Um Brinde – O meu chamado é ser ponte

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Nunca parei para refletir sobre o “meu chamado” e sobre para quê Deus me chamou na sua obra. Em miúdos, nunca me questionei sobre “quem sou eu no corpo de Cristo?” Mas reflito sobre uma citação do Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Acredito que o meu chamado (não só o meu) foi assim: Deus quis, eu sonhei e assim a obra está sendo feita.

Deus me colocou em um lugar onde poucas pessoas acham/pensam que é um chamado: chamou-me pra ser ponte entre o homem e o Evangelho. Em Mateus capítulo 5, verso 16, Cristo nos orienta a sermos luz para que possamos dar testemunho da graça de Deus. Eu posso ser missionário e mesmo assim não ser ponte. Ou seja, posso falar de Deus por aí, mas se não viver o tal Evangelho que prego, soo hipócrita e herético.

Pontes têm a função de ligar, estabelecer relações, conectar. Pontes são referências. Principalmente aqui em Rio Branco, onde moro, cujas cidades definimos pelas pontes que as ligam.

No entanto, ninguém quer fazer o papel de “ponte” no corpo de Cristo. Talvez porque seja mais atrativo ser pastor, missionário, cantor, palestrante, escritor, teólogo etc. Talvez pelo modismo neopentecostal impregnado em nossa cultura evangélica do quanto mais alto, melhor. Talvez seja porque fomos ensinados a sempre querer mais do que já temos. O Reverendo Geoffrey Thomas escreveu um artigo em 2013, intitulado O Chamado para o Ministério, e aqui eu separo algumas frases do autor que serviram de base para o título desse texto: “Uma vez que você entender que o seu trabalho deve ser focado principalmente no serviço ao Senhor, então você terá o desejo de saber onde poderá melhor apreciar o que isso requer.”

Entendi que o meu chamado é ser ponte quando me toquei que toda minha vida reflete o amor do Pai. É claro que quem discorda dessa definição vai dizer que todos os outros “chamados” tem essa função. Compreendo. Mas o que digo é: ser ponte é estar aberto a todos os grupos sociais. Este é o meu chamado, porque Deus me capacitou para comunicar-se com todas as tribos e, isso é característica de poucos cristãos atualmente. Sou ponte, pois Jesus foi ponte e não impôs limite e nem padrão de “pessoas evangelizáveis”.

É fácil falar de Deus para um universitário, por isso quero ver falar para um pedreiro. É simples evangelizar casais, quero ver evangelizar homossexuais. É tão fácil falar do amor de Deus para as gatinhas da praça, quero ver falar desse amor às prostitutas. Se você também não impõe limites e acha necessário que todos ouçam o Evangelho, então esqueça o cargo nominal que te deram na sua igreja pois você é ponte.

“Os pais da Igreja, os Reformadores, os Puritanos e muitos outros o fartarão como modelos ministeriais” O estudo. Esse é um dos pontos fundamentais para um ministério. Estudar a bíblia, teologia, filosofia e o melhor, estudar a história da Igreja, nos ajuda bastante a entendermos o nosso chamado. “O ministério não é lugar para homens solitários ou sem amigos.” Quando estou próspero de bônus no celular, ele freneticamente já espera meus dedos discarem os números de amigos. É para eles que conto as minhas dores e risos, peço oração e opiniões sobre qual decisões tomar. Mas acima de tudo, evangelho é compromisso e não entretenimento. Não é para “ter algo pra fazer” e sim para cumprir aquilo que Deus quer pra nossas vidas. “(…) é o Senhor que faz com que os homens sejam pescadores de homens.” Acredito que só vamos parar de fazer balanços entre os dons ministeriais quando entendermos isso: é Deus quem escolhe, chama e capacita.

Devemos ser essa ponte que conecta o evangelho aos pecadores e os conduz a Cristo. Pontes para quem tem dificuldades em enxergar o cais do outro lado. Por isso, a cada dia precisamos viver o Evangelho, pois sem Ele, o ministério não faz sentido. Sem Cristo não existe nem evangelho e nem ministério. Sejamos pontes. Um brinde!

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