A saída de PG é, até hoje, a história mais polêmica e controversa na longa história da banda Oficina G3. Se por um lado, com Humanos, a banda tentava impulsionar sua unidade, creditando todas as faixas aos quatro integrantes, no fim de 2003 PG tornaria-se pastor e, mais tarde, anunciaria sua saída do grupo. O grande problema a respeito de sua saída, na visão de Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, na época, foi que o vocalista supostamente não pensou no grupo e sequer os preparou. Sabendo os motivos ou não, a manchete “PG saiu do Oficina G3” foi bastante polêmica na época.
Por outro lado, PG afirmava que suas atividades pastorais, as quais já ocorriam há uns certos meses, não encontrava apoio total de seus colegas de banda e que queria um tempo particular para exercer seu ministério como pastor. O músico ainda afirmou que, no momento de sua saída, tinha escrito cerca de oito músicas sem letras, as quais não utilizou para seu disco solo, Adoração. No entanto, a Oficina G3 nunca se pronunciou se algumas dessas oito músicas foram utilizadas em Além do que os Olhos Podem Ver.
Antes da Oficina G3 lançar um disco, PG já chegava com seu trabalho de estreia como cantor solo. Segundo o músico, grande parte do trabalho foi feito em conjunto com seu irmão, com colaborações de Emerson Pinheiro em algumas gravações. Assim, Pinheiro levou crédito como produtor musical. Vale lembrar que, no momento de sua saída da Oficina, o cantor ainda tinha um contrato a cumprir, e, através de um acordo com a MK, passou a cumprir o restante deste contrato com uma carreira solo.
Em janeiro de 2004, PG, Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos se encontraram na sede da MK Music, um encontro bastante tenso o qual não detalham. A relação entre os músicos só melhoraria anos depois.
Confira nossa seleção de citações a partir de várias entrevistas feitas na época. Uma, com PG, outra com os três integrantes da Oficina G3 e algumas citações de outra entrevista.
Este mês, fiz apenas duas apresentações. Todo o tempo restante eu dediquei à minha igreja, ministrando o louvor com a minha banda, que também é de lá. Eu sou líder de louvor de todas as nossas igrejas. Hoje tenho mais responsabilidades, e preciso de pessoas ao meu lado que entendam isso. Numa banda em que todos mandam, há conflito de idéias. Hoje existe uma liderança, mas que é conquistada, e não imposta. Nós pensamos da mesma forma. Eu acredito que ser uma banda não é comer pizza todo dia junto. É ficar uma semana sem se ver, mas mesmo assim continuar orando um pelo outro. Hoje não vou mais à igreja só aos domingos, tenho liberdade para administrar minha agenda. [PG, a respeito das mudanças da carreira solo em relação à banda, Universo Musical, 2004]
A gente realmente ficou muito decepcionado, a gente não esperava que as coisas acontecessem dessa forma. É impossível ficar indiferente diante de coisas do tipo: “olha, amanhã eu vou ser presidente da GM do Brasil e não posso mais tocar no Oficina G3″. Vou estar mentindo se falar que a gente é amigo hoje. Não dá pra dizer que continuamos amigos. Mas isso não é bom pra gente, pra mim, pro Juninho, pro Duca, pro PG! E pra ninguém. [Jean Carllos, sobre a saída de PG, G3ManiA, 2004]
Passamos por momentos difíceis como qualquer pessoa. Vivemos muito tempo juntos e, como num casamento, existem momentos de extrema alegria e de dificuldades, as vezes pintam divergências de opiniões, ocorrem desentendimentos, mas sempre conseguimos passar por cima disso. Estamos juntos há muito tempo nesta formação: Duca está há 10 anos, Jean há 8 anos e o PG ia fazer 6 anos. Houve nesses anos algumas discordâncias sim, mas sempre resolvemos numa boa. [Juninho Afram, sobre o relacionamento da banda, Revista O Levita, 2004]
