Categoria: Análises

  • Análise: CD Fernandinho Acústico – Fernandinho

    Em 3 de setembro deste ano, Fernandinho lançou um álbum acústico de quinze canções, contendo regravações e uma canção inédita. Após o notável sucesso de Teus Sonhos, Fernandinho Acústico surge e, apesar de ser um projeto com regravações, apresenta-se com o mesmo impacto de uma obra inédita em sua discografia. O repertório contém vários de seus hits, e o instrumental é baseado em estruturas acústicas, com uso de violão, sintetizadores, baixo, banjo, instrumentos sinfônicos de cordas e bateria.

    A primeira música retirada do quarto álbum do cantor, “Tudo o que eu quero“, teve uma ótima adaptação ao acústico. Utilizou-se de arranjos sinfônicos, teclados, violão, baixo e bateria. Aplausos ao solo de violão e ao final da música com uma forte sonoridade blues, country e até southern rock. Segunda melhor canção do álbum.

    Mil Cairão”, do último disco lançado, teve uma interpretação de boa qualidade. Introdução com belos dedilhados de violão, refrão marcante, ponte com belos dedilhados. A composição baseia-se em Salmos 91.7.

    A tão repetitiva “Se Não For pra Te Adorar“, canção na quais grandes partes das igrejas cristãs utilizam-se no momento do ofertório, foi a melhor adaptação do CD. Estruturada em country, a canção ficou incrivelmente impactante, mais interessante que a própria versão original gravada na segunda obra apática de “Faz Chover”, principalmente pelo uso de banjo na instrumentação. Contou com a participação de David Quinlan.

    Pra Sempre” (“Forever”) é a única inédita da obra, porém uma versão de Kari Jobe. É interpretada por Fernandinho, juntamente à sua esposa, Paula Santos. A canção é de autoria de Jenn Johnson, Joel Taylor, Gabriel Wilson “Gabe” e Briam Johnson. A balada consiste mais na presença de sintetizadores, e no fundo há uma presença de banjo. A letra retrata a morte de Cristo na cruz para nos salvar. Apesar de ser a única exclusiva do álbum, surgiu com uma faixa solta, uma canção sem grandes expectativas, apenas como um cover ressaltando a ligação com a música internacional.

    Regravada do insípido disco que leva o nome da composição, “Faz Chover” teve a participação de vários cantores internacionais, um capricho extravagante, sem muitas diferenças na organização do arranjo. Contém uma camada de arranjos de cordas que embelezam a canção. No final desta, há uma espécie de clamor bem curto. As parcerias ressaltam o reconhecimento internacional do músico, com as inclusões de vários cantores de vários países.

    Mais Alto”, retirada da era invernal musical do compositor, nos velhos tempos de Abundante Chuva, é conduzida por belos toques de teclado, que é o ponto positivo da canção, em comparação ao arranjo rítmico e harmônico do violão um pouco maçante.

    Pai de Multidões” segue a mesma linha da canção anterior, porém mais pedante. No entantoa ponte da canção possui uma parte consideravelmente bonita, tanto no arranjo, como na letra: “Consolar os que choram / Libertar os cativos / Preparar o caminho / Anunciar Tua salvação”.

    Eu Vou Abrir o Meu Coração” foi bem interpretada com toques de teclados e presença de violino, melhor que a versão original da segunda obra Faz Chover, que contém uma estrutura melódica bem cansativa. Percebe-se na parte lírica a influência do livro de Cantares. Contou com a participação da cantora Fernanda Brum.

    A faixa-título do penúltimo recém-lançado disco, “Teus Sonhos”, tem uma introdução interessante de violão que sua organização musical poderia ter sido mantida baseada em dedilhados ou melodicamente semelhante à introdução.

    Nada Além do Sangue”, outra do frutífero Sede de Justiça, é conduzida com dedilhados, entre notas de teclados, possuindo uma boa interpretação. A canção contém um coral no final.

    A canção que leva o nome do ótimo álbum de “Uma Nova História”, é baseada na história de Abraão e tem um ajuste acústico agradável, possuindo toques de acordes na região aguda do violão, algo que teve na maior parte das canções do álbum, o que evidencia o uso de capotraste.

    O Hino”, outra canção do último álbum do Fernandinho, é arranjado de forma interessante, maçantes em algumas partes, boas em outras, salva pelos toques de violino. “Te Adorar”, extraída do segundo disco de Fernandinho, possui um refrão grudento, e o restante é bem tedioso. Teve a participação de Aline Barros. Sem dúvida, foi uma das canções menos empolgantes, de menor qualidade do álbum. A presença notável de Aline no backing vocal não salvou a composição da insipidez.

