O título desse texto não tem nada a ver com pregação apocalíptica para te amedrontar dizendo o quanto você vai sofrer se não estiver com o seu coração em Deus. Também não é uma pergunta retórica, eu sinceramente quero saber se você já sabe que Jesus vai voltar. Responda antes de prosseguir com a leitura.
OK, então prossigamos.
Já é de praxe ouvirmos os pregadores urbanos dizendo: “arrependam-se, pois Jesus irá voltar para buscar sua igreja!”. Aqui eu me coloco também como um pregador urbano e digo com muito orgulho: nunca evangelizei ninguém usando esta frase. Por que? Você sabe que sua mãe te ama, ela está contigo e te dá o que você precisa, então não é necessário ela dizer a cada momento em que vocês estão juntos que ama você. Tá entendendo meu raciocínio?
Nós, pregadores do evangelho, não precisamos dizer todas as vezes as quais vamos evangelizar que Jesus vai voltar porque assim como todo mundo sabe a aparente cor azul do céu, sabe que Jesus um dia vai vir aqui e mostrar quem manda nesse espaço terrestre e levar quem Ele quer levar. Mas, assim como é bom ouvir de vez em quando um “eu te amo” da sua mãe, também é bom ouvir um “Jesus vai voltar!”.
E qual é a real proposta do texto? Dizer que Jesus vai voltar, mas de outra forma? Não, porque isso seria o mesmo que dizer que o gordo não é gordo mas uma pessoa acima do peso. A intenção é simples: passar a mensagem de que você amado leitor, peca sabendo que um dia vai ser julgado por isso, julga sabendo que um dia será julgado, ignora Deus sabendo que um dia Ele também vai te ignorar. Ficar repetindo como um chavão que Jesus vai voltar / vai voltar / vai voltar não garante a salvação de ninguém. Não podemos usar esse fato vindouro para pôr medo em indivíduos os quais ainda não conhecem Jesus. O evangelho não é psicologia, e sim uma vida de renúncia. Usar o argumento de que Jesus vai voltar para converter pessoas não adianta em nada, pois a volta de Cristo é um confronto contra nossa própria natureza pecaminosa. Não importa o quão santo você seja, pois você é um pecador.
Quando eu fazia parte do movimento neopentecostal, achava a frase “Jesus vai voltar” um ótimo atrativo para os infiéis, pois assim eles poderiam ter esperança de uma vida melhor com Cristo e, consequentemente, fazer parte da família de Cristo. Hoje, percebo que isso não faz sentido. Não mesmo. Não faz muito tempo que fiquei muito revoltado com um grupo de “pregadores” pentecostais que gritavam a volta de Jesus no terminal urbano de onde moro, e se já não bastasse, enquanto um berrava seus “labaxurias”, o outro tocava uma corneta dessas que você compra em lojas de um e noventa e nove, simbolizando as trombetas do livro de Apocalipse. Me responda: se isso não é apelação é o quê? Não ouso chamar isso sequer de evangelho, quanto mais de evangelismo.
Além disso, é um enorme engano achar que a volta de Cristo elimina, automaticamente, o fato de que somos pecadores. Haverá um julgamento. Todas as coisas que fazemos em quatro paredes serão trazidas a tona; o cara que nunca foi popular, verá seus feitos sendo mostrados; a moça que nunca foi destaque na escola, relembrará as vezes que cortou os pulsos no quarto escuro. A volta de Cristo é o cumprimento da sua promessa (João 14:18) e não uma forma de encher o céu de habitantes. É fato que seremos regenerados e não mais seremos carne pecaminosa, e sim santos incorruptíveis, mas até lá, ainda somos falhos pecadores justificados apenas pela graça imerecida. O clichê evangeliquês do “Jesus vai voltar!” não converte ninguém. Em suma, ele afasta as pessoas do cristianismo, impõe barreiras de relacionamentos e medo nas pessoas que não tem 1% sequer de conhecimento hermenêutico das Escrituras.
Infelizmente, Jesus, assim como o Papai Noel, virou uma lenda urbana que ninguém mais acredita. Ouve-se desde que era pequeno(a) que Jesus vai voltar e ele ainda não voltou, então como acreditar nisso? As pessoas sabem que Papai Noel não existe mas quando chega a época de natal, fantasiam para os seus filhos de que ele existe sim. E a mesma coisa estão fazendo com Jesus: quando falamos dele nas ruas, nos ouvem com atenção e confessam que precisam ir na igreja e etc. Mas depois disso, o impulso do “preciso de Jesus” passa e então voltam a não acreditar mais em Jesus e nem de que Ele vai realmente voltar.
O meu manifesto como cristão e pregador urbano é que o evangelho, a palavra de Deus, seja pregada com coerência e sem apelação apocalíptica. É que buscamos conhecer mais o que significa amor e não violência de conhecimento bíblico. Respondendo a pergunta que fiz logo acima de como acreditar na volta de Cristo para dois grupos de pessoas: os que acreditam em Jesus mas não vivem pra Ele e para os céticos amantes da física. 1) Ele (Jesus) prometeu voltar e Ele não mente. 2) Isaac Newton disse, basicamente que, se algo sobe, terá que descer por causa da gravidade. Jesus tem a gravidade em suas mãos porque é Soberano, mas como vocês não crêem nisso, apenas fiquem com a resposta de que Ele viveu aqui na Terra, subiu aos céus, então Ele descerá. Um brinde!

Deixe um comentário