Autor: Rodrigo Berto

  • Análise: CD Tetelestai – Diante do Trono

    Imagine o ano de 1998.

    Um tempo em que para se escutar uma música era preciso apenas dar play. Diante do Trono surgiu aí. Foi tão influente no Brasil, que nós nem percebemos como foi único. Não dói nada admitir. Pessoas talentosas ancoradas em uma visão a qual puderam expressar sua voz, soterrando, questionando e excedendo níveis (seja para o bem ou para o mal). Sou do público que viu versatilidade em uma era polarizada do grupo, mais acentuada no aguado Nos Braços do Pai (2002), até o tarimbado Ainda Existe uma Cruz (2005). Mas, nos últimos três anos, o imbatível nome começou a soar como uma banda que estava constantemente tentando, agravando um leve declínio, que até o mais cínico deve reconhecer: aconteceu desde o mafuá Sol da Justiça (2011). Não temos acesso a logística do grupo, o público pode até decidir o que sentir sobre esse mapa mental, mas o grande ministério de louvor passou por visíveis apuros.

    Embora minhas preferências religiosas vão para outros rincões, o Tetelestai (17º CD) pode ser considerado como um acerto – em termos. O disco, gravado em Jerusalém (2014) parte da premissa “está consumado”, do livro de João 19:30.  O projeto é elétrico (O Espírito e a Noiva, sendo regravação do impecável Águas Purificadoras) e ao mesmo tempo ponderado (À Sombra do Altíssimo, regravação do mesmo). Como abertura, o Medley Israel até equivale a uma viagem de trem: proporciona um belo passeio, um grande espetáculo visual, confortável, mas no fim você vai querer um veículo que cumpra o mesmo trajeto de uma forma mais rápida e eficiente. Já as faixas Ressuscitou e Eu Sou as quais, mesmo derrapando em reducionismos e elipses literárias, demonstraram serem partes de um projeto inteligente com certo grau de inventividade na qualidade pedestre das letras.

    O momento soturno do disco fica por conta de Ó, Jerusalém. Uma deselegância anafórica que não passa de uma fachada em tons pastéis. Seu Nome, juntamente com os demais 3 (três) espontâneos se enquadram no campo de faixas anticlimáticas que, de alguma forma, tentam evocar um momento de sensibilidade, mas falham, se saindo assim, como de um truque só.

    Em contrapartida, fica por conta da canção-tema, Tetelestai, o ponto elegante e palavra-chave contundente do projeto. O que acontece também em Aleluia, Maranata, que apesar de ter uma crescente idêntica a With Everything do Hillsong United (coincidência?), é de se admirar que tenha resvalado em uma linguagem clara algo que ainda tem de muito orgânico no Diante do Trono: uma melodia que te carregue.

    Questionável por questionável, o disco te ganha. Um projeto cheio de hooks, com começo, meio e fim. Tudo se justifica. Mas não estamos sendo tolhidos a olhar por um viés mais crítico. Diante do Trono tem bagagem. Seja na astúcia do ‘‘não mexer em time que está ganhando’’ ou na simplicidade de ‘‘voltar ao básico para ser aplaudida por um público mais amplo”. Como por exemplo, no disco anterior, Tu Reinas (2014), em que a banda se torna uma paladina da justiça pra peixe pequeno. E convence.

    Mas, infelizmente, não estamos mais em 1998. Tempos em que pra gostar das músicas você precisava apenas dar o play, e não ter um bloquinho de notas explicando palavra por palavra, música por música, ou referência por referência como se isso fosse melhorar a situação. Não melhora. Embora o Tetelestai seja audível, é limitado. Mas reitero: não é culpa do grupo mineiro.

    A juventude dos tempos atuais garimpa o seu próprio conteúdo na internet, e molda aquilo que considera necessário aos seus ouvidos. Diante do Trono, que surgiu num grito lá em 1998, agora entendeu isso, e está se rendendo a uma limitação que corrobora com a teoria de que muita gente não está mais prestando atenção na música gospel ao dar play. Que não adianta dizer nada mais profundo, pois ninguém está ouvindo, ninguém está atento e ninguém vai entender. Prezo para que a situação possa ser revertida, mas nos últimos três anos, o grupo que excedia limites, se incluiu nesse grupo segregado do mercado gospel que está cada vez menor e menor, acreditando ser cada vez maior e maior.

    Confira o guia discográfico do Diante do Trono

  • Análise: CD Ainda Existe Uma Cruz – Diante do Trono

    Quando o ouvimos o oitavo CD do Diante do Trono, Ainda Existe uma Cruz de forma rasa e bem superficial, atentamos a poesia das composições, e nos deixamos ser embalados por melodias atrativas e coesas. O CD que o antecede, é o Esperança. Um disco que se canta sobre o ser humano colocado na sua forma mais indefesa. Mas a fragilidade não podia ser o único fator exposto.

    O trabalho tem dois pólos. Ambíguo. É algo que vai da criação, vida benevolência até o pecado, erro, mortalidade. A variação é enorme até mesmo numa mesma religião. Mas o seu princípio é a afronta direta a Teologia da Prosperidade (assunto que a Ana só veio falar abertamente no X Congresso de Louvor e Adoração, e, claramente se pôs contra).

    As referências bíblicas são diversas. Isaías 40, Salmos 40, Salmos 24, Romanos 11, 2 Samuel 7, Lucas 9… e demais. O disco começa nos ensinando a partir daí: O fato dela não querer fincar suas músicas em detrimento de outras que ela não compôs já mostra que pra ela, o que importa é o resultado final, não o nome na descrição. No fim, o importante são exemplos como esse: é uma pedrinha jogada no lago, mas pode ter certeza que as ondas produzidas vão chamar atenção numa margem distante. O trabalho como um todo serviu para despertar a igreja, ainda que aos poucos.

    O que torna tudo mais visível é o teor de regresso das composições. As músicas “cospem” e cobram aquilo o que a igreja não está(va) vivendo. Em razão disso, sem pudores, chamaram-na de louca. Mas o precedente foi ABERTO.

    Indo mais o fundo, o ministério nos elaborou uma grande metáfora a respeito do quebrantamento. O grande segredo do Ainda Existe uma Cruz, é que, de uma forma bem minuciosa, nos mostra que o cristianismo, atualmente, NÃO aprende e NÃO evolui. E sinto uma pena que a religião que se baseia na fé em algo tão perfeito, pode ser tão, mas TÃO limitada aos próprios dogmas, e tal falta de entendimento de algo que, se compreendido, poderia dar uma força maior a sua instituição.

