Categoria: Análises

  • Análise: CD O Maior Troféu – Damares

    Damares, uma das mais importantes representantes da música pentecostal na atualidade é uma cantora que divide opiniões. Amada por muitos e questionada por outros, estes, geralmente alegando exagerado triunfalismo ou revanchismo em suas músicas, Damares é uma cantora inegavelmente popular.

    Depois de dois discos, “Apocalipse” e “Diamante”, que se firmaram como grandes sucessos, a cantora apresenta seu mais recente álbum pela gravadora Sony Music. “O Maior Troféu” vem com a missão de manter Damares no posto de destaque pentecostal, e com o desafio de manter o sucesso de vendas de seus antecessores.

    Com produção deMelk Carvalhedo e Emerson Pinheiro, “O Maior Troféu” já é, sem dúvidas, um dos discos mais comentados do ano. Coberto de expectativas, as notícias a respeito desse projeto foram constantes na mídia gospel especializada. Agora, com o cd a venda nas melhores lojas do país, vamos analisar cada faixa, a fim de saber se essas expectativas foram atendidas.

    Iniciando o trabalho, temos “A vida venceu”, música de Jeann e Júnior. A música é a cara de Damares e, talvez por isso, seja o cartão de visitas do disco. Estabelecendo uma relação entre as tecnologias modernas e a impossibilidade humana de explicar a morte, a letra fala sobre a vitória de Cristo na cruz do Calvário. O destaque positivo da música é o tema que, por mais que seja exaustivamente cantado, nunca é demais, afinal trata-se da base do cristianismo. Outro ponto que merece destaque é o back vocal bem colocado e com algumas pontes interessantes.

    O single e tema do disco, “O Maior Troféu”, foge da temática dos maiores hits anteriores da cantora. Talvez para se livrar da imagem de cantora de músicas revanchistas, como ficou conhecida por causa de “Sabor de Mel”, Damares optou por uma música que diz que o maior troféu que o homem pode receber, é ter o nome escrito no Livro da Vida. Com uma letra simples e bonita composta por Tony Ricardo, um dos destaques da música é a interpretação da cantora que ficou na medida certa. O arranjo vocal novamente é ótimo para a música pentecostal. Com momentos de dueto, back vocal pesado no refrão e uma bela sobreposição de vozes no final.

    A temática do Arrebatamento ganha moldes pop e com detalhes trabalhados em instrumentos de sopro na música “Todo Olho o Verá”, de Moisés Cleyton. As revelações do apocalipse são cantadas de forma ordenada, culminando no refrão animado e acompanhado pelo back vocal. Alguns arranjos da música estão bem agradáveis e a progressão do back em certos momentos é interessante. A faixa começa fraca, mas vai ganhando corpo e termina muito bem.

    “Pode ser Hoje”, de Tângela Vieira, fala sobre fazer tudo ao Senhor com o máximo de dedicação como se estivéssemos no último dia, afinal, a volta do nosso Salvador pode ser hoje. Uma bela letra que tem tudo para ser sucesso, embora o arranjo não tenha nada de muito impactante. Uma capela ou aumento de um tom em uma das passagens do refrão teria sido excelente para essa enriquecer o arranjo da música.

    Uma das melhores faixas do disco vem agora.

    “Essência da Adoração” reúne os melhores elementos das músicas anteriores em apenas uma canção. Um tema não comunmente abordado na música pentecostal – a adoração-, uma introdução excelente no piano e a melhor interpretação de Damares no disco. O back vocal que, até aqui vinha muito bem, ganha um destaque especial e cumpre seu papel com louvor. A sobreposição das vozes e um refrão simples e empolgante credenciam “Essência da Adoração” a ser uma das melhores e mais executadas músicas pentecostais de 2013.

    “A Dracma e Seu Dono”, de Anderson Freire, foi uma das músicas mais aguardadas do disco, tudo por causa de sua inusitada participação especial, a do cantor Thalles. A curiosidade em torno do cantor interpretando uma música pentecostal foi grande e o resultado não deixou a desejar. A harmonia de dois artistas tão diferentes é, certamente, um dos pontos altos da faixa. De inicio, a música tem um viés sertanejo muito interessante, mas a partir do segundo refrão entra nos trilhos pentecostais sem perder o fôlego. Certamente será uma das músicas do disco mais executadas do disco nas rádios.

    “Adorador” é musicalmente interessante. A faixa não tem aquele refrão explosivo típico das músicas pentecostais, mas isso não é ruim, pois a deixa menos óbvia. A música vai crescendo e no momento que viria aquele tradicional ápice mais acelerado da canção, ela diminui o ritmo. Novamente muito bem colocado, o back vocal ganha destaque encorpando a música. A composição é de Nice Santos.

    Na oitava faixa aparece o que muitos esperavam que Damares fizesse o disco inteiro. “Você Mais Deus”, de Moisés Cleyton, é uma música popular, de fácil assimilação, falando sobre vitória e confiança em Deus, e com um arranjo genuinamente pentecostal.

    “Sou Teu Deus” inicia como uma oração que tem como seu ponto alto, e refrão, a resposta de Deus. “Eu estou pertinho e você não vê” demonstra um Deus amoroso querendo amparar seu filho que sofre. A letra de Moisés Cleyton não é inovadora nem nada do gênero, mas é uma bela forma de fazer o pentecostal vitorioso de sempre, mas de uma forma mais singela. Destaque para a interpretação de Damares que ficou na medida.

    “Alto Preço” parece feita especialmente para grupos de senhoras de igrejas pentecostais. Anderson Freire compôs uma letra interessante que fala sobre pagar o preço para chegar ao céu, pois o mais alto preço foi pago na cruz. O refrão ganha uma série grudenta de “eu to pagando, eu to pagando” que fica na cabeça. Com forte apelo popular, a música corre o risco de virar hit.

    O nome “Temporal de Poder” já dá indícios do que virá na décima primeira faixa. “Tempestade de glória” e “enchente de milagres” são expressões marcantes na canção. A música composta por Tângela Vieira divide opiniões, mas considerando que faz parte de um estilo que tem em “500 Graus”, de Cassiane, um de seus hits mais marcantes, tem tudo para fazer sucesso.

    Depois de duas faixas com letras simples, chega “Oração de Jabes” de Anderson Freire. A letra é bastante bíblica e apresenta esse personagem pouco conhecido de forma interessante. Os arranjos são simples e feitos para evidenciar a interpretação singela de Damares. Faixa bastante interessante pois foge do óbvio, mas ainda assim se mantém popular.

    A tradicional faixa com elementos de forró, típicas de discos pentecostais, vem com “Davi ou Mical”, de Moisés Cleyton. Embora a melodia lembre outras tantas músicas do gênero, não apresentando nada de novo, a música vale a pena pela letra. Com estrofes bem trabalhadas e embasadas em no capítulo 6 de II Samuel, a canção se enriquece.

    “Tô Na Estrada” é uma surpresa interessante do disco. Anderson Freire compondo e Damares cantando sertanejo universitário. A produção da música foi muito bem pensada por Melk que, caso errasse a mão, teria deixado a faixa caricata. Dentro das conhecidas limitações do estilo, é uma música digna.

    O disco fecha de forma quase decepcionante com “Celebrando a vida”, uma música cercada de expectativas por reunir, além de Damares, três dos maiores talentos da nova geração da música cristã nacional: Brenda, Jotta A. e Anderson Freire. Com esses companheiros, poder-se-ia fazer uma das melhores faixas do disco, caso a música escolhida fosse mais promissora. “Adorador” poderia ter sido facilmente escolhida. A música não é ruim, pelo contrário. É um pop dançante bem executado e com um belo trabalho de back vocal. O grande problema é a sensação de desperdício de talentos em uma música mediana e sem grandes pretensões.

