Categoria: Análises

  • Análise: CD Esperança – Diante do Trono

    Análise: CD Esperança – Diante do Trono

    “Quando estou pronto a desistir, pensando que cheguei ao fim, a tua mão me sustenta, e a tua voz me orienta” – Faixa “Meu Filho Não Temas

    O Ministério de Louvor Diante do Trono, em 2004, gravou na cidade de Salvador, o seu 7º disco ao vivo, intitulado “Esperança”. Partindo do principio em esperar e confiar no Senhor, quando as circunstancias são contrarias as nossas vontades e planos, quando nada nos resta além do medo e incertezas. A mensagem crucial do disco está na perseverança em acreditar no Deus Soberano e em suas promessas.

    “Eu prefiro estar num deserto e ter o Senhor bem por perto” (Faixa “Tua Presença“)

    Entretanto, o CD não se refere somente à “esperança” propriamente dita (o que teria um menor grau de ressonância). Ele nos remete a um lugar abrasador, de secura e também de refúgio: O deserto, a grande metáfora da vida cristã. Há momentos em que Deus nos conduz a esse lugar para nos fazer enxergar e nos provar. Para que não haja divisões, concessões ou retenções em seu reino, e nos trazer a memória de sua grandeza e glória e da total dependência que devemos ter Nele.

    Todos conhecem a história dos israelitas que sofriam nas mãos dos egípcios, até que o Senhor, com toda a sua misericórdia, os livrou, guiando-os pelo deserto, conforme descrito em Êxodo.  No livro Deuteronômio, Moises fez um discurso, comparando o cuidado que Deus teve com os israelitas no trajeto do deserto, como um pai que carrega o seu filho.

     “Quando tua presença vem, tudo se transforma” (Faixa “Quando a tempestade vem“)

    Já no capítulo 2 do livro de Oséias, Deus (alternando entre advertência e restauração) conclama para que Israel voltasse a Ele. O Senhor voltaria a tirá-los do “Egito” (assim como descrito em Êxodo) e colocaria em um novo deserto, onde iria guiá-los e restaurar plenamente. Mas dessa vez (ao menos no livro de Oséias) o Egito, representa o pecado. E o deserto, um lugar de simplicidade, libertação, prova e benção.

    Nesse deserto, o Senhor colocou obstáculos e dificuldades nos caminhos dos israelitas, mas não foi algo que desse lugar ao desânimo, à derrota e à frustração. O objetivo não foi para os fazerem parar e desistir da caminhada, mas sim, para que aprendessem que o melhor mesmo é voltarem a Deus, e estar junto a Ele e à sua misericórdia, do que permanecer nas amarguras do pecado.

    “E eu pude ver em meio à escuridão, tua presença, tua fidelidade, graça e amor […] Se é na fraqueza do meu ser, que manifestas teu poder, eis-me aqui!” (Faixa “Eis-me aqui“)

    E é assim nos dias de hoje.  O “deserto” mencionado diversas vezes na bíblia se tornou também um lugar de amadurecimento na fé. Por sermos pessoas fracas, com justificativas fáceis para nosso comportamento pecaminoso, somos mais uma vez informados no deserto, na língua inconfundível do amor, que Deus está conosco e que Ele é por nós. No deserto há superação de mágoas e ressentimentos, abandono de hostilidades justificáveis e lembranças amargosas. Esquecemos a manipulação, as manobras para ficarmos no poder, as “panelinhas” e a preocupação com nós mesmos.

     “Quando estou só e o choro parece querer chegar. E um sentimento de temor…” (Faixa “Esperança“)

    E estar no deserto, além de todos esses benefícios, nos traz a oportunidade de estar sozinho, mas com Deus. Processo chamado de “solitude”. Muitos conhecem o estado da solidão, que é uma dimensão meramente humana, embora em si mesmo não tenha algum significado. Mas na solitude, mesmo estando sozinho, encontramos simplesmente junto com Deus, em Cristo. Um comprometimento existencial em uma relação estreita com a qualidade da nossa fé, além de ser a principal condição para estar presente com Deus. Nas passagens de Mateus 14, Marcos 1, e Lucas 4, é descrita a solitude que Jesus enfrentou em alguns momentos, parar orar e lidar com sua dor pessoal, tendo um único recurso que era seu coração solitário.

     “Tua Presença faz toda a diferença. Tua presença transforma o meu deserto, em um jardim secreto. Lugar de intimidade Contigo”. (Faixa “Tua Presença“)

    Do inicio ao fim, o CD menciona o poder de uma Presença, a forte atração de uma Pessoa, o encanto irresistível de Jesus Cristo.  O disco não nos conduz a buscar dom de línguas, de cura, de profecia ou uma grande experiência religiosa e vitoriosa. Mas sim, de compreender de forma segura a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo e o seu cuidado por nós.

    Suas canções tende a nos fazer reconhecer o valor de simplesmente se deixar ficar com Deus quando estivermos no deserto, na sua qualidade e soberania, sem nada mais a fazer, e que nesta condição, nada mais importa. Nem o lugar, nem o que está do lado de fora.  Não podemos deixar de manter contato com Cristo, passar um tempo a sós com Deus, qualquer que seja a solidão, a aridez, ou a desolação em que se esteja passando. Pois, não há nada de mais valor para Deus do que a nossa adoração em tempos de sequidão. Temos muita coisa para aprender e absorver na aridez do deserto, desde que estejamos com o Senhor. O esforço humano é como nada, se for comparado ao plano inexorável de Deus, onde quer que estejamos.

  • Análise: CD Pra Tocar no Manto – Trazendo a Arca

    Análise: CD Pra Tocar no Manto – Trazendo a Arca

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Em 6 de junho de 2009, o grupo Trazendo a Arca lançava o segundo álbum de inéditas de sua carreira, e, somando com os discos lançados pelo Toque no Altar este era o sexto.

