Categoria: Análises

  • Análise: CD Da Eternidade – Fernanda Brum

    O novo álbum da Fernanda Brum, gravado ao vivo na Igreja Batista Central da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, dividiu opiniões. Lançado em 21 de janeiro de 2015, é caracterizado por uma produção musical mais crua e apegada à gravação na igreja.

    A grande polêmica acerca do álbum foi sobre sua capa. Fernanda Brum divulgou em sua página no Facebook duas produções para a arte, a fim de que seus fãs pudessem escolher qual seria a capa final. A escolhida rendeu polêmicas por apresentar um símbolo matemático, a Lemniscata, figurando o infinito, universalmente difundido, em todas as culturas. Houve muitas críticas carregadas de religiosidade e ignorância por parte dos internautas. Ao contrário do que parece, esse símbolo não é da Nova Era e nem de nenhuma outra seita maligna. E mesmo que se fosse, é apenas um símbolo, nada mais do que isso. Já passamos dois mil anos da Antiga Aliança para ficarmos consagrando e definindo símbolos sagrados, Deus não habita em símbolos e eles apenas representam uma realidade, não é a existência. A insígnia foi bem escolhida para encanar a ideia do título do álbum, Da Eternidade, expressando a ideia do infinito.

    Abrindo a obra, temos Efésios, escrita por Kleber Lucas. A canção possui uma sonoridade pop rock, com guitarras e teclados trazendo uma agitação relativamente melancólica. Diferentemente do pop característico de Brum, nota-se o cunho congregacional empregado no álbum. Sua letra versa sobre seguir a Cristo e de seu retorno à Terra. A interpretação vocal de Fernanda ficou um pouco distinta em relação aos CDs anteriores, sua voz está um bocado mais grave.

    O peso das guitarras e o timbre dos teclados de Som do Meu Amado demonstram a melhor performance do álbum. O pop rock acompanha a letra que expressa a vinda de Cristo. Assim como a primeira, tem estilo mais voltado ao congregacional.

    Por sua vez, Da Eternidade é mais pop e melancólica. A faixa-título vai de carona da atmosfera dramática dos teclados, até as cordas executadas pelos sintetizadores entrarem empregarem mais densidade à canção. A parte lírica apresenta uma proposta baseada nas promessas de Deus a Abraão, o que pode explicar o “Da Eternidade”, de acordo com as promessas eternas a Abraão.

    A quarta composição é mais calma e congregacional, seguindo a proposta do projeto. Troféu é uma exposição sobre o melhor prêmio ser Deus, retornando as bases dos primeiros CDs da cantora. Composição de Anderson Freire. Continuando no mesmo barco das duas canções anteriores e composta por Anderson Freire, Suas Digitais é uma canção que não merecia ter sido escolhida como single do CD. O single do álbum merecia ser uma canção assinada e escrita por Fernanda Brum.

    Minha Oferta continua no mesmo rumo do pop da cantora. Conta com a participação de André Leonno, e foi escrita pela dupla Junior Maciel e Josias Teixeira.

    Deus Está Me Construindo, escrita pela mesma dupla da anterior, é uma canção melancólica e no mesmo traço congregacional que possui o álbum. Uma letra sobre a construção interna de Deus em nós, sendo nós as Suas casas.

    A oitava canção, uma regravação que foi interpretada por vários músicos brasileiros, possui a pior reinterpretação por parte da Fernanda. Não era necessária a mudança na letra de Santo, e a vocalista não cumpriu o que a canção pedia.

    A nona faixa é a pior canção do álbum, outra regravação de Voz de Muitas Águas. Com um instrumental equivocado, O Que a Tua Glória Fez Comigo é uma pobreza musical e lírica. A mistura de línguas, o português, inglês, hebraico, em certa parte da duração da canção, foi extremamente desnecessário e terrivelmente infantil. A artista poderia ter dado uma ministração nessa canção baseada no português, sem os exageros da mudança de dialetos, o que não tinha nada a ver com a canção.

    Pai dos Orfãos, a terceira regravação do álbum e de Jason Upton, tem uma boa letra, mas um arranjo mediano como algumas canções do álbum. Em Tua Presença, outra regravação de Jason Upton, segue o lado pop da cantora, com uma letra com a mesma proposta de Troféu.

