Categoria: Análises

  • Análise: CD Pra me Alegrar – Ludmila Ferber

    “Pra me alegrar” é o mais recente disco da cantora e pastora Ludmila Ferber lançado pela Som Livre. Com produção musical de Sandro Domingues, o disco conta com 13 faixas inéditas e participações especiais de Ana Paula Valadão e Fernanda Brum.

    O título do álbum já adianta a proposta: trazer a alegria através de canções de forte apelo emocional e motivacional. A pastora Ludmila Ferber, que compôs 12 das 13 faixas do disco, selecionou criteriosamente o repertório enfocando na necessidade de nos alegrarmos, mesmo quando aparentemente não há esperança. Ouvindo atentamente o disco, foi possível identificar algumas “vertentes” relacionadas a diversas fontes de alegria que serão mencionadas no decorrer do texto.

    A canção título é a única que não é de autoria de Ludmila. “A canção-título é particularmente especial para mim, já que é a única que não compus, mas sim minha filha mais nova. Inspirada por Deus, ela compôs esta canção como uma mensagem de fé, esperança e força pra mim e que, obviamente, transforma-se na “canção de todos nós”” declara Ludmila.

    É essa fé, esperança e força são notadas nas três primeiras canções do disco. Além de trazer um ritmo alegre e dançante, possui uma mensagem “pra cima”, retratando a vida de quem está saindo de uma situação de luto, de um lugar de caos e dor e voltando a sorrir de novo, se apegando à esperança à determinação e muita alegria de viver. A mesma alegria é possível notar em “Deus está contigo”, segunda faixa do álbum. Ministrando promessas na vida do ouvinte, a canção determina vitória, pois se Deus está conosco, somos mais que vencedores. Na faixa três o tema alegria vai ainda mais explícito, determinando que nascemos pra ser feliz.

    Podemos nos alegrar também pela confiança em Deus. Como não se alegrar certeza do poder dEle? O Deus que cura, que traz o morto a vida? “Senhor que cura” vem como um refrigério ao coração daqueles que já se encontram sem esperança ou fé.

    “Quando não há mais vida, Esperança ou fé, Deus vai mover/ Quando não tem remédio, Ou jeito pra dar/ Deus vai ressuscitar/ Tu és o Senhor que cura/ És o Senhor que cura”.

    “Pra me alegrar” segue esta linha com arranjos fortes no refrão, versando sobre a presença onipotente e onisciente de Deus. Ele conta todas as nossas lágrimas, conhece nossas dores, nossas necessidades. Sabe do que precisamos pra ser feliz. Essa fé em Deus é fundamental.

    A confiança em Deus, também é notada na faixa “Olha pra minha dor”. O tema “cura” é recorrente em diversos trabalhos da pastora Ludmila e neste não é diferente.

    “Amor e Amizade” sem dúvida é uma das mais belas canções do álbum. Com participação especial de Ana Paula Valadão, traz como tema um dos grandes motivadores da alegria: o amor e a amizade. Aquela amizade verdadeira, legítima e espontânea. Sem cobranças ou interesses. De alguma forma a canção retrata a amizade entre as duas, amizade esta explicitada em vários momentos.

    Merece mencionar também a faixa “O deserto vale ouro” que tem como participação especial a cantora Fernanda Brum. Traz em seu sentido a importância que tem a vivência, a experiência de cada um. Tem coisas que precisamos vivenciar sentir para aprendermos. Por mais que seja difícil, doloroso, se deus está conosco esse deserto “vale ouro”.

    E a alegria de fazer a obra de Deus? De cumprir o ide? É necessário que o cristão faça a obra de Deus com alegria. “O avivamento vem chegando” faz este questionamento: “Onde estão os profetas desta geração? Onde estão os sentinelas de adoração? Agora é a hora”.

    Por fim, “Se Deus é Deus é por nós” encerra o disco de forma brilhante. A alegria daquele que serve a Cristo é ter a certeza que o Senhor nos guarda, zela é cuida dos seus. Ele é o nosso alvo, nosso objetivo de vida. “O Senhor é a minha herança o meu galardão”.

    Definitivamente “Pra me alegrar” é um disco para ouvir várias e várias vezes e se alegrar de verdade. Se alegrar pela confiança depositada em Deus, pela fé que temos no seu poder, pelas vitórias, conquistas, pelas pessoas importantes que são colocadas por ele em nosso caminho. Um disco “pra cima” do início ao fim. Toda essa alegria se reflete desde as letras, com mensagens carregadas de otimismo, de fé, perseverança, gratidão, até os arranjos ora dançantes, ora fortes e ate agressivos e ora suaves se adequando à mensagem da canção. Vale a pena conferir e adquirir o disco “Pra me alegrar” da pastora Ludmila Ferber.