    É importante nos situarmos ao contexto histórico em que o disco foi lançado – mesmo que este seja um tanto quanto recente. No gospel nacional, o mercado estava vivendo uma fase pós-estouro de Regis Danese, Lázaro e Damares, principalmente com suas canções “Faz um Milagre em Mim”, “Meu Mestre” e “Sabor de Mel”, respectivamente. À exceção de Lázaro, todas as demais canções possuem uma tendência letrística muito forte pela horizontalidade, em palavras mais informais, trazem o homem como foco de sua temática, embora todas elas falem de Deus. Em 2009, Fernandinho chegara com seu trabalho Uma Nova História, com a música-título apresentando uma letra altamente positivista. Coincidência ou não, o mercado estava colhendo uma gama de discos e canções frutificadas a partir de uma tendência a qual o Toque no Altar (grupo ao qual o Trazendo a Arca se dividiu) plantou, de deixar a verticalidade para apresentar uma horizontalidade, em assuntos, as vezes altamente ligados à vertentes neopentecostais, como prosperidade e milagres.

    Não querendo debater aqui a validade de tais canções, o fato é que, Pra Tocar no Manto é um disco que rompe de maneira forte toda essa tendência dentro e fora da carreira do Trazendo a Arca. E, o natural era que isso mesmo acontecesse, principalmente pelo desligamento com o Toque no Altar, e consequentemente o Ministério Apascentar em Nova Iguaçu. Não faria o menor sentido o grupo dissidente continuar a compor e produzir canções que colocassem em contradição sua nova vibe.

    O que me deixa fascinado, a princípio, não é a mensagem confrontadora e reflexiva que molda as faixas – mas sim, o ineditismo de Luiz Arcanjo, vocalista como principal compositor e, consequentemente frontman na concepção e produção deste projeto. No disco anterior, Marca da Promessa, a maior parte das faixas são assinadas por Luiz, Davi Sacer, Ronald Fonseca e Deco Rodrigues, ou seja, uma contribuição em grupo. Das 12 canções do álbum, Arcanjo contribui em todas como compositor, sendo que assina sozinho 5 delas, incluindo a faixa-título, single do CD. A explicação para isto é fácil. No ano anterior, Davi Sacer lançou Deus não falhará, seu primeiro trabalho solo, escrito em maioria pelo próprio em parceria com Ronald Fonseca, e Ronald trabalhou como compositor em várias canções do álbum Separados do Ministério Unção de Deus.

    A respeito do conceito do álbum, esta mostra a capacidade criativa do Trazendo a Arca, que não se limitou a continuar a apresentar as mesmas temáticas, já manjadas. Enquanto “Marca da Promessa” declarava forte: “eu sei que chegará minha vez!”, “Serás Sempre Deus” diz em baixo e reflexivo tom em uma das canções que melhor representa o disco: “e ainda que a dor me diga que não, sei que é por amor, estás me ensinando que sempre És Deus”. A parte mais confrontante e forte está reservada para o final do repertório, com a seguinte pergunta: “quem é você, quando ninguém vê?”. Nota-se, que no ambiente religioso cristão sempre fomos acostumados a negar nossa verdade e a valorizar uma vida de aparências. Perdemos a nossa integridade enquanto somos corroídos por dentro em nossa realidade. E isso também entra na questão de nossos interesses. Temos nos esquecido de sermos francos e sinceros com Deus em relação à nossa vida espiritual para alcançar objetivos terrenos, que no final somente inflam nossa carne.

    Imagem: Agência Excellence Fonte: Trazendo a Arca
    Imagem: Agência Excellence
    Fonte: Trazendo a Arca

    Mas não é só de reflexão que o álbum vive. “Yeshua” é um bom exemplo de celebração, sem se prender a frases pobres, somente para entretenimento ou aprendizagem fácil nas igrejas, mostrando, com clareza o nível do amor e soberania de Deus, que, abrindo mão de toda a Sua glória, se fez menor que nós. Isso que fez Pra Tocar no Manto um álbum difícil de consumo para as igrejas, pois sua mensagem não é óbvia, tampouco superficial. “Semeando com Lágrimas” mostra a capacidade de Luiz Arcanjo em adaptar poeticamente um Salmo em uma canção bem estruturada, o que mais tarde renderia ao conceito de Salmos e Cânticos Espirituais, um sonho antigo da banda. “Dono das Estrelas” revela uma adoração a Deus não pelo o que Ele pode dar, porém, enfatizando o que Ele é e por Sua soberania. Outro ponto positivo! O trabalho, no geral, exalta a Cristo, mesmo em nossas fraquezas, relevando, em versos o quão dependentes somos dEle e do Seu amor, embora nossos sentimentos e experiências e convicções pessoais tentam nos afastar de Sua vontade.

    No geral, Pra Tocar no Manto é um disco confrontador, dissertando e provocando reflexões sobre nossa identidade como filhos de Deus e Igreja de Cristo. É um projeto que, convence o seu ouvinte das suas maiores fraquezas pessoais, mas ao mesmo tempo mostra a quem devemos e como sempre recorrer. Que o ser humano, mesmo fazendo parte de uma igreja, de aparentemente servir a Deus corretamente não é blindado de fraquezas, tristezas, e dificuldades. Deus não dá somente “sim”. Pelo nosso bem, e pelos caminhos dEle que são maiores que os nossos, podemos compreender que em muitos momentos o não é necessário. Em “Perdoa”, por exemplo, retrata muito bem o lado antropocêntrico dos cristãos atuais, a arrogância, a vaidade que atinge tanto pela natureza do ser humano quanto pelo tipo de “evangelho” que muitas vezes é pregado hoje. Necessitamos ser livrados, isolados de nós mesmos. Mensagem forte demais para um trabalho congregacional, não? Eu particularmente acredito que seja, mas é necessário, completamente, principalmente no contexto atual que vivemos.

    Quando Pra Tocar no Manto estava próximo de ser lançado, Arcanjo disse ao portal Casa Gospel: “As pessoas que ouvirem esse CD vão sentir uma diferença tanto na produção musical quanto nas letras. É um CD reflexivo, embora tenha muitas celebrações, é mais maduro; há canções que vão confrontar.” E realmente, hoje, após vários anos do lançamento do projeto, Luiz continua certo. Pra Tocar no Manto foi, e até hoje é o álbum liricamente mais maduro do Trazendo a Arca. O que reflete como uma pena é o fato de que na música em geral, principalmente no gospel nacional letras confrontantes, reflexivas, complexas e pouco comerciais não sejam bem aceitas, ainda mais no congregacional. Isso não é um reflexo de fracasso do disco, porém muito pelo contrário. O público da banda não estava – e ainda creio que não esteja preparado para digerir esta mensagem. Na verdade, até músicos envolvidos na produção do disco, como o ex-vocalista Davi Sacer não demonstram uma compreensão da proposta de Pra Tocar no Manto. Segundo afirmações do cantor em um vídeo divulgado em 2011, ele “percebia que depois do CD Marca da Promessa a gente começou a compor outras canções, mas que eram canções que já não estavam tão conectadas à igreja como eram as canções do Marca da Promessa pra trás”. Davi não está errado em sua afirmação. É claramente notável que foi um risco do Trazendo a Arca apresentar canções sobre verdades que a igreja brasileira, no geral não vivia e nem vive nos dias de hoje, porém nunca, liricamente são inferiores aos trabalhos anteriores do conjunto.