    Alguém Vai Me Ouvir é uma canção que retorna a uma das marcas registradas de Brum, a visão missionária. O arranjo é interessante, sentimental, e complementa a música e a proposta da letra. Além disso, é uma canção escrita por Fernanda Brum com parceria com Luiz Arcanjo, o que favorece a composição.

    Faz Brilhar encerra o álbum com dramaticidade e com uma letra de vibe pentecostal. É uma composição assinada pelo marido de Fernanda Brum, Emerson Pinheiro.

    O CD vem com canções dramáticas, preenchidas por riffs de guitarras, e teve uma boa participação da cozinha instrumental, mas as interpretações vocais de Fernanda deixaram a desejar. O álbum não soa original, criativo, do estilo de Brum, mas uma mistura de músicos, compositores, produtores que não souberam assimilar a identidade que a cantora possui. Isso pode ser negativo ou positivo. Se a proposta era construir um conjunto de músicas que expressem a criatividade de uma reunião de músicos, foi positivo, mas, neste caso, o álbum não deveria entrar para a carreira solo da intérprete.

    A produção executiva foi feita pela MK Music, com Emerson Pinheiro cuidando da produção musical, piano e dos arranjos, Leonardo Reis no baixo, Dedy Coutinho no baixo e no backing vocal, Duda Andrade na guitarra (solo) e no violão, Luciano Bill na guitarra (base), Tadeu Chuff nas cordas, Johnny Essi nos teclados e loops e Adelso Freire no backing vocal.

  • Análise: CD Siete Camiños – Rosa de Saron

    Em 2011, na cidade de Madrid na Espanha, aconteceria a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), e a banda Rosa de Saron foi escolhida como principal atração musical do evento. Vindo de dois anos muito bem marcados com os álbuns Horizonte Distante e Horizonte Vivo Distante, não havia momento mais propício para gravar um EP em outro idioma. Isso foi o caso de Siete Camiños, um EP com 7 faixas sendo 4 em espanhol e 3 em inglês, gravado e produzido em 2011 pelo próprio Guilherme de Sá, vocalista do Rosa. As músicas são todas autorais, tirada de maiores sucessos da banda até então, e traduzidas ao inglês e espanhol.

    Assim como a maior parte dos EPs produzidos pelas bandas de rock, há sempre aquele gosto de quero mais ou uma insatisfação pelas faixas. No SC vejo uma mescla dos dois. Não que seja um trabalho ruim, mas poderia ser algo simples e grandioso, e no caso, o vejo como um projeto simples e simples de produção também. “No Matter What” é uma versão em inglês da música “Tudo o que é meu” do álbum Depois do Inverno. Não dá pra negar que ficou muito boa ouvi-la como uma terceira versão, sendo que, anteriormente fez parte do DVD Horizonte Vivo Distante. A pronúncia e suavidade do Guilherme de Sá no início da canção ficou inegavelmente agradável de se ouvir. No entanto, há pouca novidade instrumental. Não sei se foi proposital deixar as faixas do jeito que elas são em português, mas para mim, poderiam ter inovado. “El Sol de Medianoche” é uma versão em espanhol da música O Sol da Meia Noite presente no álbum Horizonte Distante. A princípio confesso que não gostei da versão em espanhol, mas depois de a ouvir pacientemente, entendi que ela soa muito boa. E quase como um exagero juvenil, digo que essa é uma das únicas músicas brasileiras que ficam boa de se ouvir em quaisquer que seja o idioma.

    Without You” é a versão da clássica “Sem Você” em inglês, presente em três versões anteriores e três versões totalmente diferentes: primeira, a de estúdio no álbum Casa dos Espelhos, segunda no Acústico e Ao Vivo e terceira no DVD Horizonte Vivo Distante. E nessa canção ouve uma trema mudança no instrumental. Soa tipicamente como aquelas canções folk ou aquelas versões acústicas das músicas mais românticas do Alter Bridge. Digo, quase que convicto, que foi a primeira vez que ouvi “Sem Você” e pensei em uma mulher. O inglês do Guilherme trouxe um tom romântico para a canção. Melhor faixa do EP. “Memories” é uma versão em inglês de “Lembranças” encontrada no disco Casa do Espelhos e no DVD Horizonte Vivo Distante. Pontuo a banda no aspecto guitarra e baixo. Bela versão. Por mais que me lembre muito alguns hits do Red Hot Chili Peppers.

