Lançado em maio deste ano, o novo álbum de Thalles é, sem dúvida um dos mais esperados do ano, principalmente levando em consideração o sucesso meteórico que seu trabalho tem alcançado nos últimos anos com os discos “Na Sala do Pai” e “Uma História Escrita pelo Dedo de Deus”, lançados em 2009 e 2011, respectivamente.
Segundo o próprio cantor, Sejam Cheios do Espírito Santo é uma continuação e ao mesmo tempo término desta trilogia composta pelos três álbuns. E o fruto da espera se tornou notável após o lançamento: o disco chegou ao primeiro lugar dentre os mais vendidos no iTunes e segue com muitos comentários positivos e negativos por parte do público em geral. Além de tudo, já é disco de platina.
A capa do disco segue uma ideia de modernidade, tentando fugir dos clichês apresentados atualmente. A mim, particularmente não agradou, mas é inegável que cumpre fielmente o estilo moderno do cantor. O CD foi produzido pelo próprio artista em parceria com Fábio Aposan, que também colaborou no “Raízes 2”, lançado ano passado, em setembro. Contém uma canção não inédita, “Maravilha”, trilha sonora do filme Três Histórias, um destino, produzido pela Graça Filmes.
O grande ponto positivo do álbum do Thalles está na qualidade técnica e instrumental. Sem dúvida, este é o melhor de toda a sua carreira neste ponto. Dentre as canções, o músico soube viajar em vários gêneros musicais sem perder-se totalmente no seu pop rock contemporâneo. Na faixa-título, por exemplo, nota-se influência clara do samba-rap, em “Paixão de Adolescente” um folk, que mais tarde cresce, tornando-se em pop, reggae e um ar nordestino com a sanfona. Os toques de violão em “Foi a Mão de Deus” são excelentes, completando um arranjo simples, mas belo.
Na interpretação, Thalles precisa conter os exageros, e manter o que estava dando certo em seu primeiro trabalho, “Na Sala do Pai”. Em “Pai, eu não confio em mim”, música que melhor representa seu estilo como músico foi totalmente desnecessária a parte de ministração, oração e dando direito até o falar em línguas, embora a letra e o arranjo estejam bem agradáveis. “Dias de Sucesso” representaria muito bem a influência autobiográfica do cantor em seus versos, que realizou uma de suas melhores interpretações. A sonoridade também é muito boa, e leve. Os toques dos violões com as cordas causaram uma introdução de respeito. “Ele é o Amor”, assim como a anterior cumpre bem o seu papel.
A faixa mais polêmica do álbum, “Filho Meu”, por incrível que pareça é uma das melhores do trabalho. Apesar das controvérsias relacionadas a sua letra, o cantor apresenta de forma bem informal e direta uma canção de fácil uso para evangelismo. Musicalmente, com suas influências da black music e do reggae, possui um dos melhores arranjos do repertório.
O CD ainda possui alguns defeitos triviais que podem passar batido por ouvintes mais desatentos: o excesso de faixas, que o torna cansativo, e a superficialidade de algumas músicas, liricamente falando, como pouca Bíblia e muito sentimento pessoal. Particularmente, entendo este lado como uma proposta do cantor de ser um músico facilmente acessível e popular, tanto para cristãos e não-cristãos. Sua música não precisa seguir uma linha a lá Diante do Trono, Palavrantiga ou João Alexandre, por exemplo. O objetivo do músico é diferente da grande maioria de músicos evangélicos atuais. Portanto, para quem deseja canções complexas em um ponto letrístico, o disco não é recomendado. No geral, o álbum cumpre bem a sua proposta para o público alvo: disco bem produzido, arranjado, canções simples, claras e diretas que sem dúvida vai atrair os ouvintes, principalmente os jovens.
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