    A coisa mais perceptível ao ouvir “O Maior Troféu” é o cuidado com o repertório. A seleção das músicas foi feita de forma cuidadosa para manter a multidão de admiradores de Damares e conquistar os amantes da música pentecostal ainda resistentes à cantora.

    Em alguns momentos ao longo do álbum, tem-se a impressão de estar ouvindo um trabalho de outro tempo. Certos músicas e arranjos parecem saídos de discos do começo dos anos 2000, como “Recompensa” de Cassiane. Isso é ótimo. Damares fez um disco essencialmente pentecostal, mantendo o pop, que insiste em invadir as produções do gênero, presente, mas sob cotrole.

    “O Maior Troféu” traz uma Damares musicalmente madura e em seu melhor momento. As interpretações estão mais comedidas, mas não menos fortes, como pede o estilo pentecostal. É um disco muito correto, tecnicamente bem pensado, com poucos deslizes realmente significativos e com potencial para ser um dos melhores álbuns pentecostais do ano.

  • Análise: CD Nada temerei – Ana Nóbrega

    Vocalista do Diante do Trono, a cearense Ana Nóbrega chega a seu segundo trabalho solo, mas com cara de álbum de estreia. Nada Temerei foi lançado pela Som Livre em fevereiro deste ano e pretende evidenciar Ana como a revelação da música gospel nacional deste ano.

    O álbum foi gravado no estúdio da banda Diante do Trono durante os anos de 2012 e 2013. Os arranjos ficaram por conta de vários músicos, e a produção musical por Vinícius Bruno e Robert Dolabella. A maior parte das faixas são de autoria de Nóbrega e algumas em parceria com Israel Salazar, também vocalista do Diante do Trono. O criativo e conceitual projeto gráfico é criação da Quartel Design.

    A primeira faixa do repertório é De Tal Maneira. Letra clichê no refrão, porém muito bem arranjada. Riffs de guitarra na introdução, bateria bate-estaca e muitos efeitos eletrônicos. Desta já nota-se que o disco de Nóbrega desvincula totalmente da proposta musical do Diante do Trono de forma bem-sucedida. Um dueto no refrão entre a cantora e o músico Rodrigo Campos ficou agradavelmente bom.

    Eu Amo Te Adorar tem uma vibe bastante abrasileirada, com muitos toques de teclado lembrando vários estilos nacionais. Os contracantos de Nóbrega foram bem explorados, e o groove da bateria, baixo e teclado ficaram agradáveis, embora a faixa soe um pouco enjoativa pelo refrão repetitivo.

    A seguir, Bendiga ao Senhor, que é uma das melhores do repertório. Cheia de efeitos eletrônicos, um vocal melódico, embora novamente bem repetitiva possui uma dinâmica bastante agradável, e um final excelente. É uma faixa bem “pra cima”.

    Num momento mais lento do repertório, Com Tudo o que Sou segue a linha das anteriores no quesito instrumental. Pop rock com muitos efeitos eletrônicos. A interpretação de Nóbrega é um dos destaques, e a letra em si, apesar de naturalmente tender para um lado clichê é bem articulada e agradável de ouvir. “Mostra-me de dia o Teu amor e quando o sol se for Te darei minha canção / Enche-me de alegria e paz, Teu amor me satisfaz, Deus da minha salvação”.

    Nada Temerei, apesar de ser a faixa-título do álbum acabou se tornando o maior ponto negativo da obra. Ao ouvi-la, dá a impressão de que nada combinou, nem a letra, arranjos e interpretação de Nóbrega, apesar de que nestes pontos a canção não seja ruim, mas a má união destas a tornou uma canção melosa. A proposta não deu certo.

    Contrastando com a anterior, Sempre por Perto tem os melhores arranjos do repertório, além da impecável interpretação de Ana. Um jazz-blues, com toques de guitarra, teclado, criando uma “atmosfera musical” envolvente. A música versa sobre a onipresença de Deus em nós.

    Com a participação de Ana Paula Valadão, temos Pra Te Adorar, um folk bem intimista. O dueto das “Anas” ficou excelente, embora o fade out na faixa poderia ter sido evitado. Ao longo da canção, mais próximo ao final, ela ganha o peso necessário.

    Estou Aqui é um dos pontos altos do repertório. Sendo bem intimista, Nóbrega faz uma interpretação leve, assim como a sonoridade, executada por um violão combinada a toques leves de guitarra, bateria e efeitos eletrônicos. A letra mescla declarações verticais a frases poéticas.

    Um solo de piano unido a um arranjo de cordas, Mais tem um das sonoridades mais lentas do repertório. O refrão é simples, clichê, mas não conta como ponto negativo, principalmente por conta de sua condução.

    Te Quero Mais possui uma condução musical percussiva, riffs de guitarra e um vocal melódico que contrasta a voz de Nóbrega. A letra é clichê e enjoativa, e conta como mais um ponto negativo do álbum Nada Temerei.

    Com uma intro cheia de sintetizadores, Tu és a Fonte possui uma letra interessante, em primeira pessoa, primeiramente se referindo a alguém, até chegar ao refrão, em que se volta às declarações verticais.

    Eu Quero Teu Fogo é a faixa mais pesada do álbum, e instrumentalmente uma das melhores do projeto. É destacável, a força da bateria e da guitarra base, e mais tarde o momento leve da canção, com efeitos eletrônicos e um vocal de apoio formado por backs do Diante do Trono, e a parte final da música, excelente.

    Fechando a obra, temos a regravação de Porque estás Comigo, presente também no CD Creio, lançado pelo Diante do Trono em 2012. São poucas a mudanças para a versão original, um vocal de apoio removido no refrão e a inclusão deste na introdução. Particularmente, prefiro esta versão, mais “pesada” e menos psicodélica, embora ambas sejam agradáveis de ouvir.

    No geral, Nóbrega acertou em cheio neste projeto. Evitou usar os moldes e padrões musicais do Diante do Trono para revelar sua identidade musical, que é excelente. O que, conta como negativo, em algumas partes é o uso da mesma temática em várias canções e os refrões repetitivos. Considerando tudo o que foi dito, o disco recebe nota 8 de 10 e é altamente recomendável para quem curte um pop rock contemporâneo bem produzido e cheio de identidade musical.

  • Análise: CD Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) – Oficina G3

    Lançado há exatamente duas semanas, o novo CD da banda de rock Oficina G3 acaba de chegar às lojas causando grande repercussão midiática. Um dos mais vendidos no iTunes, com single tendo recorde de visualizações no YouTube, a banda recebe todo o reconhecimento que acumulou durante os 25 anos de carreira.

    O projeto gráfico do disco, produzido por Hugo Pessoa e Jean Carllos é interessante, conceitual. No mais, o uso da bicicleta e o design “retrô” embelezam o projeto. Também não entendo o porquê a gravadora retirou certas páginas do encarte, desvalorizando o produto final.

    Comparado ao Depois da Guerra, temos um Oficina G3 mais maduro, com canções mais poéticas, uma sonoridade mais alternativa, e em alguns pontos também bastante experimental. Isso logo é notável nas duas primeiras faixas, “Diz” e “Água Viva”. A primeira, destacando-se pela execução da bateria por Alexandre Aposan, e na segunda pelos teclados de Jean Carllos, o baixo e o vocal de apoio de Duca Tambasco. Ainda, nesta segunda, percebe-se um “casamento” perfeito da letra com o arranjo.