  • Análise: CD Geração de Jesus – Jotta A

    Com muita expectativa o público esperou pelo novo álbum de Jotta A. E não é à toa, já que desde que participou de um programa de calouros, Jotta A foi alçado a um dos grandes talentos da música cristã, mantendo este posto com o lançamento do primeiro disco solo “Essência” pela Central Gospel Music. Além disso, Jotta A ainda tinha outro desafio: encontrar-se em meio às mudanças vocais trazidas pela puberdade. O fato de ter Daniela Araújo como produtora também desperta curiosidade do público, afinal, como Daniela Araújo direcionaria a produção do disco sendo Jotta A um defensor do estilo pentecostal? Neste dia 2 de novembro a espera chegou ao fim com o lançamento de “Geração de Jesus” em rede nacional no programa Vitória em Cristo do pastor Silas Malafaia.

    O projeto gráfico do disco é assinado pela conceituada agência Quartel Design que disponibilizou três opções de capas para que o público escolhesse a oficial. A escolha certamente foi acertada, e representa um Jotta A múltiplo, como é também musicalmente variado.

    Em “Geração de Jesus” é perceptível a evolução de Jotta A em relação ao seu disco anterior “Essência”. Como era de se esperar, sua voz sofreu mudanças por causa da idade, algo que foi bem trabalhado e em nada afetou a qualidade do projeto. Em contraponto, no quesito “identidade artística” é notável que Jotta A ainda está se encontrando, e sua produtora Daniela Araújo se tornou uma forte influência. Em várias faixas, principalmente nas de autoria de Daniela é possível notar vários melismas típicos da cantora. Jotta A acabou pegando “trejeitos vocais” de Daniela Araújo, o que, de certa forma é compreensível se considerarmos que a mesma é produtora do disco e também compôs e arranjou várias faixas e sendo Jotta A um artista ainda em construção.

    Merece ser ressaltado algumas mudanças trazidas neste trabalho. Aquele “exibicionismo vocal” presente no CD anterior, influência do programa de calouros que o revelou e do estilo pentecostal, ficou pra trás, o que é extremamente positivo. O disco está redondo, gostoso de ouvir. Tecnicamente Daniela Araújo e Jorginho Araújo fizeram um excelente trabalho.

    Jotta A dá mostras que tem tudo pra crescer também como compositor. Três das doze faixas são de sua autoria, incluindo o tema do disco “Geração de Jesus”, que versa sobre a passagem de Jesus na terra, seu sacrifício para nos salvar. Funciona como um convite a todos para levar a mensagem do evangelho ao mundo, ser geração de Jesus “Que em toda a terra se levantem mensageiros da verdade somos a luz para a humanidade/ Erga sua voz juventude”.

    Uma das grandes surpresas do disco ficou por conta da regravação da faixa “Dono do milagre” de autoria de Anderson Freire e gravada anteriormente por Elaine de Jesus. A canção ganhou uma nova roupagem com uma levada pop tão bem feita que mais parece inédita que regravação. Se a ideia era trazer o pentecostal de uma forma diferente, sem dúvida deu muito certo. Interpretação forte e marcante de Jotta A sem abuso de agudos a tornaram excelente!

    Confira:

    Santo Espírito também traz a influência pentecostal para o projeto. Apesar de uma roupagem suave, é possível notar principalmente no refrão a essência pentecostal da canção.

    Daniela Araújo possui quatro composições no disco. São elas “Posso pular”, “És fiel”, “Até te encontrar” e “Vencedor”. Apesar de todas estarem num nível muito bom, merece destaque a faixa “Vencedor” que vem com uma vibe pop rock trazendo um som jovem que promete cair rapidamente no gosto do público. Introdução leve do eletrônico, com batidas da bateria tornaram a canção pra cima, é sem dúvida uma das melhores do disco e não a toa, já ganhou versão em clipe.

    O disco “canta” a língua do jovem atual. Uma das faixas de autoria de Jotta A traz em seu contexto uma reflexão sobre os enganos da juventude, do conceito do mundo de que por ser jovem é preciso desfrutar dos prazeres que na verdade, irão envelhecer a alma. “Mas eu não vou me enganar/ Minha juventude é pra te adorar, porque maior é o que está em mim do que o que no mundo está!”. Enquanto “Juventude” vem suave, como apoio reflexivo, “Nossa vibe” de autoria David Marx/ Paulo Zuckini/ Rodrigo Magalhães, traz a mesma mensagem, porém de uma forma bem mais impactante e impressiona pela riqueza de arranjos e vozes. Como uma mensagem para seu principal público, Jotta A compôs a faixa “Juventude” como uma reflexão sobre as dificuldades desta fase, dos enganos do mundo.

    Canções intimistas também ganharam espaço no disco. Seguindo esta linha temos a faixa “És fiel”, com introdução suave, versa sobre a fidelidade de Deus para conosco, mesmo diante da infidelidade humana. “Até te encontrar” expõe a nossa necessidade de Deus. “Eu vou Te procurar, até Te encontrar, só Tu és Santo! Pois seja aonde for, me atrai ao teu amor, só Tu És Santo! No alto monte ou nas profundezas do mar, que eu quero é Te encontrar”. Destaque para os arranjos de guitarra que deram um up principalmente no refrão com a bateria e a participação do backing vocal.