    A canção baseada em um capítulo de Habacuque e sacada do sexto trabalho do músico, “Ainda que a Figueira” foi a terceira melhor adaptação do álbum. Orientada pelo country e folk, possui cativantes arranjos de banjo na canção. Uma ótima interpretação. A canção poderia ter tido um solo de violão ou banjo adaptado para o acústico, pois ficaria espetacular.

    Dançar na Chuva” foi brilhantemente repaginada. Toques de violão estupendos, arranjos de sintetizadores às vezes meio espaciais, no estilo rock que ela tem. Uma das melhores do CD.

    O novo álbum de Fernandinho possui ótimas interpretações, outras medianas, segmentadas pelo folk, country e blues. Teve poucos exageros no aspecto vocal de Fernandinho, e os arranjos sinfônicos que foram utilizados nas músicas são encantadores e inéditos na discografia do cantor. Desde o primeiro álbum do artista, que foi musicalmente lamentável, o avanço na qualidade das produções dos CDs é notável. Todavia, algumas canções importantes de sua carreira poderiam ter estado neste repertório, como “Há um Rio”, “Sede de Justiça”, “Eu Fui Comprado” e “Eu Vou Subir a Montanha”.

    Fernandinho Acústico foi gravado e produzido no estúdio Asterisk Sound, o que fez uma enorme diferença na qualidade de produção e editorial do projeto, localizado no estado do Texas, nos Estados Unidos, com Fernandinho (vocais e violão), Mark “The Shark” Waldrop ( uitarra acústica, percussão e banjo), Jeremy “B-Wack” Bush ( bateria), Mike “Mike D” Dodson ( baixo, teclado, piano) e Jack Parker (violão, guitarra acústica e banjo), músicos pertencentes a banda The Digital Age. No dia 12 de novembro, recebeu disco de ouro, na Igreja Batista de Lagoinha, por mais de 40 mil cópias vendidas.

  • Análise: CD Como Águia – Bruna Karla

    Bruna Karla, de certa forma é um sucesso esperado no mercado gospel nacional. A artista, que despontou com o álbum Advogado Fiel, com canções de qualidade inquestionável acomodou-se, e pior, aos poucos perde seu patamar a cada disco que lança. Como Águia dá sequência à este contexto, fazendo uma combinação desagradável entre produção musical sem personalidade, musicalidade duvidosa, interpretações vocais equivocadas e repertório confuso.

    Primeiramente, o que soa mais contraditório no álbum é que os compositores das canções que compõem o projeto são de peso, mas percebe-se, evidentemente que não há nenhum conceito por trás do disco, nem no aspecto lírico, muito menos melódico. Algumas, para piorar possuem fraseados desconexos. A faixa-título fala em fazer do tempo uma sala de intimidade. A incoerência deste verso é evidente. O que mais prejudica as canções, no entanto são o toque do marido de Bruna Karla, Bruno Santos e também do arranjador Tadeu Chuff. A produção musical não soube valorizar as músicas, transformando possíveis hits em faixas sem o menor destaque.

    Bruna Karla tem exagerado nos melismas, ao invés de se centrar na simplicidade. Sendo assim, ao invés de agregar valor ao repertório torna-o cansativo. Mais surpreendente, porém é o fato da capa do CD ser o único aspecto completamente positivo. A gravadora MK Music certamente fez o seu melhor projeto gráfico do ano. A partir disso, há a confirmação de que a frase “não julgue um livro pela capa” é adequada com o que foi apresentado em Como Águia.

  • Análise: CD Confia – Ministério Unção de Deus

    O Ministério Unção de Deus, em seus dez anos de carreira ainda é uma incógnita. Apesar de boas canções, a impressão ao ouvir Confia é que o grupo ainda não se firmou musicalmente. Cada álbum possui uma mudança drástica, seja positiva ou negativa.

    De início, é bom embasar o que está sendo afirmado. Ronald Fonseca, desde o início mostrou-se como o mentor do grupo, e Para Chamar Tua Atenção é, de longe o melhor álbum do ministério. As canções deste projeto são quase clássicos do canto congregacional da última década, e praticamente todo o repertório foi escrito por Ronald.

    Após isso, em Separados, os integrantes do grupo passaram a intervir mais na composição, querendo algo mais pop. Apesar de ser ainda um bom projeto, não teve o mesmo impacto do anterior. A aprofundação desta tentativa pop para um grupo congregacional mostrou sua falha grave em Estou Pronto, um disco praticamente dispensável. Para a alegria do ouvinte, Confia é, claramente e obrigatoriamente bem melhor que o anterior.

