Tag: Rebanhão

  • Fique Sabendo – Catedral, Rebanhão, Novo Som, Marcela Taís e muito mais

    Hoje é sexta-feira e tem muitas novidades no Fique Sabendo desta semana. Confira!


    Mess Entretenimento anuncia projetos de Catedral, Rebanhão e Novo Som

    A gravadora Mess Entretenimento, a qual já tinha o Novo Som em seu cast, anunciou a adesão das bandas Catedral e Rebanhão ao selo. Os três grupos pretendem gravar discos ao vivo comemorativos este ano. Tanto o Novo Som e Catedral celebram 25 anos de carreira, enquanto o Rebanhão faz 35 anos com uma reunião da formação clássica, depois de cerca de 20 anos de separação. A novidade foi divulgada por Hudson Lenna em entrevista ao Super Gospel.


    Marcela Taís anuncia lançamento de novo álbum

    A cantora Marcela Taís, após mais de um ano compondo e produzindo, anuncia o seu próximo álbum, de título Moderno à Moda Antiga. O projeto foi produzido pelo músico Michael Sullivan, o qual ingressou no meio gospel através de produções musicais da gravadora Graça Music. A cantora, ainda, ficou responsável pelo projeto gráfico da obra, que terá data de lançamento anunciada daqui a alguns dias.


    Resgate lança álbum ao vivo de 25 anos

    Gravado em setembro do ano passado, 25 anos, do Resgate chega às lojas no fim deste mês. Lançado em CD e DVD, o diferencial deste projeto é a influência erudita em algumas faixas e novas roupagens de canções as quais o Resgate nunca regravou em seus álbuns ao vivo anteriores, como “Leve Fardo”, “Doutores da Lei” e “Amor”. Ainda, a banda regravou o clássico “All You Need Is Love” dos Beatles e apresenta algumas inéditas. Confira a capa:

    Resgate - 25 anos - capa 2015


    Thalles lança novo clipe

    O cantor Thalles, após lançar o disco As Canções que eu Canto pra Ela, com temáticas românticas, lança clipe da canção “Minha Menina”, parte do álbum. A direção de vídeo ficou por conta de Hugo Pessoa. Confira:


    Até a próxima semana!

  • Fique Sabendo – Oficina G3, Jonas Maciel, Pedro Braconnot e Cristina Mel

    Chegamos em maio, e com muitas novidades. É hora de mais um Fique Sabendo!


    Jonas Maciel lança novo clipe pela Som Livre

    O cantor Jonas Maciel, contratado pelo selo gospel da Som Livre, lançou um clipe de seu último álbum, Feliz de Novo. A faixa-título, foi produzida no estúdio do Grupo Mix 360, de Belo Horizonte.


    Pedro Braconnot anuncia retorno à atividades de produção musical no Rio de Janeiro

    O multi-instrumentista, arranjador e produtor musical Pedro Braconnot anunciou, em sua página, o retorno de suas atividades no Rio de Janeiro. Pedro tinha um estúdio na capital carioca, o qual gravou vários discos de músicos e artistas do meio cristão nacional, como Cristina Mel, Aline Barros, Denise Cerqueira, Sérgio Lopes e vários outros. É vocalista e tecladista do Rebanhão.


    Oficina G3 lança Histórias e Bicicletas – O Filme

    A banda de rock Oficina G3 lança mais uma produção audio-visual, desta vez com caráter de documentário. As gravações do álbum Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) foram registradas em meados de 2012 pelo diretor Hugo Pessoa, que viajou junto com o grupo. As imagens também mostram Alexandre Aposan ainda como integrante.


    Cristina Mel lança clipe de canção acústica

    A cantora Cristina Mel lançou um clipe de uma de suas canções de carreira, “De Tarde”, do álbum Você é um Vencedor, de 2002. A produção foi divulgada pela Sony Music.


    Até a próxima semana!

     

     

     

  • TOP 10 – músicas gospel sobre o meio ambiente

    A questão ambiental, a cada ano que passa é tema recorrente e forte em todo o lugar. Na música gospel não é diferente. Por conta disso, o portal O Propagador escolheu 10 músicas gospel que abordam o meio ambiente, a natureza e a destruição do planeta sob diferentes olhares e estilos musicais.

    Vamos lá?

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    Terra – Katsbarnea

    Escrita por Brother Simion em parceria com Estevam Hernandes, “Terra” é uma das canções mais conhecidas do Katsbarnea, lançada no disco Cristo ou Barrabás. O vocalista afirma que nossa morada é uma “forma celestial de vida”, e que seus olhos choram ao ver sua destruição. (1992)

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    Velhos, Vidas e Verdes – Carlinhos Felix

    Uma das primeiras canções da carreira solo de Carlinhos Felix, foi escrita pelo próprio cantor para o seu álbum Coisas da Vida. Com tema diretamente focado na natureza, questiona o sentimento de posse de muitos homens em destruir a natureza e vendê-la no mercado negro. Mas a canção não para por aí e também aborda o tráfico ilegal de pessoas. “Eles estão esquecendo que Deus está vendo / E está tudo escrito na vida de lá“. (1991)

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    Em Nome de Quem? – Resgate

