Rocklogia – Os últimos anos do Rebanhão

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Muito se fala no contrato do Catedral com a Warner Music Brasil em 1999, mas bem antes disso vários músicos cristãos assinaram com a ‘gravadora secular’. O Rebanhão foi uma delas.

Aquela altura do campeonato, a nova formação estava estável há três anos. Sem mais vocalistas, creio que o álbum seguinte, Por Cima dos Montes pode ser tranquilamente considerado um álbum solo de Pedro Braconnot, e mostra um afastamento mediano à proposta inicial e musical do grupo. Lançado em janeiro de 1996, musicalmente, é um bom álbum, com arranjos muito interessantes e criativos e produção musical polida. A maturidade instrumental alcançada aqui é admirável. Mas, em letras é uma maré extremamente baixa. Pedro é compositor da maioria delas, a exceção de “Louvor” (Jorge Guedes) e “Eu Voltarei” (Tutuca Borges e Sobreira Batell). “Ligado na Videira”, que é a canção um pouco mais próxima do Rebanhão antigo tem a contribuição de Pablo Chies na autoria.

Por Cima dos Montes também é um álbum marcado por regravações. Um pot-pourri de “Salas de Jantar” (Janires) e “Contemplar” (Pedro Braconnot), “Razão” do álbum Novo Dia e “Flor do Campo”, do Semeador. Quando pensamos em regravações, há a firme certeza que a nova versão deve superar a original, e ainda bem que neste ponto o álbum não falhou. A exceção de “Razão”, todas as demais regravações ficaram muito boas, principalmente “Flor do Campo”, gravada exclusivamente em piano e voz.

https://www.youtube.com/watch?v=oZ-Cza9xlCo

Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.
Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.

“Sempre Estar Contigo”, “Noiva” e “Salmo 147”, como dito antes aproximam-se um pouco mais de um estilo mais devocional. A faixa-título, “Por Cima dos Montes” de início lembra um pouco um vocal sertanejo, mas não é. O refrão é bom, e garante um dos momentos interessantes do projeto. “Crazy of Jesus” é a música mais forçada do CD, e consequentemente o pior ponto. Basicamente, Por Cima dos Montes é um disco de art rock, e possui muitas influências da época. Particularmente, a textura do álbum me lembra muito o CD Made in Heaven do Queen, lançado em dezembro de 1995, um mês antes do projeto do Rebanhão.

A formação deixou de ser estável logo depois. Rogério dy Castro e Wagner Carvalho, em 1997 saíram para fundar uma banda. Com Wagner Derek e Davi Fernandes surgiu a Primeira Essência. Os últimos anos do Rebanhão seguiram-se com Pablo Chies tocando com Pedro por mais um tempo, até em gravações de outros artistas, como Marina de Oliveira e Cristina Mel. Braconnot participou do segundo álbum da coletânea Amo Você da MK Music, juntamente com sua esposa Ayna, época que a gravadora ainda tinha abertura a cantores de fora do cast.

Pablo Chies acabou saindo também, e mais uma vez Pedro ficou sozinho. Recrutou vários outros músicos, e de forma independente foi lançado, pelo nome Rebanhão o projeto Vamos Viver o Amor, que é uma maré ainda mais baixa que Por Cima dos Montes. Absolutamente nada no álbum lembra o Rebanhão, embora tenha a regravação de “Fronteiras”, do Princípio. Em 2000, o Rebanhão fez seus últimos shows. Pedro Braconnot foi entrevistado por uma revista sobre música, e na mesma época decidiu ‘dar um tempo’ na banda. Porém, o hiato tornou-se permanente. O grupo recebeu convites para voltar, mas Pedro recusou, afirmando que não pretende viver apenas da banda e tem em vista outras coisas a fazer. Carlinhos Felix prestou homenagens ao grupo, regravando várias de suas músicas em carreira solo. Paulo Marotta participou de seu álbum Nada a Perder, lançado pela MK em 1995 na música “Muro de Pedra”.

Em janeiro de 2013, na Igreja Congregacional de Bento Ribeiro, Pablo Chies, Carlinhos Felix e Pedro Braconnot cantaram várias canções do Rebanhão, e em 2014 a surpresa da volta da banda (um assunto para um post futuro). Acima de tudo, em vinte anos, provou ser uma das bandas mais criativas do rock cristão nacional, e merece todo o crédito pelo legado que construíram.

Comentários

One response to “Rocklogia – Os últimos anos do Rebanhão”

  1. […] Soundcloud, publicaria mais duas novas músicas, com a tendência mais congregacional existente em Vamos Viver o Amor: “Nada Mais” e “Amado da Minh’Alma” (esta última recebeu a hashtag […]

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