A música que dominamos como “secular” a ser analisada hoje nessa humilde coluna se chama “Gravidade”, da banda Supercombo. Já fazia tempo que eu queria fazer uma série de textos de músicas do Supercombo e, acho que agora vou conseguir fazer isso. Esta banda de rock é, indiscutivelmente, uma das melhores do cenário nacional. E depois de sua passagem pelo reality show Superstar da Rede Globo, sua notoriedade ficou mais ampla.
Conheci a banda no início de 2014 e foi logo quando lançaram seu álbum mais ousado, Amianto. As letras e voz de Léo Ramos, baixo de Carol Navarro, guitarras de Pedro Ramos, os teclados de Paulo Vaz e a batera do Raul, são elementos que estranhamente se combinam e mesmo sendo muito diferentes um do outro, eles conseguem ser bem parecidos quando se trata de música boa. Para quem me acompanha a mais tempo, sabe que já escrevi aqui sobre pessimismo baseado em um outro texto do meu colega Tiago Junior. Mas hoje eu quero falar um pouco do otimismo cristão.
A música fala de duas pessoas e aí você pode encarar essas “duas pessoas” como bem quiser: relação de homem e mulher, relação de amigos, relação de chefe e empregado e, até relação do homem e Deus. Decidi elencar alguns trechos da música e relacionar com o nosso comportamento otimista. Que o Senhor nos guie em amor e nos faça perceber que precisamos muito dele.
Eu vou te mostrar o quanto eu sou
Capaz de aguentar o que for Preciso
Preciso
A música já começa com uma promessa: “eu vou te mostrar”, que indica a necessidade de aguardar. Cristo disse que voltaria a nós (João 14:18). Essa segurança que temos diante de situações as quais nos mostramos fracos são essenciais para o nosso aprendizado e crescimento. Mais a frente, o eu lírico explica o porquê da promessa e justifica que vai mostrar que ele é “capaz de aguentar o que for preciso”.
Cristo aguentou o que foi preciso morrendo na cruz, mesmo muitos não acreditando e esperando que ele desse um jeito de escapar dali. Afinal de contas, Ele era o filho de Deus, tinha poder, podia sair dali a qualquer momento e se livrar da morte. Nós muitas vezes agimos assim: podemos escapar daquela amizade que só nos leva pra pior, podemos terminar com aquele namorado chato que só quer o nosso corpo, podemos terminar com aquela garota que só olha pra nossa conta bancária, podemos sair do nosso curso chato que entramos só porque não conseguimos algo melhor no ENEM. Mas, mesmo assim, não o fazemos. Continuamos firmes, mesmo com sequelas, continuamos mesmo não sabendo o porque. Levamos tanto tapas na cara que até nos perguntamos se realmente devemos passar por isso. E isso acontece por que? Não tenho outra resposta senão o pecado. Ele é o que nos afasta de Deus e Deus é O Alfa e Ômega, Ele é quem manda e desmanda, quer e efetua. Ele não compactua com o pecado. Mas nós somos capazes.
Lembro que quando fui fazer a prova para entrar no curso de música, eu fiz uma singela oração: “Pai, seja feita a Tua vontade / Mesmo que essa vontade implique na minha tristeza / Na minha derrota e na minha ira / Seja feita somente a Tua vontade!” Quando nós fazemos isso, Deus nos responde com um “eu vou te mostrar o quanto eu sou / capaz de aguentar o que for preciso”. Esse “aguentar” significa a paciência de Deus com os nossos pecados. E onde está o otimismo nisso tudo? Na plena confiança em Deus.
Estou há mais ou menos 6 meses sendo missionário urbano e, até hoje nenhuma pessoa chegou pra mim e disse “Jhonata, eu quero viver pra Jesus agora. Ore por mim!”. Detalhe: “ore por mim!” eu sempre ouço mas o “eu quero viver pra Jesus agora” não. Mas eu creio na soberania de Deus e sei que todo o processo de conversão de qualquer individuo é dEle. Eu disse TODO O PROCESSO. A minha ação de ir e pregar não é um fim para a conversão, pois Deus já escolheu os seus antes da fundação do mundo (Efésios 1:4).
Não há nada
Que nos prenda
De alcançar um lugar ao sol
Largar o que é ruim
Não esquenta
Um dia agente vai envelhecer
E rir do que passou
Essa é a parte mais otimista da música. “Largar o que é ruim” tem tudo a ver com o que eu disse mais acima: largar o pecado e viver pra Deus. Aqui a música nos dá um outro indicativo interessnte: não há nada. Graças a morte de Cristo, a misericórdia infinita do nosso Deus e a sua graça em nos amar e salvar, podemos dizer que não há nada que nos prenda e impeça de buscarmos o Pai. O maior inimigo de nossas vidas somos nós mesmos. O nosso próprio pecado confronta com toda nossa boa vontade. Largar o que é ruim é reconhecer que precisamos de melhoras. Precisamos ser mais humildes e otimistas com as nossas escolhas.
Devemos mostrar para Deus que podemos suportar o que for preciso para agradá-lo. Podemos aguentar toda essa confusão que nos ronda no mundo, podemos suportar as crises existenciais, filosofias erradas e até a morte se for preciso em amor do seu nome. Por amor a sua graça, a Ele e por tudo que ele faz por nós. O maior otimismo de nossas vidas é a fé. E não é uma fé barata e nem suspeita, é a fé em Cristo que nos salvou mesmo antes de nascermos. O amor dele nos faz ser otimistas mesmo quando somos pessimistas.
Meu caso, por exemplo, sou pessimista com o homem e com a política, mas minha fé me possibilita crer em dias melhores. Eu não sairia da minha casa para evangelizar se eu não acreditasse na mudança do homem. Mas eu acredito e acredito que podemos largar o que é ruim todos os dias: a começar pelo nosso orgulho, algo muito grande; e depois pelos nossos mais íntimos pecados que nos afastam de um vida em santidade com Cristo. Ouça a música inteira e ore para que Deus trate o que há de ruim em você. Um brinde!
Deixe um comentário