Autor: Rodrigo Berto

  • Análise: CD Por Amor de Ti, oh Brasil – Diante do Trono

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Julho de 2006, a cidade de Belém recebia o tradicional ministério de louvor Diante do Trono, para a gravação do seu 9º trabalho intitulado de Por Amor de Ti, oh Brasil, fazendo uma profunda referência ao livro de Isaías. Ganhou uma densidade profética, dando continuidade ao seu antecessor Ainda Existe uma Cruz.

    O ouro da gravação está nos espontâneos. Eles despedaçam a nossa nação, e recriam uma fortaleza. A política é explicada com maior proximidade, ao mesmo tempo em que começam a apresentar a cadência que vai do começo dramático até a função política/social e o final, ganha destaque de qualquer ato que fez em CDs anteriores. Ao assistir o trabalho – por completo -, você se compadece e ganha resposta sobre o porquê da criação, do lugar onde você nasce, cresce, aprende e da sociedade que você é criado. Então quando menos percebe, já está enraizado. Tecendo juntamente com as canções, vira um emaranhado de diálogos em que eles conseguem manter bem e dá até certo foco.

    A inclinação a aceitação é considerável, e no fim se percebe que desde o inicio o intuito era esse: não se calar. E é o Senhor quem não cala, não descansa, e não se rende. O objetivo era escancarar a situação buscando por justiça, mas não nós por nós mesmos, porque a nação (igreja), assim como Sião no texto bíblico, estava em ruínas. Nós somos os abatidos, afligidos e quebrantados a quem o livro de Isaías se refere. E então, por um clamor de Isaías, o Senhor propôs reedificar essas ruínas, a curar e perdoar, por amor… a nós!

    Ao contrário do que muitos pensam, não é um disco missionário. Não tem a ver com o dever do cristão. Não é um bê-a-bá como o CD anterior, nem tiveram que reler uma cartilha. Trata-se da amplitude para aqueles que aceitam a causa, mas nem sempre são combatentes. Uma tarefa muito árdua, para se pregar, destinada ao fracasso já na concepção de alguns evangélicos e fãs do grupo, certamente porque não é comercial.

    Mas (afastado de qualquer menção pública) como podemos ignorar as boas novas de redenção que o Senhor nos trás, com esse álbum que mostra e nos conforta que o Senhor nos enamora, e que as suas chagas nos falam de amor?! Foi unicamente por amor. A restauração de nossa igreja e nação, os guardas em nossos muros, é só pelo motivo de que Ele quer encontrar um deleite em nós, e para isso é preciso que Ele remova os escombros e sujeiras de nossos corações.

    Em julho de 2013, em meio a tantas manifestações que tivemos, e gritos para uma nova construção do nosso país, a nossa batalha, como cristãos, deve ser feita internamente, como o Senhor nos orientou: Orando. Buscando a Ele para que sare a nossa Terra, e nos ponha com um objetivo.  Devemos ir às ruas? Claro. Usando a mesma referência que o disco nos dá, no livro de Isaías podemos ver que uma das preocupações básicas do profeta é a corrupção moral que existia no Reino do Sul, em Judá. No paralelo dessa passagem do livro de Isaías, temos também o livro de Amós, em que ele também anuncia a opressão do invasor, a respeito da corrupção generalizada. Não se pode acomodar diante de tantas atrocidades, tem que haver protestos para que algo mude, mas é importante salientar que A JUSTIÇA SOMENTE VEM DE DEUS. Em Isaías Ele declara: “Eu tomo vingança de ti: Ninguém se oporá a isto.” Ele nos fará lidar com todas as dificuldades que teremos que lidar, enquanto percorremos esse caminho penoso, como nação, em busca de melhorias, para que no fim possamos ouvir o Senhor dizer que a nossa justiça brilhará.

    Obstáculo por obstáculo, Ana Paula veio desenhando e compondo o sermão a partir de 2005, e o resultado foi satisfatório, porque a mensagem dada surtiu efeito. Nessa linha de meio-tempo, o DT preparou o terreno de vestes de louvor ao invés de espírito angustiado, aonde às vezes não importa o que foi dito ou feito, mas se repercutiu para levar ao ouvido da maioria de pessoas sobre a verdade, não sobre a necessidade. O suor daqueles que renunciaram e perceberam que ainda existia uma cruz, se torna em coroa de glória, pois o Senhor quer os fazer ser um objeto de louvor na Terra. É por isso que há a necessidade de não se calar.

