Atualmente, muitos seminaristas e estudantes de teologia, veem o tal estudo como algo fim. Ou seja, o suficiente para que entendamos e possamos ser mais inteligentes do assunto. No entanto, isso não é bíblico. Em Oséias capítulo 6 versículo 3, somos orientados a prosseguir “em conhecer ao Senhor”. A palavra não diz respeito em conhecer do Senhor dando o indicativo de aprendermos algo que vem dEle e só. Mas o indício de “ao Senhor” é conhecer Ele e o que Ele ensina deve ser vivido.
João Calvino diz na abertura das suas Institutas que “quase toda a sabedoria que possuímos consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos”. Tudo que fazemos para Ele não provém de nós mas sim dEle, e isso deve ser voltado a Deus como glória. Calvino também disse que “a teologia não é um fim em si mesma, mas deve conduzir à piedade, a uma genuína devoção, condição para o verdadeiro conhecimento de Deus”. A teologia deve ser aplicada de forma holística, ou seja, integrando a vida social, espiritual, política como um todo, e não separando suas condições. O que Calvino disse foi basicamente essa condição de termos uma teologia básica que nos ensina não só daquilo que Deus nos propõe mas sim do que Ele é: Deus é zeloso (Dt 6:15), então devemos ser inteiramente zelosos.
Não fomos feitos para viver metade para o Senhor, mas sim inteiramente para Ele, herdando seus atributos, mesmo que estejamos depravados e impossibilitados por si de buscarmos a Deus, e praticando sua palavra. O contexto de evangelho é prático. Não tem como sermos “teóricos do evangelho” em condição de filhos. Em outras palavras quero dizer que a teologia deve provocar ensino, conhecimento e aprendizado sim, mas também deve ser uma ponte que provoca adoração, conversão e glória a Deus. Então, como identificar uma teologia que produz adoração? Eu diria, a princípio e como via de regra que, uma teologia que produz adoração é a teologia bíblica. Jesus disse em Mateus 22:29 que erramos “não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Assim como a filosofia desperta o conhecimento da vida e algumas formas de analisá-las, a teologia desperta a grandeza de Deus e isso está contido nas Escrituras, na Bíblia. O primeiro passo a identificar uma teologia correta, ou no mínimo um estudo teológico proveitoso, é perceber se esse estudo pelo qual está sendo estudado é realmente baseado na bíblia seguindo suas nuances como Palavra de Deus inerrante. Warfield disse que “o cristianismo não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida”. E Chambers disse que “doutrina sem dever é uma árvore sem frutos; dever sem doutrina é uma árvore sem raízes”.
Evangelho sem ação é uma vida sem sentido. Vemos uma quantidade enorme de cristãos preocupados com status social porque conhecem um pouquinho a mais de teologia do que o irmão do lado. Isso não provoca nada a não ser vergonha. E o evangelho deve nos humilhar, mostrar a nossa condição de pecadores e que não temos nada em nós totalmente relevante para alcançarmos graça, mas sim Cristo, que viu graça nEle mesmo e decidiu nos salvar.
Lutero citou que não sabia por quais caminhos Deus nos conduz, mas que ele conhecia bem o seu guia. Fico me perguntando: será que conhecemos Deus? Uma teologia que não se preocupa em converter pessoas e glorificar a Deus, é uma teologia fraca, falha e repugnante. A mensagem em todas as suas esferas deve refletir Cristo, falar e ser sobre Cristo e para a honra e louvor de Cristo.
Portanto, ore! Peça sabedoria do Pai e seja humilde o suficiente para perceber que você é pecador e incapaz de salvar-se. Após isso, estude! Perca menos tempo com coisas vãs e dedique mais seu tempo ao estudo da palavra de Deus, em primeiro lugar, e depois em bons livros teológicos. Terceiro: medite! Que esta reflexão te faça pensar em como praticar os ensinamentos e adorar a Deus em verdade e não em achismos. Encerro com uma frase muito linda de John Gill: “cada obra de Deus serve para mostrar Sua glória e realçar a grandeza de Sua majestade”. Um brinde!

Deixe um comentário