Categoria: Um Brinde

  • Crítica: Você não Precisa de um Chamado Missionário – Yago Martins

    Assim que eu soube que o Yago Martins havia publicado um livro, eu rapidamente quis comprar. E, após descobrir que era sobre missões, minha vontade de ter o livro só aumentou. Pessoas como Augustus Nicodemus Lopes, Norma Braga, Renato Vargens e Solano Portela comentaram o livro, e quando você ver essas feras falando bem de uma obra, pode comprar, pois é garantia boa na certa.

    Quando estou desejando muito algo, costumo pregar numa folha A4 no meu quarto o que devo comprar em determinado mês. Meu amigo Marcos não pôde me dar nada de presente no meu aniversário (que foi em maio) e então no mês de junho ele perguntou: “Naquele dia fomos no shopping e vi que você se interessou pela camisa dos Beatles, mas também sei que você quer muito o livro do Yago. Então, o que você quer ganhar de aniversário?”. Eu fiquei na dúvida, porque para mim a pergunta soou como: “você quer beber água ou comer pelo resto da vida?”. Fui pego em vícios que não consigo me libertar: MÚSICA e BEATLES de um lado e LIVROS e TEOLOGIA do outro. Mas optei pelo livro do Yago. Confesso que foi uma das melhores decisões que tomei nesse ano. Entendi o título já de cara, exatamente por entender que o IDE é uma ordem e não um pedido ou um mero chamado.

    O livro me ajudou bastante principalmente no quesito motivação:

    “A obra missionária é um meio para a glória de Deus – e isso é o que nos motiva […] Precisamos de motivações cristocêntricas, e é sobre isso que fala o texto de Mateus 28:18,19. Se isto é verdade, então encontramos uma ótima indicação bíblica sobre como nos tornamos pessoas cada vez mais motivdas a pregar o evangelho às nações.” (pág. 34)

    Como missionário urbano, dedico-me a cumprir o IDE e a agenda do ministério o qual faço parte. Mas, foi lendo o livro que eu parei para refletir sobre minhas reais motivações para pregar o Evangelho. Yago expressa isso biblicamente também: “O motivo pelo qual precisamos falar sobre motivações é que a bíblia fala sobre motivações. Ela é repleta de mandamentos sobre isso. O famoso Sermão do Monte mostra Jesus interpretando os Dez Mandamentos e outros preceitos da Lei judaica de um modo que não se prende apenas à ordenança em si, pois vai ao âmago da motivação por detrás de cada ensino” (Mt 5:21-48) (pág. 23). Eu não costumo fazer resenha de livros justamente por considerar uma publicação algo complexo e particular, mas este em especial, apresenta uma série de ensinamentos muito importantes principalmente para quem está pensando se deve ou não evangelizar mais do que evangeliza. O legal de Você não Precisa de um Chamado Missionário é defender algo que sempre digo quando estou pregando sobre missões: “Convidar pessoas para ir à igreja não é evangelizar!” Por fim, eu digo, nessa curta resenha, que o livro é muito bom. Vale a pena comprar e usá-lo até em pequenos grupos para ministrações e palestras sobre missões. É necessário que possamos entender que o IDE já nos foi dado. Precisamos obedecer a Grande Comissão. Um brinde!

  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    No início da série, falei um pouco do significado de apologética e expliquei um pouco o título. Vimos algumas características de pessoas que defendem sua igreja local de maneira errada, no entanto, comprovamos que a apologética cristã é sim necessária. Hoje, dando continuidade a série, vamos atentar um pouco aos desafios que enfrentamos para defender nossa fé. O nosso ponto de partida é o texto de 1 Pedro 3:15:

    “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados par responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;”

    Observamos aqui seis palavras muito importantes que precisam ser categoricamente estudadas quando lemos esse pequeno versículo: “santificai”, “preparados”, “responder”, “mansidão”, “razão”, “esperança”.

    SANTIFICAI: O contexto de “santificai” aqui é muito claro: sejam compreensivos. E isso é um fator muito ignorado pelos que se dizem apologistas modernos. A fé cristã não é barreira e sim vida (João 10:10). Se não nascemos de novo (João 3:3), não amamos Deus de todo coração (Marcos 12:33) e não fomos justificados (Romanos 8:30), não podemos defender a fé cristã. Chega a ser inútil dizer ser cristão se não tem nenhuma dessas características bíblicas.

    PREPARADOS: Talvez quando eu escrevi que todo cristão precisava ser apologético, alguém tenha me interpretado mal e saído por aí contra-argumentando todo mundo, mas a Bíblia nos orienta a nos prepararmos. Como? Oração, palavra e teologia. Teologia? Claro. Muitos ignoram o tal estudo pois dizem que “esfria o crente”. Eu também já pensei assim. Mas, na verdade, o que ela faz é abrir nossos olhos para muitas coisas as quais desconhecíamos (open eyes!). Mas saibam: “Apologética não é só desmontar argumentos, mas elaborar uma defesa coerente acerca dos nossos pontos de fé. Apologética não é só reclamar do que está errado, mas se esforçar ao máximo para fazer as coisas da maneira correta, ensinando também com o nosso exemplo, como Jesus fez”.

    RESPONDER: “Por que você crê em Deus?” / “Por que Jesus morreu?” / “Como você afirma que o cristianismo é a única religião verdadeira?” / “Você é salvo?” Marty Broadwell escreveu um pequeno artigo, o qual diz: “Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pedro 2:23; 3:9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também deve fazer parte de nosso estilo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança – não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato.” Acredito que nessa hora um “Sola Scriptura” vai bem e, se deixarmos de refutar a palavra de Deus como sendo a Palavra inerrante do próprio Deus e procurar através de uma boa hermenêutica compreender cada texto, teremos a base necessária para respondermos aqueles que não conhecem a sã doutrina.

    MANSIDÃO: Acredito que o Evangelho deve ser pregado de forma mansa, mas eficaz. Cristo pregava mansamente e não precisava usar força bruta física e nem intelectual para passar a mensagem de Deus aos outros. Discussões no Facebook sobre Deus, fé e pecado não chegarão a lugar nenhum se você não tiver Jesus como base e referencial em seus argumentos. “Ao invés de gastar tempo discutindo filosofia, será melhor compartilhar o plano de salvação para que a pessoa o aceite na hora”.

    RAZÃO: Possa ser que razão seja interpretada por muitos cristãos como “eu estou certo e você está errado”, mas a RAZÃO proposta aqui é entendimento da Palavra. Mas talvez você se pergunte: “Por que eu preciso da apologética?” Tim Keller responde a essa pergunta: “A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética”. A razão pela qual você precisa deixa de ser algo totalitarista e passa a ser razão evangelística.

    ESPERANÇA: E por último mas não menos importante, devemos ter esperança. Em Romanos, Paulo diz que a experiência produz a esperança (Rm 5:4). Precisamos de vivência cristã para então termos estruturas para defendermos nossa fé. O que muito vejo entre os jovens que se dizem “apaixonados por Cristo” é que suas “paixões” são limitadas a sua igreja. O que seu pastor prega é o correto e mensagem fim. Exemplo: “não pode ouvir música secular” – “mas por que não pode?” – “ah! meu pastor disse que não pode então não pode”. Em casos mais extremos, vemos o seguinte (e triste) argumento: “se temos Nívea Soares, por que ouvir Coldplay?” É claro que estou trazendo simples exemplos para um complexo assunto.