    De Lo Alto de La Pedra” é uma versão em espanhol de “Do Alto da Pedra”, presente no Casa dos Espelhos,  Acústico e Ao Vivo e Horizonte Vivo Distante. Para ser sincero, prefiro o Guilherme cantando em inglês do que espanhol. Talvez seja porque não gosto de músicas desse idioma. Mas como o evento era na Espanha, mais do que obrigação cantar em espanhol. A introdução e solo se repetiram. Nada de novo, apenas o idioma. “Extraña Calma” é a versão de “Rara Calma” em espanhol. Faixa inédita para o Acústico e Ao Vivo e se repetiu com participação especial de Mauricio Manieri no Horizonte Vivo Distante. É originalmente uma música acústica. Repito mesmo discurso que fiz para a faixa “O Sol da Meia Noite”. “Menos de Un Segundo” fecha muito bem o EP. Acrescentada uma versão mais trovadoristica, enriqueceu o trabalho.

    A banda mostra com este álbum que sabe fazer música em outra idioma, pecando apenas na inovação do arranjo, mas talvez seja proposital. Vale apena ouvir!

  • Análise: CD Español – Trazendo a Arca

    Após um trabalho que certamente dividiu opiniões, o mais óbvio era que o Trazendo a Arca recuperasse sua energia para um futuro projeto de inéditas. Isso só seria possível com um lançamento intermediário. A tática é usada no mercado fonográfico desde muito tempo, e certamente foi uma boa hora para o Trazendo a Arca.

    Seu primeiro projeto em língua estrangeira, Español resgata muito bem os maiores sucessos do grupo fluminense, com poucos deslizes. A produção musical e arranjos evidenciam uma banda nada incomodada pela saída de Ronald Fonseca, principalmente em suas partes mais agitadas, como “Toca en el Altar” e “El Suelo Va a Temblar“, com uma base instrumental consistente e sólida. Luiz Arcanjo não garante surpresas nas canções em que sua característica voz é conhecida, mas sua performance soa muito agradável em faixas que antigamente só eram ouvidas na voz de Davi Sacer, como o singleDios de Promesas“. Os arranjos, no geral se baseiam nos incrementos feitos em apresentações e gravações ao vivo, o que faz “Sobre as Águas“, por exemplo, soar familiar.

    No entanto, o (pouco) que pesa contra Español é o fato de não conter absolutamente nada que seja posterior à Salmos e Cânticos Espirituais, mantendo de fora faixas de Entre a Fé e a Razão e Na Casa dos Profetas. Ainda soou desconfortáveis as canções que originalmente continham duetos e foram trocadas por backing vocais, principalmente “Tu Gracia me Basta” e “Señor y Rey“. Esta última, mesmo sendo, de longe uma das melhores músicas de toda a carreira do Trazendo a Arca foi uma proposta arriscadíssima de se trazer em Español, sobretudo por sua versão original ser dificilmente superada.

    Em suma, Español é um bom registro de uma banda que, aos poucos revigora suas forças frente à saída de seu principal arranjador, mas bem focada em um projeto comemorativo. As canções que o compõem certamente estão dentre os principais hits do Trazendo a Arca, provando o porquê são um dos principais expoentes do gênero no Brasil, gerando expectativas para o próximo CD de inéditas, que virá em breve.

  • Análise: Unstoppable Love – Jesus Culture

    Unstoppable Love é o mais recente trabalho do grupo ministerial Jesus Culture. Gravado em janeiro de 2014, durante a Conferência Anual em Sacramento no Auditório do Memorial Histórico da Califórnia, o álbum foi distribuído pela gravadora Onimusic no Brasil. Traz 13 inéditas e uma palavra de Banning Liebscher, “Answering the Call to Prayer”.

    O Jesus Culture tem atingido um patamar de grande e renomada reputação, desde seu lançamento na música cristã. A banda, juntamente com Hillsong United, um dos maiores destaques do movimento, tem embalado os cultos de jovens, e com a proposta dos músicos, tem levado a adoração íntima e extravagante a todas as nações. Entre vários cantores e bandas internacionais, esse é um dos conjuntos cristãos que mais foi regravado por artistas brasileiros, além de que a própria é conhecida por conter muitas regravações de outros músicos.

    A obra segue a mesma linha dos projetos anteriores: músicas com a sonoridade do pop rock e rock britânico, faixas estendidas por espontâneos e ministrações, por exemplo, como a faixa-título que possui uma bela performance e espontâneos por parte da Kim Walker, e ótimas interpretações por parte dos vocais do grupo. Os créditos das principais interpretações vocais são de Cris Quilala e Kim Walker. Kim Walker, desde o primeiro lançamento, mostrou uma potente voz, que de longe demonstra ser a melhor do conjunto. Cris Quilala cumpriu seu papel na parte lírica.