    Um detalhe negativo neste trabalho, em minha opinião é a baixa participação de Juninho Afram nos vocais. O músico cantou um pequeno verso em “Confiar”, single do álbum, que possui arranjos de violão e um excelente solo de guitarra com muito feeling, mas nenhuma interpretação completa em alguma música. Já Mauro Henrique, atual vocalista ainda atuou como violista, e em relação ao DDG, mostrou razoavelmente bem sua potência vocal, e fez excelentes interpretações, como em “Lágrimas”, em parceria com Leonardo Gonçalves, canção que se revela como a melhor balada do disco, e provavelmente dentre as melhores da Oficina G3 nesta categoria.

    Enquanto o cover de DDG foi “People Get Ready”, o de Histórias e Bicicletas é “Save me from Myself”, gravada anteriormente por Michael W. Smith, faixa que possui muitas influências alternativas. O cover é agradavelmente bom, sem muitos destaques, porém superando expectativas, se comparada com a versão original, principalmente pelos toques de teclado e o virtuoso solo de guitarra por Juninho. Também, a regravação do clássico de Kleber Lucas, “Aos pés da Cruz”, versão que considero superior à original, embora não haja tantas novidades. A banda conseguiu manter a essência da canção sem impedir que houvesse uma vibe rock na música.

    É interessante a inclusão do poema em cordel na faixa “Encontro”, com a participação de Roberto Diamanso, e uma letra muito interessante e rica, que trata de um tema complexo, mas de uma forma simples. Na verdade, este detalhe é notável em praticamente todas as canções deste trabalho. “Compartilhar” tem um arranjo, principalmente dos teclados que me lembram de discos mais antigos da Oficina G3, principalmente Indiferença e O Tempo. “Descanso” é uma das faixas mais lentas do repertório, escrita pela falecida esposa de Mauro em parceria com o próprio, e também a com versos mais verticais da obra. Destaque pela sonoridade progressiva, e a execução do violão.

    Por fim, comento duas das melhores canções do repertório: “Não ser” e “Sou eu”. A primeira destaca pelo peso, que lembra o DDG, porém com muitos efeitos eletrônicos. A execução do baixo por Duca na introdução é pulsante, e Alexandre Aposan faz, em minha opinião a melhor participação no disco, ao fim guturais de Jean, é a canção que, particularmente mais lembra o último disco do G3. A segunda possui uma introdução bem alternativa, que dá ao ar de uma música bem leve, porém, o peso é gradativo, até o refrão, mesclando momentos leves, comandados pelo teclado, e “pesados”, com muitos riffs de guitarra e baixo.

    São várias considerações gerais que tenho a respeito de Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança). Claramente, é um projeto mais maduro em todos os quesitos, principalmente nas letras. E, também acredito que, naturalmente este trabalho não será tão aceito pelo público o quanto Depois da Guerra foi. O novo CD da Oficina G3 traz relatos autobiográficos transformados em versos, dramas e sentimentos pessoais que se tornaram versos musicais. Nota-se, no encarte, no texto escrito por Duca Tambasco, na maior parte das composições, como “Lágrimas”, “Descanso”, “Confiar” e “Encontro”, por exemplo, reflexões humanas trazidas a primeira pessoa. O uso da bicicleta, no título e em todo o projeto fica mais entendível no texto de Duca, e inclusive elogio essa temática utilizada.

    Mais que um registro autobiográfico, Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) é a musicalização de um contexto histórico do ser humano atual, em sua individualidade, solidão, as complexidades pessoais que envolvem o seu interior, e principalmente a necessidade da existência de Deus dentro de si. Isto não é, e dificilmente será entendido por grande parte do público que curte o conjunto. Porém, não garante um fracasso do álbum. No nível de reconhecimento que a banda possui, a notoriedade que o projeto alcançou, e a qualidade técnica e poética deste trabalho tem de tudo para fazer com que este fique marcado como um dos melhores discos do ano, todavia dificilmente venha a ser mais destaque que um disco mais popular e menos complexo, desagradando parte do público.

    Noto também que, por ser um trabalho mais “leve”, a participação do tecladista Jean Carllos foi fundamental, assim como foi no disco Elektracustika. O músico soube trazer uma pegada alternativa interessante em seus arranjos, mesclando elementos musicais dos discos mais antigos. Duca Tambasco deixou de ser um mero baixista como um dos integrantes mais importantes na produção deste trabalho. Isto é percebível pelo encarte, em seu texto de reflexão, sua forte atuação como back vocal na maior parte das músicas, e por fim a sonoridade do baixo, que desta vez me pareceu mais fundamental que no último trabalho da Oficina G3. O artista também aparenta estar menos tímido.

    Juninho Afram, que outrora sempre se destacou como guitarrista e band leader recuou um pouco, e permitiu que os demais integrantes viessem a “crescer” e aparecer. Posso dizer que, atualmente a Oficina G3 não pode ser descrita simplesmente como “a banda do Juninho”, mas sim um quinteto de fato, que se completa mutuamente. Isto é notável em suas apresentações ao vivo atualmente. Mauro Henrique, além de vocalista agora tem a missão de trazer os violões, e consolidar de vez seu talento no grupo. Alexandre Aposan, que surpreendeu a todos no último álbum de estúdio do G3 mantém sua qualidade técnica neste novo trabalho, tanto em canções mais leves ou pesadas, firmando que é atualmente um dos melhores bateristas do gospel nacional. No geral, o disco é aprovado, e já está dentre os meus três favoritos deste ano.

  • Análise: CD Renovo – Diante do Trono

    Lançado em junho deste ano, antes do esperado, Renovo é mais um dentre vários discos comemorativos da debutante banda Diante do Trono, que comemora quinze anos de carreira, e consequentemente sucesso estabelecido.

    Tenho certa expectativa com discos de regravações, principalmente quando o artista tem um bom histórico com este tipo de trabalho, porém, foi completamente diferente com o Diante do Trono, tendo em mente que os projetos anteriores – Tempo de Festa e Com Intensidade – não mostram, de forma alguma o tipo de novidade, principalmente em relação aos arranjos, mostrando-se álbuns fracos e desnecessários. Renovo, ao contrário, cumpre bem o seu papel fundamental: traz novas roupagens a canções mais antigas do conjunto, mesclando clássicos, como “Nos Braços do Pai” com músicas pouco conhecidas, como “Porque Te Amo”. Já a qualidade dessas melodias dividiu opiniões, sendo muitos os argumentos de que tais empobreceram as faixas e outros, que afirmam que o propósito foi cumprido com êxito e excelência.

    Foi gravado durante o 14º Congresso Internacional de Louvor e Adoração Diante do Trono, realizado no final de março deste ano. A gravação foi marcada pela presença de mais de dez mil pessoas, e com vários contratempos, principalmente ao estado de voz de Ana Paula Valadão. Porém, como maior parte dos trabalhos ao vivo produzidos, este passou por correções em estúdio.

    O projeto gráfico ficou por conta da Quartel Design, que apostou num visual simples, porém temático. O logotipo “Renovo” foi criado pelo ex-integrante Guilherme Fares. O arranjo vocal por Rodrigo Campos, que recentemente também saiu do grupo. Pelo repertório ser composto exclusivamente por regravações, todas as faixas são interpretadas por Ana Paula Valadão, algumas em dueto com outros vocais do conjunto.

    Iniciado com um riff de guitarra, Quero Subir é uma das faixas de celebração do projeto, diretamente do álbum Preciso de Ti, o maior sucesso comercial do Diante do Trono. Comparada a sua versão original, nada lembra em relação ao seu arranjo. O ponto alto da canção está em seu refrão, embora sejam forçados e exagerados os efeitos eletrônicos nesta parte.

    Em seguida, A Vitória da Cruz/Mais que Vencedor descreve os melhores momentos do disco em sua parte acelerada. A pegada forte da bateria e a sonoridade da guitarra enriqueceram bastante os arranjos das canções nesta nova versão. A captação ao vivo, com a participação dos congressistas deu um ar vívido à dinâmica da faixa.

