Categoria: Um Brinde

  • Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gênesis 1:27)

    “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;” (Atos 17: 26)

    Note que no primeiro texto não citei passagens bíblicas que dessem respaldo à minha tese. Por isso, quis começar a segunda parte com esses dois versos. Se você perdeu a primeira parte deste texto, leia aqui para entender melhor do que estamos falando. John Piper escreveu um artigo com 8 Motivos Bíblicos para Dizer: ‘Racismo Não!’, cujo texto comenta:

    “(…) Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus.”

    Vale dizer aqui que Deus não é “deus dos brancos” ou “deus dos negros”. Ele não é um orixá ou Padroeiro, Ele é o CRIADOR, único Deus e ele não escolheu um grupo étnico para chamar de filhos. Ele escolheu quem ele quis escolher e isso envolve negros, brancos, pardos, indígenas, mestiços e etc. A predestinação e escolha de Deus não envolve cor e sim graça. E como eu prometi no último texto, vou analisar algumas partes da música que considero fundamental serem pensadas por nós cristãos. Que Deus nos guie!

    “Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença / Chega! Sou voz das nega que integra resistência Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo / Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno / Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia / Basta de Globeleza, firmeza? / Mó faia! / Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia / Devasta esses otário, tipo calendário Maia”

    Essa parte é cantada pela lindíssima Drik Barbosa e esclarece o feminismo – não como algo patético e protestado erroneamente, mas de forma inteligente e esclarecendo que a mulher não nasceu pra ser poste e nem tapete – e o racismo. Abrindo um necessário parêntese, acho eminente entendermos que o fato das mulheres serem submissas aos seus maridos, isso não significa em nada que devem ser menosprezadas. Nós, homens, devemos entender melhor o que a Bíblia quer dizer com submissão ao marido, mas isso é assunto pra outro texto. Fecha parêntese. “Luta intensa nega a minha presença” esclarece o quanto a mulher negra ainda sofre em nosso país. Este texto nem precisaria ser escrito por alguém negro e brasileiro porque grande parte da população brasileira denomina-se negra. Mas infelizmente, isso é uma realidade nua e crua ainda.

    Uma amiga certa vez me disse que se sentia excluída nas rodas de conversas na faculdade porque boa parte da turma que estudava com ela eram brancos. O racismo nunca vai acontecer de forma bonitinha como pensamos, mas só o fato de você ignorar um negro de algo que ele deveria fazer parte, para mim, isso já é racismo. Outra vez, um colega disse que estava sendo vítima de comentários racistas na academia que ele malhava. Disse que todos os dias as pessoas ao seu redor faziam certas piadinhas dizendo: “Academia virou local pra todas as espécies agora né?” / “Rapaz, eu achava que só gente se interessava pra manter o corpo bonito“. Confesso que fiquei muito triste com isso e mais triste ainda por acontecer com alguém tão próximo de mim.

    Basta fazer uma pequena análise no seu dia-a-dia frenético e perceber o quanto o racismo está presente em nossas cidades. E você aí achando que quando um cara ou uma moça branca dos olhos azuis não sentava do seu lado na cadeira vazia no ônibus era porque não estava cansado. Não mesmo, isso tem nome e se chama preconceito. Ainda sobre a parte da Drik: “Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia“. Aqui é usado uma metáfora bem inteligente em referência a uma atriz famosa [Cláudia Raia] com o significado do seu sobrenome. Aquilo que raia, brilha, ou seja, tem foco, luz. Mas as milhões de Cláudia’s negras do nosso país, como são vistas? (fica a pergunta no ar)

    “Respeito, não vão ter por mim? Protagonista, ele preto sim / Pelo gueto vim, mostrar o que difere / Não é a genital ou o “macaco!” que fere / É igual me jogar aos lobos / Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele”

    Há algumas semanas atrás, a atriz Taís Araújo sofreu racismo após publicar uma foto no Facebook e isso reacendeu o debate sobre o tema no país. O mais intrigante nisso tudo, através do trecho cantado pelo Amiri mostra com é que se fala tanto em “direitos humanos” para proteger bandidos e esses mesmos direitos não embasam em nada aqueles que são vítimas de tal preconceito. E o respeito ao próximo? E eu sempre costumo dizer a esse tipo de gente: Já que sua cor é tão bonita, não precisa falar. Mas sem se deixar abater por esses comentários, o conselho que deixo é: Mantenha a classe e honre suas raízes. Você é negro sim, mas isso não é nenhum defeito. Não há nada de errado com você. O que há de (muito) errado é com os preconceituosos que estão naquela de querer dividir o mundo por cor.

    “Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle Meme de branco é: não trarão de volta yan, Gamba e Ringue”

    Essa é a parte do Rico Dalasam e infelizmente só mostra como a sociedade nos rotula: Negro é sinônimo de bandido e branco, intelectual. O meu protesto é: Vamos lutar contra o racismo. Não com armas e nem com xingamentos, mas de forma passiva mostrando que não precisamos abaixar a cabeça e nem se sujeitar a humilhações pela nossa cor, pois nós somos iguais, amados por Deus tremendamente como qualquer outra pessoa de qualquer grupo étnico. Na próxima semana, trago a parte final do texto com a continuação da música. Um brinde!

  • Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã

    Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã

    No texto A Rua é Nós – Frase de um Missionário Urbano, disse aos meus leitores para procurarem ouvir mais o rapper Emicida porque, com certeza, iriam me ver falando mais dele aqui. E, conhecendo uma considerável parcela deles, sei que não estão naquela ideia maniqueísta e ultrapassada de gospel versus secular. Então, nesta semana, trago uma breve análise da música “Mandume”, parte do mais recente disco de Emicida, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… Mandume é um personagem cuja imagem é de um homem de grande porte físico, com o corpo descoberto e mais jovem. Mas a canção contém muitas informações contidas e vamos lá, oro para que esse texto lhe edifique! Em amor!

    É necessário citar algumas coisas da música fora da letra que são as suas participações especiais. Emicida sofreu duras críticas por parte de alguma feministas radicais que criticaram supostas mensagens machistas e ofensivas na música “Trepadeira”, do álbum anterior. Entretanto, se você ouvir a música com um pingo de atenção entenderá que não existe nada de machista na canção, a não ser que eu esteja muito errado do conceito de machismo. Mas, esse não é o foco do texto. Chega até ser de uma ofensa sem tamanho chamá-lo de machista, pois quem acompanha sua história desde 2010, por exemplo, sabe que várias de suas músicas contém participações de mulheres e algumas músicas bem românticas. E pra provar isso, Emicida chamou Drik Barbosa para participar da canção e é ela quem abre o rap, com duração de mais de oito minutos. Outro convidado ilustre é Rico Dalasam, primeiro rapper negro e homossexual no Brasil. Ele defende e luta por essas duas classes: negros e gays. O time é fechado com Amiri, Muzzik e Raphão Alaafin. A música, assim como todo o projeto, luta contra o racismo que infelizmente nos cerca e ainda é muito grande em nosso país. Eu também sou um expoente dessa luta contra o racismo. Em oportunidades que tenho de participar de eventos e palestras sobre o assunto, procuro trocar uma ideia bem positiva sobre o assunto.

