Tag: Rebanhão

  • Rocklogia – Citações

    Este é o post mais simples, e talvez o mais “divertido” da Rocklogia. Em grande parte dos textos aqui já publicados, utilizei de citações e citei entrevistas. Mas está na hora de apresentar, aqui, uma série de citações interessantes, alguma até então pouco conhecidas.


    “Somos amigos da galera do G3. Nos afastamos na época da saída deles da Renascer, coisa de igreja, infantilidades denominacionais, mas amamos os caras”. [Zé Bruno, sobre saída da Oficina G3 da Gospel Records, Ruben Mukama, 2012]

    “Conheci o Rebanhão que… na minha época era como se fosse o Metallica do meio gospel (risos), era o terror de todos os pastores e eu me tornei uma versão piorada de tudo isso”. [Marcão, sobre sua inserção no rock cristão, no The Talk GO!, 2015]

    “Nós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram”. [Carlinhos Felix, sobre o início do Rebanhão e as resistências de cristãos, Folha de S. Paulo, 1991].

    “Pois é, coragem é sinônimo de Catedral! Queiram ou não temos história, fatos, resultados que confirmam tudo isso, enquanto muita gente ainda tem que comer muito feijão com arroz em vários sentidos…”. [Kim, sobre declarações de Marcos Almeida acerca do Catedral, O Propagador, 2013]

    “Fiz de tudo. Meditação, ioga. Um dia, aqui em São Paulo, o pastor Estevam Hernandes Filho, idealizador da Fundação Renascer, me viu tocando e disse para eu tocar para Deus. Eu disse: esse cara tá meio pirado”. [Brother Simion, sobre sua conversão religiosa, Folha de S.Paulo, 1993]

    “[…] não inventaram nada depois de Beatles e Queen!” [Dudu Borges, sobre suas referências musicais, Ruben Mukama, 2008]

    “Havia um cenário muito criativo desde os anos 60. Várias canções de autores famosos expressavam o melhor de suas angústias, desejos e celebrações. Algumas letras foram de fato tocantes para muitos corações e, creio eu, usadas por Deus ao menos para despertar indagações e sonhos”. [Wolô, em entrevista pessoal, 2015]

    “As pessoas ainda pensam que música evangélica é bater bumbo na praça”. [Marco Salomão, sobre a incipiência do mercado evangélico, O Globo, 1991]

    “Não acho que seja a MK a responsável pela mudança nas bandas. Sempre falei que ela é empresa, não entidade filantrópica. E uma empresa é boa quando sabe fazer dinheiro. O profissionalismo acima do comprometimento com a verdade, sim, transforma o caráter de uma banda ou cantor. A MK não é babá espiritual de ninguém. A falta de palavra, se seriedade, de honestidade, tudo isso que em geral vem no kit com a fama é que faz uma banda se transformar da noite pro dia”. [Bênlio Bussinguer, sobre a MK Music, Dot Gospel, 2005]

    “Quero agregar o máximo de bandas e artistas nessa caminhada. O que eu lamento, é que muitas vezes me sinto o único a pensar assim. Todos estão tão preocupados com o seu, e em fazer a sua história, que esquecem que juntos a gente pode ir mais longe”. [Fábio Sampaio, sobre sua ligação com outras bandas do novo movimento, O Propagador, 2014]

    “Já tocamos com moçada pesada, como os Ratos de Porão. O som da gente é semelhante. A diferença está nas letras”. [Luciano Manga, sobre a agenda da Oficina G3, Folha de S.Paulo, 1993]

    “Em tempos em que o “serviço de implantação de novos produtos no mercado” andava de vento em popa entre as gravadoras e as rádios, a música “Eu quero sol nesse jardim” já tocava em FMs jovens. Nem a Legião Urbana soaria tão caricaturalmente Legião Urbana quanto naquela balada de violãozinho com vocal empostado e letra sobre jardins, luz da manhã e azul do céu”. [Ricardo Alexandre, no artigo Catedral e o Juízo Gospel, 2013]

    “Acho que podemos falar algo sobre o rock gospel nacional, que é a nossa praia e que em geral é fraco, poderia ter mais qualidade e ser mais inovador principalmente, além de proporcionar mais espaço aos novos compositores que surgem e desaparecem a cada ano por falta de espaço”. [Arvid Auras, sobre o rock cristão brasileiro, Super Gospel, 2005]

    “[…] como banda, posso dizer que originalmente Stryper foi uma das grandes influências do Oficina G3”. [Duca Tambasco, sobre as influências musicais dos integrantes da Oficina G3, Troféu Talento, 2009]

    “Só costumo ouvir as minhas músicas”. [Paulinho Makuko, sobre suas preferências musicais, Super Gospel, 2004]

    “Sou um artista pop. O meu CD tem de tudo, de baião a rock. Por isso, não vejo por que tenha de ficar limitado às lojas de gospel”. [Carlinhos Felix, sobre parcerias com supermercados e Lojas Americanas para distribuição do álbum Toda Reverência, O Globo, 1997]

    “Acho que o “gospel” é um malabarismo entre o universo da fé e do entretenimento. Ora é culto, ora é entretenimento”. [Marcos Almeida, sobre o movimento da música evangélica, Lagoinha, 2014]

    “O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica”. [Murilo Braga, sobre o movimento gospel, O Propagador, 2015]

    “Há muito tempo que não vejo a galera do Fruto Sagrado. Marcão, Bênlio, Flávio… As letras do Fruto são demais, até hoje sinto que há uma lacuna. Ninguém faz o que eles faziam. Não conheço a nova formação, parece ser bem legal, quando digo saudades, é daqueles caras”. [Zé Bruno, sobre músicos dos tempos da Gospel Records, Super Gospel, 2015]

    “Somos um povo desunido. Não nos entendemos em diversos aspectos. Por isso não somos mais fortes”. [Jean Carllos, sobre os cristãos, Território da Música, 2006]

    “Acho que o movimento perdeu o fio da meada e se envolveu numa profusão de bandas, reuniões sem propósito, gente oportunista e falta de visão do Reino de Deus”. [Paulo Marotta, sobre o movimento gospel, Revista MPC, 2000]

    “Começamos como uma banda puramente evangelística. Viajávamos, por exemplo, até 22h de ônibus sem ganhar nada para levar a palavra de Deus em vários estados do país”. [Bênlio Bussinguer, sobre o propósito do Fruto Sagrado, para a Revista Eclésia, 2004]

    “Quando começamos, ninguém falava de Rookmaaker ou Schaeffer. Não existia um embasamento teórico/teológico para o que a gente fazia”. [Fábio Sampaio, sobre o seu início com a Tanlan, O Propagador, 2014].

    “Vivemos em uma sociedade cada vez mais sectária, excludente, onde tudo é categorizado, dividido, rotulado, departamentado para que aquele que faz parte do grupo A não se misture com o B. Entendemos que a mensagem do Evangelho é de inclusão, mistura, unidade e não de divisão. Procuramos contextualizar a música e a mensagem para que não exista essa divisão entre “rock cristão’, “rock secular”, louvor, evangelismo ou qualquer outra segmentação. Fazemos música. Fazemos rock. Pregamos o evangelho”. [Fábio Garcia, sobre o rótulo “rock cristão” na música dos Militantes, Super Gospel, 2015]

    “Fui para e escola com a manga da camisa maior que todas as outras crianças e ai o pessoal pegou no meu pé”. [Luciano Manga, sobre seu apelido, Super Gospel, 2003]

    “Eu não tenho idéia de gravar um CD gospel. Sou evangélico, mas meu trabalho é este. Quero fazer música para todos aqueles que estão no “mundão”. Quero passar uma mensagem positiva”. [Rodolfo Abrantes, sobre planos de carreira ao lado do Rodox, Super Gospel, 2002]

    “A banda Oficina G3, por exemplo, é rock’n roll puro e da melhor qualidade”. [Carlinhos Felix, sobre o preconceito com certos ritmos musicais, G1, 2012]

    “Existe um enorme preconceito. O mínimo que uma igreja poderia fazer era acompanhar a banda, fechar as portas e levar a galera pra prestigiar o trabalho e ajudar a evangelizar, mas não é isso que acontece. Alguns ainda criticam porque estamos lá no meio. Não entendo muito bem como funcionaria essa evangelização (rs). Mas enfim, ninguém vence a guerra sem um exército, concorda?” [Marcelo, sobre a apresentação da banda PontoCom num evento não-religioso, Super Gospel, 2004]

    “O Tchu, antigo baixista tinha saído, e eu queria tocar com a banda. Afinal, quem não gostaria, até um funkeiro como eu gostaria de tocar no Kats, mesmo sendo rock. Finalizando, o Simion saiu dali e foi falar para o Ap. Estevam o que a gente conversou”. [Jadão, sobre sua entrada no Katsbarnea mediada por Brother Simion, Super Gospel, 2005]

    “Sendo bem honesto, a gente não tem medo de nada. Acho que um dos grandes diferenciais do G3 é esse: a gente faz o que dá na cabeça”. [Jean Carllos, sobre o filme Histórias e Bicicletas, Guia-me, 2015].

    “Aonde chegaremos com tanto legalismo e distorções teológicas a respeito da arte? Será que em nosso atual “ambiente” ainda existe oxigênio criativo? Quantos observam estarrecidos a ditadura da mediocridade que impera em grande parte das livrarias, programas de TV, rádios, gravadoras e igrejas?” [Marcão, em artigo, Dot Gospel, 2004]

    “[…] só depende do público gospel exigir na programação de TV, rádios e jornais mais a presença da música gospel. São mais de 26 milhões de evangélicos no país (público tem: é so começar a correria!)”. [Betinho Fonseca, sobre a presença da música evangélica e do Juízo Final nas grandes mídias, Super Gospel, 2003]

    “Tem muita gente hoje que é referência no Brasil porém, para mim, o Oficina G3 é exemplo de compromisso com o Reino e com o público”. [JT, sobre suas referências, Super Gospel, 2004]

  • Rocklogia – Rebanhão 35 anos – o retorno

    De 2010 pra cá, muitos grupos, outrora sumidos, retornaram as atividades, ou fizeram pequenas apresentações. Stauros e Banda Azul voltaram com todo o fôlego, Complexo J fez algumas apresentações com alguns membros originais e Sinal Verde fez uma apresentação única… mas nada causou impacto em termos de público e imprensa do que a volta do Rebanhão em 2014.

    Quando o O Propagador surgiu, nós da equipe do site, decidimos trazer algumas matérias sobre a banda, e a cada ano, se possível, abordar um cantor ou grupo que já tenha encerrado as atividades. O retorno deste grupo foi praticamente uma surpresa pra mim, e veio exatamente na mesma época em que nós do site estávamos publicando muitos materiais sobre eles.

    Anteriormente a isso, Pedro Braconnot, juntamente com Anderson Freire, foi o compositor da canção “Ame Mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel. Em uma entrevista a uma revista em 2013 (que já está fora do ar), Braconnot afirmou que tocava com o Pablo Chies em alguns eventos, mas que estava difícil reunir o grupo, embora fosse uma vontade geral. No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro daquele ano, Pedro e Pablo fizeram uma surpresa e os três tocaram juntos. Carlinhos, inclusive, estreava pela Sony com o disco Lindo Senhor.

    Mais tarde, ainda em 2013, numa entrevista ao Super Gospel, Carlinhos falou um pouco sobre a banda.

    “Acho não. Estivemos juntos dia 25 de janeiro no meu aniversario, que era a festa de 40 anos da vigília de Bento Ribeiro. Foi emocionante. Sempre falamos que só faríamos se fosse uma produção maravilhosa, pois o Rebanhão merece. E o povo que curte também merece. Creio que a Sony faria isso com muita propriedade”. [Carlinhos Felix, sobre uma reunião em fevereiro de 2013, Super Gospel]

    O movimento continuou, e no final de 2013, Braconnot divulgou uma música inédita no iTunes, chamada “Mais que Palavras”, com a participação de uma de suas filhas nos vocais. Mais tarde, em seu Soundcloud, publicaria mais duas novas músicas, com a tendência mais congregacional existente em Vamos Viver o Amor: “Nada Mais” e “Amado da Minh’Alma” (esta última recebeu a hashtag #Rebanhão).

    Enquanto isso, Carlinhos e Paulo Marotta, nestes anos, tornaram-se intensamente críticos da pobreza de conteúdo do meio gospel. Marotta, em uma entrevista à MPC em 2000, diria que “é preciso tirar Jesus do rótulo e trazê-lo de volta para o centro“, e Felix, diria repetidamente, em entrevistas, que estava vendo muita música sem criatividade no meio. Paulo foi o único integrante do grupo a participar do Tributo a Janires, gravado no Som do Céu em 2003.

    Quando Braconnot, Felix e Marotta anunciaram a reunião do grupo, lembro que foi uma surpresa para todos, e imediatamente, a nova página da banda no Facebook passou a ser divulgada. Fernando Augusto ia participar, mas acabou ocorrendo algo que inviabilizou sua participação. Para completar, a banda chamou Pablo Chies para a guitarra solo, e trabalhou com o músico contratado Lucio de Paula para a bateria, durante os ensaios.

    Depois da volta, Pedro Braconnot e Carlinhos Felix responderam entrevistas aqui no site, falando sobre a carreira e projetos com o grupo. Durante os ensaios, se encontraram com Lucas Ribeiro, principal mente atrás da Sinal Verde, um dos embriões antecedentes do Rebanhão e Bené Gomes, líder do Koinonya.

    Depois disso, o Rebanhão acabou firmando uma parceria com a Mess Entretenimento, que fará a distribuição do futuro álbum de 35 anos do grupo.

    Abaixo, veja os blocos de uma entrevista com o Rebanhão veiculada pela TV Boas Novas e vamos aguardar as novidades do Rebanhão 35 anos.

  • TOP 10 – músicas sobre a vaidade

    A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade, e infelizmente pode atingir a todos. Esta questão foi tratada em muitas das músicas cristãs, e por isso decidimos trazê-las aqui no O Propagador. Confira.

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    O que não Precisa – Resgate

    Abrindo a lista, temos “O que não Precisa”, da banda de rock Resgate. A faixa alerta o esquecimento das coisas de Deus, atentando-se para questões passageiras deste mundo. (2012)

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    Tudo o que eu Preciso – Nívea Soares

    O nono lugar é de Nívea Soares, com “Tudo o que eu Preciso”. Do álbum Reina Sobre Mim, esta canção é uma oração, a qual pede que Deus venha tirar o foco das coisas deste mundo e que neguemos a nós mesmos. (2003)

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    Tudo Passa – Rebanhão

    Escrita pelo cantor Carlinhos Felix, “Tudo Passa” abre a discografia do Rebanhão nos lembrando que “tudo neste mundo é ilusão”, e que, mesmo dias, meses e anos passando, Cristo nunca passará. O músico ainda canta que Cristo “é tempo sem perder”. (1981)

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    Quem Sou Eu? – PG

    Embora se trate de uma versão do Casting Crowns, “Quem Sou Eu” foi um sucesso importante na carreira de PG. Sua letra é uma reflexão do quão pequenos, frágeis e tolos que somos, sem poder para controlar tudo ao nosso redor. Deus, ao contrário de nós, não é passageiro. (2007)

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    Vaidade – Hibernia

    A maior parte do repertório da banda Hibernia é composto por canções introspectivas e extremamente reflexivas. “Vaidade” não foge deste padrão, e analisa a prevalência da transitoriedade a qual lidamos todos os dias, além da nossa vontade constante de ter coisas fúteis. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=_GhhqSpO_cg

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    Milímetro – Daniela Araújo

    Canção que abre a carreira solo de Daniela Araújo, “Milímetro” é uma reflexão sobre a brevidade da vida, tão curta em relação à tudo em nosso redor. E, de tempos em tempos, seres nascem, seres morrem, num ciclo de repetições. (2011)

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    Senhor do Tempo – Paulo César Baruk

    Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)

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    Vaidade – Tanlan e Marcos Almeida

    A medalha de bronze vai para a banda Tanlan, com a participação do cantor Marcos Almeida. “Vaidade” explora justamente as definições deste conceito, mas, de forma esperançosa, afirma que “a vida ainda vale a pena” e que a busca pela realidade o levou até a este ponto. (2012)

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    [tab title=”2º”]

    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre é notável por afirmações e canções polêmicas, sem a menor pretensão de agradar egos, abordando verdades bíblicas. “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a prosperidade até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano, afirmando que tudo isto é vaidade. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

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    Vaidade – Heloisa Rosa

    O primeiro lugar vai para a cantora Heloisa Rosa, com “Vaidade”. O mundo cada vez mais frenético e acelerado. Os anseios consumistas nos fazem que, de tempo em tempo, busquemos por coisas que realmente não precisamos. “Vaidade” vai exatamente neste tema, com o clamor de que Deus nos atraia para perto dEle e longe dos propósitos deste tempo. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=_uD7m8zfaVs

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Entrevista: Murilo Braga

    Ele fez parte de várias bandas de rock nos anos 80 e 90. Fez parte do Complexo J, e também do Rebanhão. Participando de vários projetos no meio protestante e no meio não-religioso, Murilo Braga é um nome experiente quando se trata de música feita por cristãos. Leia nossa entrevista com o músico, que falou sobre os projetos com a volta do Complexo J, o movimento gospel e seus trabalhos paralelos.


    O PROPAGADOR – Antes de tudo, quais sempre foram as suas principais referências musicais? O que você mais gosta de ouvir?

    A primeira vez que a música me pegou de jeito eu tinha 11 anos. Um amigo, um pouco mais velho, colocou o disco Help dos Beatles. Aquilo me fez tão bem que não sosseguei até meu pai comprar pra mim… (risos). Ele me deu numa noite de sexta e acordei às 6h pra ouvir sem parar até às 9h. Virei um “beatlemaníaco” e com 12 anos sabia tudo deles, tinha tudo. Depois fui crescendo e descobrindo o som dos anos 60 e 70, décadas onde se criou toda a base do pop e rock. Ouvia Kiss, Led Zeppelin, Peter Frampton, Pink Floyd, Deep Purple, Elton John, Rush. Hoje ainda ouço muito, mas estou mais eclético. Ouço de tudo, menos funk de baile e pagode pop.


    O PROPAGADOR – Como se deu a sua entrada no meio musical?

    Foi no susto em 1981! (risos) O Rebanhão estava nos primeiros passos e eu fazia parte de uma igreja americana, a Maranatha Ministries (não existe mais). Os pastores trouxeram a cultura do rock cristão e formaram uma banda na igreja, o Novo Começo. Tentei a vaga para o violão, já que o baixo estava ocupado. Fiquei de fora. Marcaram uma apresentação da banda na Concha Acústica da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e o guitarrista não ia aparecer. Ligaram pra mim às presas pedindo que o substituísse. Fui pra lá cheio de medo. Timidez era meu sobrenome (risos). Dispensaram o guitarrista pela falta e assumi o posto. Como era baixista e não sabia solar na guitarra, sugeri o Helio Zagaglia, que depois veio a ser fundador e toca no Complexo J, pra fazer outra guitarra. Dali veio muita história.


    O PROPAGADOR – Quando o Complexo J começou nos anos 80, o mercado musical no meio evangélico ainda era incipiente, mas algumas bandas já existiam, como o Rebanhão e Sinal de Alerta. Como foi esta fase de início de sua banda?

    Aqui eu peço licença pra responder em duas partes. Pessoalmente, fiz parte da fase inicial do movimento de música cristã pra jovem, pra rapaziada, pra tocar nas praças, praias, points, e ser ouvido. Isso se deu comigo no Novo Começo em 1981 e a maior dificuldade não estava na sociedade. A galera curtia e ouvia música com letras mais livres, falando de Jesus com ritmo pesado, roupas modernas, visual legal e nos aceitava. O problema se dava nas igrejas, especialmente as pentecostais e de linha mais legalista. Qualquer balada eles diziam que era heavy metal. Foi a época em que se pregou demais sobre o rock ser do diabo. Quanta infantilidade… Rolava perseguição. Mas o que nos importava era ver gente saindo das drogas, do vício, sendo feliz com Jesus. Quando entrei no Complexo J em 1989, o rock cristão vivia seu melhor momento, especialmente no número de grupos com oportunidade de mostrar um bom trabalho, especialmente porque nossas referências de composição estavam na chamada “música secular”. Até os 80 eram raríssimos os trabalhos cristãos de qualidade. Destaco o grupo S8 e os Vencedores, ambos vindos da década anterior.


    O PROPAGADOR – Na mesma época em que o rock cristão nacional ganhava força com o surgimento de bandas, o meio nacional fervilhava com notáveis e novas bandas, como Titãs, Paralamas do Sucesso, RPM e a Legião Urbana, enquanto ocorria, aqui, o Rock in Rio em 85. Você, como vivenciador desta época, acha que os músicos cristãos que gostavam de rock foram influenciados por este “boom”?

    Acredito que sim. O Rock in Rio de 1985 foi disparado o melhor de todos. Foi um ROCK in Rio. Assim como começaram a surgir bandas nacionais que ganharam a mídia, fazendo a festa de uma geração com o bom e velho rock and roll, no meio cristão o Rebanhão foi fundamental pra inspirar outros a montarem trabalhos semelhantes. Aqui vale ressaltar o nome do falecido Janires, o fundador do Rebanhão, que saiu do grupo em 1984, ano que “trocou seus jeans pelas vestes brancas do Senhor” conforme cantou… (risos). Ele era o “Raul Seixas de Jesus”. Um revolucionário na música cristã. Seu carisma era impressionante e levou o grupo a ser conhecido no Brasil todo.


    O PROPAGADOR – O Complexo J teve muitas particularidades em relação a maioria das bandas da época, como um vocal feminino (Liza) e por letras bastante atípicas. Essas narrativas e propostas já eram muito claras no início, ou foram se desenvolvendo com o passar dos anos?