    Em grande estilo o álbum é encerrado com a faixa “Amor verdadeiro” com uma pegada bem eletrônica. Fala sobre as paixões da juventude, mas que o amor verdadeiro só encontramos em Jesus. A música é dançante e reflete o momento vivido por Jotta A, com uma vibe jovem e mensagem forte e atual.

    Sem dúvida o álbum “Geração de Jesus” é um trabalho de alto nível e promete repetir o sucesso obtido com o Essência. Provavelmente os fãs mais ferrenhos do Jotta A pentecostal apresente certa resistência ao Jotta A pop, porém a mudança foi positiva e promete conquistar um público ainda maior que são resistentes ao estilo pentecostal.

  • Análise: CD Graça – Aline Barros

    Análise: CD Graça – Aline Barros

    Após dois anos do lançamento de “Extraordinário Amor de Deus”, Aline Barros traz seu novo projeto musical, intitulado “Graça”. Com catorze faixas, a produção musical e arranjos são assinadas por Ruben di Souza, atualmente um dos produtores mais conceituados no mercado nacional cristão.

    O álbum, no geral não é temático, e apresenta uma capa que fortemente desagrada. As imagens são excelentes, todavia a tipografia deixou muito a desejar. O encarte, por sua vez contém um excesso de fotos, em que poderia ser mais clean e não causar tanta poluição visual.

    O repertório é muito bom, e neste ponto Aline Barros quase sempre acerta. Dentre as canções de andamento mais lento, destaque para Lugar Seguro, baseada no Salmo 91, de autoria de Anderson Freire. O cantor, também autor do hit Ressuscita-me mostra sua capacidade de trazer canções congregacionais de letras simples. Também, destaque para a execução da bateria por Alexandre Aposan. Casa do Pai, do recém-contratado Pr. Lucas, em parceria com Josué Godoi lembra o Salmo 139. Mas a melhor música do disco vai para Esperança, parceria de Freire com Aline, com sua boa melodia com a inclusão de um arranjo de cordas e o refrão marcante. Entretanto, o repertório também possui seus pontos fracos, como a confusa Revolução e O Fogo não Descansa. O cantor Fernandinho também contribui em duas canções, fortemente semelhantes ao estilo que o consagrou.

    No geral, “Graça” é um bom CD. Além do pop rock e da vibe congregacional que Aline sempre mescla em seus projetos, a cantora aposta, com certo risco em influências eletrônicas. O grande ponto negativo vai para as captações ao vivo, mais artificiais que o comum. O caminho mais apropriado para a artista talvez é não utilizá-las nos próximos trabalhos.

    Outro ponto de fácil assimilação é o uso de canções mais agudas. Para uma cantora que apresentou sérios problemas nas cordas vocais, é um ponto ousado e perigoso. Entretanto, o resultado final ficou positivo.

  • Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Depois de mais de dez anos da saída de Brother Simion do Katsbarnea e a atual liderança de Paulinho Makuko, muito ainda se diz no assunto. Até, porque se antes Simion era o “dono” da banda, hoje Makuko representa o mesmo. Entretanto, todas as letras e arranjos experimentais fora do comum não são percebíveis nos últimos trabalhos do grupo como eram nos anos 90. Desta nova fase, o melhor álbum foi A Tinta de Deus, uma espécie de cala a boca para os haters que insistentemente afirmavam que Paulinho nunca faria algo digno no Katsbarnea. E, juntamente com Déio Tambasco, ele fez.

    Seis anos se passaram de 2007 pra cá, e somos surpreendidos com o novo lançamento da banda, bastante adiado: Eis que Estou à Porta e Bato. Produção musical assinada por André Kostta e lançado de forma independente, o disco apresenta um bom projeto gráfico, um ponto que a banda raramente deixou a desejar. E provavelmente seja o único realmente excelente do álbum.

    A formação atual contém Paulinho Makuko (vocais), Marrash (bateria) e Moisés Brandão (baixo). Juntamente a músicos mais jovens, Makuko continua o mesmo: pretensioso e cheio de energia. O que falta, afinal, são músicas de verdade.

    No setlist, onze obras. Infelizmente duas são regravações. “Overdose” e “Jeremias” são oriundas do álbum “12” de Makuko, lançado em 2005. A primeira é de bom gosto, porém, a última citada não, contendo uma letra extremamente confusa e desconexa, iniciando sua mensagem com uma descrição de um personagem fictício, e esquecendo-se de todo este contexto pela expressão de louvor no refrão.

    Diferente do A Tinta de Deus, Eis que Estou à Porta e Bato é um álbum tão quente como uma pista de gelo, ecoando a fraqueza lírica do grupo. A melhor canção do álbum, e que mais representa o Kats que todos conhecem é “Mensageiro”. Seu arranjo progressivo, e a letra versando o caos mundial controvertido ao amor de Deus garante o momento mais agradável do projeto. Um solo de guitarra simples, nada rápido e pesado. O single “Nasceu um Novo Dia” aproxima-se com mais fidelidade as músicas de carreira solo de Makuko. Sua versão acústica é superior a original.