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    “Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa.” Isaías 62:1″
  • Análise: CD A Canção do Amor – Diante do Trono

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Sempre ouço discos buscando me apoiar em um novo alicerce. Claro que aceito o propósito original do artista e o teor da mensagem, mas eu, contornado pela decisão de suspender um pouco a lógica e encarar uma nova faceta para a interpretação da música, busco tirar do obscurantismo as milhares de interpretações que se pode ter na música e sua composição, além daquela que o “artista” nos dá. Quando escuto qualquer álbum, atribuo um novo valor, e destrincho ponto-por-ponto aquilo que não está ao olho nu. Não avalio voz, instrumentalidade, solos, arranjos. Enxergo cacos, e alguns cacos bem colocados só ajudam. Esta é a nova coluna do O Propagador: Destrinchando.

    Em especial, vou falar sobre o CD A Canção do Amor. O 11º trabalho do Diante do Trono que aborda de forma muito mais explícita, aquilo que o 6º disco, Quero Me Apaixonar, visto na sua formula mais básica, nos trouxe.

    “Leva me ao lugar de te amar”

    O foco principal ali e que todos percebem, ouvem, absorvem, disposto por todo o trabalho, é a renovação do amor ao Senhor Jesus. É o que vem do “baque”, a primeira coisa que se percebe. Quando, no decorrer das canções, se aumenta a martelada com placas de amor e aceitação. Uma dose tripla de afronta a integridade, que o ministério deveria ser indicado não pela qualidade, mas, pela relevância. Inundados de sensatez, levanta prontamente mais questionamentos do que réplicas. Entra em uma montanha russa de questionamentos e sentimentos para os falhos e perdidos.

    “Veste-te de força […] Desperta, sacode o pó, levanta e toma o teu lugar”

    E a partir desse principio, esmiucei o disco por inteiro, nas repetidas ouvidas e “safe play” pra ver se achava pra mim uma razão além da mensagem principal. E achei. Apreciei no CD, o livro de Esdras. Esse livro foi escrito para comprovar a providência, onipotência e fidelidade de Deus, que pregava um avivamento espiritual na adoração ao Senhor, no apego à palavra divina e na compunção por causa da infidelidade do povo a Deus. Em dado momento, ele pede para o que todos os ministros devam sentir ao verem o povo de Deus conformar-se com costumes ímpios. Ele ficou envergonhado e entristecido por causa do pecado e erros do povo. Ele não pôde aceitar, e sendo assim, identificou-se com aqueles por quem ele orava (nas expressões “nossas iniquidades”, “nossas culpas”). Esdras sentia a culpa da nação. Sabia que a graça de Deus demonstrava para o povo que retornava, reavivando a sua esperança e visão! Ele se doou ao serviço de Deus com coração disposto. Mas, um coração disposto precisa ser sobreposto com toda reverência e respeito por Deus.

    “Eu não quero estar aqui por obrigação. Eu só quero estar aqui porque te amo”

    O disco nos mostra que não devemos estar servindo por obrigação. Interessante ver uma compilação de pessoas (ali mesmo, no Diante do Trono) que ativamente demonstram ser aliados, fiéis ao compromisso. Não estavam displicentes, eram apenas militantes da causa. Todos atribuídos a um único lugar de reclusão, para algumas coisas serem modificadas ou certos caminhos serem escolhidos, de forma que isso não atrapalhe a condução de suas últimas historias e gravações. Faz a gente tomar tento de que o buraco é maior, e que não é embaixo… é no meio. Pois quando você reúne culpas num lugar onde deveria corrigir, você apenas amplia a capacidade de gente culpada.

    “Só quero ter a Cristo, e ser achada n’Ele”

    Mas a blogosfera e a biosfera estão cheias de gente que parece ter orgulho de ter nascido ontem no evangelho. Não busca com afinco uma intimidade com o Senhor, nem deseja estar anelado, servindo, assim como Esdras. Têm cristãos que costumam aproveitar de suas acomodações, fechando-se em suas conchas, sem eficácia na vida, em que se perde qualquer sensação de ser ou existir. Eu temo muito.

    O Diante do Trono lapidou um trabalho de sangue. Pavimentou o caminho para diversos outros, empurrando os limites de vários tabus, simbolizando conceitos que mesmo nos atraindo, temos medo. Só que de alguma forma tal mudança vai abrir e ser base para outras tantas mudanças que devem ser feitas. Deve dar uma janela absurda, para dar um jeito em suas próprias arestas. Mas rápido! Pois, o mundo anseia por ver Cristo em nós!