  • Análise: CD Quebrantado Coração – Fernanda Brum

    Análise: CD Quebrantado Coração – Fernanda Brum

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.


    Qual é o órgão mais importante do corpo humano? Certa vez Hipócrates (grande médico e figura importante na história da saúde) disse: “Os homens devem saber que do cérebro, e só do cérebro, derivam prazer, alegria, riso e divertimento, assim como tristeza, pena, dor e medo”. De fato, o cérebro é o centro diretor de toda a atividade humana, mas na bíblia, o coração é descrito como esse centro que envolve todo o nosso intelecto e emoção, e a sua conotação ao ser sempre ligado a nobres sentimentos, não é por menos: ele tem uma grande importância para nós.

    Em 2002, Fernanda Brum juntamente com Emerson Pinheiro, resolveram pulsar e discorrer sobre a maior fonte dos desejos e das decisões – de acordo com a Bíblia – no CD Quebrantado Coração – que em 2013 recebeu disco de platina pelas 350 mil cópias vendidas.

    O disco segue fielmente as escrituras bíblicas, colocando o “coração” como o centro das emoções e da vontade humana. Salomão, no livro de Provérbios o descreveu como “dele procedem as saídas da vida”. Biblicamente, em 13 canções, com destreza de palavras e agilidade no raciocínio, o disco enumera as principais funções de atividades do coração que ocorrem na vontade humana, contrariando Hipócrates.

     “Amo o Senhor, meu Salvador, anelo tê-lo bem junto a mim”

    Iniciando com “Amo Senhor, que nos traz referências de um coração amoroso. No livro de Deuteronômio, em que Moisés exorta a Israel que Deus anela comunhão com o seu povo e lhe dá o único e indispensável mandamento que é: “Amarás, pois o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma”. Em seguida, temos a canção-tema “Um Quebrantado coração”, que nos leva a uma passagem de Isaías mencionando um coração avivado e ardente pela palavra do Senhor. Para os humildes e arrependidos, Deus tinha uma promessa magnífica: Mesmo morando no Alto e sublime trono, ele habitaria com os “contritos e abatidos de espírito”, referindo-se aos quebrantados de coração, para vivificar-lhes o espírito, dar um novo vigor e um consolo de sua presença.

     “Não faz mal, eu sei que a dor no peito cega a gente […] Tudo bem, eu sei em quem tenho crido”

    Um coração angustiado, perturbado, pesaroso, que clama por paz e conforto são descrito nas faixas “Ele é Por Mim, Marcas” e “Lembranças de Jesus. Uma vida cheia de inquietação é resultado de perseguição, injustiça, tristeza e mágoas de acordo com Jó no capítulo 14. No livro de Jeremias, em determinado momento ele sentiu a agonia que Deus sentia por Judá, e pela desolação que sofreriam, e sentiu essa agonia aonde? “Estou ferido no meu coração!”. Paulo, no livro de Romanos, por causa da incredulidade de Israel, afirmou ter “grande tristeza e contínua dor no coração”. Mas em todos os momentos, sabemos quem é por nós e quem nunca nos desampara. Deus anseia que todos os seus filhos que sofrem saibam que a vitória está perto. O dia em que Ele estará junto aos seus, na glória, para sempre. Pois as aflições deste tempo presente não se comparam com a glória que nos será revelada (Rm 8:18).

     “Adorar a Deus, vai além das emoções. É o Santo Espírito tocando e transformando os corações”

    As canções “Vaso de Alabastro”, “Tempo de Crescer” e “Espírito Santo” intensificam e fortalece o preceito do disco, nos apresentando um coração de adorador. Que se regozija em Deus, e não se limita em palavras. A adoração tem que ser precisa e autêntica, quando o Espírito Santo intervém e responde a Deus. Enquanto o homem apenas vê a aparência, quando adoramos ao Senhor em espírito e em verdade, Ele vai além de nossas palavras e emoções para reparar na postura de nosso coração. Precisamos nos apresentar perante a Deus como servos que conferem as coisas, meditam e oram no coração. Davi, no livro de Salmos, ressalta que a única maneira de reconhecermos a obra da salvação, é “orando para que Deus mantenha nosso coração, palavras e vida livres de pecados e agradáveis a Ele.” A nossa reflexão deve ser aceitável diante de Deus

     “Se tua vida está em Cristo, o mal não pode te tocar […] Ninguém jamais vai me deter”

    De acordo com a bíblia, no coração os humanos sabem coisas, oram, pensam e também maquinam males, como é decorrida na faixa “A Palavra Tem poder”. Mas o salmista Davi no capítulo 27 pediu para que animássemos no Senhor, que assim, Ele fortaleceria o nosso coração, dando-nos um coração corajoso e alegre. As canções “Ninguém Vai me Deter” e “Canaã” com um refrão instantaneamente identificável e feito para cantar junto, retrata esse coração. Paulo no livro de Efésios escreveu que o cântico espiritual é uma expressão de alegria, e que cantar hinos e louvores é uma edificação, graças e oração de um coração disposto e alegre.

     “Volta pra casa. Volta pra igreja. Rasga do peito a vergonha e a dor”

    A música “O Amor que cura” nos remete ao caráter da natureza do coração distante de Deus, arrependido e humilde. No livro de Mateus, Jesus expôs a gravidade do pecado no coração, quando se arrefece, e o único jeito que Ele achou para o coração pecaminoso é a regeneração. Um coração regenerado, que se arrepende dos seus pecados, volta-se para Deus, e pela fé aceita a Jesus como seu Salvador. A regeneração está ligada ao coração, pois, de acordo com o livro de Romanos, “aquele que de todo coração se arrepende e confessa que Jesus é Senhor, nasce de novo, e recebe da parte de Deus um novo coração”. Isso resume toda a lei de Deus.

