Categoria: Um Brinde

  • Um Brinde – Gênesis, “Enough To Let Me Go” e a minha imperfeição

    Um Brinde – Gênesis, “Enough To Let Me Go” e a minha imperfeição

    Uma música, poesias, filmes e livros são distrações muito comuns para mim, como os dias que se espalham e se entregam como redemoinho no inverno. Assim, este é um texto para falar de coisas vãs e fatos que passam desapercebidos, pois as noções e encantos do nosso cárcere sentimental enfeitam cada dia mais nosso trajeto existencial.

    E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente“. (Gênesis 2.7)

    Apenas um sopro divino foi capaz de nos dar a vida, e a mesma terra a qual pisamos foi fonte do pó para nossa origem. No entanto, houve a queda, o pecado, e então a consequência:

    Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás“. (Gênesis 3.19)

    Ao pó tornaremos como átomos mortos, sem mais esperança e sem mais vida. Uma música me despertam muitas sensações. Embora não ouço apenas uma música, “Enough to Let me Go”, da banda Switchfoot traz-me melhor esta questão do que outras. Sua primeira estrofe é bem sincera:

    (Tradução)
    Oh!
    Eu sou uma alma perambulante,
    Eu ainda estou caminhando pelo caminho que me leva pra casa,
    sozinho, tudo que eu sei,
    É que eu ainda tenho uma montanha a subir,
    Por conta própria. Por conta própria“.

    A decisão de reconhecer nossos erros e entregar-se a Deus como um filho que corre para os braços de um pai é uma dádiva linda e instigante, sem quaisquer requisitos. A diferença de andar em círculos e andar procurando uma direção é uma só: a intenção. Portanto, mais que nunca aqui na Terra, para deixarmos de ser apenas pó, só existe algo que nos joga para muito longe do caos do egoísmo: Deus, a única esperança.

    Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra“. (Gênesis 6.12)

    O pecado corrompe e nos cega. Isso me faz lembrar uma situação: dia desses conheci dois jovens que com orgulho falavam de suas andanças pelas festas e de como tinham uma vida sexual ativa. Senti pena e estranheza ao mesmo tempo: como podem achar o pecado algo tão normal assim e ainda zombarem de quem não leva a mesma vida?

    (Tradução)
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
    Para me deixar acabar com isso,
    Para me deixar cair por você,
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    A doutrina da graça me ensinou que não consigo ser bom por mim mesmo, pois tudo é pela graça! Se vos escrevo agora, é pela graça de Deus. Há algum tempo reconheci que Deus molda meu coração de forma tão delicada que as vezes até esqueço de que sou mau e fraudulento. Ele me conhece melhor que ninguém. Raramente sento com alguém para pedir um conselho, porque Deus molda-me! Por mais que minha imperfeição seja grande, Ele me faz reconhecer que tudo que eu preciso já está aqui. Ele me ama, nos ama o suficiente para nos deixar ir e sermos responsáveis por nossos atos, e, assim como o pai permite a filha sair de casa quando atinge uma certa idade para juntar-se ao seu marido, Deus nos deixa refletir e decidirmos se queremos ser artistas na Terra ou meros sobreviventes.

    Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar“. (Gênesis 4.7)

    Devemos controlar o pecado, mas seria hipocrisia minha falar que nunca senti vontade de ir à festas como as quais os dois jovens frequentam contaram, e sair com várias garotas diferentes. No entanto, eu sei que isso não me levaria a lugar nenhum senão a perdição, pois pecado nos cega. No Éden, o pecado abriu os olhos do homem para o conhecimento do bem e do mal, o que de fato é pior que não enxergar, pois o mal atrai e assim nos cega para o bem. Isso é um paradoxo real, e aconteceu, acontece e ainda acontecerá muito entre nós.

    (Tradução)
    De volta da morte do inverno
    De volta da morte e todas as nossas folhas estão secas.
    Você está tão linda essa noite…
    (Você me ama o suficiente pra me deixar ir?)
    De volta da morte que nós passamos,
    De volta da morte e ambas as nossas línguas estão presas.
    Você parece tão linda essa noite.
    (Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    Jon Foreman canta mais a frente que “toda semente morre antes de crescer”, e morrer para o pecado é nascer para Deus. Toda essa metáfora entre os textos de Gênesis e a música do Switchfoot não é para soar como uma poesia redundante e nem para expressar o meu favoritismo pela banda, mas pra tentar traduzir um pouco de minha vivência de forma bíblica. Nunca seremos bons o bastante, eu nunca serei bom o bastante. E, consequentemente, não há sequer um que seja bom (Salmos 14.3). O sentimento de culpa não nos torna inocentes, apenas deixa a máscara desmanchar sem cores, deixando a verdade do “tudo é vaidade” reinar como vilã em nós.

