Ex-integrante dos grupos Toque no Altar e Trazendo a Arca, e há três anos em carreira exclusivamente solo, Davi Sacer chega ao seu quarto trabalho, intitulado Às Margens do Teu Rio. Com produção de Kleyton Martins, o mesmo músico responsável por produzir os dois últimos discos do cantor, a obra reuniu quinze faixas escritas por vários músicos, como Anderson Freire, Davi Fernandes e Luiz Arcanjo. O projeto gráfico, em digipack foi produzido pela Quartel Design, e é de bom gosto.
Quando se referencia no nome de Sacer, logo nos remete a um cantor de uma voz admirável e de canções extremamente congregacionais e populares, porém preso no modismo antropocêntrico, com algumas músicas polêmicas e fracas letristicamente falando. Esta mesma impressão se tem ao ouvir Às Margens do Teu Rio: Arranjos e produção musical acima da média apresentando alta qualidade, porém um repertório fraco, repetitivo e clichê. O que o músico pareceu ter superado em suas primeiras obras, elogiadas pelo público e mídia especializada – Deus não Falhará e Confio em Ti – perde-se neste novo álbum.
Os pontos altos do disco estão nas canções “Essa Noite que Passou” e “Fiel até o Fim”, sendo a primeira a amostra de que a parceria entre Sacer e Luiz Arcanjo deu muito certo enquanto durou, e a segunda mostrando a capacidade vocal de Davi com uma letra de entrega com back vocais muito bem interpretados. A faixa-título possui características comuns no gospel nacional atual: letra de redenção no início, e prosperidade no refrão; “Decido Crer”, “Decreto de Vitória”, “Palavra Final” e “Superar Limites” tratam, no geral os temas milagre e prosperidade, tendo versos, em sua maioria fracos em termos de conteúdo. Tecnicamente, Palavra Final possui um peso interessante, assim como Decreto de Vitória que mescla momentos lentos com acelerados usando muito violão, bateria e guitarra.
Uma canção que enriquece o projeto é “Razão de Tudo”, uma das mais bem articuladas do repertório, trazendo em versos uma realidade diária para muitos cristãos confrontados por sua fé. “Para Onde ir”, um solo de piano lembra o estilo do cantor contido em trabalhos anteriores no Toque no Altar, versando sobre entrega e dependência de Deus. A interpretação vocal de Sacer também se destaca. Nos arranjos, muito bem colocadas as cordas nas canções mais lentas, e a presença da guitarra estão cada vez maiores, gerando o clima pop rock, como em “Ninguém pode Apagar”, em que há uma mistura bem sucedida de pop rock e sertanejo, algo não muito comum nos álbuns do cantor, e que ficou de bom gosto com a participação de Verônica nos vocais, que cada vez mais tem ganhado espaço em seus álbuns. “Totalmente Livre” é uma canção morna, embora a temática seja distinta da maior parte do repertório.
Agora, trago minhas considerações gerais acerca do álbum. Às Margens do Teu Rio é um disco sem conceito, em que as canções não se ligam de forma coesa a uma temática específica, o que indica um erro crasso em sua produção, o que faz lembrar por ser um disco para encerramento de contrato com a Art Gospel – ou seja, provavelmente não foi projetado como deveria num prazo razoável. Também nota-se um desequilíbrio nas composições, trazendo faixas cansativas e manjadas com canções boas, considerando o histórico musical de Sacer.
No que se refere a produção musical, está de parabéns. O produtor Kleyton Martins soube muito bem manter o estilo musical de Davi Sacer, porém trazendo novas tendências as quais o mercado gospel tem pedido. Um pop rock mais forte ali, uma influência sertaneja leve e tímida aqui, um congregacional a lá Trazendo a Arca faz com que, tecnicamente o disco esteja muito bom, dentro do esperado.

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