    Igreja local é legal e necessária, mas igreja local tem mil e uma chances de estar ligeiramente errada. Por isso, a apologética cristã se torna muito mais importante, principalmente quando estamos envolvidos em um ambiente onde existe n variações de crenças e opiniões dogmáticas. Eu por exemplo, tenho amigos ateus e católicos, e sempre que necessário estou preparado para defender minha fé diante do Darwinismo, doutrinas católicas e filosofias vãs. Sejam apologéticos, mas acima de tudo, sejam bíblicos. Não saiam por aí agindo por puro impulso e achando que estar certo em tudo (nem o próprio Cristo agiu assim). Estejam cientes que precisam ler mais e mais a Bíblia sagrada e, livros e mais livros teológicos e filosóficos e claro, orem pedindo direção de Deus para que seus argumentos não sejam meras apelações para tentar convencer alguém de que você domina a teologia e assim se promover. Coração humilde, por favor! Um brinde!

  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Primeiramente eu preciso dizer que defender a igreja local não é nenhum extremismo. Muito pelo contrário, isso até pode ser uma atitude louvável. Mas, mesmo que pode ser, nem sempre é. Como exemplo básico e pessoal, eu muitas vezes defendi a igreja local em que estava envolvido, porém ela estava toda errada: pregava uma doutrina incorreta, não vivia o cristianismo de fato e não tinha relacionamento profundo com Deus. Sim, acreditem, já passei por uma congregação assim. Hoje me arrependo por ter “comprado briga” por tal ministério. Primeiro, porque eu não estava preparado teológica e nem espiritualmente para isso. Segundo, eu estava sendo mais errado que a própria congregação por defender seus erros.

    A Bíblia nos orienta a crescermos na graça e no conhecimento (2 Pedro 3:18) e esse foi um dos principais motivos que me fez querer estudar mais teologia. Não no seminário, porque não tenho tempo e sequer dinheiro, mas procurei aprender em casa, nas madrugadas de insônia que tenho. Apologética (do latim apologetĭcus, através do grego ἀπολογητικός, por derivação de “apologia”, do grego απολογία: “defesa verbal”) é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Em uma visão ampla, é certo afirmar que todo cristão deve ser apologético. Mas, nem sempre o que vemos é uma defesa da fé e sim uma defesa do “meu quadrado”, ou seja, da minha congregação. Eu vou além e digo: tristemente vemos a defesa de seitas e heresias, menos a do cristianismo. E aqui o caro leitor deve se perguntar: mas o cristianismo realmente precisa de defesa? A apologética cristã é relevante? Sim, claro, óbvio e evidente. Gregory Koukl disse:

    “A apologética desfruta de uma reputação questionável entre os não-simpatizantes. Por definição, os apologistas ‘defendem’ a fé. Eles combatem as falsas ideias, destroem especulações levantadas contra o conhecimento de Deus. Tais palavras soam como palavras de combate para muitas pessoas: façam um círculo com as carroças; levantem a ponte levadiça; preparem as baionetas; carreguem as armas; preparar, apontar, fogo! Não é surpresa, portanto, que os cristãos e incrédulos igualmente associem apologética a conflito”

    Como disse o blogueiro João R. Weronka, do site Internautas Cristãos, discordância não significa desrespeito. Eu acredito veementemente que sem apologética, dificilmente haverá cristianismo. Explico: não é de hoje que o cristianismo é mal compreendido. Desde a época de Jesus, já existiam pessoas que achavam toda essa ideia uma coisa de louco e sem sentido. Por isso, Cristo precisou, em várias vezes, dialogar com os fariseus para defender seus ideais. Alan Richardson esclarece melhor a importância da apologética:

    “A apologética trata das relações da fé cristã com a esfera mais vasta do conhecimento ‘secular’ do homem – a filosofia, a ciência, a história, a sociologia e as outras mais – visando demonstrar que a fé não discrepa da verdade descoberta por essas pesquisas. Tarefa como esta deve, necessariamente, ser empreendida em cada época. É mesmo um empreendimento de considerável urgência num período em que os conhecimentos científicos e as transformações sociais se processam tão rapidamente”

    Então qual é o problema de eu defender minha igreja local? Depende. Vamos lá: suponhamos que você ache sua igreja perfeita: o pastor vive em santidade e é honesto, o louvor é verdadeiro e dedicado, os obreiros são bem preparados e esforçados para com a obra de Deus e isso já é o suficiente para que você brade que sua congregação está preparada para receber os perdidos. Até aí, tudo bem. Mas o grande PORÉM é que sua congregação não desenvolve nenhuma atividade missionária, não se importa com evangelismo, não se relaciona com os demais irmãos e os cultos são mornos por falta de uma pregação inteligente. Tem como defender isso? Os membros são até pessoas dedicadas dentro da congregação mas fora delas, onde mais eles precisam ser dedicados, o cristianismo morre e eles voltam a ser pessoas comuns, sem desempenhar o evangelho.

    Apologética cristã não é defesa da sua igreja local e sim defesa da sua fé. Talvez muitos dos pressupostos usados em sua igreja local, estejam biblicamente incoerentes com o cristianismo. Paul Tripp, em seu livro Como as Pessoas Mudam (coescrito com Tim Lane) identifica sete evangelhos falsos – caminhos “religiosos” que usamos para nos “justificar” ou “salvar” à parte do Evangelho da graça.

    • Formalismo: “Eu participo dos encontros regulares e dos ministérios da igreja, assim sinto-me como se minha vida estivesse sob controle. Estou sempre na igreja, mas isso realmente tem pouco impacto em meu coração ou sobre como vivo. Posso me tornar julgativo e impaciente com aqueles que não têm o mesmo compromisso que eu”.

    Isso explica um pouco do que eu disse logo acima: não é porque a intenção é boa que a motivação seja a correta [Cristo].

    • Legalismo: “Eu vivo pelas regras – regras que criei para mim mesmo e regras que criei para os outros. Sinto-me bem se posso guardar minhas próprias regras, e me torno arrogante e cheio de desdém quando os outros não alcançam os padrões que coloquei para eles. Não há alegria em minha vida porque não há graça a ser celebrada”.

    Muitos de nós ainda vivemos esse legalismo, cujas regras desestruturam toda a aparência sincera de cristianismo. Em Filipenses 2 versos 14 e 15 diz que precisamos fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” para que nos tornemos “irrepreensíveis e sinceros”. Precisamos ser servos de Cristo por completo. Consegue entender a importância da apologética cristã?

    • Misticismo: “Eu estou envolvido em uma busca incessante por uma experiência emocional com Deus. Vivo para os momentos em que me sinto próximo dele, e frequentemente luto contra o desânimo quando não me sinto dessa maneira. Posso também mudar de igreja frequentemente, buscando aquela que me dará aquilo que procuro”.

    Observe que “experiência emocional” é muito diferente de “experiência espiritual”. Quando nos sujeitamos a momentos de emoções com Deus, não nos preocupamos com nossa vida espiritual.