    Controversa versão, muito tem dito que o novo arranjo de Quem é deus como o nosso Deus, original do disco Esperança é um plágio de Every teardrop is a waterfall do Coldplay. Não entrando no mérito do plágio, a canção poderia apresentar uma sonoridade bem mais interessante, ou ser substituída por outra música.

    Deus de Amor, do álbum Diante do Trono possui uma sonoridade simples, porém encaixa muito bem em todos os aspectos, principalmente pela sua característica intimista. Em alguns pontos sonoros, lembrou Jesus Amado, de Creio.

    Uma das músicas de destaque de um dos melhores trabalhos do Diante do Trono – Exaltado, Amigo Fiel segue, em sua nova versão com a forte presença do violão e guitarra dedilhada. O arranjo do baixo aqui é o melhor em todo o álbum, leve, porém fortemente presente. Em seguida, um Espontâneo.

    Esperança, faixa-título do sétimo trabalho do conjunto mineiro, continuou a ter um arranjo leve em sua nova roupagem agora, desta vez sem o naipe de cordas e com a inclusão da bateria e de demais instrumentos de base.

    A melhor faixa do álbum, porém vai para Nos Braços do Pai. Aqui o Diante do Trono chegou a um ponto em que não alcançou em nenhuma das outras faixas – mudar completamente a sonoridade de uma canção, mantendo, mesmo assim a sua essência. Uma das músicas mais ricas do grupo em questão letrística ganha uma roupagem bem trabalhada de respeito. Os contratempos da bateria, o dueto de Rodrigo Campos e Ana Paula Valadão é muito bom, principalmente nas últimas repetições do refrão. A leveza da versão original deu lugar a uma sonoridade envolvente, com um tom dramático e, desesperador, como diz a letra: “Pai, estou aqui, olha para mim, desesperado por mais de Ti”. Um espontâneo simples e direto para fechar bem, mostrando que sua letra ainda é muito atual.

    A boa combinação de Renovo vem também a Seja o Centro, embora tendo desagradado a muitos, é inegável que a nova versão repetiu, em uma escala semelhante, embora inferior o que o grupo conseguiu em Nos Braços do Pai, porém com um arranjo parecido a sua versão original. Aqui o desafio foi maior que em outras canções, isto porque sua versão original é fortemente intimista, com um dueto. Porém o resultado final ficou muito bom, acima do esperado.

    Tua Presença aqui está mais leve que no original. Os toques do violão em contraste com os sintetizadores encaixaram muito bem, e o peso gradativo que esta vai ganhando, além dos vocais, com destaque para a performance de Ana Nóbrega, que com Ana Paula fazem um bom dueto. Canção do Amor/Quero me Apaixonar é a faixa de menor destaque do álbum, seus com arranjos pouco diferenciais, mas que encaixam bem entre as canções com sua suavidade, principalmente no bom dueto entre Salazar e Valadão.

    Porque Te Amo recebeu poucas alterações em sua sonoridade, agora, a bateria e o violão fazem mais se presentes. Sua essência intimista manteve-se também em relação a sua primeira gravação.

    Fechando o trabalho, temos a faixa-título do décimo segundo álbum do Diante do Trono, Tua Visão. Desta vez, a canção recebeu uma forte influência eletrônica, e ficou mais acelerada. Encerrou bem, embora poderia ter sido melhor trabalhada.

    Renovo cumpre parcialmente bem o seu propósito, que apresentar roupagens atuais à canções mais clássicas do Diante do Trono, porém peca nos novos arranjos, aos quais alguns por serem tão simplórios levam as canções a destoar em qualidade. E isto reflete na sonoridade, pouco atraente em relação aos dois últimos trabalhos inéditos do grupo – Sol da Justiça e Creio. É esperado que o grupo não venha a cometer o mesmo erro em “Tu Reinas”, já que este será composto por várias regravações também. Dá a impressão ao ouvir o disco, que este não foi produzido com o zelo que deveria.

    Nos aspectos gerais, na parte técnica Renovo está bom. Tanto as etapas de produção e pós-produção foram executadas dentro do esperado. Vinícius Bruno firma sua competência como produtor do grupo, cargo que desempenha há certo tempo, e também como o responsável pela gravação dos overdubs, enquanto Rodrigo Campos cumpre sem virtuosismo seu papel de arranjador vocal, transmitindo a simplicidade proposta do disco. Na parte instrumental, o destaque vai para o baterista Tiago Albuquerque, que desde o trabalho Creio tem desempenhado um papel fundamental e de responsabilidade em seu instrumento, mostrando ser um dos grandes ganhos para o Diante do Trono nesta formação. A mixagem e a masterização seguem com uma alta qualidade, porém poderia ter deixado o baixo mais evidente. A captação ao vivo esteve razoável no âmbito geral, soando pouco artificial, o que é muito bom.

    Ana Paula Valadão, vocalmente continua a transmitir a essência letrística e vocal do Diante do Trono, mas de forma inteligente e sagaz a dar aos poucos, espaço para os demais vocais do grupo. O desafio, agora, é manter a qualidade vocal dos backs após a saída dos vários membros, como Ana Nóbrega. Com Renovo, a banda firma a proposta musical atual, porém necessitando equilibrar seu formato comercial com a qualidade instrumental que possuía no passado e com os novos membros nos últimos trabalhos. De dez pontos, merece oito.

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    [tab title=”Melhores faixas”]
    Deus de amor
    Amigo Fiel
    Nos Braços do Pai
    Tua Presença
    Seja o Centro

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    [tab title=”Melhores discos do Diante do Trono”]
    Esperança (2004)
    Ainda Existe uma Cruz (2005)
    Preciso de Ti (2001)
    Príncipe da Paz (2010)
    Águas Purificadoras (2000)

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  • Análise: CD Sejam Cheios do Espírito Santo – Thalles

    Lançado em maio deste ano, o novo álbum de Thalles é, sem dúvida um dos mais esperados do ano, principalmente levando em consideração o sucesso meteórico que seu trabalho tem alcançado nos últimos anos com os discos “Na Sala do Pai” e “Uma História Escrita pelo Dedo de Deus”, lançados em 2009 e 2011, respectivamente.

    Segundo o próprio cantor, Sejam Cheios do Espírito Santo é uma continuação e ao mesmo tempo término desta trilogia composta pelos três álbuns. E o fruto da espera se tornou notável após o lançamento: o disco chegou ao primeiro lugar dentre os mais vendidos no iTunes e segue com muitos comentários positivos e negativos por parte do público em geral. Além de tudo, já é disco de platina.

    A capa do disco segue uma ideia de modernidade, tentando fugir dos clichês apresentados atualmente. A mim, particularmente não agradou, mas é inegável que cumpre fielmente o estilo moderno do cantor. O CD foi produzido pelo próprio artista em parceria com Fábio Aposan, que também colaborou no “Raízes 2”, lançado ano passado, em setembro. Contém uma canção não inédita, “Maravilha”, trilha sonora do filme Três Histórias, um destino, produzido pela Graça Filmes.

    O grande ponto positivo do álbum do Thalles está na qualidade técnica e instrumental. Sem dúvida, este é o melhor de toda a sua carreira neste ponto. Dentre as canções, o músico soube viajar em vários gêneros musicais sem perder-se totalmente no seu pop rock contemporâneo. Na faixa-título, por exemplo, nota-se influência clara do samba-rap, em “Paixão de Adolescente” um folk, que mais tarde cresce, tornando-se em pop, reggae e um ar nordestino com a sanfona. Os toques de violão em “Foi a Mão de Deus” são excelentes, completando um arranjo simples, mas belo.