    Contundo, a recente produção exibe o grupo como apenas um conjunto de igreja ou com músicas contemporâneas e juvenis, desde ao estilo musical, até letras de devoção a Deus e de seu amor incondicional, falhando no item criatividade. As melodias possuem a mesma estrutura musical, o pop rock altamente influenciado por grupos cristãos como Hillsong United, e o pelo rock britânico como U2. As canções do álbum apresentam camadas cheias de melancolia, que buscam expressar a sensação de estar conectado a Deus, somadas as letras de devoção.

    Um ponto positivo do álbum é a pouca quantidade de canções tiradas ou regravadas de outras obras musicais. As exceções do conjunto é “10.000 Reasons”, do Matt Redman, e de “You Made a Way”. O Jesus Culture já era conhecido pelas suas regravações como “How He Loves Us”, do americano John Mark McMillan. O projeto, apesar de ter mais da criatividade e produção do Jesus Culture, ainda assim expõe um álbum muito pouco criativo.

    Unstoppable Love segue a proposta do ministério: levar o amor divino e o estilo de adoração para todas as pessoas, e consegue devidamente desempenhar esse papel, os instrumentistas cumprem seus ofícios, mas como um grupo musical ainda permanece como só mais um em uma multidão de compositores contemporâneos.

  • Análise: CD Learning to Breathe – Switchfoot

    Com canções mais “sujas” e pesadas, o álbum Learning to Breathe da banda Switchfoot inova com músicas fantásticas, como “I Dare You to Move”, “Love Is the Movement” e “Learning to Breathe”. Preenchida por onze faixas segmentadas pelo rock alternativo, post grunge e até uma canção com influências da bossa nova, o terceiro projeto do grupo musical apresenta um notável e admirável desenvolvimento em suas canções, considerando o antecessor, a começar pela arte da capa: figuras geométricas representando homens e em suas cabeças, um desenho de televisão. Uma crítica bem humorada feita à nossa cultura atual, onde nossos valores intelectuais, de caráter tem se dobrado à produção midiática, à cultura pop e superficial de nossa geração.

    Abrindo o CD, “I Dare You to Move” exime a beleza da criatividade da banda, numa canção empolgante e reflexiva. A primeira versão da composição e single da banda é introduzida por notas dissonantes tocadas em um violão, e com a duração da música são incrementados os outros instrumentos. Possuindo um refrão daqueles grudentos e excitantes, o tipo você que você canta, decora e nunca mais esquece, a música é uma chamada de recomeço, nos momentos em que nós caímos, para correr de encontro à Cristo.

    A segunda faixa, single e faixa-título, “Learning to Breathe“, é uma bela balada com uma linda introdução de guitarra. Junto com outras canções do Swtichfoot, integrou a trilha sonora de Um Amor para Recordar. A melodia segue usando uma escala de sol com os versos poéticos de Jon Foreman retratando a “morte de si” para viver e sobre como o homem cai.

    You Already Take Me There, a terceira obra do álbum, com direito a um videoclipe, orienta-se em um som bem grunge. Uma melodia executada com guitarras mais distorcidas, é acompanhada pela voz de Jon Foreman cantando sobre o lugar onde nós encontramos em meio à destruição e morte do mundo: em Deus.

    A quarta composição do álbum é a beleza e a harmonia entre a poesia e um arranjo extravagante. “Love Is the Movement” é a definição disso. Com uma introdução de dedilhados em sol maior e si menor, acompanhado por toques graciosos e suaves de baixo, a obra, uma das melhores da banda, exprime o amor de Deus como poucas canções conseguem exprimir. Depois da introdução, a entonação da musica altera-se, entre belos dedilhados. A canção finaliza com um coral.

    A próxima faixa é uma das mais divertidas do CD. Em meio à riffs e solos de guitarras sujas, solos de teclado e com vozes falando e cantando, complementa o conjunto da harmonia de Paparazzi. Seguindo o som grunge, a voz de Foreman destoa em algumas partes e em outras executa uma boa interpretação, enquanto proclama a revolta contra cultura pop que invade a mentalidade cada pessoa.