    • Ativismo: “Reconheço a natureza missional do Cristianismo e estou apaixonadamente envolvido em consertar esse mundo destruído. Mas, no fim do dia, minha vida é mais uma defesa do que é certo que uma busca alegre por Cristo”.

    Chegamos em um ponto primordial que é posto equivocadamente por alguns de nós: o desejo por defender a fé mas a limitação física e teológica não permite. Fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis diante dele [Deus] em amor (Efésios 1:4). Devemos pregar o evangelho com convicção e não por mera emoção para sermos vistos e reconhecidos.

    • Biblicismo: “Eu conheço a Bíblia do começo ao fim, mas não permito que ela me domine. Reduzi o Evangelho à proficiência do conteúdo e teologia bíblicos, portanto sou intolerante com aqueles que têm menos conhecimento”.

    Isso é bem comum em nosso meio e, isso me entristece. Os fariseus conheciam muito bem a lei e as escrituras e nem por isso eram santos. A bíblia deve ser alimento para nossa alma e não vantagem para o nosso ego.

    • Terapismo: “Falo muito sobre as pessoas feridas em minha congregação, e como Cristo é a resposta para suas dores. Porém, mesmo sem perceber, eu fiz de Cristo mais Terapeuta que Salvador. Eu vejo as feridas como um problema maior que o pecado – e, sutilmente, mudo minha maior necessidade – da minha falência moral para minhas necessidades não satisfeitas”.

    Esse deve ser um dos principais problemas de defender sua congregação: vocês devem estar fazendo a coisa certa da maneira errada. Se tiverem uma apologética do cristianismo, estarão sendo firmes em suas convicções e biblicamente corretos.

    • Socialismo: “A comunhão e amizades profundas que encontro na igreja se tornaram meu ídolo. O corpo de Cristo substituiu o próprio Cristo, e o Evangelho é reduzido a uma rede de relacionamentos cristãos satisfatórios”.

    Sejam igrejas e amem o dono dela, que é Cristo. Enquanto pensarmos que nossa congregação é a base de tudo, estaremos errando feio em nossa vida cristã. Fiquem atentos aos próximos textos. Por enquanto, um brinde!


    Referências

    MYATT, Alan – Apologética p. 4 – www.monergismo.com

    KOUKL, Gregory in BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.55

    RICHARDSON, Alan. Apologética cristã. JUERP. Rio de Janeiro, RJ: 1978. p.17

  • Um Brinde – É isso que é ser igreja?

    Um Brinde – É isso que é ser igreja?

    Eu queria dizer que acredito nos pastores pentecostais e de igrejas tradicionais e apostólicas, dizer que eles são referências no que se propõem a fazer e que eu queria ser como eles. No entanto, não consigo dizer isso. Mesmo que eu tente, não dá. E não é nenhum preconceito contra as igrejas tradicionais. Até porque, também, não consigo acreditar em pastores meia-boca e que pregam para números e não para almas pecadoras como eles.

    Um dia desses, em uma roda de conversa com alguns colegas do meu bairro, fui zombado ao ser convidado para um culto na igreja de um deles e eu disse que tinha igreja. Ele comicamente riu de mim e disse: “tem não“. Eu já sabia o que viria e ele reforçou a anedota: “Quem é o pastor?” E eu, seriamente, disse que não tem pastor. As caras assustadas se voltaram para mim e eu os convidei para conhecer a minha igreja. Claro que isso foi em vão, porque o pior cego é aquele que não quer enxergar. Já ouviu isso?

    Isso sinceramente me preocupa. Na igreja do meu amigo, Marcos Barreto, não há pastores e sim pessoas à frente da obra. Nas Presbiterianas, também não há um cargo específico de pastor, mas há reverendos e presbíteros responsáveis pelas igrejas. Na igreja a qual faço parte, também com o Marcos, é um ministério de oração, missão e congregação. Peraê! Isso não é a função de alguma coisa que se não me foge a memória agora se chama IGREJA? Sim. Nada de rede jump, rede de jovens, rede de malha, rede de dormir, culto não sei do quê, ano da esperança, dinheiro para ser próspero e nem campanha evangelística. A igreja que eu faço parte não se preocupa com “extras” do evangelho, ela se dedica apenas em ser noiva de Cristo. Nada de discipulado individual, aconselhamento para libertar-se de algo e nem culto avivado. A igreja que faço parte almeja somente a glória de Deus. Nada de cultos numerosos com pessoas até fora do templo, nem banda com todos os instrumentos necessários para tocar o mais novo sucesso do Thalles, e nem recolhimento de dízimos e ofertas. A igreja a qual faço parte reconhece a dependência que tem de Deus e se humilha todos os dias para que Ele se faça maior.

    Não tenho nada contra pastores e nem igrejas organizacionais. Talvez um dia o ministério que congrego se torne uma igreja organizacional em termos de templo, obreiros e banda. Mas eu repudio essa classe de cristãos – que nem merecem ser chamados assim – que se acham o povo mais santo porque estão no meio dos contáveis. São 12, são 7, são os batistas, os assembleianos, os neopentecostais. São os que estão na TV, nos teatros e eventos super-divulgados, na boca da galera como igreja-super-maneira-que-toca-um-rock-maneiro-aos-sábados. A igreja de Cristo não se compromete com nenhuma divulgação salvífica se não a do evangelho. A igreja de Cristo não é um aglomerado de números, mas sim pessoas complexas e que se arrependem todos os dias pelos seus pecados. São pessoas intimamente ligadas com a cruz, que olham para a cruz e vivem Cristo como prioridade em suas vidas. A igreja de Cristo não se preocupa com status, pois sabe que os anônimos são os que “não são” e esses reduzirão a nada os que são (1 Co 1:28); a igreja de Cristo ora pelos seus pastores / presbíteros / reverendos / líderes (At 12:5); a igreja de Cristo cuida um dos outros pois sabe o preço que foi pago pela igreja (At 20:28); a igreja de Cristo toma o maior cuidado de suas vidas para não ser causa de tropeço pois sabe que sua função é ser o oposto (1 Co 10:32); a igreja de Cristo ama seus conjuges pois Cristo amou de igual modo a igreja e se entregou por ela (Ef 5:25); a igreja de Cristo está disposta a chorar, sofrer e passar aflições pelo evangelho (Cl 1:24).

    Um homem nomeado pastor, com uma Bíblia e um microfone em um púlpito pregando um sermão, templo cheio de pessoas e uma banda acompanhando é o que você chama de igreja? Isso é o que você acha ser igreja? Desculpa, mas isso não define o que igreja de fato é. Onde você está quando seu irmão precisa que alguém o abrace e ore com ele? Onde está você, quando as pessoas nas ruas vagam sem direção e anseiam ouvir uma palavra de conforto? Onde está, quando seu irmão peca e se sente um nada pela consequência de seu pecado? A verdadeira igreja se preocupa com os seus. Estão todo tempo se relacionando. A igreja é um corpo e o corpo de Cristo.