    (Tradução)
    Inspire
    E deixe isso passar.
    Toda respiração que você toma não é propriamente sua.
    Não é sua espera…
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    Nem o ar que respiramos é propriamente nosso! Ainda duvida que vivemos pela graça e nada que fazemos ou porventura venhamos fazer pode mudar isso? Quanto vale sua vida? Você seria capaz de abandoná-la para encontrar em Deus o seu lugar? Isso só é possível quando amamos a Deus sobre todas as coisas! Somos estrangeiros em terras perigosas e frias, por isso, não há muito tempo para ficar rodando e correndo feito louco. A decisão é sua, é minha, é nossa. Mas lembre-se: é pela graça de Deus. Se você O escolheu é porque Ele te escolheu primeiro! Um brinde!

  • Um Brinde – Mutantes-Humanos

    Um Brinde – Mutantes-Humanos

    Acorda cedo, ajoelha-se, ora, levanta, toma banho, escova os dentes, toma café, se arruma e vai à aula. Isso se repete na quinta e sexta-feira. Já falei dos dias aqui metaforizando a música “Primeiro Andar” dos Los Hermanos. Pensa-se muito: no emprego que não se conseguiu, faculdade que ainda não começou, na vida que se leva e o que encarregou para que se chegasse até aqui. Lê-se a bíblia, sente-se mais perto de Deus, e só. Isso é tudo na semana. O motivo mais singelo de levantar e viver mais um dia é unicamente pela graça do Pai, a qual nem merecemos. Mas existem complicações cotidianas que só entendemos quando há um choque fatal com algo inédito: por isso, conheça uma banda nova, pegue outro ônibus, conheça alguém especial, faça com que cada segundo valha a pena. Seja mais do que se vê.

    Certamente vos repreenderá, se em oculto vos deixardes levar de respeitos humanos” (Jó 13:10)

    A vida no piloto automático é diminuta e, muita das vezes, sem escolhas. A única noção a qual temos é de que precisamos correr numa esteira sem fim. Lembra-se então de dias alegres em família e pensamos: “onde tudo isso se perdeu?” Mas na verdade, o que somos? Uma evolução de alguma espécie de macaco? Ou criação de Deus à sua imagem e semelhança? Se você é cristão, ou ao menos crê na existência de Deus, ficará com a segunda opção. Mas apenas isso é inútil, pois posso dizer com a minha boca todos os dias que gosto de molho inglês e todos os dias não provar de seu sabor. O que isso adianta? Nada. Afirmar uma coisa não a torna real. Dizer que crê em Deus e que foi feito a sua imagem e semelhança não te faz um humano ou algo parecido, apenas como um mutante que se move e respira. Isso parece algo repentino, mas isso é cosmovisão cristã: observar a ciência e a evolução humana por uma perspectiva cristã nos faz enxergar fatores sobre a humanização do nosso ser e mutação dos ideais comportamentais. Vida cristã não é um devocional, mas é renúncia e aprendizado. É cruz!

    Fato é que, nossa vida é um processo, e é difícil ter certezas de tudo imediatamente. Existem várias questões as quais ainda não tenho um pensamento concreto. Acredita-se em tão pouca coisa que se fosse selecionar as que de fato acreditamos, ficariam muito poucas. Mas eu acredito no homem, mesmo não sendo humanista lá essas coisas, eu acredito no homem porque Deus o ama. A raça humana ainda não está extinta e tampouco tornando-se burra, só estamos perdendo a fé e a esperança em nosso Deus universal, aquele que não faz acepção de pessoas (Ef 6:9). Ele transcende quaisquer tipo de religião e contribui para o bem daqueles que O amam (Rm 8:28).  A mutação mais equivocada e triste foi a queda do homem. O pecado é a mutação extraordinária da maldade e que nos impede de sermos humanos de origem, criados à imagem e semelhança de Deus. Mas, ao reconhecemos isto, permitimos que Ele nos clareie e, a partir desta aceitação, deixaremos de ser fruto do acaso fermentado por uma ideia também equivocada, tornando-nos, com toda honestidade, parecidos mais ainda com Cristo! Um brinde!