    O Resgate nunca foi uma banda de abordar a causa ambiental, mas o quarteto assim o fez no álbum Este Lado para Cima. A canção, além de questionar as destruições da natureza, questiona a ambição do homem, ao ponto de achar-se como uma espécie de ‘deus’ para definir os rumos da humanidade. (2012)

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    Fim do Mundo – Damares

    A cantora Damares é conhecida por abordar, em algumas canções, o apocalipse. Sabe-se que, com um contexto de apocalipse, a natureza contida na Terra seria destruída agressivamente. Esta é a principal temática de “Fim do Mundo”, do álbum Diamante. (2010)

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    Terra – Ao Cubo

    O Ao Cubo é um dos maiores representantes do rap, tanto no segmento cristão quanto na cena nacional. Em parceria com o cantor Zeider, da banda de reggae Planta & Raiz, “Terra” foi gravada, com um refrão reflexivo: “será que é o fim de tudo isso? / vem cá, quem ‘tá’ no compromisso / de mudar o planeta pra ficar melhor / você já sabe o que fazer de cor“. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=201nAmjmnGU

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    Choro da Natureza – Complexo J

    Do primeiro disco da banda pela MK Music, “Choro da Natureza” aborda, de forma simplista e poética, a destruição da flora, e principalmente da flora no mundo, relacionando com a criação do mundo, obra de Deus. (1992)

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    Princípio – Rebanhão

    Escrita pelo compositor Lucas Ribeiro, a canção foi lançada um tempo após a morte do ativista Chico Mendes, que foi assassinado brutalmente. Seu falecimento foi notícia de repercussão internacional. O Rebanhão a gravou, questionando “até quando vou viver / pra testemunhar / e dizer sim / pra Deus e toda a vida?“. (1990)

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    Tributo ao Meio Ambiente – Coral Gospel de Curitiba

    Natural de Curitiba, o Coral Gospel de Curitiba tem um trajetória longeva, com vocais de várias denominações cristãs. O álbum Perto Estás, Senhor contém “Tributo ao Meio Ambiente”, terceira posição da nossa lista. (2008)

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    SOS Terra – Brother Simion

    Em Asas, Brother Simion aborda, em suas canções, muitas questões relativas ao meio ambiente. Mas “SOS Terra” é a principal delas. Nesta música, o cantor afirma que “de inferno e miséria já estarmos fartos / nosso planeta clama liberdade / matar esta sede, se libertar“. Com influências do folk rock, é bastante agradável de ouvir. (1998)

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    Tempo de ser Feliz – Jamily

    O primeiro lugar vai para a cantora Jamily, com “Tempo de ser Feliz”, parte do seu primeiro trabalho, Tempo de Vencer. A canção também foi regravada por Cristina Mel, e aborda diretamente a questão ambiental. Além do mais, foi um grande sucesso. (2002)

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    E aí, o que acharam da lista? Que mais músicas sobre o meio ambiente vocês conhecem?

  • Rocklogia – Os últimos anos do Rebanhão

    Muito se fala no contrato do Catedral com a Warner Music Brasil em 1999, mas bem antes disso vários músicos cristãos assinaram com a ‘gravadora secular’. O Rebanhão foi uma delas.

    Aquela altura do campeonato, a nova formação estava estável há três anos. Sem mais vocalistas, creio que o álbum seguinte, Por Cima dos Montes pode ser tranquilamente considerado um álbum solo de Pedro Braconnot, e mostra um afastamento mediano à proposta inicial e musical do grupo. Lançado em janeiro de 1996, musicalmente, é um bom álbum, com arranjos muito interessantes e criativos e produção musical polida. A maturidade instrumental alcançada aqui é admirável. Mas, em letras é uma maré extremamente baixa. Pedro é compositor da maioria delas, a exceção de “Louvor” (Jorge Guedes) e “Eu Voltarei” (Tutuca Borges e Sobreira Batell). “Ligado na Videira”, que é a canção um pouco mais próxima do Rebanhão antigo tem a contribuição de Pablo Chies na autoria.

    Por Cima dos Montes também é um álbum marcado por regravações. Um pot-pourri de “Salas de Jantar” (Janires) e “Contemplar” (Pedro Braconnot), “Razão” do álbum Novo Dia e “Flor do Campo”, do Semeador. Quando pensamos em regravações, há a firme certeza que a nova versão deve superar a original, e ainda bem que neste ponto o álbum não falhou. A exceção de “Razão”, todas as demais regravações ficaram muito boas, principalmente “Flor do Campo”, gravada exclusivamente em piano e voz.

    https://www.youtube.com/watch?v=oZ-Cza9xlCo

    Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.
    Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.

    “Sempre Estar Contigo”, “Noiva” e “Salmo 147”, como dito antes aproximam-se um pouco mais de um estilo mais devocional. A faixa-título, “Por Cima dos Montes” de início lembra um pouco um vocal sertanejo, mas não é. O refrão é bom, e garante um dos momentos interessantes do projeto. “Crazy of Jesus” é a música mais forçada do CD, e consequentemente o pior ponto. Basicamente, Por Cima dos Montes é um disco de art rock, e possui muitas influências da época. Particularmente, a textura do álbum me lembra muito o CD Made in Heaven do Queen, lançado em dezembro de 1995, um mês antes do projeto do Rebanhão.