    Quando meu nariz está coçando, normalmente uso minha mão direita para coçá-lo e com a igreja não pode ser diferente: precisamos ajudar uns aos outros. Esse apoio referencial que temos por um líder, alguém que nos comande e nos der assistência ministerial não significa nada se você não se coloca como parte do Corpo, da igreja. Não vão ser os pastores que vão reduzir o que é ser igreja. Ela sempre será o que é, pois Cristo morreu por ela. Ele acredita nela e não em pastores. Nós formamos juntos o corpo de Cristo e não um corpo batista, presbiteriano, assembleiano, alagoiano e tantos outros que existem por aí. Que possamos aprender o verdadeiro significado de igreja e não o que o número que estou envolvido representa. Um brinde!

  • Um Brinde – Meninas: se arrependam!

    Um Brinde – Meninas: se arrependam!

    Essa é a primeira vez que escrevo exclusivamente para meninas/garotas/mulheres. E confesso que me sinto muito honrado em poder falar diretamente com esse público. Espero que Deus nos guie e conduza o seu coração enquanto você ler isso, em amor!

    Eu tenho poucas amigas. Tenho certa dificuldade em me relacionar com garotas e, por isso, prefiro ter só as amigas que já tenho. Nessa semana, eu fiquei viciado em uma música que, tecnicamente é “música de menina” – se é que isso existe – e essa música me fez pensar e repensar várias coisas. Ela desconstrói muita coisa e até o lance de que é exclusivamente para meninas. Estou falando de “Minha Curiosidade”, interpretada pela cantora Priscilla Alcântara, para a trilha sonora da novela Carrossel. Ela me fez pensar sobre como nós, adolescentes, agimos muito por impulso. Dessa forma, nos sentimos influenciados e condenados a fazer as coisas que os outros fazem somente para nos encaixarmos no “padrão social”, como o primeiro gole de bebida alcoólica, a primeira tragada de cigarro e a primeira transa, feitas porque os outros fizeram. No contrário, nos sentimos excluídos ou estranhos se não fizermos também.

    Eu lembro que um dia estava em uma festa de amigos, eu ainda era muito novo, e uma jovem de mais ou menos 15 anos ficou bêbada e começou a querer “dar um show”, se é que você me entende. Eu e um amigo éramos os únicos bem intencionados no meio de um bando de indivíduos sem nada na cabeça e, rapidamente, tentamos conter a situação e levá-la pra casa. Na época eu nem era cristão, mas sabia que aquilo era errado e ela iria se arrepender depois. E foi exatamente isso que aconteceu: ela se arrependeu de ter bebido demais. Outra vez, um amigo meu também bebeu muito. Resultado: falou e fez o que não devia. Eu não estava na hora, porém os amigos me disseram o que aconteceu e fiquei muito triste depois. E essas são só algumas de muitas histórias tristes que se repetem todos os dias entre jovens que estão em fase de reconhecimento pessoal e aceitação. Vejo todos os dias, TODOS OS DIAS MESMO, meninas belas e novas grávidas e tendo que interromper os estudos. Em outros casos, o pai nem aparece e esquece a moça de uma vez. Não sei quanto a você, mas isso me comove.

    Eu sou grande a favor da liberdade de escolha de cada um. Entretanto, isso não é nada a ver com livre-arbítrio (até porque ele nem existe), mas estritamente ligado com cada um ter o direito de fazer o que acha melhor pra si. Sei que muitos não me compreenderão, mas, se o cara quer ser homossexual, que seja. Não estou dizendo que concordo com a prática, porém não vou discriminá-lo e nem tentar impedi-lo caso ele decida seguir esse caminho. Por favor, não me interpretem mal.

    Voltando as meninas: como propus no início, vou falar diretamente com vocês e desejo que leiam com atenção. Desde já obrigado por sua leitura!

    Meninas, eu as chamo de “meninas” porque, por mais que vocês sejam mulheres, a alma de vocês é de uma menina que está solta no mundo e em busca de uma proteção maior pra si. Eu entendo que a maioria de vocês são orgulhosas e, esse não é um comentário machista, mas sim o reconhecimento de que vocês são determinadas e já estão cansadas de sempre ver as coisas de baixo. O orgulho de vocês tem motivo, razão e circunstância: na infância vocês foram condicionadas a querer ter apenas uma Barbie e amigas para lhes ajudar a penteá-las e brincar de casinha. Entendo que com o tempo isso foi se perdendo. Algumas de vocês cresceram sem pai e, essa ausência fez com que vocês ficassem receosas quando um homem se aproxima. Compreendo o gosto de algumas de vocês relativo a festas e bailes funks porque, se ficarem em casa, no final de semana, vão se trancar no quarto e chorar a noite inteira. Sei que algumas de vocês guardam mágoas de infância e não conseguem perdoar. Tenho a ciência do porquê de vocês vestirem, às vezes, roupas curtas porque sabem que, socialmente, vão chamar atenção e isso foi tudo o que se quis receber quando criança. E é exatamente por estas e outras coisas que vocês são mal compreendidas.

    Eu também sei que não queriam agir assim: não ser tão duras e nem muito acessíveis. Entendo que a sua curiosidade de menina te fizeram fazer coisas que você nem tinha vontade, e queriam ter algo que despertasse mais atenção que os vossos corpos. Há vezes as quais vocês queriam ser compreendidas, no entanto, não havia ninguém para conversar a não ser para julgar e apontar um erro. Por isso, escrevo a vocês com amor para dizer que eu vos entendo. Você posta fotos sensuais nas redes sociais para receber elogios porque nunca receberam elogios que mereciam dos seus pais. E muitas sonham com um príncipe encantado, mesmo já sabendo que esse “príncipe” não é tão perfeito como imaginavam. Nas madrugadas em que vocês passam acordadas, o que vocês mais queriam era um abraço amigo e alguém que entendesse sua dor. Meninas, eu entendo que vocês erraram e pisaram na bola várias vezes. Portanto, acima de tudo isso, eu também entendo e desejo que vocês se arrependam.

    O único remédio para qualquer erro é o arrependimento. A única forma de vocês terem o que merecem é reconhecendo que vocês podem ter o que merecem, mas para isso, é necessário mudar. “Não é simples buscar o perdão”. Realmente! Não é simples e eu sei disso. Mas o perdão existe e Deus é mestre em perdoar. Meninas, arrependam-se de serem tão egoístas com seus pais. É necessário se arrepender da lascívia. Se arrependam de qualquer estupidez. Meninas, se arrependem pelas palavras que vocês não deveriam ter dito e pela curiosidade que tiveram e levaram vocês para um caminho ruim e que provocou mágoas profundas. Meninas: se arrependam.

    Eu reconheço que esse texto não foi um dos melhores, mas o meu desejo é que ele sirva de conforto ao seu coração. Meu desejo é que, após essa leitura, vocês se sintam convencidas de que precisam mudar e, se por acaso você não se identifica com esses pontos, saiba que nós sempre podemos mudar ou melhorar algo em nós. Meninas, vocês são lindas! Não permitam que um simples deslize ou pensamento venha tirar de vocês esse sorriso cativante e sincero. Valorizem essa alma bela que o Criador te deu e busque o perdão, pois ele existe! Um brinde!

  • Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    “Pontes Indestrutíveis” é a primeira faixa do álbum Ritmo, Ritual e Responsa, da banda Charlie Brown Jr., lançado em 2007. As canções deste projeto contém uma pegada surf music muito atraente, principalmente para adeptos do surf e skate. No entanto, antes de começar a me aprofundar na proposta do texto, quero falar um pouco da inspiração para escrevê-lo. Eu estava dando uma volta de bike com o meu irmão de oito anos, em um fim de tarde de segunda-feira. Isso é meio que nossa tradição de fim de tarde, quando eu estou em casa. É o nosso momento de irmãos. E, enquanto eu pedalava, a música do CBJr. veio na cabeça e comecei a cantar, só que a princípio, baixinho. Meu irmão falava de algum assunto e eu estava completamente em outra vibe, e foi aí que eu disse: “vou te ensinar uma música, OK?”. Ele respondeu: “tá bom”, e aí eu cantei falando pra ele repetir:

    “Viver, viver e ser livre, saber dar valor para as coisas mais simples, só o amor constrói pontes indestrutíveis”

    Enquanto continuávamos pedalando, eu senti o desejo enorme de escrever sobre essa música. Espero que esse texto lhe edifique, assim como o autor se sentiu edificado ao escrevê-lo.

    A canção versa uma temática de protesto contra a injustiça e de como o coletivo é tão mais importante que o individualismo. Ensina de forma simples a darmos valor a coisas que não se compram com dinheiro. É uma música, também, de incentivo e de valorizarmos mais os simples momentos. Selecionei seis frases de sua letra cujos versos são indubitáveis verdades. Que o Senhor nos guie!

    1) Os homens podem falar mas os anjos podem voar: Essa frase é autoexplicativa, mas contém uma diversidade gigante de possíveis interpretações. Ficamos com uma das mais simples: por mais que sejamos experientes na oratória, os anjos, ou seja, Deus e aqueles que estão com Ele no céu são os que mais entendem de tudo (tudo mesmo). Somos limitados até quando nos achamos completos. Somos falhos também quando todos nos acham perfeitos, e errados mesmo quando achamos que estamos fazendo tudo certo.

    2) Quem é de verdade sabe quem é de mentira: Chorão era um compositor bem verdadeiro com aquilo que escrevia. Isso é perceptível pela forma pela qual desenvolvia seus versos. Quando nos preocupamos com a estrutura em que as palavras serão escritas, limitamos as suas verdades. Nessa música, claramente identificamos a mensagem, passada sem enfeites de preposições, sem frases filosóficas difíceis de serem compreendidas e nem palavras complexas que nos forçam a usar o dicionário para compreendê-las. Quando ouço “quem é de verdade sabe quem é de mentira”, rapidamente compreendo que “quem fala a verdade manifesta a justiça; porém a testemunha falsa produz a fraude” (Provérbios 12:17). Quem tem a verdade, que é Cristo, compreende as heresias que lhe cerca e sabe o caminho que deve andar.

    3) Cuide de quem corre do seu lado e quem te quer bem, essa é a coisa mais pura: Este trecho me leva diretamente para Provérbios 17:17, o qual enfatiza a necessidade de amarmos o amigo, pois na angústia teremos um irmão. Aos domingos, costumo correr com os amigos, e é nesse tempo em que atualizamos nossas conversas e fazemos planos de ir ao shopping. Mostramos um ao outro a confiabilidade que temos entre nós e do braço amigo que estamos dispostos a dar, caso alguém precise. Na gíria adolescente, “corre do seu lado” significa aquele sujeito o qual anda com você e não abre mão da sua amizade. Ter alguém para contar nas horas ruins é primordial. E, por isso, é importante termos alguém do lado. Jesus poderia muito bem cumprir sua missão sozinho, sem precisar dos seus discípulos, afinal de contas, Ele veio como homem, mas era Deus. Portanto, Ele nos deixou o legado da união, amizade e companheirismo, mostrando a importância de se ter alguém para andar conosco. Lucas Silveira, na música “Canção da Noite”, da banda Fresno, canta que “todo mundo precisa de alguém”. E isso é verdade!

    4) O que se leva dessa vida é o que se vive, é o que se faz: Enquanto os “grandes” homens colecionam carros de luxo, mansões em Paris e títulos invejáveis no mercado dos negócios, os humildes de coração procuram viver uma vida sem regalias, no entanto, verdadeira. Ter algo para se orgulhar é muito mais importante do que ter dinheiro para comprar algo que ninguém ostenta. Sabendo que somos pó e a ele retornaremos, qual a validade de vivermos uma vida constante, em busca do sucesso?

    5) Difícil entender e viver num paraíso perdido: Acredito que o que o Chorão quis dizer com “paraíso perdido” foi a situação do nosso país, politicamente falando. Com toda injustiça e corrupção em nosso país, a beleza que temos, a exuberância que o Brasil é, se perde. Assim temos um paraíso (belo país) perdido (corrupto). Lidar com a nossa situação política é algo extremamente difícil, pois o trabalhador honesto, que sai de casa de madrugada e só volta ao anoitecer sabe do quanto sofre para manter sua família. E mesmo assim, ainda dá mal para pagar as contas no final do mês. Mas o compositor nos dá uma dose de ânimo mais a frente quando canta: “…mas não seja mais um iludido, derrotado e sem juízo”. Enquanto as coisas ruins acontecem, prossigamos fazendo as coisas boas. É como G.K Chesterton disse ao comentar seu livro O que há de errado com o mundo: “errado é não solicitarmos o que é certo”.

    6) Só o amor constrói pontes indestrutíveis: A sexta e última verdade da música que selecionei é o finalzinho da música. Sabemos mais do que ninguém que o amor é a base de tudo. O principal mandamento dado a nós é amarmos a Deus e amarmos ao próximo. Infelizmente, este amor é tão banalizado hoje e, tristemente, se tornou algo relativo. Mas, seguindo a filosofia do Charlie Brown, pontes indestrutíveis são laços inquebráveis, relacionamentos que não se acabam por simples bobagens e, também, nem uma fé frustrada por problemas corriqueiros do dia a dia. Sem o amor nossa força é nula. É basicamente como na física: nossa potência sem uma ligação eficiente não serve de nada. Enquanto vivermos sem sentido e sem bases sólidas, as pontes quebrarão facilmente, e afogaremos no mar das ilusões. Espero que este texto tenha sido uma ferramenta de Deus para você! Um brinde!

  • Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    Alguém, alguém”

    Eu começo esse texto deixando claro que a música “Vinte e Seis” da banda Rosa de Saron, a qual está sendo base dessa reflexão, não foi escrita pensando em um cara solteiro que queria arrumar uma namorada. Na verdade, consiste na ideia de alguém que viveu vinte e seis anos de sua vida e quando enfim se toca, está só e clama por Deus. E, de antemão, digo que o texto de hoje vai ser diferente dos demais, mas sem fugir da temática da coluna que resumindo, é bem abrangente e não me prendo a nada para escrever aqui. Tudo de importante e que me sinto capaz de escrever (relacionando é claro, sempre com a mensagem do Evangelho), aqui escrevo. Deixando isso claro, podemos prosseguir.

