Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono

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Dos tempos das vacas magras em Tua Visão, as mudanças drásticas desde Sol da Justiça, pouco pode-se acrescentar de surpreendente na discografia do Diante do Trono, depois do icônico Príncipe da Paz. Talvez os álbuns Canção do Amor, Aleluia e Creio são os últimos sinais de vida vindo de uma banda que se perdeu em seu excesso de álbuns cheios de propósitos e conceitos, mesmo que justificáveis.

Dois motivos podem explicar as mudanças drásticas no Diante do Trono: A primeira é que, de certa forma ficou evidente que o exagero do grupo os deixou num beco sem saída, ou apenas resolveram “experimentar” um som mais jovial. Seja lá qual for o motivo, de certa forma estava até dando certo, até chegar 2013.

Somado a regravações de faixas categoria Lado B, como a monótona “Exaltado“, outras como “Águas Purificadoras” que já se tornaram clichês no repertório do DT, além de uma série de obras oriundas de Por Amor de Ti Oh! Brasil, o trabalho não é digno de ser comparado a um Greatest Hits. Tu Reinas dá sequência à uma crise de insistência que assola Ana Paula Valadão desde que decidiu investir pesado e desnecessariamente em versões e regravações, como o caso de Renovo.

Nem Vinicius Bruno, que também assinou a produção musical de Creio consegue salvar o disco. Recheado de sintetizadores estéreis e guitarras de Jarley em excesso, Tu Reinas soa como um álbum pop rock comum e oco. O baterista Tiago Albuquerque, que desempenhou papel de destaque em Creio, juntamente com o baixista Daniel Friesen se limitam a cumprir o que cada música pede e não conseguem preencher o vazio que as músicas evidenciam.

As performances de Ana Paula Valadão ainda tentam, com pouco sucesso transmitir emoção as canções. Nos quase quarenta anos de idade, a artista não tem acompanhado seu envelhecimento (que vale lembrar, não é algo negativo) e se recusa a lançar obras mais maduras. Com isso, o que se vê de Diante do Trono hoje é um real tiro no pé.

Em relação as músicas inéditas de Tu Reinas, “Só o Senhor é Deus” é a mais interessante, e mostra que quando Ana Paula quer, ela faz boas músicas. Paralelo à isso, “Rasga os céus” e “Deus do Recomeço” seguem o estilo do restante do álbum, porém com uma parte lírica bastante aceitável. O que realmente pesa contra o disco é o restante, ou seja, quase tudo. Também é destacável que diferentemente de Creio, em que os demais vocalistas tiveram  mais espaço, Tu Reinas retrocede e se centraliza em Valadão. Em poucos momentos, por exemplo, Israel Salazar se sobressai, mas sempre como um coadjuvante. Ana Nóbrega, Roberta Izabel, Tião Batista e outros que deixaram o grupo certamente fazem falta nesta hora.

Mas nem tudo está perdido: O projeto gráfico, idealizado e produzido pela Quartel Design é de ótimo gosto, retratando, em imagens geometricamente dispostas o sertão nordestino e imagens das gravações em forma de coroa.

Tu Reinas pode ser definido como um disco de uma banda que carrega o nome Diante do Trono, toca músicas do Diante do Trono, mas em sua essência não é mais o Diante do Trono. Certamente, agradará apenas aos fãs mais fervorosos que, durante um ano aguardaram o pior registro de sua série principal. O álbum introduz um futuro duvidoso de um grupo que um dia já esteve na vanguarda do mainstream da música cristã nacional e hoje se contenta em fazer um som que não os diferem dos demais. Infelizmente.

Confira também nossa análise do DVD Tu Reinas

Comentários

One response to “Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono”

  1. […] ao básico para ser aplaudida por um público mais amplo”. Como por exemplo, no disco anterior, Tu Reinas (2014), em que a banda se torna uma paladina da justiça pra peixe pequeno. E […]

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