Nessa última semana, me senti sozinho e mal por dentro. Sozinho não no sentido “sem ninguém” da palavra, mas no sentido de “preciso de alguém para ouvir o que estou sentindo”. Tenho um amigo que também está passando por uma barra difícil e, temos lidado com isso da melhor maneira que podemos. As vezes é necessário que sofremos uma barra difícil, cuja solidão nos dê forças para revigorar nosso interior. Em alguns casos, é necessário ser traído para entendermos a imperfeição humana. As vezes é necessário que fiquemos mais alerta para não deixarmos nos influenciar pelas coisas que nos afastam de Deus. Esse texto com certeza sairá mais como um desabafo do que algo devocional ou teológico. Que Deus nos guie em amor!
Não faz muito tempo que eu tive de me afastar de alguns amigos. Isso é até estranho, porque se afastar de pessoas que você ama é algo muito ruim e que nos machuca demais. Mas o motivo deste afastamento foi por amor a eles. Com amor, eu precisava fazer e creio que fiz a coisa certa. O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13:7). Mesmo o meu coração ardendo de desejo para estar com eles, se envolver nas coisas que eles estão fazendo, prefiro renunciar esse desejo e deixar que eles fiquem à vontade sem mim. É aí, nestes momentos, você entende que nunca fez parte daquilo. Em todo o tempo, você foi intruso, esteve lá de penetra. Não estou julgando meus amigos e esse texto nem é para falar deles, mas estou querendo dizer que até a boa amizade precisa ser interrompida quando um dos envolvidos não se sente bem com a sua presença. Esse texto é pra apontar para o nosso interior e arrumar a bagunça que existe lá. É nesses momentos que passamos quando entendemos a imperfeição e do quanto precisamos da graça de Deus.
Talvez por essa fase de sentir-se sozinho ou por eu ainda gostar, voltei a falar com minha ex-namorada e, estamos nos dando muito bem como sempre. Passei a vê-la como uma amiga, alguém que eu posso contar ao invés de apenas desejá-la como mulher e querer que ela satisfaça minhas vontades. E é disso que quero falar: relacionamentos. Quando colocamos nossas vontades acima do querer do outro, daquilo que o outro pensa e deseja, estamos sendo egoístas e nada cristãos.
Eu gostaria que pensássemos relacionamento como algo intrínseco e presente em nossas vidas. Indo além, nossos relacionamentos estão 24hs acontecendo, em movimento sempre e correndo riscos. Estamos sujeitos a perder amigos por causa da rotina, por causa de nossos interesses egoístas e até por não querermos entendê-los. Gostaria que pensássemos o quão nossos relacionamentos dependem da dedicação dada a eles. Sempre vai existir duas classes: colegas e amigos. Colegas são aquelas pessoas a qual fomos obrigados a ter vínculos, seja pelo trabalho, faculdade, igreja local etc. Amigos são os colegas que através de uma seleção pessoal escolhemos para que façam parte de nossas vidas. Eu valorizo ambas as classes. Zelo pelos colegas, pois sei quem os colocou em minha vida e Ele não faz nada aleatoriamente. Zelo pelos amigos, pois eles são os escolhidos de Deus para correr comigo nesse caminho chamado vida.
No entanto, é inevitável não pensar que nunca teremos de nos afastar das pessoas que amamos. Não faz parte da nossa cultura desenvolver uma técnica que faça com que as coisas ruins da vida sejam louvavelmente agradáveis e para o nosso crescimento pessoal. Fomos ensinados que as coisas ruins só servem para uma coisa: ser tiradas de nós. Concordo que não precisamos e nem devemos ficar com algo ruim se podemos tirá-las, mas isso pode nos fazer olhar mais pra si e menos para o problema. Mais para o que é eterno e menos para o que é efêmero. Mais para Deus e menos para os homens. Se afastar de que ama dói, mas as vezes é necessário. Sofrer sozinho é algo muito ruim, mas necessário para pensarmos melhor em nossas atitudes e relacionamentos. E olhar para Deus é muito melhor do que qualquer coisa. Ele é o centro, Ele é o foco. Para quem você tem olhado?
Um brinde!

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