    Digo que não aprende, pois foi preciso ela ser tachado de louca, por criar um disco com nuances de uma estrutura tão simples quanto efetiva. O cru do evangelho. Aquilo que muitos tinham se esquecido. Porque a complexidade do disco está nos arcos de histórias – subjetivo até. Mesmo que o público (tanto os que estiveram na gravação, e os que compraram o CD) não tenha consciência disso tudo, o disco continua sendo um excelente thriller, justamente por ser óbvio demais.

    Com tanto conteúdo e interação artística, o DT8 acaba sendo uma pia ENORME e com MUITA LOUÇA SUJA que muitos até hoje não tiveram a disposição de lavar. Talvez se deslumbrem facilmente com a Ana no palco, e se satisfazem com o superficial do disco. Aquilo que está fácil de mastigar, ainda que bonito. Estamos longe de atingir o conhecimento sobre luas, divagações, saraus, compilações, expedições, trocas entre outras coisas que só conheçamos de nome. Mas a mensagem do disco é clara, e ainda é válida nos dias de hoje, até mesmo em seu próprio título. O CD é um amontoado de fatos, e quanto mais rápido a pessoa lidar, melhor.

    Veja também: Guia discográfico do Diante do Trono

  • Análise: DVD Tu Reinas – Diante do Trono

    2013 foi um ano crucial para o grupo mineiro Diante do Trono. Tu Reinas, seu 16º trabalho, encontrou grandes dificuldades não somente para entrar no mercado, como também em ser um resgate à boa forma da banda. Ser contundente.

    A direção do DVD é assinada por Alex Passos, e conta com um documentário mesclado em culto de 70 minutos, que é dividido em atos. Entrevistas e pequenos relatos com os moradores de cada comunidade visitada. O áudio 5.1 nos coloca no epicentro da ação em todos os minutos, desde o silêncio de uma faixa a outra, ao caos do ápice de algumas ministrações. Há um ligeiro desapontamento na seção dos extras que acabam formando a parte menos nobre do projeto, não pela qualidade ou interesse dos mesmos, mas porque nos deixam sedentos de mais – em um teaser do Tetelestai, próximo projeto da banda, já gravado em Israel.

    O DVD Tu Reinas tem alguns grandes destaques que valem a pena discorrer. Em uma decoração rústica, o medley de duas músicas – “Vestes de Louvor/Isaías 40” – foi uma grande sacada para ser usado como abertura. Diante de um vocal reduzido, a banda explora divisões simples a três vozes, nada muito complexo. Após a interlude sobre a chegada à Comunidade Quilombola da Fonseca, na cidade de Manaíra em Paraíba, criou-se um clima semiacústico para a música tema do CD. O espontâneo é intimista e curto, dando corte para “Santo” em que a presença do cantor Juliano Son, fazendo dueto com a Ana Paula, reforçou a ideia de que o Diante do Trono não estava sozinho nessa missão. Quase no final da faixa “Exaltado” temos o backing fazendo a cama harmônica para a melodia principal, terminando com um diminuendo e sem conclusão, dando um gostinho de “quero mais”. O maior destaque do DVD Tu Reinas, no entanto, está no caminho para Petrolina (PE) em que já é perceptível uma coesão brilhante no contraste: água. O palco para o momento foram as águas do Rio São Francisco, e nesse ato as temáticas da música não poderiam ser diferentes. Ainda que os novos arranjos tenham ficado muito longe de ser o ideal para cada música, deixando o texto sem peso, caindo num padrão quaternário, não tirou o brilho das respostas inseridas. O destaque fica com “Manancial”. É uma daquelas interpretações one in a lifetime onde a Ana Paula acabou fazendo toda a afetação da música trabalhar a favor da mensagem com uma interpretação comedida, pontual, acertada e genuína. Em “Águas Purificadoras”, mesmo com seu novo arranjo se assemelhando em estilo, intenção e dinâmica dentro as outras faixas, ganhou uma extensão para um espontâneo avivado e incisivo. No último ato do DVD, em Juazeiro do Norte, reunindo 30 mil pessoas, a banda subiu num palco stepback com direito a uma casa de taipa, cortinas, um poço artesiano e uma janela bem convidativa. Com uma dancinha tímida, Ana Paula entrou no palco cantando a festiva “Só o Senhor é Deus”. Em um arranjo mais reto, a música “Brasil”, com a participação de André Valadão e Mariana Valadão, teve a divisão vocal feita com intervalos de segunda causou uma excelente dissonância e a dinâmica do instrumental ficou impagável, finalizando com “Deus do Recomeço”.

    No âmbito sonoro, visando em gravar canções mais acessíveis para as igrejas, eles abdicaram de uma sensibilidade musical por uma objetividade rasa. A banda não quis peitar o ostracismo, não se inseriu de forma autônoma. O ponto positivo do Tu Reinas, entretanto, que acaba se tornando a moeda de duas coroas, está no local da gravação. A intenção do projeto em ser gravado no Sertão Nordestino, fazendo com que os olhos se voltem para esta região é louvável. Nós, consumistas do produto, confortáveis com tudo ao dispor não vamos conseguir mensurar a importância das gravações, pois não nos afeta de uma forma direta. Nós não sabemos o que é NÃO ter as nossas necessidades atendidas. É um projeto de contestação, lamúrias, de quebra e de vazio, com mensagens contra alianças espúrias, algo puramente pragmático e até bem intencionado.

    Deslizes aconteceram. Como se a Ana Paula Valadão quisesse puxar a corda do conceito oposto ao de sutileza até ver onde rompia e acabou rompendo. Acontece. Alegando sinceridade, alguns dirão que a banda fez em busca do emocionalismo. Mas essa é uma falácia que joga com uma pesada de fatores e retira o contexto do produto. Estamos nos referindo a um trabalho técnico com uma ação afirmativa de mão-de-obra talentosa, que alçou um voo muito maior do que em músicas. Um exemplo coeso da sinergia visual. Começa e termina com faixas que falham miseravelmente em agradar os saudosistas da orquestra que não apenas não se adequam, como fazem questão de lutar contra mudanças que vão ocorrer quer eles queiram, quer não. O Diante do Trono, com o seu novo DVD, ainda quer ser cáustico e mordaz, ainda quer tocar e ferir, porém despido de excessos. Assista de novo.

  • Megafone – “Criador do Mundo”, o novo CD da Daniela Araújo

    A cadeia da blogosfera é inconstante. Os ruídos da comunicação são ilimitáveis, e quando um grande assunto explode nas redes sociais as opiniões são variáveis. Alguns agregam valor, outros agregam rancor. Essa é a nova coluna do nosso site: “Megafone”. Espaço onde selecionaremos as opiniões mais expressivas sobre um assunto de maior destaque nos últimos dias.