    Eram naturais. Nada foi programado. A Liza também entrou na música no Novo Começo, também por indicação minha, depois que me efetivaram. Nós estávamos num treinamento de liderança da igreja nos Estados Unidos, e eu a ouvi cantarolando. Falei que ela deveria ser da banda. O pastor concordou que ela somaria no vocal e acabou entrando com o Hélio. O tipo de letras e de sonoridade estão relacionados ao que ouvíamos. O primeiro disco – Solidão, tem canções com elementos de rock progressivo, o que se percebe até o terceiro – Complexo J 3. No entanto, tem um pouco das influências de cada um.


    O PROPAGADOR – Alguns músicos cristãos deste período se queixam acerca de desonestidade por produtores de eventos e adjacências. Em algum momento, no Complexo J, aconteceu com a banda?

    Eu estou de volta à banda desde o final de 2014, depois de 22 anos. Estive entre 1989 e 1992. Gravei o segundo e terceiro trabalhos (Arte Final – 1990 e Complexo J 3 – 1992). Dá pra responder de forma geral à sua pergunta porque a banda nunca fez exigências financeiras pra tocar. Então, no aspecto desonesto de não pagar o combinado, nada a declarar, porque a gente espera a consciência de quem nos chama e entenda que temos despesas, e consciência tem-se ou não. Mas quando foi preciso viajar, transporte, hospedagens e refeições nunca faltaram.


    O PROPAGADOR – Após dois discos lançados, vocês participaram do Programa do Jô. Como se deu esta entrevista e, na época, qual o impacto na carreira da banda?

    Complexo J e Jô SoaresA banda estava prestes a lançar o que considero (e parece que dizem ser) o mais marcante trabalho do grupo: o Complexo J 3. Tínhamos um amigo que quis ser nossos relações públicas, e foi ao SBT e deixou o Solidão e o Arte Final na mão do Jô. Alguns dias depois, a produção fez contato dizendo que o “gordo” queria fazer uma entrevista com a gente. Ficamos surpresos e felizes! Na época, o Jô fechava seus programas entrevistando alguém da música, que se apresentava no encerramento. Tudo transcorreu bem, mas rolou um pequeno mal entendido, contornado, mas que nos fez suar de tensão. A produção falou que o tema da entrevista seria “Deus é Real”, nome de uma canção do disco Solidão. Como foi-nos dito que a música era uma sugestão e nós nem tocávamos nos shows, pegamos uma do disco novo, demos “um gás” na passagem de som, e depois que só teríamos como tocar pra valer diante das câmeras, soubemos que não tínhamos escolha: a música não poderia ser outra! Tivemos que “ensaiar de boca” no camarim! “Martinho, a batera faz tum-ta-tchun-ta”…”e Helio, entra o solo depois que o Zé Carlos mandar aquela parte pirauã…pidauê”…”Murilo, marca o baixo pedal”…”Vamos lá, lembra o vocal Liza?…É…Não…Isso!” Foi por aí! rsrs. No final deu tudo certo pela graça de Jesus! Tá no YouTube. O público não entende porque rimos quando o Jô diz: “é Deus é Real que vocês vão tocar, né???!” Hahahaha. Foi importante pra abrir o leque de oportunidades pra tocar. Nós queríamos falar melhor de Jesus no programa, mas estávamos muito tensos com a parte da música no final. O que pode ter atrapalhado um pouco o nível da oportunidade foi que 1992 foi um ano de mudanças intensas.


    O PROPAGADOR – Depois, vocês assinaram com a MK Music e lançaram a obra-prima da banda, o disco 3. Inclusive, recentemente, o álbum entrou em nossa lista dos 100 maiores álbuns da música cristã brasileira. Este disco certamente se destaca por ter letras com temáticas mais ousadas e polêmicas e pelos hits que teve. Como se deu a produção deste disco? Alguma composição deste projeto lhe é especial?

    É preciso esclarecer um pouco melhor sobre o Complexo J 3. Primeiramente ele foi gravado pela Anno Domini, um selo novo aberto pelo baterista da época, Martinho Luthero. Depois de lançado, ele encontrou problemas com distribuições e divulgação. Nossos melhores divulgadores foram, e ainda são, o público. As pessoas compravam e falavam “uau, que trabalho maneiro!” e assim o disco chegou a ter sua crítica positiva publicada em O Globo pelo jornalista Mauro Ferreira, que tinha nos entrevistado e ao Rebanhão para uma matéria de capa do Segundo Caderno em 1990. Sinto uma grande alegria de ter feito esse trabalho com o grupo. Chegamos a vender 250 discos em 2 noites numa igreja em Santos (SP). Nós éramos os distribuidores… (risos). Em 1993, a formação já havia mudado quando a MK comprou a matriz. Prensou uma quantidade, distribuiu, mas não divulgou. Decidiu gravar um novo trabalho. Com todas essas dificuldades, sem apoio da mídia, praticamente no “ouvi dizer”, o disco é falado até hoje. É comovente vê-lo em 13º lugar dentre todos os trabalhos lançados na música cristã em todos os tempos. Infelizmente, eles nunca se interessaram em lançar em CD.

    Sobre composição especial, existe uma composição minha – “Abra Seus Olhos”, composta com outra letra aos 16 anos. Aos 19, no Novo Começo, mudei para a letra gravada e criei uma encenação enquanto cantava. Colocava um roupão preto com uma interrogação na frente e rasgava na estrofe final. Tinha muito impacto no público, e eu poderia contar várias situações diferentes e impressionantes. A mais marcante foi no festival de bandas de rock da antiga “rádio rock”, a Fluminense FM. A gente se meteu no meio de bandas de todo tipo e mandamos rock falando de Jesus. Os malucos ficaram mais malucos me vendo rolar no chão e rasgar o roupão (detalhe: tinha roupa por baixo… rs). O Evangelho é loucura para os que creem. Mas isso é um detalhe. Esse disco soa como um todo. Gosto dele inteiro.


    O PROPAGADOR – Após o disco 3, você deixou o Complexo J. Quais foram os motivos da sua saída da banda?

    Eu tinha um convite para assumir um culto de domingo à noite na igreja que frequentava. A ideia era que meu visual de cabeludo aproximasse os jovens. O louvor seria mais “barulhento” e eu pregaria. Chamava-se “Giro 180”. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que banda é parecido com casamento, só que mais complicado: não são duas pessoas na busca de entendimento pra andarem juntas, mas 4..5..6..8 pessoas. Nós dialogávamos bastante. Não tivemos nenhuma briga, desentendimento, mas chega um momento em que todos tem razão, só fica complicado equacionar prioridades. Percebi que em alguns pontos eu iria violentar minhas convicções, então conversamos, fiz meu show de despedida, choramos juntos no final, e agora voltamos.


    O PROPAGADOR – Quando o Rebanhão passava por profundas mudanças de integrantes, você permaneceu como baixista, com eles, por cerca de um ano. Como se deu a sua entrada no grupo?

    A banda estava com Paulinho Marotta no baixo e Pedro Braconnot como integrantes originais do primeiro disco. Paulinho teve um convite de trabalho na área dele (engenharia) fora do Rio de Janeiro e meu nome surgiu em consenso com Pedrinho, que me ligou. Eu havia acabado de pedir pra sair da liderança do Giro 180, porque percebia que meu lugar era na música. Fiquei muito feliz e honrado com o convite. Pedro me falou que o afto de conhecer a banda desde o início, ser amigo da turma, ter as condições técnicas e entender a missão, eu seria o mais indicado. Foi muito bom. Tocar com Pablo Chies, Serginho Batera (depois Wagner Carvalho), Pedrinho, Dico Parente (que cantor de rock!) e Zé Canuto foi um presente. Praticamente um ano depois, a banda teve convite para excursionar pelo nordeste. Eu tinha emprego fixo. Aí foi final da linha.


    O PROPAGADOR – Você se lembra, mais ou menos, dos músicos que passaram nesta época na banda ou alguma situação em especial no tempo em que ficou com eles?

    Lembro de todos! No Complexo J não houve mudança de membros. Era Martinho Luthero (bateria), eu (baixo, gaita e voz), Marco Salomão (Voz e guitarra), Helio Zagaglia (Guitarra), Zé Carlos Salgado (teclados) e Liza Zagaglia (Voz). Histórias marcantes? Vou acabar com o seu espaço (risos). Pra falar por alto: entrevistas para O Globo e Jô Soares. Tocar no Festival de Bandas de Rock e ser premiada com uma das melhores bandas dentre 100 competidoras (o prêmio era ter uma faixa gravada num disco produzido pela rádio). Tocar na Catedral Metropolitana do Rio, num festival católico, a música “Ressuscitou”, debaixo de um crucifixo de uns 10 metros com Cristo pendurado na cruz foi muito legal (apesar de saber que católicos creem que Jesus ressuscitou também). Ah… e tem coisa que eu não gosto de contar, do tipo “orei pelo cego e ele enxergou” (não rolou isso). Motivo: não sou nem somos NADA. Quem fez e faz qualquer coisa é Jesus. Só contei fatos legais e marcantes pra gente.


    O PROPAGADOR – Os anos 90, no rock feito por cristãos, foi muito marcado pelo “movimento” das bandas da Renascer, mas no Rio de Janeiro, além de Rebanhão e Complexo J, tinham outras bandas como o Catedral. Como era a relação de vocês com tudo aquilo que ocorria na capital paulista e com as bandas do Rio?

    Era ótimo no princípio de tudo. Com o Complexo J fiz shows grandes junto com o Resgate. Ficamos amigos da formação original do Katsbarnea. Tocamos junto com Oficina G3. Era um tempo ainda “pré-gospel”. Ainda se podia ver amor falando mais alto que o mercado, que a grana, a fama, o glamour.


    O PROPAGADOR – O movimento gospel, ocorrido nos anos 90, causou uma intensa mudança no meio musical protestante em geral. Você acha que essas mudanças foram benéficas?

    Benefícios só no aspecto de investimentos maiores na infraestrutura de mercado. Passou-se a gravar melhor, se tornou mais profissional o resultado da sonoridade. O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica. A Renascer de Estevam Hernandes, homem de marketing, junto com Toninho Abbud, dono da Gospel Records e publicitário, conseguiu colocar todo mundo que canta música cristã como “gospel”. Gospel Music é um estilo de música americano, logo não pode haver “rock gospel”, “samba gospel”. O que passou a acontecer desde então foi uma mercantilização cada vez maior da música cristã, chegando ao que temos hoje. Minha resposta? Maléficas! Não confundam com malignas! Mudou pra pior. Hoje vemos gente que sonha em ser cantor(a) gospel “pra honra e glória de Jesus” mas eu pergunto se esse sonho se mantém de pé se for pra cantar por amor, ou aceitando ofertas voluntárias. Há igrejas que investem grana nos músicos pra ver se gravam “os levitas” e fazem um CD e um DVD, e “se Deus nos abençoar”, na MK (porque se for no Rio, dá pra garantir que vai tocar na rádio e vai chover convite). Junto com essa onda de fazer sucesso, tem a máquina de “compor sucesso”. Lixo! Letras sem conteúdo, ou mesmo sem sentido ou base no Evangelho! Outro dia ouvi cantarem numa igreja uma letra que dizia “Espírito Santo, ore por mim”. Provavelmente porque diz que o Espirito intercede por nós. Deve ser de algum cantor gospel desses que cobram 10 mil pra cantar 3 “louvores” em playback! Tiago, se eu for falar o que eu sei de malefícios vindos desse gospel que está aí, não paro de falar e de ficar chateado.


    O PROPAGADOR – Depois do Rebanhão, quais projetos musicais você tem participado desde então?

    Depois do Rebanhão eu fui chamado para uma banda que fez sucesso nos anos 80 junto com Radio Taxi, Blitz, Herva Doce, etc, chamada Grafite. Explodiu em 84 com a música Mamma Maria. O líder fundador havia se convertido e era pastor. Remontou o Grafite cristão. Fui fazer a voz e guitarra-base, mas logo assumi o baixo. Um ano depois, todos cristãos na banda, pensamos que o lugar de ser luz era fora, e que o Grafite deveria lutar pro espaço na mídia secular. Fiquei no grupo até 98. Tim Maia ouviu nosso CD e elogiou. Chegamos a meio passo de estourar, mas a mídia decidiu lançar o axé do Tchan. Fiz um único show solo cristão em 2000, e não prossegui. Voltei para bandas. Ajudei a montar algumas, mas só em 2004 comecei a tocar novamente profissionalmente. Montei bandas-tributo e covers, todas seculares: Vid Versus, The Kalks e desde 2008 toco nos Rockólatras que faz flash back do rock dos anos 60 aos 90. Fiz gravações ao longo do tempo, e no final do ano passado retornei ao Complexo J na proposta de retomar a pegada do Complexo J 3. Também tenho um projeto de power trio pra 2016 com um guitarrista que já tocou no Rebanhão e hoje toca na noite, Chello Freitas, e um batera que gravou com Bruce Dickinson do Iron Maiden.


    O PROPAGADOR – Como você vê a música dita gospel atualmente? Em que, talvez, é preciso melhorar?

    Eu não vejo nem ouço… e pra ser honesto, nunca fui de ouvir rádio evangélica. O que eu gostava, eu comprava. Nunca curti rádio. Por isso sempre tive muitos discos e tenho CDs, DVDs e mp3s aos montes. Mas pra melhorar a dita “gospel” tem que começar pelo espírito da coisa. Não estou generalizando, porque tenho certeza de que tem gente boa e honesta, mas que vive cercada de corrupção. É preciso OUVIR música de qualidade pra COMPOR melhor. Ler e prestar a atenção em grandes letristas, na poesia, e sair do mantra. Parar de compor música como se fosse ração pra gado: aprende algumas sequências de acordes que mexem na emoção das pessoas, e só alteram a melodia. Encaixam umas letras colocando as palavras-chavão fora de ordem, e está pronto o novo sucesso gospel. É incrível, como dá pra identificar quando é gospel às vezes por um trechinho de 10 segundos!


    O PROPAGADOR – Nos últimos anos, tem-se visto a volta de bandas que outrora encerraram as atividades, como o Stauros, a Banda Azul, mais recentemente o Rebanhão, e agora o Complexo J. Como se deu esta reunião de vocês?

    Complexo J 2015A banda nunca parou, mas fala-se que depois do Complexo J 3, os novos integrantes deram uma nova roupagem ao grupo, e os fãs da banda gostavam mais da fase anterior. Um fato: os músicos que entraram eram (e são) tecnicamente excelentes. O que eu notei também foi isso: o estilo mudou. Aí o público também muda. Recentemente, a banda estava apenas com os dois membros da formação original, Marco Salomão e Helio Zagaglia, ainda sem novos rumos. Sem saber de nada, comentei com o Helio, que voltaria a tocar na banda com prazer. Pouco depois ele e Marco me chamaram pra conversar e me falaram da gente resgatar a pegada roqueira. Topei e aqui estamos.

    Sobre o retorno de bandas antigas, que podemos de chamar do rock cristão brasileiro de base, a explicação é simples. Cresce o número de pessoas com saudade do som que fazíamos, das letras, do bom clima, da ausência de competição pelas luzes, fama. A gente toca coisa de 30 anos atrás e pensam que é coisa nova e gostam! O povão se acostumou com o “gospel” e quando alguém mostra algo mais consistente, acham que “a revolução está começando” (risos). Não. Ela estava ganhando raízes quando o mercantilismo tomou conta.


    O PROPAGADOR – O que o público pode esperar desta volta do Complexo J? Terá algum registro de inéditas, ou vocês pretendem apenas se apresentar com o material já lançado?

    Por enquanto, estamos apresentando o material já gravado, resgatando o dos 3 primeiros trabalhos que deram a marca mais forte ao grupo, e pra 2016 os planos são inserir novas composições e músicas seculares que são Evangelho puro. Muita gente pelas igrejas não consegue ouvir porque se fecha, mas Deus está falando através de Beto Guedes, Teatro Mágico, Rod Stewart…


    O PROPAGADOR – Deixe uma mensagem/recado para os nossos leitores.

    Antes de tudo: AMEM!! Jesus disse aos apóstolos: “Vocês serão conhecidos como meus DISCÍPULOS pelo AMOR que tiverem uns pelos outros”. Deus escolheu ser amado no seu próximo. Alguém tem sede? Água pra ele. Fome? Rango! Tá doente, preso? Visita. Tá fazendo tudo pra Jesus. É isso que vai fazer a diferença quando chegar diante dEle.

    Pra quem quer ser músico cristão: seja músico. Cristão você já é. Não pense em luzes. Já vi as luzes e a fama. Ilusão. Grana corrompe. Cuidado. Pense no Evangelho e no amor pelas pessoas.

    Curtam a página do Complexo J no Facebook, e quem quiser ser meu amigo(a) por lá, Murilo Kardia Braga, só mandar uma mensagem dizendo: “li sua entrevista e quero ter você entre os amigos” e o pedido. Será um prazer.

  • Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã

    A equipe do O Propagador apresenta a lista dos maiores álbuns nacionais da música cristã. O material foi compilado em parceria com os sites Super Gospel, Arquivo Gospel, Casa Gospel, Gospel no Divã, Gospel Prime, Ruben Mukama e Virtual Gospel, entre uma série de músicos, historiadores, jornalistas e audiófilos. Cada um lançou suas indicações, as quais foram discutidas exaustivamente. O repertório consiste em discos que foram lançados desde a década de 60 à década de 2010. Aqui, no O Propagador, você vê a lista na íntegra e com os comentários previamente escritos.


    100º: Fogo e Glória Curitiba – David QuinlanFogo e Glória Curitiba - David Quinlan - 2000

    Disco que representa o movimento worship ocorrido em Contagem, o simplório violão de David Quinlan se tornaria um padrão intensamente – e irritantemente – copiado. Deste movimento, há de se destacar, como influenciados, Santa Geração e o cantor Fernandinho. Heloisa Rosa e Nívea Soares colocam seus vocais, imprimindo uma parceria que duraria por outros discos.

    2000, Aliança


    99º: Pra Louvar – Raiz CoralRaiz Coral - Pra Louvar - 2004

    Quando o Raiz Coral lançou seu primeiro trabalho, não havia nenhum material semelhante em toda a história cristã. Claramente avassalador, quando o assunto é corais, o disco Pra Louvar rapidamente se popularizou e invadiu as igrejas com canções como “A Coroa” e “Jesus meu Guia É”.

    2004, Independente


    Thalles - Na Sala do Pai - 200998º: Na Sala do Pai – Thalles

    Indiscutivelmente um dos trabalhos mais importantes da última década, a estreia de Thalles é uma mistura de blues, pop rock, black music e soul, distribuída em linhas de baixo grooveadas, com letras diretas e confessionais.

    2009, Graça Music


    97º: Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3 - 2005

    “Não ache que eu estou derrotado, você está errado”, canta Juninho Afram em “Mais Alto”, após latidos de cães. Neste disco, a Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais soberbo.

    2005, MK Music


    96º: Antes do Sol Nascer – Nádia SantolliNádia Santolli - Antes do Sol Nascer - 2005

    Cercada de colaboradores experientes, como Genésio de Souza e Val Martins, produzida por Kleber Lucas e no embalo de sua participação em uma canção do Koinonya, assim foi a estreia de Nádia na MK. Num tempo em que “todo mundo” estava gravando disco ao vivo congregacional, Santolli conseguiu se destacar, graças a sua personalidade, impressa em sua voz grave e potente. No entanto, o grande mérito desse disco é que tudo soa bem.

    2005, MK Music


    95º: Ainda não É o Último – ResgateResgate - Ainda não é o último - 2010

    Após anos de silêncio do rock cristão no mainstream, os membros do Resgate se juntaram e ensinaram, mais uma vez, como é que se faz. Com a pop-produção de Dudu Borges, o disco consegue jogar guitarras e hammonds em equilíbrio em meio a letras humorísticas de Zé Bruno, como “Jack, Joe and Nancy in the Mall” e sua veia à lá Traditional Jazz Band e a grande balada “Vou me Lembrar”.

    2010, Sony Music Brasil


    94º: Daniela Araújo – Daniela AraújoDaniela Araújo - Daniela Araújo - 2011

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top.

    2011, Sony Music Brasil


    93º: Na Casa de Deus – EyshilaNa Casa de Deus - Eyshila - 2003

    A carreira de Eyshila, oriunda dos Altos Louvores, pode ser resumida pré e pós este projeto, cuja produção foi dividida entre Rogério Vieira, Woody e Wagner Carvalho. Gravando sete músicas com participação ao vivo da sua igreja, a cantora que antes era conhecida pelas suas baladas, a partir desse disco se tornou figura garantida no chamado louvor congregacional, consagrando-se como compositora, especialmente por “Posso Clamar”.

    2003, MK Music


    Para o Mundo Ouvir - Rose Nascimento - 200492º: Para o Mundo Ouvir – Rose Nascimento

    Utilizando-se de arranjos e fundindo outros gêneros musicais, este disco de Rose Nascimento fez uma música pentecostal diferente do que se ouvia na maioria dos lançamentos de sua época, também trazendo cordas.

    2004, Zekap Gospel


    91º: Respire Fundo – Ao CuboAo Cubo - Respire Fundo - 2004

    Se muitos grupos se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e criminalidade, sob uma ótica cristã.

    2004, Aperte o Play


    90º: Toque no Altar – Ministério Apascentar de Nova IguaçuToque no Altar - 2003

    Com uma enorme equipe de músicos em tempo integral, o Ministério Apascentar de Nova Iguaçu estreou com um dos registros mais fortes da cena congregacional. Revelando o repertório autoral de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, a obra agrega cordas e metais sem se sobrepor aos pianos e teclados, o grande ponto forte deste grupo.

    2003, Independente


    89º: Quebrantado Coração – Fernanda BrumQuebrantado Coração - Fernanda Brum - 2002

    Enfatizando o tipo de coração que deve ser na caminhada cristã, é o auge musical da dupla Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, estendendo a tendência dos discos anteriores com um repertório introspectivo, mas forte, composto por músicas como “Marcas”, “Amo o Senhor”, “O Amor que Cura” e “Espírito Santo”.