    A formação deixou de ser estável logo depois. Rogério dy Castro e Wagner Carvalho, em 1997 saíram para fundar uma banda. Com Wagner Derek e Davi Fernandes surgiu a Primeira Essência. Os últimos anos do Rebanhão seguiram-se com Pablo Chies tocando com Pedro por mais um tempo, até em gravações de outros artistas, como Marina de Oliveira e Cristina Mel. Braconnot participou do segundo álbum da coletânea Amo Você da MK Music, juntamente com sua esposa Ayna, época que a gravadora ainda tinha abertura a cantores de fora do cast.

    Pablo Chies acabou saindo também, e mais uma vez Pedro ficou sozinho. Recrutou vários outros músicos, e de forma independente foi lançado, pelo nome Rebanhão o projeto Vamos Viver o Amor, que é uma maré ainda mais baixa que Por Cima dos Montes. Absolutamente nada no álbum lembra o Rebanhão, embora tenha a regravação de “Fronteiras”, do Princípio. Em 2000, o Rebanhão fez seus últimos shows. Pedro Braconnot foi entrevistado por uma revista sobre música, e na mesma época decidiu ‘dar um tempo’ na banda. Porém, o hiato tornou-se permanente. O grupo recebeu convites para voltar, mas Pedro recusou, afirmando que não pretende viver apenas da banda e tem em vista outras coisas a fazer. Carlinhos Felix prestou homenagens ao grupo, regravando várias de suas músicas em carreira solo. Paulo Marotta participou de seu álbum Nada a Perder, lançado pela MK em 1995 na música “Muro de Pedra”.

    Em janeiro de 2013, na Igreja Congregacional de Bento Ribeiro, Pablo Chies, Carlinhos Felix e Pedro Braconnot cantaram várias canções do Rebanhão, e em 2014 a surpresa da volta da banda (um assunto para um post futuro). Acima de tudo, em vinte anos, provou ser uma das bandas mais criativas do rock cristão nacional, e merece todo o crédito pelo legado que construíram.

  • Rocklogia – SOS da Vida e as bandas de rock

    O SOS da Vida é uma peça importante na história do rock cristão brasileiro. Este evento, no qual também conta uma parte positiva do legado da Igreja Renascer em Cristo apresentou várias bandas que hoje são de “estudo” obrigatório aqui na Rocklogia. Ainda, somos apresentados às formações de cada grupo, o quanto cada música apresentada se insere no contexto daquela juventude, com seus impactos.

    A primeira edição do evento ocorreu em 1991, no Ginásio do Ibirapuera. Há de se destacar que, considerando a gravadora Gospel Records, o evento acabou, de certa forma dando suporte às bandas novas que estavam surgindo. Talvez a mais beneficiada tenha sido Katsbarnea. Na internet, é possível encontrar apresentações do conjunto em várias de suas edições. Gosto bastante de “Cristo ou Barrabás” no terceiro evento. Com o guitarrista Tomati, Paulinho Makuko e Jadão fornecendo uma base pulsante, é talvez a melhor performance ao vivo desta música. Na sexta edição, “Get out of Babylon” também ficou bem legal.

    Outras bandas também estiveram presentes no festival. Do Resgate, por exemplo, é possível encontrar “Quem é Ele?”, do primeiro álbum, com sua pegada fortemente hard rock. O Rebanhão participou de várias edições. Em 1992, ainda com Pedro Braconnot e Paulo Marotta na formação, em 1993 com a participação da nova formação (incluindo Dico Parente) e em 1994, com Braconnot novamente sozinho.

    O Fruto Sagrado também participou várias vezes do evento, tanto na época do álbum Na Contramão do Sistema e O que a gente faz fala muito mais do que só falar, ambos lançados pela Gospel Records. Neste último, Bênlio está definitivamente nos teclados, quando ocorre a entrada do guitarrista Bene Maldonado na formação. O Oficina G3 destaca-se pela presença de palco do vocalista Luciano Manga. É claro, Juninho Afram também colabora nos vocais e os registros são de uma das melhores fases deste grupo.

    Na edição de 1993, a grande atração foi a banda norte-americana Bride, que recentemente encerrou as atividades. O grupo simplesmente gravou um registro áudio-visual completo no Brasil, em seu auge, numa performance memorável.

    https://www.youtube.com/watch?v=yOJZe66W92o

    Infelizmente, o evento foi perdendo sua força com os anos. Um dos motivos consiste no “fechamento” da visão evangelística da Renascer, que mais tarde daria espaço aos seus escândalos no fim dos anos 2000. Mas isso é outro assunto…

    Continuem acompanhando a Rocklogia que em breve teremos textos incríveis e com material atualizado. Abraços!