    Innocence Again” é sem dúvidas a melodia mais distinta do álbum. Com excelentes trabalhos de guitarra e violão, a música possui certa influência da bossa nova, que lembra algumas obras dos Los Hermanos, como “Veja Bem Meu Bem”, e a parte instrumental aos 01h47min da duração de “A Flor”. Aplausos ao solo de violão em sincronia com o canto de Foreman encontrado mais ou menos no meio da música. A composição expõe a ideia de como a nossa fé é inocente ao crer em Deus só em momentos fáceis, mas que a oportunidade de redenção e sua graça se encontram em todos os momentos.

    A sétima melodia do álbum é um som levado por riffs até bons de ouvir. “Playing for Keeps” começa com toques de guitarra com poucas distorções, quase clean, até partir para a ponte e refrão, onde se acrescenta mais distorções a guitarra. Palmas aos trabalhos de backing vocais na canção.

    The Loser” é uma boa música. Com uma introdução marcante de riffs de guitarra que também acompanham o refrão, Jon Foreman canta sobre o esvaziamento de alguém, sobre ser perdedor e poder ainda ganhar.

    A nona faixa, “The Economy of Mercy”, é outra balada, na qual quebrando a sequência de canções ótimas e boas apresenta uma sonoridade de qualidade mediana, com uma bonita introdução, mas com fracas interpretações e um arranjo um pouco maçante. A letra que apresenta uma visão poética da graça divina poderia ser o ponto positivo da canção.

    Erosion” em termos de qualidade seria uma espécie de melhoria da composição anterior, mas com um refrão ainda um pouco cansativo. Com uma introdução bem interessante de efeitos na voz do vocalista e grungeria na linha de guitarra, a música mistura um pouco de suavidade no refrão e ponte e sujeira no resto da construção musical, declara sobre a chuva divina que pode quebrar nosso coração, e um clamor por isso.

    A última do CD, “Living Is Simple”,  apresenta a mesma qualidade que se percebeu antes das duas últimas canções. Ótimo trabalho de violão, guitarra, baixo e bateria. Notáveis solos de violão em algumas partes, enquanto expõe a sua visão de que viver não é simples, mas morrer todos os dias, uma contradição com o título que é exposto na escrita da música.

    Em suma, a terceira obra de Switchfoot mais uma vez mostra um maior e notável amadurecimento na composição dos arranjos, e um perceptível aumento de peso nas canções em comparação com os dois primeiros álbuns. Com a mesma característica dos CDs anteriores, foi um álbum estritamente “Jon Foreman”, tendo a maior parte da assinatura das composições, exceção de algumas que criou com o irmão e baixista Tim Foreman.

    Vale salientar a qualidade de algumas canções, tanto na poesia e na harmonia, presente nesse álbum, como a canção “Love Is the Movement”, que mais tarde se tornaria o slogan de uma organização social chamada To Write Love On Her Arms, que luta contra depressão, vícios, automutilação e suicídio, do qual Switchfoot participa. Mas o conjunto como um todo, percebe-se que foi um álbum com letras mais devotas e menos trabalhadas que as anteriores, apesar de como sempre estarem excelentes.

    O álbum foi produzido por Charlie Peacock e Jacquire King, e o último a ser gravado pela gravadora independente Re:think Records, com distribuição feita pela Sparrow Records, lançado em 26 de Setembro de 2000. Os créditos para a execução dos arranjos ficaram nas mãos de Jon Foreman como vocalista e guitarrista, Tim Foreman no baixo e backing vocal, e Chad Butler na bateria, com participações de Vicky Hampton e Darwin Hobbs em “Love Is the Movement” e de Jan Foreman em “Living Is Simple”. O álbum foi mais bem sucedido que os dois primeiros, recebendo disco de ouro da RIAA (Recording Industry Association of America) e nomeado como “Melhor Álbum Gospel Rock” pelo Grammy em 2001.

  • Análise: CD End Of Silence – RED

    É comum encontrarmos pessoas que gostem apenas de alguns álbuns da banda, ou, só de algumas músicas. A banda tem um som que lembra de longe a sonoridade do Link Park. Lançado no dia 6 de Junho de 2006, End of Silence é o álbum de estreia da banda, que para maiores consequências positivas, atingiu o número 194 do Top 200 segundo a revista Billboard. RED neste disco usou uma sonoridade que mescla o lírico ao metal, com Michael Bornes no vocal e nos pianos, Anthony Armstrong na guitarra e vocal de apoio, Randy Armstrong no baixo, piano e também vocal de apoio e Hayden Lamb no violoncelo e bateria.