    Na interpretação, Thalles precisa conter os exageros, e manter o que estava dando certo em seu primeiro trabalho, “Na Sala do Pai”. Em “Pai, eu não confio em mim”, música que melhor representa seu estilo como músico foi totalmente desnecessária a parte de ministração, oração e dando direito até o falar em línguas, embora a letra e o arranjo estejam bem agradáveis. “Dias de Sucesso” representaria muito bem a influência autobiográfica do cantor em seus versos, que realizou uma de suas melhores interpretações. A sonoridade também é muito boa, e leve. Os toques dos violões com as cordas causaram uma introdução de respeito. “Ele é o Amor”, assim como a anterior cumpre bem o seu papel.

    A faixa mais polêmica do álbum, “Filho Meu”, por incrível que pareça é uma das melhores do trabalho. Apesar das controvérsias relacionadas a sua letra, o cantor apresenta de forma bem informal e direta uma canção de fácil uso para evangelismo. Musicalmente, com suas influências da black music e do reggae, possui um dos melhores arranjos do repertório.

    O CD ainda possui alguns defeitos triviais que podem passar batido por ouvintes mais desatentos: o excesso de faixas, que o torna cansativo, e a superficialidade de algumas músicas, liricamente falando, como pouca Bíblia e muito sentimento pessoal. Particularmente, entendo este lado como uma proposta do cantor de ser um músico facilmente acessível e popular, tanto para cristãos e não-cristãos. Sua música não precisa seguir uma linha a lá Diante do Trono, Palavrantiga ou João Alexandre, por exemplo. O objetivo do músico é diferente da grande maioria de músicos evangélicos atuais. Portanto, para quem deseja canções complexas em um ponto letrístico, o disco não é recomendado. No geral, o álbum cumpre bem a sua proposta para o público alvo: disco bem produzido, arranjado, canções simples, claras e diretas que sem dúvida vai atrair os ouvintes, principalmente os jovens.

  • Análise – CD A Vida como ela era – Hibernia

    A infância, além de ser uma fase marcada pelo início das descobertas da vida, é envolvida pela pureza e simplicidade. O álbum de estreia da banda Hibernia, “A vida como ela era” remete a essa nostalgia dos tempos de inocência, tanto de vida, quanto espiritualmente falando. Não só conceitualmente, as melodias e letras são, em alguns momentos fortemente introspectivas, trazidas a primeira pessoa, o que não é muito comum de encontrarmos no mainstream. Além de tudo, o grupo é adepto ao mesmo crossover abraçado pelas bandas Tanlan e Palavrantiga, por exemplo.

    A capa, produzida por Oliver Garcia traz um guarda-chuva. Sabemos que, a chuva durante a infância lembra o sorriso de se molhar a cada pingo recebido. O guarda-chuva, por outro lado transforma-se no pudor e nos receios de que temos em viver a simplicidade da vida e a pureza desta fase. E, claramente, como todo o projeto enfatiza, não é tarde para voltar à inocência. Foi lançado em 2009.

    O conjunto inteiro da obra soa muito bem trabalhado e coeso, como dito anteriormente. A faixa título A Vida como ela era representa muito bem o CD. O uso de sintetizadores, teclado e piano aliados ao clássico som da guitarra alternativa contemporânea remetem um momento de lembranças, e ao mesmo tempo na procura de uma retomada ao passado, como bem citado na letra.

    Os vocais cheios de feeling do cantor Renato Santana junto a letra e melodia de Além do que se entende retratam bem a angústia do homem contemporâneo cristão em permanecer na presença de Deus com o tempo e situações ao seu desfavor. Ligando-se, temos Vaidade que segue, de forma menos introspetiva a versar sobre as fraquezas humanas, por uma perspectiva bem racional.

    Sei nunca é tarde pra voltar à inocência que me fez feliz
    E reencontrar sem nenhum pudor
    Motivos para estar em Tua presença
    Que me fez tão bem
    Não sinto muito bem onde estou
    Mas é cedo pra dizer não mais
    As cores ainda estão por vir
    Vão trazer consigo tanta paz
    Além do que se entende

    Esses Olhos Teus, mais lenta é a melhor balada do projeto, em todos os aspectos. Retrata muito bem a intimidade de Deus com o homem que abre o coração para Ele, com sua melodia e interpretação suave, principalmente com o órgão sintetizado na introdução.

    Os riffs de guitarra “abrasileirado” de Não sei Fingir contribui para a boa variação de melodias do álbum, porém, de maneira alguma foge do conceito geral. E se eu disser que não, como várias, inicia-se com forte presença de sintetizadores, mesclando momentos lentos e densos, trazendo o clima de angústia e reflexão enfatizado na letra, cheia de perguntas e sugestões.

    Ulster e João fazem parte dos momentos mais fracos do projeto, que poderiam ter sido melhor explorados. Quem me Dera volta ao tema inicial, dissertando a respeito dos erros humanos e seu coração caído diante dos seus planos e ações incorretas. Foi a primeira canção do repertório apresentada pela banda em sua carreira.

    Fechando o álbum, este reserva uma das melhores faixas do repertório. O Amor é o que me Basta conclui o conceito do álbum de forma excelente, versando sobre as vaidades e o real sentido da vida para nós que conhecemos Aquele que dá o sentido de todas as coisas, concluindo que, apesar de tanta complexidade e saudade, é possível ser feliz apenas com o amor que vem de Deus. Mais uma vez, o órgão sintetizado é bem presente.

    Sem renúncia não há vida que se possa encontrar
    Não há defeitos no aroma insaciável do amor

    Finalmente, o disco da Hibernia, que se aparenta inicialmente tão simples e despretensioso surpreende-se a cada faixa, embora a partir da sétima o projeto não mantenha o nível apresentado desde o início. O destaque vai, em primeiro lugar as letras. Elas justificam a sensação que as melodias causam a cada audição, sem medo e sem pudor para o ouvinte final. Para quem gosta de discos essencialmente cristãos, mas ao mesmo tempo atento ao mundo contemporâneo, “A Vida como ela era” é um bom exemplo.

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  • Análise: CD Mais – Os Arrais

    Não são equívocos de julgamento da minha parte, ou uma necessidade de constar, mas é triste ver que o mercado gospel veio adotando uma filosofia corporativista bem bonita, e que virou um lamação de artistas mascarados. Que cantam por conveniência, que se agarraram a louvores com sentenças vazias e que gostam de chamar atenção da mídia com essa dubiedade, girando sem sair do lugar. O que me faz frear com relação a essas pessoas, é que elas têm essa necessidade de vender algo que não conseguem passar com sinceridade, ou demonstrar o próprio domínio de seu trabalho. Com “feições” exageradas, introjetam muita teologia rasa em suas músicas, formada para adequar ao que outros acreditam ser um genuíno “artista” gospel (um asco).

    Mas como existe justiça divina pra nos mostrar que nem tudo está perdido, eis que surge Os Arrais, com osegundo trabalho autoral dos irmãos André e Tiago Arrais, lançado pela Sony Music, intitulado “Mais”.Com um repertório de dez faixas, o álbum foi produzido em Nashville, TN, nos EUA pelo cantor e compositor Andy Gullahorn, contando com participação de excelentes músicos como Stephen Mason, Jeff Taylor, dentre outros. As canções apresentam forte acompanhamento de violão e cordas (Faixa “21”), canção na forma ternária (“Oração”, “Mais”), quaternária (“Herança”), com predominância de violões, cajóns e leves arranjos de cordas (faixa “Esperança”, “17 de Janeiro”). As músicas “Não fale” e “A Voz” contam com a participação de Daniela Araújo, que alternam entre melodia e dueto, com forte presença de guitarra, contendo também violino.