  • Rebanhão – discografia e obra

    Formada no Rio de Janeiro, em meados de 1979, o Rebanhão foi uma das mais expressivas e notáveis bandas de rock cristão dos anos 80 e 90. Sua discografia é eclética, abrangendo diversas fases e formações na qual passou. Em seu início, o grande mestre foi Janires, no qual era vocalista e compositor de grande parte das músicas. Em sua saída, em 1985, a banda esteve centrada em três importantes figuras: Pedro Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix, todos também da formação inicial. Mais tarde, com a saída de Felix e Marotta, Braconnot recrutou novos músicos, como Pablo Chies e Rogério dy Castro, lançando mais alguns álbuns, até que em 2000 o grupo chegou ao seu fim.


    Guia discográfico

    Mais Doce que o Mel (Doce Harmonia/1981): Estreia do grupo, registra magistralmente a habilidade musical de Janires, com o choro “Casinha”, o progressivo medley contendo “Salas de Jantar” e, principalmente seu clássico “Baião”. As composições de Carlinhos Felix não ficam muito atrás, destacando-se através de “Monte”. “Refúgio”, de Pedro Braconnot é uma das melhores baladas do Rebanhão. (Nota: [usr 5])

    Luz do Mundo (Arca Musical Evangélica/1983): Dando sequência à Mais Doce que o Mel, as composições de Janires estão cada vez mais refinadas. “Hoje sou Feliz” e “Casa no Céu” possuem lírica impressionante, enquanto as composições de Carlinhos se mantém no mesmo nível. Paulo Marotta e Kandell impressionam na base instrumental. (Nota: [usr 5])

    Janires e Amigos (Doce Harmonia/1985): O disco funciona muito bem enquanto solo de Janires, de longe o melhor membro do Rebanhão. No entanto, como banda, o álbum é deslocado. Destaque para as letras de “Helena, todo o pecado estará perdoado” e “Arca (Festa de arromba Evangélica)”. (Nota: [usr 4.5])

    Semeador (PolyGram/1985): A falta das composições de Janires são notáveis, mas desta vez há uma maior unidade no quarteto com a entrada do novo baterista Fernando Augusto. (Nota: [usr 3.5])

    Novo Dia (PolyGram/1987): “Razão” é o claro exemplo de que o grupo poderia sobreviver sem Janires tendo Pedro Braconnot como compositor. Embora a produção musical seja extremamente datada, o trio Felix/Marotta/Braconnot, juntamente com Fernando Augusto apresentou um álbum coeso e maduro.(Nota: [usr 4.5])

    Grandes Momentos (Continental/1988): Abrangendo os álbuns Semeador e Novo Dia, a seleção de repertório desta coletânea foi infeliz. Músicas fundamentais como “Primeiro Amor” e “Nele Você Pode Confiar estão presentes, mas a falta de “Viajar”, “Razão” e muitas outras é inadmissível. (Nota: [usr 2.5])

    Princípio (Gospel Records/1990): Álbum que mergulhou na cara da nova década, apresentou o novo conceito de música cristã que Janires insistia em seu início. O líder, desta vez foi Braconnot, que surpreende nas reflexões feitas em “Palácios” e “Metrô”. Além de um ótimo repertório composto por faixas como “Muro de Pedra”e “Selo do Perdão”, a escolha da banda de regravar “Princípio”, que relembra a morte do ativista Chico Mendes é altamente feliz. (Nota: [usr 5])

    Pé na Estrada (Gospel Records/1991): Despedida de Carlinhos Felix e Paulo Marotta, é o disco musicalmente mais ousado feito pelo trio clássico do Rebanhão. “Elo Perdido” e seu arranjo progressivo é talvez um dos TOP5 do grupo, além do hard rock de “Criação”. O que realmente tira o mérito de perfeição de Pé na Estrada é sua faixa final, “Nzile Nzulu”. (Nota: [usr 4.5])

    Enquanto é dia… (Gospel Records/1993): Introspectivo e melancólico, Enquanto é dia… é talvez uma luz no fim do túnel para quem achava que o Rebanhão estava totalmente acabado após a saída de dois integrantes. Mas não é para se iludir: apesar de músicas incríveis, como “Me Leva pra Casa” e “Mistério”, esta última nos vocais de Dico Parente, o trabalho da banda nunca superaria o de sua formação mais notável. (Nota: [usr 3])

    Por Cima dos Montes (Warner/1996): Álbum praticamente solo de Pedro Braconnot com a alcunha do Rebanhão, é um ponto baixo na carreira do grupo. Regravações em excesso e um repertório tão melancólico quanto o anterior, porém sem o brilho apresentado antes. (Nota: [usr 2])

    O Melhor do Rebanhão (Gospel Records/1998): Na proposta de unir as melhores músicas de Princípio, Pé na Estrada e Enquanto é dia…, não dá para entender a escolha de “Nzile Nzulu”. Ainda, “Arsenal” poderia ter sido substituída por alguma faixa do álbum de 1993. (Nota: [usr 3])

    Vamos Viver o Amor (Dunamis/1999): A nova e última formação do Rebanhão não possuía nenhuma característica que remetesse ao grupo em questão, e o resultado foi um disco que em nada lembra o restante da discografia do conjunto. (Nota: [usr 1.5])


    Melhores músicas

    Ano 2000, Arca (Festa de Arromba Evangélica), Baião, Casa no Céu, Casinha, Refúgio, Elo Perdido, Fronteiras, Hoje sou Feliz, Mamãe, Me Leva pra Casa, Mistério, Muro de Pedra, Nele Você Pode Confiar, Palácios, Razão, Selo do Perdão e Viajar.