    Recentemente tivemos o tão aguardado lançamento do CD da Daniela Araújo “Criador do Mundo”.  O disco – no geral – foi bem recebido, o que refletiu nas vendas, sendo que rapidamente alcançou o topo nos charts da loja iTunes, desbancando estreias de grandes artistas como Mariah Carey, One Direction e Coldplay. A recepção da pré-venda do disco foi satisfatória, e todos os olhos se voltaram para a paulista de 29 anos, que surpreendeu com o seu segundo trabalho autoral, inclusive a Veja que a destacou juntamente com Paulo César Baruk.

    Vasculhamos a internet para saber o que estão dizendo sobre o assunto. Nós não defendemos nenhuma opinião publicada abaixo.


    Amanda DiasDeixemos de hipocrisia… Felizmente ‘alguns’ artistas cristãos têm se preocupado em fazer música de qualidade, e é por isso que estão aí [no topo dos charts]. Claro, Glória a Deus por isso, foi feito por intermédio da inspiração dada por Ele, mas convenhamos que #labassurionderrá ou #saborDeMel nunca estarão entre os 3 melhores no Itunes!

    (Amanda Dias, via Facebook)


    SamuelEstou curtindo o álbum da Dani homeopaticamente e, realmente, é difícil achar construções harmônicas tão complexas e bem trabalhadas no mercado brasileiro atual. O que se pode ver muito atualmente é o “oversinging”, uma produção artística massiva (tanto musical quanto de imagem) junto de uma pobreza lírica e musicalidade crua. Não é só porque é gospel, mas é porquê, além disso, é música de qualidade. Muito merecido e glória a Deus pela vida de vocês.

    (Samuel Gonçalves, via Facebook)


    Juliana gonçalves

    As letras penetram a alma e convertem os corações, pois é a palavra cantada. Estava na hora dos filhos de Deus serem vistos, porquê além de viver da música, vivem e trabalham arduamente pra levar o evangelho e com uma qualidade impecável.

    (Juliana Gonçalves, via Facebook)


    Felipe Dutra

    É muito difícil achar a melhor música desse CD, mas sem dúvidas “Imensurável” está entre as melhores!

    (Felipe Dutra, via Facebook)

     


    CarolEsse CD tá tão lindo, que dá vontade de chamar D-s pra sentar no sofá cmg, dividir o fone de ouvido e ficar abraçadinha com Ele dizendo que tudo o que estamos ouvindo é o que eu sempre quis dizer é não havia encontrado palavras até agora.

    (Caroll Lopez, via Facebook)

     

     


     

    MariliaEu ainda não tinha escutado Santo/Graça com calma, e agora que acabei de escutar, digito isso com o rosto todo molhado. Não imaginei que mexeria tanto comigo pensar naquelas crianças de condições tão precárias cantando que a Graça do Senhor basta. Penso em seus rostos cheios de verdade ao dizer algo tão forte, ainda mais se relacionado ao que elas vivem! Fico feliz por admirar tanto uma pessoa que é atuante nesse meio, não somente usa as vozes deles em um CD “qualquer”. […] Criador do Mundo tá inexplicável! Deus faz coisas lindas e usa as pessoas de forma inacreditável!

    (Marilia Monteiro, via Facebook)


    Nayara

    Conversei com muita gente que já ouviu [Santo / Graça] não gostaram tanto dessa musica. E essa é a musica que grudou igual chiclete na minha cabeça, é aquela musica que eu canto o dia todo. E quando eu lembro que foi um coral de crianças africanas que cantou, a sua pronuncia tão fofa e sua extrema afinação começo a sorrir em cada partezinha que canto a musica! Não digo que é a minha musica preferida, afinal, esta dificil escolher uma kkk, mas tenho certeza q é uma das mais ouvidas

    (Nayara Romero, via Facebook)



    Tatiana

    Só achei que em algumas canções os instrumentos ficam mais em evidência do que a voz da‪ Daniela Araújo. É um desperdício pois a voz dela é linda, as letras são incríveis de uma criatividade e tanto. A participação do Leonardo Gonçalves ficou demais.

    (Tatiana Firmino, via Facebook)


    E aí, o que vocês acharam do novo disco da Daniela Araújo? Em breve publicaremos a nossa resenha oficial sobre o trabalho.

    Para adquirir o CD, acesse a loja do iTunes (digital), Gospel Goods, Loja Adorando e Cristão Shop.

  • Entrevista: Os Arrais

    Eles foram os vencedores do nosso Top 10 de melhores discos de 2013, com o aclamado “Mais”. Analisamos minuciosamente o disco e demos nota 9 para o marcante e profundo CD que os lançaram ao mainstream. Deste então, chamaram a atenção de alguns com um grito silencioso. Perturbaram os mais céticos com uma tranquilidade sonora. Agora, a dupla André e Tiago Arrais nos concede uma entrevista exclusiva abordando os mais variáveis assuntos: o início, a carreira, fama, crítica, ensinamentos teológicos e projetos futuros. Acompanhe!

    arrais entrevista crítica

    OP: Como tudo começou? Conte-nos um pouco da história da dupla.

    Tudo começou da maneira mais natural possível. Eu (Tiago) comecei escrevendo músicas no período do segundo grau. Pouco tempo depois o André também começou a escrever músicas. As músicas eram simples, mas sinceras. Quando fui para o UNASP-EC no interior de São Paulo continuei escrevendo, e pouco tempo depois o André decidiu ir para a mesma instituição. E lá continuamos escrevendo, cantando aqui e ali, até que o dia chegou de tocarmos juntos. O André cantava as músicas dele, eu fazia vocal, eu tocava e cantava minhas músicas e o André fazia vocal. Quando eu fazia minhas visitas pastorais de estágio cantava para as pessoas em suas casas, hospitais, etc. Nossos amigos e colegas gostavam bastante de nossas músicas e desta maneira nos motivaram a gravar um CD com estas músicas. Pela providência Divina e com o apoio de muitos conseguimos gravar o primeiro CD chamado “Introdução” e este foi o começo de tudo.

    OP: O primeiro disco (Introdução), embora bastante poético, foi composto essencialmente por músicas mais diretas e pessoais com letras mais fáceis de serem assimiladas. O “Mais”, em contrapartida, é rebuscado, entretanto foi o trabalho que projetou vocês. Houve alguma surpresa, ou desde o inicio vocês tinham a ciência de que o “Mais” sendo profundo teria maior alcance? 