    “I Can Fly” lembra bem a tendência do Katsbarnea em incluir uma faixa em inglês em suas obras, versando sobre libertação. O groove tentado em “Anjo do Mal” não convence e “A Cabeça de João Batista” começa bem, porém perde-se no refrão. Em contrapartida, “Morra Babilônia” e “Passo a Passo” são canções que agradam, com suas pegadas hard rock. “Verdadeiro Amigo” é o single que o álbum precisava.

    O grupo está decaindo com força letristicamente, usando termos de modismo como “chuva”, “bênçãos”, “armas espirituais”, sendo estes objetos de crítica do próprio vocalista Paulinho Makuko em entrevistas, declarando que o conteúdo do gospel está careta. Entretanto, não há diferença alguma entre os pontos negativos observados pelo cantor no gospel em relação à Eis que Estou à Porta e Bato.

    O Katsbarnea tem potencial para surpreender positivamente se esforçar a fazer um trabalho melhor que o apresentado, nas letras. Sonoramente, a banda ainda acerta. Finalmente e infelizmente, este é o projeto mais fraco de toda a sua discografia.

  • Análise: DVD Aos Vivos – Resgate

    Análise: DVD Aos Vivos – Resgate

    Uma das “modas” que chegaram ao mercado gospel nos últimos anos foram as superproduções audiovisuais. Palcos enigmáticos, edição de vídeo complexa, figurino e iluminação acima da média e outras parafernálias que enriquecem, ou muitas vezes poluem os álbuns, praticamente forçando o telespectador a achar tudo aquilo espetacular, o que geralmente acontece.

    Após Até eu Envelhecer – ao vivo, lançado em 2008, o Resgate chega com um novo e inesperado DVD. Aos Vivos não possui praticamente nenhuma característica descrita anteriormente. Para um consumidor comum e desatento, a obra passará batido, mas para um grupo como o Resgate e para seu público, o trabalho está dentro do esperado: A simplicidade e qualidade, atributos que a banda sempre concilia em seus projetos, suficientes para o agrado do seu alvo.

    O repertório foi bem escolhido. À exceção de músicas dos DVDs anteriores, o trabalho trouxe as músicas que o público gostaria de ouvir, principalmente dos dois últimos CDs da Sony. Ainda não é o Último está bem representado: “A Hora do Brasil”, uma das melhores do CD com interpretação vibrante, “Depois de Tudo”, single do álbum foi logo selecionada para o início. “Jack, joe and Nancy in The Mall” com sua letra irreverente e inteligente levou o público a delírio. “Vou me Lembrar” tem uma das melhores letras do Resgate, indiscutivelmente sua presença era obrigatória.

    De Este Lado para Cima tem seis canções: “Eu Estou Aqui” (que abre muito bem o DVD), “O que não precisa” (com sua letra direta e consciente), “Errando e Aprendendo” (destaque para o uso do ukeleke), “Fora do Sistema” (cheia de antíteses que fazem total sentido), “Eles Precisam Saber” (o destaque do álbum) e “Eu Só Preciso Acreditar”.

    O repertório de antigas, representadas em outros DVDs, foram: “Restauração”, “Infinitamente Mais”, “Em Todo Lugar”, “Pra Todos os Efeitos”, “Sete Dias”, “O Nome da Paz”, “A Gente”, “Todo Som”, “5:50 AM” e “Rock da Vovó”. A maioria destas não tiveram mudanças destacáveis no arranjo (exceto por sonoridades acústicas exploradas), mas no mais não contam como ponto negativo pela qualidade das canções que não podem faltar nos shows do Resgate, principalmente as duas últimas. Ainda, a banda apresenta “Quebrantado” e, entre as canções interage com o público de forma descontraída, o que garante, para o telespectador a imagem real dos integrantes do grupo durante os shows.

    Alguns defeitos triviais podem ser observados no álbum, como o corte brusco de algumas cenas, sem uma manipulação detalhada do áudio, a sépia exagerada nas canções acústicas, e a falta de um músico tecladista convidado.

    Talvez o maior erro de Aos Vivos seja o fato de que não é um álbum bem planejado. Entretanto, este erro pode ser considerado um acerto. A sua simplicidade traz vários aspectos que faltam em algumas das produções atuais. Aos Vivos é um trabalho para ouvir, cantar, refletir e rir com o Resgate, e isto simplesmente basta.

  • Análise: CD The White Room – Jonathan Thulin

    Análise: CD The White Room – Jonathan Thulin

    The White Room (O Quarto Branco), é o novo álbum de Jonathan Thulin, músico sueco, membro da banda Chart Topping Press Play, com quem lançou um álbum em estúdio, além dos dois trabalhos solos: The Anatomy of a Heartflow e o próprio The White Room.

    Trazendo uma mistura entre balada heavy, música pop e música eletrônica, o cantor apresenta uma sonoridade rica e vasta em todo seu trabalho.