    Notícias e matérias sobre o Rebanhão

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Rebanhão no O Propagador, clique aqui.

  • Rocklogia – Enquanto é dia…

    Sem Janires, sem Carlinhos Felix, sem Paulo Marotta, sem ninguém. Pedro Braconnot era o único integrante restante do Rebanhão. Diferentemente de outros grupos, como a Oficina G3, em que Juninho Afram é o único integrante da formação inicial, mas conta com outros integrantes de longa data na banda, como Duca Tambasco (desde meados de 1993) e Jean Carllos (desde 1996), o caso do Rebanhão foi bastante complexo. A formação mudou drasticamente de 1990 para 1992. Do quarteto, apenas Pedro sobrou. Ou era encerrar a banda de vez, ou então recrutar novos músicos do zero. Braconnot foi pela segunda opção, e para, talvez não parecer um projeto solo, procurou por mais um cantor para dividir os vocais. Paulo Marotta, que estava saindo por questões pessoais também ajudou na reformulação. Durante este tempo como único integrante da formação inicial, o Rebanhão tocou com vários músicos convidados, como o baixista Murilo Kardia, na época ex-integrante do Complexo J, que vinha de uma fase de auge pelo lançamento do álbum 3 pela MK Music. Kardia chegou a ser integrante do grupo, mas permaneceu apenas durante um ano, e teve que sair, dando lugar à Rogério dy Castro.

    Em 1993, a formação estava completa e fixa. Pablo Chies na guitarra, Rogério dy Castro no baixo, Wagner Carvalho na bateria e Dico Parente para completar nos vocais (apenas como participação temporária). Curioso que, quase dez anos antes, Wagner participou do álbum Janires e Amigos, nos vocais de “Jesus Cristo Super Heroi”. O primeiro disco desta formação foi Enquanto é Dia…, que assim como os anteriores apostou num projeto gráfico conceitual, embora um pouco sombrio. Toda a musicalidade deste projeto é mais intimista e fechada, bem diferente do que o Rebanhão apresentava antes, embora não inferior.

    Em todas as músicas, Pedro Braconnot é compositor, algumas com parcerias. Logo percebe-se em “Me Leva pra Casa” um álbum centrado no piano e sintetizadores, e os arranjos de metais por Zé Canuto. “Como as Ondas do Mar”, já conhecida, recebeu algumas adaptações por Pedro. Sua letra, de adoração congregacional também marca um dos momentos mais intimistas do projeto. “Te louvamos Senhor porque podemos ver o Seu amor, agindo sobre toda a Terra com sabedoria e glória. Levantamos a nossa voz como as ondas do mar se levantam para exaltar-Te oh Senhor. És o rei das nações, reina pra sempre em nossos corações”.

    Marquinhos Gomes colabora na faixa-título, que instrumentalmente é próxima do estilo pop rock da banda. Dico Parente assina duas canções com Pedro, também cantando-as, “Janelas do Céu” e “Mistério”. “Comando de Cristo” tem a participação de Pablo Chies e Dico, mas Braconnot é o intérprete. Pedro é, ainda autor de “Velho Amigo” e “Luz de um Campeão”, esta última cantada por Dico. Em homenagem a Janires, a banda regrava “Baião”, que claramente é a cara do início do grupo. A canção, que não aparecia muito nos shows da banda voltou a ser executada. Enquanto Felix, Marotta e Braconnot sempre se apresentaram mais contidos, Dico mostrou-se mais extravagante e excêntrico, tanto nas apresentações ao vivo quanto nas gravações em estúdio. Por um lado, se define a identidade própria do músico, não se encaixa tão bem com os moldes já conhecidos do Rebanhão, ainda mais se tratando de um substituto.

    Mais ousado, o álbum tem muitas influências do hard rock, e sonoridades que remetem ao estilo de algumas bandas. É perceptível, por exemplo, a influência do Queen em “Luz de um Campeão”, nos sintetizadores utilizados (uma música do álbum seguinte também lembraria fortemente esta banda). Os vocais agudos de Dico lembram uma característica comum nas bandas do estilo, tanto dos anos 70 e 80.

    O álbum, que é bom, mas não se compara aos da formação clássica teve um bom alcance e encerrou a fase da banda pela gravadora Gospel Records. Durante os shows, a banda cantava canções como “Elo Perdido”, “Baião”, “Mistério”, e é claro, “Palácios”. Dico Parente saiu do grupo três meses após o lançamento, e pouco se sabe sobre o cantor após este período. Os outros permaneceram.

    Na versão em LP e na remasterização em CD, Dico Parente é citado apenas como uma participação especial, pelo fato de ter uma participação temporária na banda. Ainda, como bônus vieram quatro faixas do álbum Pé na Estrada remasterizadas.

  • Janires e Amigos: primeiro álbum ao vivo da música cristã

    Existem acontecimentos, que por mais relevantes que sejam, são esquecidos por várias pessoas. Muito é dito a respeito do legado de Janires e sua importância para a música cristã nacional, mas a dimensão de seu impacto é pouco citada.