    “Não espero perfeição, quero o teu amor. Não abro mão de você”

    Por fim, a última faixa “Você Merece” retrata o coração apaixonado, responsável pelo fenômeno neurobiológico que envolve duas pessoas em apenas um laço, que unidos, inunda o cérebro de amor. No livro de Cantares, há uma passagem a respeito do amor inalterável do esposo para com a esposa, em que na espécie humana, não há nada que seja mais poderoso e bonito do que o amor mútuo entre um homem e uma mulher, desde que, na união, estejam realmente comprometidos um com o outro.

    Fugindo de visões deturpadas e unidirecionais, o CD se tornou uma jóia melódica peculiar e inteligente, justamente por trazer todas essas referências de “coração” disposto na Bíblia e imprimir cada aspecto em diferentes canções. Todo o disco se torna uma oração para que possamos seguir a Deus e conhecer os seus caminhos, sem nos desviarmos dele. E se isso acontecer, que tenhamos capacidade para reavaliar nossas prioridades e orarmos por uma renovação genuína de amor e compromisso ao Senhor, com toda diligência. Que possamos ter sempre – independente do que Hipócrates diz – um coração quebrantado.

  • Análise: CD Vai Ficar Tudo Bem – Célia Sakamoto

    Análise: CD Vai Ficar Tudo Bem – Célia Sakamoto

    Em 2012 a cantora Célia Sakamoto lançou pela Aliança, o CD “Vai ficar tudo bem”. Com um projeto gráfico impecável assinado pela Souto Crescimento de Marca, o disco traz 13 canções de diversos compositores de renome, inclusive uma da própria cantora. Na faixa 13 do álbum, “Meu diário” Célia Sakamoto conta com a participação especial de sua filha Laura Sakamoto.

    Através do álbum “Vai ficar tudo bem”, Célia Sakamoto prova que tem potencial para ser referência na música pentecostal, mesmo não tendo uma grande extensão vocal, Célia sabe compensar isso na escolha certa do repertório. Sem muitas firulas, gritos e excessos, a cantora cumpre o propósito de um bom disco pentecostal.

    A abertura do álbum é feita com a canção “Sacrifício de Louvor” de autoria de Célia Sakamoto. Simples, poucos versos, mas tem uma carga emotiva interessante ao revelar o pensamento da cantora, oração em forma de música.

    Dentre as 13 canções, sete merecem ser destacadas. Não que as outras estejam num nível inferior, mas por que essas se destacam por alguns diferenciais. A primeira delas é “Vai ficar tudo bem”, composição de Anderson Freire. A canção versa sobre a importância da confiança em Deus mesmo nas maiores dificuldades.

    “Vai ficar tudo bem, deixa Deus no controle que a vitória vem […]. Vai ficar tudo bem, cada luta é um nível a mais, um degrau pra chegar naquilo que Deus tem”. Já é a queridinha de muitos grupos de louvor de senhoras, pois a mensagem é linda e não impõe grande dificuldade para ser cantada.

    “Erga os muros” de Leandro Borges é outra que já entrou para o repertório dos grupos de senhoras. A canção aborda a preocupação com a família, pois este é o alvo do diabo. E isso é realidade, vemos diariamente as investidas do mal para acabar com as famílias. É preciso erguer muros de oração em volta das nossas casas, de nossas famílias, pois o ladrão está de olho, e só precisa de uma brecha para atacar. Leandro Borges foi muito feliz nesta composição e Célia Sakamoto conseguiu transmitir a mensagem através de sua interpretação. Excelente.

    A faixa cinco, “Guerreiras de Jeová” é aquela clássica canção para festas de círculo de oração. Composição de sua irmã Vanilda Bordieri, a música convoca todas as mulheres para guerrear, trazendo exemplos de mulheres que tiveram destaque na Bíblia como Débora, Ester, Miriam e Abigail.

    A próxima canção é “Maior que tudo” composta por Denner de Souza e Adriano Barreto. Traz uma mensagem impactante para a reflexão. Mostra que nada se compara ao poder de Deus. Nada do que temos, possuímos é maior que Ele, que perto dEle “somos como grão de areia perdido no deserto”. Mais uma vez Sakamoto se sai muito bem interpretando essa canção.

    A faixa 08, também de Denner de Souza e Adriano Barreto “Simplesmente” fala das provas que o cristão passa, dos problemas que enfrenta e que muitas vezes podem abalar a fé. Muitos podem dizer “Será que esse aí está em falta com seu Deus?” Mas quando o Senhor abrir as portas, “você vai ter pra emprestar”. Canção simples e com mensagem emocionante. Vale a pena ouvir e refletir.

    A faixa seguinte, “Evidências”, composição de Tony Ricardo, traz de forma interessante o tema do arrebatamento, a partir das evidências que estão acontecendo no mundo. As evidências estão aí e quando esse dia chegar não vai adiantar correr ou se esconder. Mais uma canção impactante.

    Merece destaque também “Insubstituível” de Dill (Os Nazireus). Aqui a participação do back é brilhante e fundamental para que a canção tomasse a proporção emotiva adequada. Fala que Jesus é insubstituível, não há outro como Ele. Deus ontem, hoje e eternamente! Show.

    Por fim, é preciso mencionar a grandiosa “Batalha de Josafá”, uma canção-narrativa que, como o nome diz, narra a batalha de Josafá, fazendo-nos imaginar as cenas da batalha. Mesclando narração e canção, com apoio do back-vocal, a canção certamente é a mais elaborada do álbum. Com um refrão empolgante, a canção mostra o poder do louvor, pois foi através do louvor a Deus que Josafá venceu a batalha. A Composição é de Samuel Mariano.

    Claro que o álbum possui outras belas canções que merecem igual destaque, mas essas vão de encontro ao público das irmãs de igrejas pentecostais que encontram dificuldades para conseguir um repertório adequado para seus grupos. Seja por conta das letras extremamente elaboradas e de difícil assimilação arranjos muito rebuscados ou tons altíssimos como vemos em CDs de outras cantoras pentecostais. Tudo isso dificulta que essas músicas sejam entoadas nesses grupos que querendo ou não, são uma das principais formas de divulgação da música pentecostal. Esse é o grande ponto positivo do álbum “Vai ficar tudo bem”.