    2002, MK Music


    Por Toda Vida - Voices - 200088º: Por Toda Vida – Voices

    O maior supergrupo já existente do meio cristão, o Voices alcançou grande amadurecimento com seu terceiro trabalho, destacando-se com as canções “Pisa no Inimigo” e “Por Toda Vida”, dentre as mais notáveis de sua discografia.

    2000, MK Music


    Cristiane Carvalho - Novo Amanhecer - 199387º: Novo Amanhecer – Cristiane Carvalho

    Diferentemente de seus trabalhos anteriores, Cristiane Carvalho utilizou-se de composições nacionais, transitando em gêneros musicais como o funk e pop. Há de se destacar a faixa-título e “Até que Te Encontrei”, formando o ecletismo necessário para a obra.

    1993, Line Records


    Humanidade - Banda Rara - 199086º: Humanidade – Banda Rara

    Na ponta das influências do funk e soul, a Banda Rara alcançou o seu auge com Humanidade, especialmente com a faixa-título, nos vocais de Maurílio Santos, além de “Estrela da Manhã” e “Deixa Tudo”.

    1990, Gospel Records


    85º: 2ª Vinda – A Cura – Apocalipse 162ª Vinda a cura - Apocalipse 16 - 2000

    Pregador Luo e DJ Alpiste trouxeram o rap para a cena cristã. Mas 2ª Vinda – A Cura é um divisor de águas no gênero, sombrio e polêmico, tendo o auxílio de Mano Brown (Racionais MC’s) e Eduardo (ex-Facção Central). Seus discos posteriores se fundem de forma mais efetiva com a black music, em contrapartida, perdem o frescor alcançado aqui.

    2000, 7 Taças


    84º: Alta Voz – Kades SingersAlta Voz - Kades Singers - 1997

    Com arranjos do tecladista Paulo Richard (ex-Complexo J) e Raquel Mello, Alta Voz foi fundamental para a caracterização e definição dos grupos vocais na cena mainstream, além de ser um registro de devoção explícita a soul music.

    1997, MK Music


    83º: Aeroilis – AeroilisAeroilis - Aeroilis - 2004

    Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a Aeroilis já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos, o que seria aprofundado em Nada Mais Além, o trabalho sucessor.

    2004, LaCruz / Bompastor


    82º: Um Pinguim com Frio no Alaska – Amaury FonteneleUm Pinguim com Frio no Alaska - Amaury Fontenele - 2001

    Um pouco isolado, Amaury foi o único músico que, em sua época, misturou as batidas do rap com o groove do rock e R&B, com auxílio de Fernando Catatau, ex-colega de banda no Cidadão Instigado formando, assim, uma sonoridade ímpar no âmbito cristão.

    2001, Aliança


    81º: Voar Como a Águia – Alda CéliaAlda Célia - Voar Como a Águia - 2002

    Do Koinonya e Comunidade Cristã de Goiânia para a carreira solo, Alda Célia estabeleceu a ambientação ao vivo como cerne de seu melhor trabalho, Voar Como a Águia o qual, além da faixa-título, se destaca por “Óleo de Alegria” e a regravação de “Poder da Oração”.

    2002, MK Music


    80º: Águas Purificadoras – Diante do TronoDiante do Trono - Águas Purificadoras - 2000

    O follow-up para Exaltado foi um ajuntamento ainda maior, de qualidade técnica superior, inserindo, definitivamente, elementos que se tornariam marca-registrada do Diante do Trono, como as danças e espontâneos gigantescos – fortalecidos pela faixa-título, de sonoridade suave.

    2000, Diante do Trono


    79º: O Valor de Uma Alma – Mara LimaMara Lima - O Valor de uma Alma - 1989

    O Valor de Uma Alma veio para mostrar o porquê Mara Lima é um nome de longevidade no meio cristão: aliando um bom repertório, simplicidade e som direto, o trabalho se destaca, especialmente, pela canção que o intitula, que não se sobrepõe, de forma alguma, ao restante das canções apresentadas.

    1989, Som e Louvores


    78º: O Jardineiro que Chora – Alceu PiresAlceu Pires - O Jardineiro que Chora - 1984

    Um dos grandes poetas da música pentecostal clássica, Alceu Pires é compositor de sucessos emblemáticos como “Abração e Isaque” e “Juízo Final”. O primeiro e mais importante deles, “O Jardineiro que Chora”, foi responsável por colocar o disco homônimo na galeria dos clássicos cristãos. Com influências da música sertaneja de raiz, Alceu fez o Brasil inteiro cantar a parábola sobre a relação entre a flor e seu cuidador.

    1984, Djanir Produções


    77º: Autoridade e Poder – Marcos GóesAutoridade e Poder - Marcos Góes - 1990

    Com produção musical e arranjos de Marcos Góes, o trabalho é de notável qualidade musical, trazendo a participação de músicos como Sidão Pires e Marcos Bonfim. De fato, este é caracterizado como o trabalho solo de maior importância na carreira de Góes.

    1990, Pioneira Evangélica


    76º: Poemas e Canções – Leonardo GonçalvesLeonardo Gonçalves - Poemas e Canções - 2002

    “Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos”, disse Leonardo Gonçalves ao O Propagador. Seu primeiro disco é uma combinação agradável de pop, jazz, blues e contém, além da conhecida “Getsêmani”, uma regravação de João Alexandre. Com o trabalho, Leonardo se inseriu numa nova safra de intérpretes que fogem de temáticas e sonoridades mais populares.

    2002, Novo Tempo


    75º: O que na Verdade Somos – Fruto SagradoO que na Verdade Somos - Fruto Sagrado - 2003

    O que na Verdade Somos é o disco mais forte do Fruto Sagrado: com riffs agressivos de Bene Maldonado, vocais surpreendentes de Marcão, letras fantasticamente ácidas, e apresentando influências diversas, como o maracatu e a música eletrônica, mostraram que só eles, na altura do campeonato, sabiam fazer um som na tendência.

    2003, MK Music


    74º: Oração de Davi – Feliciano AmaralFeliciano Amaral - Oração de Davi - 1981

    Ele é o recordista, segundo o Guiness Book, como o cantor evangélico há mais tempo em atividade no mundo. Mensagem Real, seu disco de 78 rpm (tecnologia pré vinil), é um dos primeiros registros físicos da música evangélica nacional, lançado em 1948. Já com mais de 35 anos de carreira, o cantor lançou uma de suas maiores obras primas, Oração de Davi. O trabalho de 1981 traz os arranjos limpos característicos da música sacra tradicional, a voz inconfundível de Feliciano Amaral e um repertório brilhante, com canções marcantes como “O Rosto de Cristo”, “Tudo Entregarei”, “Cristo meu Mestre” e “Oração de Davi”.

    1981, FA Produções


    73º: Cicatrizes e Testemunho – Jorge AraújoCicatrizes e Testemunho - Jorge Araújo - 1984

    Pode ser que, hoje, seja mais reconhecido como pai de Daniela Araújo, mas Jorge Araújo fez história na música pentecostal como um dos artistas mais ousados do gênero e responsável por grande parte de sua modernização na década de 80. Em um período de resistência à inovação, Jorge esticou a linha, trazendo, para suas produções, a guitarra elétrica e a bateria em destaque. Em Cicatrizes, seu mais reconhecido trabalho, o cantor mostra toda sua veia pop interpretando grandes sucessos, como a faixa-título e “Deus Resolve o Teu Problema”.

    1984, Louvores do Coração


    72º: Tempo de Adoração – Comunidade Vila da PenhaTempo de Adoração - Comunidade Evangélica Vila da Penha - 1994

    A chamada Comunidade Zona Sul se destacaria ao chamado movimento das comunidades dos anos 90. Tempo de Adoração sintetiza, claramente a tudo o que seria feito pelo resto da década, incluindo “Consagração/Louvor a Rei”, uma das mais belas canções cristãs deste período.

    1994, Independente


    71º: Bonança – Os Cantores de CristoBonança - Os Cantores de Cristo

    Muitos grupos, na época, investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo, evoluindo seu som em relação aos discos anteriores, sem perder o enfoque evangelístico.

    1975, Favoritos Evangélicos


    70º: Sem Palavras – CassianeSem Palavras - Cassiane - 1996

    Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua que remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje.

    1996, MK Music


    69º: Primeiro Amor – Shirley CarvalhaesPrimeiro Amor - Shirley Carvalhaes - 1994

    Mesmo já tendo vinte anos de carreira, foi com Primeiro Amor que Shirley Carvalhaes se firmou como a grande dama da música pentecostal brasileira. O disco, produzido por Tuca Nascimento, foi um fenômeno cultural. Seu grande destaque, a música “Faraó ou Deus?”, causou um mix de encanto e repúdio nas igrejas, tamanha era sua ousadia, cujo som misturava referências da música árabe com forró, ritmo que passaria a ser constante nos discos do gênero, a partir de então. Como resultado, a faixa, tratada nas igrejas mais conservadoras como ‘música para dançar’, se tornou um hit inquestionável, elevando a carreira de Shirley e toda a música pentecostal a outro patamar.

    1994, Nancel Music


    68º: Coração Valente – Voz da VerdadeVoz da Verdade - Coração Valente - 1997

    Indiscutivelmente o grupo que mais sabe trazer ecletismo a seu favor, Coração Valente é o maior clássico do Voz da Verdade até aqui. A fusão de orquestras, guitarras wah-wah, baixo funkeado, bateria pulsante, piano e teclado resultam num registro que é pretensioso do início ao fim.

    1997, Independente


    67º: Não é o Fim… – Novo SomNão é o Fim... - Novo Som - 1999

    Não é o Fim… é o melhor trabalho do Novo Som. O pop à lá Roupa Nova chega aqui ao seu ápice, com um repertório sólido, escrito, em grande parte por Lenilton, um dos melhores letristas que o meio cristão já conheceu e responsável por elevar a música do grupo a outro nível.

    1999, NS Records


    66º: Deus Cuida de Mim – Kleber LucasDeus Cuida de Mim - Kleber Lucas - 1999

    Evoluindo desde Meu Maior Prazer, Kleber Lucas fechou a década com Deus Cuida de Mim, um trabalho que consegue trazer para o ambiente congregacional uma música basicamente pop. Assim, Kleber Lucas foi o primeiro cantor solo, a de fato, adentrar este território, agregando outros gêneros musicais ao longo de sua carreira.

    1999, MK Music


    65º: Entrei no Templo – Ozéias de PaulaOzéias de Paula - Entrei no Templo - 1979

    “A melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida, salvou-me por um triz”. Essa foi certamente uma das principais trilhas sonoras do final dos anos 70 e inicio dos 80. O grande, e então já consagrado, Ozéias de Paula, trazia junto com esse sucesso um de seus melhores trabalhos. Com letras de veia poética, como já era característico do cantor, o disco arranjado por Ângelo Apolônio, o famoso Poli, ousava a inserir na tradicional música tipicamente assembleiana os quase profanos contrabaixo, guitarra e bateria.

    1979, Bandeira Branca


    64º: Encontro – Actos 2Encontro - Actos 2 - 1990

    Marcando a geração dos anos 90, o Actos 2 (Kadoshi) chegou ao seu ápice com o disco Encontro e a canção “Cristo Faz a Cabeça”. No entanto, Encontro é rico em gêneros musicais e passeia, com tranquilidade, no louvor congregacional, pop, rock, blues e soul.

    1992, Gospel Records


    63º: Meu Clamor – Denise CerqueiraMeu Clamor - Denise Cerqueira - 1998

    Ela foi uma das grandes vozes femininas que a música evangélica brasileira conheceu. Depois de se tornar sucesso com o disco Eterno Amor, Denise Cerqueira entrou para a história quando, em 1998, lançou o icônico álbum Meu Clamor. Com um time estrelado de compositores e produção impecável de Alcimar Rangel e Pedro Braconnot, o disco rendeu a artista três troféus Talento em 1999. A trágica e precoce morte de Denise em 15 de novembro de 1999, vitimada em um acidente de carro no auge da carreira, imortalizou definitivamente a voz da intérprete e colocou “Jerusalém e Eu”, composição de Josué Teodoro e carro-chefe da obra, em lugar de destaque nos anais das grandes músicas nacionais.

    1998, Line Records


    62º: Deus Vivo – Édison e TelmaDeus Vivo - Édison e Telma - 1983

    Ele é um dos maiores compositores da história da música pentecostal e, ao lado da esposa Telma formou uma das duplas mais importantes do gênero. Acumulando sucessos desde 1971, quando gravaram os primeiros vinis, o ponto alto da dupla veio em 1983 com Deus Vivo. A música tema ultrapassou os limites do tempo e entrou para o repertório de todas as igrejas pentecostais desde então. Embalado por este grande clássico, o disco traz ótimas referências do samba e alguns lampejos de pop.

    1983, Angelical


    61º: Além do Rio Azul – Voz da VerdadeAlém do Rio Azul - Voz da Verdade - 1988

    Além do Rio Azul veio para estabelecer fórmulas que seriam recorrentes nas produções subsequentes do Voz da Verdade: letras e vocais marcantes de Carlos A. Moysés, pianos de Evaristo Fernandes cobrindo e fornecendo camadas, além do sagaz coral, cujo som nenhum grupo e cantor consegue copiar.

    1988, Califórnia


    60º: Tributo ao Deus de Amor – Renascer PraiseTributo ao Deus de Amor - Renascer Praise - 1998

    Gravado no Palácio das convenções no Anhembi, o quinto trabalho do Renascer Praise seguiu as tendências que o tornaria conhecido pelo Brasil: grandes corais, produção musical pomposa e arranjos de Esdras Galo. Três elementos, que juntos, deram certo.

    1998, Gospel Records


    59º: Final Feliz – Armando FilhoArmando Filho - Final Feliz - 1991

    Armando reuniu várias canções autorais e produziu o seu maior clássico até aqui. Final Feliz contém uma das canções mais importantes da época, “O Mover do Espírito”, produzindo baladas pentecostais que seriam fundamentais para o gênero, por muitos anos.

    1991, Bompastor


    58º: Aqui Chegamos pela Fé – Arautos do ReiArautos do Rei - Aqui Chegamos pela Fé - 1975

    O principal grupo vocal da história da música evangélica nacional já conta com mais de 50 anos de carreira. Precursor do estilo a cappella no Brasil, o Arautos do Rei já está em sua vigésima nona formação, conseguindo o feito incrível de se manter musicalmente relevante, mesmo com o passar do tempo, conseguindo se modernizar sem deixar de ser tradicional. Um dos grandes registros dessa bela história foi Aqui Chegamos pela Fé, gravado pela sexta formação de Arautos. Com a perfeição vocal característica do grupo, o disco apresenta um repertório grandioso, com clássicos como “Junto a Cruz”, “Cristo Jesus Voltará” e “No Grande Mar”.

    1975, Novo Tempo


    57º: Tem Coisas que a Gente não Esquece – Cristina MelTem Coisas que a Gente não Esquece - Cristina Mel - 1999

    No final da década de 90, Cristina utilizou-se de temáticas atemporais para o seu décimo trabalho, como a morte de Cristo, o trabalho missionário e os filhos. Os arranjos são mais suaves em relação aos discos anteriores, mas seguem o seu pop característico.

    1999, Line Records


    56º: Razão para Viver – Nascimento e SilvaNascimento e Silva - Razão para Viver

    O cantor, compositor, produtor e arranjador Tuca Nascimento formou ao lado de Onézimo Silva uma das melhores duplas que a música cristã nacional pode conhecer. Os poucos anos de carreira da dupla, que teve sua trajetória encerrada com a trágica morte de Onézimo, vítima de bala perdida em 1994, foi o suficiente para o lançamento de dois discos, entre eles o imperdível Razão pra Viver. Com arranjos simples, executados apenas com teclado, guitarra, violão, flauta e acordeom, o projeto confere pleno destaque ao dueto com suas interpretações singelas em músicas como as excelentes “Deixa Deus Provar” e “A Volta Feliz”.

    1993, Rosa de Saron


    55º: Nascer de Novo – Rayssa e RavelNascer de Novo - Rayssa e Ravel - 1994

    Com a música “Nascer de Novo”, Rayssa e Ravel conseguiam sintetizar sinceridade e simplicidade musical. Em seguida, com as pop-sertanejas “Arrebatamento” e “Sabe”, mostram que possuem força o suficiente para se colocarem como uma das duplas mais expressivas do gênero no país, até hoje.

    1994, Som e Louvores


    54º: O Sétimo – Sérgio LopesO Sétimo - Sérgio Lopes - 1997

    Com produção musical de Pedro Braconnot, O Sétimo conta com o estilo de Sérgio desenvolvido no Altos Louvores, e se destaca por sua temática judaica – distribuída em parte do repertório, projeto gráfico e fotografias. Além do mais, contém uma das canções mais importantes da época, “O Lamento de Israel”.

    1997, Line Records


    53º: Ao Meu Pai – JesséAo meu Pai - Jessé - 1985

    Ele era uma das grandes revelações da MPB nos anos 80. Ganhando prêmios nacionais e internacionais, Jessé, intérprete de canções como “Porto Solidão” e “Estrelas de Papel”, era sucesso por todo o Brasil. Em seu auge na música secular, o cantor abriu um parêntese e gravou o brilhante disco Ao meu Pai. Com um repertório comporto por clássicos cristãos como “Rude Cruz”, “Cidade Santa” e “Achei um Bom Amigo”, a potente voz do cantor ganha traços dramáticos em interpretações memoráveis.

    1985, RGE


    52º: Momentos Vol.1 / Momentos Vol.2 – Marina de OliveiraMomentos Vol. 1 e 2 - Marina de Oliveira - 1995

    Indissociáveis, Momentos Vol.1 e Vol.2 mostram que só alguém como Marina de Oliveira conseguiria trazer os melhores compositores e produtores musicais de sua época em duas obras. Os registros são impecáveis: canções pop (“Procure por Mim na Glória”), mensagens de autoajuda (“Não Desista do Seu Sonho”) e faixas em inglês (“Celebrate the Lord”). Se alguém era capaz de levar bandas inteiras para apoiar seu som, essa foi Marina.

    1995, MK Music


    51º: Preciso de Ti – Diante do TronoDiante do Trono - Preciso de Ti - 2001

    “Uma das coisas de que temos maior consciência é que no dia em que acharmos que algo vem de nós mesmos, Deus nos tirará da obra”, enfatizou Maximiliano Moraes ao Super Gospel. O ponto mais alto da carreira do Diante do Trono, arranjado por Sérgio Gomes e Maximiliano, é embalado com o discurso de fragilidade humana e dependência divina, especialmente na faixa-título, uma das mais importantes do meio cristão.

    2001, Diante do Trono


    50º: Resgate – ResgateResgate  - Resgate - 1997

    No quarto álbum, o grupo provou ser muito mais do que um devoto ao hard rock. Ao experimentar timbres de bateria, guitarra com flertes evidentes ao britpop, o disco monta uma figura de quebra-cabeças, endossadas com as letras tão incomuns e que questionam o status quo do meio cristão.

    1997, Gospel Records


    49º: Oh, Glória – Mattos NascimentoOh, Glória - Mattos Nascimento - 1991

    Trazendo a influência do pop e, principalmente, o ska para o meio cristão, Mattos Nascimento foi o primeiro – e até o único no meio cristão – a fundir o gênero musical com as letras pentecostais. Oh, Glória é um marco musical no início da década de 90, especialmente com as contagiantes “Dia de Pentecostes” e “Sou Feliz”, mostrando que, especialmente ao vivo, Mattos conseguia elevar tudo a outro nível.

    1991, Rosa de Saron


    48º: Com Muito Louvor – CassianeCassiane - Com Muito Louvor - 1999

    Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais.

    1999, MK Music


    47º: Amigos para Sempre – Integração Jr.Integração Jr. - Amigos para Sempre - 1991

    O melhor álbum infantil já produzido no meio cristão, a obra se destaca pelo seu ecletismo musical e a qualidade dos arranjos, especialmente nas músicas “Amigos para Sempre” e “Milagre da Vida”, anos depois regravada por Cristina Mel, no final da mesma década.

    1991, Bompastor


    46º: Discípulo Teu – Prisma BrasilPrisma Brasil - Discípulo Teu - 1988

    O trabalho mais importante do Prisma, Discípulo Teu contém os elementos adventistas a se repetir: corais robustos, cordas e metais em abundância e canções que versam acerca da vida, as dificuldades e desafios em relação a caminhada do sujeito cristão que caminha para a Eternidade.

    1988, Bompastor


    45º: Não Chores Mais – Victorino SilvaNão Chores Mais - Victorino Silva - 1983

    Dono de uma das mais brilhantes e prestigiadas vozes da música cristã nacional, Victorino Silva tem um de seus grandes momentos com Não Chores Mais, um verdadeiro clássico da música sacra. Além da interpretação e afinação impar do cantor, a parceria com o grande maestro Misael Passos, responsável pela direção musical do projeto, evidenciada até na capa do disco, é digna de destaque. Com arranjos soberbos, o álbum é riquíssimo musicalmente, com a presença marcante de pianos, violinos e muitos instrumentos de sopro.

    1983, Bompastor


    44º: Lágrima no Olhar – Altos LouvoresAltos Louvores - Lágrima no Olhar - 1993

    Seguindo as tendências dos discos anteriores, Lágrima no Olhar trouxe um Altos Louvores mais maduro, mas suficientemente em sua zona de conforto. A grande novidade é a faixa-título de Marquinhos Gomes, com o sax de Zé Canuto, tornando-se, assim, um dos principais registros do grupo.

    1993, Som e Louvores


    43º: Diga Não – RaízesRaízes - Diga não - 1991

    Depois dos Jovens da Verdade em 1972, a banda Raízes foi a única a usar, escancaradamente, a temática das drogas como carro-chefe de um disco. Diga Não se destacou pelas canções críticas, mas que não se sobrepuseram as baladas, as quais lembram bastante o estilo pop do Roupa Nova, cujo vocalista participaria em um disco futuro.