  • Um Brinde – Eu pensei que a casa estava arrumada

    Um Brinde – Eu pensei que a casa estava arrumada

    Eu vagava sem direção alguma. Não tinha conhecimento nenhum de nada. Vivia de acordo com o que foi pregado a vida inteira para mim. Eu pensei que a casa estava arrumada, mas não estava. Nunca fui o cara certo pata falar sobre certos assuntos. Eu só vagava sem bússolas e GPS’s. Eu era aflito e só. Mas Deus me escolheu, e eu O escolhi porque Ele já havia me escolhido. Pensei que havia me convertido há 12 anos atrás, quando disse SIM no altar para Jesus. Repito: eu pensei que a casa estava arrumada. Igualmente como em um domingo que você levanta meio-dia e se encontra sozinho em casa; toma banho, come e depois de algum tempo percebe que é necessário varrer a casa. Há exatamente 12 anos atrás eu disse SIM para uma nova vida com Cristo. Cresci, amadureci e encontrei-me com a doutrina da Graça. Arrumei a casa! Permiti que Cristo retirasse todos os entulhos teóricos e mal-dizeres do meu ego. Um choque com a verdade! A vida inteira pensei que podia fazer algo que me levasse à eternidade com o Pai. Mas não, pois tudo é pela graça. Nada por méritos e circunstâncias, mas sim pela graça! Só pela graça, unicamente pela graça!

    Eu pensei que a casa estava arrumada quando adotei um conjunto de regras e doutrinas baseada em pregações barulhentas. Tudo que eu tinha era a ânsia por mais. O desejo incontrolável de abraçar o Criador. A chama permaneceu viva! Eu entendo hoje que mesmo que eu corra milhas e milhas, pegue o ônibus mais próximo para uma parada mais próxima de um aeroporto, e lá eu pegue um vôo para o país mais distante que um avião é capaz de voar, ainda assim não seria o suficiente para impedir que a graça de Deus reine sobre minha vida. Mesmo que eu me forme no maior nível de universidades do mundo, e a partir disso esteja apto para ensinar o presidente dos Estados Unidos, não haverá diplomas no mundo que me faça entender o modo que Deus age e rege a Terra. E hoje eu canto “Learning to Breathe” do Switchfoot como um hino libertador.

    Olá, bom dia, como você vai?
    O que faz seu sol nascente tão novo?
    Eu poderia usar de um novo começo também
    Todos os meus arrependimentos não são nada novos
    Então este é o jeito que eu digo que preciso de Ti
    Este é o jeito
    Este é o jeito que eu estou aprendendo a respirar
    Aprendendo a engatilhar
    Estou descobrindo que você e só você pode acabar com a minha queda.
    Estou vivendo novamente, animado e vivo
    Estou morrendo pra respirar nesses céus abundantes“.

    Estou morrendo pra respirar! O fato mais intrigante é que agora tudo faz sentido: a queda, a crucificação, a redenção, a salvação, a própria vida. Deus, o único sentido, a única verdade, abriu meus olhos e me fez entender o quão pequeno sou diante Sua glória, mas o quanto posso viver para a Sua glória.

    Queria que o caro leitor não interpretasse este texto como uma defesa oculta do calvinismo. De fato, sou sim calvinista, mas este não foi o intuito do texto. A proposta é simples: entender que somos habitação de Deus, então é bom arrumarmos a casa. Ele merece o melhor!

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (parte final)

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (parte final)

    A nossa série de textos tão intrigante chega em sua fase final. Diante mão, quero ressaltar que essa é apenas uma simples visão. Não se limite a esses textos que escrevi, busque saber mais e conhecer mais sobre o assunto. Nesse artigo falo sobre os prédios ditos como sagrados. E na maioria das vezes, são chamados de igreja. O que diferencia um prédio de uma empresa para um de uma denominação cristã? Chefe e pastor, salário e dízimo, empregados e fiéis, se confundem. Mas por favor, não me interpretem mal. Não estou afirmando e nem induzindo que, as congregações [igrejas] são empresas religiosas ou comercio da fé. O que quero dizer, é que há uma semelhança mesmo que pequena, no sentido organizacional dos templos com os de uma empresa comercial. Escrevo isso como um técnico em administração. Agora, falando como um simples cristão, digo que isso é muito perigoso. Pois com semelhanças assim, correm-se sérios riscos de se tornarem de fato, uma empresa, e não um lugar onde se louvam e adoram a Deus celebrando Suas misericórdias. Nesse texto quero aplicar fatos verídicos que vivi como ponto concreto do que proponho passar aos caros leitores.

