Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

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No início da série, falei um pouco do significado de apologética e expliquei um pouco o título. Vimos algumas características de pessoas que defendem sua igreja local de maneira errada, no entanto, comprovamos que a apologética cristã é sim necessária. Hoje, dando continuidade a série, vamos atentar um pouco aos desafios que enfrentamos para defender nossa fé. O nosso ponto de partida é o texto de 1 Pedro 3:15:

“antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados par responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;”

Observamos aqui seis palavras muito importantes que precisam ser categoricamente estudadas quando lemos esse pequeno versículo: “santificai”, “preparados”, “responder”, “mansidão”, “razão”, “esperança”.

SANTIFICAI: O contexto de “santificai” aqui é muito claro: sejam compreensivos. E isso é um fator muito ignorado pelos que se dizem apologistas modernos. A fé cristã não é barreira e sim vida (João 10:10). Se não nascemos de novo (João 3:3), não amamos Deus de todo coração (Marcos 12:33) e não fomos justificados (Romanos 8:30), não podemos defender a fé cristã. Chega a ser inútil dizer ser cristão se não tem nenhuma dessas características bíblicas.

PREPARADOS: Talvez quando eu escrevi que todo cristão precisava ser apologético, alguém tenha me interpretado mal e saído por aí contra-argumentando todo mundo, mas a Bíblia nos orienta a nos prepararmos. Como? Oração, palavra e teologia. Teologia? Claro. Muitos ignoram o tal estudo pois dizem que “esfria o crente”. Eu também já pensei assim. Mas, na verdade, o que ela faz é abrir nossos olhos para muitas coisas as quais desconhecíamos (open eyes!). Mas saibam: “Apologética não é só desmontar argumentos, mas elaborar uma defesa coerente acerca dos nossos pontos de fé. Apologética não é só reclamar do que está errado, mas se esforçar ao máximo para fazer as coisas da maneira correta, ensinando também com o nosso exemplo, como Jesus fez”.

RESPONDER: “Por que você crê em Deus?” / “Por que Jesus morreu?” / “Como você afirma que o cristianismo é a única religião verdadeira?” / “Você é salvo?” Marty Broadwell escreveu um pequeno artigo, o qual diz: “Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pedro 2:23; 3:9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também deve fazer parte de nosso estilo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança – não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato.” Acredito que nessa hora um “Sola Scriptura” vai bem e, se deixarmos de refutar a palavra de Deus como sendo a Palavra inerrante do próprio Deus e procurar através de uma boa hermenêutica compreender cada texto, teremos a base necessária para respondermos aqueles que não conhecem a sã doutrina.

MANSIDÃO: Acredito que o Evangelho deve ser pregado de forma mansa, mas eficaz. Cristo pregava mansamente e não precisava usar força bruta física e nem intelectual para passar a mensagem de Deus aos outros. Discussões no Facebook sobre Deus, fé e pecado não chegarão a lugar nenhum se você não tiver Jesus como base e referencial em seus argumentos. “Ao invés de gastar tempo discutindo filosofia, será melhor compartilhar o plano de salvação para que a pessoa o aceite na hora”.

RAZÃO: Possa ser que razão seja interpretada por muitos cristãos como “eu estou certo e você está errado”, mas a RAZÃO proposta aqui é entendimento da Palavra. Mas talvez você se pergunte: “Por que eu preciso da apologética?” Tim Keller responde a essa pergunta: “A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética”. A razão pela qual você precisa deixa de ser algo totalitarista e passa a ser razão evangelística.

ESPERANÇA: E por último mas não menos importante, devemos ter esperança. Em Romanos, Paulo diz que a experiência produz a esperança (Rm 5:4). Precisamos de vivência cristã para então termos estruturas para defendermos nossa fé. O que muito vejo entre os jovens que se dizem “apaixonados por Cristo” é que suas “paixões” são limitadas a sua igreja. O que seu pastor prega é o correto e mensagem fim. Exemplo: “não pode ouvir música secular” – “mas por que não pode?” – “ah! meu pastor disse que não pode então não pode”. Em casos mais extremos, vemos o seguinte (e triste) argumento: “se temos Nívea Soares, por que ouvir Coldplay?” É claro que estou trazendo simples exemplos para um complexo assunto.

Igreja local é legal e necessária, mas igreja local tem mil e uma chances de estar ligeiramente errada. Por isso, a apologética cristã se torna muito mais importante, principalmente quando estamos envolvidos em um ambiente onde existe n variações de crenças e opiniões dogmáticas. Eu por exemplo, tenho amigos ateus e católicos, e sempre que necessário estou preparado para defender minha fé diante do Darwinismo, doutrinas católicas e filosofias vãs. Sejam apologéticos, mas acima de tudo, sejam bíblicos. Não saiam por aí agindo por puro impulso e achando que estar certo em tudo (nem o próprio Cristo agiu assim). Estejam cientes que precisam ler mais e mais a Bíblia sagrada e, livros e mais livros teológicos e filosóficos e claro, orem pedindo direção de Deus para que seus argumentos não sejam meras apelações para tentar convencer alguém de que você domina a teologia e assim se promover. Coração humilde, por favor! Um brinde!

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