    Sem dúvida. O período entre o CD Mais e Introdução é de mais ou menos 5 anos. Houve bastante amadurecimento neste período. Muita água passou debaixo da ponte. Mas nunca imaginamos que o CD Mais chegaria aonde chegou. A princípio tínhamos o planos de lançar o CD de maneira independente. Mas pela providência Divina, Deus orquestrou algo diferente para o CD Mais que não poderíamos ter antecipado. Tivemos apoio de muitos amigos como o Léo (Leonardo Gonçalves), a Daniela Araújo, o Duca Tambasco e o pessoal do Oficina G3, fora o pessoal da Sony que nos deu um apoio muito grande par ao CD chegar aonde chegou. Nunca imaginávamos que o CD Mais chegaria ao 1o lugar no iTunes em pouco tempo, etc. Deus foi muito bom. Nosso objetivo desde o CD introdução era de ser fiéis ao nosso chamado de ensinar a Palavra através de música. Assim, sempre buscamos fazer o nosso melhor ao nos colocamos nas mãos de Deus. A glória é Dele. Nós somos vasos quebrados e imperfeitos, Ele é o tesouro. Mas sobre o alcance dos dois CDs, o engraçado é que esta semana o jogador Neymar postou a letra de uma de nossas músicas chamada “Cada Passo” do primeiro CD Introdução! Por mais que o CD Mais teve um alcance maior, Deus continua usando as músicas antigas para alcançar pessoas em todos os cantos com a Palavra.


    OP: O que atualmente vocês escutam e o que os incomodam na música cristã atual?

    O André e eu temos gostos muito semelhantes. Mas ouvimos de tudo. De músicas cristãs antigas americanas até Brahms. Dentre nossos favoritos estão Andrew Peterson, Andy Gullahorn (que produziu Mais conosco), The Brilliance, Sara Groves, e no cenário nacional Léo, Dani, Felipe Valente, Os Iglesias, e Fernando Queiroga estão entre os que mais admiramos (sem contar Stênio Marcius e outros gigantes da música cristã nacional).

    Sobre o que nos incomoda… pouco nos incomoda. Não estamos em posição de julgar ninguém. A pior coisa é julgar a intenção de alguém. Quando julgamos a intenção de alguém compor algo não damos o direito do outro se defender. Cada músico tem uma consciência, e um dia irão prestar contas diante do Eterno com relação a suas obras. Somente Deus sabe quais músicos estão fazendo um trabalho para glória pessoal e quais fazem um trabalho para Sua glória em favor do Reino. Podemos avaliar os frutos, mas nunca iremos saber o que agrada ou desagrada a Deus. Assim, pouco nos incomoda. Gostaríamos que certas coisas fossem diferentes, mas cada um diante de si e da missão que lhes foi dada.


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    OP: Podemos dizer que a mensagem dita em suas canções não tem exatamente o mesmo apelo popular como as músicas mais conhecidas do meio gospel. Se for comparar, a ótica é meio torta. Para que as pessoas entendam pra onde a roda gira, expliquem melhor a visão que vocês têm do evangelho e a mensagem que querem passar. Há algum ensinamento especifico da bíblia que é pouco explanado na música contemporânea que vocês tendem a defender? 

    Boa pergunta. Nossa perspectiva sobre o evangelho e a mensagem que queremos passar é a perspectiva de Cristo. A bíblia diz em João 8:31 “se permanecerdes em minha Palavra verdadeiramente sereis meus discípulos…” Uma coisa é cantar músicas com linguagem Bíblica. Outra coisa é escrever e cantar músicas com a sabedoria que a Bíblia oferece. É muito fácil sentar e escrever uma música que fala informações sobre Deus. Difícil é escrever algo que parte de uma experiência real com Cristo através da Palavra, especialmente no contexto de sofrimento. Uma música que tenha raiz em uma realidade concreta. Meu irmão e eu temos apenas um ministério: o ministério da Palavra. A música faz parte deste ministério de ensinar a Palavra, mas tanto o André como eu estamos em uma universidade nos EUA cursando mestrado e doutorado em teologia porque a música é só parte do ministério, a música é a porta de entrada… existe muito mais na Palavra do que uma música pode abraçar. Assim, como a missão de Cristo era fazer discípulos que continuassem a obra Dele nesta terra até o Seu retorno, e como discipulado está diretamente ligado a “permanecer na Palavra” nós usamos nossas músicas para mostrar a beleza, a profundidade, e o poder que a Palavra têm de nos fazer “mais” do que nós seriamos sem Cristo.

    Sobre defender algum ensinamento… a Bíblia não precisa de defesa. Ela é o que é. Para nós, e para Paulo “é o poder de Deus para salvação daquele que crê” (Romanos 1:16). O problema é que hoje em dia nós entendemos o valor do texto Bíblico para espiritualidade, mas a Bíblia não nos fascina, não nos desfaz, não nos comove. Nosso trabalho é usar a música para ser um tira-gosto daquilo que a Bíblia oferece, assim, se você gosta das nossas músicas, espere para ver o que a Palavra tem para oferecer!


    OP: Vocês dois, além de músicos, são profundos estudiosos da Bíblia e Teologia (Tiago faz doutorado em Antigo Testamento e Filosofia Cristã; André é mestrando em Divindade). Qual a importância desse estudo e como isso reflete na música que fazem?

    Extremamente importante e faz toda a diferença na nossa música. Nós temos o privilégio de estudar a Palavra por 6-8 horas por dia na universidade (e as vezes mais!). Estamos imersos num ambiente acadêmico onde muitos tem esta mesma experiência que nós estamos tendo. E é como diz o ditado, nós somos o que somos mais o nosso ambiente. Ter passado estes anos aqui tem mudado nossa perspectiva sobre muitas coisas, mas a principal delas é a importância da educação. Educação segue os mesmos parâmetros da Redenção que Cristo oferece. Se não fosse assim, porque é tão importante “conhecer” a Cristo de acordo com a Palavra? Pense no texto de João 17:3 – “esta é a vida eterna, que conheçam a Ti.” Nossa vida eterna, nossa salvação em Cristo está diretamente relacionada ao conhecimento de Deus. Conhecimento que nunca tem fim! É permanecendo na Palavra que somos transformados e de acordo com João 8 é somente assim que encontramos verdadeira “liberdade.” Assim, o estudo da Palavra afeta diretamente quem somos em primeiro lugar. Mesmo sem estas músicas, a Palavra tem um papel central na nossa vida. Nossas músicas são apenas um pequeno reflexo daquilo que Deus está fazendo em nós, e daquilo que Deus está disposto a fazer em qualquer um que estiver disposto a ouvir Sua voz através da Palavra. Nossos próximos CDs por este mesmo motivo serão ainda mais Bíblicos, Pentateuco primeiro, Salmos em segundo, e iremos tentar cobrir a Bíblia, cantando e escrevendo sobre as experiência de nossos antepassados na fé! Para que desta forma possamos receber nova motivação para permanecer na jornada, e para que possamos continuar aprendendo do amor e da graça de Deus estendida a todos nós através da revelação da Palavra.