    Atualmente, estou bem distante de congregações. Porém, sou bíblico, vivo em igreja. Há um ano me reúno com minha família e amigos em um grupo ministerial chamado Adoração Livre. Acreditamos que é sim projeto de Deus, pois resistimos a tempestades, resistimos ao ego tentador de querer fazer o que queremos pelos desejos carnais, resistimos aos “não dá pra ser crente sem congregar”. Congregar. Essa parte é importante pois eu congrego sim. Nós congregamos. Não numa congregação específica onde nós precisamos ir até lá, mas estamos congregados em Cristo vivendo em união como igreja. Notou a diferença? Eu não posso me reunir com duas ou três pessoas, atender clientes e chamar aquilo de empresa, pois a estrutura física e mesmo burocrática, não condiz com os padrões de empresa. É necessário uma matriz física a qual as pessoas tenham ciência do que se trata. Mas eu posso me reunir com duas ou mais pessoas, viver com elas em Cristo e juntos sermos igreja. Por isso igreja e empresa não podem se assemelhar. Seria uma heresia para os fiéis e falcatrua para os clientes.

    Portanto, também não digo que precisamos ou devemos abandonar nossas congregações, até porque somos aconselhados biblicamente a não fazer isso (Hebreus 10:25), mas digo que não podemos fazer de nossa congregação um templo de egos, ou visitar o lugar afim de me sentir melhor ou por cronograma ministerial. Temos que fazê-lo por amor e para a glória de Deus (I Co 10:31). Caso contrário, estaremos sendo ativistas religiosos e fazendo de nossas congregações o que o próprio Jesus rejeitou: um comércio. Não dá pra vender fé e nem esperança. Fé e esperança são inegociáveis. Então assim encerro essa serie de textos: brindando o bom senso e dando um grito de liberdade intelectual para que entendamos que nossos prédios “sagrados” não passam de construções humanas a qual Cristo jamais vai habitar (At 17:24). Somos nós que constituímos a a igreja de Cristo. Vivendo em unidade e amor! Um brinde!

  • Um Brinde – “Primeiro Andar”

    Um Brinde – “Primeiro Andar”

    Andamos em círculos, muitas vezes sem saber ao certo para onde ir, buscando o que nem sabemos que queremos. “Eu preciso andar, um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou” – Rodrigo Amarante. É nesse sentido que as coisas caminham: nem sabemos quem de fato somos e já queremos mais e mais. Humanismo capitalista. Sabe, eu aprendo muito com a minha rotina. Não deixo nunca que ela se torne fadigante e chata. Tento dar sempre um extra para que os dias não sejam todos iguais. A rotina por si só não é chata, o chato são os dias repetidos. Eu escolhi andar. Acredito que só esperamos o que temos um certo grau de certeza. Deus não me prometeu nada terreno a qual tenha um prazo que preciso esperar a não ser Sua volta. E se esperar é caminhar, eu decido andar. “E o que eu vou ver? Eu sei lá“. Repito: andamos em círculos. Reforço essa tese citando como é complicado lidar com as pessoas. Tenho uma imensa dificuldade em fazer amizades. Não sei como me comportar e resumindo, não sei lidar. Ando em círculos porque tudo acaba do mesmo jeito que começou: no nada. Éramos pó e por um toque divino fomos moldado e hoje somos isso: imagem e semelhança do Criador.