    “Mandume” é uma das melhores músicas de toda a carreira do Emicida e aqui eu preciso levantar três questões sobre a música antes de analisá-la: Racismo, desigualdade social e hipocrisia. Os três conceitos andam juntos, mas com alguns impactos particulares. E o que o cristianismo tem a ver com isso? O apóstolo Paulo em Gálatas lutou contra o racismo quando quem estava fazendo isso era o próprio apóstolo Pedro. No livro Gálatas para Você, Tim Keller ilustra muito bem de forma teológica esse acontecimento. Dentro de nossos templos existe uma das maiores desigualdades sociais: Existe igreja para pobres e para ricos, para “normais” e para os de tatuagens, para os negros e para os brancos. Sim, por mais que você negue isso, existe isso sim em nossas comunidades locais. E sobre a hipocrisia, nem preciso falar nada, né?

    A música fala claramente dos negros e da luta diária contra o preconceito. O refrão, por exemplo, é enfático. Os versos falam claramente dos negros (até com o uso intenso de palavrões). Infelizmente, é assim como os racistas nos veem. Faço parte da maioria negra brasileira e também me sinto no direito e dever de defender minha cor. Nunca sofri racismo de forma clara, mas já fui o último da fila na escola pela minha cor. Isso é racismo. E os versos preenchem duas das categorias citadas: racismo e desigualdade. Por sermos negros e pobres, qualquer pódio que conseguirmos chegar, vamos ser vistos como “pessoas determinadas que venceram na vida apesar do lugar que vieram”. Moro em um residencial desses financiados pela Caixa Econômica Federal e tenho muito orgulho de morar onde moro e de vir de onde vim, mas isso não é motivo para abaixar a cabeça e dizer “sim, senhor” para tudo. Cristo, como Deus, fez um ótimo papel de homem aqui na Terra. Quando todos viravam as costas para as mulheres, ele as abraçou e perdoou seus pecados. Quando todos descriminavam os deficientes, ele os curou. E nós? Achamos que a única bandeira que temos que levantar é a de Deus contra o diabo, sem saber que o “diabo” pode estar em coisas tão mais próximas do que em filmes de terror como a descriminação, preconceito e corrupção.

    Quantos negros você vê sendo os protagonistas das novelas da Globo? Praticamente nenhum. Porque negro é sempre o cara que dirige para as madames, mantém a segurança do prédio, o humilhado. Negras são sempre as empregadas, as coitadas e humilhadas. O racismo não nasceu agora, séculos atrás já existia, só foi agravando mais e mais. O nazismo matou centenas e hoje a gente mata sonhos e autoestima de muitos com esse preconceito.

    Aguardem para a segunda parte desse texto que irei analisar as partes de cada rapper, por enquanto, ouçam a canção. Um Brinde!

  • Um Brinde – Garotos, não estamos prontos para sermos pais

    Um Brinde – Garotos, não estamos prontos para sermos pais

    Nessas últimas semanas, o assunto da paternidade ficou mais pertinente em meu coração. Isso se deu após um de meus amigos receber um presente divino: sua filha. Durante algumas conversas, falamos um pouco desse assunto e de como sua cabeça mudou com a notícia de que seria pai.

    Confesso que ser pai é um sonho meu. Quero muito que isso se realize, mas com a pessoa e momento certo. E o engraçado nisso tudo é que, quanto mais o tempo passa, mais observo estar distante de ver se realizar. Não pela questão de relacionamento, mas por causa da maturidade. Tenho um irmão de 8 anos complicado de lidar e vejo a paciência que minha mãe precisa ter com ele. Nisso, percebo muitas falhas na educação das crianças de hoje em dia, principalmente na figura paterna que, em muitos casos se faz ausente. Fui criado neste caso, mas com a figura de um padrasto que foi um verdadeiro pai na minha educação. No entanto, a situação é diferente quando seu pai está vivo e mora a poucos quilômetros de distância.

    Percebo que os homens tendem a fracassar todas as vezes que seus sentimentos são postos em riscos. Observo também a libertinagem e modernidade abrindo leques grandiosos para que o sexo entre adolescentes ocorra. Antes não tão aceito, hoje é convencionado como algo cada vez mais natural, mas natural ao nível de se tornar banal: Fazer por fazer, sem sentido. Não é de se assombrar que a filha do meu amigo também não foi planejada para vir ao mundo. E talvez essa seja a resposta mais rápida e concreta para nós, garotos, não estarmos preparados para ter filhos.

    Indo um pouco mais a fundo, ser pai não é só ter uma criança cujo sangue é o mesmo que você tem correndo nas veias, ser pai é descobrir-se em uma posição diferente de todas as outras que, por acaso, podem ser vividas em uma infinidade de prazeres carnais. Ser pai é reconhecer-se no filho. É óbvio que não tenho moral para falar disso, pois estou longe demais dessa realidade, mas sou muito observador e consigo perceber isso na paternidade. Acima de tudo, sou filho de um Pai magnifico. Ele entregou Seu filho para morrer por outros. Nós entregamos nossos filhos para serem referências aos outros o que, de certa forma, é uma representação de morte intelectual. Meus pais tem alguns motivos para se orgulharem de mim, mas quem paga o preço por esses motivos sou eu. Deus nos vê como filhos, sabendo o quão precisamos de cuidados, ensinamentos e alimento: a Sua palavra.

    Quando digo que não estamos prontos para sermos pais, estou afirmando que não aprendemos a lidar com nós mesmos. Somos retraídos e nos preocupamos muito apenas com os nossos prazeres. Ser pai é renunciar. Como garotos ou como alguns preferem, jovens homens, não estamos prontos para abandonar festas, passeios, garotas e curtição para cuidar de uma criança. É claro que, em casos como o do meu amigo, a renúncia é obrigatória. Mas garotos, não estamos prontos para sermos pais, pois ainda somos garotos. Estamos naquela fase dependente cuja necessidade é de um ensinamento de pai nos dizendo os perigos que nos cercam no dia-a-dia. Estamos na fase em que precisamos ouvir nossas mães dizendo: “Meu filho, cuidado quando estiver voltando pra casa!”. E na fase carente, quando uma namorada que nos entenda e ama é o que completa-nos. Estamos naquela fase super legal cujo maior prazer temos em jogar futebol, tomar tereré, uma cerveja e fazer um som com os amigos.