    Ronald Fonseca reafirma-se como produtor musical. Apesar de praticamente não ser lembrado dentre os grandes produtores do gospel nacional, é muito raro o músico derrapar. Também assinando os arranjos, as melodias lembram bastante a pegada do álbum Entre a Fé e a Razão, do Trazendo a Arca. Isso é justificável pelo fato de alguns músicos terem trabalhados em ambos os projetos (Fonseca, Isaac Ramos, Quiel Nascimento e outros). Neste CD, a proposta pop rock, na qual o grupo insiste se fundiu com a congregacional de forma relativamente agradável.

    O grande lado negativo do disco se deve à interpretação do vocalista Rafael Novarine, que trocou sua voz suave por um desempenho áspero que certamente coça sua garganta. Em canções mais agitadas e pesadas, como a de abertura, é aceitável, mas na faixa-título, por exemplo, o Novarine de anos atrás soaria mais adequado. Para o ouvinte desatento, em algumas faixas até parece que o grupo mudou de vocalista.

    Novarine, assim como no último álbum escreveu grande parte das letras que, vale salientar, estão muito mais bem articuladas que a parte lírica do anterior Estou Pronto. Nota-se que o conceito deste projeto foi melhor explorado e trabalhado. Claro, o apelo comercial ainda é forte, mas é coerente com o som que o conjunto vem fazendo. Hosana Canabarro e Leo Novarine também trabalham secundariamente em algumas composições. David Cerqueira, da Agência Excellence produz uma capa de excelente gosto, conceitual, direta e sem maiores exageros.

    Em suma, Confia é um disco agradável, sem péssimos momentos, todavia também sem grandes momentos, concentrado em sua zona de conforto. Se você procura o Unção de Deus mais pop, o disco soa perfeito para a sua procura e certamente agradará os que acompanham seus últimos trabalhos.

    https://www.youtube.com/watch?v=lMn-5PCMZ4U

  • Análise: CD New Way To Be Human – Switchfoot

    New Way to Be Human, a segunda obra de Switchfoot é sem dúvida um progresso em forma de arranjos. Com um álbum anterior orientado pelo post grunge e com pequenas influências do post punk, o novo conjunto de faixas apresentou canções mais trabalhadas e marcantes, sem grandes mudanças no estilo musical. As composições, em sua maior parte foram creditadas a Jon Foreman e a execução das faixas feitas pelo power trio formado pelos irmãos Jon Foreman (vocal e guitarra) e Tim Foreman (baixo e backing vocal), e com Chad Butler na percussão, contando ainda com outros convidados especiais para execução de algumas faixas. O projeto foi gravado e distribuído pela gravadora Re:think Records e produzido por Charles Peacock.

    A primeira canção e single da obra, “New Way to Be Human“, faixa-título, introduz bem o CD. Começando com um violão, alguns toques de guitarra, baixo, teclado e uma bateria acompanhando no fundo, já diz bem o que será o segundo álbum da banda, uma mistura de melodias acústicas, lentas, velozes e alternativas. Sua letra se sobressai como o ponto forte da banda, falando de um eu lírico procurando um jeito de viver. A música apresenta essa forma de ser, o “New Way to Be Human”. A canção recebeu um videoclipe e entre as faixas do álbum, listaria como a terceira melhor obra deste.

    Incomplete”, com seu riff de introdução, e um estilo meio rock alternativo misturado ao post punk do U2 é a segunda melodia do CD de maior qualidade. A canção, falando de um ser incompleto procurando alguém para completá-lo, desempenha bem seu papel e, seguindo a faixa anterior, mostra o melhor do álbum.

    A terceira melodia, “Sooner or Later(Soren’s Song)” demonstra a habilidade conceitual de Jon Foreman ao citar filósofos nas suas composições. A música, calma e com dedilhados simples de guitarra, tendo direito as sons de violinos e outros, até ganhar um peso no meio da sua duração faz referência às ideias do filósofo cristão Søren Kierkegaard de que há uma realidade conflitante no mundo a qual os homens terão que lidar algum dia. Cita também a ideia do filósofo Jean Paul Sartre de que os homens estão condenados a serem livres. A beleza da composição é notada em uma desenvoltura de trabalhar bem com palavras instigando ao ouvinte a pensar e entender a mensagem da letra. O arranjo em si, é simples, sem algo notável e cumpre o papel de uma canção comum.

    Company Car”, a quinta faixa, é uma das composições mais conhecidas do projeto, bela como os primeiros arranjos. Destaca-se os instrumentos de sopro encontrados na melodia e a construção da letra, detalhando a vida de um cara que tem um alto cargo e o carro da empresa, mas continua sendo um nada e um ser vazio. Ótima letra, ótima mensagem.