    OP: A respeito dos próximos trabalhos, vocês adiantaram nas redes sociais que já estão com dois projetos finalizados: O “Torah” e o EP “Salmos”. Poderiam nos adiantar alguma informação a mais sobre a sonoridade e previsão de lançamento?

    Sonoridade de agora em diante não irá ser diferente do CD Mais, poucas diferenças. Queremos manter a mesma produção pois esta é a maneira que tocamos nossas músicas. Sobre previsão e lançamento não temos idéia ainda. Só iremos entrar em estúdio quando tivermos os fundos para pagar o projeto por completo. Até lá é esperar e confiar que se for da vontade de Deus tudo irá acontecer naturalmente. Iremos fazer nossa parte, e o resto, Deus no controle.


    OP: Criticas sempre existirão. Esbarrando no maior entrave da dupla, acredito que o folk (estilo de maior predominância em seus trabalhos) veio gerando algumas críticas como “músicas que dão sono” (afirmativa já mencionada por vocês). Isso é algo que – na pior das hipóteses – permeou ou pode afetar e mudar a regência de futuros álbuns? 

    Não nos afeta nem 1%. E nada irá mudar. Nós escrevemos as músicas da maneira que escrevemos. Umas são mais animadas, outras são menos. Tudo depende do que queremos comunicar, do que a letra diz. Nem todos entendem esta relação de música (forma) e letra (conteúdo), e não esperamos que todos entendam também. E no final das contas, dormir faz bem, se nossas músicas ajudam, ótimo! rs.


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    OP: Na música “Oração”, vocês referem à grandeza de Deus em relação à finitude humana (“que o meu nome morra com meu corpo e o de Cristo permaneça em tudo”). Qual a relação de vocês com a fama? São contrários a ela por achar errado, ou consideram como inevitável para quem consegue destaque com o trabalho? 

    A fama não é um problema em si. O problema é o ser humano. Os construtores da torre de babel em Gênesis 11 buscavam um “nome,” um tipo de “fama” egoísta, voltada para o “eu,” para as obras como um fim em si mesmo. Logo em seguida no capítulo 12 de Gênesis Deus chama Abraão e diz que irá dar a ele um “nome,” um tipo de “fama” diferente, uma “fama” em serviço de muitos, uma “fama” que termina glorificando a Deus e não as obras do homem. Nunca buscamos o primeiro tipo de fama. A fama egoísta, que busca aplauso de homens nas custas do favor de Deus. Como disse antes, meu irmão e eu cantávamos nossas músicas em visitas pastorais, em casas, em barracos, mansões, em hospitais, em asilos. Isto nos dava e ainda nos dá muita alegria. Pois a música tem esta função de alcançar as pessoas onde elas estão, e quando podemos orar pelas pessoas, falar para elas da Palavra e não somente cantar, o trabalho é ainda mais completo e profundo. Desta maneira, se esquecerem de nós amanhã, para nós, nada irá mudar, iremos continuar fazendo aquilo que sempre nos deu alegria: ensinar a Palavra de diversas maneiras, para poucos ou para muitos. Recebemos muitos emails com convites para cantar em diversos locais. As vezes estes emails contém informações como: “3 mil pessoas estarão no evento…” e muitas vezes nem respondemos. Não estamos atrás de fama, atrás de multidões, mas atrás de fazer a vontade de Deus, para 1 ou para 10 mil com a mesma intensidade e devoção. E foi por isso que escrevemos: que nosso nome morra com nosso corpo e que o de Cristo permaneça em tudo. Se no final de nossos dias as pessoas lembrarem mais de nós, e menos do Cristo do qual falamos, cantamos, e servimos, teremos falhado. A fama que queremos é aquela fama que traz glória a Deus. Se é plano de Deus que nossas músicas se espalhem pelo Brasil todo gerando uma certa “fama” que assim seja, mas nosso ministério, nossa vida e existência não dependem disso. Ele sabe. E é por isso que de alguma maneira Ele honrou nossa disposição de usar nossos dons para minoria nos dando oportunidades de cantar para uma maioria que não nos conhecia. A fama que queremos é a fama diante Dele, uma fama onde nós desaparecemos, e Cristo permanece em tudo. Uma fama que no serviço faz o homem desaparecer para que a glória Dele seja manifesta. João Batista estava certo: “importa que Ele cresça e eu diminua…” (João 3:30). Perfeito exemplo a ser seguido!


    OP: Residindo nos Estados Unidos, pretendem iniciar um ministério ou projeto voltado especificamente no idioma inglês? 

    Quem dera! Temos algumas músicas em inglês, mas infelizmente todos os fundos que temos e recebemos dedicamos para os projetos brasileiros em português. Nossa vida aqui nos EUA é passageira. Se um dia retornarmos para cá, iremos pensar mais uma vez nesta possibilidade, mas no momento nosso foco é no Brasil.


    OP: Como vocês veem o futuro da dupla? Mesmo sendo matéria de competência Divina, se vocês pudessem escolher e trabalhar nisto, como vocês – enquanto músicos – se enxergam no futuro? Considerando o momento que decidiram fazer música profissionalmente, vocês já atingiram o que sonhavam? Ultrapassaram? Ou ainda não alcançaram? 

    Há sempre mais. Enquanto Deus nos der melodias iremos compor pois isto é natural para nós. É uma maneira de sintetizar teologia para que ela seja comunicada de uma forma mais simples e bela, através de arte. Mas sobre o futuro nosso plano é continuar nos colocando nas mãos de Deus como temos feito até aqui. Iremos continuar escrevendo músicas e é Ele quem decide aonde estas músicas irão chegar. Assim, com ou sem CD, com ou sem fama, iremos continuar nesta trilha. Nosso sonho é cobrir toda a Bíblia na forma de música. De Gênesis até Apocalipse, para que as pessoas tenham um desejo renovado de estudar estes livros cheio de beleza e poesia, livros que contam a história da humanidade na vida de pessoas que como nós viveram alegrias e tristezas, desafios e incertezas, que lutaram com o “eu” ao aprenderem a confiar num Deus que muitas vezes nem podiam ver. Desta maneira, sempre existe mais para ser feito, mais para ser escrito. Mas nos colocamos nas mãos de Deus, nós somos apenas instrumentos, ele é o Músico, o Regente.

