Rocklogia – Oficina G3 como um trio

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Fotografia: Jean Carllos no Canta Zona Sul | MK Music, no portal da banda em 2004

Com a saída de PG, os integrantes remanescentes, de longa data do grupo, não sabiam quem colocar nos vocais. A ação foi pontual: Juninho Afram teve que se achegar com força total aos microfones. Duca Tambasco faria as partes que anteriormente eram destinadas à Juninho em algumas músicas, e Jean, que expandia sua participação nos vocais desde Humanos, sem dúvida tinha espaço total nesta nova conjuntura.

Juninho Afram não estava completamente satisfeito para atuar nos vocais, até porque muitos dos riffs da banda são complexos demais para tocar e cantar. Por isso, a banda chamou Déio Tambasco, que, na época gravava seu segundo disco solo, para atuar com a banda na guitarra base. Com a participação de Lufe na bateria, que trabalhava com a Oficina G3 por uns anos, o trio fundamental do grupo seguiu na ativa.

A turnê de Humanos foi uma das mais longas da banda, e, assim, podia ser dividida em duas fases. A segunda, da Oficina G3 como um trio, recebeu um belo registro no Canta Zona Sul, ocorrido em abril de 2003 no Rio de Janeiro. Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos demonstraram ótima proficiência em seus instrumentos, e nos vocais também. Você pode ouvir os três em “Onde Está?”, por exemplo. Essas faixas foram remasterizadas e relançadas na coletânea Gospel Collection, lançada em 2014.

Além dos shows, o grupo andava em alto vapor na produção de um álbum futuro.

É assim, honestamente, eu preferiria que Deus preparasse uma pessoa, a minha vontade seria essa. Enquanto eu tiver que fazer, eu faço, e faço com amor, com seriedade, estou dando o meu melhor. O que eu posso fazer, estou fazendo. Mas é uma coisa minha com Deus. Se Deus quiser preparar outra pessoa, pra mim seria melhor. Mas eu também não quero colocar as palavras na boca de Deus ou dar ordens para Deus. [Juninho Afram, sobre ser vocalista, G3ManiA, 2004].

As gravações de Além do que os Olhos Podem Ver foram demoradas, mas bastante positivas. O vocalista do Fruto Sagrado, Marcão, participou dos vocais e da composição de “Sem Trégua”. Déio Tambasco tocou guitarras em “O Fim é só o Começo”, música com sua influência de blues. Juninho Afram gravou os vocais, enquanto Duca Tambasco e Jean Carllos ficaram com seus respectivos instrumentos. Todo o processo de composição, no entanto, foi iniciado do zero durante seis meses, e foi o disco criado dentro da maior pressão e dificuldade já enfrentada pela Oficina.

O álbum foi lançado em fevereiro de 2005, e vendeu 20 mil cópias em apenas três dias, alcançando elogios gerais pela sonoridade de volta aos trilhos. O peso no instrumental cresceu as especulações acerca do pop na fase com PG, mas Juninho negou que a culpa fosse do ex-vocalista, e afirmou que não havia um culpado para isto. Anos depois, Jean Carllos afirmou o mesmo, em outra entrevista.

Déio Tambasco tocou com a Oficina G3 até que fosse convidado por Paulinho Makuko para voltar ao Katsbarnea, que estava sendo reformulado, e Lufe deixou de tocar com o grupo em novembro de 2006. Em seus lugares, chegariam os músicos Celso Machado e Alexandre Aposan.

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