    A repreensão que há em nós é quantitativa. Somos meros mortais em busca da perfeição. Do alimento para o ego. Com correções e limitações chegamos ao pódio criado por nós mesmos, onde não há vencedores pois os únicos competidores somos nós próprios. Não existe vencedores numa luta contra si, apenas morte de ego. Um ego vivo é ameaça constante, um ego morto é prêmio diário. E prêmio por prêmio é nulo. Nada vale se perdermos a própria vida (Mc 8:36). O que se segue no aprendizado da rotina é reconhecer-se, saber nossos limites e virtudes. Lembro de que uma vez pedi ao amigo Tiago Abreu para que me cedesse uma de suas letras para gravar em meu EP. Ele me passou algumas, mas uma me chamou muito atenção mais que as outras. Uma música chamada “Onde?”, na qual tive o prazer de harmonizar e arranjar com o meu amigo Jussan Mendonça. Uma parte da canção diz “um objetivo é meu troféu, empoeirado na estante e nesse instante, vívido mas distante“. Depois, em uma conversa singela com ele, entendi um pouco do sentimento da música e percebo mais uma vez que de fato somos moinhos de vento, estilhaçados afim de encontrar o nosso lugar. Poderia citar mais uma penca de músicas que se relacionam com o que trato aqui nesse texto, mas ficaria chato demais, até porque o título leva o nome de uma música do Los Hermanos de seu último álbum de estúdio, o simplista 4, composição do guitarrista e um dos vocais da banda na época, Rodrigo Amarante. O que aprendo com ela? Que andamos em círculos para nos descobrirmos. Andamos pela rotina para sair dela. Escolhemos esperar para recebermos algo. Escolhemos andar para alcançarmos o nosso ser. Descobrir o que se quer sem ter noção do que se espera. Um brinde a nossa trajetória!

    Imagem: Filipe Soares Dilly (com licença creative commons)

  • Um Brinde – Protótipo corriqueiro dividindo a teoria e a prática

    Um Brinde – Protótipo corriqueiro dividindo a teoria e a prática

    O conceito de “estar certo” ou “estar intuitivamente correto” não me agrada.

    “Nem mesmo o tédio me surpreende mais” – trecho da música “Déjà Vú” da banda Pitty. Adaptando, nem mesmo a teologia me surpreende mais. É fato que de qualquer modo que eu viva, haverá uma teoria que irá suster a minha ação. Não dá para fugir da teoria, por mais que seja a mais alta das irrelevâncias. Minha vivência não condiz com nada que seja linearmente teórico. O próprio nome já diz tudo: vivência! Mas é inegável que sou um cara teórico, só não entendo o porquê optei cursar o nível técnico de administração e agora curso licenciatura em música. Disciplinas práticas para um teórico! E aí quando o celular vibra com uma mensagem de uma de suas melhores amigas pedindo sua ajuda querendo desabafar? O que fazer? Usar a teoria ou dizer que tudo vai passar? Calma, termine de ouvir a música, leia melhor seu livro sobre teologia reformada, pense na sua vivência, faça seu trabalho da faculdade e aí você pensa no que vai falar pra sua amiga. São indecifráveis ações sem pretensões!

    Costumo ouvir sempre a frase “eu estou certo” de pessoas que volta e meia se veem em situações em que seus princípios são testados. Alguma coisa errada nisso? Aparentemente não. O lance é saber o intuito, o porquê de querer estar certo. Terá alguma boa finalidade isso?

    “Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança” (II Timóteo 3:10)

    Minha intuição pode ser uma das melhores possíveis, mas se não tiver um fim benevolente de amor, não servirá em nada. “De boas intenções o inferno está cheio”. Ser teórico ou prático nessa questão não significa muita coisa. O que observo nos mais distintos padrões filosóficos e teológicos é a ânsia pela certeza absoluta ou em questão, algo que induza um ideal que convença. Mas, por hora, é necessário eu ser o mínimo tolerante e entender que todo ideal precisa ou se sente na necessidade de convencer, pois caso fosse o contrário, qual seria a finalidade do ideal? Certo, mas o meu raciocínio vai muito além, porém, não está tão longe assim de ser entendido. Leve em consideração que estou tratando de cristãos, pessoas que possuem princípios e procuram viver e pregar a sã doutrina. O que te leva a fazer o que você faz? Freud explicaria que são instintos e características próprias do indivíduo que fazem com que cada um faça o que faz. Ou não? Entendo que o que eu faço (e o que você faz) agrada uns e ridiculariza outros e isso é o que nos leva ao suprassumo da imperfeição.

    Se a minha teoria não condiz com minha prática, eu sou um hipócrita/farsante/mentiroso. Se minha prática não condiz com minha teoria, talvez eu seja um ignorante/burro/ingênuo. De um modo ou outro, estaria incoerentemente errado. Quando se trata de evangelho, não basta ter vivência edificante. Acredito que é necessário estudar. Sim, estudar! Ler a bíblia por ler é incoerente e nada produtivo. Orar por orar é perca de tempo. Pregar por pregar é agir como um ativista religioso. Faça as coisas com uma finalidade biblicamente correta. Tenha uma vivência prática com conceitos bíblicos teóricos edificantes. Viva Cristo!

