Análise: CD S.E.T.E – PG

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PG é um artista diferenciado dos demais do segmento evangélico por ser ousado. E nem me refiro a sua veia roqueira, mas em seu vocal e apresentações bem elétricas. Mas como sou um compositor exigente, considero que suas letras soam uma chatice imensa.

S.E.T.E (Senhor, Exaltado Tú És) é o sétimo trabalho do cantor como artista solo. O disco foi lançado no dia 31 de julho deste ano pela Som Livre, primeiro álbum de PG pela conceituada gravadora, após dez anos na MK Music.

Vale salientar, antes de tudo, que S.E.T.E pode não ser, necessariamente, um disco enfadonho e incompreensível, mas tem propriedade para ser claramente confundido (ou considerado) como um mero Ctrl C + Ctrl V dos artistas cristãos norte-americanos e, isso deixa qualquer trabalho com a pretensão de soar bom alcançar o status de chato.

A obra conta com a participação do guitarrista e ex-companheiro de PG no Oficina G3, Juninho Afram, na faixa que abre o disco, Olhos da Fé. Em relação ao repertório, Ser Alguém é uma das faixas mais poéticas e legais do trabalho, com um violão cujo som é marca registrada de toda a sonoridade. Faz Morada em Mim reflete um pouco da parte trovadoresca do álbum que, por sinal, é boa. Em contrapartida, a faixa-título é uma mistura de vários clichês do gospel e alguns versículos bíblicos fortes. Isso me fez lembrar que, quando ouço música gospel, geralmente sinto mal, por ver a falta de criatividade dos compositores. Ao invés de gravarem um CD por simplesmente gravar, deveriam se atualizar, procurando, assim, superar suas obras. Um curso teológico também não seria nada ruim.

A respeito das referências estrangeiras, O Salvador surge com um peso ameno e diferenciado no disco. E, claro, revela uma perceptível e significativa influência da banda Thousand Foot Kruth na musicalidade deste trabalho. Mergulhar em Ti, por sua vez, é uma canção relevante.

Lamentavelmente, Orgulho ou Salvação? é mais uma daquelas faixas gospel que tentam empurrar Deus goela abaixo na vida das pessoas, apelando para as consequências do pecado, usando palavras como “inferno” e “Satanás” para amedrontar os outros. Ser de Deus é uma tentativa frustrada do artista em soar crítico, utilizando-se dos sentidos de “ter” e “ser” de forma superficial, simplesmente finalizando que ele, como eu lírico, quer “ser de Deus”.

A produção de S.E.T.E ficou por conta do próprio PG e ficou do seu nível: entediante. Para quem busca algo mais além de um som pesado e letras sem muita profundidade, o álbum vai te decepcionar, assim como me decepcionou.

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