    Estamos aprendendo e com certeza, não estamos prontos para ensinar nada a um filho. O que fazemos bem é dizer que papai noel não existe, mas não damos nada à criança que substitua o bom velhinho. Dizemos que as coisas são como são porque são e nunca damos uma resposta consistente para as crianças. Em suma, o melhor pai é aquele que ouve seu pai. Portanto, está na hora de nós garotos ouvirmos mais o Criador. Atentar a palavra de Deus como manual de instruções para um futuro promissor e lindo como pais de belos filhos. Não são as mulheres com seus belos corpos e amigos com sua enorme conta bancária que nos fazem homens, mas sim a graça e o amor de Deus. Nos tornamos homens por pura graça e essa graça compartilhamos com quem amamos. A todos, um brinde!

  • Um Brinde – Sobre afastamentos, crises internas e eternidade

    Um Brinde – Sobre afastamentos, crises internas e eternidade

    Nessa última semana, me senti sozinho e mal por dentro. Sozinho não no sentido “sem ninguém” da palavra, mas no sentido de “preciso de alguém para ouvir o que estou sentindo”. Tenho um amigo que também está passando por uma barra difícil e, temos lidado com isso da melhor maneira que podemos. As vezes é necessário que sofremos uma barra difícil, cuja solidão nos dê forças para revigorar nosso interior. Em alguns casos, é necessário ser traído para entendermos a imperfeição humana. As vezes é necessário que fiquemos mais alerta para não deixarmos nos influenciar pelas coisas que nos afastam de Deus. Esse texto com certeza sairá mais como um desabafo do que algo devocional ou teológico. Que Deus nos guie em amor!

    Não faz muito tempo que eu tive de me afastar de alguns amigos. Isso é até estranho, porque se afastar de pessoas que você ama é algo muito ruim e que nos machuca demais. Mas o motivo deste afastamento foi por amor a eles. Com amor, eu precisava fazer e creio que fiz a coisa certa. O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13:7). Mesmo o meu coração ardendo de desejo para estar com eles, se envolver nas coisas que eles estão fazendo, prefiro renunciar esse desejo e deixar que eles fiquem à vontade sem mim. É aí, nestes momentos, você entende que nunca fez parte daquilo. Em todo o tempo, você foi intruso, esteve lá de penetra. Não estou julgando meus amigos e esse texto nem é para falar deles, mas estou querendo dizer que até a boa amizade precisa ser interrompida quando um dos envolvidos não se sente bem com a sua presença. Esse texto é pra apontar para o nosso interior e arrumar a bagunça que existe lá. É nesses momentos que passamos quando entendemos a imperfeição e do quanto precisamos da graça de Deus.

    Talvez por essa fase de sentir-se sozinho ou por eu ainda gostar, voltei a falar com minha ex-namorada e, estamos nos dando muito bem como sempre. Passei a vê-la como uma amiga, alguém que eu posso contar ao invés de apenas desejá-la como mulher e querer que ela satisfaça minhas vontades. E é disso que quero falar: relacionamentos. Quando colocamos nossas vontades acima do querer do outro, daquilo que o outro pensa e deseja, estamos sendo egoístas e nada cristãos.

    Eu gostaria que pensássemos relacionamento como algo intrínseco e presente em nossas vidas. Indo além, nossos relacionamentos estão 24hs acontecendo, em movimento sempre e correndo riscos. Estamos sujeitos a perder amigos por causa da rotina, por causa de nossos interesses egoístas e até por não querermos entendê-los. Gostaria que pensássemos o quão nossos relacionamentos dependem da dedicação dada a eles. Sempre vai existir duas classes: colegas e amigos. Colegas são aquelas pessoas a qual fomos obrigados a ter vínculos, seja pelo trabalho, faculdade, igreja local etc. Amigos são os colegas que através de uma seleção pessoal escolhemos para que façam parte de nossas vidas. Eu valorizo ambas as classes. Zelo pelos colegas, pois sei quem os colocou em minha vida e Ele não faz nada aleatoriamente. Zelo pelos amigos, pois eles são os escolhidos de Deus para correr comigo nesse caminho chamado vida.

    No entanto, é inevitável não pensar que nunca teremos de nos afastar das pessoas que amamos. Não faz parte da nossa cultura desenvolver uma técnica que faça com que as coisas ruins da vida sejam louvavelmente agradáveis e para o nosso crescimento pessoal. Fomos ensinados que as coisas ruins só servem para uma coisa: ser tiradas de nós. Concordo que não precisamos e nem devemos ficar com algo ruim se podemos tirá-las, mas isso pode nos fazer olhar mais pra si e menos para o problema. Mais para o que é eterno e menos para o que é efêmero. Mais para Deus e menos para os homens. Se afastar de que ama dói, mas as vezes é necessário. Sofrer sozinho é algo muito ruim, mas necessário para pensarmos melhor em nossas atitudes e relacionamentos. E olhar para Deus é muito melhor do que qualquer coisa. Ele é o centro, Ele é o foco. Para quem você tem olhado?

    Um brinde!

  • Um Brinde – Decidi orar!

    Um Brinde – Decidi orar!

    Decidi deixar de pensar. Decidi deixar de ficar deitado e refletindo sobre o próximo passo da minha vida. Decidi deixar de dar conselhos. Decidi deixar de assistir filmes em dias frios. Decidi deixar de ficar procurando sempre algo pra fazer para que o tédio não me dominasse. Decidi deixar de recorrer ao Facebook para desabafar. Decidi deixar de julgar meu irmão. Decidi parar de ler os livros teológicos que estão no computador. Decidi deixar de perturbar os amigos para pedir conselhos. Decidi parar de andar nas ruas do meu bairro à procura de um extra. Decidi deixar de brigar com a minha mãe sobre questões banais. Decidi deixar de me isolar e se relacionar mais com as pessoas. Decidi parar de ler os livros literários e de sugerir bandas para os amigos curtirem. Decidi deixar de me preocupar com a faculdade. Decidi deixar de me preocupar com emprego e o que irei comer amanhã. Decidi deixar de questionar as pessoas sobre suas opções políticas para o ano que vem. Decidi deixar de cobrar meus irmãos para começarmos o culto na hora certa. Decidi deixar de exigir atenção dos outros. Decidi parar de revirar o armário a procura de uma roupa melhor para sair. Decidi parar de folhear os cadernos procurando um texto bacana. Decidi deixar de assistir coisas que não me interessam.

    Decidi deixar de pensar só em mim e em todos os sonhos que preciso realizar. Decidi parar de querer ser o teólogo mais sábio da turma que faço parte. Decidi parar de querer ensinar alguma coisa para as pessoas. Decidi parar de pedir coisas grande e financeiramente valiosas aos meus pais. Decidi parar de desabafar para pessoas que não se importam com o meu problema. Decidi parar de lutar contra os outros e contra seus ideais. Decidi parar de pesquisar sobre uma solução ao invés de procurar entender o problema. Decidi me acalmar, me sentir bem, fazer o certo, falar menos, agir com amor.