    1991, Independente


    42º: Vento Livre – Guilherme KerrVento Livre - Guilherme Kerr - 1985

    Um dos melhores letristas e musicistas do meio cristão, Guilherme Kerr produziu Vento Livre, seguindo as tendências musicais de sua obra no grupo Vencedores por Cristo. Com arranjos vocais e de cordas complexos, sonoridades regionais são exploradas por letras, em grande parte, verticais.

    1985, IBMorumbi Produções


    41º: Brother – Brother SimionBrother - Brother Simion - 1992

    Em meio a obras cada vez mais superproduzidas no início dos anos 90, Brother Simion quebrou a lógica fazendo um disco quase todo em voz e violão. Humor, introspecção e suavidade são características fundidas nesta produção básica de Rick Bonadio.

    1992, Gospel Records


    40º: Sem Limites – Aline BarrosAline Barros - Sem Limites - 1995

    O grande mérito da estreia de Aline Barros foi contar com a produção musical e arranjos de Ricardo Feghali e Cleberson Horsth, membros do Roupa Nova. Assumindo um caráter totalmente pop, a produção seria, com o passar dos anos, o melhor trabalho solo da carreira de Aline.

    1995, Grape Vine


    39º: Pra Cima Brasil! – MiladPrá Cima Brasil! - Milad - 1990

    Com a decrescente predominância de João Alexandre, e verbalizando toda a decepção com o jogo político e as extremas crises econômicas que assolavam o país, o Milad trouxe o disco mais politizado de sua carreira. Isso causou o despojo de grande parte de seu complexo som, adotando moldes pop, mas seguindo-se forte em seus discursos, como na clássica “Brasil” e na regional “Meu Candidato”. Também traz canções de uma das bandas mais influentes dos anos 80 no nordeste, chamada Artecristã, como “Os Sonhos Evaporam” e “Algo Está Errado”, além de apresentar “Navio Negreiro”, de Gladir Cabral.

    1990, Independente


    38º: Manhãs de Outono – Sinal de AlertaSinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987

    Desprendendo-se de sua fixação pelo Rebanhão, o Sinal de Alerta evoluiu tematicamente e sonoramente, e alcançou o seu ápice em Manhãs de Outono, um trabalho que consegue dialogar com sua época, e de quebra ainda apresenta grandes letras guiadas pelo seu pop rock, como “Tempos Modernos” e “Adolescência”.

    1987, Califórnia


    37º: Prá Falar de Amor – Banda & VozBanda e Voz - Prá Falar de Amor - 1992

    Banda & Voz foi, de fato, o primeiro grupo a ter fielmente um repertório muito eclético e variado, passeando pela black music, soul, ska, envolvendo tudo em ganchos pop. Tudo isso amadureceu em Prá Falar de Amor, em que, especialmente, o timbre de Natan Brito se destaca junto ao groove da guitarra de Marcos Brito e baixo de Beno César.

    1992, Line Records


    36º: Tempos de Celebração – Adhemar de CamposTempos de Celebração - Adhemar de Campos - 1993

    Após a Comunidade da Graça, Adhemar trouxe toda a temática congregacional para sua carreira solo, mas, diferentemente de todos, agregando gêneros musicais ‘incomuns’ para o repertório das igrejas, além das excelentes canções “Tributo a Iehovah”, “Fonte de Água Viva” e “Bem Supremo”.

    1993, Comunidade da Graça


    35º: O Amor é a Resposta – Alessandra SamadelloO Amor é a Resposta - Alessandra Samadello - 1996

    O grande mérito do quarto trabalho de Alessandra é de ultrapassar limites musicais dentro da própria tradição musical adventista. Influenciando até o contemporâneo Leonardo Gonçalves, O Amor é a Resposta aposta em sonoridades mais introspectivas, melancólicas e contemporâneas, sempre regadas a vibrantes e viscerais registros vocais, do estilo que só Alessandra Samadello poderia fazer.

    1996, ABBO


    34º: Intimidade – Jorge CamargoIntimidade - Jorge Camargo - 1999

    Uma produção de Jorge Camargo, Nelson Bomilcar e Marquito Cavalcante, é um dos registros mais agradáveis de música popular brasileira cristã, em que Jorge se estabelece como cantor e compositor. As músicas são bem interpretadas e tocadas. A combinação de canções acústicas e eletrônicas, além do excelente encarte, gerou uma das obras-primas do nicho.

    1999, Alento Produções


    Grupo Semente - Criação - 198633º: Criação – Grupo Semente

    Com a influência do Vencedores por Cristo, o Grupo Semente produziu canções de excelência, com a participação de Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Sérgio Pimenta e vários outros. Criação consegue sintetizar, muito bem, a música do conjunto.

    1986, VPC Produções


    32º: Coisas da Vida – Carlinhos FelixCarlinhos Felix - Coisas da Vida - 1991

    Carlinhos Felix, após deixar o Rebanhão, veio como um dos intérpretes com os discos mais bem produzidos nos anos 90, e sua essência musical nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia, Coisas da Vida. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.

    1991, Continental / Warner Music Brasil


    31º: O que Virá? – Comunidade S8Comunidade S8 - O que Virá - 1981

    Seguindo os passos de seu disco anterior, a S8 produziu o seu maior clássico até aqui. Aqui, a banda se rende a um rock progressivo sombrio, de influências pós-tropicalistas, mas não autoindulgente, especialmente pelas guitarras de Ernani Maldonado. Combinando crítica social com o apocalipse, o trabalho é, no mínimo, intrigante.

    1981, Independente


    30º: Novo Dia – RebanhãoRebanhão - Novo Dia - 1987

    Carlinhos Felix e Pedro Braconnot transformaram as influências da tropicália, trazidas anteriormente por Janires, para faixas pop que caracterizam bem a textura das produções dos anos 80, como “Primeiro Amor”, “Nele Você Pode Confiar”, “Jesus é Amor (Jesus Is Love)” e “Razão”.

    1988, PolyGram


    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - Wolô29º: O que a Lua não Pôde, não Pode e não Poderá – Wolô

    O disco mais rico, musicalmente falando, dos anos 70, também é um recheado de influências culturais. Wolô soube verbalizar a ‘loucura’ hippie, transmitir gírias e filosofar acerca de Cristo, fundindo tudo isso a uma sonoridade que mescla rock, bossa nova, com influências da Jovem Guarda.

    1975, Independente


    28º: Calmo, Sereno, Tranquilo – Jairo Trench Gonçalves e Paulo Cezar da SilvaCalmo, Sereno, Tranquilo - Jayrinho e Paulo Cezar - 1976

    Jayrinho e Paulo Cezar, juntos, formariam o Grupo Elo. Mas, este registro predecessor, captura fielmente a tensão e restrições existentes no meio evangélico na época em que foi produzido. A obra é suave, com camadas de violão ovation, e baixo marcante, guiado por sonoridades influenciadas pela MPB.

    1976, Independente


    27º: Simplesmente João – João AlexandreSimplesmente João - João Alexandre - 1991

    Primeiro disco totalmente – e simplesmente de João, é um de seus trabalhos mais acessíveis e pops. A obra mostra um olhar mais positivo do cantor, com canções verticais, reflexivas, e trazendo algumas regravações, com a colaboração de Pedro Braconnot.

    1991, Gospel Records


    26º: Aliança – KoinonyaAliança - Koinonya - 1988

    A música do Koinonya seria o molde para a música congregacional feita na década seguinte: a banda Diante do Trono, por exemplo, bebeu intensamente de sua fonte. Sob a liderança de Bené Gomes, o grupo goianiense iniciou sua trajetória com o seu trabalho mais brilhante: Aliança contém várias músicas que, até hoje, são entoadas nas igrejas, como “Ao Único”, “Quem Pode Livrar” e a faixa-título, “Aliança”.

    1988, Koinonya


    25º: Obra Santa – Luiz de CarvalhoObra Santa - Luiz de Carvalho - 1969

    Ele foi o primeiro cantor a gravar um disco de vinil no meio evangélico nacional, em 1958, foi o primeiro artista evangélico de fato, o responsável por levar às igrejas o, então profano, violão, inseriu o bolero e elementos de samba e marchinhas na tradicionalíssima música cristã da época e se sagrou como o maior nome do cenário musical protestante nas décadas seguintes. O vinil Obra Santa, clássico indiscutível, além de contar com a voz e interpretação inconfundível de Luiz de Carvalho, é responsável por emplacar o primeiro hit da música evangélica nacional. A faixa-título se tornou uma espécie de hino oficial do movimento de Renovação Espiritual que se iniciou no Brasil a partir da década de 1960.

    1969, Som da Palavra


    24º: Está Consumado – CatedralCatedral - Está Consumado - 1993

    Talvez o mais importante álbum duplo da história da música cristã, Está Consumado, juntamente ao antecessor Volume III, faz uma ponte entre o Catedral, antes pertencente ao underground, e o que seria o grupo mais notório dos anos 90 e um dos expoentes do movimento gospel. O trabalho, no geral, é o clássico pop rock com o baixo funky de Júlio e riffs de guitarra – inconfundíveis – de Cezar. Vale destacar o clássico “Galhos Secos” e a letra de “Carpe Diem”, uma das músicas mais brilhantes do grupo, inspirada em pensamentos de Friedrich Nietzsche e José Ângelo Galarga.

    1993, Pioneira Evangélica


    23º: Armagedom – KatsbarneaArmagedom - Katsbarnea - 1995

    “O Arco-Íris de Deus tem muitas cores, e os sons muitas estradas que expressam nossas vidas. Acho que a mesmice cansa”, disse Brother Simion ao Super Gospel. Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum, Armagedom, mostrando que eram mais do que uma caricatura da Blitz. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs blues executados por Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado.

    1995, Gospel Records


    22º: Indiferença – Oficina G3Oficina G3 - Indiferença - 1996

    Finalmente, Oficina G3 se desfez de suas referências explícitas ao Stryper. Quente e solta, a voz de Luciano Manga, cada vez mais poderosa, chega ao ápice junto ao peso das composições do guitarrista Juninho Afram. Elétrico, o disco se complementa aos teclados de Jean Carllos, ao autoritário e agressivo baixo de Duca Tambasco e as baquetas de Walter Lopes em canções como “Espelhos Mágicos”, mas se rendendo a baladas fascinantes, como “Magia Alguma” e “Novos Céus”. Em “Glória Inst.”, Afram mostrou o porquê é o maior guitarrista que a música cristã nacional já conheceu.

    1996, Gospel Records


    21º: On the Rock – ResgateResgate - On the Rock - 1995

    Paulo Anhaia elevou o nível do Resgate de forma abismal em seu terceiro registro. On the Rock capturou todo o potencial de humor autodepreciativo sob sua música, e ascendeu as guitarras de Zé Bruno e Hamilton, com riffs poderosos de hard rock. Sendo o trabalho mais importante e sólido do rock cristão nacional durante a segunda metade dos anos 90, o disco combina temáticas obscuras, como a depressão, solidão e morte com a mais peculiar sátira, cuja habilidade o quarteto é especialista.

    1995, Gospel Records


    20º: Fruto dos Lábios – Comunidade da GraçaComunidade da Graça - 1988 - Fruto dos Lábios

    Clássico do louvor congregacional do Brasil, Fruto dos Lábios é o melhor trabalho da Comunidade da Graça, sob a participação de Adhemar de Campos. Recheado de clássicos, como “Nosso General”, “Louvemos ao Senhor” e “Hosana”, o trabalho se destaca pela qualidade dos arranjos vocais e de instrumentos utilizados.

    1988, Comunidade da Graça


    19º: Alma Cansada – Jair e HozanaAlma Cansada - Jair e Hozana

    As duplas formadas por homem e mulher fizeram história na música sertaneja cristã, e a primeira de destaque foi Jair e Hozana. Jair, aliás, era ninguém menos que Jair Pires, que faria história como um dos mais notórios cantores e compositores da história da música pentecostal. Alma Cansada, um disco embalado por viola e acordeom, misturava canções autorais do músico com alguns poucos hinos da Harpa Cristã. Em meio a faixas de grande relevância na época, como “Canta meu Povo” e “Multiplicações de Pães”, se destacaria a faixa-título, que se tornaria um inegável clássico.

    1968, Celeste


    18º: Portas Abertas – Grupo LogosPortas Abertas - Grupo Logos - 1987

    Um dos últimos trabalhos do Logos nos anos 80, Portas Abertas tem todas as características das produções oitentistas, e foi totalmente aberto para os modismos da época, como os sintetizadores utilizados e o reverb da bateria. Mas as composições seguem fortes e sinceras, como se espera em relação a este grupo.

    1987, Logos


    17º: Novidade de Vida – Edson e TitaNovidade de Vida - Edson e Tita - 1982

    Com a participação de grandes nomes da música nacional, como Paulo Jobim, João Donato, Danilo Caymmi, Toninho Horta e muitos outros, Novidade de Vida é o disco de música popular brasileira mais brilhante da década de 80. Tratando de questões como a solidão, o vazio humano e o encontro com Cristo, o trabalho conta com arranjos refinados de qualidade muito acima da média que o meio evangélico apresentava, na época. O primor das músicas foi tão notável que, anos depois, Tita processou Tom Jobim, por um suposto plágio de uma de suas canções, o qual Tom foi absolvido.

    1982, Parejhara


    16º: Anseios – Altos LouvoresAnseios - Altos Louvores - 1986

    A grande fórmula do Altos Louvores foi, além de seguir os outros grupos musicais com temática de louvor da época, utilizar uma musicalidade mais simples e próxima ao pop em suas produções. Sob o comando de Edvaldo Novaes e colaboração de Pedro Braconnot nos pianos e teclados, o disco contém uma gama variada de composições, escritas por Sérgio Lopes, Léa Mendonça, e muitos outros.

    1986, Som e Louvores


    15º: Voz e Violão – João AlexandreVoz e Violão - João Alexandre - 1996

    Ninguém soa ou soará um dia como João Alexandre. Em boa forma, Voz e Violão é um dos registros mais brilhantes de nossa história, e compreende canções conduzidas de forma literalmente “solo” pelo cantor. O repertório, no geral, nem é lá tão novidade, mas a proficiência e intimidade que Alexandre possui com seu violão é ímpar, produzindo o maior disco do estilo no meio cristão.

    1996, VPC Produções


    14º: Dê Carinho – Cristina MelCristina Mel - Dê Carinho - 1997

    Cristina Mel foi a intérprete mais importante da música cristã nos anos 90, e Dê Carinho registra a intérprete em pleno voo, alcançando o seu ápice, dividindo seu repertório entre vários gêneros musicais. A obra trata do amor, em sua amplitude, versando, por exemplo, sobre amizades (“Ao Amigo Distante”) e o favor de Cristo (“Mestre”). Essencialmente pop, com produção musical de Cristina, e arranjos instrumentais de Karam e Natan Brito, foi também lançado numa edição em espanhol.

    1997, MK Music


    13º: 3 – Complexo JComplexo J - 3 - 1992

    Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, 3 é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.

    1992, MK Music


    12º: Espelho nos Olhos – Banda AzulEspelho nos Olhos - Banda Azul - 1988

    Sendo o canto do cisne de Janires, é um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80. Seu teor poético se entrelaça com o contexto histórico: é neste disco que o cantor faz uma retrospectiva de sua vida, nos dá referências de outras músicas que se tornaram relevantes em sua carreira, e constantemente trata da Eternidade. Trazendo, agradavelmente, variações de rock progressivo, pop rock, reggae e MPB, Espelho nos Olhos é um testemunho musical brilhante de uma vida humana voltada, até o seu último momento, para o céu.

    1988, Bompastor


    11º: Não Há Barreiras – Álvaro TitoÁlvaro Tito - Não Há Barreias - 1986

    Imagine uma das maiores gravadoras do planeta, a PolyGram (hoje Universal Music), abrindo suas portas para a música evangélica brasileira que estava fervilhando nos anos 80. Agora, imagine um talentoso cantor de apenas 21 anos que misturava MPB, jazz, soul e pop como recém contratado por ela para gravar seu terceiro disco. Artisticamente ambicioso, se propõe a não apenas interpretar, mas também atuar no projeto como diretor musical, arranjador, músico e compositor de metade das faixas. A despeito da resistência inicial da cúpula da gravadora em confiar tamanha responsabilidade a um artista tão jovem, o trabalho resultou em um dos melhores discos já produzidos na música evangélica nacional. O sucesso de público e crítica foi imediato e a faixa que o intitula, certamente, uma das mais importantes daquela década dourada.

    1986, PolyGram


    10º: Princípio – RebanhãoRebanhão - Princípio - 1990

    Era 1990 e o Rebanhão disse sim para o início do movimento gospel, intensificando o pop do disco anterior, cuja consistência seria o molde para as produções da época. Neste disco, o grupo apresenta baladas suaves e de excelência, como “Selo do Perdão”, mas questiona os poderosos e regimes totalitários nas elegantes “Muro de Pedra” e “Palácios”, um triunfo de Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Como cereja do bolo, o grupo ainda utilizou-se do fatídico assassinato de Chico Mendes para questionar: “até quando viverei pra testemunhar e dizer sim, sim a Deus e a toda vida?”, dando o desiludido atestado de que mais uma década passara e os dilemas ainda eram os mesmos. Além do mais, foi o primeiro disco gospel, e o primeiro lançado em CD.

    1990, Gospel Records


    9º: Retratos de Vida – MiladRetratos de Vida - Milad - 1987

    Foi no álbum conceitual mais importante da música cristã em que a dupla João Alexandre e Toninho Zemuner explorou a vida noturna paulista e todo o caos urbano que existia – e persiste – na maior cidade do país. Tratando da elite cultural (“Plateia”), prostituição (“Esquinas Cruéis”), desigualdade em seus extremos (“Pobres Ricos” e “Meninos de Rua”) e isolamento social (“Solidão de Ilha”), o trabalho é cheio de riqueza musical, passeando pela MPB, bossa-jazz e até mesmo o post-punk, com muita tranquilidade. Além da clássica “Olhos no Espelho”, o disco contém despojadas e agradáveis faixas instrumentais, confirmando a coragem e relevância que contém para a história da música cristã nacional.

    1987, Água Viva


    8º: Janires e Amigos – JaniresJanires e Amigos

    O primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional é o registro definitivo de toda uma cena que estava se consolidando nos anos 80: Janires reuniu amigos e fincou sua respeitada imagem. Apoiado pela Banda Fé, com participação de João Alexandre, Ed Wilson, Rebanhão e muitos outros músicos e personalidades midiáticas, como o ex-jogador Baltazar e o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, o disco é intimista, e pouco religioso. Falando de sua vida, e refletindo acerca dos testemunhos e dificuldades diárias de seus amigos, o repertório surpreende pelas belas “Mamãe”, “Alex, o Baixinho Voador”, “Helena, Todo Pecado Será Perdoado”, além da icônica “Jesus Super Herói”. No geral, Janires e Amigos é um trabalho que revela o melhor de Janires: riqueza musical, simplicidade e sinceridade.

    1985, Doce Harmonia


    7º: Situações – Grupo LogosGrupo Logos - Situações - 1984

    Após o fim do Grupo Elo, o Grupo Logos surgiu sob o comando de Pr. Paulo Cezar. Situações é o seu clássico, registro que se mostra bastante superior ao trabalho antecessor, Caminhos. Aqui, a banda aposta em um som que segue as tendências do último trabalho do Elo, Nova Canção, trazendo influências populares para a sua música. Outro destaque, acerca de sua sonoridade, é a riqueza de sintetizadores que apresenta. Portanto, além de musicalmente dentro das tendências da época, o disco possui a consistência lírica que tornaria o Logos um dos melhores grupos musicais já existentes.

    1984, Logos


    6º: Luz do Mundo – RebanhãoRebanhão - Luz do Mundo - 1983

    O céu é a temática mais clara para definir Luz do Mundo. Neste álbum, o Rebanhão apresentava uma evolução técnica considerável, em relação ao primeiro trabalho. Gravado no melhor estúdio brasileiro da época, o Estúdio Transamérica, se destaca pela suave “Hoje Sou Feliz”, com influências da MPB, e sua letra, tão atual, sobre a situação do nosso país. Embora o disco descreva, de forma bem forte e incisiva, os problemas da sociedade, não é pessimista, mas indica Cristo como a solução. Janires, claramente, era alguém fixado na Eternidade, e não deixou de cantar sobre ela até o último momento de sua vida: “Ele faz muita falta, mas não aguentaria a forma com que a igreja caminha nos dias de hoje”, disse Carlinhos Felix ao Super Gospel.

    1983, Arca Musical Evangélica


    5º: Cem Ovelhas – Ozéias de PaulaCem Ovelhas - Ozéias de Paula - 1973

    O disco Cem Ovelhas, do cantor Ozéias de Paula é, provavelmente, o mais importante álbum lançado por um artista do movimento pentecostal. O que saiu deste trabalho influenciou as gerações que viriam. Todas as onze canções que compõem o disco se tornaram sucesso e algumas delas clássicas, como “Hoje sou Feliz” e “Oh foi por mim”, além da faixa-título que se tornou um hino o qual ultrapassa o limite do tempo. Outro grande sucesso, “É Assim que eu Te Amo”, embora se tratasse de uma declaração a Deus, passou a ser considerada como uma música romântica, o que abriria portas para as diversas canções e discos apaixonados que viriam nas décadas seguintes. Com grandes letras e uma pegada ousadamente moderna para a época, Ozéias entrou para a história como o maior nome masculino da história da música pentecostal nacional.

    1973, Estrela da Manhã


    4º: Celebraremos com Júbilo – Don e AsaphDon e Asaph Borba - Celebraremos com Júbilo - 1978

    Asaph Borba, juntamente a Adhemar de Campos, são os nomes mais conhecidos, e importantes, do meio congregacional. No entanto, na segunda metade dos anos 70, Asaph já estava no meio evangélico. E, com o músico Donald Stoll, formou a dupla Don e Asaph, produzindo Celebraremos com Júbilo. Gravado totalmente em território estrangeiro, em Bay City, Michigan, nos Estados Unidos, a obra possui uma consistência sonora e instrumental bastante superior, se considerarmos os lançamentos deste período. Por sua vez, este trabalho se destaca com várias canções, mostrando que, mesmo após mais de trinta anos após o seu lançamento, é um dos clássicos de nossa música.

