Análise: CD A Canção do Amor – Diante do Trono

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NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

Sempre ouço discos buscando me apoiar em um novo alicerce. Claro que aceito o propósito original do artista e o teor da mensagem, mas eu, contornado pela decisão de suspender um pouco a lógica e encarar uma nova faceta para a interpretação da música, busco tirar do obscurantismo as milhares de interpretações que se pode ter na música e sua composição, além daquela que o “artista” nos dá. Quando escuto qualquer álbum, atribuo um novo valor, e destrincho ponto-por-ponto aquilo que não está ao olho nu. Não avalio voz, instrumentalidade, solos, arranjos. Enxergo cacos, e alguns cacos bem colocados só ajudam. Esta é a nova coluna do O Propagador: Destrinchando.

Em especial, vou falar sobre o CD A Canção do Amor. O 11º trabalho do Diante do Trono que aborda de forma muito mais explícita, aquilo que o 6º disco, Quero Me Apaixonar, visto na sua formula mais básica, nos trouxe.

“Leva me ao lugar de te amar”

O foco principal ali e que todos percebem, ouvem, absorvem, disposto por todo o trabalho, é a renovação do amor ao Senhor Jesus. É o que vem do “baque”, a primeira coisa que se percebe. Quando, no decorrer das canções, se aumenta a martelada com placas de amor e aceitação. Uma dose tripla de afronta a integridade, que o ministério deveria ser indicado não pela qualidade, mas, pela relevância. Inundados de sensatez, levanta prontamente mais questionamentos do que réplicas. Entra em uma montanha russa de questionamentos e sentimentos para os falhos e perdidos.

“Veste-te de força […] Desperta, sacode o pó, levanta e toma o teu lugar”

E a partir desse principio, esmiucei o disco por inteiro, nas repetidas ouvidas e “safe play” pra ver se achava pra mim uma razão além da mensagem principal. E achei. Apreciei no CD, o livro de Esdras. Esse livro foi escrito para comprovar a providência, onipotência e fidelidade de Deus, que pregava um avivamento espiritual na adoração ao Senhor, no apego à palavra divina e na compunção por causa da infidelidade do povo a Deus. Em dado momento, ele pede para o que todos os ministros devam sentir ao verem o povo de Deus conformar-se com costumes ímpios. Ele ficou envergonhado e entristecido por causa do pecado e erros do povo. Ele não pôde aceitar, e sendo assim, identificou-se com aqueles por quem ele orava (nas expressões “nossas iniquidades”, “nossas culpas”). Esdras sentia a culpa da nação. Sabia que a graça de Deus demonstrava para o povo que retornava, reavivando a sua esperança e visão! Ele se doou ao serviço de Deus com coração disposto. Mas, um coração disposto precisa ser sobreposto com toda reverência e respeito por Deus.

“Eu não quero estar aqui por obrigação. Eu só quero estar aqui porque te amo”

O disco nos mostra que não devemos estar servindo por obrigação. Interessante ver uma compilação de pessoas (ali mesmo, no Diante do Trono) que ativamente demonstram ser aliados, fiéis ao compromisso. Não estavam displicentes, eram apenas militantes da causa. Todos atribuídos a um único lugar de reclusão, para algumas coisas serem modificadas ou certos caminhos serem escolhidos, de forma que isso não atrapalhe a condução de suas últimas historias e gravações. Faz a gente tomar tento de que o buraco é maior, e que não é embaixo… é no meio. Pois quando você reúne culpas num lugar onde deveria corrigir, você apenas amplia a capacidade de gente culpada.

“Só quero ter a Cristo, e ser achada n’Ele”

Mas a blogosfera e a biosfera estão cheias de gente que parece ter orgulho de ter nascido ontem no evangelho. Não busca com afinco uma intimidade com o Senhor, nem deseja estar anelado, servindo, assim como Esdras. Têm cristãos que costumam aproveitar de suas acomodações, fechando-se em suas conchas, sem eficácia na vida, em que se perde qualquer sensação de ser ou existir. Eu temo muito.

O Diante do Trono lapidou um trabalho de sangue. Pavimentou o caminho para diversos outros, empurrando os limites de vários tabus, simbolizando conceitos que mesmo nos atraindo, temos medo. Só que de alguma forma tal mudança vai abrir e ser base para outras tantas mudanças que devem ser feitas. Deve dar uma janela absurda, para dar um jeito em suas próprias arestas. Mas rápido! Pois, o mundo anseia por ver Cristo em nós!

Comentários

2 respostas a “Análise: CD A Canção do Amor – Diante do Trono”

  1. […] na discografia do Diante do Trono, depois do icônico Príncipe da Paz. Talvez os álbuns Canção do Amor, Aleluia e Creio são os últimos sinais de vida vindo de uma banda que se perdeu em seu excesso de […]

  2. […] estar aqui por religião / Eu só quero estar aqui porque te amo”. Destaque do 11º álbum, A Canção do Amor, “Porque Te Amo” fala da motivação ao buscar a presença de Deus. Essa motivação não pode […]

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