    Janires e Amigos, é talvez um destes exemplos. Considerado o único álbum solo do cantor e compositor capixaba, hoje creditado como parte da discografia do Rebanhão, o disco foi gravado com muita dificuldade e particularidade.

    Era 14 de dezembro de 1984, há exatos 30 anos. Há cerca de 5 anos, Janires, como frontman do Rebanhão provocava um verdadeiro reboliço na cena cristã da época. Com canções como “Baião”, “Casinha” (do álbum Mais Doce que o Mel), “Hoje sou Feliz” e “Casa no Céu” (do subsequente Luz do Mundo), Janires mostrava sua capacidade criativa. Mas seu sonho não era simplesmente se tornar um ícone da música cristã nacional. Eis, que durante este contexto, surge Janires e Amigos.

    Dez anos antes da gravação, em 1974, com cerca de 21 anos de idade, o cantor converteu-se e deixou um passado cheiro de “aventuras” para trás. Com a temática de dez anos de conversão, Janires chama vários amigos e parceiros e decide gravar um álbum ao vivo. Só que ninguém do meio cristão, aquela altura do campeonato tinha gravado um trabalho deste tipo: ele seria o primeiro.


    A equipe técnica

    Para gravar o álbum, Janires teve a ajuda de Ermínio (técnico de estúdio), Barney (seu assistente) e Silas (responsável pelo estúdio onde a obra foi mixada). Pela tecnologia da época e os recursos disponíveis, o álbum foi gravado numa mesa de oito canais.

    O grande problema era que, com oito canais era muito difícil comportar todos os músicos e vocais da gravação. Mas com muito jeito, conseguiram.


    O local de gravação

    O álbum foi gravado na cidade do Rio de Janeiro, no auditório da Rádio Boas Novas. Nesta época, a quantidade de rádios cristãs ainda não era muito grande, e certamente tais parcerias eram vitais para a banda. Com o álbum Luz do Mundo, por exemplo, o Rebanhão conseguiu ter músicas executadas em rádios fora do nicho cristão.


    As participações especiais

    Janires e Amigos é um disco cheio de participações especiais. A começar pela mãe de Janires, na qual foi homenageada na canção “Mamãe“. O cantor também era amigo do jogador goiano Baltazar, no qual chegou a atuar pela Seleção Brasileira de Futebol. A ele foi dedicada a canção “Baltazar, o artilheiro de Deus”.

    Juntamente com o Rebanhão, em alguns teatros, a atriz Helena Brandão, mais conhecida pelo seu nome artístico Darlene Glória contava seu testemunho de vida. Janires a homenageou com a canção “Helena”, na qual versa sua história e conversão.

    Nesta época, o cantor João Alexandre fundava o Grupo Pescador, bem no início de sua carreira. Na gravação, o cantor dividiu os vocais com Janires na música “Casinha”, até hoje uma das canções mais icônicas do Rebanhão.

    Além destes, Janires era amigo do atleta Alex Dias Ribeiro, no qual foi inicialmente homenageado em “Hoje Sou Feliz”, do álbum Luz do Mundo. Mas desta vez, o tributo foi mais direto com a canção “Alex, o Baixinho Voador”. Ainda, uma canção poética, para a Rede Boas Novas fecha o álbum, “À Minha Amiga R.B.N. (Lindas Canções)”.

    Dentre outras canções do disco, há um momento de oração, conduzido por Alex Dias Ribeiro, a regravação de “Baião” com a participação dos demais integrantes do Rebanhão, uma versão de “Jesus Cristo Mudou Meu Viver” e “Jesus Super Herói” com temática infantil, gravada num dueto entre Wagner Carvalho e Ed Wilson.

    O instrumental é tocado pela Banda Fé. Outras participações especiais incluem Ed Wilson, Clube Bíblico Jesus Vive e Waldenir Carvalho (pai de Cristiane Carvalho e Wagner Carvalho, este último que nos anos 90 foi baterista do Rebanhão).


    ARCA

    A Arca Musical Evangélica foi uma gravadora do Rio de Janeiro que distribuiu o álbum Luz do Mundo (enquanto Mais Doce que o Mel e Janires e Amigos foram pela Doce Harmonia). Curiosamente, a canção que mais se destaca no álbum é “Arca (Festa de Arromba Evangélica)”. Nesta música, Janires praticamente cita o nome de todos os cantores cristãos e bandas relevantes da época de forma muito bem humorada.

    Vinha andando, andando voando pelo meio da rua / Quando encontrei com a banda do exército da salvação / Tocando rock, rock, rock pra Jesus junto com o Edson e Tita / Sinal Verde, Ozéias de Paula e o Maurão / Grupo Logos, Imperiais, Victorino da Silva / Vencedores por Cristo tocando com Dani Berrios / Jovens da Verdade, Nicolete, Sonoros e o Grupo Semente / E Shirley Carvalhaes cantavam com a gente / B.J. Thomas, Don e Asaph, Feliciano Amaral / Grupo Atos, Edson e Telma e o Som Maior / S8, Andrae Crouch, Denise e os Cantores por Cristo / E o Paulo César do Música Viva, que que é isso?