    A primeira canção do álbum, Masquared (Mascarado), é uma denúncia contra cristãos que vivem com máscaras, mentindo, escondendo-se, e vivendo uma vida despreocupada com o Reino.

    ‘‘Estamos usando máscaras no desfile da verdade, esperando que estas mentiras não sejam reveladas.’’

    Abordando guerras, confrontos do ser humano, como enredo, Dead Come To Life (Voltem a viver, mortos!), que conta com a participação de Charmaine Carrasco, baseia-se, implicitamente, em Ezequiel 37. Somos uma terra seca, um vale de ossos, que só pode reviver pelo Senhor. E pela vida que há em Seus olhos, e pelo Seu sopro. Coat Of Arms (Brasão) é complexa, contem leves traços pentatônicos, e é introduzida por tambores, que trazem a idéia de marcha e de guerra. Faz uso da gaita-de-fole, e de uma orquestra de cordas, que remete a música árabe. Sendo, ao mesmo tempo, conduzida por arranjos bem pop. Mas não apenas instrumentalmente, esta é uma canção forte. Sua letra deixa claro a guerra diária que é a vida do homem, cheia de incertezas, dúvidas e confusões:

    ‘‘O que eu defendo? 

    Estou a esquerda ou a direita?

    Pelo que estou vivendo? 

    Você pode dizer na minha cara pelo que meu coração está batendo?

    As palavras que eu falo revelam o que fui chamado a fazer?

    O baterista está se preparando, e eu estou tentando manter minhas mãos firmes, logo no início da batalha.’’

    Graveyard (Cemitério), aborda relacionamentos, frustrados ou não, conturbados ou não, em crises ou não, que podem se tornar uma lápide apenas, em um dos corações, no entanto podem reviver e descansar, e de novo, ser amor. Fugindo da proposta das faixas anteriores, Graveyard revela-se mais intimista, ou ‘‘romântica’’, bem ajudada não apenas pela interpretação de Thulin, mas também pelo piano e pelas cordas.

    Making Of The White Room Clip
    Making Of The White Room Clip

    Ao ouvir as introduções das músicas, pode-se facilmente ter a mente preenchida por paisagens, lugares, imagens, provocadas e induzidas pela forma tão sutil com a qual Thulin elabora e arranja suas canções. O predomínio de melodias e arranjos menores, causa a sensação de tristeza, drama, pesar, introspecção ou reflexão, exatamente a proposta das letras. E assim, Bombs Away (Bombas de distância), que conta com a participação de Rachael Lampa, que agrega dramaticidade a canção através de sua voz, num grandioso dueto e com um vocal participativo, se firma como uma das maiores músicas neste trabalho, levada pelo violoncelo, destacando-se das cordas, fortes batidas da bateria, e sons eletrônicos.

    Love/War (Amor e Guerra) nos faz olhar para nós mesmos, e para os conflitos dentro do nosso interior, que podem ser vencidos por uma única atitude, uma decisão simples. O Amor é uma delas, capaz de cessar guerras, que podem ser enfrentadas com medo, e com a possibilidade de não haver vitórias, mas podem ser travadas.

    Jonathan Thulin
    Jonathan Thulin

    O álbum pode ser dividido ou compreendido em dois momentos. As Batalhas do coração, cantadas nas primeiras músicas. E uma esperança, uma saída, ou uma expectativa, cantadas nas ultimas canções. Os arranjos de outrora, com acordes menores, agora transformam-se pelos acordes maiores, gerando a idéia de recomeço, solução, ou esperança. Assim, surge Torches (Tochas), diferente de todas as demais. Ternária (3/4), causa uma sensação ”circular”, de quem valsa, dança ou brinca. Ou de quem brincou no tempo. E ao som do piano e das cordas, conta-se uma história tão comum ao ser humano. E se pessoas precisassem de você? Se pessoas, de você dependessem, mesmo sem saber de suas escolhas? Se esperassem por alguém que também espera que suas feridas sarem? Uma atitude de esperança revela-se pelos versos de Torches: haverá alguém dependente de nós na jornada, e por mais feridos que estejamos, nunca estaremos totalmente impossibilitados de ajudar, de salvar.

    A oitava faixa, I Am Nothing (Nada sou), semelhante a anterior, também é introduzida pelo piano e pelas cordas, e cantada suavemente, como que numa trilha de cinema, em cenas de recomeço, de saudosismo, triunfalismo, ou conquista. Seus versos dizem:

    ‘‘Eu posso fugir de ti, mas a minha sede nunca cessará.

    Porque sou nada sem ti, dentro de mim.

    Sou nada. Sem ti, sou incompleto […]

    São tantas expectativas, que me perco entre as conversas

    Sobre quem tu és e quem eu deveria ser.

    Faz-me amar-te de novo pela única razão verdadeira.

    Tu morreste para que eu tivesse a liberdade.’’