    Vale destacar também o trabalho do maestro Melk Carvalhedo produção do disco, dosando de forma adequada os arranjos em cada canção, as entradas do back, enfim todo processo de produção.

    Não se trata de mostrar potência vocal, de trazer músicas rebuscadas ou cheias de arranjos, mas de trazer canções que possam ser cantadas pelo público-alvo. Vanilda Bordieri já conseguiu este espaço e é raro não ver pelo menos uma canção sua sendo entoada em festividades de senhoras. Célia Sakamoto está no mesmo caminho e tem tudo pra conquistar esse espaço também.

  • Análise: CD Por Amor de Ti, oh Brasil – Diante do Trono

    Análise: CD Por Amor de Ti, oh Brasil – Diante do Trono

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Julho de 2006, a cidade de Belém recebia o tradicional ministério de louvor Diante do Trono, para a gravação do seu 9º trabalho intitulado de Por Amor de Ti, oh Brasil, fazendo uma profunda referência ao livro de Isaías. Ganhou uma densidade profética, dando continuidade ao seu antecessor Ainda Existe uma Cruz.

    O ouro da gravação está nos espontâneos. Eles despedaçam a nossa nação, e recriam uma fortaleza. A política é explicada com maior proximidade, ao mesmo tempo em que começam a apresentar a cadência que vai do começo dramático até a função política/social e o final, ganha destaque de qualquer ato que fez em CDs anteriores. Ao assistir o trabalho – por completo -, você se compadece e ganha resposta sobre o porquê da criação, do lugar onde você nasce, cresce, aprende e da sociedade que você é criado. Então quando menos percebe, já está enraizado. Tecendo juntamente com as canções, vira um emaranhado de diálogos em que eles conseguem manter bem e dá até certo foco.

    A inclinação a aceitação é considerável, e no fim se percebe que desde o inicio o intuito era esse: não se calar. E é o Senhor quem não cala, não descansa, e não se rende. O objetivo era escancarar a situação buscando por justiça, mas não nós por nós mesmos, porque a nação (igreja), assim como Sião no texto bíblico, estava em ruínas. Nós somos os abatidos, afligidos e quebrantados a quem o livro de Isaías se refere. E então, por um clamor de Isaías, o Senhor propôs reedificar essas ruínas, a curar e perdoar, por amor… a nós!

    Ao contrário do que muitos pensam, não é um disco missionário. Não tem a ver com o dever do cristão. Não é um bê-a-bá como o CD anterior, nem tiveram que reler uma cartilha. Trata-se da amplitude para aqueles que aceitam a causa, mas nem sempre são combatentes. Uma tarefa muito árdua, para se pregar, destinada ao fracasso já na concepção de alguns evangélicos e fãs do grupo, certamente porque não é comercial.

    Mas (afastado de qualquer menção pública) como podemos ignorar as boas novas de redenção que o Senhor nos trás, com esse álbum que mostra e nos conforta que o Senhor nos enamora, e que as suas chagas nos falam de amor?! Foi unicamente por amor. A restauração de nossa igreja e nação, os guardas em nossos muros, é só pelo motivo de que Ele quer encontrar um deleite em nós, e para isso é preciso que Ele remova os escombros e sujeiras de nossos corações.

    Em julho de 2013, em meio a tantas manifestações que tivemos, e gritos para uma nova construção do nosso país, a nossa batalha, como cristãos, deve ser feita internamente, como o Senhor nos orientou: Orando. Buscando a Ele para que sare a nossa Terra, e nos ponha com um objetivo.  Devemos ir às ruas? Claro. Usando a mesma referência que o disco nos dá, no livro de Isaías podemos ver que uma das preocupações básicas do profeta é a corrupção moral que existia no Reino do Sul, em Judá. No paralelo dessa passagem do livro de Isaías, temos também o livro de Amós, em que ele também anuncia a opressão do invasor, a respeito da corrupção generalizada. Não se pode acomodar diante de tantas atrocidades, tem que haver protestos para que algo mude, mas é importante salientar que A JUSTIÇA SOMENTE VEM DE DEUS. Em Isaías Ele declara: “Eu tomo vingança de ti: Ninguém se oporá a isto.” Ele nos fará lidar com todas as dificuldades que teremos que lidar, enquanto percorremos esse caminho penoso, como nação, em busca de melhorias, para que no fim possamos ouvir o Senhor dizer que a nossa justiça brilhará.

    Obstáculo por obstáculo, Ana Paula veio desenhando e compondo o sermão a partir de 2005, e o resultado foi satisfatório, porque a mensagem dada surtiu efeito. Nessa linha de meio-tempo, o DT preparou o terreno de vestes de louvor ao invés de espírito angustiado, aonde às vezes não importa o que foi dito ou feito, mas se repercutiu para levar ao ouvido da maioria de pessoas sobre a verdade, não sobre a necessidade. O suor daqueles que renunciaram e perceberam que ainda existia uma cruz, se torna em coroa de glória, pois o Senhor quer os fazer ser um objeto de louvor na Terra. É por isso que há a necessidade de não se calar.

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    “Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa.” Isaías 62:1″
  • Análise: CD Às margens do Teu Rio – Davi Sacer

    Análise: CD Às margens do Teu Rio – Davi Sacer

    Ex-integrante dos grupos Toque no Altar e Trazendo a Arca, e há três anos em carreira exclusivamente solo, Davi Sacer chega ao seu quarto trabalho, intitulado Às Margens do Teu Rio. Com produção de Kleyton Martins, o mesmo músico responsável por produzir os dois últimos discos do cantor, a obra reuniu quinze faixas escritas por vários músicos, como Anderson Freire, Davi Fernandes e Luiz Arcanjo. O projeto gráfico, em digipack foi produzido pela Quartel Design, e é de bom gosto.

    Quando se referencia no nome de Sacer, logo nos remete a um cantor de uma voz admirável e de canções extremamente congregacionais e populares, porém preso no modismo antropocêntrico, com algumas músicas polêmicas e fracas letristicamente falando. Esta mesma impressão se tem ao ouvir Às Margens do Teu Rio: Arranjos e produção musical acima da média apresentando alta qualidade, porém um repertório fraco, repetitivo e clichê. O que o músico pareceu ter superado em suas primeiras obras, elogiadas pelo público e mídia especializada – Deus não Falhará e Confio em Ti – perde-se neste novo álbum.