    Tenho 19 anos e nesse pouco tempo de vida já tive alguns relacionamentos sólidos e outros bem imaturos. Alguns me deixaram marcas quase que incuráveis. Já escrevi aqui criticando o pessoal do Eu Escolhi Esperar, mas há algo que eles pregam que eu acho interessante: a santidade. O meu primeiro relacionamento foi ainda muito cedo e não tínhamos estrutura para assumir um namoro e, por isso acabou. O meu segundo relacionamento também foi uma frustração, e naquele período eu havia acabado de conhecer o Evangelho. E olha como são as coisas: eu estava no meu primeiro amor com Jesus e paralelo a isso, também estava no meu primeiro amor adolescente. É óbvio que o amor por Jesus me atraiu mais. O terceiro relacionamento foi muito doido e não vale nem a pena mencionar aqui. O quarto e quinto foi a distância e nem merecem ser citados como relacionamentos, e o mais recente foi o que mais me causou dor.

    A respeito deste último, eu realmente amava a moça e estava numa fase meio rebelde em termo de santidade. Estava longe de Deus, mas bem perto da moça que eu amava. Perto demais para que eu ficasse (a)b(s)ur(d)amente cego. Um fato interessante: quanto mais perto você fica de algo, poucas coisas você ver. Estava no finalzinho do ensino médio e cursando um curso técnico em administração. Eu só pensava nela. Afinal de contas, era minha primeira namorada que vinha na minha casa, saía comigo para lanchar e a primeira que eu amava de verdade. Mas nós éramos ingênuos demais e isso passou desapercebido. Estávamos muito perto não só na relação, mas no sentido geográfico, pois sua casa fica na rua atrás da minha. Minhas crises de ciúmes e falta de compreensão foi um dos pivôs da separação.

    Durante este período eu já amava a banda Rosa de Saron. Eles foram (e são) uma ferramenta de Deus muito importante para o meu crescimento espiritual e intelectual. Ouvia o álbum O Agora e o Eterno todo santo dia. De casa para o curso, do curso para a escola e da escola pra casa outra vez. Todas as músicas desse álbum são marcantes pra mim e, especificamente a faixa 8 do disco, “Vinte e Seis”. Mas vamos voltar ao meu antigo relacionamento.

    Então, o namoro terminou e foi cada um para o seu lado? Errado. Depois de um tempo separados, voltamos a nos falar e ela sempre dava sinal de que ainda gostava de mim. Acabamos ficando algumas vezes, mesmo separados. Mantivemos um contato por algum tempo, até porque ela mora no mesmo bairro o qual moro, e é quase impossível evitar que esse encontro aconteça. Hoje, eu ignoro, mas o encontro sempre acontece. Estou há quase dois anos solteiro e aprendi muita coisa neste período. Estas coisas que você nunca vai ouvir em um The Love School da vida porque só quem vivenciou pode dizer. Também são coisas que um psicólogo nunca te dirá porque ele não passou madrugadas sozinho pensando na vida. E, por fim, coisas que nem sua mãe pode dizer, porque ela não estava em sua pele em momentos que o que mais queria era um colo amigo.

    Aprendi nessa fase de solteiro que o coração do homem grita por um companheirismo conjugal. Você vê seus amigos namorando e sente vontade de também sorrir com alguém do lado. Passeia nas ruas e ver casais andando de mãos dadas e você sozinho.

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    E quando cansado estiver, que me dê o seu colo amigo
    E se eu desafinar, me abrace e cante um alívio”

    Aprendi que, por mais que você tenha os melhores amigos do mundo, eles não são o suficiente para substituir o companheirismo de uma namorada. Aprendi que quando Deus disse “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18), Ele não estava fazendo nenhuma espécie de metáfora, pois literalmente não é bom que o homem esteja só. Compreendi que, por mais a vontade seja viver sem alguém pra chamar de seu, nosso coração sente falta de algo. Sente falta de uma completude que nos encha mais ainda de amor.

    A banda Rosa de Saron me ensinou e me ensina muito com suas músicas e garanto que passarei isso a frente para os meus filhos e netos. E, no sentido emocional, eu também aprendo que preciso amadurecer a cada dia. Entendo que não posso amar alguém se eu mesmo ainda não me amo. Aprendo que o verdadeiro sentido do “estar” é exatamente “estar” com alguém. Só você conversando e se relacionando com alguém para entender porque que ela age dessa forma e quais são os seus mais íntimos pensamentos. Nesse período de solteiro, venho sido instrumento de mão amiga para amigos que tiveram relacionamentos frustrados. Um exemplo mais recente foi o do meu irmão, que se separou da esposa, e dias depois flagrou-a de mãos dadas com outro. Eu estava do lado dele quando presenciamos a cena e fui o cara que o ajudei a segurar a onda. Trouxe ele pra casa, conversamos até de madrugada e demos boas risadas depois.

    A vida é um grande making of: cheia de coisas inesperadas que no fim das contas são roteirizadas com maestria. Quando decidimos nos relacionar, automaticamente decidimos parar de viver só pra nós. Ou seja, o “eu” não existe mais. Eu lembro muito bem do período em que eu voltei a minha “vida de solteiro” e percebi logo um vazio iminente. Eu havia voltado a ser só eu. Só mais um que anda sem um par em direção ao incerto. Parece uma ideia muito pessimista, mas é isso que o solteiro é: alguém que vaga sem grandes objetivos, pois sua força é muito limitada a ele mesmo. O solteiro só pensa em comprar um suco de maracujá e um salgado na faculdade para ele comer e depois ir pra aula. O solteiro só pensa em comprar o cereal o qual gosta, pois não tem ninguém que discorde do seu péssimo gosto. Assim, se sente livre, porque não tem ninguém para dar satisfações, mas se ilude, pois sabe, mais do que ninguém, como dói não ter ninguém para dar justificativas.

    Nós, seres humanos, por vezes temos uma grande necessidade de nos relacionarmos. O autismo, por exemplo, se torna um problema maior porque quem sofre de tal doença, sofre muito mais por não poder se relacionar bem com as pessoas.

    O que eu passo aos meus leitores é, que tudo isso que vivi e ainda vivo, foi e é necessário para o meu crescimento e, eu não mudaria nada. Portanto, se eu puder ensinar algo a vocês, digo que saia a procura do seu par pois ele existe. Ele existe e também deve estar a sua procura. Se relacione, quebre a cara, aprenda. Não espere chegar aos vinte e seis para perceber que você não deve viver o resto da vida solteiro. É claro que esses conselhos estão indo com uma pequena dose de hipocrisia, pois ainda continuo solteiro. Mas, mesmo assim, repito: se você já tem vinte e seis anos, não espere chegar os vinte e sete. Até a próxima! E corre para ir brindar com o seu amor! Um brinde!

  • Um Brinde – A teologia deve gerar adoração

    Um Brinde – A teologia deve gerar adoração

    Atualmente, muitos seminaristas e estudantes de teologia, veem o tal estudo como algo fim. Ou seja, o suficiente para que entendamos e possamos ser mais inteligentes do assunto. No entanto, isso não é bíblico. Em Oséias capítulo 6 versículo 3, somos orientados a prosseguir “em conhecer ao Senhor”. A palavra não diz respeito em conhecer do Senhor dando o indicativo de aprendermos algo que vem dEle e só. Mas o indício de “ao Senhor” é conhecer Ele e o que Ele ensina deve ser vivido.