    A sexta composição do CD, “Let That Be Enough”, é uma faixa acústica de voz, violão e teclado. Uma canção de arranjo sem excentricidades, mas com uma bonita letra sobre solidão e a vontade de se repousar em Deus. “Something More (Augustine’s Confession)” é uma das melhores composições do álbum. Citando “Confissões”, um livro de um dos pais do cristianismo, Santo Agostinho, tem um arranjo introduzido por riffs de guitarra pegajosos e um refrão com um backing vocal notável. Uma canção com fortes características do post punk, principalmente no refrão.

    A sétima canção, “Only Hope”, é sem dúvidas a melhor e mais esplêndida composição do álbum. Uma das canções mais conhecidas do grupo musical, uma melodia semiacústica, com graciosos toques de violino, um belo dedilhado de violão, acompanhada por sons de teclados e em algumas partes por guitarra aliado a uma letra de amor a Deus (a canção é usualmente entendida como uma música romântica), constroem uma bela obra da banda. A composição é um dos maiores sucessos da banda, principalmente pelo cover feito por Mandy Moore no filme “Um Amor para Recordar”.

     “Amy’s Song”, sem grandes detalhes apresenta toques suaves de violão. Fala da garota Amy, uma simbologia a uma pessoa que vive sua vida centrada em Cristo, e que está viva em um mundo morto, em uma bela construção de versos, característica notável da banda quando querem escrever algo.

    A penúltima faixa, “I Turn Everything Over”, é uma boa canção. Arranjo com base definida no rock alternativo, no fundo, uma pequena influência do post punk e expressa a fraqueza e a decadência humana em comparação com a grandeza de Deus, nossa única esperança.

    A última composição do álbum, “Under the Floor” é uma música simples com uma letra de devoção ao Deus e de reconhecimento de sua Glória. Apesar de sua simplicidade, após o final da canção há um encantador conjunto de vozes mais instrumentos finalizando a melodia e o álbum.

    New Way to Be Human representa um bom avanço na carreira da banda, em comparação ao último álbum, notado em suas composições e na criação de canções mais impactantes. Jon Foreman nesse CD mostra novamente seu dom de compor letras sem pieguices e clichês, com versos poéticos e complexos que retratam e buscam a vida de Deus sem falar diretamente de Deus, em virtude da fraqueza e superficialidade humana. Canções como “Only Hope”, “Incomplete”, “New Way to Be Human” e “Something More (Augustine’s Confession)” poderiam ter sido facilmente transformadas em singles da banda.

  • Análise: CD Tempo de Sorrir – Pamela

    Após dois discos que não apontaram a real proposta da Pamela, acredito que muitos, desde a fãs e seus haters não esperavam absolutamente nada de interessante da artista. Depois do notável amadurecimento em A Chave, produzido por Rogério Vieira, a artista sucumbiu no péssimo Ritmo e Poesia, com as letras mais superficiais possíveis e tentou o sertanejo universitário em Recuperando o Tempo que, de certa forma passou desapercebido.

    Acontece que Pamela realmente recuperou o tempo em Tempo de Sorrir. Agora na Som Livre, gerenciada por Cláudia Fontes (curiosamente a mesma que estava à frente da Zekap quando lançou Pamela) a artista volta a suas origens. Mesclando seu característico pop em grande parte do projeto, a maior parte das canções são de temas jovens, contextualizados e também letras de cunho congregacional.

    Pamela ousou e regravou algumas canções neste álbum. “Desde o Primeiro Momento”, do seu disco Tudo o que Sou, com instrumentação mais fiel à versão original, “Grande Deus“, do Trazendo a Arca e “Vou Amar-te (vou a Marte)“, de Henrique Cerqueira. Nestas últimas citadas, a cantora agregou bastante valor, desde a interpretação e arranjos.

    Como não poderia faltar, o disco também possui canções mais radiofônicas, que podem desagradar ouvidos mais exigentes. Entretanto, cumprem com fidelidade o estilo de Pamela, como é o caso de “Todo Poderoso” e “Curti Compartilhei“, com seu bordão facebookiano.

    O disco não perde o fôlego e surpreende até mesmo com uma versão de “Wake”. “Desperta” não é exatamente o estilo de Pamela que a maior parte das pessoas estão acostumadas a ouvir, mas serve como um bom protótipo do que a artista pode apresentar nos discos futuros. Tempo de Sorrir é, sem dúvida e inesperadamente um dos melhores discos do mercado gospel em 2014 e demonstra uma Pamela de volta às origens.

  • Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono

    Dos tempos das vacas magras em Tua Visão, as mudanças drásticas desde Sol da Justiça, pouco pode-se acrescentar de surpreendente na discografia do Diante do Trono, depois do icônico Príncipe da Paz. Talvez os álbuns Canção do Amor, Aleluia e Creio são os últimos sinais de vida vindo de uma banda que se perdeu em seu excesso de álbuns cheios de propósitos e conceitos, mesmo que justificáveis.

    Dois motivos podem explicar as mudanças drásticas no Diante do Trono: A primeira é que, de certa forma ficou evidente que o exagero do grupo os deixou num beco sem saída, ou apenas resolveram “experimentar” um som mais jovial. Seja lá qual for o motivo, de certa forma estava até dando certo, até chegar 2013.

    Somado a regravações de faixas categoria Lado B, como a monótona “Exaltado“, outras como “Águas Purificadoras” que já se tornaram clichês no repertório do DT, além de uma série de obras oriundas de Por Amor de Ti Oh! Brasil, o trabalho não é digno de ser comparado a um Greatest Hits. Tu Reinas dá sequência à uma crise de insistência que assola Ana Paula Valadão desde que decidiu investir pesado e desnecessariamente em versões e regravações, como o caso de Renovo.

    Nem Vinicius Bruno, que também assinou a produção musical de Creio consegue salvar o disco. Recheado de sintetizadores estéreis e guitarras de Jarley em excesso, Tu Reinas soa como um álbum pop rock comum e oco. O baterista Tiago Albuquerque, que desempenhou papel de destaque em Creio, juntamente com o baixista Daniel Friesen se limitam a cumprir o que cada música pede e não conseguem preencher o vazio que as músicas evidenciam.

    As performances de Ana Paula Valadão ainda tentam, com pouco sucesso transmitir emoção as canções. Nos quase quarenta anos de idade, a artista não tem acompanhado seu envelhecimento (que vale lembrar, não é algo negativo) e se recusa a lançar obras mais maduras. Com isso, o que se vê de Diante do Trono hoje é um real tiro no pé.

    Em relação as músicas inéditas de Tu Reinas, “Só o Senhor é Deus” é a mais interessante, e mostra que quando Ana Paula quer, ela faz boas músicas. Paralelo à isso, “Rasga os céus” e “Deus do Recomeço” seguem o estilo do restante do álbum, porém com uma parte lírica bastante aceitável. O que realmente pesa contra o disco é o restante, ou seja, quase tudo. Também é destacável que diferentemente de Creio, em que os demais vocalistas tiveram  mais espaço, Tu Reinas retrocede e se centraliza em Valadão. Em poucos momentos, por exemplo, Israel Salazar se sobressai, mas sempre como um coadjuvante. Ana Nóbrega, Roberta Izabel, Tião Batista e outros que deixaram o grupo certamente fazem falta nesta hora.

    Mas nem tudo está perdido: O projeto gráfico, idealizado e produzido pela Quartel Design é de ótimo gosto, retratando, em imagens geometricamente dispostas o sertão nordestino e imagens das gravações em forma de coroa.

    Tu Reinas pode ser definido como um disco de uma banda que carrega o nome Diante do Trono, toca músicas do Diante do Trono, mas em sua essência não é mais o Diante do Trono. Certamente, agradará apenas aos fãs mais fervorosos que, durante um ano aguardaram o pior registro de sua série principal. O álbum introduz um futuro duvidoso de um grupo que um dia já esteve na vanguarda do mainstream da música cristã nacional e hoje se contenta em fazer um som que não os diferem dos demais. Infelizmente.

    Confira também nossa análise do DVD Tu Reinas

  • Análise: CD Ao Vivo em São Paulo – Heloisa Rosa

    Parece absurdo afirmar que um disco ao vivo, com um repertório de regravações é um dos melhores lançamentos de 2014 na cena cristã tupiniquim. Mas esta é uma verdade clara: Ao Vivo em São Paulo, de Heloisa Rosa é um bom trabalho, e remonta através de obras conhecidas um conceito maior antes implícito na discografia da cantora.

    Heloisa Rosa, em dez anos de carreira demonstra mais maturidade do que muitos artistas do mainstream e que ostentam mais tempo de estrada. Em quatro álbuns, a compositora mostrou seu estilo, agora inconfundível: canções intimistas, confessionais e que abordam, quase sempre o relacionamento entre o ser humano e Deus. Cada álbum foi desenvolvido em uma temática específica, e Ao Vivo em São Paulo une tudo isso de forma estratégica.