    Letras com poética incrível, extremamente articuladas, metáforas brilhantes e devaneios líricos suficientes para mandar um movimento retomar as suas raízes, sem soar orgânico. Nas canções, a poesia não é um despropósito, como na faixa “A Voz” que nos faz perceber que o reino não é o que nós esperávamos – aquela intervenção deslumbrante e dramática de uma glória irresistível, e sim “a voz que fala ao coração”. Inclusive, apesar das canções terem tratado da temática de que somos “mais” em Cristo (Romanos 8:37), de uma forma bem sutil eu percebo que, aparentemente as faixas do álbum remetem a uma vida peregrina cristã, baseada no livro de Hebreus 11:13,14:

    • “Que o caminho será escuro” (17 de Janeiro);
    • “E eu quis morrer na batalha ao lutar pelo reino até o fim. Mas fui convocado a cantar das vitórias e guerras que nunca vi. Me reduziria ao pó de onde vim” (Rojões);
    • “Em oração eu trilho o caminho que Jesus abriu […] E pela fé caminho até avistar o autor da minha fé” (Oração);
    • “Te sigo aonde for  […] Eu fui encontrado” (Mais);
    • “Como um refugiado deixando seu país, fugindo pela noite” (Esperança);
    • “Em terras longínquas e mares distantes, a luz ressurgirá” (A voz).

    Expondo nas músicas um peregrino que não se satisfaz com nada menos do que Deus, que não se desvia do alvo, e se torna aquilo que quer alcançar, orando constantemente, numa jornada em direção ao céu. Até as referências aqui tornam um gancho empolgante, como por exemplo, na última faixa do disco “Saudade”, que na verdade é um hino da Harpa Cristã, “O Exilado”, do autor H. Maxwell Wright. Ao leve som dos violões, que tem marcado a sonoridade do CD inteiro, aborda as lutas de uma vida peregrina, que caminha para uma nova vida, apresentando um contraponto entre as vozes (quando outra voz canta se opondo a uma voz principal), sendo o que há de mais diferente em todo trabalho.

    “Os Arrais” resolveram reciclar uma nova vertente nas suas composições, e acabaram sucumbindo o mau gosto das sentenças vazias que vieram transbordando no mercado gospel atual. O álbum, lançado no mês de maio, rapidamente alcançou o topo no chart de álbuns mais vendidos no Brasil, da loja iTunes, liderando em menos de 24 horas após o lançamento. É satisfatório, pois não são vendas cegas. Estão nadando contra a corrente e não usando a mesma fórmula de seus contemporâneos. Que não cai nos ares do pedantismo. Que está sendo construído mais ‘’passo a passo’’ do que na vontade de “quanto mais rápido melhor”. No disco, se percebe que existe uma maturação para as composições. É de fácil apreço.

    Não nos percamos em teologizações abstratas, em filosofias vagas ou em jargões falsamente piedosos, que nos granjeia, comparativamente, poucos benefícios. “Os Arrais” chegaram impulsionando um novo conceito de música evangélica, ou repaginando aquilo que deveria ser feito desde o começo: ligado inteira e exclusivamente às Escrituras. Pode parecer pretensioso, mas “graças a Deus por ‘Arrais’”, era o que eu pensava enquanto escutava pela primeira vez o CD.

    Para adquirir o disco no iTunes Store Brasil, clique aqui.
    Para adquirir em outras lojas, acesse: Saraiva, Lojas Americanas

    Colaboração (extraordinária): Renam Pablo

  • Análise: CD Além do que os olhos podem ver – Jamily

    Desde que foi revelada num programa de calouros na TV com apenas nove anos de idade, a cantora Jamily já mostrava a que vinha. Seu primeiro disco “Tempo de vencer” alcançou a marca de mais de 100 mil cópias vendidas dando a Jamily, Disco de Ouro, além da levar a cantora a vencer em quatro categorias no extinto Troféu Talento.

    Nesse período, outros discos foram lançados, com destaque para “Conquistando o Impossível” lançado em 2004. A canção tema se tornou um hino, rompendo as barreiras da música gospel sendo inclusive cantada atualmente por cantores seculares como Luan Santana. Através deste álbum Jamily conquistou Disco de Platina com vendas superiores a 250 mil cópias segundo a ABPD – Associação Brasileira de Produtores de Discos.

    Em 2012, Jamily agora em nova gravadora – Som Livre – lança seu sétimo álbum intitulado “Além do que os olhos podem ver”. (O CD está sendo relançado pela Sony com novo projeto gráfico). O disco reflete toda a maturidade musical da cantora, se consagrando no pop gospel, estilo que sempre foi defendido por Jamily. A novidade deste trabalho é a forte presença dos acordes eletrônicos, que confere ao trabalho uma identidade moderna sem no entanto, perder a essência da adoração.

    A canção de abertura é “Além do que os olhos podem ver” composição de Jamily e que também dá nome ao trabalho. Essa canção já deixa claro que o CD traz uma proposta diferenciada. Letra com características de adoração com uma pegada pop-rock tornou-a viciante e agradável de ouvir. O foco da canção é a fé em Deus, crer que ele nos dará aquilo que sequer imaginamos, muito além do que podemos ver. Excelente!

    Jamily compôs um repertório interessante, com canções dançantes e outras mais intimistas, o que tornou o resultado muito bom. Isso pode ser percebido durante todo o disco. “Além do que os olhos podem ver” tem essa vibe mais dançante, já a próxima, “Projetos”, vem mais reflexiva. A composição de Anderson Lima e Tony da Mata versa sobre os projetos de Deus em nossa vida, no tempo dEle, irá se cumprir. “Você está nas mãos do grande Deus/ A tua estrela agora vai brilhar/ Esse é o momento esperado/ Chegou a tua vez de conquistar/ Por Deus você jamais foi esquecido/ Pra Ele o seu projeto tem valor/ Vai se cumprir agora em sua vida/ Tudo que você sonhou”.

    “Unja-me” de Jamily, também vem nessa linha de canção intimista, como uma oração. Destaque para piano e teclados de Jo Borges durante toda a música dando o tom de emotividade que a letra pede. Aliás, emoção é o que brota da voz de jamily durante o refrão: “Vem me encher, com tua presença/ É suficiente pra eu existir/ Unja-me, Senhor, com tua unção/ Eu rasgo meu coração diante de Ti”.

    Mais uma composição de Jamily marca presença no álbum: “Me alegro em Te adorar”. Canção vertical, de adoração, entrega. Destaque para a entrada da percussão dando um up na canção. “Preciso de Ti, confio em Ti, dependo de Ti/Me alegro em Te adorar”.

    “Tal amor” de Ivan Barreto versa sobre o amor de Jesus, que subiu na cruz em nosso favor. Em primeira pessoa, a canção é como um testemunho. A melodia é leve e reflexiva explorando o back vocal. “Pronto pra Te adorar” de JP e Pr. Edmar, também segue esta linha, com destaque para o back vocal.

    “Coração adorador” é mais uma composição de Ivan Barreto. Segue a linha intimista e versa sobre o desejo de ter um coração adorador. Na ponte a música cresce, e segue em alta até o fim. O refrão é apenas um verso que se repete várias vezes, característico de canções de ministérios de adoração, pode soar repetitiva.

    “O Deus que te faz Sonhar” é o mais pentecostal que o CD apresentou. Composição de Tony Ricardo, a canção versa sobre a história de José que mesmo tentado, não perdeu a fé de que seus sonhos se realizariam. “O Deus que te faz sonhar/ É o Deus que faz acontecer/ Não ceda diante das pressões/ Ele está agindo por você”. Mensagem impactante merece destaque o back vocal harmonizando perfeitamente.