    Eu decidi orar. Decidi lançar toda minha ansiedade em Deus e deixar que ele me ajude a melhorar. Decidi buscar seus conselhos ao invés dos meus que não servem absolutamente nada pra mim. Decidi receber o carinho do Pai e o seu amor furioso por mim! Decidi chorar de joelhos e ouvi-lo sentado em minha leitura bíblica diária. Decidi ouvir mais. Um brinde!

  • Um Brinde – Se eu não fosse sincero…

    Um Brinde – Se eu não fosse sincero…

    Se eu não fosse sincero comigo mesmo, com certeza diria que era o cristão mais santo do mundo. Mas, graças a Deus, eu sou sincero e por isso digo que sou o maior dos pecadores. Desculpa-me, sou errado! Erro todos os dias por coisas triviais. Acho que os caros leitores também disso: sabe que o tal erro que está prestes a fazer é pecado. Isso irrita Deus e mesmo assim vamos lá e erramos. Estou falando do pecado consciente mesmo, aquele que calculamos e montamos estratégias. Para não escandalizar muito os irmãos, vou citar apenas dois desses pecados que fazemos quase todos os dias: fazer fofoca e cobiçar a mulher do próximo. Se você não fosse sincero negaria isso. Tudo é muito bem (mal) calculado por nós cristãos.

    Por vezes, pensamos que todos os nossos pecados são meros vacilos. A criança inocente foi lá e colocou a mão na tomada e tomou um choque. OK, a criança é inocente. Agora nós, adultos e conscientes do que é certo e errado vamos lá colocar o dedo na tomada e pegar um choque assim de graça? Não, né. E por que estou escrevendo isso? Por dois motivos: para lembrar quem somos e do que precisamos. Oro para que Deus nos guie nessa leitura em amor.

    Quando nos convertemos, somos ensinados que devemos ter uma vida de devoção como orar, ler a Bíblia, ir para os cultos, batizar e pregar o Evangelho. Tudo bem, está certinho, é isso mesmo. Mas você não concorda comigo que isso é muito pouco? Não concorda que estas ações são muito rasas diante da profundidade do evangelho? Algumas doutrinas pregam que essa “devoção” é o equivalente para sermos salvos. É óbvio que como um bom calvinista irei discordar. E não só como calvinista, mas também como ministro desse evangelho.

    Sempre digo aos meus irmãos, antes de irmos pregar nas ruas, que se não fosse a graça e pela graça de Deus, nós nem sairíamos de casa para falar desse amor que arde em nós. Não temos capacidade de transformar ninguém. Mudar até podemos, ainda assim superficialmente, agora transformar – que é algo sobre-humano, pois mexe com o íntimo, sentimentos e visões –, é algo que só o Eterno pode fazer. Essa “vida devocional” que aprendemos não é errada em si, mas também não é suficiente. Estes atributos que damos a um cristão é algo facilmente atribuído a qualquer pessoa que não tem religião alguma. É algo relativamente fácil cumprir e, se eu não fosse sincero, indicaria uma vida assim no aconselhamento do discipulado da minha igreja. E essa sinceridade toda não me faz melhor que você e sim, mas pecador consciente de quão pequeno é. Sou sincero ao ponto de afirmar que essa vida a qual fomos ensinados a levar, é mera representação dos fariseus na época de Jesus. Ele viviam a lei de pé a cabeça mas não tinham o essencial que era Cristo.

    “Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Romanos 10:4)

    Usar Jesus para ter um referencial filosófico, uma identidade para pôr na ficha do IBGE quando te perguntarem qual a sua religião e como mantra religioso é, no mínimo, constrangedor. Cristo não permite ser usado, Ele é quem usa. Não permite ser secundário, Ele é o centro. Ele nunca vai ser figurante mas sempre o artista principal. E se nós não fôssemos sinceros, iríamos veementemente negar isso, mas como somos, honramos e louvamos o nome de Jesus. Então o que há de errado com nossas vidas devocionais? Essa vida de oração, leitura bíblica diária e pregação? É justamente o que disse no começo do texto: isso não é suficiente. O evangelho nunca vai ser esse roteiro dado por nossos lideres. Nunca será uma simples apostila com três ou quatros heresias e só.

    Evangelho é renúncia. Renúncia até mesmo de uma vida morna. Renúncia até de uma apologética que defende a igreja local. O que Jesus fez aqui na terra? Renunciou. Ele saiu do seu trono maior, da condição de soberano e se fez homem. Cristo renunciou e nos deixou esse exemplo. Devemos orar, não pra cumprir um mero devocional, mas para renunciar o tempo em que assistimos nossas séries; devemos ler a Bíblia, não para aprendermos mais de Deus, mas para renunciar o tempo em que passamos nas redes sociais; devemos sim pregar, não apenas para cumprir o IDE e sim para renunciar nossas idas ao shopping. Evangelho é renúncia e o nosso devocional diário deve ser consequência dessa renúncia.

    Se eu não fosse sincero, diria que cumpro tudo o que falei, mas não cumpro. Se eu não fosse sincero, diria que estava prestes a me tornar um cristão exemplar, mas não estou. Se eu não fosse sincero diria que oro mais do que assisto séries, mas não oro. Se eu não fosse sincero, diria que leio mais a Bíblia do que fico nas redes sociais, no entanto não leio. Se eu não fosse sincero, diria que minha vida devocional está perfeita, mas não está. E do que vale essa sinceridade? Vale de reconhecimento próprio. Nós precisamos disso: olhar para dentro e reconhecer essas falhas que existem em nós. Assim, entender que cada gesto e atitude que tomamos devem ser para glória de Deus.

    Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. (1Coríntios 10:31)

    Que sejamos sinceros irmãos, pois isso vai nos ajudar a melhorarmos como filhos de Deus. Um brinde!

  • Um Brinde – “A rua é nós!”: Frase de um missionário urbano

    Um Brinde – “A rua é nós!”: Frase de um missionário urbano

    “A rua é nós” é uma frase muito conhecida no meio daqueles que curtem rap nacional. É o grito de guerra do rapper Emicida e, como o próprio diz, não é uma coisa só dele, pois outros também podem dizer isso se viverem isso.

    De uns tempos pra cá, essa frase virou meu jargão diário: fico repetindo isso o dia todo em vários momentos que consigo adaptá-la. Principalmente em conversas com os meus amigos mais próximos, quando constantemente conversamos numa linguagem bastante informal e mandamos até freestyles durante a conversa, isso começou a fazer um sentido intrínseco na minha vida.

    Há mais ou menos dois meses atrás reativei minha vida de missionário urbano. Quando fazia parte do movimento neopentecostal, era missionário sem o cargo nominal do pastor, mas fazia a função: ia de manhã pra igreja, limpava e falava de Deus pra quem passava pela rua da mesma, a tarde ia pra aula e também evangelizava, a noite geralmente tinha culto e quando não tinha, eu ministrava para o grupo de jovens. Quando mudei de igreja, passei a ser líder de jovens em outra comunidade local. Eu sempre convivi com essa galera e fui pra essa comunidade justamente para liderar este grupo. É óbvio que eu era inexperiente, mas sabia como falar com eles, afinal eu era um deles.