    Os pontos altos do disco estão nas canções “Essa Noite que Passou” e “Fiel até o Fim”, sendo a primeira a amostra de que a parceria entre Sacer e Luiz Arcanjo deu muito certo enquanto durou, e a segunda mostrando a capacidade vocal de Davi com uma letra de entrega com back vocais muito bem interpretados. A faixa-título possui características comuns no gospel nacional atual: letra de redenção no início, e prosperidade no refrão; “Decido Crer”, “Decreto de Vitória”, “Palavra Final” e “Superar Limites” tratam, no geral os temas milagre e prosperidade, tendo versos, em sua maioria fracos em termos de conteúdo. Tecnicamente, Palavra Final possui um peso interessante, assim como Decreto de Vitória que mescla momentos lentos com acelerados usando muito violão, bateria e guitarra.

    Uma canção que enriquece o projeto é “Razão de Tudo”, uma das mais bem articuladas do repertório, trazendo em versos uma realidade diária para muitos cristãos confrontados por sua fé. “Para Onde ir”, um solo de piano lembra o estilo do cantor contido em trabalhos anteriores no Toque no Altar, versando sobre entrega e dependência de Deus. A interpretação vocal de Sacer também se destaca. Nos arranjos, muito bem colocadas as cordas nas canções mais lentas, e a presença da guitarra estão cada vez maiores, gerando o clima pop rock, como em “Ninguém pode Apagar”, em que há uma mistura bem sucedida de pop rock e sertanejo, algo não muito comum nos álbuns do cantor, e que ficou de bom gosto com a participação de Verônica nos vocais, que cada vez mais tem ganhado espaço em seus álbuns. “Totalmente Livre” é uma canção morna, embora a temática seja distinta da maior parte do repertório.

    Agora, trago minhas considerações gerais acerca do álbum. Às Margens do Teu Rio é um disco sem conceito, em que as canções não se ligam de forma coesa a uma temática específica, o que indica um erro crasso em sua produção, o que faz lembrar por ser um disco para encerramento de contrato com a Art Gospel – ou seja, provavelmente não foi projetado como deveria num prazo razoável. Também nota-se um desequilíbrio nas composições, trazendo faixas cansativas e manjadas com canções boas, considerando o histórico musical de Sacer.

    No que se refere a produção musical, está de parabéns. O produtor Kleyton Martins soube muito bem manter o estilo musical de Davi Sacer, porém trazendo novas tendências as quais o mercado gospel tem pedido. Um pop rock mais forte ali, uma influência sertaneja leve e tímida aqui, um congregacional a lá Trazendo a Arca faz com que, tecnicamente o disco esteja muito bom, dentro do esperado.

  • Análise: CD A Canção do Amor – Diante do Trono

    Análise: CD A Canção do Amor – Diante do Trono

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Sempre ouço discos buscando me apoiar em um novo alicerce. Claro que aceito o propósito original do artista e o teor da mensagem, mas eu, contornado pela decisão de suspender um pouco a lógica e encarar uma nova faceta para a interpretação da música, busco tirar do obscurantismo as milhares de interpretações que se pode ter na música e sua composição, além daquela que o “artista” nos dá. Quando escuto qualquer álbum, atribuo um novo valor, e destrincho ponto-por-ponto aquilo que não está ao olho nu. Não avalio voz, instrumentalidade, solos, arranjos. Enxergo cacos, e alguns cacos bem colocados só ajudam. Esta é a nova coluna do O Propagador: Destrinchando.

    Em especial, vou falar sobre o CD A Canção do Amor. O 11º trabalho do Diante do Trono que aborda de forma muito mais explícita, aquilo que o 6º disco, Quero Me Apaixonar, visto na sua formula mais básica, nos trouxe.

    “Leva me ao lugar de te amar”

    O foco principal ali e que todos percebem, ouvem, absorvem, disposto por todo o trabalho, é a renovação do amor ao Senhor Jesus. É o que vem do “baque”, a primeira coisa que se percebe. Quando, no decorrer das canções, se aumenta a martelada com placas de amor e aceitação. Uma dose tripla de afronta a integridade, que o ministério deveria ser indicado não pela qualidade, mas, pela relevância. Inundados de sensatez, levanta prontamente mais questionamentos do que réplicas. Entra em uma montanha russa de questionamentos e sentimentos para os falhos e perdidos.

    “Veste-te de força […] Desperta, sacode o pó, levanta e toma o teu lugar”

    E a partir desse principio, esmiucei o disco por inteiro, nas repetidas ouvidas e “safe play” pra ver se achava pra mim uma razão além da mensagem principal. E achei. Apreciei no CD, o livro de Esdras. Esse livro foi escrito para comprovar a providência, onipotência e fidelidade de Deus, que pregava um avivamento espiritual na adoração ao Senhor, no apego à palavra divina e na compunção por causa da infidelidade do povo a Deus. Em dado momento, ele pede para o que todos os ministros devam sentir ao verem o povo de Deus conformar-se com costumes ímpios. Ele ficou envergonhado e entristecido por causa do pecado e erros do povo. Ele não pôde aceitar, e sendo assim, identificou-se com aqueles por quem ele orava (nas expressões “nossas iniquidades”, “nossas culpas”). Esdras sentia a culpa da nação. Sabia que a graça de Deus demonstrava para o povo que retornava, reavivando a sua esperança e visão! Ele se doou ao serviço de Deus com coração disposto. Mas, um coração disposto precisa ser sobreposto com toda reverência e respeito por Deus.

    “Eu não quero estar aqui por obrigação. Eu só quero estar aqui porque te amo”

    O disco nos mostra que não devemos estar servindo por obrigação. Interessante ver uma compilação de pessoas (ali mesmo, no Diante do Trono) que ativamente demonstram ser aliados, fiéis ao compromisso. Não estavam displicentes, eram apenas militantes da causa. Todos atribuídos a um único lugar de reclusão, para algumas coisas serem modificadas ou certos caminhos serem escolhidos, de forma que isso não atrapalhe a condução de suas últimas historias e gravações. Faz a gente tomar tento de que o buraco é maior, e que não é embaixo… é no meio. Pois quando você reúne culpas num lugar onde deveria corrigir, você apenas amplia a capacidade de gente culpada.