    João Calvino diz na abertura das suas Institutas que “quase toda a sabedoria que possuímos consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos”. Tudo que fazemos para Ele não provém de nós mas sim dEle, e isso deve ser voltado a Deus como glória. Calvino também disse que “a teologia não é um fim em si mesma, mas deve conduzir à piedade, a uma genuína devoção, condição para o verdadeiro conhecimento de Deus”. A teologia deve ser aplicada de forma holística, ou seja, integrando a vida social, espiritual, política como um todo, e não separando suas condições. O que Calvino disse foi basicamente essa condição de termos uma teologia básica que nos ensina não só daquilo que Deus nos propõe mas sim do que Ele é: Deus é zeloso (Dt 6:15), então devemos ser inteiramente zelosos.

    Não fomos feitos para viver metade para o Senhor, mas sim inteiramente para Ele, herdando seus atributos, mesmo que estejamos depravados e impossibilitados por si de buscarmos a Deus, e praticando sua palavra. O contexto de evangelho é prático. Não tem como sermos “teóricos do evangelho” em condição de filhos. Em outras palavras quero dizer que a teologia deve provocar ensino, conhecimento e aprendizado sim, mas também deve ser uma ponte que provoca adoração, conversão e glória a Deus. Então, como identificar uma teologia que produz adoração? Eu diria, a princípio e como via de regra que, uma teologia que produz adoração é a teologia bíblica. Jesus disse em Mateus 22:29 que erramos “não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Assim como a filosofia desperta o conhecimento da vida e algumas formas de analisá-las, a teologia desperta a grandeza de Deus e isso está contido nas Escrituras, na Bíblia. O primeiro passo a identificar uma teologia correta, ou no mínimo um estudo teológico proveitoso, é perceber se esse estudo pelo qual está sendo estudado é realmente baseado na bíblia seguindo suas nuances como Palavra de Deus inerrante. Warfield disse que “o cristianismo não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida”. E Chambers disse que “doutrina sem dever é uma árvore sem frutos; dever sem doutrina é uma árvore sem raízes”.

    Evangelho sem ação é uma vida sem sentido. Vemos uma quantidade enorme de cristãos preocupados com status social porque conhecem um pouquinho a mais de teologia do que o irmão do lado. Isso não provoca nada a não ser vergonha. E o evangelho deve nos humilhar, mostrar a nossa condição de pecadores e que não temos nada em nós totalmente relevante para alcançarmos graça, mas sim Cristo, que viu graça nEle mesmo e decidiu nos salvar.

    Lutero citou que não sabia por quais caminhos Deus nos conduz, mas que ele conhecia bem o seu guia. Fico me perguntando: será que conhecemos Deus? Uma teologia que não se preocupa em converter pessoas e glorificar a Deus, é uma teologia fraca, falha e repugnante. A mensagem em todas as suas esferas deve refletir Cristo, falar e ser sobre Cristo e para a honra e louvor de Cristo.

    Portanto, ore! Peça sabedoria do Pai e seja humilde o suficiente para perceber que você é pecador e incapaz de salvar-se. Após isso, estude! Perca menos tempo com coisas vãs e dedique mais seu tempo ao estudo da palavra de Deus, em primeiro lugar, e depois em bons livros teológicos. Terceiro: medite! Que esta reflexão te faça pensar em como praticar os ensinamentos e adorar a Deus em verdade e não em achismos. Encerro com uma frase muito linda de John Gill: “cada obra de Deus serve para mostrar Sua glória e realçar a grandeza de Sua majestade”. Um brinde!

  • Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    O título desse texto não tem nada a ver com pregação apocalíptica para te amedrontar dizendo o quanto você vai sofrer se não estiver com o seu coração em Deus. Também não é uma pergunta retórica, eu sinceramente quero saber se você já sabe que Jesus vai voltar. Responda antes de prosseguir com a leitura.

    OK, então prossigamos.

    Já é de praxe ouvirmos os pregadores urbanos dizendo: “arrependam-se, pois Jesus irá voltar para buscar sua igreja!”. Aqui eu me coloco também como um pregador urbano e digo com muito orgulho: nunca evangelizei ninguém usando esta frase. Por que? Você sabe que sua mãe te ama, ela está contigo e te dá o que você precisa, então não é necessário ela dizer a cada momento em que vocês estão juntos que ama você. Tá entendendo meu raciocínio?

    Nós, pregadores do evangelho, não precisamos dizer todas as vezes as quais vamos evangelizar que Jesus vai voltar porque assim como todo mundo sabe a aparente cor azul do céu, sabe que Jesus um dia vai vir aqui e mostrar quem manda nesse espaço terrestre e levar quem Ele quer levar. Mas, assim como é bom ouvir de vez em quando um “eu te amo” da sua mãe, também é bom ouvir um “Jesus vai voltar!”.

    E qual é a real proposta do texto? Dizer que Jesus vai voltar, mas de outra forma? Não, porque isso seria o mesmo que dizer que o gordo não é gordo mas uma pessoa acima do peso. A intenção é simples: passar a mensagem de que você amado leitor, peca sabendo que um dia vai ser julgado por isso, julga sabendo que um dia será julgado, ignora Deus sabendo que um dia Ele também vai te ignorar. Ficar repetindo como um chavão que Jesus vai voltar / vai voltar / vai voltar não garante a salvação de ninguém. Não podemos usar esse fato vindouro para pôr medo em indivíduos os quais ainda não conhecem Jesus. O evangelho não é psicologia, e sim uma vida de renúncia. Usar o argumento de que Jesus vai voltar para converter pessoas não adianta em nada, pois a volta de Cristo é um confronto contra nossa própria natureza pecaminosa. Não importa o quão santo você seja, pois você é um pecador.

    Quando eu fazia parte do movimento neopentecostal, achava a frase “Jesus vai voltar” um ótimo atrativo para os infiéis, pois assim eles poderiam ter esperança de uma vida melhor com Cristo e, consequentemente, fazer parte da família de Cristo. Hoje, percebo que isso não faz sentido. Não mesmo. Não faz muito tempo que fiquei muito revoltado com um grupo de “pregadores” pentecostais que gritavam a volta de Jesus no terminal urbano de onde moro, e se já não bastasse, enquanto um berrava seus “labaxurias”, o outro tocava uma corneta dessas que você compra em lojas de um e noventa e nove, simbolizando as trombetas do livro de Apocalipse. Me responda: se isso não é apelação é o quê? Não ouso chamar isso sequer de evangelho, quanto mais de evangelismo.

    Além disso, é um enorme engano achar que a volta de Cristo elimina, automaticamente, o fato de que somos pecadores. Haverá um julgamento. Todas as coisas que fazemos em quatro paredes serão trazidas a tona; o cara que nunca foi popular, verá seus feitos sendo mostrados; a moça que nunca foi destaque na escola, relembrará as vezes que cortou os pulsos no quarto escuro. A volta de Cristo é o cumprimento da sua promessa (João 14:18) e não uma forma de encher o céu de habitantes. É fato que seremos regenerados e não mais seremos carne pecaminosa, e sim santos incorruptíveis, mas até lá, ainda somos falhos pecadores justificados apenas pela graça imerecida. O clichê evangeliquês do “Jesus vai voltar!” não converte ninguém. Em suma, ele afasta as pessoas do cristianismo, impõe barreiras de relacionamentos e medo nas pessoas que não tem 1% sequer de conhecimento hermenêutico das Escrituras.