  • Análise: CD Mais – Os Arrais

    Não são equívocos de julgamento da minha parte, ou uma necessidade de constar, mas é triste ver que o mercado gospel veio adotando uma filosofia corporativista bem bonita, e que virou um lamação de artistas mascarados. Que cantam por conveniência, que se agarraram a louvores com sentenças vazias e que gostam de chamar atenção da mídia com essa dubiedade, girando sem sair do lugar. O que me faz frear com relação a essas pessoas, é que elas têm essa necessidade de vender algo que não conseguem passar com sinceridade, ou demonstrar o próprio domínio de seu trabalho. Com “feições” exageradas, introjetam muita teologia rasa em suas músicas, formada para adequar ao que outros acreditam ser um genuíno “artista” gospel (um asco).

    Mas como existe justiça divina pra nos mostrar que nem tudo está perdido, eis que surge Os Arrais, com osegundo trabalho autoral dos irmãos André e Tiago Arrais, lançado pela Sony Music, intitulado “Mais”.Com um repertório de dez faixas, o álbum foi produzido em Nashville, TN, nos EUA pelo cantor e compositor Andy Gullahorn, contando com participação de excelentes músicos como Stephen Mason, Jeff Taylor, dentre outros. As canções apresentam forte acompanhamento de violão e cordas (Faixa “21”), canção na forma ternária (“Oração”, “Mais”), quaternária (“Herança”), com predominância de violões, cajóns e leves arranjos de cordas (faixa “Esperança”, “17 de Janeiro”). As músicas “Não fale” e “A Voz” contam com a participação de Daniela Araújo, que alternam entre melodia e dueto, com forte presença de guitarra, contendo também violino.

    Letras com poética incrível, extremamente articuladas, metáforas brilhantes e devaneios líricos suficientes para mandar um movimento retomar as suas raízes, sem soar orgânico. Nas canções, a poesia não é um despropósito, como na faixa “A Voz” que nos faz perceber que o reino não é o que nós esperávamos – aquela intervenção deslumbrante e dramática de uma glória irresistível, e sim “a voz que fala ao coração”. Inclusive, apesar das canções terem tratado da temática de que somos “mais” em Cristo (Romanos 8:37), de uma forma bem sutil eu percebo que, aparentemente as faixas do álbum remetem a uma vida peregrina cristã, baseada no livro de Hebreus 11:13,14:

    • “Que o caminho será escuro” (17 de Janeiro);
    • “E eu quis morrer na batalha ao lutar pelo reino até o fim. Mas fui convocado a cantar das vitórias e guerras que nunca vi. Me reduziria ao pó de onde vim” (Rojões);
    • “Em oração eu trilho o caminho que Jesus abriu […] E pela fé caminho até avistar o autor da minha fé” (Oração);
    • “Te sigo aonde for  […] Eu fui encontrado” (Mais);
    • “Como um refugiado deixando seu país, fugindo pela noite” (Esperança);
    • “Em terras longínquas e mares distantes, a luz ressurgirá” (A voz).

    Expondo nas músicas um peregrino que não se satisfaz com nada menos do que Deus, que não se desvia do alvo, e se torna aquilo que quer alcançar, orando constantemente, numa jornada em direção ao céu. Até as referências aqui tornam um gancho empolgante, como por exemplo, na última faixa do disco “Saudade”, que na verdade é um hino da Harpa Cristã, “O Exilado”, do autor H. Maxwell Wright. Ao leve som dos violões, que tem marcado a sonoridade do CD inteiro, aborda as lutas de uma vida peregrina, que caminha para uma nova vida, apresentando um contraponto entre as vozes (quando outra voz canta se opondo a uma voz principal), sendo o que há de mais diferente em todo trabalho.

    “Os Arrais” resolveram reciclar uma nova vertente nas suas composições, e acabaram sucumbindo o mau gosto das sentenças vazias que vieram transbordando no mercado gospel atual. O álbum, lançado no mês de maio, rapidamente alcançou o topo no chart de álbuns mais vendidos no Brasil, da loja iTunes, liderando em menos de 24 horas após o lançamento. É satisfatório, pois não são vendas cegas. Estão nadando contra a corrente e não usando a mesma fórmula de seus contemporâneos. Que não cai nos ares do pedantismo. Que está sendo construído mais ‘’passo a passo’’ do que na vontade de “quanto mais rápido melhor”. No disco, se percebe que existe uma maturação para as composições. É de fácil apreço.

    Não nos percamos em teologizações abstratas, em filosofias vagas ou em jargões falsamente piedosos, que nos granjeia, comparativamente, poucos benefícios. “Os Arrais” chegaram impulsionando um novo conceito de música evangélica, ou repaginando aquilo que deveria ser feito desde o começo: ligado inteira e exclusivamente às Escrituras. Pode parecer pretensioso, mas “graças a Deus por ‘Arrais’”, era o que eu pensava enquanto escutava pela primeira vez o CD.

    Para adquirir o disco no iTunes Store Brasil, clique aqui.
    Para adquirir em outras lojas, acesse: Saraiva, Lojas Americanas

    Colaboração (extraordinária): Renam Pablo

  • Aline Barros entra no ranking de maior popularidade musical do planeta

    A Billboard Social 50 é um chart exclusivo da revista Billboard (sede nos Estados Unidos) que classifica a popularidade dos artistas musicais na internet e se baseia coletivamente sobre a popularidade semanal de cada artista, fãs e seguidores, juntamente com visitas ao seu site oficial e aos seus vídeos. O chat coleta dados do YouTube, Vevo, Facebook, Twitter, MySpace, iLike, SoundCloud, Instagram e visualizações de páginas da Wikipédia.

    Nesta semana, o gospel Brasileiro foi representado pela primeira vez no ranking, e quem cumpriu esse papel foi a cantora ALINE BARROS, estreando na posição #32

    1. Miley Cyrus (=)
    2. Katy Perry (+1)
    3. Eminem (+9)
    4. Ariana Grande (+4)
    5. Nicki Minaj (+10)
    6. Britney Spears (-4)
    7. Demi Lovato (-1)
    8. Bruno Mars (-1)
    9. Rihanna (-4)
    10. Justin Timberlake (+1)
    .
    32. Aline Barros

    Isto significa que, nesta semana, Aline Barros foi mais procurada, acessada, ouvida e vista ao redor do mundo, mais que os artistas seculares e mundialmente conhecidos, como Ke$ha, Linkin Park, Shakira, Madonna, Celine Dion entre outros. Resta saber se na próxima semana ela se manterá no chart.