    Para uma obra intimista e que reflete, em letras a solidão, angústia, impotência e a busca pela paz e refúgio em Deus nenhum lugar no Brasil soaria mais adequado para a gravação que São Paulo, intitulada por muitos como uma metrópole cada vez mais claustrofóbica e caótica. O isolamento social, destaque nos grandes centros urbanos, além do desencantamento humano pós-modernista constroem um cenário no qual as canções de Heloisa soam tão contextualizadas, e ao mesmo tempo apaziguantes.

    O disco, com interlúdios pode ser dividido em três partes: a primeira demonstra a situação do homem antes do pecado original. Com a introdução de “Vaidade“, a melhor canção de seu melhor álbum, Rosa surpreende por substituir o arranjo anterior, um tanto melancólico por um andamento mais acelerado, com mais riffs de guitarra.

    Dançarei Contigo” e “Não Temerei” colocam em evidência a pegada mais “pesada” do último álbum, com influências do rock britânico, além de vários sintetizadores. Mas o destaque de Ao Vivo em São Paulo, sem dúvida está em sua segunda parte, que consiste na queda. “Seis da Tarde” e “Deus Meu“, com versões bastante distintas das gravadas em estúdio foram extremamente bem trabalhadas, retratando toda a emoção proposta.

    A parte da redenção é um pouco maior, sendo preparada pelas duas últimas músicas da queda, “Estante da Vida” e “Clamarei Teu Santo Nome“. A interação de Heloisa com o público em “Lindo Jesus” surpreende, “Jesus é o Caminho“, aguardada como um dos possíveis melhores momentos do projeto cumpre as expectativas aguardadas. A canção que tornou Heloisa conhecida é executada em tons mais graves, como a cantora costuma fazer em seus shows, acompanhada de uma ministração com críticas sutis à teologia da prosperidade. O real ponto negativo do álbum está na faixa bônus, “Eu Vejo a Cruz“, com a participação de David Quinlan. Além de deslocada de todo o projeto, a faixa não acrescenta absolutamente nada ao álbum.

    Dado isso, Ao Vivo em São Paulo é um exemplo claro da simplicidade de Heloisa Rosa dentro de um projeto pretensioso. A construção do álbum é muito boa, e mostra que uma obra ao vivo necessariamente não é obrigada a soar como uma coletânea de sucessos desconexos. Parabéns a Heloisa, que desbancou uma série de lançamentos inéditos de um ano fraco, ensinando muitos outros veteranos.

  • Crítica: Livro ‘Inferno’ de Dan Brown

    Dias após terminar de ler “Inferno” ainda me pego pensando em seu emaranhado de informações e na forma como o autor consegue uni-las sem deixar nenhuma ponta solta. A título de informação, vale dizer que este é o primeiro livro de Dan Brown que li, sendo assim, não estou sendo influenciado positivamente ou negativamente por seus outros títulos.

    Fui apresentado ao autor por um amigo que recomendou o livro (inclusive me emprestou) fazendo grandes elogios. Hoje atesto que ele não exagerou. “Inferno” obviamente é um romance de suspense policial feito para vender. Sua receita leva todos os ingredientes necessários para seu êxito e claro, esse mérito deve ser reconhecido.

    Brown fisga o leitor já nas primeiras linhas do seu livro. Sua estratégia é contar história sem revelar os fatos, que vão sendo depois distribuídos a conta-gotas no decorrer da trama. Como uma bola de neve descendo a montanha, assim é a sensação que se tem. Quanto mais se mergulha na trama de Brown, mais o mistério se agiganta, nada do que parece é.

    Sinopse:

    Neste fascinante thriller, Dan Brown retoma a mistura magistral de história, arte, códigos e símbolos que o consagrou em “O Código Da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “O Símbolo Perdido” e faz de Inferno sua aposta mais alta até o momento.

    No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri.

    Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o leva para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo poema de Dante, e mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.

    Nesta trama alucinante, Brown traz novamente seu personagem Robert Langdon – um famoso professor de Simbologia de Harvard – desperta em um hospital com perda completa da memória recente. Em sua mente, apenas imagens de um pesadelo horrível. Uma mulher de cabelos prateados está à beira de um rio de sangue dizendo repetidamente a seguinte frase: “busca e encontrarás”.

    Sem lembrar do que aconteceu nas últimas 48h, Langdon fica ainda mais aturdido quando descobre que está em outro continente, no coração da Itália. De repente, ele se vê envolvido em uma série de acontecimentos inexplicáveis, inclusive sucessivas tentativas de assassinato.

    Com a ajuda da bela e inteligente doutora Sienna Brooks, Robert Langdon precisa descobrir como foi parar em outro país, o que aconteceu durante as horas que não consegue se lembrar e principalmente, por que está sendo perseguido por assassinos.