    “Só quero ter a Cristo, e ser achada n’Ele”

    Mas a blogosfera e a biosfera estão cheias de gente que parece ter orgulho de ter nascido ontem no evangelho. Não busca com afinco uma intimidade com o Senhor, nem deseja estar anelado, servindo, assim como Esdras. Têm cristãos que costumam aproveitar de suas acomodações, fechando-se em suas conchas, sem eficácia na vida, em que se perde qualquer sensação de ser ou existir. Eu temo muito.

    O Diante do Trono lapidou um trabalho de sangue. Pavimentou o caminho para diversos outros, empurrando os limites de vários tabus, simbolizando conceitos que mesmo nos atraindo, temos medo. Só que de alguma forma tal mudança vai abrir e ser base para outras tantas mudanças que devem ser feitas. Deve dar uma janela absurda, para dar um jeito em suas próprias arestas. Mas rápido! Pois, o mundo anseia por ver Cristo em nós!

  • Análise: CD Mais um dia (Ao Vivo) – Livres para Adorar

    Análise: CD Mais um dia (Ao Vivo) – Livres para Adorar

    Lançado na Conferência Livres, o novo projeto do Livres para Adorar (hoje, também chamado de Livres ou somente Juliano Son) é, sem dúvida, um dos discos mais esperados do ano por parte do público, principalmente pelo sucesso que o grupo tem alcançado nos dias atuais.

    Produzido pelo tecladista Ruben di Souza, Mais um dia – ao vivo, em sua versão CD é um trabalho de alta qualidade técnica, porém não faz muita diferença comparada a sua versão de estúdio sem as imagens do DVD. A primeira diferença grandemente notável é o arranjo acústico da faixa-título, e a voz do público ao fundo. Excelente.

    A grande falta neste trabalho é a canção “Um Lugar para Descansar”. É claramente um ato insano remover do repertório a faixa que melhor representa, tanto em clareza quanto em beleza poética o conceito de Mais um dia. Ainda, totalmente desnecessária a gravação, tanto quanto a nova roupagem, mais acelerada de “Vai Valer a Pena”. Além do mais, tal música foge do tema do projeto. “Leva-me” poderia fechar muito bem o disco, assim como no trabalho de estúdio.

    O ponto alto da gravação está em algumas das participações especiais, com destaque a de Ana Paula Valadão em “Santo”. A artista faz uma interpretação que agrega um valor enorme a uma das canções menos lembradas em Mais um dia, que garante o melhor momento do CD. Em contraste, os vocais de Leonardo Gonçalves não foram suficientes para tirar o clima morno e monótono de “Fez um Caminho”. Fernandinho recebeu uma canção que combina muito bem com seu estilo para interpretar, e conta como ponto positivo. O mesmo ocorre com Pregador Luo.

    As melhores interpretações nesta versão ao vivo estão nas primeiras faixas do repertório, as quais a banda deu o máximo de qualidade técnica de si. Destaque para a voz de Juliano Son, muito parecida com a do disco em estúdio. Sendo coincidência ou não, este é o único ponto negativo para o músico, que acabou por ficar com os vocais altamente artificiais notadamente, principalmente em “Em Outro Lugar”. “Mais Forte que a Morte”, com sua sonoridade mais alternativa que anteriormente é contagiante com a participação do público presente, assim como “Quando o Mundo cai ao meu redor” e “Ele me Ama”.

    A capa do disco ficou devendo – e muito. A diagramação das fontes, a posição em si deixou-a muito parecida com a do último disco ao vivo, Pra que outros possam viver. O repertório no geral é muito bom, porém, sem maiores novidades quando o assunto é arranjos, exceto na faixa-título.

  • Análise: CD Românticos – vários artistas

    Análise: CD Românticos – vários artistas

    Lançado em junho de 2011, Românticos foi a primeira coletânea romântica da Graça Music, que resolveu fazer o mesmo que outras gravadoras do segmento gospel, que investem em álbuns românticos no mês dos namorados. E o resultado foi sem dúvida satisfatório para um trabalho de estreia.

    O título da coletânea foi escolhida por um internauta durante um concurso que a Graça Music realizou, que em seguida contribuiu para a criação do encarte, por Lincoln Baena. A capa é simples, porém perfeita, não peca em exageros que geralmente outras coletâneas do nicho trazem. Mesmo com a tendência dos vermelhos, o álbum possui uma capa branca, com um versículo, o título da coletânea e os seus intérpretes, tudo na medida certa.

    A produção musical ficou por conta do músico Emerson Pinheiro em todas as faixas, contribuindo para a sonoridade pop notável nos arranjos.

    “Canção pra Você”, interpretada por Bruna Olly é uma canção pop rock contendo muitas guitarras e violões, o que deixou a música um tanto quanto pesada. O que soaria como negativo acabou por abrilhantar a faixa, contribuindo com a interpretação de Bruna.

    A segunda canção, “Na Fila do Banco” é composição de Anderson Freire. É mais uma daquelas faixas românticas que contam a história de um início de relacionamento. A participação do Ministério Unção de Deus acabou surpreendendo, principalmente por fugir bastante do estilo da banda, todavia Rafael Novarine soube fazer com excelência sua parte nos vocais.

    Composta e interpretada por David Fantazzini, “Por Toda a Vida” tem as mesmas características das músicas românticas gospel da atualidade, porém, para fugir do mais-do-mesmo possui um arranjo belo e leve. Próximo ao refrão, a faixa vai ganhando o peso gradativo necessário.

    Composta por R. R. Soares e interpretada por Rafael Araújo, uma das revelações da gravadora em 2010, “Verdadeiro Amor” tem uma temática diferente das anteriores. Fala sobre um casal que não conhecia a palavra de Deus e após conhecerem acabaram-se os problemas no casamento.

    “Um Sonho”, interpretada pelo grupo DiscoPraise possui uma tendência mais próxima ao pop rock, estilo da banda. A letra informal, e os vocais de apoio foram bem idealizados.

    Dany Grace é a intérprete da sexta música, “Você”. A cantora, que é professora de canto fez uma das melhores interpretações do álbum. Assim como a anterior, dispensa comentários em relação a letra.