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (Parte II)

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (Parte II)

    Ideologia “é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações ou regras (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem fazer e como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo explicativo, de representações e práticas (normas, regras e preceitos) de caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes. Pelo contrário, a função da ideologia é a de apagar as diferenças, como as de classes, e de fornecer aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como, por exemplo, a humanidade, a liberdade, a igualdade, a nação, ou o Estado.” (Marilena Chauí, o que é ideologia 1980).
    Essa é uma das variáveis definições de ideologia. Posso indicar um norte que garanta ao caro leitor que essa série de textos não tem uma certa função de “puxar corda”, indicando o que é aproveitável e o que não é. Assim como faço com tudo aquilo que escrevo, abordo o cotidiano e aquilo que convém a minha realidade de vida. A palavra ideologia foi criada por Destrutt de Tracy, no séc. XIX, e significa, etimologicamente, ciência das ideias. Isso envolve desde já, pelo menos aqui nesse texto, o muro que existe entre a cultura cristã e a secular que quase, utopicamente, conseguem se separar. Ao meu ver elas deveriam se encontrar em vários momentos do nosso cotidiano quanto eventual, quanto rotineiro. Um dia desses, ajudando um amigo em um trabalho em um trabalho de cartografia, conheci um amigo dele, cristão da Igreja Metodista Wesleyana, e me falou que só ouvia música gospel pois encontrou todos os ritmos lá, então não tem porque procurar fora. Respeitei a opinião dele, mas pensei comigo: “isso não seria limitar a cultura? Se fechar em um mundo gospel e não deixar nada mais entrar, somente sair?” e é isso que acontece: queremos que os outros ouçam os mais variáveis ritmos gospel, mas nós não aceitamos nada que venha de lá, do ‘mundo’. Nem ao menos damos chances para ouvir o que a letra passa, refletir sobre a intenção do autor, sobre aquilo que compôs, procurar entender o meio que vive. Isso é cultura. Lembro também de um amigo meu ateu, que ao ser apresentado a banda Switchfoot por mim, disse que achava o som dos caras muito bom, mas que não ia dar atenção a ela pois eles são cristãos, apesar de suas letras serem sem rótulos. Então, é isso que acontece por aí: uma contracultura contraditória. Karl Marx compreende a ideologia como uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho manual e o intelectual. Isso afetaria outros conceitos que temos a respeito de assuntos mais complexos como a doutrina da salvação, por exemplo.
    Ainda sobre a definição de ideologia, é coerente citar o pensador Antônio Gramsci, que considero uma das mais conceptíveis para ser estudada nesse texto, a qual diz que “ideologia significa uma concepção de mundo, manifestando-se de modo tácito na arte, no direito, na atividade econômica, enfim em todas as manifestações da vida”. A partir disso, compreendemos que ideologia, em si, não é algo ruim. Torna-se algo negativo quando isso tem um fundamento ruim, com fins egoístas, indo ao encontro da cultura como um labirinto de ideias que se cruzam para constituir uma massa de entretenimento e conservação cultural. Segundo Rousseau “todo homem nasce bom, e a sociedade o corrompe”. A cultura secular é extremamente plural. Não tem como fugir dela. E aqui parafraseio Jesus, quando disse: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno” (João 17:15). Estabelecer um muro entre a cultura cristã e a cultura secular, é querer dividir o mundo, que o próprio Cristo não quis fazer. Como Salvador, pediu que fossemos libertos das coisas vis e más deste mundo, mas que houvesse relacionamento com a cultura e arte universal…
  • Um Brinde – Minhas sinceras desculpas

    Um Brinde – Minhas sinceras desculpas

    Observando meus textos no site, especificamente aqui na coluna Um Brinde, percebo o quão superficial e morno fui nos assuntos que queria abordar. Antes de tudo, quero dizer aos caros e amáveis leitores, que esse texto será tematicamente explicativo, ou seja, vou comentar como geralmente escrevia os textos para o site e como quero fazer a partir de hoje. Escrevia os textos para o Um Brinde sempre relacionado com algo que estava vivenciando, igualmente como faço com tudo o que escrevo. Há um pedaço da minha vida em cada letra e frase de efeito. Mas então, isso é ruim? Não. Seria ruim se eu não vivenciasse o que escrevia, aí seria hipocrisia gritante de minha parte. O fato é que quase sempre escrevo os posts apressado e por isso saem aparentemente incompletos, como se fossem falados e não escritos. E realmente é isso mesmo: não dou tudo de mim, não reflito o que sou no tema que quero tratar, não dou atenção exclusiva ao site como deveria, não me sinto parte da equipe. Isso é bom? Não. Péssimo! Quero pedir sinceras desculpas a todos vocês que me leram até hoje. Perdão pela incoerência de alguns textos; perdão por não ler mais a bíblia e livros teológicos antes de escrever qualquer texto aqui; perdão por não orar antes de moldar minha ideia. Perdoe-me!