    Claro que o leitor está tão alheio a tudo quanto o próprio Langdon. Várias pistas falsas são intencionalmente deixadas por Dan Brown com o claro objetivo de induzir o leitor a acreditar num raciocínio, até que em apenas uma puxada da trama, tudo se desfaz.

    Todo esse ar de mistério, envolvendo símbolos, arte, história, literatura e mesmo as descrições detalhistas e impecáveis dos locais onde tudo se desenrola, além da contextualização entre ficção e realidade sempre bem fundamentada em dados verídicos, faz de “Inferno” uma trama densa e complexa. Para o leitor mais havido e sedento para desvendar mistérios, este livro é um prato cheio, mas pode parecer maçante e até cansativo para o leitor não tão habituado a leituras mais intricadas.

    A cereja do bolo é definitivamente a forma brihante – diga-se de passagem – que o autor consegue cruzar a obra de de  Dante Alighieri “A divina comédia” com sua trama, costurando seu contexto aos mistérios que Langdon se vê obrigado a desvendar.

    Claro que Dan conseguiria produzir o mesmo romance sem esse recurso e contar a mesma história, mas é isso que torna o livro instigante. Não vou mentir, algumas vezes cheguei a me irritar com a série de truques que o autor usa para ludibriar o leitor no desenrolar da história. Chega a ser desgastante ler já contando que logo se deparará com mais uma reviravolta, mas obviamente, faz parte.

    Se por um lado a trama segue viva e eletrizante praticamente durante todo o livro, o seu desfecho é um tanto quanto “aquém”. Não diria decepcionante, mas esperava algo mais brilhante para uma narrativa como “Inferno”. Justamente seu principal ingrediente o “Inferno de Dante” não passa de um “glacê” que serviu para decorar um bolo qualquer.

    Enfim, Inferno é daqueles livros que desperta no leitor o desejo de viajar, de conhecer seus cenários, e claro, só parar de ler quando se chega ao fim. Se você é desses leitores que mergulham de cabeça num bom livro, então “Inferno” é para você.

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    No momento que termino este texto, também já encerrei a leitura de “Ponto de Impacto” também do grande Dan Brown. Em breve crítica desta obra aqui. Aguardem…

    Até a próxima!

  • Análise: CD O Amor Venceu – Megafone

    Sabe quando  um álbum não te chama atenção e você não se motiva a ouvir? Pois é.  Foi assim com o CD O Amor Venceu da banda Megafone.  Já tinha ouvido falar na banda, mas honestamente nunca tinha me motivado a conferir o som. Desde que recebi um exemplar da Sony que ele estava na minha pequena estante pedindo pra ser ouvido. Num dia resolvi ceder e dar uma chance ao disco.

    Confesso que valeu a pena. Logo de cara a banda brinda-nos com a canção “Real pra mim”: o suficiente pra que sentisse vontade de continuar ouvindo o restante do disco. “Real pra mim” é “pra cima” tanto pelos riffs e batidas contagiantes quanto pela letra.

    “Nada vai me fazer parar / Nem eu vou desistir / Com a minha voz eu vou gritar / Para o mundo ouvir / Tu és real pra mim”

    A escolha da primeira faixa do álbum precisa realmente ser extremamente criteriosa, pois é ela que vai fisgar o ouvinte, e foi o que a Megafone fez. Com canções singelas sem grandes malabarismos vocais a banda tem uma identidade bem definida principalmente por serem canções autorais (exceto a faixa 11, “Tire o pé do chão”, versão de Get up).

    A essência é passar a mensagem de forma objetiva. Apesar disso, o projeto nem de longe se torna enjoativo ou repetitivo. Com uma pegada “pop-rock-teen” com nuances do congregacional o disco vai de músicas pra curtir até canções com chances de cair nas graças dos ministérios de louvor e adoração das igrejas como a minha preferida “A casa é Sua” que convida o Senhor para entrar em nossas vidas e fazer conosco o querer dEle.

    A casa é Sua Deus pode entrar / Mude as coisas de lugar / Mude as coisas de lugar”.

    Merece ser mencionada a desenvoltura da vocalista da banda, Rebeca Lacerda. É notável como sua voz soma ao som da banda. Suavidade no ponto certo. Em “Tu és Deus”, faixa de sua autoria, a cantora traz uma mensagem de adoração destacando a soberania do Senhor, e mesmo tão grande se importa e olha por nós.

    “Tu és Deus, Tu és Deus / Tão Glorioso e poderoso / Tu és Deus, Tu és Deus / Mesmo tão grande / Se importa e olha por mim”

    A faixa que dá nome ao disco, “O amor venceu” certamente é uma das melhores e traz a mensagem da ressurreição de Cristo, mas sem aquela melancolia característica de música do tema.