    Um amor livre, que corre pelos campos, e é compartilhado com amigos e inimigos, é o que é cantado em Soon (Em breve), a penúltima faixa, interpretada com suavidade, com um elemento distinto, pizzicato das cordas. A última música, Peeta, fala sobre o desejo de uma vida simples e livre, que assa o pão e despeja o vinho, que vai para onde o vento sopra e segue o som de tambores de guerra.

    O álbum, apesar de decrescer em sonoridade e perder o ar de surpresas e suspense que causava a partir da primeira faixa, por exemplo, não deixa de ser um grande disco. O imaginário do ouvinte e do apreciador perdem-se entre o sobe e desce de emoções que os arranjos, os instrumentos e a interpretação de Thulin causam. Não é a toa, que o compositor é conhecido, também, por trazer a seus clipes maior teatralidade que o comum. Então se você deseja viajar pelo seu próprio coração, e entender através de Música, o motivo, ou simplesmente se identificar com a mensagem, não apenas adquira, mas aproprie-se de The White Room. Pois, escuros são os quartos, nos quais ainda não acendemos as luzes do coração.

  • Análise: CD Entre – Paulo César Baruk

    Análise: CD Entre – Paulo César Baruk

    Quando se diz “Entre” para alguém que está em sua casa, está automaticamente dando boas vindas e uma liberdade para que tal indivíduo esteja em seus aposentos. A sensação de ouvir o mais recente trabalho de Paulo César Baruk é esta. Canções excelentes levadas num clima descontraído, e ao mesmo tempo altamente técnico.

    O músico abre sua caixa de canções e nos presenteia com bons arranjos, e nada melhor que participações especiais de conhecidos intérpretes do nosso gospel nacional. São 12 faixas, sendo 11 regravações, e a inédita “Senhor do Tempo”, que ganhou versão em videoclipe e indicação ao Troféu Promessas. O álbum também está sendo indicado ao prêmio.

    Diferentemente do que estamos acostumados a ouvir, a obra é iniciada com uma faixa de adoração intimista. “Dependo de Ti”, traz toques de teclado e guitarra bem produzidos com a voz de Nívea Soares em dueto com Baruk. Esta é, sem dúvida, a melhor participação especial do álbum.

    Outros pontos fortes do CD são “Espera em Deus”, com excelente interpretação de Soraya Moraes e, por incrível que pareça, na maçante “Viver o Amor” com os vocais de Luiz Arcanjo, vocalista do Trazendo a Arca. Diferentemente de André Valadão, que não contribuiu positivamente para “O Meu Querer”, aqui Luiz conseguiu abrilhantar uma canção de pouco valor no repertório. A participação de Juliano Son e Hélvio Sodré em “Não Há Outro Lugar” e de Fernandinho em “Jardim da Inocência” são medianas, enquanto Eyshila, Fernanda Brum e Danielle Cristina destacam-se em suas respectivas faixas, principalmente esta última.

    A versão mais pop e alternativa de “Reina em Mim” é um tanto quanto cansativa, mas inegavelmente cumpre bem o estilo versátil de Baruk e Marcus Salles. “Em Todo Tempo” traz Silveira, menos conhecido que os demais convidados, entretanto faz uma boa interpretação, embora pouco destacável.

    A inédita “Senhor do Tempo” é, de longe uma das melhores composições e interpretações vocais de Paulo César Baruk. Versando sobre um assunto bastante atual na sociedade, o músico imprime a necessidade de organizarmos melhor nosso tempo diário pra Deus, diante de tantas ocupações e entretenimentos que nos afastam dEle. Além de uma oração, a faixa cumpre bem sua missão reflexiva.

    Finalmente, Baruk projetou com excelência seu trabalho comemorativo. É de certa forma raro encontrar um trabalho deste tipo que fuja do mais do mesmo. A escolha das participações especiais, no geral foram sábias, relacionando o estilo e a proposta de cada canção com o vocal dos convidados. Pela boa seleção do repertório, e as novidades trazidas num trabalho normalmente sem novidade, o CD é recomendado.

  • Análise do CD: Still Believe – Kim Walker-Smith

    Análise do CD: Still Believe – Kim Walker-Smith

    Still Believe (Creio ainda) é o mais novo trabalho da cantora Kim Walker-Smith, líder de louvor da banda Jesus Culture, conhecida, indubitavelmente, por sua voz diferenciada, numa cultura musical gospel, dominada por cantoras de voz mais aguda e canto meio dramático.

    Gravado ao vivo, no Teatro Cascade, em Redding, na Califórnia, o segundo álbum solo da ministra, após cinco anos do Here Is My Song (Eis Aqui Minha canção), segue a linha de adoração da Jesus Culture, e contem músicas de cantores como Martin Smith, Chris McClarney, Tim Hughes e Christa Black.

    Começando por Alive, introduzida levemente, como um cântico de adoração, que se rompe numa celebração, ao som da guitarra, e se remete, em seu refrão a melodias do Hillsong, o que não a desmerece. Ao som da bateria, e sob acordes menores, Waste It All (Gastar tudo), de Chris McClarney, fala sobre uma entrega, uma rendição sem restrição, sem dar importância a opinião do mundo. Como diz entre seus versos: ‘‘Coberto de vergonha, e escondendo o rosto. Eu possuía uma dívida impagável. Procurando preencher o vazio do meu coração em vão. Desperdiçando meu valor.’’