    E descobri que estava sonhando, um sonho muito legal / Que um dia vai se cumprir no lar celestial.


    A capa

    A capa de Janires e Amigos foi produzida pelo cantor Marcos Góes. O projeto, em sua frente possui um desenho, contendo as participações do álbum listadas. Nota-se que o desenho da ovelha com o pastor foi o “logotipo” do Rebanhão em seus primeiros anos.

    O verso da capa mostra uma foto de Janires com músicos da gravação.


    Citações

    O Janires foi um cara único, ele saiu talvez porque nós não conseguíamos seguir no ritmo dele. Deus o usou de maneira especial e o levou. No entanto tinha outros planos para o resto de nós. Foi um desafio quando ele disse que ia sair, mas conseguimos seguir em frente com a graça e misericórdia de Deus. (Pedro Braconnot)

    Esta gravação foi muito legal e corajosa. Não esqueço: tudo engatilhado, mas deu certo, era tudo em cima de milagres. (Carlinhos Felix)

    Janires tinha o raro talento de dizer coisas profundas de forma simples! Hoje em dia complica-se tudo pra não dizer nada! (João Alexandre)


    Relançamento

    Inicialmente, Janires e Amigos foi lançado como um álbum solo de Janires, contendo a participação do Rebanhão. Porém, em 1994 o álbum foi remasterizado, e sua capa foi modificada, incluindo o nome da banda na lateral, em letras grandes. Incluso na discografia do Rebanhão, foram inclusas duas faixas bônus, nas quais são a gravação original de “Baião” e “Mel”, do álbum Mais Doce que o Mel.

    A ordem das músicas também foi alterada.


    Legado

    Mais do que o primeiro álbum cristão gravado ao vivo no Brasil, Janires e Amigos é um exemplo que a arte cristã não precisa se encapsular em padrões líricos e estéticos e que é possível sim prestar homenagens e tributos a pessoas mantendo o principal foco, no qual é Jesus.

  • Fique Sabendo – Damares, Trazendo a Arca, Samuel Mariano e muito mais

    É sexta-feira e dia de mais um Fique Sabendo. Confira as notícias da semana por aqui!


    Damares grava DVD O Maior Troféu

    A cantora pentecostal Damares, após um ano do lançamento do álbum O Maior Troféu grava sua versão em DVD. O projeto foi gravado na Igreja Bíblica da Paz em São Paulo, com uma estrutura moderna dirigida por Hugo Pessoa. O cantor Thalles participou da gravação em “A Dracma e seu Dono”.


    Trazendo a Arca divulga capa e título do próximo álbum – Español

    O grupo Trazendo a Arca divulgou o título e a capa de seu próximo álbum, de título Español. Este é o sexto álbum de estúdio do grupo desde Marca da Promessa, e o primeiro em língua estrangeira. Agora, na gravadora Sony Music, o quarteto formado por Luiz Arcanjo (vocal, violão), André Mattos (bateria), Deco Rodrigues (baixo) e Isaac Ramos (guitarra, violão) promete trazer seus maiores sucessos na língua castelhana. O design foi feito por David Cerqueira, que é o responsável por quase todas as capas da banda desde o seu início.

    O setlist é: Toca En El Altar / La Marca De La Promesa / Serás Siempre Dios / Em Ti Esperaré / Señor Y Rey / Dios De Promesas / Sobre Las Aguas / Restituye / Tu Gracia Me Basta / Renuncio / Despiértame / El Suelo Va A Temblar

    A banda também divulgou, nesta quinta (11/12) a canção Dios de Promessas em seu Soundcloud oficial.

    Trazendo a Arca - Español - 2014


    Samuel Mariano divulga capa e título do novo CD – Depois do culto

    O cantor Samuel Mariano, um dos nomes da música gospel que tem ganhado ascensão nos últimos anos, divulgou a capa de seu futuro álbum, intitulado Depois do Culto. A capa traz o cantor sentado em um banco ao ar livre, numa praia. No geral, o conteúdo foi elogiado pelo público.Depois do culto - Samuel Mariano


    Rebanhão gravará DVD na Barra da Tijuca em março de 2015

    A banda de rock/pop Rebanhão, após anunciar retorno em 2014 e uma possível gravação, finalmente anunciou as datas e o local de gravação do projeto. O disco será gravado no antigo estúdio da MTV, localizado na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro durante os dias 7 e 8 de março do ano que vem. Os ensaios estavam sendo feitos por Pedro Braconnot, Carlinhos Felix, Paulo Marotta e Pablo Chies juntamente com o músico convidado Lucio de Paula. A formação oficial para a gravação ainda não foi anunciada, tampouco a gravadora que distribuirá o trabalho. Resta aguardar para saber mais novidades!


    Até a próxima semana!

  • Rocklogia – Pé na estrada para a formação clássica

    Era 1991. Nova década, novo ano, que previa fortes mudanças no Rebanhão. Completavam-se dez anos desde o lançamento do primeiro álbum. Apesar disso, todos os três integrantes ainda eram jovens, com idade próxima dos 27 aos 30 anos. Pedro Braconnot já possuía atividades fora da banda, produzindo álbuns. Atuou como tecladista em obras do Guilherme Kerr e Altos Louvores, e neste mesmo ano produziu os álbuns de estreia de João Alexandre, Sérgio Lopes e Cristina Mel – aliás, foi com a ajuda de Braconnot na produção de seus discos que Cristina se tornou uma das maiores vozes da música cristã no Brasil.

