Lauriete é uma das cantoras pentecostais mais conhecidas do Brasil. Com 30 anos de carreira, um timbre de voz marcante, 27 álbuns lançados, 3 DVDs, discos de ouro, platina e inúmeras músicas cantadas em igrejas do norte ao sul do país, ela é realmente um sucesso.
Para comemorar estas três décadas da gravação do primeiro disco, em 1982, a cantora lançou em 2012 o Tô na Mão de Deus, um álbum comemorativo que reúne alguns dos maiores sucessos de sua bem sucedida carreira, além de uma faixa inédita.
O disco foi lançado pela Visão Music e produzido pelo maestro Samuel Ribeiro. Confirmando as expectativas que o cercavam, em pouco tempo, recebeu certificação de disco ouro.
Como abertura, temos “Tô na Mão de Deus”, composta por Anderson Freire e Dedé de Jesus. É a única faixa inédita da obra. A música tem uma letra que é a cara do gênero pentecostal atual, falando sobre as tentativas externas de frustrar as promessas de Deus na nossa vida. “Meu Deus vai cumprir, vão jogar pesado vão forjar boatos. Do dia pra noite vão te transformar em réu, achando que as promessas de Deus não vão sair do papel, mas Deus vai cumprir”. Para completar e deixar a canção ainda mais popular, o “Tô na mão de Deus” do refrão é extremamente pegajoso. O ponto alto da música é a interpretação cheia de entrega da Lauriete, o que já é sua marca registrada.
A partir daí, o disco entra em uma viagem nostálgica. A segunda faixa é a lindíssima “Palavras”, música tema, e grande hit, do disco de 1999. Composta por Roberto Carlos de Oliveira, essa é provavelmente a canção mais conhecida da cantora. Com uma letra que foge dos clichês pentecostais, “Palavras” é uma oração cantada que diz que “Ainda que pra te servir, Jesus, eu tenho que chorar, Te servirei porque comigo estarás. Sofrer contigo é bem melhor do que errar”. Comparada com a gravação original, esta versão difere pela introdução marcada pelo som do sax. O refrão que originalmente era cantado em duas vozes pela própria cantora, agora ganha um belo back vocal, o que colaborou para modernizar o arranjo dessa canção maravilhosa.
A terceira música é o super sucesso “Deus dos deuses” gravada originalmente em 2001 no disco O Segredo é Louvar. A música de Elizeu Gomes fala da grandeza do nosso Deus e é cantada até hoje nas igrejas. A versão apresentada tem uma colocação diferente dos back vocals, o que causa uma certa estranheza para quem já está muito acostumado com a original. Particularmente, prefiro a primeira gravação. É mais intensa e cria momentos mais marcantes, como o vocal cantando uma série de “Jeovás” prolongados na primeira passagem pelo refrão.
“Visita ao Desviado”, a quarta faixa, foi gravada originalmente no disco O Grito de 1989. Quem é mais jovem talvez nunca a ouviu, mas esta é uma canção que vale a pena. Diferente do que estamos acostumados nas músicas atuais, a letra é uma conversa com alguém que se afastou da igreja. “E o lugar onde você se sentava até hoje ninguém o ocupou. O local onde você se ajoelhava para fazer a sua oração e as lágrimas que você derramava até parece que ainda estão no chão”. É uma linda letra! Na gravação atual, a música ganhou um arranjo sertanejo, o que combinou muito com sua essência. Muito boa!
A quinta música é “Eu vou subir”, integrante do disco Ensina-me de 2006. Composta pelo talentoso Moisés Cleyton, a canção trata de um dos temas mais marcantes nos discos de Lauriete, o arrebatamento da Igreja. “Eu vou subir, não vou ficar aqui, naquele grande dia, pra Sião eu vou subir”. Linda letra e uma belíssima interpretação. O ponto negativo dessa faixa é que ela foi apenas extraída do disco original. Nenhuma alteração foi feita, o que pode passar a ideia de coisa improvisada.