    1978, Life Produções


    3º: Ouvi Dizer – Grupo EloOuvi Dizer - Grupo Elo - 1978

    O Grupo Elo é um dos mais importantes grupos musicais já surgidos na música cristã. Sob o destaque das figuras de Jayrinho (in memoriam) e Pr. Paulo Cezar, a sua obra alcançou outro nível com o disco Ouvi Dizer. Enquanto Nova Jerusalém, o trabalho de estreia, se destacava por trazer instrumentos até então pouco convencionais, como a bateria e a guitarra, o disco sucessor une isso a um bom repertório, que se tornou um clássico no meio evangélico.

    Com bases gravadas nos EUA e representando uma virada no som na banda, conta com uma produção musical de altíssimo nível e músicos competentes. Assim, somos introduzidos a faixas de grande riqueza poética, como a clássica “Céu, Lindo Céu”, além das regravações de “Calmo, Sereno, Tranquilo” e “Mais Perto Quero Estar”. A melhor música, por sua vez, é “Autor da Minha Fé”, uma das mais belas canções nacionais que temos, já regravada por Cristina Mel, Carlinhos Felix, Alex Gonzaga e Paulo César Baruk.

    1978, Elo


    2º: Mais Doce que o Mel – RebanhãoRebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981

    “Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época”, afirmara Pedro Braconnot ao O Propagador. De 1981 pra cá, Mais Doce que o Mel apenas foi mais reconhecido e estimado: o primeiro registro de rock e tropicália que definitivamente alcançou o meio cristão, o disco foi, por muitos anos, um escândalo.

    Com sua sonoridade ousada e direta, o repertório se destaca especialmente pelas composições de Janires que, claramente, dialogava com a cultura do nosso país. O destaque vai para o pot-pourri, cujo som, durante oito minutos, prende o ouvinte, com riffs de baixo bem marcados e um arranjo de metais de classe. A primeira música deste medley, “Salas de Jantar”, claramente faz referência à “Panis et Circenses”, do antológico disco de estreia dos Mutantes. A riqueza de sons se expande ao “Baião” e sua crítica social, e a melhor música do disco, o choro “Casinha”. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot também surgem com as agradáveis “Monte” e “Refúgio”, guiadas por uma sonoridade que passeia pelo pop rock e rock progressivo.

    Mais Doce que o Mel não foi muito bem recebido por conta de suas músicas questionadoras, livres e diretas, mas nada foi mais polêmica do que a capa, em que Janires esbanja simplicidade, com a camisa aberta. ‘Censurada’, a capa teve que ser refeita em outra edição. Além das críticas, boicotes e acusações de satanismo, o reboliço causado pela música do Rebanhão apenas expandiu a sua popularidade, tornando-os conhecidos por todo o país.

    1981, Doce Harmonia


    1º: De Vento em Popa – Vencedores por CristoDe Vento em Popa - Vencedores por Cristo - 1977

    Um dos discos mais aclamados até hoje em termos de letras, ritmos, vocais e instrumentais. A grande importância desse trabalho reside na proposta diferente que trazia, na linguagem inovadora e na influência que provocou em tantos artistas cristãos, que estavam sendo formados naquela época, e mesmo em épocas posteriores. Pela primeira vez, os Vencedores por Cristo lançavam um disco com canções totalmente autorais e cujas letras e sonoridade dialogavam, sem medo, com a cultura brasileira.

    “Eu o considero um marco porque Vencedores àquela altura era o grupo musical de maior penetração no meio cristão devido às equipes que viajavam por todo o país divulgando o trabalho musical da organização”, diria Jorge Camargo, em entrevista ao Arquivo Gospel. De Vento em Popa foi o único disco cristão a ser tema de uma tese de mestrado, defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda, esta obra, devido a sua qualidade musical, transpassou as barreiras do meio cristão, servindo de influência para alguns músicos ‘seculares’, sendo citado, recentemente, por Ed Motta, como “um disco raro no gospel”.

    Aliando-se à música brasileira, na pretensão de nacionalizar as canções cristãs da época, era um contraponto a tantas versões que eram feitas (profético?). Reúne músicas de grandes compositores da música cristã: Aristeu Pires Junior, Artur Mendes, Ederly Chagas, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta e Nelson Bomilcar, que também participam nos vocais e instrumentais. Um disco em que brasilidade, poesia, qualidade e espiritualidade se harmonizam.

    1977, VPC Produções


    Eleitores: Alex Eduardo (músico), Danilo Andrade (editor-chefe, O Propagador), João Dias (historiador), Leiliane Lopes (jornalista), Philipe Daniel (músico), Rafael Ramos (jornalista e editor-chefe, Gospel no Divã), Roberto Azevedo (editor-chefe, Super Gospel), Rogério Oliver (pesquisador, Gospel no Divã), Ruben Mukama (músico), Salvador de Souza (historiador), Tayse Souza (editora, O Propagador), Tiago Abreu (editor colaborador, Super Gospel).

    Contribuintes: Alexandre Pereira, Charles Spencer, Cleber Nadalutti, Gesson Vasconcelos, Jhonata Fernandes, Philippe Santos, Renan Lima, Thiago Ferreira.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 1990 a 1994

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 90, mas desta vez, dividindo entre a primeira metade da década e segunda. Foi o boom, grandes bandas se destacaram, outras se despediam, e tivemos grandes discos. Em votação, o primeiro lugar ficou para a banda Oficina G3, mas Rebanhão, Fruto Sagrado e Resgate entraram com dois discos, cada um. Confira!

    [infobox title=’10º: Pé na Estrada’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Pé na Estrada - 1991Jhonata: Um disco sincero do início ao fim. Inspirador, “Existe um Lugar” mostra um Rebanhão denso. Destaco “Ovelha Perdida” e “Pedaço do Céu”.

    João: Gosto de algumas músicas desse disco, mas não me faz a cabeça e inclusive passa longe do que eu esperaria do Rebanhão. P.S.: Cadê as bandas de Brasília nessa lista? Mó foco no eixo Rio/Sampa aqui, curti não (risos).

    Phil: Se lembro bem, eu não votei nesse álbum, mas fico feliz que tenha entrado na lista final. É o trabalho sonoramente mais acertado, mais técnico da banda. Foi feito na mesma época em que Carlinhos Felix gravou seu primeiro trabalho solo. Também foi o último com membros da chamada “formação clássica”. As letras voltaram a ter um pouco do teor crítico que Janires colocava nas composições, e a atmosfera já não é tão pop quando o trabalho anterior, Princípio; aqui já vão pra um lado mais experimental, progressivo, art rock. Mas me parece que tudo o que tem nome Rebanhão é ouro. Tudo o que sai dos caras é bom, mesmo que não seja um primor (geralmente é), mas é bom do mesmo jeito!

    Thiago: Pé na Estrada teve uma sonoridade que mesclou mais gêneros musicais como o anterior, e peregrina pelo art rock, pop rock, rock progressivo e rock experimental. Sempre focado nas interpretações de teclado, o disco conta com uma produção musical muito agradável, os vocais da banda sempre eficientes, principalmente a voz Keith Green de Carlinhos Felix, a melhor voz do Rebanhão pós-Janires. Minha preferida foi a música “Fé”, com riffs de guitarra limpa e ótimos solos. “Elo Perdido” tem uma construção musical e lírica muito impactante também, falando sobre a solidão humana a busca do elo perdido. Contudo, como outros trabalhos do grupo, esse tem também seus defeitos, como a moda dos modelos de teclado da época que eu nunca consegui gostar. Eu coloquei esse álbum em nono lugar, e no final sua posição ficou em último, portanto, acho justo a colocação desse, sendo que chegou a disputar a posição com vários trabalhos fora da lista que possuem seus méritos. como Está Consumado (Catedral), Katsbarnea (Katsbarnea)  e Enquanto É Dia (Rebanhão).

    Tiago: Certeza de que muitos não vão concordar, mas é necessário entender que Pé na Estrada é sim, um disco merecedor de estar nesta lista (talvez até mesmo em uma posição melhor). O álbum é a despedida do trio clássico da banda, e é aqui que Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta alcançam o ápice sonoro. Os arranjos nunca soaram tão maduros e a banda tão entrosada. “Elo Perdido” será, sempre, a melhor música do Rebanhão feita sem Janires. Um rock progressivo de primeira (sim, Rebanhão sabe fazer progressivo com excelência). Poderia ser o melhor álbum da banda desde 1983, se não tivessem incluído a horrível “Nzile Nzulu” e claro, acrescentado alguma música de peso maior ao disco. Carlinhos Felix, claramente estava concentrado mais em sua carreira solo (o ótimo Coisas da Vida foi lançado neste mesmo ano, meses antes e vale menções honrosas), e as melhores letras são escritas por Braconnot e Marotta. Por fim, vale mencionar a ótima capa (a melhor, em toda a carreira da banda).

    [infobox title=’9º: Brother’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Brother - Brother Simion - 1992Jhonata: A tentativa dele de fazer um som folk – estilo Bob Dylan – e ainda sim conseguir fazer um som praiano, é válida. O ruim disso tudo, é o resultado: não sai legal. “Brota” é a única que escapa nessa confusão toda. “Cura da Terra” me deixa tonto e eu não consigo entender nada do que o autor quis passar com tal letra. Enfim, um álbum muito abaixo da média (como diz nosso amigo Thalles).

    João: Amo esse disco, acho Simion fantástico, simplesmente isso. O estilo de cantar a lá Evandro Mesquita ou Raul Seixas dele, meio que ditando os versos é algo que eu sempre curti, e as letras desse disco desde que ouvi ele inteiro a primeira vez a uns 10 anos atrás me faz chorar até hoje. Produção simples e bem do-it-yourself, gosto dessa autenticidade que Brother imprimiu, bem como bandas dessa época como Átrios, Akza e Calvário.

    Phil: Esse cara é doidão! (risos) Não bastasse ser vocal e compositor do Katsbarnea, que já era um rock’n’roll com pegada, apesar de experimental: ele ainda teve fôlego pra encaixar outras composições suas num projeto paralelo, que era solo. Esse álbum tem uma cara folk, um rock acústico, muito bem feito. Mas acho que o que se destaca é o jeito doidão dele mesmo, bem diferenciado, legal pra caramba.

    Thiago: Até hoje eu não sei se cometi a blasfêmia de ter deixado esse álbum fora da lista pessoal. A decisão foi difícil, mas inclui outro no lugar, sendo o único da lista que não inclui na minha pessoal. O disco é um folk rock/ folk muito bom de ouvir, e me deixou muito na dúvida se eu o colocaria ou não nas minhas colocações devido a sua sonoridade voz e violão e algumas canções fracas. “Brota” é a melhor com seu country/folk. “Retrovisor” é muito extravagante com o ritmo blues rock e rock and roll e “Together” é o tipo de canção folk que você só ouve nos gringos da vida. No entanto, o disco não tem apenas coisas boas: “Contato” e “Salve a Tua Paz” são duas canções fracas. A primeira exibe um folk chato na maior parte da duração dela em contraste com a letra muito interessante sobre um contato com o Criador, e a segunda passeia também pelo folk, daqueles bem tropicais, com referências a natureza. “Grito de Alerta” também não me agradou muito, com cantos de súplica do Brother a ecoar pelo microfone. Contudo, é um álbum que tem sua importância e mesmo eu não tendo o indicado para a lista final, ele merece estar aqui.

    Tiago: Há uma coisa que muitos músicos e pessoas comuns tem dificuldade de entender: em muitas das vezes, menos é mais. O disco do Brother Simion é um excelente exemplo. Ele só precisou de um violão, voz e harmônica. A qualidade do repertório e da execução dos instrumentos levou o álbum a outro nível, e o que se nota é uma sucessão de músicas agradáveis de ouvir. Destaque para “Brota”, “Grito de Alerta”, “Cura da Terra” e, claro, sempre uma faixa em inglês que não pode faltar nos discos de Simion, “Together”.

    [infobox title=’8º: Jesus, Vida & Rock n Roll’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Resgate 1991Jhonata: Sou suspeito em falar desse álbum, porque gosto muito. Foi o primeiro trabalho do Resgate que ouvi, quando estava começando o curso técnico em administração. Todas as canções conversam entre si e isso faz do álbum um compacto de músicas boas!

    João: Outro que eu não inclui na minha lista. Esse inclusive eu tenho em LP (foi o primeiro LP evangélico que eu comprei na vida), mas não me enche tanto os olhos ante os outros da banda e outros discos da época que não apareceram por aqui. No geral, é um bom disco, mas não é dos melhores.

    Phil: Eu acho que o Resgate ainda levaria um tempo pra se definir enquanto banda, fechar algum conceito, mas certamente é rock’n’roll do bom, feito num estilo bem brazuca mesmo. Talvez seja um pouco forçado colocá-los no TOP 10, mas por serem promissores e bem produzidos, e com letras inteligentes e edificantes, ganham seu lugar. Ah… quem nunca pulou ao som de “Rock da Vovó”? 😀

    Thiago: Jesus, Vida & Rock’n’Roll é álbum até bom, só tem um problema: uma boa parte das canções foram relançadas no disco seguinte, o que faz com que seja um álbum de poucas inéditas no sentido de se estar numa lista de melhores do Brock, mas isso não elimina seu mérito. A musicalidade anda sobre o hard rock e rock and roll, o mais leve entre os gigantes do hard na época, como o Oficina G3 e Fruto Sagrado. Das cinco que não foram relançadas no álbum seguinte, sendo elas as faixas “Ainda Há Tempo”, “Mestre”, “Eu Passei”, “Quem é Ele?” e “Sem Deus”, a melhor foi “Quem é Ele?”, um rock and roll com um riff muito legal de guitarra. A famosa “Rock da Vovó” foi lançada primeiramente nesse álbum, e é uma das melhores também. O disco é legal, e a posição foi justa para a banda.

    Tiago: Um álbum do Resgate, de 1991, numa lista de melhores? Vocês estão de brincadeira, né? Esse disco é muito fundo de quintal.

    [infobox title=’7º: Fruto Sagrado’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Fruto Sagrado - 1991Jhonata: Sem comentários, ruim demais.

    João: Já esse disco eu não inclui na lista, mas é sim um ótimo disco de estreia do FS, com faixas que já diziam quem era a banda, a sonoridade tá mais pra um hard rock com muitos teclados na linha do Rush, isso é bem legal. Mas no geral não tá entre meus prediletos, sorry.

    Phil: Um hard rock com bastante pegada e virtuosismo. Dizendo assim parece normal, mas na real o diferencial do Fruto Sagrado são as letras. Além do louvor a Deus, temas como críticas ao sistema religioso, heresias e críticas sociais permeiam a banda, sendo escritas de uma maneira geralmente bem ácida, inteligente, forte e ainda assim bem encaixadas com as composições. Bênlio, Marco Antônio e Flávio fizeram um belo trabalho, um bom disco pra chamar de primeiro.

    Thiago: Três anos após a fundação da banda, o primeiro álbum do Fruto Sagrado, com o mesmo nome da banda, saía do forno. O notável desse grupo era suas letras nada convencionais, diretas e críticas ao sistema, tanto como social e político, como religioso, de acordo com uma cosmovisão cristã. Esse tipo de abordagem foi predefinida pelos seus integrantes. As ideias trabalhadas são legais, porém, no início da banda, a composição das letras ainda estavam sendo moldadas, a construção dos versos, etc. Ao contrário dos álbuns posteriores, esse álbum foi bem menos criativo musicalmente para mim, com uma sonoridade bem presa ao hard rock, um estilo que era bem desenvolvido na época, e voz do Marcão ainda não era essa potência a qual chegou nos trabalhos mais recentes. Na maior parte, o disco foi preenchido por canções compostas por Bênlio e Marcão. No geral, a obra exibiu um trabalho mediano, coerente com a posição em que está.

    Tiago: O Fruto Sagrado teve a melhor estreia dentre quase todas as bandas aqui. Aquele disco que você vê que, quando uma banda tem um bom repertório e arranjos, isso basta para um disco soar bem. Acho que não preciso me alongar.

    [infobox title=’6º: Na Contramão do Sistema’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Fruto Sagrado - Na Contramão do SistemaJhonata: Fruto Sagrado está entre as bandas que preciso ouvir muuuuuuuuuuuuuitaaaaas vezes ainda para me convencer de que são boas. Eu até entendo a dedicação para ser considerada uma “banda-de-rock-pesado” mas, acredito que todos nós precisamos “se tocar” um dia. Como segundo disco, este é regularmente bom. Fica no meio-termo de “Brasil” (primeira) até “Involução” (última faixa).

    João: Segundo melhor disco do Fruto Sagrado ever. Simples assim. Tem quem diga que esse é O melhor, mas a segunda metade da década vai mostrar que não (risos). Enfim, hard rock de primeira, as letras continuam ácidas, falando de tudo: política (“Brasil”), preconceito (“Jimmy”), pobreza (“Meninos de Rua”), falso evangelho (“Lobo Mau”) e demência social (“Involução”, a letra mais atual da história, depois de “Ponte”, de Janires), e a interação dos integrantes da banda à época é perfeita. Sem dúvida um disco pra ter orgulho de possuir original.

    Phil: Em meio à “síndrome dos dois anos”, em que eles chamavam guitarristas pra ajudar na banda, efetivavam os caras e depois eles davam no pé (mas não era sacanagem dos guitarristas, eram motivos legítimos e até bons, eu diria), o trio Marcão, Bênlio e Flávio chegou a 93 pra fazer o segundo disco. Esse trabalho saiu ainda na linha hard rock virtuosa, mas com uma cara um tanto progressiva. Aqui as letras ficaram mais pesadas! “Jimmy”, “Lobo Mau”, “Meninos de Rua”, essas faixas pesam na cuca, viu. Além disso, é bom destacar a gravadora Gospel Records que fez uma divulgação intensa do disco, segundo Marcão.

    Thiago: Fruto Sagrado sempre foi a banda mais ácida em nível de crítica contra igreja e sistema. Esse título anticapitalista é o resumo de uma boa parte de sua discografia. O álbum passeu pelo hard rock e heavy metal, com referências até da música eletrônica. As letras do Fruto nesse disco tem o mesmo tom ácido, mas em algumas partes foram mal construídas, escapando da métrica ou versos quebrados. Contudo, o álbum tratou de ótimas questões relacionadas à nossa cultura consumista e individualista, os problemas sociais e de nosso sistema. Nesse sentido, Fruto Sagrado sempre foi único. As canções marcantes do disco: “Lobo Mau”, um hard que fez analogia a história do lobo mau com os falsos profetas; “Investimento”, com seu blues louco, semelhante a “Mistérios” do Resgate, mas a interpretação vocal foi broxante; “Involução” e seu riff oriental e genial, música muito boa; “Brasil”, hard rock para animar qualquer um, até com DJ; e “Jimmy” a base eletrônica hard rock heavy metal criticando o racismo. “Exceção à Regra” é uma música muito boa, mas deixou um terrível sentimento broxante em mim: tem uma introdução épica e clássica de violão, um nome que lembra uma música muito boa sobre crítica, no entanto a impressão só fica no início. Logo a música une peso de guitarra com uma letra romântica, coisas que eu ainda aprendi a não gostar juntas dessa forma. Marcão melhorou bastante com relação ao primeiro álbum, e a parte instrumental ficou muito boa.

    Tiago: Vamos entender o seguinte: o Fruto Sagrado sempre foi uma banda boa de letras. Eles sempre tiveram a intenção de fazer uma música diferenciada. Na Contramão do Sistema é o melhor disco da banda nos anos 90. É uma música muito bem feita e autêntica, você vê que eles estão em pleno voo. Dentre faixas ácidas e sarcásticas, podemos dizer que este é um dos melhores discos do rock cristão.

    [infobox title=’5º: 3′]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Complexo J - 3 - 1992Jhonata: 3 é indiscutivelmente um disco singular. Quando o ouvi pela primeira vez, me perguntei: “CARA, POR QUE DEMOREI TANTO PRA OUVIR ISSO?” A banda era muito bem arrumadinha. A oscilação dos vocais são linearmente agradáveis. “Sábado Quente” me prendeu e fiquei repetindo o refrão por várias semanas (principalmente pelo calor enorme que faz aqui em Rio Branco), “Choro da Natureza” dá uma aula sem pôr defeitos em “Terra”, do Katsbarnea. “Com Jesus” me fez lembrar minha conversão e, destaco as guitarras e o baixo que, por mais assemelhado que tenha ficado com os outros de bandas da época, aqui ele soa mais particular, mais COMPLEXO J.

    João: Criatividade é pouco pra definir esse disco. Da capa à última música, o último disco genuinamente rock’n roll da Complexo J, trouxe novamente letras geniais (destaque eterno pra “Sábado Quente”, que é um tapa na cara da society, rsrs), os vocais intercalando entre a voz masculina e feminina é o ponto mestre dessa banda, e sem dúvidas um diferencial. Nessa época só a Troad (que não era bem rock) e a Metanoya (da Soraya Moraes) tinham em mente colocar mulheres cantando rock. Os cariocas realmente se inspiraram mesmo. Tenho que dizer o mesmo que no review passado: que que essa turma de RJ, como o Complexo J, Catedral e cia têm na mente pra serem tão ácidos e verdadeiros? (risos)

    Phil: Confesso que só ouvi uma vez esse álbum, então se eu tivesse dado mais atenção poderia ter algo mais específico pra falar. Mas o que eu tenho lido é que esse foi o melhor álbum deles. Eles seguem a mesma linha da maioria das bandas da época (incluindo as desta lista), que tratam bastante de análise de temas da vida, porém o Complexo J é um tanto mais sutil nas letras. O que li em algum vídeo do YouTube, em um comentário, é que em 1992 saíram alguns integrantes da banda, o que acabou modificando a sonoridade. A banda nunca parou, apesar disso, tem até página no Facebook.