    Na Escola Bíblica Dominical, sempre procurava falar um linguagem acessível para que eles entendessem que eu não era mais puro e nem merecedor, mas sim um deles. Hoje, tendo um ministério para cuidar e sabendo que preciso aprender muita coisa ainda e que não sei 1% do que preciso saber para liderar um ministério, eu levo as missões urbanas como algo mais sério. Considero uma atividade primordial na igreja e que esse é o nosso papel fundamental.

    Sobre o Emicida: conheci seu trabalho em 2014, apesar de ouvir uma música ou outra dele entre as mídias que eu tinha acesso na adolescência. Eu passei a ser fã do artista e de como sua rima fazia sentido demais para a nossa vida diária. Não só no sentido cristão, mas na vida diária mesmo, como quando você acorda atrasado para o trabalho, tendo que tomar aquele banho meia-boca, engolir um pão com café e correr para pegar o ônibus – que geralmente sai lotado de manhã. As letras do Emicida são bastante sinceras e ouvindo ele penso: se 50% dos artistas intitulados gospel fossem sinceros assim em suas letras como são as do Emicida, o gospel seria o melhor tipo de música pra se ouvir no Brasil. É só pôr a Verdade que temos através da Bíblia com o que vivemos diariamente. É isso que tentam fazer no novo movimento né? Hibernia, Tanlan, Palavrantiga, Lorena Chaves, Bruno Branco e essa galera enorme que faz um bom trabalho cristão. Sua relevância para o cristianismo e principalmente para as missões urbanas, são grandes. Basta lapidar nossa cosmovisão e entender isso. Fiquei sabendo que até o Marcos Almeida já usou uma das músicas do rapper em suas palestras.

    Mas o que essa frase em questão tem de fato a ver com as missões urbanas? Ilustrarei aqui três pontos:

    1º) A rua é um campo missionário, portanto devemos fazer parte dela. Talvez haja uma falta de compreensão enorme quando é falado “a rua é nós!’ Muitos podem achar que isso é uma expressão de posse da rua como algo tipo “é meu, ninguém chega perto” e etc. Mas uma pequena análise de concordância gramática percebemos que há uma diferença significante entre “nós” e “nossa”. “Nós” indica primeira pessoa do plural, ou seja, significa “nós fazemos parte disso”. Já “nossa” (ou “nosso”) realmente indica posse e não é isso o que a frase propõe. É mais simples para nós irmos para a rua falar de Jesus para as pessoas com a proposta de levarmos-as pra nossa comunidade local. Isso é errado? Não. Devemos mesmo discipular os novos convertidos, mas a questão é essa: o ato missionário nem sempre acaba em conversão, então nos privar da realidade das ruas porque não conseguimos atrair todos a quais pregamos, é um erro que precisa urgentemente ser corrigido. Avalie comigo: se você é um(a) trabalhador(a) ou estudante universitário, vai ter que concordar que passa 85% do dia fora de casa e boa parte desse tempo, passa nas ruas. Em outros casos, esse número aumenta para 90%, que é aquela turma muito ocupada e que só vai em casa pra dormir. Ainda vai negar que você faz parte da rua? Nós fazemos parte disso e refutamos com o argumento de que precisamos levar as pessoas para as igrejas. Ao invés de dizermos “vai e não peques mais”, dizemos “vem comigo pra minha igreja”. Talvez isso seja um vício da nossa cultura ou consequência do conceito de que é necessário achar um destino pra tudo. A rua é um campo missionário, então negar que não fazemos parte dela, é negar que somos missionários urbanos.

    2º) O maior campo missionário de Jesus foi as ruas

    Não entendo essa supervalorização dos templos quando nosso exemplo maior pregou a verdade mais nas ruas para pecadores do que em quatro paredes para santos. Não me entenda mal: não tô refutando a importância da comunidade local, como já disse, ela é importante para o discipulado, mas ela não é algo fim. Quando evangelizamos nas ruas a pergunta que mais ouvimos é “de que igreja vocês são?” Respondemos que fazemos parte de um ministério independente e que não temos ligação com nenhuma igreja institucional. E o mais engraçado nisso é que eles nos recebem bem. Talvez pelo modo que conversamos ou porque o nome de uma instituição religiosa já vem carregada de informações, mas somos bem recebidos e vemos o claro interesse das pessoas para conhecer esse “ministério independente” que falamos. Jesus andava pela ruas falando de amor e salvação, e se você tivesse vivido naquele tempo, o último lugar que você deveria procurá-lo era num templo. Não que ele não fosse lá ou algo assim, mas ele não se restringia àquele lugar. A rua é o nosso referencial de pregação e, como um simples e inexperiente missionário urbano, meu conselho é: vivam o evangelho até debaixo d’água, pois eu te garanto, Jesus viveria isso lá também. Quando dizemos que “a rua é nós”, estamos claramente dizendo que não estamos a par do mundo e nem dividindo ele entre sagrado e profano, estamos vivendo essa realidade, mesmo sendo de outra forma. Jesus não pediu para que Deus nos tirasse do mundo (das ruas) mas que nos guardasse do mal (João 17:15). Viva a rua manos!

    3º) Se a rua não for nós, ela será o crime

    Eu odeio ter que apelar para coisas que emitem uma drástica consequência, por exemplo: se você não se arrepender vai para o inferno. Mas isso que digo como o terceiro ponto da frase de Emicida, é real. Se a rua não for nós, missionários urbanos e cristãos que pregam a Verdade de Cristo, ela será continuamente esse crime doido que nos cerca. É simples proteger os nossos debaixo do teto dos nossos templos, guardá-los em nossos arrais e impedir que os impuros nos influencie para o caminho do mal. Eu lembro que quando tinha mais ou menos 9 anos, era privado de ouvir rap por ser “música de bandido”. Resultado: cresci ignorante e com a consciência de que o mundo era só paz e amor e com coisas lindas no mundo. O rap é dedo na ferida como canta o próprio Emicida e, o evangelho não é diferente: ele confronta nossos pecados e nos mostra o quanto somos inferiores e dependentes de Deus. Se não pregarmos consciente de que as pessoas que encontramos na rua são complexas e que precisam ouvir a verdade, o crime e as mazelas modernas irão dominar e aumentar o esteriótipo de que rua não é lugar de pessoas decentes. Quantas vezes já não fui parado pela polícia na rua por estar andando fora de hora comercial e isso, porque o evangelho está infelizmente restrito somente a comunidade local e a eventos evangelísticos. Relacionar-se com a cultura que estamos envolvidos virou um pecado social e que deve ser evitado. E é assim que queremos salvar os perdidos? É com essa visão fajuta das ruas que temos que queremos que o drogado, a prostituta, o ladrão, os pivetes do crime sejam salvos? Vou ficar olhando daqui sentado para não cansar, pois isso é utopia. Para o caro leitor que me acompanha aqui nessa humilde coluna, aconselho que procure ouvir a discografia do cantor, pois vamos falar muito dele ainda justamente por várias de suas músicas terem uma relevante ligação com o cristianismo.