    Carlinhos Felix, aos poucos tinha o seu nome conhecido fora da banda. De um guitarrista simplório de base nos anos 80, tornou-se uma das vozes masculinas mais conhecidas da década de 90 no meio cristão. Paulo Marotta, por sua vez não fazia claramente nada fora da banda, e assim como os demais era formado em engenharia.

    Naquele mesmo ano, Felix compartilha com os demais o desejo de gravar um projeto a solo, o que foi aceito com tranquilidade. A princípio, não era uma despedida da banda, mas apenas a realização de um sonho antigo. Coisas da Vida foi gravado em março daquele ano, e Pedro Braconnot atuou como tecladista da obra. Na ficha técnica, participações de músicos consagrados, como Paulinho Guitarra. Bem pop rock, a maioria das composições são autorais, à exceção de “Pescador” (Luciano Dewey, o tecladista da Sinal Verde), “Coisas da Vida” (Ed Wilson e Hilário) e “Senhor do Universo” (Lucas Ribeiro), esta última também gravada por Fernanda Brum anos depois. O álbum foi lançado em julho pela gravadora Continental, anos depois relançado em CD pela WEA (Warner Music Brasil). É o melhor álbum de sua carreira, em minha opinião.

    Além do álbum solo de Carlinhos Felix, faziam dois anos que o último trabalho do grupo tinha lançado, Princípio. A banda, de certa forma tinha que superar o sucesso do último projeto. Fernando Augusto, o baterista havia saído do grupo em 1990. Sobravam Pedro, Paulo e Carlinhos, todos membros do Rebanhão desde o seu início. Mesmo com a formação reduzida, não havia dúvidas de que sairia um disco genuíno do grupo.

    Na primavera de 91, Pé na Estrada foi gravado, no Mega Studio, um espaço de gravação localizado no Rio de Janeiro. Era o sétimo trabalho do Rebanhão (incluindo o Janires e Amigos), e sonoramente alcança o ápice técnico da banda. Com a participação de Sérgio Batera na bateria e percussão, no qual particularmente acho o melhor baterista que já passou pela banda, o trio Marotta/Braconnot/Felix apresenta canções mais rock do que os álbuns anteriores. Pedro mostra grande êxito nos sintetizadores, enquanto a guitarra de Carlinhos definitivamente centra-se nas canções, de forma interessante. “Elo Perdido”, de Braconnot ouso dizer que é a melhor música da banda pós-Janires. A reflexão contida nesta canção, apesar de ser extremamente complexa é uma realidade presente até nos dias de hoje (leia o Para refletir sobre Elo Perdido) e seu arranjo é, sem dúvida um dos mais criativos. Paulo Marotta aparece novamente como compositor, assinando e cantando a faixa-título. Aliás, o projeto gráfico deste álbum é o mais bem feito do Rebanhão. Foi o único álbum da banda lançado pela Gospel Records que não recebeu uma versão remasterizada em CD, o que de certa forma é estranho. Mas algumas canções, posteriormente foram lançadas em uma coletânea e na versão em CD do álbum seguinte (bem que o Rebanhão podia remasterizar todos os seus álbuns e fazer um lançamento digital).

    Carlinhos Felix também é o compositor de “Existe um Lugar”, “Tempo pra Tudo” e “Pedaço do Céu”, interpreta “Salvador” (Lucas Ribeiro), e o hard rock de “Criação” (Elmar Gueiros). Pedro Braconnot também canta “Fé”, que possui uma atmosfera fortemente experimental e “Ovelha Ferida”. Contudo, “Nzile Nzulu” (autor desconhecido) fecha o álbum catastroficamente. Parece até que foi uma canção para o álbum não ficar com menos de dez faixas.

    Segundo Carlinhos Felix, com o lançamento de seu álbum solo, este foi recebendo naturalmente agendas separadas, que culminou sua saída da banda. A formação clássica encerrava-se ali. Ainda, Pedro Braconnot e Paulo Marotta continuaram juntos por mais um ano, mas Paulo sai da banda. O motivo foi exposto numa entrevista anos depois numa revista da Mocidade para Cristo (MPC).

    Saí por causa de um conflito vocacional íntimo: descobri que estava valorizando mais o trabalho que o próprio Jesus. Abri mão da fama e do prestígio que normalmente acompanham quem se torna muito conhecido porque isso estava atrapalhando meu relacionamento com Jesus. Eu trabalhava demais, e não tinha tempo para Ele, nem para minha esposa, nem para mim mesmo. A obra havia se tornado mais importante que o Senhor da obra. Assim, após 12 anos, deixei o Rebanhão, mudei-me com minha esposa para BH a fim de reestruturar nossas vidas.

    Talvez seria exagero afirmar que o Rebanhão morreu aqui. Mas, o que surgiu depois foram resquícios do que o grupo foi um dia. Braconnot apresentou boas canções, mas soa bem mais como uma carreira solo, do que uma banda.