    Acredito que o desafio não é gostar ou não da banda, mas reter o que a banda oferece de bom no instrumental e suas letras. “End of Silence” (Fim do Silêncio) é um grito – literalmente – de sentimentos e isso já é caracterizado no disco pela música “Breathe Into Me” (Respire em Mim), primeira faixa após o intro de 57 segundos que demarca uma confissão meio pessoal sobre o fim de seu silêncio. O que me intriga é o fato do vocalista Michael Barnes compor tão pouco e interpretar tão bem as canções que não são de sua autoria. Isso acontece com a romântica “Pieces” (Pedaços) composta por Rob Graves que também assinou “Breath Into Me” e assina boa parte do álbum.

    As letras são sentimentalmente fortes e em sua maioria, complexas. Em “Break Me Down” (Destrua-me) há um grito de sofrimento e desejo de mudança. Diferente de “Wasting Time” (Perdendo Tempo), que aparentemente é um aviso ao opressor, dizendo que ele não tem mais poder sobre o autor. A aposta da banda foi mostrar um rock pesado em tudo, e particularmente, conseguiu. Das poucas baladas do disco, “Already Over” (Já Acabou) e “Lost” (Perdido) – que contém uma versão acústica encerrando o trabalho em grande estilo – são as que mais me agradam.

    Portanto, o disco é muito bom, e merece uma atenção privilegiada!

  • Análise: CD Um Brinde ao Recomeço – Quarto Fechado

    O crescimento do novo movimento no Brasil, iniciado pela Aeroilis em meados de 2001, originou uma quantidade considerável de ótimas bandas, de vários estilos, que engloba desde o rock até o tropicalismo brasileiro. Uma dos grupos originários desse cenário foi o Quarto Fechado. Com um som guiado pelo rock alternativo e com influências de Foo Fighters e Switchfoot, o quarteto composto por Eduardo Stosick (baixo), Paulo Ferreira (guitarra), Thiago Soares (bateria) e Helon Borba (vocal e guitarra), lança um EP de cinco faixas em 2012 chamado de Um Brinde ao Recomeço, de forma independente por formato digital, disponível no blog da banda. Oriundos de Florianópolis, de forma inversa, lançam seu EP sem qualquer apresentação, no entanto, tem atingido um considerável público, espalhado por todo o Brasil. Seus integrantes já são experientes na cena underground, tendo outros projetos paralelos. O vocalista Helon Borba já foi guitarrista e vocalista na banda Adorelle, e também já foi baixista da Aeroilis.

    Quando se leva em conta toda a proposta musical das bandas desse meio, percebe-se a riqueza cultural, poética e musical, e nesse contexto, Quarto Fechado se supera magnificamente quando se quer falar de conteúdo reflexivo. Poucas bandas conseguem criar uma identidade, letras e estrutura artística, não como um conjunto de pedaços e que se misturam fazendo uma colcha de retalhos, mas como uma união musical e conceitual formando uma obra conectada e interligada em si. O grupo catarinense realiza isso com destreza, sendo a melhor de rock na cena do novo movimento.

    Vamos começar pelo nome da banda: de acordo com os integrantes vem da ideia do que você faz enquanto está sozinho, de quem você é. E o versículo da banda, Mateus 6.6, remete justamente a esse nome: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Mateus 6.6

    Ousaria ir mais longe. Um relacionamento pessoal com Deus se baseia no secreto, não aquele em que a pessoa demonstra a sua devoção a Deus querendo mostrar a todos o quanto é cristã. Parte do pessoal, do às sós com o Eterno, e ao se deparar com o conteúdo musical da banda, encontramos reflexões que partem dessa relação íntima com o divino.

    Um Brinde ao Recomeço começa com uma canção com riffs de guitarra inesquecíveis. Em “Estrada para Perdição“, percebe-se a organização melódica da banda de utilizar uma guitarra base e uma guitarra solo, duas camadas com diferentes entonações. Na estruturação rítmica introdutória, a canção lembra um pouco “Break Free” do Hillsong United. A letra retrata a brevidade do nosso coração, de como os sentimentos são passageiros e falhos, e com um pedido a Deus, clama que possamos não ser guiados por ele. Hellon Borba finaliza canção com gritos cantando sobre a perdição do coração. Harmonicamente, apresenta o melhor trabalho de guitarra do EP.

    Seguindo o tom confessionário da primeira faixa, “Meu Barco” é outra brilhante composição. Elaborada em ótimos trabalhos de cordas elétricas, entre dedilhados e power chords, a balada possui uma letra espetacular, versando num tom eclesiástico. Retrata sobre algo que é um dos fundamentos do cristianismo: tudo tem seu lugar. E quando algo sai de seu devido espaço, o equilíbrio se perde. Só a essência de Deus pode trazer algo ao seu equilíbrio. Isso reflete a última canção do EP, “Desordem em Mim”, que quando tudo se encontra fora de sua devida posição, há uma desordem dentro de nosso ser.

    Em uma nova canção que trata assuntos reflexivos, “Fast Food” apresenta camadas de guitarras suaves na introdução, até ganhar peso no refrão e na ponte. A linha de baixo é contínua. O grupo capricha na composição dos versos, relatando sobre como o ser humano é um ser apressado, que gosta de ideias rápidas e superficiais, um “fast food intelectual”, mas na verdade, como é retratado na canção anterior, tudo tem seu tempo e que nada vem depressa. Aliás, é esse o apogeu do EP: a conexão das músicas. Outra ótima canção e uma excelente construção de versos.

    Eu Sozinho”, com pegadas de guitarras abafadas, orientadas pelo rock alternativo, apresenta a letra mais poética e complexa do álbum. Bem trabalhada musicalmente, acompanhando o estilo das outras faixas, traz dois níveis de guitarra, e uma ótima produção de baixo, principalmente no trecho “Eu acredito sim / Amar é repartir”. Aliás, o backing vocal dessa parte é perfeito e condiz bem com os versos. A obra retrata sobre um tema diferente: a desigualdade encontrada nos pés do universo, e em belas palavras declara um gesto de humildade: “De pés descalços me sinto mais vivo”. Calçados podem dar uma metáfora para a condição social de uma pessoa. Sapatos sociais para alguém importante e de classe, sandálias de hippies, tênis da Nike, Olympikus, para quem gostar de praticar esportes, entre outras alusões. Estar de pés descalços é metaforizar sobre a igualdade, abandonar todos nossos conceitos e conquistas. Estar de pés descalços é entrar em contato com a nossa origem, e também, repartir a dor do outro que se encontra descalço de riquezas.

    Finalizando o projeto, a quinta faixa apresenta uma condução diferente das músicas anteriores. A canção mais lenta e confessional do conjunto exibe acordes de piano que caem perfeitamente com a balada. “Desordem em Mim” foi uma ótima escolha para finalizar o álbum. A melodia, diferente das primeiras obras, só expõe as duas camadas comuns de guitarra após o refrão. Um arranjo bem introspectivo, com ótimas elaborações de cordas elétricas e um belo trabalho de piano, expressa excelentemente os versos cantados por Helon Borba sobre a desordem dentro do nosso ser. O trabalho musical lembra bastante a segunda canção, pela letra bem introspectiva e poética.

    Para acompanhar o belo e reflexivo trabalho de Quarto Fechado, o EP tem uma capa, muito bem produzida e editada, que não apenas embeleza o álbum. A arte contextualiza toda a obra do projeto. Nota-se resumidamente na imagem que há uma bela cidade de cabeça para baixo, na parte de cima, onde deveria estar o céu, e embaixo está uma lua, que deveria estar na parte de cima da foto. Essa troca de lugares na imagem define todas as composições do EP, principalmente as canções “Meu Barco” e “Desordem em Mim”: a desordem humana, a sensação de que tudo está fora do lugar. E é aí que entra todo o significado do título do trabalho musical. Nas palavras dos integrantes da banda:

    É no abrir e fechar de olhos, no giro do ponteiro, que mais um dia corrido passou. Consumindo a ponto de dificilmente pararmos um instante para repensar nossas ações, posturas e ideias.

    Porém quando repensamos, podemos nos assustar com nossas próprias atitudes, e chegar à conclusão de que é hora de mudar, de fazer diferente.

    Nessa hora nos dispomos a recomeçar. Mas não um simples recomeçar, como quem tenta novamente algo que não deu certo, e sim um recomeçar diferente.

    Um recomeçar de insatisfação, um recomeçar de mudança, assim nos permitimos mudar, evoluir, e até mesmo nascer de novo.