    Como o nome sugere, “Deus de Celebração” é uma canção de celebração, de agradecimento a Deus, bem animada. Prevejo a igreja acompanhando com palmas. Composição de Jo Borges.

    A faixa 10 é regravação da clássica “I surrender all” de Tommy Sims. Além da se tratar de uma canção em si mesma emocionante, a participação do Coral Resgate, gentilmente cedido pela Salluz, tornou-a sensacional. Viajei nesta canção.

    Vem louvar é composição de Jamily em parceria com Ivan Barreto e Jo Borges. Com forte presença de arranjos eletrônicos, tem tudo pra cair no gosto do público jovem. Bem dance, é um convite a louvar (e dançar) ao Senhor.

    Mais uma de Ivan Barreto, “A minha alma canta a Ti” é bem suave, contrastando com a anterior “Vem louvar”. Destaque para o violão. Poucos versos em forma de adoração, fala sobre adorar ao Senhor com tudo que temos com tudo o que somos.

    Outra canção com forte pegada eletrônica, “Vamos louvar ao Senhor” de autoria de Jamily e Ivan Barreto, é um chamado a convidar Jesus a entrar em nossos corações. Destaco os versos “A vida é mais bela se a gente se entrega ao que é bom/ Jesus é bom e Ele quer te mudar pra melhor”.

    “Vou voar” segue na linha da anterior, e apesar de apostar no som eletrônico, não dispensa letras de forte apelo evangelístico. “Vou voar nas asas do Espírito/ Flutuar, ser levado pelas ondas de vida/ Que me levam pra mais perto de Ti”.

    Encerrando o álbum, “Vem alabar”, versão em espanhol da faixa “Vem louvar”, mantendo assim algo já característico de Jamily de gravar uma música em dois idiomas diferentes.

    Considerações finais

    É inegável a evolução musical de Jamily. Tanto nas composições quanto como intérprete, Jamily se apresenta mais madura e segura do som que quer defender. Em “Além do que os olhos podem ver” a cantora mistura letras características de ministério de louvor, com um som mais jovem, pop-dance com pitadas de eletrônico o que, certamente conquistará um público mais jovem e que ignora as canções congregacionais.

    Como um dos pontos negativos temos a capa. Apesar de conceitual, a capa ficou bem aquém do esperado para um trabalho deste porte. Poderia ter-se mantido o conceito e melhorado a estética. No repertório, alguns temas foram repetidos, principalmente em “Vem louvar” e “Vamos louvar ao Senhor”, até porque as duas possuem uma mesma linha melódica.

    Merece destaque as canções “Além do que os olhos podem ver”, “Me alegro em te adorar”, “O Deus que te faz sonhar” e a incrível “I surrender all”.

  • Análise: Chuva de poder – André e Felipe

    “Chuva de Poder” é o quinto álbum da dupla André e Felipe, segundo pela gravadora Uni Records. Lançado em novembro de 2011, o disco traz uma nova sonoridade à dupla, e mostra também o amadurecimento musical alcançado pelos irmãos paranaenses. A produção ficou a cargo de Melk Carvalhedo, experiente no ramo produzindo CDs de diversos cantores de expressão na música gospel.

    O  back vocal é composto por Jane Magalhães, Fael Magalhães, Cleide Janer, Wilker Lopes, TitaFerr, AdielFerr, Joelma Bonfim, Josy Bonfim e Cláudio Carvalho. Grupo este que já trabalhou com Aline Barros, Suellen Lima, Damares, entre outros.O Projeto Gráfico e Identidade Visual são assinados pela Quartel Design, que fez um belo trabalho. O encarte do disco está visualmente belo e criativo. Vale ressaltar também que todas as composições do álbum são de autoria da dupla.

    O álbum começa com o hit que o intitula – “Chuva de Poder”. Essa canção que ganhou videoclipe caiu na boca do povo. Ritmo bacana representa bem o sertanejo universitário. O que diferencia do sertanejo universitário secular sem dúvida é a qualidade da letra. Canção chiclete, explica o sucesso.

    Em seguida vem “É milagre” com uma abertura mais vocal, é impossível não se arrepiar. Com uma mensagem de esperança, vem mais leve que a canção anterior. Letra forte, impactante, sem dúvida a melhor do álbum. “É milagre de Deus, ninguém pode explicar, quando a cura bem, quando a benção vem, ninguém pode roubar”.Back vocal merece destaque compondo a harmonia perfeitamente.

    “No fim” chega com uma pegada pop rock, marcada pela bateria, traz uma mensagem muito importante, versa sobre o arrebatamento. Destaque para o refrão que fala do papel da igreja em repartir o pão (a verdade, o evangelho) “tem que fazer a sua parte e repartir o pão que Deus lhe deu, e ter nos olhos piedade, sangrar o coração de amor”continua agora com uma mensagem para aqueles que ainda não se acreditaram na palavra de Cristo “Essa é a sua chance, esse é o caminho, ande com Cristo, chega de andar sozinho, Não deixe pra amanhã o que pode ser agora, Jesus está voltando, agora é a hora”. Excelente!

    “Águas Profundas” chega mais poética e mais sertaneja… A introdução forte no violino, confere uma melodia diferenciada a musica. Toda a canção é mais melódica, reflexiva. O refrão lembra canções de ministérios de adoração.“Eu quero mergulhar, no teu rio ó Senhor, nas águas mais profundas quero ir, vem me levar, Eu estou aqui, Senhor, quero te encontrar, e te abraçar, vem me pegar no colo, porque sou teu filho, eu preciso do Senhor aqui comigo”.

    Lembrando grandes canções do pentecostal, “Meus sonhos” chega suave, e aos poucos vai ganhando força com o crescimento do back vocal. Marcada pela bateria, recebe o toque final do violino. Letra forte, versa sobre o Todo-Poderoso, se ele venceu a morte o que não pode fazer pelos seus? Merece entrar para o repertório dos grupos de jovens nas igrejas pentecostais!

    A próxima canção é “Um chamado” que começa forte nas cordas e solo vocal, crescendo ainda mais no refrão com a participação do back vocal. A canção versa sobre conquista, vitória, referenciando a luta de Jacó com um anjo. “Hoje vou receber minha vitória, sem a benção eu não vou sair daqui, assim como Jacó segurou o anjo, vou segurar, eu não vou parar, não vou desistir e a minha benção eu vou conseguir”.

    Novo Dia, chega trazendo uma reflexão importante, com foco na superação. “Cadê o sorriso no rosto, o jeito de um servo de Deus? Mostre na Bíblia alguma batalha que Jesus. Diga pra mim a história de alguém que Ele desamparou”. A canção vem forte no violão, com uma bateria mais leve, e pouca guitarra, puxando para o sertanejo de raiz.

    Em seguida vem “Na sala do trono” com uma sonoridade mais pop. Versa sobre a disponibilidade de superar desafios e barreiras para tocar em Jesus “Se tiver que andar sobre as águas, eu vou. Se tiver que enfrentar a multidão, eu sou. Só pra te tocar e te abraçar, Senhor”. Possui uma visão mais vertical, excelente canção.
    Dia Inesquecível é uma bela canção romântica. Boa letra, mais um daqueles refrões que grudam na cabeça. “Que eu te amava, que eu sonhava, que eu pensava em você”. O som das cordas confere o clima de romance no ar… Dica para os apaixonados.

    O som forte, mas suave das cordas introduzem “Dependente de ti”. Bem poética, vem suave na primeira parte da canção, que na segunda parte ganha ritmo com a bateria. O trecho “Eu nada tenho, tudo é teu, todos meus dons, Ele me deu”refletem a linha mais cristocêntrica desta música.