    Thiago: Esse LP ficou em sétimo lugar na minha lista pessoal. A banda teve um relativo sucesso em sua própria época, chegando a figurar em um programa de TV, sendo que o 3 foi seu maior sucesso. “Sábado Quente”, sua canção mais famosa, é a melhor do álbum. Possui uma letra bem interessante sobre como somos controlados pelo sistema que tanto criticamos. O conjunto da obra em si é cheio de músicas boas e algumas medianas, acho que algum do Fruto Sagrado poderia ter estado na frente desse. Algumas partes da letra de “Consciência Limpa” me incomodou um pouco, com um pouco de ego escondido, mas não é de todo ruim. Esse álbum conta com bons instrumentais, solos de guitarra, e é uma mistura de hard rock e prog rock. Algumas composições do álbum ousou a crítica forte contra o sistema, como a já citada “Sábado Quente” e “Abra Seus Olhos”.

    Tiago: Discaço, e deveria estar em segundo lugar! Além do Rebanhão, outra banda que vivia o seu auge, no início da década, era o Complexo J. Contratados pela MK Music, lançaram o melhor álbum da carreira, 3. É um disco que usa teclados e loops a seu favor, e você nunca os verá exagerando. As letras são tão polêmicas quanto as composições de bandas undergrounds da época. Eles estão lá, questionando o sistema religioso com o hit “Sábado Quente”, criticando o humanismo em “Abra seus Olhos”, falando da destruição do meio-ambiente em “Choro da Natureza”, e nos brindando até mesmo com faixas instrumentais em “Yom Kippur”. Os vocais de Liza Cardoso são os melhores do disco, e certamente marcam o diferencial dentre tantos grupos exclusivamente masculinos. A capa do álbum, por sua vez, é um destaque a parte.

    [infobox title=’4º: Princípio’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1990
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Princípio - 1990Jhonata: Eis aqui um álbum que beira a perfeição para a época em que foi gravado. “Fronteiras” descreve mais ou menos muito do meu respeito pela banda Rebanhão. “Palácios” é um clássico indiscutivelmente maravilhoso de se ouvir. Os metais usados no disco, teclado e guitarra foram muito bem encaixados. Enfim, Princípio é digno de estar nessa lista.

    João: No princípio era o vazio, e o Rebanhão disse sim, sim pro rock’n roll e pra música gospel! Os precursores se tornaram o porta-voz inicial do movimento, trazendo a formação clássica e mais consistente do grupo, a sonoridade que os consagrou na segunda metade dos 80 e sendo realmente uma ponte de ligação entre a fase dos primórdios com o movimento gospel. Elogios inclusive à arte de capa desse disco, alias, dos 5 primeiros da lista (na verdade, a do Resgate é bem pobrinha comparada a dos outros 5 rsrs). Destaque também pra letras mais críticas novamente na linha das do saudoso Janires, como “Princípio”, “Muro de Pedra”, “Arsenal” e claro, a clássica “Palácios”.

    Phil: O princípio de um monte de coisa: primeiro álbum de música cristã brasileira a ser lançado no formato de CD, primeiro álbum lançado pela Gospel Records, primeiro lançado logo após o início do chamado movimento gospel brasileiro. Ok, mas e o conteúdo? Musicalmente eles amadureceram um bocado vindos da década anterior, com arranjos mais complexos, mas ao mesmo tempo com uma sonoridade mais acústica, talvez art rock/pop rock seja mais exato, o que ainda remete ao pop rock nacional oitentista. E não se engane, não é fácil chegar na sonoridade que se ouve em álbuns desse estilo. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot seguraram muito bem a onda da banda depois da saída do Janires, mesmo com a (óbvia) mudança nas composições. Mas as letras continuam com o selo Rebanhão de qualidade! Ô Abreu, traz o carimbo aqui.

    Thiago: Princípio ocupou uma posição que poderia ter sido disputada por outras bandas abaixo dela, como Fruto Sagrado, até Resgate e pela própria banda ocupada. O álbum é um pop rock com pegadas do art rock, rock progressivo e muitas outras influências musicais, e o que mais fica enfático nas suas músicas são suas letras, com boas críticas, como as de “Palácios” e “Fronteiras”. “Metrô”, com a bela interpretação de Pedro Braconnot no piano e a voz à lá Keith Green do Carlinhos Felix, é a minha predileta. Algumas músicas desse álbum às vezes conseguem ser medianas e boas ao mesmo tempo, como “Ele Te Ouve” (tem uma introdução que parece que vai deixar a música meio chata, mas ela muda para um arranjo mais rápido e fica legal) e “Selo de Perdão” (a sonoridade do teclado ficou muito quadrada). Apesar da letra legal e da construção sonora interessante, “Fronteiras” é uma composição um pouco chata, a introdução de teclado dessa música é daquelas bem pop antigão. Senti falta da guitarra em algumas músicas, a influência do pop ficou mais forte, e o timbre do teclado me incomodou bastante, mas foi o melhor desta lista, juntamente com Pé na Estrada, em termos de qualidade vocal, letrística e produção musical.

    Tiago: Antes de tudo, este disco tinha que estar em primeiro! Passando meu protesto, digo: Ser vanguarda durante uma década, remodelando seu som, e depois ainda ser vanguarda numa década seguinte é para poucos. O Rebanhão, nessa época, ativo há dez anos, expandia a sua popularidade como quarteto, mas, no entanto, aos poucos perdia a veia crítica de seus primeiros anos. E Princípio, primeiro lançamento da história da gravadora Gospel Records, consegue recapturar o que estava se perdendo. A figura central deste disco é o tecladista e cantor Pedro Braconnot. Enquanto nos discos anteriores sua imagem estava ofuscada pelo destaque de Carlinhos Felix, é neste álbum em que suas letras tornaram-se fundamentais para o êxito da obra. Das dez faixas, cinco possuem sua participação. E, justamente, várias delas são as melhores do álbum: a clássica “Palácios”, que se tornou um hit por muitos anos, “Fronteiras” e sua melodia suave, “Metrô” e sua vibe MPB, conduzida apenas por um piano, além de ter escrito, juntamente com Carlinhos, a balada “Grito de Silêncio”. Esta obra consegue representar, em letras, toda a inventividade que o chamado movimento gospel (sem o significado pejorativo que esse termo possui hoje) procurava fazer. É um álbum que questiona os poderosos da sociedade, fala do sujeito desiludido, deprimido e por vezes esquecido pela igreja, e consegue filosofar em canções como “Muro de Pedra”. A produção musical ficou a cargo dos próprios membros, e marca um entrosamento muito positivo entre eles. Paulo Marotta escreve, também, uma faixa para o álbum, estando dentre as melhores.

    [infobox title=’3º: Cristo ou Barrabás’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - Cristo ou Barrabás - 1992Jhonata: Eu já disse uma vez por aqui que não gosto do Katsbarnea. E é fato que nenhum dos trabalhos deles vai me agradar por completo. Quase não tenho o que dizer sobre esse disco. “Terra” é uma canção que em pleno 2015 eu ainda suspeito que o seu compositor estava sob efeito de drogas quando escreveu. “Congestionamento” traz uma áurea até interessante e a faixa-título não conseguiu me convencer.

    João: Ah, esse disco, esse me fez ver que o Kats não era só um clone bizarro da Blitz (risos). Enfim, disco de grande qualidade, o experimentalismo contido nele é surpreendente, Brother estava muito inspirado mesmo nas letras do álbum, além dos arranjos, sem focar somente no rock inclusive, colocando até surf music (Ondas Agitadas, grande música pra luaus) e o progressivismo de “Terra”, ótima canção pra começar o disco, eu cheguei a pular várias vezes sozinho em casa com essa música. Faz falta discos assim no rock “gospel” atual.

    Phil: Depois de Estevam Hernandes chutar metade dos integrantes pra fora da banda (até hoje ninguém sabe por que), restaram 5 e apenas esses seguiram na banda, por enquanto. Então ele perdeu um pouco da linha que tem o álbum anterior (Katsbarnea), mas parece que saiu mais focado. Esse álbum tem uma cara bem hard rock, apesar de eu ter uns motivos pra preferir o álbum Katsbarnea, as percussões de Paulinho Makuko enchiam um pouco o saco. E ele ainda percussiva no Cristo ou Barrabás, mas bem menos, além de que ao vivo assumiu a bateria e mandou bem, segurou a onda dos caras que gravaram no estúdio. Brother Simion aparentemente consegue lidar bem com duas bandas (Kats e solo), até porque ele direciona suas composições pra uma ou outra banda já que as propostas musicais são diferentes. Ah, e Rick Bonadio produzindo os caras.

    Thiago: O terceiro lugar poderia ser disputado pelo Katsbarnea e Fruto Sagrado. Cristo ou Barrabás representa um progresso musical, pois nesse álbum a banda deixa de usar mais o violão, colocando mais guitarra. Assim, ficou mais pesado do que os três anteriores, unindo vários estilos musicais, como o folk rock, hard rock, heavy metal, rock progressivo e metal progressivo. “Parede Branqueada”, com todo seu peso do prog e heavy metal, é a mais genial do disco. A introdução psicodélica de Terra, o folk rock meio faroeste de “Shine on Your Face” (lembrou-me a canção “Babe I’m Gonna Leave You” do Led Zeppelin), as canções cômicas “Congestionamento” (com pequenas influências do funk rock, cheia de efeitos de congestionamento) e “Remédio Pra Dormir”, “Cristo ou Barrabás” e “Meio Fio” são outras que merecem atenção. Três características que ficaram muito interessantes e legais, e vale ressaltar: os efeitos musicais e arranjos diferenciados inseridos na maior parte das músicas, como a da “Cristo ou Barrabás”, que dá a sensação de se estar num julgamento, e outras do “Parede Branqueada”, “Terra”, “Congestionamento” e “Remédio Pra Dormir”; a gaita do Brother Simion que como sempre dá uma beleza maior as canções, como na “Shine on Your Face”; e as boas participações da guitarra solo, que foram mais enfáticas do que nos álbuns anteriores. A percussão de “Ondas Agitadas” sempre me incomoda, e o reggae do “Amor”, com uma introdução a La “D’Yer Mak’er” do Led Zeppelin, ficou mediana. Em resumo, esse álbum representa um avanço gigante para o Katsbarnea, com o peso da guitarra em ênfase e as letras legais e diferenciadas.

    Tiago: As mudanças que Estevam Hernandes obrigou a fazer no Katsbarnea, em 1991, foi uma sacanagem sem tamanho. Você percebe, em relação ao disco Katsbarnea (1990), que a sonoridade para Cristo ou Barrabás (1992) é brutalmente distinta. Enquanto o disco anterior era mais rico musicalmente, com influências de outros gêneros extra rock, Cristo ou Barrabás é mais uniforme, “redondo” e encapsulado. Não é um álbum ruim, não. As letras de Simion continuam a abrilhantar, e se você notar, ainda há elementos na sonoridade antiga que restaram, como a harmônica do vocalista e a percussão de Makuko. O único ponto realmente negativo da obra, é que a banda não soa confortável fazendo um som hard rock. Experimentalismo é uma marca registrada do Katsbarnea, e o que vemos nesta obra, por vezes, é um som que tenta emular o que grupos como o Fruto Sagrado e Oficina G3 faziam na época e não consegue da mesma forma. Assim, posso destacar que Rick Bonadio, conforme seu estilo de produção, não ajudaria muito neste aspecto, não é mesmo? Foi só no ótimo Armagedom, produzido por Paulo Anhaia, em que o grupo encontraria uma vertente para seguir após o enxugamento forçado da formação.

    [infobox title=’2º: Novos Rumos’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Resgate - Novos Rumos - 1993Jhonata: Resgate nunca foi uma banda que esteve nas minhas preferências musicais. Acho que ainda não encontrei o “tchan” da banda pra entender a vibe dos caras. ‘Ignorantemente’ acho as letras deles muito fracas e, sinceramente, não entendo como uma geração enorme de jovens e adultos tem a banda como REFERENCIAL-MUSICAL-CRISTÃO-NO-BRASIL. Deixando isso de lado, Novos Rumos é um álbum muito bom. Sem exageros e sem falsa modéstia. Eu gosto da banda assim como gosto de Roberto Carlos e, consideravelmente, eles se assemelham na minha preferência: a massa considera eles MUITO BONS e eu apenas acho eles legais. “Florzinha” mostra um hardcore que raramente você encontrará em bandas como o Resgate. “A Paz” é uma canção tecnicamente boa em todos os quesitos: letra, instrumental e temática…

    João: Musicalmente falando o Resgate ainda não era aquele Resgate, ainda tavam no comecinho, mas no quesito letras eles já eram bem inteligentes. Claro, não estou contando com “Florzinha” (risos), e sim com músicas como “A Paz”, “Todo Som”, “Consciência” e “Controle”, que pra mim são pontos altíssimos desse disco. A evolução comparando ao primeiro disco é notável e a banda conseguiu manter seu estilo com classe, preparando-se pro impressionante terceiro disco.

    Phil: Aqui o Resgate começa a amadurecer! Deram passos importantes no aprendizado como músicos e como banda. Faixas como “Daniel” e “Todo Som” são destaque nesse álbum. E a hilária “Florzinha”, claro (risos). Ainda faltava algo para que o Resgate fosse considerado uma banda realmente show de bola no rock cristão nacional, mas que esse álbum é bom, isso é. E com Rick Bonadio por perto, ele de novo!

    Thiago: As posições de primeiro e segundo lugar, com uma enorme pontuação de distância do resto é, em minha opinião, algo completamente normal. Os lançamentos dessas bandas, no início de suas carreiras, mostrariam aonde chegariam mais tarde. Resgate, principalmente por causa da personalidade do Zé Bruno, é o melhor hoje, levando em conta o trabalho conceitual e musical, dentro e fora dos palcos. Novos Rumos aparece como um rock and roll em si pautado no hard rock. Os riffs desse álbum são muito bons, citando como exemplo as feras introduções de “Novos Rumos”, “Controle”, “A Paz”, “Quem É Ele?” (uma regravação do primeiro trabalho), fazendo com que eu chegasse a colocar esse álbum em primeiro lugar (apesar de ter percebido a superioridade do G3 depois), e sempre achei tão legal as participações intercaladas nos solos do Zé Bruno e Hamilton. Quero agora citar especificamente quatro canções marcantes: a primeira é o “Rock da Vovó”, faixa retirada do primeiro álbum que foi reeditada em Novos Rumos, e que durante vários anos a frente foi cantada bastante nos álbuns ao vivo; o rock ácido e cômico com a boa pegada do punk de “Florzinha”, uma característica que Resgate nunca deixou; o louco rock and roll de “Mistério”, que tem um riff hiper mega fera de guitarra (a introdução com o violão ficou muito legal), só ficando avacalhada pela propaganda da Renascer com os versos “E era um cara de terno na praça/ Que falava com uma Bíblia na mão”; por último, uma qualidade que sempre gostei no Resgate é de fazer boas baladas com a pegada folk rock, e “Todo Som” é um belo exemplo. A balada levada por lindos toques de violão ficou bem harmoniosa com a letra sobre a grandeza de Deus. “Daniel” foi outro hit do álbum, mas não se compara as quatro citadas. Esse álbum não tem canções tão medianas, acho que só há na maioria música boa misturada a canções muito boas. Já na parte letrística, ainda não se via a identidade satírica que a banda chegaria a construir depois.

    Tiago: Novos Rumos é, antes de tudo, um disco mediano. Você vê que o Resgate evoluiu bastante em relação ao disco anterior. Algumas coisas fogem da fórmula inicial, como o uso de violão e teclado. Mas, no geral, não é um trabalho marcante. Acho intensamente exagerada a presença deste disco aqui. Resgate, para mim, só em 1995 pra frente.

    [infobox title=’1º: Nada É Tão Novo, Nada É Tão Velho’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Oficina G3 - Nada é tão novo, nada é tão velho - 1993Jhonata: Um álbum que tem suas particularidades e defeitos. Mas como primeiro álbum de uma banda que logo menos viria ser uma banda de grande sucesso no cenário cristão, este álbum foi feito na medida certa com solos super animados, no nível de uma banda de rock profissional (sem nem se isso existe! hehe). Músicas como “Mais que Vencedores” e “Pastor” trazem uma pegada introspectiva muito boa de ouvir, o problema (e acredito que único) de ambas as faixas são as repetições em termo de letra. Eu sou chato com letra, então não gosto muito de repetições. “Valéria” realça a ideia das grandes bandas de rock que tem uma historinha contada em uma música: Legião Urbana tem “Faroeste Caboclo”, Titãs tem “Marvin” e o Oficina não podia ficar pra trás…

    João: Eu realmente curto muito esse disco, mas não poria em primeiro… sei lá, enfim, é um disco que me traz boas recordações, muito legal de se ouvir, Manga mais solto nos vocais e sem o Túlio Regis do lado (com todo respeito, sempre achei essa combinação bizarra), arranjos bem hard rock numa linha que é digna de atenção por muitos críticos do rock nacional, porque é bem rara aqui no Brasil, enfim, eu achei bem legal mesmo, na época que eu o ouvi me surpreendeu muito porque eu era acostumado apenas com os acústicos do Oficina e esse disco deu um barato na minha mente (risos).

    Phil: Meio complicado falar de Oficina sem parecer que é “oficinático”, porém oficinático que não volta no tempo não pode ter esse adjetivo! A banda já fazia um som de qualidade, hard rock bem característico dessa fase inicial, ainda na Gospel Records, e que ainda hoje influencia muito músico que queira fazer hard rock. Os vocais de Manga são mais loucos do que melodiosos, mas cheio de atitude que ele é, ficou uma mistura boa, além de umas canções que Juninho solta a voz – e bem! O CD é muito consistente, acertado, bem mixado – dadas as condições da época – e ainda hoje tem diversos temas aclamados até por quem nem é fã antigão. É merecedor do 1º lugar!

    Thiago: O segundo álbum da Oficina G3 já demonstrava um pouco da proficiência desta famosa banda. Contando com Luciano Manga no vocal principal, Juninho Afram na guitarra e vocal em algumas músicas, Wagner García no baixo e Walter Lopes na bateria e vocal na música “Pastor”, com participações de Duca Tambasco no baixo em “Naves Imperiais”, Marcos Pereira na guitarra e Marcio “Woody” de Carvalho nos teclados, o resultado foi um hard rock, heavy metal com pegadas do blues rock. A principio, admito uma falha: coloquei esse álbum em segundo lugar por ainda achar que Novos Rumos merecia mais essa posição, mas a musicalidade do G3 se manifestava melhor do que o Resgate, principalmente, por causa da genialidade dos riffs e solos de Juninho Afram na guitarra. Oficina G3 indiscutivelmente é a maior banda de rock cristão brasileira em questão de eficiência musical, e essa condição não é superestimação, eles realmente são bons. “Cante” é a melhor música do disco, sendo uma brilhante exposição de técnica, com influências do power metal, arranjado pelos graves do baixo, os solos majestosos do Afram e a velocidade da guitarra e da bateria. O blues rock fenomenal de “Pastor”, (Marcio “Woody” de Carvalho foi eficiente com os teclados nessa canção), o hard rock com pegada do blues rock de Valéria, o hard e heavy metal de Razão, Consciência de Liberdade e Mais Que Vencedores são composições que valem ser lembradas como ótimas produções. Por último, ressalto separadamente a famosa “Naves Imperiais” por sua beleza artística. As baladas do vinil, como “Resposta de Deus” e “Deus Eterno”, pelo menos para mim, só ocuparam a posição de música mediana que quase todo álbum tem. Em resumo, repito que a obra se superou graças ao líder da banda, Juninho Afram, enquanto que na parte letrística não vejo nada de novo. O nome do álbum é para lá de curioso e um mistério para mim.

    Tiago: A saída de Túlio Regis da banda pode não parecer um acontecimento marcante na Oficina G3, mas foi. Além de ser um dos vocalistas, ele era o principal compositor e letrista da banda. Em sua primeira gravação de estúdio, outro membro teve que ocupar a função de vocalista, o guitarrista Juninho Afram. Neste álbum, a Oficina G3 escancaradamente assume a influência do Stryper em sua sonoridade, o que chega a ser um incômodo, por muitas vezes. Luciano Manga, como intérprete, só surpreenderia no lançamento subsequente, o clássico Indiferença. A capa do disco é criativa, embora a execução não seja tão eficiente. Este álbum me soa como uma banda buscando evoluir, buscando sair da dependência do Túlio, sem muito sucesso, e não creio que merece a posição que alcançou nesta lista.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes.

  • Saiba como eram os primeiros sites de cantores evangélicos

    O início da internet provocou mudanças profundas no meio musical e sua indústria. E, nos anos 90, a música evangélica brasileira ainda sentia os efeitos do movimento gospel. Nesta época, começaram a surgir os primeiros sites dos cantores e bandas, e os maiores nomes da época, neste período, foram os pioneiros.

    Até 1999, a cantora Aline Barros e as bandas Oficina G3, Rebanhão, Catedral, Fruto Sagrado e Vencedores por Cristo tinham seus portais. De 2000 para frente, a maioria dos cantores cristãos notórios nos dias de hoje tiveram seus sites.

    Confira, abaixo, como eram esses sites, na época (como as versões são antigas, algumas imagens e ícones podem não aparecer corretamente).


    Oficina G3 (oficinag3.com.br – início de 2001)

    Oficina G3


    Fernanda Brum (fernandabrum.com.br – início de 2001)

    Brum


    Rebanhão (rebanhao.net – novembro de 1999)Rebanhão


    Diante do Trono (diantedotrono.com – início de 2001)DT3


    Comunidade de Nilópolis (comunidadedenilopolis.com.br – início de 2001)Comunidade de Nilópolis


    Brother Simion (brothersimion.com.br – outubro de 2000)Brother Simion


    Mara Lima (cantoramaralima.com.br – início de 2001)Mara Lima


    Aline Barros (alinebarros.com.br – novembro de 2001)Aline Barros


    Catedral (bandacatedral.com.br – meados de 2000)Catedral


    Fruto Sagrado (frutosagrado.org – outubro de 1999)Fruto Sagrado


    Cristina Mel (cristinamel.com.br – início de 2001)Cristina Mel

  • TOP 10 – Intérpretes do rock cristão nacional mais importantes

    O rock cristão brasileiro, embora não muito popular contribuiu imensamente para a modernização da música cristã. Desde os anos 70, até atualmente, surgiram bandas e músicos de diversos subgêneros e propostas. De todos estes, dez homens se destacaram, fizeram história, e outros continuam a fazer. Apresentamo-os abaixo.