    “Amada, Amiga, Amor” é, em minha opinião a melhor música do álbum. A composição e interpretação de Luiz Arcanjo, tenta quebrar os clichês românticos da música gospel nacional. A canção faz uma comparação de fatos da bíblia com o amor do intérprete, embora os arranjos sejam bem simplistas. “Apaixonadamente como Salomão, te escrevi poesias, saí pela noite, pra cantar meus versos pra você, meu amor…

    Interpretada pelo Ministério Nova Jerusalém, “Resumo de Amor” traz o casamento como temática, e caiu como uma luva para o casal de pastores Samuel e Denise, vocalistas do ministério.

    Banda & Voz interpreta “Amo Você”, música que também faz parte das melhores. Fala sobre agir debaixo da vontade de Deus na vida sentimental, um assunto que considero em baixa no meio de músicas românticas e até na vida do cristão atual.

    “Do Princípio ao Fim”, interpretada por Fabiano Motta segue a tendência pop das produções musicais de Emerson Pinheiro, enquanto a letra segue a tendência de várias das anteriores.

    As duas últimas canções são “Quatro segundos” e “Nosso Casamento”. A primeira, cita de uma forma diferente um encontro com declaração de amor, que recebeu uma versão em videoclipe. A segunda é uma interpretação de Dayane Damasceno e, como o título sugere traz o casamento como tema.

    No geral, o disco cumpre bem o seu papel. Não há como avaliar a parte clichê das canções, já que o estilo letrista do disco é limitado, e o álbum atende de forma muito satisfatória o que o mercado e o público pede, que são canções românticas, com bons arranjos e letras com conteúdo que agradem ao ouvinte.

  • Análise: DVD Um Espetáculo de Adoração – Cassiane

    Análise: DVD Um Espetáculo de Adoração – Cassiane

    Gravado em São Sebastião – SP no dia 15 de setembro de 2012, o DVD Um Espetáculo de Adoração comemora a marca dos 30 anos de carreira alcançada pela cantora Cassiane. Em seu primeiro projeto audiovisual pela Sony Music, Cassiane demonstra todo seu talento e maturidade musical que vem marcando a música evangélica desde o início da carreira.

    Com um título pertinente, Um Espetáculo de Adoração, o projeto é de fato um espetáculo, contando com a participação especial da CIA de Teatro Jeová Nissi, unindo música e teatro para fazer uma narrativa, algo até então pouco usual no meio gospel.

    O DVD começa de forma arrepiante. O grupo de Teatro Jeová Nissi faz a abertura do espetáculo encenando um julgamento, onde Cassiane é tida como réu condenada a ir para a prisão. Cenário de masmorras e grades de prisão dá o tom sombrio e a voz da atriz se une dando o toque de emotividade exigida para a entrada da canção “De uma forma diferente”. Cassiane, vestida de presidiária canta ao lado de outras condenadas uma mensagem de motivação e de esperança. Belas tomadas, jogos de luzes mostram a grandiosidade do projeto.

    A cada canção entoada, a cada cena do teatro é possível perceber a linha narrativa desenvolvida. Todo o set list foi organizado dar esse efeito de continuidade. Interessante a agilidade da filmagem. Várias tomadas e mudanças de câmera tornaram a gravação bem dinâmica e gostosa de assistir.

    Destaque para as pequenas ministrações que ocorrem entre uma canção e outra, servindo de gancho para a canção seguinte. Ao encerrar o medley “Faz-me viver outra vez/Sou milagre de Deus”, Cassiane traz um breve relato de sua história, “Eu sou um milagre de Deus pra dar glória a ele”.

    Como não poderia faltar, no DVD, Cassiane convida Jairinho, seu esposo para ministrar sobre a família. Entram em cena, os filhos Jayane, Caio e Joshua e seguem cantando “Família nas mãos de Deus”. Cassiane aproveita a oportunidade para renovar a aliança de casamento com Jairinho, visivelmente emocionada, a cantora ministra sobre os casais, sobre a importância do casamento, da família. Juntos, o casal canta o medley “Papel de Bala/ O tempo/ O Amor você e eu” fechando com chave de ouro o momento romântico do show.

    Mudando o tom, entra “Amigo Espírito Santo”, uma das mais belas canções do projeto. Em forma de oração cantada, Cassiane louva de joelhos no meio do público. O back vocal merece destaque pela excelente atuação tanto nesta canção como em todo o trabalho. Cassiane se entrega à canção de forma emocionante.

    Importante destacar a captação de vídeo que não perdeu nenhum detalhe. Câmeras se dividem mostrando vários ângulos do público presente, do palco e da banda. Interessante como Bruno Fioravanti se preocupou em mostrar desde a grandiosidade show até pequenos detalhes da gravação.

    No entanto, alguns cortes de edição ficaram bem perceptíveis até para os mais desatentos, tanto de vídeo quando do áudio, como na saída da primeira ministração para a entrada de “Não vou me calar” apesar de não comprometer a qualidade do DVD.

    Sendo um projeto comemorativo, sem dúvida Cassiane teria grandes nomes da música que de alguma forma fez/faz parte de sua trajetória e que poderiam ter feito participações especiais no projeto deixando-o mais dinâmico. Seria bastante interessante ver Cassiane interagindo com outros cantores, como na parceria com o Pregador Luo em “Choque e Fogo”.

    O set list foi composto de canções dos álbuns Viva e Ao Som dos Louvores além do romântico “O amor está no ar” e três faixas inéditas: “Não vou me calar”, “Avivamento” e “Na orla do teu manto”. Nenhum sucesso estrondoso, mas são canções de qualidade inegável e que ganharam um fôlego a mais no ao vivo, destaque para “Não vou me calar”, “Cristo ou Barrabás” e “Amigo Espírito Santo”.

    Com bastante presença de palco, Cassiane transmite muita emoção, e a cada canção, percebe-se como a cantora se entrega a cada música contagiando o público, a banda, e consequentemente, quem assiste o DVD.

    Resumindo, temos aqui um registro belíssimo, mostrando que uma das maiores cantoras gospel do nosso país se encontra em plena forma, mesmo após 30 anos de carreira, propiciando ao público, um projeto único, memorável e emocionante!