    “Jardim da Inocência” – Paulo César Baruk

    Sucesso na voz de Baruk, mas autoria do cantor Alexandre Malaquias. Poética e intimista, a canção obteve alta repercussão e marcou a carreira do cantor, que hoje é um dos maiores nomes da música cristã nacional. Foi regravada cerca de outras duas vezes pelo artista. (2007)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=Mu_Pf40wxkk]

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    “Abraça-me” – David Quinlan e Heloisa Rosa

    Heloisa Rosa apenas fez uma participação, mas tornou-se um sucesso tanto para a cantora e David Quinlan. Registrada no álbum homônimo, “Abraça-me” apresenta uma simplicidade e leveza, principalmente na voz de Heloisa. (2004)

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    “Primeiro Amor” – Rebanhão

    É praticamente impossível não falar em primeiro amor e não lembrar este clássico, na autoria de Aurélio Rocha e gravado pelo Rebanhão. A canção foi regravada por vários artistas, como Aline Barros. O registro original da banda foi gravado na voz do vocalista e guitarrista Carlinhos Felix, com a participação de Pedro Braconnot nos teclados, Paulo Marotta no baixo e Fernando Augusto na bateria, ou seja, na formação clássica. (1987)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=MKT5EdLMs-4]

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    Lembra-se de mais alguma canção sobre primeiro amor? Comente aí!

  • Dia do rock: Live Aid, movimento e 2014

    Da esquerda para a direita: John Deacon, Brian May e Freddie Mercury, três dos quatro integrantes do Queen

    Um gênero musical inicialmente com pequeno prazo de validade transformou-se num dos maiores, se não o maior movimento musical do último século. Em várias décadas, várias vertentes, que demonstraram várias exposições de ideias e valores deram corpo ao rock tão multifacetado que temos hoje.

    Se hoje temos uma visão abrangente do que tudo isso representou para a cultura mundial, gostaria de pensar em 1985, no dia 13 de julho, quando Bob Geldof organizou o evento em prol da fome na Etiópia, contando com a participação de vários artistas e bandas da música popular. O evento prometia bastante, com a reunião do Led Zeppelin (que tinha acabado em 1980 com a morte do baterista John Bonham), a volta de Paul McCartney aos palcos depois do susto e lamento causado pelo assassinato de seu ex-companheiro de Beatles John Lennon, e também a participação do The Who, que estava em hiato.

    Cada artista tinha exatos vinte minutos para apresentação, e de todos, quem roubou a cena foi o Queen. O quarteto, formado por John Deacon, Brian May, Freddie Mercury e Roger Taylor embalou o público, de 82 mil pessoas com canções como “Bohemian Rhapsody”, “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall”. A icônica presença de palco de Mercury tornou-se uma prova de que o cantor e compositor era uma lenda viva, e sua performance foi considerada a melhor apresentação de uma banda de rock na história.

    O Live Aid foi uma prova de que as questões sociais sempre estiveram, de certa forma paralelo ao rock como gênero musical. A expressão fora do conservadorismo da juventude da época era talvez uma busca pela contracultura do movimento hippie dos anos 60. O evento foi tão importante que em 2005 Bob organizou o Live 8, com intenções distintas, mas com um impacto enorme. A reunião da formação clássica do Pink Floyd (dividida desde meados de 1981) marcou o evento. Foi a única reunião da banda em sua história, já que em 2008 o tecladista Richard Wright morreu de câncer.


    No ambiente cristão

    O rock fez lembrar, através de uma juventude cristã influenciada pelo gênero muitas questões esquecidas e ignoradas pela “bolha religiosa”. Se por um lado, ainda, em pleno século XXI há um enorme preconceito ao rock feito por cristãos por parte de antirreligiosos, podemos considerar que o rock fez um belo serviço ao mundo cristão.

    Em 2014, recolhemos algumas lembranças e comemorações no cenário nacional. A banda Resgate, que já gravou quase dez álbuns em vinte e cinco anos de carreira soma uma discografia admirável, mantendo a mesma formação de seu início. Sem dúvida, um quarto de século merecido que gerará uma gravação este ano. Dando mais surpresas ainda, o Rebanhão se reunirá após quase quinze anos inativo para gravar um DVD no Rio de Janeiro, previsto para novembro e com turnê no país em 2015, comemorando os 35 anos da banda fundada em 1979. Ambos os grupos quebraram paradigmas em seu tempo, na luta por uma expressão de fé mais livre e mais preocupada com o contexto atual.

    Parte das bandas novas da cena independente tentam um caminho mais ousado, o chamado novo movimento, também conhecido popularmente como “crossover” (leia o artigo sobre o assunto) que tenta, de uma vez por todas expressar a fé sem o uso do “evangeliquês” ou conceitos que muitas vezes não fazem sentido para quem nunca teve contato mais profundo com temas do ambiente cristão. Destas bandas, temos como destaques Tanlan, Quarto Fechado, a extinta e precursora Aeroilis, Hibernia, Memora, Palavrantiga e muitas outras.

    Que venham mais dias mundiais do rock!