Da esquerda para a direita: John Deacon, Brian May e Freddie Mercury, três dos quatro integrantes do Queen
Um gênero musical inicialmente com pequeno prazo de validade transformou-se num dos maiores, se não o maior movimento musical do último século. Em várias décadas, várias vertentes, que demonstraram várias exposições de ideias e valores deram corpo ao rock tão multifacetado que temos hoje.
Se hoje temos uma visão abrangente do que tudo isso representou para a cultura mundial, gostaria de pensar em 1985, no dia 13 de julho, quando Bob Geldof organizou o evento em prol da fome na Etiópia, contando com a participação de vários artistas e bandas da música popular. O evento prometia bastante, com a reunião do Led Zeppelin (que tinha acabado em 1980 com a morte do baterista John Bonham), a volta de Paul McCartney aos palcos depois do susto e lamento causado pelo assassinato de seu ex-companheiro de Beatles John Lennon, e também a participação do The Who, que estava em hiato.
Cada artista tinha exatos vinte minutos para apresentação, e de todos, quem roubou a cena foi o Queen. O quarteto, formado por John Deacon, Brian May, Freddie Mercury e Roger Taylor embalou o público, de 82 mil pessoas com canções como “Bohemian Rhapsody”, “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall”. A icônica presença de palco de Mercury tornou-se uma prova de que o cantor e compositor era uma lenda viva, e sua performance foi considerada a melhor apresentação de uma banda de rock na história.
O Live Aid foi uma prova de que as questões sociais sempre estiveram, de certa forma paralelo ao rock como gênero musical. A expressão fora do conservadorismo da juventude da época era talvez uma busca pela contracultura do movimento hippie dos anos 60. O evento foi tão importante que em 2005 Bob organizou o Live 8, com intenções distintas, mas com um impacto enorme. A reunião da formação clássica do Pink Floyd (dividida desde meados de 1981) marcou o evento. Foi a única reunião da banda em sua história, já que em 2008 o tecladista Richard Wright morreu de câncer.
No ambiente cristão
O rock fez lembrar, através de uma juventude cristã influenciada pelo gênero muitas questões esquecidas e ignoradas pela “bolha religiosa”. Se por um lado, ainda, em pleno século XXI há um enorme preconceito ao rock feito por cristãos por parte de antirreligiosos, podemos considerar que o rock fez um belo serviço ao mundo cristão.
Em 2014, recolhemos algumas lembranças e comemorações no cenário nacional. A banda Resgate, que já gravou quase dez álbuns em vinte e cinco anos de carreira soma uma discografia admirável, mantendo a mesma formação de seu início. Sem dúvida, um quarto de século merecido que gerará uma gravação este ano. Dando mais surpresas ainda, o Rebanhão se reunirá após quase quinze anos inativo para gravar um DVD no Rio de Janeiro, previsto para novembro e com turnê no país em 2015, comemorando os 35 anos da banda fundada em 1979. Ambos os grupos quebraram paradigmas em seu tempo, na luta por uma expressão de fé mais livre e mais preocupada com o contexto atual.
Parte das bandas novas da cena independente tentam um caminho mais ousado, o chamado novo movimento, também conhecido popularmente como “crossover” (leia o artigo sobre o assunto) que tenta, de uma vez por todas expressar a fé sem o uso do “evangeliquês” ou conceitos que muitas vezes não fazem sentido para quem nunca teve contato mais profundo com temas do ambiente cristão. Destas bandas, temos como destaques Tanlan, Quarto Fechado, a extinta e precursora Aeroilis, Hibernia, Memora, Palavrantiga e muitas outras.
Que venham mais dias mundiais do rock!
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