    “O amor venceu / Mais uma vez / Tudo novo se fez / Tudo novo se fez / […] / A fé anulou a dúvida / Tua luz brilhou nas trevas / Aquele que habita em nós / É o princípio de tudo”

    Depois de ouvir este trabalho (várias vezes, obviamente) chego a duas conclusões: a primeira é como o preconceito é prejudicial. Pensando bem, nem imagino quantos prováveis bons trabalhos deixei de ouvir por causa disso. Claro que Megafone acaba sendo uma exceção entre a profusão de novas bandas e ministérios que surgem a cada dia trazendo mais do mesmo. A segunda é: devia ter ouvido esse CD da Megafone muito antes!

    O Amor venceu de fato é um disco “pra cima”. As letras invariavelmente possuem frases de otimismo, motivação, de conquista. Lutas, mas com vitórias. Sim, o Amor venceu!

  • Análise: CD O Agora e o Eterno – Rosa de Saron

    Fechando a lista dos álbuns que mais me tocaram (espiritualmente falando), falo um pouco do O Agora e o Eterno, décimo primeiro álbum do Rosa de Saron. Particularmente tenho como o melhor trabalho da banda em sua discografia. Considero também a qualidade simplista de Depois do Inverno, de 2002. Essa é mais uma boa obra de divulgação da Som Livre.

    O Agora e o Eterno mostra claramente o amadurecimento da banda em suas composições. Mas assim como nem toda laranja é doce, o disco tem lá seus defeitos e um deles é o exagero de músicas: 17 no total. Talvez seja até convincente, porém muitas boas canções deste trabalho ficaram esquecidas no DVD de 25 anos (Latitude, Longitude). O título do álbum é autoexplicativo, aborda temas temporais e atemporais. Fazendo um detalhado setplay das canções, você percebe músicas como “Autor Desconhecido“, “Casino Boulevard“, “Rubra Alma” e “Vendetta! Vendetta!” detalhando temas atuais tal como descaso político, aborto e vingança. 

    A obra em si foi muito bem desenvolvida. As composições do Rogério Feltrin continuam seguindo a linha adoração de canções já conhecidas no repertório da banda como “Real em Mim”. Neste trabalho, ele assinou “Rubra Alma” juntamente com o guitarrista Eduardo Faro (que além de um talentoso músico é um excelente letrista) numa composição que fala poeticamente do aborto. E “Quadro Novo” como uma canção que remete a beleza e calmaria do templo. Citando o Edu, ele assinou mais três canções além da parceria com o Rogério, que são “Acenda a Luz“, “As Horas” e “Distante do que sou“. Não consigo afirmar, mas parece que essa fase foi um momento muito difícil na vida do guitarrista, e por isso suas canções neste disco fala muito de esperança, dor e solidão. O principal compositor e o que assina a maioria das composições, é o vocalista Guilherme de Sá que compôs sozinho, 9 das 17 faixas, sendo “Vendetta! Vendetta!” desenvolvida em parceria com Ricardo Domingues, que desde 2009 vem trabalhando nos discos das banda. O mesmo ainda participou como músico convidado agregando uma segunda guitarra.

    Ninguém Mais“, “Metade de Mim” e “Última Lágrima” são canções que mais expressam a adoração à Deus. A faixa “Versos” é uma oração mariana, e que substituiu o jargão de “Linda Menina” popularizada no acústico que tem seu refrão explicitamente cantado “Ave Maria!”. “O meio e o fim” e “Jamais será tarde demais” são músicas bem dançantes considerando o lado pop do grupo. E de tanto se falar que as canções da banda eram românticas, o disco trouxe o que há de mais apreciador numa banda de rock: uma balada romântica com a música “Máquina do Tempo” a qual a mesma rendeu um belo clipe. “Vinte e Seis” é uma das minhas favoritas. Remete toda uma vida que buscou tanto algo mas agora encontra-se sozinho e sedenta de Deus.

    O baterista Grevão mais uma vez cuidou bem da parte de produção, junto com o Guilherme e o Ricardo. Enfim, O Agora e o Eterno é um maravilhoso disco de rock, deixando uma marca pra lá de positiva no cenário em 2012. “Casino Boulevard” foi o single do disco, mas pra espanto de quem vê a banda como mais uma outra do mundo religioso, e tal não substituiu a força que “Sem você” e “Menos de um segundo” tem. Um disco com bons arranjos, boas reflexões, riffs de guitarra muito bem encaixados, bateria com o peso linear ao contra-baixo, e como disse no início: considero o melhor álbum de estúdio da banda até hoje.