    Percebi essa falha quando comecei escrever a série de textos Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados. Fui forçado (no sentido mais positivo e espontâneo da palavra) a ler mais, pesquisar mais e especialmente, orar mais. Tive que olhar pra dentro de mim. Apontar minha falha, meu erro, minha imperfeição de ser. Santo Agostinho dizia que: “conhece-se melhor a Deus na ignorância” e isso vivenciei na prática para relatar tudo isso aos fiéis internautas. E não há teologia e/ou filosofia que defina o quão grato sou por poder ser propagador do evangelho de Cristo por esse meio muito importante de  informações. Percebo também, e essa percepção é exclusiva como a de um leitor visitante, que os textos do Um Brinde são bem rotineiros, ou seja, de coisas que diariamente acontecem comigo. Coisas que ouço, assisto e penso. Temo ser um propagador de ideias cruas, sem verdades e alicerces suficientes para cativar quem me dá a honra de sua leitura. Quando publiquei o texto que escrevi com minha namorada, pensei como aquilo refleteria daqui a uns meses ou anos. Mas também pensei em como aquele texto podia servir de edificação para as pessoas que o lê-se. Deixei de pensar no meu futuro para pensar no presente do outro. E é assim que quero escrever agora aqui: quero publicar textos mais pensados, lapidados e revisados.

    Não prometo textos maiores, pois corro o sério risco de falar coisas desapropriadas para o tema e o momento, mas me esforçarei ao máximo para trazer textos com mais eficiência e que seja edificação para nossas vidas. Ainda também não prometo trazer temas mais complexos , pois por mais que meu coração arda pra que eu escreva sobre temas mais difíceis, tenho convicção de que tenho muito que aprender para que meus argumentos se solidifiquem. Porém, no grau mais regular de minha humildade, me comprometo a ler mais a bíblia, ser mais honesto comigo mesmo, ouvir as musicas com mais delicadeza e atenção antes de fazer uma resenha, orar mais antes de começar a escrever sobre algo que quero muito e claro, estudar sobre os temas. Fica aqui minhas sinceras desculpas! E um brinde ao novo Um Brinde!

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados

    Ultimamente tenho procurado ler muitos blogs e sites cristãos a respeito de assuntos que possam me indicar uma referência plausível sobre questões vivenciais de um cristão e como se relacionam com não-cristãos. Um exemplo muito bom é o blog Minha Vida Cristã, a qual eu já consegui tirar muitas coisas pra minha vida mesmo. Entendo vida cristã a partir de um pressuposto vivencial e ideológico que, só pode ser explicado – ou ao menos tentado ser explicado – através da fé. Considerando que ela [a fé] ” é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hebreus 11:01), podemos concluir que fé é ter certeza das coisas que virão (futuro) por meio dAquele que não vemos (Deus). Minha busca por conteúdos cristãos é constante, mas não procuro somente nas mídias globais da internet, também as procuro no dia-a-dia, segundo minha ótica teológica e de amor ao próximo. Cada “pregação” que vejo no terminal, senhores entregando panfletos com uma mensagem evangelística ou uma criança pedindo colo a sua mãe, me levam a refletir sobre nossa mera existência. Schopenhauer dizia que “uma vida feliz é impossível. O máximo que se pode ter é uma vida heroica.” e é assim que vejo milhares de heróis no corre-corre diário atrás de suas metas em busca da sobrevivência, longe de uma vida perfeita, mas crentes de que tem uma vida a zelar. E o que dizer dos ateus? Sua existência é pautada no que a ciência diz, pensa e comprova. Posso dizer que, por anos, acreditei numa ciência certa de vez e suficiente para vivermos, até perceber que ela não me dá nenhuma certeza suficiente para continuar acreditando na minha própria vida.