O grande hit do disco Presença de 2002, a música “Toca nas Águas”, é a sexta-faixa do disco. A canção de Vânia Santos ganhou um novo arranjo, mas nada que diferenciasse muito do sucesso original. Modernizou, mas não inovou.
“Vale a pena ser fiel” é o mais recente sucesso a integrar a coletânea. Faixa destaque do disco “Eternamente Adorador” de 2011, a música é uma adoração pentecostal muito bonita que fala sobre a fidelidade a Deus em qualquer situação. É uma ótima canção, ótima produção, ótima colocação do back vocal… o problema é que foi extraída do disco integralmente do disco original.
Direto do álbum O Poder do Amor de 1991, a canção “O futuro da Igreja” é a oitava faixa do disco. O arranjo sofreu significativas alterações do original, o que contribuiu para trazer a música para os dias atuais. O tema do arrebatamento volta à tona na letra de Roberto Carlos de Oliveira e a melodia nos dá uma boa noção de como era o ritmo pentecostal de 20 anos atrás. A letra é um encorajamento à igreja para que esta não desista, pois o futuro celestial está próximo. “Meus irmãos não queiram desistir agora, porque estamos já bem perto da vitória. Não troque a cruz por coisas tão banais, olhe pra frente e continue lutando, pois brevemente esta igreja subirá”. Linda canção!
“Sete Trombetas” é mais uma das canções que não sofreram nenhuma alteração da gravação original. A excelente composição escatológica de Anderson Freire fez parte do disco Vou Profetizar, lançado em 2010.
Música tema do álbum 1989, “O Grito” é mais uma canção lindíssima da primeira década de carreira de Lauriete. A música ganhou uma bela renovação nos arranjos, o que deve instigar as cantoras locais a desempoleirá-la e cantar em suas igrejas. Uma linda letra que diz: “Grita bem alto, Senhor, da tua morada. Diz ao teu povo de fé que a hora é chegada”. Para coroar a canção, uma interpretação impecável.
A décima primeira faixa é nada menos que o mega hit “Dias de Elias”, gravada no disco Deus de 2004. A música que está entre os sucessos de Lauriete mais cantados até hoje e que foi mania entre grupos de jovens, ganhou nova colocação de voz, mas o arranjo continua o mesmo do disco original. A interpretação está ótima.
Caminhado para o encerramento temos “Sonhei”, sucesso do álbum Fé de 2008. A exemplo de “Eu vou subir”, “Vale a pena ser fiel” e “Sete trombetas”, a canção composta pela dupla Daniel e Samuel foi integralmente extraída do álbum original, não apresentando nenhuma alteração.
“O Segredo é Louvar” é faixa tema do disco de 2001, um dos melhores já lançados por Lauriete. A canção encerra a coletânea comemorativa com chave de ouro. A composição do grande Elizeu Gomes ganhou alterações no arranjo e uma interpretação que não deve em nada à original. Linda!
Para quem gosta de música pentecostal, Tô nas mãos de Deus é um disco perfeito. O repertório é irretocável e ainda caberiam diversos outros sucessos de Lauriete como “Paraíso de Amor” (1987), “Por um Fio” (2003), “Milagre” (2003), “Ensina-me” (2006) entre tantos outros. A seleção perfeita de músicas e belas interpretações são, certamente, as melhores características do disco.
Vale ainda ressaltar as regravações de “O Grito”, “O Futuro da Igreja” e “Visita ao Desviado” como trunfos. As músicas foram grandes sucessos de mais de 20 anos atrás. Aos que ainda as desconheciam, uma excelente apresentação.
Como pontos negativos, identifico as 4 faixas extraídas na íntegra de seus discos originais. As canções são lindas da forma que estão, mas um álbum comemorativo merecia regravações tão lindas como as primeiras. Outro ponto que, a meu ver, deixou a desejar, foram os back vocais das regravações. Foi fraco se compararmos com aqueles coros encorpados que estávamos acostumados nas músicas de Lauriete. Essa diferença pode ser bem percebida se compararmos as canções que ganharam novas roupagens com as que não foram alteradas.
No geral, o disco é muito bom! Vale a pena ouvir!
Estejam com Deus e até a próxima!