Na época algumas pessoas do meio musical me fizeram essa proposta. Mas nem eu nem o pessoal da banda nunca fomos a favor disso. E eu não saí porque queria fazer uma carreira solo, mas sim por causa de um propósito, o meu ministério pastoral, que não estava sendo bem compreendido. Era aquela coisa: “eu entendo, mas não aceito”. E eu não queria ser o chato da banda. Sabe a história de Sadraque, Mesaque e Abdenego? Eles eram três, mas tinham um único objetivo. Por mais que um deles tivesse medo, eles estavam juntos, acreditavam um no outro. Comentaram muitas coisas erradas quando eu saí. Não houve briga, não saí porque queria ganhar dinheiro. Saí exatamente porque queria continuar cantando e me dedicar a outros propósitos. Onde estava eu não conseguia. [PG, sobre manter uma carreira solo junto à banda, Universo Musical, 2004]
Quando o cantor tem uma carreira solo além de ampliar os horizontes ele ganha mais. No meu caso, saí do Oficina G3 devido a um ministério; fiquei seis anos sem gravar. Mas o que efetivamente acontece é que muitas vezes as próprias gravadoras incentivam isso. O desejo de algumas gravadoras é que o CD seja vendido e as vezes Deus não faz parte deste contexto. [Luciano Manga, sobre divisões em bandas, Revista O Levita, 2004]
Realmente existia uma amizade, mas depois de tudo que aconteceu, ficou um sentimento chato, mas a gente tentou, acredito que todo mundo tentou não deixar a coisa acabar. Mas infelizmente, depois de algumas conversas, depois de um último encontro que tivemos na MK no começo do ano, que não foi muito legal, chegamos à conclusão de que o relacionamento foi embora. E hoje a gente coloca diante de Deus, na presença de dEle, pra que Deus a seu tempo possa trazer uma cura. [Juninho Afram, sobre o relacionamento da banda com PG, G3ManiA, 2004]
A gente ficou sabendo através de um comunicado. [Duca Tambasco, sobre a saída de PG, G3ManiA, 2004]
Em primeiro lugar, quero deixar claro que, quando saí, nunca disse que iria parar de cantar. Eu havia sido promovido a pastor, mas mesmo assim permaneci seis meses na banda. O que eu fazia no Oficina não estava mais de acordo comigo. E a Bíblia diz: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”. Esperei o tempo certo, e tenho certeza de que fiz a vontade de Deus. Quanto à sua pergunta, realmente muita gente achou que eu ia mudar de estilo. [PG, sobre a sonoridade do disco ser rock, Universo Musical, 2004]
O Manga começou com a gente. Desde o começo, ele já tinha atuação na igreja, e, depois de anos juntos, o Manga foi transferido para ser pastor no Rio de Janeiro. Chegou uma hora que se tornou impossível ensaiar, tocar. A gente tocava uma, duas vezes por mês, no máximo. Até que um dia a gente conversou com o Manga e ele mesmo chegou pra nós e falou assim “gente, realmente, do jeito que tá eu não consigo, eu não tenho como cumprir os compromissos da banda”. Foi então que, junto com o Manga, procuramos outro vocalista, e ele ajudou a achar o PG, e orou pelo PG junto com a gente. As diferenças principais são essas: quando o Manga saiu a gente já tinha o PG. Quando o PG saiu, a gente não tinha ninguém. [Juninho Afram, sobre as diferenças na saída de Luciano Manga e PG, G3ManiA, 2004]
Acho que já está mais do que provado que o Oficina G3, pelo seu tempo de estrada que já tem, é capaz de prosseguir, até porque Deus não vai desampará-los, como também não me desamparou. Acho que existe uma perda em relação à pessoa porque o PG não faz mais parte do Oficina. Mas quanto ao grupo n/ao, o Oficina G3 é um grupo amadurecido. [PG, sobre Oficina G3 sem PG, Revista O Levita, 2004].
O que eu tenho pra dizer é que, é impressionante como o Juninho come! Ele chegou aqui e falou assim “cara, não vou comer porque já jantei, que desperdício de dinheiro”. Cara, ele não parou de comer até agora! Nunca vi isso! (risos) [Duca Tambasco, sobre alimentação de Juninho Afram, G3ManiA, 2004]
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