    Papo reto: a rua é nós porque Jesus nos deixou uma missão: “E disse-lhe: ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15) e se Ele disse para irmos pelo mundo pregar sua palavra, nada mais óbvio que procurar conhecer esse mundo que estamos envolvido. Meu conselho: sejam cristãos onde forem e isso envolve a parada de ônibus, faculdade, local de trabalho, terminal urbano, trânsito e principalmente, nas ruas. A rua é nós! Um brinde!

  • Um Brinde – O meu chamado é ser ponte

    Um Brinde – O meu chamado é ser ponte

    Nunca parei para refletir sobre o “meu chamado” e sobre para quê Deus me chamou na sua obra. Em miúdos, nunca me questionei sobre “quem sou eu no corpo de Cristo?” Mas reflito sobre uma citação do Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Acredito que o meu chamado (não só o meu) foi assim: Deus quis, eu sonhei e assim a obra está sendo feita.

    Deus me colocou em um lugar onde poucas pessoas acham/pensam que é um chamado: chamou-me pra ser ponte entre o homem e o Evangelho. Em Mateus capítulo 5, verso 16, Cristo nos orienta a sermos luz para que possamos dar testemunho da graça de Deus. Eu posso ser missionário e mesmo assim não ser ponte. Ou seja, posso falar de Deus por aí, mas se não viver o tal Evangelho que prego, soo hipócrita e herético.

    Pontes têm a função de ligar, estabelecer relações, conectar. Pontes são referências. Principalmente aqui em Rio Branco, onde moro, cujas cidades definimos pelas pontes que as ligam.

    No entanto, ninguém quer fazer o papel de “ponte” no corpo de Cristo. Talvez porque seja mais atrativo ser pastor, missionário, cantor, palestrante, escritor, teólogo etc. Talvez pelo modismo neopentecostal impregnado em nossa cultura evangélica do quanto mais alto, melhor. Talvez seja porque fomos ensinados a sempre querer mais do que já temos. O Reverendo Geoffrey Thomas escreveu um artigo em 2013, intitulado O Chamado para o Ministério, e aqui eu separo algumas frases do autor que serviram de base para o título desse texto: “Uma vez que você entender que o seu trabalho deve ser focado principalmente no serviço ao Senhor, então você terá o desejo de saber onde poderá melhor apreciar o que isso requer.”

    Entendi que o meu chamado é ser ponte quando me toquei que toda minha vida reflete o amor do Pai. É claro que quem discorda dessa definição vai dizer que todos os outros “chamados” tem essa função. Compreendo. Mas o que digo é: ser ponte é estar aberto a todos os grupos sociais. Este é o meu chamado, porque Deus me capacitou para comunicar-se com todas as tribos e, isso é característica de poucos cristãos atualmente. Sou ponte, pois Jesus foi ponte e não impôs limite e nem padrão de “pessoas evangelizáveis”.

    É fácil falar de Deus para um universitário, por isso quero ver falar para um pedreiro. É simples evangelizar casais, quero ver evangelizar homossexuais. É tão fácil falar do amor de Deus para as gatinhas da praça, quero ver falar desse amor às prostitutas. Se você também não impõe limites e acha necessário que todos ouçam o Evangelho, então esqueça o cargo nominal que te deram na sua igreja pois você é ponte.

    “Os pais da Igreja, os Reformadores, os Puritanos e muitos outros o fartarão como modelos ministeriais” O estudo. Esse é um dos pontos fundamentais para um ministério. Estudar a bíblia, teologia, filosofia e o melhor, estudar a história da Igreja, nos ajuda bastante a entendermos o nosso chamado. “O ministério não é lugar para homens solitários ou sem amigos.” Quando estou próspero de bônus no celular, ele freneticamente já espera meus dedos discarem os números de amigos. É para eles que conto as minhas dores e risos, peço oração e opiniões sobre qual decisões tomar. Mas acima de tudo, evangelho é compromisso e não entretenimento. Não é para “ter algo pra fazer” e sim para cumprir aquilo que Deus quer pra nossas vidas. “(…) é o Senhor que faz com que os homens sejam pescadores de homens.” Acredito que só vamos parar de fazer balanços entre os dons ministeriais quando entendermos isso: é Deus quem escolhe, chama e capacita.

    Devemos ser essa ponte que conecta o evangelho aos pecadores e os conduz a Cristo. Pontes para quem tem dificuldades em enxergar o cais do outro lado. Por isso, a cada dia precisamos viver o Evangelho, pois sem Ele, o ministério não faz sentido. Sem Cristo não existe nem evangelho e nem ministério. Sejamos pontes. Um brinde!

  • Um Brinde – “Gravidade” do Supercombo e o otimismo cristão

    A música que dominamos como “secular” a ser analisada hoje nessa humilde coluna se chama “Gravidade”, da banda Supercombo. Já fazia tempo que eu queria fazer uma série de textos de músicas do Supercombo e, acho que agora vou conseguir fazer isso. Esta banda de rock é, indiscutivelmente, uma das melhores do cenário nacional. E depois de sua passagem pelo reality show Superstar da Rede Globo, sua notoriedade ficou mais ampla.

    Conheci a banda no início de 2014 e foi logo quando lançaram seu álbum mais ousado, Amianto. As letras e voz de Léo Ramos, baixo de Carol Navarro, guitarras de Pedro Ramos, os teclados de Paulo Vaz e a batera do Raul, são elementos que estranhamente se combinam e mesmo sendo muito diferentes um do outro, eles conseguem ser bem parecidos quando se trata de música boa. Para quem me acompanha a mais tempo, sabe que já escrevi aqui sobre pessimismo baseado em um outro texto do meu colega Tiago Junior. Mas hoje eu quero falar um pouco do otimismo cristão.

    A música fala de duas pessoas e aí você pode encarar essas “duas pessoas” como bem quiser: relação de homem e mulher, relação de amigos, relação de chefe e empregado e, até relação do homem e Deus. Decidi elencar alguns trechos da música e relacionar com o nosso comportamento otimista. Que o Senhor nos guie em amor e nos faça perceber que precisamos muito dele.

    Eu vou te mostrar o quanto eu sou

    Capaz de aguentar o que for Preciso

    Preciso

    A música já começa com uma promessa: “eu vou te mostrar”, que indica a necessidade de aguardar. Cristo disse que voltaria a nós (João 14:18). Essa segurança que temos diante de situações as quais nos mostramos fracos são essenciais para o nosso aprendizado e crescimento. Mais a frente, o eu lírico explica o porquê da promessa e justifica que vai mostrar que ele é “capaz de aguentar o que for preciso”.