    Tenho amigos ateus, mas cada um é diferente do outro: uns odeiam Deus, outros não queriam ter nascido e outros até leem a bíblia, mas como se fosse um livro qualquer. E diante de tantas ideologias fundamentadas, como o número de ateus pode aumentar ou se manter estável? Simples: falta uma suficiência  que os garanta que vale apena acreditar naquilo. E aqui defino como algo que bastará para viver. Por mais que haja outras coisas tão boas quanto essa suficiência, a ausência delas não fará diferença, pois você já tem o suficiente. E percebo que, está cada vez mais comum vermos pessoas totalmente desprovidas de quaisquer tipo de conhecimento teológico e filosófico, dando seus palpites de lei moral, cultura secular, etc. Escrevo como alguém que já vive com Cristo aproximadamente um ano longe dos templos, distante dos rótulos religiosos, e procuro todos os dias me relacionar com a Igreja que estou envolvido. Comprovo que sim, é possível existir Igreja fora dos prédios ditos como “sagrados”. Não que isto seja uma regra ou maneira específica e fundamentalmente necessária para um cristão verdadeiro. Nos relacionamos como Igreja, nunca esquecendo os princípios da mesma. Talvez seja isto o que falta entre nós: voltar ao princípio do que é Igreja. Relacionamento com aqueles envolvidos na mesma congregação (Continua…)

  • Um Brinde – Ousado é o tolerante

    Um Brinde – Ousado é o tolerante

    [Este foi o primeiro texto que escrevi com alguém, e alguém muito especial pra mim. Minha namorada Samara Mello. Tentem enxergar nas entrelinhas o conceito de relacionamento com Deus. Muitas vezes deixamos Ele longe demais nós, por enfatizarmos questões corriqueiras e sem muita importância]

    Tem momentos que nós pensamos tanto, mais tanto em desistir de algo, simplesmente porque todos estão desistindo, e aí falhamos por nossas más decisões. Mas não devemos desistir só porque as outras pessoas desistem, devemos lutar pelo o que queremos até o fim, mesmo que não der certo, mas depois veremos que tentamos mesmo sabendo que não daria certo. E querendo ou não, isto nos levará a algum lugar. Aí você se pergunta: “Será que realmente vale apena insistir tanto?” Digo que só você é quem pode responder. Procure auto-conhecer. Saiba quais são seus objetivos de fato. Não desista só porque você acha que está dificil. Lute para que você possa conseguir alcançar seus objetivos e vencê-los um a um de cada vez sem medo de errar. E se errar, irá aprender a tomar mais cuidado com suas decisões, afinal de contas, são elas que nos levam ao erro ou acerto.

    Precisamos saber quem de fato são os amigos. Já ouviu aquele ditado que “nem tudo que reluz é ouro”? Pois é. Saiba fazer uma boa escolha de quem você chama de amigo(a). Sim, pois nem todas as pessoas que você chama de amigo (a)  são seus amigos de verdade. São apenas pessoas que esperam uma chance para te “apunhalar” pelas costas e te ferir. Fazer você sentir uma dor profunda no seu coração que não tem explicação!

    E onde queremos chegar com tudo isto? Queremos expor um pouco de uma tese que seguimos sobre relacionamentos. E quando falamos em relacionamentos, isto envolve um todo: seja seu relacionamento com seus pais, irmãos, amigos, namorado (a), esposo (a) e principalmente com Deus. Saiba ouvir! Aprenda a assumir que está errado. Leve a responsabilidade pra cima de você! E viva intensamente cada minuto da sua vida, porque são minutos que não voltarão. Pois o que fica no passado não pode fazer parte do seu presente! Pelo mesmo fato de que não podemos viver o ontem, muito menos o amanhã.

    Entendemos conforme o tempo vai passando, que nunca podemos fazer tudo certo. Sempre vamos falhar em algo. Mas existe uma forma de fazer certo, e o mais seguro é reconhecendo que somos imperfeitos. Mesmo com todo amor que sentimos em nossos corações, há falhas imediveis dentro de nós. E são essas falhas que nos mostram que a vida nao é fácil, mas temos que vivê-la assim mesmo com tantos obstáculos, e que somos capazes de vencer e alcançar nossos objetivos a cada dia que vivemos!
    John Lennon disse que “É uma falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.” E é por isso que dizemos que a responsabilidade é sua. Faça você mesmo as coisas acontecerem, claro, que sempre respeitando os limites do próximo. Seja audacioso, mas humilde. Seja tolerante, mas atento. Seja amável, mas saiba também dizer “não”. Siga em frente sem ter que pisar em ninguém, pois você é capaz de vencer os obstáculos da vida!