Eu queria dizer que acredito nos pastores pentecostais e de igrejas tradicionais e apostólicas, dizer que eles são referências no que se propõem a fazer e que eu queria ser como eles. No entanto, não consigo dizer isso. Mesmo que eu tente, não dá. E não é nenhum preconceito contra as igrejas tradicionais. Até porque, também, não consigo acreditar em pastores meia-boca e que pregam para números e não para almas pecadoras como eles.
Um dia desses, em uma roda de conversa com alguns colegas do meu bairro, fui zombado ao ser convidado para um culto na igreja de um deles e eu disse que tinha igreja. Ele comicamente riu de mim e disse: “tem não“. Eu já sabia o que viria e ele reforçou a anedota: “Quem é o pastor?” E eu, seriamente, disse que não tem pastor. As caras assustadas se voltaram para mim e eu os convidei para conhecer a minha igreja. Claro que isso foi em vão, porque o pior cego é aquele que não quer enxergar. Já ouviu isso?
Isso sinceramente me preocupa. Na igreja do meu amigo, Marcos Barreto, não há pastores e sim pessoas à frente da obra. Nas Presbiterianas, também não há um cargo específico de pastor, mas há reverendos e presbíteros responsáveis pelas igrejas. Na igreja a qual faço parte, também com o Marcos, é um ministério de oração, missão e congregação. Peraê! Isso não é a função de alguma coisa que se não me foge a memória agora se chama IGREJA? Sim. Nada de rede jump, rede de jovens, rede de malha, rede de dormir, culto não sei do quê, ano da esperança, dinheiro para ser próspero e nem campanha evangelística. A igreja que eu faço parte não se preocupa com “extras” do evangelho, ela se dedica apenas em ser noiva de Cristo. Nada de discipulado individual, aconselhamento para libertar-se de algo e nem culto avivado. A igreja que faço parte almeja somente a glória de Deus. Nada de cultos numerosos com pessoas até fora do templo, nem banda com todos os instrumentos necessários para tocar o mais novo sucesso do Thalles, e nem recolhimento de dízimos e ofertas. A igreja a qual faço parte reconhece a dependência que tem de Deus e se humilha todos os dias para que Ele se faça maior.
Não tenho nada contra pastores e nem igrejas organizacionais. Talvez um dia o ministério que congrego se torne uma igreja organizacional em termos de templo, obreiros e banda. Mas eu repudio essa classe de cristãos – que nem merecem ser chamados assim – que se acham o povo mais santo porque estão no meio dos contáveis. São 12, são 7, são os batistas, os assembleianos, os neopentecostais. São os que estão na TV, nos teatros e eventos super-divulgados, na boca da galera como igreja-super-maneira-que-toca-um-rock-maneiro-aos-sábados. A igreja de Cristo não se compromete com nenhuma divulgação salvífica se não a do evangelho. A igreja de Cristo não é um aglomerado de números, mas sim pessoas complexas e que se arrependem todos os dias pelos seus pecados. São pessoas intimamente ligadas com a cruz, que olham para a cruz e vivem Cristo como prioridade em suas vidas. A igreja de Cristo não se preocupa com status, pois sabe que os anônimos são os que “não são” e esses reduzirão a nada os que são (1 Co 1:28); a igreja de Cristo ora pelos seus pastores / presbíteros / reverendos / líderes (At 12:5); a igreja de Cristo cuida um dos outros pois sabe o preço que foi pago pela igreja (At 20:28); a igreja de Cristo toma o maior cuidado de suas vidas para não ser causa de tropeço pois sabe que sua função é ser o oposto (1 Co 10:32); a igreja de Cristo ama seus conjuges pois Cristo amou de igual modo a igreja e se entregou por ela (Ef 5:25); a igreja de Cristo está disposta a chorar, sofrer e passar aflições pelo evangelho (Cl 1:24).
Um homem nomeado pastor, com uma Bíblia e um microfone em um púlpito pregando um sermão, templo cheio de pessoas e uma banda acompanhando é o que você chama de igreja? Isso é o que você acha ser igreja? Desculpa, mas isso não define o que igreja de fato é. Onde você está quando seu irmão precisa que alguém o abrace e ore com ele? Onde está você, quando as pessoas nas ruas vagam sem direção e anseiam ouvir uma palavra de conforto? Onde está, quando seu irmão peca e se sente um nada pela consequência de seu pecado? A verdadeira igreja se preocupa com os seus. Estão todo tempo se relacionando. A igreja é um corpo e o corpo de Cristo.
Quando meu nariz está coçando, normalmente uso minha mão direita para coçá-lo e com a igreja não pode ser diferente: precisamos ajudar uns aos outros. Esse apoio referencial que temos por um líder, alguém que nos comande e nos der assistência ministerial não significa nada se você não se coloca como parte do Corpo, da igreja. Não vão ser os pastores que vão reduzir o que é ser igreja. Ela sempre será o que é, pois Cristo morreu por ela. Ele acredita nela e não em pastores. Nós formamos juntos o corpo de Cristo e não um corpo batista, presbiteriano, assembleiano, alagoiano e tantos outros que existem por aí. Que possamos aprender o verdadeiro significado de igreja e não o que o número que estou envolvido representa. Um brinde!

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