    Atualmente, a cantora ainda está colhendo os frutos do seu recente trabalho “Extraordinário Amor de Deus” lançado em 2011, e já começou a frequentar os estúdios  e elaborar os preparativos para gravar o seu novo CD intitulado “Graça”, com previsão para lançamento neste mês de Novembro.

    Para conferir o chart completo, clique aqui

  • Confira a prévia do DVD Tu Reinas do Diante do Trono

    Em seu canal oficial do Youtube, o Ministério de Louvor Diante do Trono liberou um teaser de seu novo trabalho “Tu Reinas”, gravado em Juazeiro do Norte no dia 6 de Julho, contando com a participação especial de Juliano Son, Mariana Valadão, André Valadão, e 50 mil adoradores que se reuniram naquela noite.

    Para ler a nossa cobertura da gravação, clique aqui 

    O CD e DVD ainda não tem data para lançamento.

    Confira o teaser do DVD:

    Ansiosos?

  • Análise: CD Esperança – Diante do Trono

    “Quando estou pronto a desistir, pensando que cheguei ao fim, a tua mão me sustenta, e a tua voz me orienta” – Faixa “Meu Filho Não Temas

    O Ministério de Louvor Diante do Trono, em 2004, gravou na cidade de Salvador, o seu 7º disco ao vivo, intitulado “Esperança”. Partindo do principio em esperar e confiar no Senhor, quando as circunstancias são contrarias as nossas vontades e planos, quando nada nos resta além do medo e incertezas. A mensagem crucial do disco está na perseverança em acreditar no Deus Soberano e em suas promessas.

    “Eu prefiro estar num deserto e ter o Senhor bem por perto” (Faixa “Tua Presença“)

    Entretanto, o CD não se refere somente à “esperança” propriamente dita (o que teria um menor grau de ressonância). Ele nos remete a um lugar abrasador, de secura e também de refúgio: O deserto, a grande metáfora da vida cristã. Há momentos em que Deus nos conduz a esse lugar para nos fazer enxergar e nos provar. Para que não haja divisões, concessões ou retenções em seu reino, e nos trazer a memória de sua grandeza e glória e da total dependência que devemos ter Nele.

    Todos conhecem a história dos israelitas que sofriam nas mãos dos egípcios, até que o Senhor, com toda a sua misericórdia, os livrou, guiando-os pelo deserto, conforme descrito em Êxodo.  No livro Deuteronômio, Moises fez um discurso, comparando o cuidado que Deus teve com os israelitas no trajeto do deserto, como um pai que carrega o seu filho.

     “Quando tua presença vem, tudo se transforma” (Faixa “Quando a tempestade vem“)

    Já no capítulo 2 do livro de Oséias, Deus (alternando entre advertência e restauração) conclama para que Israel voltasse a Ele. O Senhor voltaria a tirá-los do “Egito” (assim como descrito em Êxodo) e colocaria em um novo deserto, onde iria guiá-los e restaurar plenamente. Mas dessa vez (ao menos no livro de Oséias) o Egito, representa o pecado. E o deserto, um lugar de simplicidade, libertação, prova e benção.

    Nesse deserto, o Senhor colocou obstáculos e dificuldades nos caminhos dos israelitas, mas não foi algo que desse lugar ao desânimo, à derrota e à frustração. O objetivo não foi para os fazerem parar e desistir da caminhada, mas sim, para que aprendessem que o melhor mesmo é voltarem a Deus, e estar junto a Ele e à sua misericórdia, do que permanecer nas amarguras do pecado.

    “E eu pude ver em meio à escuridão, tua presença, tua fidelidade, graça e amor […] Se é na fraqueza do meu ser, que manifestas teu poder, eis-me aqui!” (Faixa “Eis-me aqui“)

    E é assim nos dias de hoje.  O “deserto” mencionado diversas vezes na bíblia se tornou também um lugar de amadurecimento na fé. Por sermos pessoas fracas, com justificativas fáceis para nosso comportamento pecaminoso, somos mais uma vez informados no deserto, na língua inconfundível do amor, que Deus está conosco e que Ele é por nós. No deserto há superação de mágoas e ressentimentos, abandono de hostilidades justificáveis e lembranças amargosas. Esquecemos a manipulação, as manobras para ficarmos no poder, as “panelinhas” e a preocupação com nós mesmos.

     “Quando estou só e o choro parece querer chegar. E um sentimento de temor…” (Faixa “Esperança“)

    E estar no deserto, além de todos esses benefícios, nos traz a oportunidade de estar sozinho, mas com Deus. Processo chamado de “solitude”. Muitos conhecem o estado da solidão, que é uma dimensão meramente humana, embora em si mesmo não tenha algum significado. Mas na solitude, mesmo estando sozinho, encontramos simplesmente junto com Deus, em Cristo. Um comprometimento existencial em uma relação estreita com a qualidade da nossa fé, além de ser a principal condição para estar presente com Deus. Nas passagens de Mateus 14, Marcos 1, e Lucas 4, é descrita a solitude que Jesus enfrentou em alguns momentos, parar orar e lidar com sua dor pessoal, tendo um único recurso que era seu coração solitário.

     “Tua Presença faz toda a diferença. Tua presença transforma o meu deserto, em um jardim secreto. Lugar de intimidade Contigo”. (Faixa “Tua Presença“)

    Do inicio ao fim, o CD menciona o poder de uma Presença, a forte atração de uma Pessoa, o encanto irresistível de Jesus Cristo.  O disco não nos conduz a buscar dom de línguas, de cura, de profecia ou uma grande experiência religiosa e vitoriosa. Mas sim, de compreender de forma segura a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo e o seu cuidado por nós.

    Suas canções tende a nos fazer reconhecer o valor de simplesmente se deixar ficar com Deus quando estivermos no deserto, na sua qualidade e soberania, sem nada mais a fazer, e que nesta condição, nada mais importa. Nem o lugar, nem o que está do lado de fora.  Não podemos deixar de manter contato com Cristo, passar um tempo a sós com Deus, qualquer que seja a solidão, a aridez, ou a desolação em que se esteja passando. Pois, não há nada de mais valor para Deus do que a nossa adoração em tempos de sequidão. Temos muita coisa para aprender e absorver na aridez do deserto, desde que estejamos com o Senhor. O esforço humano é como nada, se for comparado ao plano inexorável de Deus, onde quer que estejamos.

  • Análise: CD Quebrantado Coração – Fernanda Brum

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.