    A terceira música do cd, The King Is Here (O Rei Está Aqui), vocalmente falando, parte de um F#3 (Fá sustenido 3 – EUA), nota grave para a maioria das vozes femininas. É uma canção de natureza convidativa. Os que apreciam as músicas que falam sobre o Espírito Santo, Sua presença, Sua vinda, e Sua visita, facilmente se identificarão. Yield My Heart (Rendo Meu Coração) e Spirit, Break Out (Espírito, rompe) configuram mais como clamores, que necessariamente ‘‘canções’’. Letristicamente são singelas, salvas, no entanto, pelos arranjos, e pela participação de cordas, ainda que de uma maneira suave.

    Através destas faixas, podemos refletir, num contexto mais abrangente, sobre a importância da complexibilidade, mas também da simplicidade, em uma música. O Bom ou Belo, ou aceitável, não se restringe a um arranjo muito elaborado e uma letra bem articulada. Nem o comum, e o repetitivo, podem ser descartados. E na simplicidade pode-se perceber, bem mais, o coração do próprio compositor, em relação ao que o mesmo compreende e aspira, em se tratando de louvor e adoração. E nesta atmosfera, Spirit, Break Out culmina num cântico espontâneo, que sem dúvidas, agrega ao cd, a imagem de um instrumento de quebrantamento e derramar de Deus, mais que a de um produto.

    Still Believe (Creio ainda), a única faixa escrita apenas por Kim, e que nomeia o álbum, canta a fé, a convicção em um Deus de milagres, mas não pelos milagres apenas, mas pelos feitos de Deus. Um Deus que faz surdos ouvirem, cura doenças, quebra maldições, liberta cativos, restaura corações, transforma o coração duro em perdoador, muda mentes e ergue-nos da morte para a vida.

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    A penúltima faixa, Miracle Maker (Miraculoso), de Delirious?, carrega um sentimento profundo e mais pesado, típico das ‘‘melodias menores’’, através de seu instrumental, principalmente, como um alguém que anseia, espera por algo, como os versos iniciais dizem: ‘‘Estou esperando aqui, que minha vida mude’’. Do ponto de vista vocal, chega a nota mais grave de todo cd. Kim emite facilmente um E3 (Mi 3 – EUA), e para quem não sabe, esta é, por exemplo, a última nota da extensão vocal da maioria dos sopranos. E não sendo, Kim, um soprano, abusa de suas notas médio-graves, com total domínio, controle e facilidade.

    E encerrando o trabalho, Healing Oil (Óleo de cura), se firma, mais como uma ponte de Miracle Maker, embora não seja. A letra diz: ‘‘Posso sentir Teu óleo de cura escorrendo sobre meu rosto. Jamais trocaria o que sinto agora por outra vida.’’

    Em um todo, Still Believe é um disco voltado para a adoração simples e íntima. Seus versos soam mais como orações, petições pela presença do Senhor, que certamente tocarão aqueles que estão em busca de algo a mais em um relacionamento com Deus, principalmente se o canal, for a Música.

    kim

  • Análise: CD Estante da Vida – Heloisa Rosa

    Análise: CD Estante da Vida – Heloisa Rosa

    Nós, seres humanos, tão iguais, mas ao mesmo tempo particulares. Juntos num mesmo espaço, suscetíveis aos mesmos problemas e fraquezas, estampados numa estante, a estante da vida. Em nossa vida cristã, não é nada diferente. Uns vasos, nesta estante estão empoeirados, sinal de que um dia foram úteis. Outros, rachados, quebrados, que necessitam de renovo e reparo. E o Oleiro está pronto em nossa frente, embora muitas das vezes não o enxerguemos. Basicamente isto é o ponto central do terceiro projeto da cantora mineira Heloisa Rosa, lançado em 2008.

    Curioso é, uma artista de melodias e interpretações vocais tão simples, e as vezes passadas desapercebidas pela maior parte das pessoas lançar um álbum contendo um conceito tão maduro, profundo e atual. Talvez este seja o motivo ao qual superou as vendagens dos anteriores, mas isto não vem ao caso. O fato é que, o CD de Heloisa Rosa contém mensagens que ultrapassam comuns temáticas de canções que ouvimos no hall cristão nacional, principalmente levando em conta o mainstream. O trabalho, também foi produzido num momento de grandes mudanças em sua carreira e vida pessoal, como a morte de sua mãe e a mudança de seus músicos de apoio, que formaram o Palavrantiga e deixaram de atuar com Heloisa.