    Infelizmente, Jesus, assim como o Papai Noel, virou uma lenda urbana que ninguém mais acredita. Ouve-se desde que era pequeno(a) que Jesus vai voltar e ele ainda não voltou, então como acreditar nisso? As pessoas sabem que Papai Noel não existe mas quando chega a época de natal, fantasiam para os seus filhos de que ele existe sim. E a mesma coisa estão fazendo com Jesus: quando falamos dele nas ruas, nos ouvem com atenção e confessam que precisam ir na igreja e etc. Mas depois disso, o impulso do “preciso de Jesus” passa e então voltam a não acreditar mais em Jesus e nem de que Ele vai realmente voltar.

    O meu manifesto como cristão e pregador urbano é que o evangelho, a palavra de Deus, seja pregada com coerência e sem apelação apocalíptica. É que buscamos conhecer mais o que significa amor e não violência de conhecimento bíblico. Respondendo a pergunta que fiz logo acima de como acreditar na volta de Cristo para dois grupos de pessoas: os que acreditam em Jesus mas não vivem pra Ele e para os céticos amantes da física. 1) Ele (Jesus) prometeu voltar e Ele não mente. 2) Isaac Newton disse, basicamente que, se algo sobe, terá que descer por causa da gravidade. Jesus tem a gravidade em suas mãos porque é Soberano, mas como vocês não crêem nisso, apenas fiquem com a resposta de que Ele viveu aqui na Terra, subiu aos céus, então Ele descerá. Um brinde!

  • Um Brinde – “De Fé”, de Humberto Gessinger

    Um Brinde – “De Fé”, de Humberto Gessinger

    No ano em que eu nasci, 1996, Humberto Gessinger formava o Humberto Gessinger Trio, com a pausa dos Engenheiros do Hawaii. E, nesse disco, colocou uma canção chamada “De Fé”. E, com certeza, é uma adoração a Deus. Claro, evidente, óbvio que muitos fãs do cara vão dizer “ah, nada a ver”. Outros vão afirmar que é uma música romântica e nós, incrivelmente, não chegaremos a lugar nenhum. Mas quem foi que disse que uma música romântica não pode ser adoração a Deus?

    “Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas.” (Salmos 105:2)

    O romantismo, amor e o relacionamento são maravilhas criadas por Deus, quer você creia ou não. Então o papo de que a música não tem nada a ver com Deus, comigo, não vai rolar! OK, vamos começar analisando a primeira parte da música:

    “Sempre que eu preciso me desconectar
    Todos os caminhos levam ao mesmo lugar
    É o meu esconderijo, meu altar
    Quando todo mundo quer me crucificar
    Eu só quero estar com você (ficar com você)”

    É incrível como o coração do homem anseia pelo afeto do Pai. Até o homem da mais alta escala de ceticismo tem um coração sufocado pela falta de Deus. Friedrich Nietzsche, um dos principais filósofos ateus da história, escreveu uma Oração ao Deus desconhecido. Seu coração gritava querendo conhecer Deus. Em 1996, Humberto Gessinger já sentia a necessidade de desconectar-se, enquanto nós, mortais do século XXI, não saímos de casa sem o nosso iPhone. “Todos os caminhos levam ao mesmo lugar”. Aqui cabe duas observações: (1) as escolhas que fazemos sempre determinam aquilo que sentimos a vontade para fazer (2) Grande em conselho, e poderoso em obras, cujos olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dares a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras (Jeremias 32:19). É inevitável não procurarmos a Luz quando nos desfazemos do mundo; quando deixamos as coisas terrenas, na Terra. “Quando todo mundo quer me crucificar / eu só quero estar com você”. Se você leu minha análise da música “Leite Azedo” da banda Simonami aqui, sabe do que o Humberto Gessinger quis dizer com “crucificar”. O mundo não entende sua dor interna. Na verdade, só você e Deus entendem, mais ninguém. Quando isso acontece, Ele é o único que pode te fazer repousar e esperar que o vendaval passe.

    “Quando o tempo fecha e o céu quer desabar
    Perto do limite, difícil de aguentar
    Eu volto pra casa e te peço pra ficar
    Em silêncio, só ficar”

    “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:26). O coração do homem deseja conhecer a Deus, isso já disse aqui, mas vale reforçar, pois é isso que a música trata. Quando estamos aflitos e ninguém ao nosso redor pode nos animar, quando pensamos que não temos como mais suportar toda a tristeza que nos invade, é quando buscamos o Criador nem que seja para questionar nossa existência. É ali o instante o qual reconhecemos nossas fraquezas e o quão precisamos do Criador. Quando ouvi a música pela primeira vez, através do meu amigo Marcos Barreto – isso em 2013 – já percebi um rascunho do Evangelho ali. Deus colocou a ideia de eternidade na mente do homem (Eclesiastes 3:11) e Humberto Gessinger não se exclui disso. Sabemos mais do que ninguém que quando não há ninguém que possa nos “salvar”, Deus é o único que nos ver e sonda-nos!

    “Eu tenho muitos amigos
    Tenho discos e livros
    Mas quando eu mais preciso
    Eu só tenho você
    Tenho sorte e juízo
    Cartão de crédito e um imenso disco rígido
    Mas quando eu mais preciso
    Eu só tenho você
    Quando eu mais preciso, eu só tenho você”

    Acredito que esse ponto mata tudo! Sou muito edificado através dessa música, pois ela esclarece muita coisa do que eu sou. Ao contrário do Humberto, eu não tenho muitos amigos, mas os poucos que tenho são suficientes. Tenho meus álbuns, livros e um disco rígido. Tenho um pouquinho de juízo também, mas quando eu preciso de algo, eu só tenho Ele. Eu só tenho Deus. Observo muito mais do que a falta de alguém humano, o vazio interior é por algo que não se compra, não se limita. Quando todo o nosso dinheiro não é capaz de comprar um carinho sincero, atenção e nem tão pouco paciência, Deus é o único que pode fazer isso, sem pedir nada em troca. Ele é pai e como um pai conhece as dificuldades dos seus filhos. Ele nos dá sua graça!

    “Tenho a consciência em paz (eu só tenho você)
    Tenho mais do que eu preciso (eu só tenho você)
    Mas se eu preciso de paz (eu só tenho você)
    Tenho muito mais dúvidas do que certezas
    Hoje com certeza, eu só tenho você
    Eu tenho medo de cobras
    Já tive medo só escuro
    Tenho medo de te perder”

    Eu prometo que vou concluir esse texto já já. E não vai demorar, porque chegamos ao ponto ápice da música e acredito que este é o que mais se relaciona com o cristianismo: “Tenho mais dúvidas do que certezas, hoje com certeza, eu só tenho você”. Nós nunca seremos totalitaristas completos aqui na Terra, isto é, nunca seremos completos ao ponto de sabermos de tudo. Temos mais dúvidas do que certezas mas paramos por aí, ou seja, lembramos que temos Cristo e isso é uma certeza. “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20b). Não podemos esquecer disso: que temos Deus. Por mais que não tenhamos nada aqui, mas ainda temos o Criador, mesmo nós, fracos e pecadores, não merecendo a graça dele, sua paciência é tão grande e abençoadora para estar conosco quando mais nada aqui faz sem sentido. Um brinde!