    Cristo aguentou o que foi preciso morrendo na cruz, mesmo muitos não acreditando e esperando que ele desse um jeito de escapar dali. Afinal de contas, Ele era o filho de Deus, tinha poder, podia sair dali a qualquer momento e se livrar da morte. Nós muitas vezes agimos assim: podemos escapar daquela amizade que só nos leva pra pior, podemos terminar com aquele namorado chato que só quer o nosso corpo, podemos terminar com aquela garota que só olha pra nossa conta bancária, podemos sair do nosso curso chato que entramos só porque não conseguimos algo melhor no ENEM. Mas, mesmo assim, não o fazemos. Continuamos firmes, mesmo com sequelas, continuamos mesmo não sabendo o porque. Levamos tanto tapas na cara que até nos perguntamos se realmente devemos passar por isso. E isso acontece por que? Não tenho outra resposta senão o pecado. Ele é o que nos afasta de Deus e Deus é O Alfa e Ômega, Ele é quem manda e desmanda, quer e efetua. Ele não compactua com o pecado. Mas nós somos capazes.

    Lembro que quando fui fazer a prova para entrar no curso de música, eu fiz uma singela oração: “Pai, seja feita a Tua vontade / Mesmo que essa vontade implique na minha tristeza / Na minha derrota e na minha ira / Seja feita somente a Tua vontade!” Quando nós fazemos isso, Deus nos responde com um “eu vou te mostrar o quanto eu sou / capaz de aguentar o que for preciso”. Esse “aguentar” significa a paciência de Deus com os nossos pecados. E onde está o otimismo nisso tudo? Na plena confiança em Deus.

    Estou há mais ou menos 6 meses sendo missionário urbano e, até hoje nenhuma pessoa chegou pra mim e disse “Jhonata, eu quero viver pra Jesus agora. Ore por mim!”. Detalhe: “ore por mim!” eu sempre ouço mas o “eu quero viver pra Jesus agora” não. Mas eu creio na soberania de Deus e sei que todo o processo de conversão de qualquer individuo é dEle. Eu disse TODO O PROCESSO. A minha ação de ir e pregar não é um fim para a conversão, pois Deus já escolheu os seus antes da fundação do mundo (Efésios 1:4).

    Não há nada

    Que nos prenda

    De alcançar um lugar ao sol

    Largar o que é ruim

    Não esquenta

    Um dia agente vai envelhecer

    E rir do que passou

    Essa é a parte mais otimista da música. “Largar o que é ruim” tem tudo a ver com o que eu disse mais acima: largar o pecado e viver pra Deus. Aqui a música nos dá um outro indicativo interessnte: não há nada. Graças a morte de Cristo, a misericórdia infinita do nosso Deus e a sua graça em nos amar e salvar, podemos dizer que não há nada que nos prenda e impeça de buscarmos o Pai. O maior inimigo de nossas vidas somos nós mesmos. O nosso próprio pecado confronta com toda nossa boa vontade. Largar o que é ruim é reconhecer que precisamos de melhoras. Precisamos ser mais humildes e otimistas com as nossas escolhas.

    Devemos mostrar para Deus que podemos suportar o que for preciso para agradá-lo. Podemos aguentar toda essa confusão que nos ronda no mundo, podemos suportar as crises existenciais, filosofias erradas e até a morte se for preciso em amor do seu nome. Por amor a sua graça, a Ele e por tudo que ele faz por nós. O maior otimismo de nossas vidas é a fé. E não é uma fé barata e nem suspeita, é a fé em Cristo que nos salvou mesmo antes de nascermos. O amor dele nos faz ser otimistas mesmo quando somos pessimistas.

    Meu caso, por exemplo, sou pessimista com o homem e com a política, mas minha fé me possibilita crer em dias melhores. Eu não sairia da minha casa para evangelizar se eu não acreditasse na mudança do homem. Mas eu acredito e acredito que podemos largar o que é ruim todos os dias: a começar pelo nosso orgulho, algo muito grande; e depois pelos nossos mais íntimos pecados que nos afastam de um vida em santidade com Cristo. Ouça a música inteira e ore para que Deus trate o que há de ruim em você. Um brinde!

  • Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Na semana passada, Lucas Silveira, vocalista do Fresno, tocou uma canção inédita no Estúdio Salaquar, chamada “Poeira Estelar”. Eu sou muito fã do trabalho dele e tudo que ele faz (musicalmente) me agrada. Ficou mais velho, amadureceu, vai ser pai ano que vem e, evidente que suas letras ficaram mais profundas. “Poeira Estelar” é um tipo de música que vai na alma, pois confronta com nossas limitações e problemas que passamos no dia-a-dia. A canção foi interpretada no Hangar 110, no último dia 10, juntamente com mais duas inéditas, que seguem uma vibe cósmica em sua parte lírica. Lucas já compôs algumas músicas em parceria com Rodrigo Tavares (Esteban) para a Fresno, cujas letras reforçam o ceticismo do autor. Mas essa não é uma canção ateísta e nem para xingar Deus, ou algo do tipo. Antes de tudo, eu tenho algo pra dizer aos meus três tipos de leitores:

    1. Aos cristãos que não ouvem música secular (especificamente Fresno): Se um artista cristão tivesse composto essa canção e cantasse com a mesma intensidade, ela também estaria sido escrita aqui só que de uma maneira mais superficial. Antes de qualquer conclusão, ouça a música umas trocentas vezes, leia a letra separadamente e depois ouça mais uma vez com uma cosmovisão cristã bem profunda. Garanto que será benção para você.
    2. Aos cristãos que ouvem de tudo (inclusive Fresno): Reflitam que essa música talvez seja um instrumento de Deus para te abençoar. Quando ouço algo, a primeira coisa que busco, antes de prestar atenção no arranjo, voz, bateria, efeitos, loops e se a levada é legal, é saber se consigo tirar algum princípio cristão dali. Não sejam relaxados ao ponto de só aconselharem músicas que vocês gostam porque já ouvem há muito tempo. Lembro que um dia desses indiquei umas músicas da banda Rebanhão a um amigo. Acreditem, eu nem ouço Rebanhão. Não tenho Rebanhão no meu computador e não sei nada da banda, mas algumas músicas deles são bem profundas e sabendo disso, sugeri a um amigo. E detalhe: nós não estamos analisando a qualidade da música e sim a sua mensagem.
    3. Aos fãs de Fresno (cristãos e não cristãos): Por último, mas não menos importante, falo diretamente aos fãs da banda do Lucas. Primeiro parabenizo vocês por terem um bom gosto musical e, segundo, digo que vocês tem muitas mensagens positivas em mãos. Não só no sentido romântico, que até 2009 era uma característica forte da banda, mas no sentido existencial também. Quando o Lucas brada que “nós somos a maré viva!”, ele está dizendo que vocês, nós todos juntos somos maior que qualquer coisa. “A gente pode crescer, perdendo a batalha”. É isso que o compositor diz em “Maior que as Muralhas”. Sei que há ateus dentre os fãs da Fresno, mas por favor, fiquem até o final do texto e entendam que o Piloto que comanda os cometas tem muito a dizer a vocês e ao Lucas.