    A faixa-título, e primeira do repertório traz com força e clareza o seu discurso, nos preparando para todo o contexto letrístico e musical do álbum. O pecador despedaçado, destruído pela sua vivência diária, ou experiência com o mundo conturbado, e o Salvador que alivia, preenche o vazio e entende com uma amplitude sobrenatural o que passa em nosso interno e externo. Aos poucos, somos levados a entender que a nossa verdadeira identidade como seres humanos só é revelada e compreendida quando estamos diretamente envolvidos com Deus.

    A intimidade com Deus nos proporciona um amadurecimento espiritual, em sabermos que só podemos ter uma satisfação e vida de verdade quando aprendemos e vivemos dependentes dEle, sem formalismos religiosos ou complexidades desnecessárias, que muitas vezes só fazem empobrecer nossa vida cristã. Após as três primeiras canções, que dissertam sobre os assuntos citados, a obra centra a figura de Jesus Cristo, reforçando a ideia de entrega e dependência do Salvador.

    Entre os vasos rachados, empoeirados e fracos, existem aqueles que um dia já foram fortemente úteis ao Senhor. E o que aconteceu neste ínterim? O comodismo, as pressões deste mundo foram criando pequenas rupturas, enfraquecendo as estruturas. A partir de tudo isso, é importante voltar ao primeiro amor, que diretamente é relacionado com ser moldado e reconstruído novamente pelo Oleiro. Afinal, nossa perfeição como seres humanos é inatingível, e este mundo com suas vaidades sempre tentarão nos distanciar do amor de Deus.

    Quão bom é saber que Deus não desiste de nós. Que, assim como comparado no livro de Jeremias, Ele insiste, continua a moldar, reconstruir o mesmo barro até que este atinja a perfeição, novo, forte e agradável. Que, nesta estante da vida, Ele tem todo o poder e soberania sobre nossa vida, emoções, sabe o melhor para nós antes mesmo do nosso princípio (Salmo 139). Seja um vaso novo e perfeito nas mãos dEle, sem medo de se render e entregar, mesmo na dor de ser reconstruído.

  • Análise: CD A Chuva Caiu – Elias e Eliseu

    Análise: CD A Chuva Caiu – Elias e Eliseu

    É possível fazer música de grande apelo popular sem cair na mesmice da repetição de fórmulas e frases prontas? Sim é possível. A dupla Elias e Eliseu traz em seu novo disco “A chuva caiu” um som extremamente popular, agradável e também criativo.

    O sertanejo universitário vem conquistando mais e mais público no segmento secular, e no gospel esse movimento não é diferente. Os mais conservadores ainda olham com ressalvas para este estilo musical, principalmente por que os maiores hits costumam ser canções de apenas dois ou três versos que se repetem. Geralmente uma música chiclete, pobre, com um refrão grudento fabricado com o objetivo de cair mesmo na boca do público. No entanto no gospel algumas duplas provam ser possível ter uma música popular sem a pobreza de letras como costuma ser no secular.

    E é assim que vejo “A chuva caiu”. O trabalho mescla canções de sertanejo raiz com o sertanejo universitário trazendo letras carregadas de mensagens de tom evangelístico. A mistura de instrumentos característicos do sertanejo como a viola, sanfona, gaita com outros nem tão comuns como baixo, guitarra e bateria confere um som moderno e agradável. Isso é possível notar na canção “Descansa” que traz uma mensagem de confiança no Senhor, abordando como exemplo a história de Pedro na prisão. As vezes chega um momento em que não temos o que fazer, o segredo é descansar na sombra do Onipotente, crer que Ele tudo fará.

    Bem produzido, o disco não fica devendo em nada aos maiores nomes do sertanejo secular. São quatorze faixas que versam de diversos assuntos, a maioria em primeira pessoa, expressando a confiança do crente em Deus, nas suas promessas e na garantia da vitória no final. Do Lado de Lá faz analogia à travessia do povo de Israel pelo mar Vermelho, apesar das dificuldades, das provas, do outro lado tem algo preparado por Deus.

    Certamente não é fácil enfrentar o mar sem ver o final, sem saber o que nos espera do outro lado. Justamente aí que entra a fé, afinal “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das que se não veem” (Hebreus 11:1). Só conquista a vitória, aquele que crê e mantém a fé viva em Deus.

    Merece atenção também a canção que encerra o disco, “Sobrenatural”. Com uma pegada mais intimista, com direito a piano e violino a canção penetra fundo na alma e nos leva a viajar na melodia. Muitas vezes perdemos de viver o sobrenatural de Deus por nos apegar demais às circunstâncias, nos importarmos demais com o que nos rodeia, perdemos de viver a plenitude de Deus. “É preciso ter asas e voar, o mais alto pra viver o sobrenatural”.

    Arranjos fortes e bem elaborados dão um ar de super produção à canções que ganham ainda mais força com a participação do back vocal e a forma empolgante como a dupla se coloca nas músicas.

    Com o disco “A chuva caiu” os irmãos Elias e Eliseu certamente passam a figurar entre os grandes nomes do sertanejo universitário com um trabalho impecável, de alto nível e de forte apelo popular. Aos amantes da música sertaneja: não deixe de conferir este disco!

    Ouça a canção “A chuva caiu”: