No ano em que eu nasci, 1996, Humberto Gessinger formava o Humberto Gessinger Trio, com a pausa dos Engenheiros do Hawaii. E, nesse disco, colocou uma canção chamada “De Fé”. E, com certeza, é uma adoração a Deus. Claro, evidente, óbvio que muitos fãs do cara vão dizer “ah, nada a ver”. Outros vão afirmar que é uma música romântica e nós, incrivelmente, não chegaremos a lugar nenhum. Mas quem foi que disse que uma música romântica não pode ser adoração a Deus?
“Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas.” (Salmos 105:2)
O romantismo, amor e o relacionamento são maravilhas criadas por Deus, quer você creia ou não. Então o papo de que a música não tem nada a ver com Deus, comigo, não vai rolar! OK, vamos começar analisando a primeira parte da música:
“Sempre que eu preciso me desconectar
Todos os caminhos levam ao mesmo lugar
É o meu esconderijo, meu altar
Quando todo mundo quer me crucificar
Eu só quero estar com você (ficar com você)”
É incrível como o coração do homem anseia pelo afeto do Pai. Até o homem da mais alta escala de ceticismo tem um coração sufocado pela falta de Deus. Friedrich Nietzsche, um dos principais filósofos ateus da história, escreveu uma Oração ao Deus desconhecido. Seu coração gritava querendo conhecer Deus. Em 1996, Humberto Gessinger já sentia a necessidade de desconectar-se, enquanto nós, mortais do século XXI, não saímos de casa sem o nosso iPhone. “Todos os caminhos levam ao mesmo lugar”. Aqui cabe duas observações: (1) as escolhas que fazemos sempre determinam aquilo que sentimos a vontade para fazer (2) Grande em conselho, e poderoso em obras, cujos olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dares a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras (Jeremias 32:19). É inevitável não procurarmos a Luz quando nos desfazemos do mundo; quando deixamos as coisas terrenas, na Terra. “Quando todo mundo quer me crucificar / eu só quero estar com você”. Se você leu minha análise da música “Leite Azedo” da banda Simonami aqui, sabe do que o Humberto Gessinger quis dizer com “crucificar”. O mundo não entende sua dor interna. Na verdade, só você e Deus entendem, mais ninguém. Quando isso acontece, Ele é o único que pode te fazer repousar e esperar que o vendaval passe.
“Quando o tempo fecha e o céu quer desabar
Perto do limite, difícil de aguentar
Eu volto pra casa e te peço pra ficar
Em silêncio, só ficar”
“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:26). O coração do homem deseja conhecer a Deus, isso já disse aqui, mas vale reforçar, pois é isso que a música trata. Quando estamos aflitos e ninguém ao nosso redor pode nos animar, quando pensamos que não temos como mais suportar toda a tristeza que nos invade, é quando buscamos o Criador nem que seja para questionar nossa existência. É ali o instante o qual reconhecemos nossas fraquezas e o quão precisamos do Criador. Quando ouvi a música pela primeira vez, através do meu amigo Marcos Barreto – isso em 2013 – já percebi um rascunho do Evangelho ali. Deus colocou a ideia de eternidade na mente do homem (Eclesiastes 3:11) e Humberto Gessinger não se exclui disso. Sabemos mais do que ninguém que quando não há ninguém que possa nos “salvar”, Deus é o único que nos ver e sonda-nos!
“Eu tenho muitos amigos
Tenho discos e livros
Mas quando eu mais preciso
Eu só tenho você
Tenho sorte e juízo
Cartão de crédito e um imenso disco rígido
Mas quando eu mais preciso
Eu só tenho você
Quando eu mais preciso, eu só tenho você”
Acredito que esse ponto mata tudo! Sou muito edificado através dessa música, pois ela esclarece muita coisa do que eu sou. Ao contrário do Humberto, eu não tenho muitos amigos, mas os poucos que tenho são suficientes. Tenho meus álbuns, livros e um disco rígido. Tenho um pouquinho de juízo também, mas quando eu preciso de algo, eu só tenho Ele. Eu só tenho Deus. Observo muito mais do que a falta de alguém humano, o vazio interior é por algo que não se compra, não se limita. Quando todo o nosso dinheiro não é capaz de comprar um carinho sincero, atenção e nem tão pouco paciência, Deus é o único que pode fazer isso, sem pedir nada em troca. Ele é pai e como um pai conhece as dificuldades dos seus filhos. Ele nos dá sua graça!
“Tenho a consciência em paz (eu só tenho você)
Tenho mais do que eu preciso (eu só tenho você)
Mas se eu preciso de paz (eu só tenho você)
Tenho muito mais dúvidas do que certezas
Hoje com certeza, eu só tenho você
Eu tenho medo de cobras
Já tive medo só escuro
Tenho medo de te perder”
Eu prometo que vou concluir esse texto já já. E não vai demorar, porque chegamos ao ponto ápice da música e acredito que este é o que mais se relaciona com o cristianismo: “Tenho mais dúvidas do que certezas, hoje com certeza, eu só tenho você”. Nós nunca seremos totalitaristas completos aqui na Terra, isto é, nunca seremos completos ao ponto de sabermos de tudo. Temos mais dúvidas do que certezas mas paramos por aí, ou seja, lembramos que temos Cristo e isso é uma certeza. “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20b). Não podemos esquecer disso: que temos Deus. Por mais que não tenhamos nada aqui, mas ainda temos o Criador, mesmo nós, fracos e pecadores, não merecendo a graça dele, sua paciência é tão grande e abençoadora para estar conosco quando mais nada aqui faz sem sentido. Um brinde!

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