    “A cada filho que perde um pai
    Quando o fardo é pesado demais
    Quando o amigo trai
    E você sente aos poucos a visão se enturvar
    E a esperança evanescer
    E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”

    Nessa primeira parte da música, Lucas Silveira tenta mostrar, mais ou menos, as dores que sofremos em nossas vidas. Desde o EP Eu Sou a Maré Viva, lançado ano passado, o compositor tem apresentado canções futuristas e outras até apocalípticas. No documentário de gravação do EP comentado, em uma conversa com o rapper convidado Emicida, Silveira explica a música “Manifesto” como uma ideia de “evangelho”. E, aqui, eu cito as próprias palavras do autor: “A gente faz várias coisas e se importa com tantas coisas mas na verdade um dia pode vir um asteroide e ‘baah!’ explodir tudo e, isso não vai significar nada no contexto do universo… Essa é a viagem! É evangelho né!? Tu pira no evangelho!”

    Quando um amigo nos trai qual a nossa primeira reação? Ficamos tristes, com raiva, querendo matar o traidor. Mas isso não vai mudar em nada. No filme João & Maria, quando enfim os irmãos conseguem matar a grande bruxa, João olha para a cabeça da bruxa e exclama: “A vingança não muda o passado!” E é exatamente isso que acontece com a gente: queremos explodir o mundo quando as coisas não vão bem, mas isso não muda a nossa existência, dores, defeitos e guerras. O fato do seu amigo ser ateu não muda o fato de que Deus existe. Não é o ceticismo dele que vai fazer com que Deus perca o poder ou a sua soberania. Entende?

    “E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”. Nessa parte, Lucas começa a tocar mais profundamente o meu coração e nesses momentos eu agradeço a Deus por, mesmo com toda essa crise política que tem tanto decepcionado o nosso país, é possível ainda olhar pra frente e bradar que ainda não acabou. Essa chama que irá queimar nossas memórias é a própria Palavra de Deus. É nela que iramos encontrar o sacrifício de Jesus na cruz por nós e entender que Ele abriu mão de ser Deus para ser homem. A frase de Jesus para nós nesses momentos de crises existenciais foi: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Mano, Ele venceu o mundo! Nossa luta não é pra vencer o mundo. Essa luta já foi vencida e nós já não temos preocupação nenhuma com isso, mas a nossa luta é contra nós mesmos e esse orgulho que nos impede de dizer: “Deus, sou pecador, preciso do teu perdão!”

    “Só pra ver, testemunhar
    E nada nesse mundo há de apagar
    Pois somos feitos de histórias
    Se o mundo lá fora quer te apunhalar
    Lembre que seu corpo é só poeira estelar
    Tudo que importa é o agora e nada mais
    Tudo que nós temos é apenas o que a gente faz”

    Somos feitos de histórias. E nesse sentido eu me identifico muito com o Lucas e pergunto: “Quais histórias vocês tem pra contar?”. Estou em processo de escrita do meu livro e as pessoas me perguntam muito do que se trata e, eu sempre digo que é um livro de crônicas sobre minhas perspectivas e um pouco da minha história. Não quero rotulá-lo como auto-biografia, pois não é. Sou feito de passado, presente e futuro. Fomos feitos para estar dentro do tempo e, Deus nos fez para sermos humanos que entendem de horas, meses e anos. Mas Ele não: Ele não se encaixa dentro do tempo, não envelhece e nem se enfraquece. Para nós, o que fazemos tem relevância significativa para nossa realização pessoal, mas para Deus o que fazemos já estava nos planos dEle. Sem querer entrar no debate teológico “arminianismo x calvinismo” eu digo que, se nós fecharmos os olhos e ficarmos o dia todo estáveis, é porque Deus tinha um plano para que aquilo acontecesse. Se o acaso fosse tão inteligente ao ponto de comandar seres humanos, ele se renderia a Alguém que é maior do que ele e diria que Deus é Deus sobre todos e que cada ato nosso gerará consequências boas ou ruins a qual para Deus nunca serão surpresas, pois Ele sabe de tudo. Max Lucado escreve no livro “Antes de dizer amém” que

    “Ele [Deus] tem autoridade sobre o mundo e… Ele tem autoridade sobre o seu mundo. Sobre o seu sono. Os seus hábitos alimentares. O seu salário. O tráfego da viagem diária. A artrite em suas juntas. Deus reina sobre tudo isso. Ele jamais fica surpreso. Ele nunca, jamais pronunciou a frase: ‘Como isso aconteceu?’” (pág. 40)

    Ele sabe de seus mais íntimos desejos. Ele sabe de suas complexidades e de como o universo vai mal. E essa é a nossa segurança, pois Ele sabe de tudo e nunca vai nos dar um fardo maior do que podemos carregar. Seu fardo é leve (Mt 11:30).

    “Quem é esse ser que pilota os cometas?
    Por que é que desvia do nosso planeta?
    Só pra ver, testemunhar, o quanto a gente pode suportar
    Nos ombros
    O peso das memórias”

    Aqui o compositor faz o questionamento “Quem é esse ser que pilota os cometas?” E eu respondo: Deus. Como eu já disse logo acima, Ele sabe de tudo e é soberano sobre tudo e todos. E essa interpretação de que ele desvia do nosso planeta, ou seja, da Terra, é uma interpretação superficial demais pois Deus se relaciona o tempo todo conosco, nós é que não percebemos. Ele não é um deus rabujento que só quer no julgar. Ele é bom e suas misericórdias não têm fim. Ele nos ama como um pai ama seus filhos. Ele nos olha com atenção e nos abençoa com saúde, força e inteligencia todos os dias.

    O nosso problema é que nós achamos que o pecado não é culpa nossa, e nós só agimos assim porque isso lá no fundo não é errado. Quando deixarmos de ver o pecado como algo tão natural ao nível de não nos incomodarmos mais em praticá-lo e enxergarmos como algo que nos distancia de Deus, conseguiremos ver que esse Ser que pilota os planetas está tão próximo de nós ao ponto de podermos senti-Lo. Eu entendo que existem momentos em que nossa fé é confrontada e achamos que Deus é só uma válvula de escape. Tenho um amigo ateu que diz que nós cristãos somos as pessoas mais carentes do mundo e, por isso criamos a figura de um deus bondoso e que vai nos tirar daqui e levar para um lugar melhor. Em resposta eu digo que nós somos sim carentes, mas não trouxas. Somos carentes pois ansiamos todos os dias um contato com o Criador, com o nosso Pai celestial e, sem Ele o vazio que existe em nós só aumenta. Eu encerro citando Max Lucado mais uma vez: “Se Deus é, ao mesmo tempo, Pai e Criador, Santo – diferente de nós – e superior a nós, então estamos, seja qual for o lugar, apenas à distância de uma oração do socorro”. Um brinde!