Em 2012 a cantora Célia Sakamoto lançou pela Aliança, o CD “Vai ficar tudo bem”. Com um projeto gráfico impecável assinado pela Souto Crescimento de Marca, o disco traz 13 canções de diversos compositores de renome, inclusive uma da própria cantora. Na faixa 13 do álbum, “Meu diário” Célia Sakamoto conta com a participação especial de sua filha Laura Sakamoto.
Através do álbum “Vai ficar tudo bem”, Célia Sakamoto prova que tem potencial para ser referência na música pentecostal, mesmo não tendo uma grande extensão vocal, Célia sabe compensar isso na escolha certa do repertório. Sem muitas firulas, gritos e excessos, a cantora cumpre o propósito de um bom disco pentecostal.
A abertura do álbum é feita com a canção “Sacrifício de Louvor” de autoria de Célia Sakamoto. Simples, poucos versos, mas tem uma carga emotiva interessante ao revelar o pensamento da cantora, oração em forma de música.
Dentre as 13 canções, sete merecem ser destacadas. Não que as outras estejam num nível inferior, mas por que essas se destacam por alguns diferenciais. A primeira delas é “Vai ficar tudo bem”, composição de Anderson Freire. A canção versa sobre a importância da confiança em Deus mesmo nas maiores dificuldades.
“Vai ficar tudo bem, deixa Deus no controle que a vitória vem […]. Vai ficar tudo bem, cada luta é um nível a mais, um degrau pra chegar naquilo que Deus tem”. Já é a queridinha de muitos grupos de louvor de senhoras, pois a mensagem é linda e não impõe grande dificuldade para ser cantada.
“Erga os muros” de Leandro Borges é outra que já entrou para o repertório dos grupos de senhoras. A canção aborda a preocupação com a família, pois este é o alvo do diabo. E isso é realidade, vemos diariamente as investidas do mal para acabar com as famílias. É preciso erguer muros de oração em volta das nossas casas, de nossas famílias, pois o ladrão está de olho, e só precisa de uma brecha para atacar. Leandro Borges foi muito feliz nesta composição e Célia Sakamoto conseguiu transmitir a mensagem através de sua interpretação. Excelente.
A faixa cinco, “Guerreiras de Jeová” é aquela clássica canção para festas de círculo de oração. Composição de sua irmã Vanilda Bordieri, a música convoca todas as mulheres para guerrear, trazendo exemplos de mulheres que tiveram destaque na Bíblia como Débora, Ester, Miriam e Abigail.
A próxima canção é “Maior que tudo” composta por Denner de Souza e Adriano Barreto. Traz uma mensagem impactante para a reflexão. Mostra que nada se compara ao poder de Deus. Nada do que temos, possuímos é maior que Ele, que perto dEle “somos como grão de areia perdido no deserto”. Mais uma vez Sakamoto se sai muito bem interpretando essa canção.
A faixa 08, também de Denner de Souza e Adriano Barreto “Simplesmente” fala das provas que o cristão passa, dos problemas que enfrenta e que muitas vezes podem abalar a fé. Muitos podem dizer “Será que esse aí está em falta com seu Deus?” Mas quando o Senhor abrir as portas, “você vai ter pra emprestar”. Canção simples e com mensagem emocionante. Vale a pena ouvir e refletir.
A faixa seguinte, “Evidências”, composição de Tony Ricardo, traz de forma interessante o tema do arrebatamento, a partir das evidências que estão acontecendo no mundo. As evidências estão aí e quando esse dia chegar não vai adiantar correr ou se esconder. Mais uma canção impactante.
Merece destaque também “Insubstituível” de Dill (Os Nazireus). Aqui a participação do back é brilhante e fundamental para que a canção tomasse a proporção emotiva adequada. Fala que Jesus é insubstituível, não há outro como Ele. Deus ontem, hoje e eternamente! Show.
Por fim, é preciso mencionar a grandiosa “Batalha de Josafá”, uma canção-narrativa que, como o nome diz, narra a batalha de Josafá, fazendo-nos imaginar as cenas da batalha. Mesclando narração e canção, com apoio do back-vocal, a canção certamente é a mais elaborada do álbum. Com um refrão empolgante, a canção mostra o poder do louvor, pois foi através do louvor a Deus que Josafá venceu a batalha. A Composição é de Samuel Mariano.
Claro que o álbum possui outras belas canções que merecem igual destaque, mas essas vão de encontro ao público das irmãs de igrejas pentecostais que encontram dificuldades para conseguir um repertório adequado para seus grupos. Seja por conta das letras extremamente elaboradas e de difícil assimilação arranjos muito rebuscados ou tons altíssimos como vemos em CDs de outras cantoras pentecostais. Tudo isso dificulta que essas músicas sejam entoadas nesses grupos que querendo ou não, são uma das principais formas de divulgação da música pentecostal. Esse é o grande ponto positivo do álbum “Vai ficar tudo bem”.
Vale destacar também o trabalho do maestro Melk Carvalhedo produção do disco, dosando de forma adequada os arranjos em cada canção, as entradas do back, enfim todo processo de produção.
Não se trata de mostrar potência vocal, de trazer músicas rebuscadas ou cheias de arranjos, mas de trazer canções que possam ser cantadas pelo público-alvo. Vanilda Bordieri já conseguiu este espaço e é raro não ver pelo menos uma canção sua sendo entoada em festividades de senhoras. Célia Sakamoto está no mesmo caminho e tem tudo pra conquistar esse espaço também.

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