Quando a realidade é clara, direta e há a insistência de não a enxergar, mesmo estando óbvio e “na cara”. É neste contexto em que o ato de pensar, refletir e reavaliar os acontecimentos cotidianos soa mais dolorido. Construímos uma série de pequenos sonhos diários, ações a fazer, pessoas a interagir, ignorando o natural descontrole que é nosso dia-a-dia. É uma realidade talvez cruel, mas a mais justa, não é mesmo? Tudo o que foi pensado, milimetricamente planejado entra em choque com o outro que está do lado. A única ação, portanto, é aceitar.
Assim, infelizmente, parece que levamos nossa vida como uma estante. Cada realização, um troféu, que logo logo estará empoeirado, abandonado, enquanto corremos por outro mais belo. E nesse loop de acontecimentos, vemos um pouco de nós morrer a cada instante. Nossos sonhos aparentemente inalcançáveis ficam para trás, sentimentos falecem, e percebemos que no fim das contas somente o essencial permanece. Costumo pensar que a morte física é apenas a conclusão de um processo mortífero, que é a nossa vida. É isso o que experimentamos: a morte do eu.
E dentro deste processo, querendo ou não, uma hora aprendemos com a vida que nos é oferecida. Não há como construir o amanhã sem as vivências do hoje, as quedas, as dores e as realizações. Nosso caráter é formado através de tudo o que é vivenciado durante este tempo, moldados e reconstruídos por Deus. A medida dos anos, olhar para trás, e saber muito bem o que realmente é e sempre foi importante para nós, e no final nos encontrarmos para sempre com o Pai, concluindo de forma perfeita nossa trilha.
É desta forma que gosto de pensar a respeito deste processo, no qual nunca estamos sós.
https://www.youtube.com/watch?v=1aAw9gQUTdE
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