    Em “Minha oração” a dupla resgata novamente aquele tom mais intimista do sertanejo raiz, e como o título sugere, de fato, trata-se de uma oração cantada. Mais uma forte canção vertical do álbum. “Quero parecer contigo, E amar o meu irmão como a mim mesmo, saber reconhecer todos os meus defeitos. Chegar a conclusão de que todo o meu ser, é dependente Teu Senhor”.

    “Circunstâncias” relata situações pelas quais passamos que nos levam a querer desistir do caminho, de nossos objetivos. “Então Jesus olhou pra mim, e disse: Filho, estou aqui, vim sarar a tua dor, te mostrar o meu amor, Se a multidão não te deixou chegar, muitos quiseram te parar, mas teu clamor Eu ouvi, sua oração tocou em mim”. Detalhe para a troca de voz, quando a dupla assume “a voz de Jesus” na canção. Back vocal harmonizando perfeitamente, principalmente no refrão.

    Com uma pegada mais forrozeira vem “Deu tremendo”. Uma das poucas que não me agradou. A canção tem letra boa, mas melodicamente, destoa do restante do CD. Típica canção de fogo “Receba aí, receba irmão, a batalha só se vence com jejum e oração”.

    Fechando o álbum chega “Hoje canto”. Começa suave e aos poucos vai crescendo com a bateria, bem característico do sertanejo universitário. Arranjos de guitarra merecem destaque. Refrão fácil de cantar, com uma pegada bem ritmada e popular. Assim chega ao fim o álbum “Chuva de Poder” de André e Felipe.

    A dupla é talentosa e sabe usar o talento que tem. Letras de qualidade, sonoridade e os arranjos de Melk Carvalhedo estão perfeitos.

    O sertanejo universitário geralmente é tachado de ter letras fracas e repetitivas, o que não se aplica este o trabalho. “Chuva de poder” vem recheado de canções fortes e impactantes, superiores a de muitos álbuns lançados ultimamente.
    Os irmãos André e Felipe souberam mesclar no álbum canções mais clichês e de fácil apelo popular com canções mais reflexivas e de letras mais profundas, inclusive perfeitamente possíveis se serem cantadas nas igrejas. Back vocal este impecável durante todo o CD. Como ponto negativo coloco a quantidade de canções. São 14 faixas, 65 minutos de música, o que é, claro, apenas um detalhe.
    Certamente “Chuva de poder” está entre os melhores CDs lançados entre 2011/2012. Com este trabalho, André e Felipe se consolida como uma das principais duplas sertanejas evangélicas do Brasil e com grande potencial comercial.

    Destaco as canções É Milagre, No fim, Meus sonhos, Minha oração e Circunstâncias como as canções TOPs do disco.

  • Análise: CD Raridade – Anderson Freire

    O grande nome da música gospel quando o assunto é composição, Anderson Freire acaba de lançar seu segundo álbum solo “Raridade” pela MK Music. Produzido pelo próprio cantor em parceria com seu irmão Adelso Freire e Dedy Coutinho da Banda Giom, o álbum traz 12 faixas e mais uma faixa-bônus “Rei dos reis” que pode ser baixada online por quem adquirir o CD físico.

    O projeto que chega com embaixo de muita expectativa do grande público, conta com as participações especiais das cantoras Arianne na faixa Aliança do Sangue e Ariely Bonatti na faixa “Meu novo endereço”. Assim como Identidade, Raridade também é autoral, segue a linha do pop-pentecostal e tem todos os ingredientes para ser sucesso como seu antecessor.


    “Raridade” inicia com uma introdução leve, que aos poucos abre caminho para a impactante entrada das vozes na canção “A igreja vem”. Versando sobre a história da igreja na terra, a canção é genuinamente pentecostal. O back vocal merece destaque, principalmente no refrão. Certamente uma das melhores do álbum.

    O CD tem forte pegada das canções pentecostais, muito bem executadas, explorando o back vocal e harmonizando perfeitamente. Anderson repete algumas fórmulas de sucesso no seu álbum anterior, como as parcerias, a mistura de canções intimistas com canções mais pentecostais, ideais para grupos de jovens. Nota-se isso, já na passagem de “A Igreja vem” para “Raridade” que segue uma linha intimista, como “Coração valente” de Identidade. Destaque para a mensagem emocionante e motivacional, que versa sobre o nosso valor para Deus. Pegada mais suave, marcada pela bateria.

    Falando das fórmulas, mais uma vez deu incrivelmente certo as participações especiais, começando por Ariely Bonatti.“Meu novo endereço” tem uma mensagem excelente e uma sonoridade empolgante, certamente cairá no gosto do público. A combinação de vozes, o toque do violino, e a marca da bateria tornaram a canção contagiante.

    Sem muito destaque temos num tom intimista, a faixa “Acalma o meu coração” em forma de oração cantada. Ideal para ouvir e refletir.

    O toque de novidade vem em “Efésios 6”. Introdução e arranjos baseados nas cordas, back vocal em sintonia, destaque para a ponte em forma de perguntas e respostas (a canção faz analogia às missões do exercito, inclusive, retratando a comunicação via rádio). Esse jogo de perguntas e respostas com o apoio do back vocal ficou bem interessante.

    “Deus de milagres” segue falando de milagres, e de como a ciência não consegue explicar as maravilhas de Deus. A canção começa suave e cresce principalmente no refrão, momento em que a bateria torna a música mais encorpada juntamente com o back vocal.

    Tendo sua primeira parte marcada pelo teclado, a canção “Aliança do sangue” conta com a participação de Arianne. A cantora entra na segunda parte acompanhada pela bateria. Destaque para a forte mensagem. Violino no refrão merece menção. Mais uma canção empolgante!

    “Atitude de Cristão” é uma canção mediana. Destaque para os Riffs de guitarra executados na canção. É interessante notar que a maioria das canções trazem uma introdução suave, geralmente com violino ou violão, e aos poucos vão crescendo, principalmente no refrão, onde a bateria e o back vocal tornam-se mais presentes. “Ele chegou”, segue essa linha. Apesar de mediana, a canção é bem convincente.

    “Meu hospital” começa com uma tocante introdução ao teclado e violino, bem reflexiva, traz uma letra que transpira emoção. Simples, mas emocionante. Segue essa vibe mais introspectiva também a canção “Uma história contigo”, numa pegada congregacional.

    “Força e sabedoria” encerra o álbum. Como a maioria das canções, a introdução começa simples, com poucos instrumentos. A canção vai ganhando forma até o ápice na segunda parte da canção. Apesar de não ser uma das melhores, tem um “algo a mais” que gruda na memória facilmente. Destaque para a ponte, além da bateria o back sempre impecável.

    A faixa-bônus “Rei dos reis” poderia tranquilamente ter entrado no álbum físico devido sua qualidade, apesar de não possuir força para ser single. Chega com uma introdução suave, e como as demais têm um crescimento do meio para o fim. Versa sobre o retorno de Jesus à terra.

    Considerações finais

    É inegável a qualidade musical de “Raridade”. Todas as canções foram milimetricamente pensadas para compor o repertório que vem forte e impõe respeito. Como compositor, Anderson Freire sabe bem o que o povo gosta. O encarte apesar de estar melhor que “Identidade”, deixou a desejar principalmente internamente. Já a capa demonstra algum avanço.

    Sem dúvida as participações trouxeram um toque especial ao projeto. Tanto Ariely quanto Arianne se saíram muito bem. Sem dúvida isso irá jogar um feixe de luz em ambas. Por fim, merecem destaque as canções, A igreja vem, Raridade, Meu novo endereço, Efésios 6 e Aliança do sangue.