    [tabs]

    [tab title=”10º”]

    Marcos Almeida (ex-Palavrantiga)

    Dentre todos deste TOP10, é o mais jovem. Era líder, compositor e vocalista da banda Palavrantiga, e mesmo tendo a deixado em 2014, o músico tem sido um dos nomes, se não o maior em popularização do chamado novo movimento. Seu discurso para o fim dos rótulos, e uma música que derrube muros neste mesmo chão tem sido elogiado, criticado e difundido à medida que sua banda tem se popularizado. Também é escritor e escreve os textos do blog Nossa Brasilidade. (n. 1983)

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    JT (Metal Nobre)

    O cantor JT, frontman do Metal Nobre, é seu integrante fundador. De voz marcante, também é o principal compositor desta banda que faz seu hard rock competentemente há quase vinte anos. Foi candidato à deputado distrital nas eleições de 2014. (n. 1964)

    https://www.youtube.com/watch?v=XTBF0qcb54g

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Guilherme de Sá (Rosa de Saron)

    O vocalista do Rosa de Saron, Guilherme de Sá, é integrante do grupo desde o início dos anos 2000. Sendo o principal compositor por trás das letras extremamente poéticas e complexas da banda, o intérprete já marcou o seu espaço por sua interpretação forte e cheia de feeling. (n. 1980)

    [/tab]

    [tab title=”7º”]

    Rodolfo Abrantes

    Vivenciador de uns dos maiores testemunhos no meio cristão protestante nacional, o ex-compositor e vocalista da banda punk Raimundos deixou o grupo em seu auge por conta de sua conversão. As letras do Raimundos, apesar de divertidas e criativas, carregavam conteúdos que, na visão de Rodolfo não possuíam compatibilidade com suas novas crenças. O músico ainda fundou o Rodox, e mais tarde, pelo fim desta optou pela carreira solo. Até hoje, com seu punk rock, gênero pouco explorado no meio cristão lançou quatro álbuns solo, porém possui uma carreira com cerca de vinte anos como músico. (n. 1972)

    [/tab]

    [tab title=”6º”]

    PG (ex-Oficina G3)

    PG foi ex-vocalista da Oficina G3 entre 1997 e 2003. De personalidade forte, assim que entrou no grupo, passou a ter forte participação nas composições, mesmo o guitarrista Juninho Afram e o baixista Duca Tambasco serem os letristas majoritários. Saiu de forma polêmica, e ingressou numa carreira solo, a qual já possui mais de dez anos. Até hoje, suas interpretações vocais são bastante elogiadas, tanto por sua proficiência nos graves e agudos. (n. 1976)

    https://www.youtube.com/watch?v=rt1OiSd2Fzg

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    Marcão (ex-Fruto Sagrado)

    Sua voz “rasgada”, embora firme e sempre destacável nos álbuns do Fruto Sagrado deu tom as críticas sociais, religiosas e políticas de sua banda. Mais que um vocalista, Marcão também foi líder e principal compositor do grupo, e também baixista até meados de 2003, quando o grupo passou a trabalhar com músicos convidados. Por desentendimentos com o tecladista Bênlio, que mais tarde saiu do grupo realizando várias críticas a Marcão, este passou a liderar o Fruto de forma total, lançando seu último trabalho pelo conjunto em 2005. Participou também dos álbuns Meu Alvo de Kleber Lucas, e Além do que os olhos podem ver da Oficina G3. Anos depois, deixou o Fruto Sagrado em função de priorizar seu ministério pastoral. Hoje, afastado da música, é pastor no Rio de Janeiro. (n. 1966)

    [/tab]

    [tab title=”4º”]

    Kim (Catedral)

    Cantor, compositor e instrumentista, Kim é até hoje uma figura importante, e ao mesmo tempo polêmica no rock cristão. O líder do Catedral, banda que recentemente encerrou as atividades, é o principal compositor das canções do grupo, o músico ainda possui, em paralelo uma carreira solo de canções românticas. Devido à semelhança de sua voz com o cantor Renato Russo, Kim foi alvo de críticas negativas por parte do público. Sendo citado por alguns, juntamente com o Catedral como precursores do crossover no Brasil, desde aos tempos em que o grupo fazia parte da MK Music suas letras continham um teor de reflexões e fuga do comodismo. Kim também é psicólogo. (n. 1967)

    [/tab]

    [tab title=”3º”]

    Brother Simion (ex-Katsbarnea)

    Ele foi usuário de drogas, órfão e morou em vários países do exterior antes de se tornar cristão. Com mais de 20 anos de carreira, Simion é um dos três compositores mais particulares e geniais do rock cristão brasileiro. Durante os anos 90, teve repertório suficiente para sustentar uma carreira solo e a liderança do Katsbarnea, banda a qual foi o único compositor com suas letras reflexivas, divertidas e evangelísticas. Também participou dos primeiros álbuns do Renascer. Suas melodias experimentais, usando vários instrumentos como a guitarra, piano, teclado e gaita guiavam a originalidade do grupo. Saiu do Katsbarnea em meados de 1999, posteriormente se desligando da Igreja Renascer em Cristo. Em carreira solo, lançou dois álbuns pela MK Music, e mais tarde, de forma independente distribuiu seu último trabalho de inéditas até hoje, Eclipse, com influências do new metal. Em 2007, com quase 20 anos de carreira lançou Gênesis for new generation, com 10 de seus maiores sucessos. Também é escritor, contando seu testemunho no livro Jhonny não morreu, lançado em 2003. Atualmente trabalha em evangelismos e missões com a família, mora em São Paulo. Um futuro disco inédito é incerto. (n. 1954)

    [/tab]

    [tab title=”2º”]

    Zé Bruno (Resgate)

    Produtor musical, guitarrista, cantor, engenheiro civil e pastor, Zé Bruno é uma voz ativa e forte desde o início dos anos 90, e atualmente mais ainda. De personalidade forte e polêmica, o vocalista do Resgate também foi o produtor musical de vários discos do Renascer Praise e compositor de algumas canções da banda. Como pastor, foi o bispo primaz da Renascer em Cristo até 2010, quando o deixou por discordâncias teológicas. Fundador da Igreja A Casa da Rocha, tem sido constantemente elogiado por suas ações transparentes a favor de um evangelho puro. É o compositor da maioria das canções do Resgate. (n. 1966)

    [/tab]

    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Janires (ex-Rebanhão, Banda Azul)

    Não é o mais famoso, mas possui um título ao qual nenhum músico da categoria também é digno de receber. Janires, além de pai do rock cristão, é um dos maiores influenciadores para a modernização da música cristã brasileira, e do movimento gospel. Fundador do Rebanhão, o músico estampava, além do rock progressivo característico de bandas como Pink Floyd, Genesis e Beatles a música brasileira com Novos Baianos, 14 Bis, dentre outros. Além do mais, foi multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor musical. Em sua liderança, o Rebanhão gravou o primeiro disco ao vivo cristão no Brasil. Após deixar o Rebanhão, realizou alguns projetos, e fundou a banda Azul, a qual viajou por vários locais do Brasil, divulgando seu trabalho. Com 34 anos de idade, foi vítima fatal de um acidente, em 1988. Janires foi homenageado em 2003 com o disco Tributo a Janires, que também contém vários depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Vários músicos cristãos, dentro e fora do rock se declaram influenciados por Janires. (n. 1953 – m. 1988)

    https://www.youtube.com/watch?v=fFsIWrQ7tkA

    [/tab]

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    O que achou deste nosso TOP 10? Concorda com os intérpretes citados? Comente!

  • TOP 10 – Músicas sobre solidão

    A solidão é uma sensação recorrente em vários trechos da Bíblia. Comum no contexto atual global, ela pode levar à depressão e ao sofrimento. Por isso trazemos dez canções que falam sobre a solidão.

    Leia também: TOP 10 – canções sobre angústia

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    [tab title=”10º”]

    A Solidão já Foi – Cristiane Carvalho

    Fazendo parte do álbum Terceiro Dia, obra marcante na discografia de Cristiane Carvalho, a canção aborda a ida da solidão: “Dividí-Lo contigo, eu quero dividí-Lo contigo / Se te chamo de irmão, é porque mora no meu coração / A solidão Já foi / Meu Deus é um, mas é demais!” (2004)

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    Solidão – Marcello Brayner

    Estruturada como um salmo, “Solidão”, de Marcello Brayner é uma súplica: “De tanto esperar por Tua Salvação / Eu tenho que sofrer nas mãos dos que me odeiam / Não me deixe só, pois eu só tenho a Ti / Pois tenho suportado afrontas só por Ti“. (2002)

    https://www.youtube.com/watch?v=hC2JMtLvfaY

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Refúgio – Rebanhão

    Uma das canções mais “feelinzeiras” do Rebanhão, foi a primeira canção escrita pelo recém-convertido Pedro Braconnot que, poeticamente, afirma que sem Cristo andou por terras distantes, cheias de solidão. Mas, que, ao lado dele, descobriu Seu amor e o brilho de Sua luz. (1981)

    [/tab]

    [tab title=”7º”]

    Solidão Cósmica – Marcos Antonio

    Original do álbum Vale a Pena, “Solidão Cósmica” é mais uma das canções sobre esta temática: “A noite vem / E tudo é solidão / Não sou ninguém / É difícil viver sem Teu amor“. (2006)

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    [tab title=”6º”]

    Máscaras – Rafaela Pinho

    De seu álbum Caminho, Verdade e Vida, Rafaela Pinho utiliza a metáfora do espelho, em primeira pessoa, pedindo a ajuda do Criador. “Mas eu sei que o meu Deus / Vê meu coração / E a minha solidão / Me abraça, me ampara / Não quero mais fugir / Por isso estou aqui / Te peço, me ouve / Me ajuda“. (2008)

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    Solidão – Resgate

    Original do álbum On the Rock, esta música do Resgate vai diretamente ao tema. Afirmando que Jesus é a solução para quem vive só, o vocalista Zé Bruno esbanja riffs nesta canção que é de sua autoria. (1995)

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    [tab title=”4º”]

    Quem – Oficina G3

    Escrita por Juninho Afram, é a canção mais introspectiva e “depressiva” já gravada pela Oficina G3. Do álbum Acústico, sua sonoridade guiada por um arranjo de cordas e violões narra a vida difícil do eu lírico, que se encontra triste, diante de dificuldades, lembranças que doem, questionando quem irá tirar sua tristeza. (1998)

    [/tab]

    [tab title=”3º”]

    A Ilha – Voz da Verdade

    O silêncio, na maioria das vezes é a única companhia de alguém solitário. Quando todas as luzes se queimam, quando as vozes se calam. A solução para o fim da tristeza, para muitos, é o suicídio. Mas, o Voz da Verdade apresenta em “A Ilha”, além de todo este sentimento introspectivo a resposta de alguém divino que possui um controle acima do humano. (1990)

    https://www.youtube.com/watch?v=q6QhIZl8d3Y

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    [tab title=”2º”]

    Só Mais Uma Lágrima – Suellen Lima

    O maior sucesso de Suellen Lima, aborda a questão da tristeza e angústia, pedindo que Deus ajude, pois só existe mais uma lágrima dentre tantas já derramadas. (2001)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Não Quero Mais Acordar Assim – Fruto Sagrado

    Uma das canções mais conhecidas do grupo fluminense, “Não Quero Mais Acordar Assim” é um clássico na discografia do Fruto Sagrado. Diretamente ao tema, a canção aborda os dias em que as pessoas acordam para baixo, meio deprimidas, se sentindo sós, com o clamor de que Deus venha cuidar e tirar toda a tristeza. (2003)

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com algum amigo que se sente só, para que ele se sinta melhor. Até a próxima!

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: Década de 80

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 80, época em que as produções musicais do nicho começaram a ser bem mais numerosas. Em dez anos, muitas bandas surgiram, algumas em atividade até os dias de hoje. O Rebanhão levou a maioria das posições, emplacando três. Vamos conferir?

    [infobox title=’10º: O Som que Te Faz Girar’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - O Som que Te Faz Girar - 1989Jhonata: Confesso que não gosto da banda Katsbarnea, mas o álbum O Som que Te Faz Girar tem uma pegada surf rock que me atrai. Para quem ouve bandas como Red Hot Chili Peppers, Switchfoot e Charlie Brown Jr. como eu, se identificará com este álbum. Não é que ele seja um deste gênero, mas tem algumas características básicas, que com certeza, vai te jogar para uma praia! (Hehe hehe). Um dos motivos de eu não gostar do Katsbarnea, é que acho muito parecida com a banda Blitz, e eu não gosto de Blitz. O vocalista também não tem uma voz legal. Aí você me pergunta: “ué, então porque escolheu o álbum como um dos melhores?”. Respondo: porque ele tem características musicais que me agrada. A exemplo de “Retrovisor” que coloco na lista de músicas de viagem. “Brisa” que é uma boa canção para passeio e “Extra” para animar a festa entre amigos. Bom, ouça “Extra” e ouça qualquer música da Blitz que você me entenderá porque acho muito parecida ambas as bandas. Até as back-vocals… Enfim, não vou xingar a banda, não é o objetivo da série e nem do post. Lá vai dois motivos para ouvir o disco: 1) é um álbum rico instrumentalmente e 2) As letras passam mensagens importantes.

    João: Pra mim esse estaria em posições mais altas, pois é chegado um outro genial compositor do rock cristão: Brother Simion (na época, apenas Simion). Letras divertidas, modernas e falando de tudo e mais um pouco, como “Pacote Salvação”, “Extra” e “Corredor 18”. Meu apelido e nome artístico (Johnnÿ) inclusive deriva da “Extra”, e o Kats (pelo menos o Kats dos anos 80-90) sempre foi uma inspiração pra mim, e o Brother Simion muito mais. Esse “disco” (que na verdade era uma fita K7 demo) foi a ganhadora do FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo) e não é pra menos. Transmitir o Evangelho através de caras loucos como eles que tiveram um “Contato” com o Criador do Universo é coisa de outro mundo mesmo. Possivelmente eles foram o que de mais contemporâneo surgira nos anos 80 na música cristã, tal qual Janires foi nos anos 70 com sua fita K7 – e ambos fecharam suas décadas respectivas com essas fitas. Blitz pura e simples, mas com um conteúdo muito melhor e mais rico.

    Thiago: O que mais me causava desconforto no Katsbarnea, principalmente nos primeiros álbuns, é o incômodo som da percussão, feita por Paulinho Makuko. Esse disco é bem mais folk, com bastantes canções acústicas no O Som que Te Faz Girar, porém sempre achei que o Katsbarnea não desenvolvia com tanta qualidade esse estilo. Senti falta das guitarras no disco, e o timbre de voz do Brother Simion nunca me agradou tanto também. Porém, apesar das minhas críticas, conta com grandes canções, como a clássica “Extra”, e outras como “Brisa” e “Corredor 18”.

    Tiago: A sonoridade do Kats, em sua primeira formação, é muito diferente do som que assumiu depois do Cristo ou Barrabás (1992). Isso porquê, nesse line-up, o seu grande ponto positivo era o ecletismo musical. Nesta época, o Katsbarnea ainda não era propriamente uma banda de rock, mas viajava também pelo soul, funk rock e outros sons. Eu particularmente gosto muito do trabalho do Simion, acho que é um dos poucos músicos realmente completos da nossa cena. Suas composições ainda não são tão trabalhadas quanto nos discos posteriores, mas os arranjos conseguem compensar.

    [infobox title=’9º: Solidão’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Complexo J - Solidão - 1988Jhonata: Confesso que classificar os melhores discos da década de 80 do meio rock cristão, foi uma tarefa pra lá de difícil, mas consegui. E este álbum me cativou pela gaita em “Brasil” – quem me conhece sabe o quanto amo o instrumento – e troquei este álbum de colocação várias vezes (hehehe). O título do disco é caracterizado pelas letras, ao menos foi isso que percebi. Assim como a maioria dos discos desta época, só ouvi Solidão uma vez mas percebi a riqueza instrumental que o álbum carrega. Aquela coisa LINEAR de guitarras fazendo os mesmos três acordes, bateria no mesmo “tutis tutis prum prum” são entendíveis. Você não vai encontrar uma banda da época brazuca com uma pegada sei lá, punk… Solidão é um disco confessional e dinâmico. Não se encha de expectativas, ele não tem nada muito grande, mada que seja um “UP”, no entanto, é musicalmente bem estruturado.

    JoãoComplexo J sempre me divertiu, seja pelo nome, seja pelas letras bem sacadas (o que é que tem em Rio de Janeiro que só dá bandas doidas entre as precursoras do movimento gospel, como Rebanhão, Complexo J, Novo Som, Catedral e Fruto Sagrado? Rsrsrs), seja pelo nome da banda, que remete aos complexos vitamínicos, mas direcionadas à Jesus. É a primeira banda de rock cristã brasileira com uma vocalista (sem ser vocal de apoio) e com letras como “Brasil” e “Espaço Sideral” a banda trazia sem dúvidas um repertório ousado e uma qualidade inigualável, que futuramente encantaria até mesmo Jô Soares (foi uma das três bandas do movimento gospel a dar às caras no programa dele no SBT nos anos 90, ao lado de Louvor, Art e Cia e Cia de Jesus – não, Catedral nunca foi ao programa, tolinhos kkkk). Ótimo disco, vale a pena sem dúvidas.

    Thiago: Solidão é introduzido por um instigante dedilhado de violão em “Reino de Deus”, e com o progresso da música, percebe-se que há um ótimo instrumental na música, te envolvendo para ouvir o álbum todo. Apesar disso, apresenta um rock que não é lá algo que ouço frequentemente, porém, em comparação a outros discos da época, exibe uma sonoridade legal. A união da guitarra com o teclado, baixo, bateria e vocal da banda desenvolve canções distintas, passeando no hard rock, rock progressivo e pop rock. Junto com Manhãs de Outono, poderia ter ocupado uma posição melhor.

    Tiago: O Complexo J é um dos melhores grupos progressivos desta época. Mesclando seu som com o hard rock, Solidão é um disco que fala mais pela simplicidade das canções. A parte lírica do conjunto começa a mostrar ao que veio, mesmo que se amadureceria posteriormente. Ainda, há de se destacar que foi um dos poucos – o único, que me lembro, no momento em que escrevo – que trouxe uma vocalista mulher, o que é um diferencial.

    [infobox title=’8º: Manhãs de Outono’]Artista: Sinal de Alerta
    Ano de lançamento: 1987
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Sinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987João: Pra ser sincero, eu nunca fui um ouvinte da Sinal de Alerta. Sempre os vi como um clone “fabricado” do Rebanhão fase dois. Nem havia mencionado ela para a lista (acho que eu tinha sugerido o Rodrigo Bueno no lugar dessa), e mesmo esse disco eu pouco tinha ouvido. Mas dei uma chance e fui ouvir o terceiro álbum deles com cuidado após a escolha dele em oitavo lugar. Realmente vacilei, esse disco é bom, muito agradável, seguindo bem os passos do contemporâneo Novo Dia (o anterior da lista), mas sem parecer repetitivo ou “clonado”. Lembra um pouco Lulu Santos, Radio Taxi e outras do pop rock oitentista. Me rendo ao Sinal de Alerta, esse disco é fantástico mesmo.

    Thiago: O álbum Manhãs de Outono da banda Sinal de Alerta integrou minha lista. Ele apresenta um pop rock que é bastante interessante para época, porém não é um som que me faz tão fã. A produção das guitarras, do baixo, do vocal, do teclado é agradável, feita com qualidade até boa, em virtude das dificuldades da época.  Esse disco poderia ter aparecido em uma posição melhor, pois apresenta um dos melhores trabalhos dos anos 80, com instrumentais interessantes, ótimos riffs e solos de guitarra, e um vocal até relevante. Algumas canções têm algumas letras interessantes como “Adolescência”, uma crítica a essa fase. As melhores são “Tempos Modernos”, “Mudanças”, “Tempos Modernos”, “Vibração” e “Adolescência”. Mas as outras são muito boas também.

    Tiago: Eles surgiram como uma espécie de cover do Rebanhão, mas evoluíram seu som para algo que os diferenciassem do grupo carioca. Manhãs de Outono é, de longe, o seu maior clássico, com composições que fogem, e muito, dos clichês da época, trazendo reflexões pertinentes sobre os chamados “tempos modernos”. Sem a menor dúvida, é um dos melhores álbuns da década.

    [infobox title=’7º: Novo Dia’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1987-88
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Novo Dia - 1987Jhonata: Em 1987, o Rebanhão apresentava um disco completamente rock. O contra-baixo bem presente e audível (característica da época) deixa o peso do disco mais agradável de ouvir. “Contemplar” me tocou muito, ouvi e senti vontade de ouvi-la mais vezes com os amigos.”Firme os Pés” me lembrou Roupa Nova (não sei porque, nem gosto). “Jesus é Amor” começa muito bem com um toque suave de piano e aqui cabe uma observação: quando você estuda música, os professores te exigem muita emoção além de técnica, talento e precisão. Música é algo que precisa ser sentida, no livro que estou escrevendo falo um pouco disso e nesta música, é possível sentir emoção além de observar a introdução de sax de “Nada mais a temer” que me lembra alguns clássicos da Elis (ooh, Elis <3). “Nele você pode confiar”, uma canção muito boa, regravada por Paulo César Baruk com participação do Lito Atalaia no álbum Graça de 2014, é um dos principais destaques do disco, e concluindo, Novo Dia é um álbum muito bom! Poderia ser melhor? Não. Ele é proporcional para a época, banda e fãs.

    João: O Rebanhão pós-Janires sempre foi menos interessante em certos aspectos pra mim. Mas esse disco traz um pop rock bem legal, com músicas que fazem a cabeça de muita gente até hoje, e interpretações fantásticas, como das músicas “Primeiro Amor”, “Jesus é o Amor” e “N’Ele Você Pode Confiar”. Lançado pela PolyGram, teve grande repercussão nacional, dizem que na época consideravam o Pedro Braconnot o “cantor mais bonito do Brasil”, desbancando até Fábio Jr. (risos), mas muito além de um rosto bonito, o que víamos aí era uma banda sólida e forte, que logo, logo nos anos 90 iria nos trazer nessa formação o seu disco mais genial da segunda fase, Princípio. Tristemente esse disco não tem mais as letras fantásticas de Janires (Não que as letras aqui contidas sejam ruins, mas não possuem mais a mesma genialidade de outrora).

    Thiago: Esse álbum teve uma proposta bastante pop se for comparado aos outros da banda. Produziu grandes clássicos da música cristã, como “Primeiro Amor” e “Nele Você Pode Confiar”, e a posição foi quase merecida para a banda. O trabalho possui algumas músicas de rock, mas graças a boas camadas de teclado que preencheram todas as canções, a obra ficou mais pop. Nota-se, de passagem, a semelhança da voz de Carlinhos Felix com Keith Green.

    Tiago: Eu particularmente gosto demais do Rebanhão com Janires, mas não dá para desmerecer, ou subestimar, em nenhum momento, o trio formado por Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta. Foi necessário o capixaba sair para que estes três músicos, também engenheiros civis, mostrassem unidade musical e aperfeiçoassem, embora com mais influências pop, a sonoridade do conjunto. Carlinhos, por sua vez, diminuiu sua influência para que Pedro Braconnot começasse a se destacar, principalmente com suas composições: “Razão” e “Contemplar” são bem executadas. É claro que Novo Dia quem lá seus defeitos. Eu acho que os anos 80, tecnicamente falando, são irritantes. A captação de bateria então, nem se fala… aquele excesso de reverb não colabora muito. Mas convenhamos, é o início do auge da segunda fase do Rebanhão.

    [infobox title=’6º: Apelo à Terra’]Artista: Comunidade S8
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Comunidade S8 - Apelo a Terra - 1983João: Pra mim o último trabalho da Comunidade S8 a encantar meus ouvidos, ao trazer diversos atributos de Jesus em quase todas as músicas, e sempre com letras reflexivas e sem perder a sonoridade dos anos 80. Sem dúvidas um disco pra ouvir e muito quando quisermos ver como “Jesus é o Amigo”, fazendo de cada ilha distante que nos tornamos em meio a multidão de tanta gente um porto e de gente estranha um povo que se ama. Encantador demais pra ser esquecido.

    Thiago: Apelo à Terra foi um álbum que não esteve na minha lista. As canções da Comunidade S8 são geralmente guiadas pelo rock progressivo, e ver o avanço da banda desde o primeiro disco, o qual não usavam guitarra, até esse último é interessante. Essa produção de 1983 é uma mistura de prog rock com art rock, com ênfase nas boas camadas de sintetizadores. Outra coisa curiosa no álbum é terem usado o nome de Jesus em quase todas as canções, com exceção na primeira. O que menos me agrada é a parte vocal ser em formato de coral em maior parte das músicas. O quesito instrumental, a obra se supera bem.

    Tiago: Dando sequência ao que faziam nos anos 70, este deve ser o último disco da Comunidade S8 realmente interessante. E curiosamente, o grupo não teve muito espaço na década seguinte, até porque sua sonoridade ficou muito datada, não conseguindo acompanhar os novatos que estavam chegando. Mesmo assim, Apelo à Terra é um bom álbum.

    [infobox title=’5º: Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração’]Artista: Catedral
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Catedral - Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração - 1989Jhonata: Marcando o final da década de 80, a banda Catedral propôs trazer um disco cheio de religiosidade e dinâmica musical. Confesso que ouvindo a discografia da banda, achei um pouquinho chata – digo ‘pouquinho’ para não exacerbar minha ironia – e ainda acho. Mas levando em consideração que todos os seus contras tem seus pós, Aos ouvidos dos sensíveis de coração é essa exceção. O álbum destaca o contra-baixo, algo bem comum da década dentro do rock nacional. Não menosprezando o falatório de que a voz do Kim (Catedral) lembra a do Renato Russo (Legião Urbana), ambas as bandas gravaram discos em 89. As Quatro Estações, um dos principais discos da Legião trazia músicas eternas como as duas primeiras faixas “Há Tempos” e “Pais & Filhos”. É fato que o trabalho do Catedral ficou muito abaixo do que o da Legião, e em hipótese alguma dá para fazer uma comparação musical entre ambos. Sem mais delongas, este trabalho do Catedral é tecnicamente bom, e creio que sem dúvida merece ser ouvido, sendo este último, o único motivo de eu ter listado como um dos melhores de 80.

    João: A eterna ignorância de muitos relega bandas geniais como “covers” ou “bandas caronistas” que teoricamente queriam escalar-se no sucesso alheio de alguma banda qualquer. Assim vários grupos como Cogumelo Plutão e Days Are Nights foram idiotamente relegados como cópias do Legião Urbana. Mas o caso mais notório, sem dúvidas, vem desse grupo carioca que com esse segundo disco conseguiu fugir do evangelicalismo que se tornaria até repetitivo e mal construído do universo “gospel” que começava a aparecer na música cristã já naqueles idos de 1989. Letras com forte conteúdo poético e filosófico (“Todos os Dias”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração” e “Além do Nosso Olhar”, só pra citar algumas) e até mesmo crítico, como “Mundo Vazio”, trazem uma banda que estava olhando pro céu, mas que não deixava de olhar como a Terra estava se destruindo sem a direção para o céu.

    Thiago: Kim é o sinônimo da voz de Renato Russo. Porém, o que soa mais cômico é que nos primeiros discos da banda, sua voz, nas interpretações, era mais aguda, e só depois em que a voz dele se adaptou a tons mais graves, se aproximou do Legião Urbana. Mas, deixando de lado esses pormenores, minha relação com esse trabalho é tanto boa como ruim. Outro que não fez parte da minha lista, o conjunto me dá a impressão de ter os arranjos mais rock, com mais riffs, mais peso, mais distorção, porém me incomoda o fato de não chegar tanto no meu coração. As interpretações vocais de Kim com seus agudos não são muito agradáveis, mas o álbum ganha mais nos arranjos. As melhores são “Nas Ruínas Algo Está de Pé”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração”, a boa crítica, e os de “Mundo Vazio”.

    Tiago: Sem comentários.

    [infobox title=’4º: O Dia Final’]Artista: Legenda
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Legenda - O Dia Final - 1986Jhonata: O que dizer de O Dia Final da banda Legenda? Um álbum proporcional e com guitarras pra lá de bem tocadas. As letras além de serem evangelísticas, têm uma intenção de mostrar o lado humano também, ou seja, as dificuldades de se viver em sociedade, criminalidade, erros etc. Como já citei, as guitarras (ou A guitarra) me prenderam os ouvidos para ouvir faixa por faixa. Alguns clássicos da Legião Urbana são bons de ouvir por causa dessa pegada que te faz querer ouvir um próximo solo, riff e etc. O Dia Final merece ser ouvido!

    João: Corajoso, fantástico, raro. Rock progressivo da melhor safra, na linha de King Crimsom e Pink Floyd, esse grupo fez história por ter sido o primeiro grupo cristão a gravar pela Som Livre (chorem, valadetes e fãs da Aline Barros, hahaha), e apresentar um som entre os anos 70 e 80 muito bom, letras fortes, uma das melhores artes de capa da década (talvez a melhor, na minha opinião), Legenda (ou LEGENDÆ, como ficou conhecida anos depois) poderia sem nenhum problema concorrer em qualidade com qualquer banda de rock dos anos 80, mas por ser cristã possivelmente acabou enfrentando um certo preconceito e não atingiu tanto as grandes massas, e mesmo o mundo cristão à época não conseguiu absorver a qualidade sonora deles.

    Tiago: A Legenda, infelizmente, é um nome um tanto quanto esquecido na história do rock cristão nacional. Acontece que o grupo, mesmo não tendo exercido influência direta nesta linha do tempo, apresentou um disco muito bem produzido, com boas composições, e uma sonoridade muito agradável de ouvir. Lançado pela major Som Livre, com certeza poderia ser mais lembrado por nós, e ganha uma merecida posição aqui.

    [infobox title=’3º: Espelho nos Olhos’]Artista: Banda Azul
    Ano de lançamento: 1988
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Espelho nos Olhos - Banda Azul - 1988João: Junte a fita K7 dos anos 70 do Janires, os 2 primeiros do Rebanhão e esse disco da Banda Azul, e você terá a quadrilogia mais fantástica da música cristã contemporânea nacional. Não é exagero, esse disco foi o auge criativo do cantor, e infortunadamente o último dele, já que logo após a gravação do disco o vocalista faleceria num acidente automobilístico, que ironicamente meio que foi previsto pelo mesmo na faixa-título do disco. O álbum ainda traz o rock “Canção das Estrelas”, o “Baião Eletrônico” (uma nova versão do primeiro Baião), “Foi Por Você” (muito divertida forma de evangelismo, sem dúvidas) e “Veleiro”, com sua pegada MPB, entre outras clássicas do “Amigo Poeta” (essa música composta pouco depois do acidente do Janires, feita em sua homenagem e lançada no disco). Ah, como será bom ver ele lá junto a outros servos do Senhor no “Trem da Amizade”, todos juntos louvando ao Criador.

    Thiago: Espelho nos Olhos é o último álbum da carreira de Janires e o primeiro da Banda Azul. Esse singular disco tem duas características: a sua história e o seu teor poético. Após a saída da banda Rebanhão, Janires vai morar em Minas Gerais, onde entra para a MPC (Mocidade para Cristo), e junto com outros integrantes do projeto cria a denominada Banda Azul, um nome que surgiu de uma conversa em um restaurante entre Janires e Moisés (baixista e vocal), o qual, o primeiro citado viu uma marca de refrigerante europeia denominada Banda Azul. Janires gostou do nome e os integrantes do grupo nomearam-na com o nome da marca. As faixas andam pelo rock progressivo, pop rock e tropicália, trazendo as mesmas referências de Janires que trazia sobre Rebanhão. O que talvez eu não tenha gostado em uma boa parte das canções foi a camada de teclado por causa da sonoridade, por exemplo, nas canções “Amigo, Amiga”, “Baião Eletrônico”, “Meninos de Rua”, “Espelho nos Olhos”, “Canção das Estrelas” e “Trem da Amizade”. O disco contou com uma importante contribuição do Janires nas letras, o tornando uma obra poética, com letras brilhantes. “Foi por Você” faz combinações de vários tipos de pessoas que Cristo veio buscar, “Amigo, Amiga” é uma poesia sobre a verdadeira felicidade, “Veleiro” é um MPB sobre a busca de nosso coração pelo descanso, felicidade e paz, “Baião Eletrônico” se apresenta como um baião cheio de influências eletrônicas, “Amigo Poeta” é a única interpretada no disco apenas por Guilherme Praxedes, tecladista. “Meninos de Rua” é outra poesia rica, “Coração Azul” contém conteúdo com referências ao fim do regime militar, enquanto “Trem da Amizade” fala sobre várias pessoas que fizeram parte da vida da banda. Indivíduos e grupos como Rebanhão, Jovens da Verdade, João Alexandre, Sérgio Pimenta, pastor Caio Fábio e Asaph Borba são uns do que foram incluídos na canção. Porém, o mais notável do conjunto foi a letra “Espelhos nos Olhos”, apresentando uma autobiografia de Janires e uma possível referência a sua morte, que infelizmente ocorreu antes mesmo da finalização do projeto, a qual o cantor não teve a oportunidade de vê-lo completo e terminado. Janires morreu em um acidente automobilístico, em um ônibus que se dirigia de Três Rios a Rio de Janeiro para um culto. Essa obra deixa uma grande história por trás, na composição, e nos fatos que ocorreram em torno dele.

    Tiago: Janires nunca se superaria em relação ao Rebanhão, eu acreditei. E eu estava certo. Mas calma, Espelho nos Olhos consegue ser quase tão cativante quanto os primeiros discos do cantor. Mas como eu disse no Novo Dia, praticamente da mesma época, as gravações em estúdio na época me incomodam um pouco. Este álbum, por sua vez, faz o mesmo que Janires fazia no Rebanhão, uma mistura de sons. Aqui temos um explosivo solo de guitarra em “Canção das Estrelas”, um reggae em “Foi por Você”, uma poesia delicada em “Veleiro”, enfim, o disco tem uma sonoridade rica, digna de uma banda capitaneada por um músico experiente. Janires, que também foi o produtor musical, também criou uma lírica antenada à época. Em uma das canções, o músico chega a refletir a respeito dos efeitos negativos da ditadura militar, mas, a coisa mais bela é a sua faixa-título, um testemunho pessoal poético, e uma declaração que, por coincidência, teria muito a ver com a sua morte (o disco foi lançado cinco meses depois do acidente que tirou sua vida).

    [infobox title=’2º: Luz do Mundo’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Luz do Mundo - 1983Jhonata: Quando você começa a ouvir Luz do Mundo, sente que ali não existe somente música. Deve existir algo mais, ou melhor, tem que existir algo a mais. O disco não é nada de extraordinário, ele é simplista pela época de sua gravação e etc. Mas confesso que, por meio de minha pequena experiência com rock cristão nacional, Luz do Mundo me impressionou bastante. Desde a música título até o fechamento com a balada meio samba-blues-rock da “De que adianta”, o disco passa confiança de um trabalho introspectivo e atraente para o público da época. E não é atoa que o álbum ultrapassou gerações. A versatilidade de Janires e Carlinhos Felix me chamou muito atenção quanto o Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante do Los Hermanos. As composições em nível bem digno de aplausos, principalmente as assinadas pelo Janires. Destaco as músicas “Luz do Mundo”, “Hoje sou feliz”, “Com Cristo em mim”, “Casa no céu” e “Ano 2000”.

    João: Mais uma sequência perfeita, de fato esse pódio ficou bem Janires (risos), esse disco me faz lembrar da música que mais me faz chorar sempre que escuto: “Hoje Sou Feliz”. Essa faixa é meu recordatório mestre, porque lembra a infância de muitos de nós (apesar de que ao invés de Flash Gordon, pra minha época poderia ser o Ranger Vermelho, hahah), e o disco todo em si fala da volta de Cristo, de maneira muito explícita e ao mesmo tempo criativa. Janires focou ao extremo nesta temática no álbum, usando até interjeições mineiras (UAI – que na verdade seria a sigla de “Unidos no Arrebatamento da Igreja”, dava até pra fazer um samba-enredo com esse nome hehe) e aquele fascínio pelo fim do mundo no ano 2000 que ainda ia de vir no ainda não tão próximo ano de 1983, até mesmo na regravação de “Casa no Céu”. Que falta faz falar desse tema sem medo e ao mesmo tempo de maneira reflexiva e criativa!

    Thiago: Luz do Mundo é o segundo na discografia do Rebanhão, e o segundo merecidamente nessa lista. Apesar de que a banda ocupou o primeiro lugar dessa lista com seu primeiro lançamento, e agora ocupa o segundo, os integrantes do grupo desenvolveram um ótimo trabalho durante os anos 80, lhes rendendo essa devida posição. O disco segue os passos do primeiro, com as influências progressivas, do pop rock, do art rock e o tropicalismo. Como no primeiro álbum, a melhor música do álbum, tanto conceitualmente como musicalmente, é uma música com claras referências ao tropicalismo, e especificamente a MPB, a canção “Hoje Sou Feliz”. Como “Baião” e “Casinha”, ela trabalha uma crítica social contra a hipocrisia, e nossos sentimentos de heroísmo, em virtude de nossa verdadeira identidade de vilões. A melhor composição instrumental foi a meio samba rock “De Que Adianta”, uma brilhante faixa dançante. O rock ‘n’ roll de “Casa no Céu”, o arranjo de “Ano 2000”, a bela música de “Sinal Verde” são as melhores do álbum. Os restos são boas canções também, valendo ressaltar o mineirês “UAI (Unidos no Arrebatamento da Igreja)” (ela tem uma introdução de teclado muito parecida com “Cristo em Mim”) e o forró folk rock de “Jesus Meu Refúgio”. Nesse álbum, senti uma melhora nas camadas de guitarra do que no álbum Mais Doce Que o Mel, apesar de que esse primeiro apresentar um trabalho melhor como um projeto de estreia. As introduções do teclado são novamente notáveis, identificando os traços art rock da banda. Rebanhão mantém nesse disco seu esforço de lançar uma boa música, e além de uma ótima produção fonográfica, em comparação as dificuldades da época.

    Tiago: Luz do Mundo é um dos poucos discos de toda a história do rock cristão nacional que acompanha, bem na ponta, a evolução técnica dos estúdios. A qualidade da gravação é absurdamente superior ao Mais Doce que o Mel (1981), porque foi gravado nos Estúdios Transamérica, onde gigantes da MPB gravavam seus discos. O repertório pode não ser mais chocante e surpreendente que o trabalho de estreia, mas mostra uma banda bem mais entrosada. Eu gosto muito de “Hoje sou Feliz”, de Janires, e acredito que as composições de Carlinhos Felix não são tão boas, mas possuem uma qualidade totalmente aceitável. Se você observar o projeto gráfico, verá que até mesmo o encarte do LP é muito bem acabado, com ótimas fotografias, ou seja, um disco que tenta superar o primeiro, em todos os aspectos. Luz do Mundo, enfim, é um álbum excelente.

    [infobox title=’1º: Mais Doce que o Mel’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1981
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981João: O que dizer desse disco que não seja repetitivo? Possivelmente o melhor disco de rock cristão e um dos, senão o melhor disco da música cristã contemporânea de todos os tempos, com uma das combinações mais bem sacadas da história de rock progressivo, MPB e as letras mais inventivas e loucas da história, uma continuidade óbvia do K7 lançado no final dos 70. Mas o que esse disco tem de criativo, tem de polêmico, claro. Pra época, desde a capa até as “mensagens subliminares” que o disco teoricamente teria foram realmente algo que deve ter causado celeumas (risos). Em suma, é um disco simplesmente fantástico, como já disse, ele pode ser talvez o nosso The Joshua Tree (Nota do Escritor: segundo a revista CCM norte-americana, o melhor disco da música cristã contemporânea numa lista de 100 melhores). Letras como o pot-pourri “Salas de Jantar”/”Jesus Cristo pode Te dar”/”Glória pra Jesus”/”Jesus Filho do Homem”/”Glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo”, “Mel”, “Baião” e “Casinha” valem o disco inteiro, mas outras, como “Monte” (de Carlinhos Felix) também trazem um lado genial e crítico ao mesmo tempo do Rebanhão.

    Jhonata: 10 faixas bem detalhadas musical e tematicamente, o disco Mais Doce que o Mel lançado em 1981, é bem introspectivo e simplista. Considerando que 90% dos discos cristãos da década de 80 foram discos simplistas, este do Rebanhão traz uma numeração considerável de detalhes. Em “Casinha”, uma bela canção interpretada por Janires, percebemos o quão a intenção de passar boas canções cristãs sem precisar se prender a um rótulo era grande. Destaco este como um dos melhores discos de rock cristão da década de 80.

    Thiago: Ao se deparar com a produção de “Mais Doce Que o Mel”, é perceptível o avanço no rock cristão brasileiro. O melhor disco da década indubitavelmente traz canções que mesclam o rock progressivo, pop rock, a música popular brasileira e estilos tropicais, e o new age e art rock. A investida do álbum e as polêmicas que vieram em torno dele, em virtude do preconceito religioso da época, provam que essa obra veio para influenciar muitas outras produções posteriores. Apesar das polêmicas, Mais Doce Que o Mel teve um bom retorno e é considerado um dos clássicos da música underground brazuca. Faixas como “Baião”, uma bela canção com conteúdo expondo sobre o encontro com Cristo e crítica social seguindo o baião do sertão, a obra mais conhecida da banda, “Casinha”, um choro contendo uma linda mensagem sobre a verdadeira realidade humana por trás da falsa alegria da sociedade, aparecem como as melhores do disco. “Monte”, “Tudo Passa”, “Amizade “, “Tudo É Meu”, “Passageiro” e o pot-porri são outras ótimas canções. As interpretações de teclado por parte de Pedro Braconnot são mais visíveis do que as camadas de guitarra, revelando uma linha meio art rock nas composições, e vale ressaltar as participações de outros instrumentos que ficaram muito boas, como o sax tenor de “Monte”, o conjunto de instrumentos de sopro de “Tudo Passa” e a harmônica de “Tudo É Meu”. Esse álbum representa um início de um avanço contra a religiosidade, e também para a criatividade cristã, pois compositores como Janires conseguem tratar coisas do cotidiano, a vida social das pessoas dentro de uma perspectiva cristã, um assunto que era pouco trabalhado (ou nada) até então dentro do meio.

    Tiago: Primeiro lugar óbvio, e era de se esperar. O Rebanhão lançou um disco que falou muito, e por anos continuou a falar. Apesar de ser menos consistente que o seu posterior, é aqui que, especialmente Janires e Carlinhos Felix (o barbudão da capa!) mostraram a que vieram. As composições do capixaba Janires são as mais conhecidas de toda a sua carreira, como as brilhantes “Casinha”, “Baião”, “Mel” e o progressivo pot-porri. Mas o que me encanta, em muitos momentos, é a beleza e simplicidade de “Refúgio”, de Pedro Braconnot, uma canção do naipe que só um neófito poderia fazer. Paulo Marotta está ali, mostrando sua proficiência, fazendo as bases com Kandell, enquanto Zé Alberto soa deslocado e deixaria o grupo em breve.


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