    Qual é o órgão mais importante do corpo humano? Certa vez Hipócrates (grande médico e figura importante na história da saúde) disse: “Os homens devem saber que do cérebro, e só do cérebro, derivam prazer, alegria, riso e divertimento, assim como tristeza, pena, dor e medo”. De fato, o cérebro é o centro diretor de toda a atividade humana, mas na bíblia, o coração é descrito como esse centro que envolve todo o nosso intelecto e emoção, e a sua conotação ao ser sempre ligado a nobres sentimentos, não é por menos: ele tem uma grande importância para nós.

    Em 2002, Fernanda Brum juntamente com Emerson Pinheiro, resolveram pulsar e discorrer sobre a maior fonte dos desejos e das decisões – de acordo com a Bíblia – no CD Quebrantado Coração – que em 2013 recebeu disco de platina pelas 350 mil cópias vendidas.

    O disco segue fielmente as escrituras bíblicas, colocando o “coração” como o centro das emoções e da vontade humana. Salomão, no livro de Provérbios o descreveu como “dele procedem as saídas da vida”. Biblicamente, em 13 canções, com destreza de palavras e agilidade no raciocínio, o disco enumera as principais funções de atividades do coração que ocorrem na vontade humana, contrariando Hipócrates.

     “Amo o Senhor, meu Salvador, anelo tê-lo bem junto a mim”

    Iniciando com “Amo Senhor, que nos traz referências de um coração amoroso. No livro de Deuteronômio, em que Moisés exorta a Israel que Deus anela comunhão com o seu povo e lhe dá o único e indispensável mandamento que é: “Amarás, pois o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma”. Em seguida, temos a canção-tema “Um Quebrantado coração”, que nos leva a uma passagem de Isaías mencionando um coração avivado e ardente pela palavra do Senhor. Para os humildes e arrependidos, Deus tinha uma promessa magnífica: Mesmo morando no Alto e sublime trono, ele habitaria com os “contritos e abatidos de espírito”, referindo-se aos quebrantados de coração, para vivificar-lhes o espírito, dar um novo vigor e um consolo de sua presença.

     “Não faz mal, eu sei que a dor no peito cega a gente […] Tudo bem, eu sei em quem tenho crido”

    Um coração angustiado, perturbado, pesaroso, que clama por paz e conforto são descrito nas faixas “Ele é Por Mim, Marcas” e “Lembranças de Jesus. Uma vida cheia de inquietação é resultado de perseguição, injustiça, tristeza e mágoas de acordo com Jó no capítulo 14. No livro de Jeremias, em determinado momento ele sentiu a agonia que Deus sentia por Judá, e pela desolação que sofreriam, e sentiu essa agonia aonde? “Estou ferido no meu coração!”. Paulo, no livro de Romanos, por causa da incredulidade de Israel, afirmou ter “grande tristeza e contínua dor no coração”. Mas em todos os momentos, sabemos quem é por nós e quem nunca nos desampara. Deus anseia que todos os seus filhos que sofrem saibam que a vitória está perto. O dia em que Ele estará junto aos seus, na glória, para sempre. Pois as aflições deste tempo presente não se comparam com a glória que nos será revelada (Rm 8:18).

     “Adorar a Deus, vai além das emoções. É o Santo Espírito tocando e transformando os corações”

    As canções “Vaso de Alabastro”, “Tempo de Crescer” e “Espírito Santo” intensificam e fortalece o preceito do disco, nos apresentando um coração de adorador. Que se regozija em Deus, e não se limita em palavras. A adoração tem que ser precisa e autêntica, quando o Espírito Santo intervém e responde a Deus. Enquanto o homem apenas vê a aparência, quando adoramos ao Senhor em espírito e em verdade, Ele vai além de nossas palavras e emoções para reparar na postura de nosso coração. Precisamos nos apresentar perante a Deus como servos que conferem as coisas, meditam e oram no coração. Davi, no livro de Salmos, ressalta que a única maneira de reconhecermos a obra da salvação, é “orando para que Deus mantenha nosso coração, palavras e vida livres de pecados e agradáveis a Ele.” A nossa reflexão deve ser aceitável diante de Deus

     “Se tua vida está em Cristo, o mal não pode te tocar […] Ninguém jamais vai me deter”

    De acordo com a bíblia, no coração os humanos sabem coisas, oram, pensam e também maquinam males, como é decorrida na faixa “A Palavra Tem poder”. Mas o salmista Davi no capítulo 27 pediu para que animássemos no Senhor, que assim, Ele fortaleceria o nosso coração, dando-nos um coração corajoso e alegre. As canções “Ninguém Vai me Deter” e “Canaã” com um refrão instantaneamente identificável e feito para cantar junto, retrata esse coração. Paulo no livro de Efésios escreveu que o cântico espiritual é uma expressão de alegria, e que cantar hinos e louvores é uma edificação, graças e oração de um coração disposto e alegre.

     “Volta pra casa. Volta pra igreja. Rasga do peito a vergonha e a dor”

    A música “O Amor que cura” nos remete ao caráter da natureza do coração distante de Deus, arrependido e humilde. No livro de Mateus, Jesus expôs a gravidade do pecado no coração, quando se arrefece, e o único jeito que Ele achou para o coração pecaminoso é a regeneração. Um coração regenerado, que se arrepende dos seus pecados, volta-se para Deus, e pela fé aceita a Jesus como seu Salvador. A regeneração está ligada ao coração, pois, de acordo com o livro de Romanos, “aquele que de todo coração se arrepende e confessa que Jesus é Senhor, nasce de novo, e recebe da parte de Deus um novo coração”. Isso resume toda a lei de Deus.

    “Não espero perfeição, quero o teu amor. Não abro mão de você”

    Por fim, a última faixa “Você Merece” retrata o coração apaixonado, responsável pelo fenômeno neurobiológico que envolve duas pessoas em apenas um laço, que unidos, inunda o cérebro de amor. No livro de Cantares, há uma passagem a respeito do amor inalterável do esposo para com a esposa, em que na espécie humana, não há nada que seja mais poderoso e bonito do que o amor mútuo entre um homem e uma mulher, desde que, na união, estejam realmente comprometidos um com o outro.

    Fugindo de visões deturpadas e unidirecionais, o CD se tornou uma jóia melódica peculiar e inteligente, justamente por trazer todas essas referências de “coração” disposto na Bíblia e imprimir cada aspecto em diferentes canções. Todo o disco se torna uma oração para que possamos seguir a Deus e conhecer os seus caminhos, sem nos desviarmos dele. E se isso acontecer, que tenhamos capacidade para reavaliar nossas prioridades e orarmos por uma renovação genuína de amor e compromisso ao Senhor, com toda diligência. Que possamos ter sempre – independente do que Hipócrates diz – um coração quebrantado.