    E quando conseguimos, temos sim motivos pra comemorar.

    Sendo assim, um brinde ao recomeço.

    Esse grande projeto, apesar de pequeno, traduz todas as “bagunças humanas”, suas confusões, vazio e superficialidade, e nos convida à mudança, ao recomeço, “como se fosse capaz de voltar” (Eu Sozinho), a nascer de novo, a repensar em nossas atitudes. Ele reflete a direção que o “Meu Barco”, o nosso barco está tomando, em um caminho onde está tudo em desequilíbrio, a “Estrada para Perdição”, e o nosso eu se encontra em desalinho, nessa “Desordem em Mim” e cada vez mais nós ficamos focados no nosso próprio ego, como se fosse só “Eu Sozinho” para se preocupar no mundo, alimentados por um “Fast Food” intelectual, e nessa verdadeira desordem, Deus nos oferece um caminho de reinício. Assim, ”vamos acreditar que o mundo pode amanhecer diferente” (Fast Food).

    O primeiro lançamento do Quarto Fechado demonstra uma maturidade, identidade musical e filosófica que indica o quão longe o grupo pode ir e mostrar. Uma banda que exibe em seu trabalho, um desejo de construir uma carreira longe de clichês gospel e longe da linguagem “evangeliquês” da maioria dos cantores atuais e uma união entre os integrantes formando um único ser, não um grupo de super músicos individuais. O trabalho dos arranjos, as guitarras, o baixo, a bateria e o piano, foram bem executados, e a interpretação vocal de Helon Borba foi agradavelmente exercida, dando emoção às músicas, contextualizando-as com seus gritos. O álbum mostrou seis elementos: cinco ótimas músicas (difícil escolher a melhor) e um sexto, a conexão das músicas com a projeção gráfica e o nome do trabalho. O sexto ponto foi o auge desse projeto, a interligação dos itens, formando uma obra esplêndida e conceitual.

    A banda peca apenas na divulgação musical. O blog do grupo precisa ser melhor formulado e projetado, pois é por lá que a propagação de sua música será feita.

  • Análise: CD Heróis – Voz da Verdade

    Heróis é o primeiro álbum do Voz da Verdade pós-35 anos e também inaugura, teoricamente, um novo tempo na banda, que agora, tendo metade de sua formação original na estrada possui a árdua missão de manter clara a identidade construída por este grupo veterano da cena cristã. As mudanças no grupo praticamente se limitam a este aspecto, pois musicalmente o lançamento mantém as tendências dos CDs anteriores do grupo.

    O projeto gráfico, como de praxe na história do ministério é bastante aquém da maior parte dos lançamentos do meio gospel, com excesso de cores e informação. A maior parte do repertório é escrito pelo vocalista e líder Carlos A. Moysés e pela diminuição de membros certamente sua participação no processo criativo do grupo vai aumentar.

    A música do Voz da Verdade é, essencialmente dotada de ecletismo, e este aspecto nos é encontrado em todo o repertório. “Eu & Deus” trabalha com cordas e piano até culminar em um refrão basicamente influenciado pelo gospel. No final da melhor música do álbum há uma referência instrumental implícita à “Let it Be” dos Beatles. “É Tempo”, “Abrindo as Asas” e “Mil Anos de Paz” são pontos altos de Heróis. Em contrapartida, em outras canções como “Decidi por Jesus” nota-se que a banda ainda soa um pouco desconfortável ao trabalhar com o hard rock, mas esforçada em renovar-se musicalmente.

    Liricamente, o projeto apresenta os mesmos temas explorados nos últimos discos, como a superação em meio a dificuldades e temas mais intimistas. A banda aposta em aspectos regionais, como “Fogo para o Brasil” e com ritmos nordestinos como o forró, através de “”. Atravessar o jazz, blues, rock, pop e outros gêneros nunca pareceu uma dificuldade para o grupo, e de modo geral o disco soa bem. Portanto, Heróis mostra que, mesmo desfalcado, o Voz da Verdade ainda tem muito gás para seguir positivamente em frente.

  • Análise: CD Criador do Mundo – Daniela Araújo

    Daniela Araújo é uma jovem cantora cristã que desperta em qualquer ouvinte de música pop um carisma intrigante e apaixonante. Criador do Mundo é um disco que remete uma fase madura, mas sem perder a jovialidade da cantora. Trazendo consigo um peso bem característico da Dani, e isso é traduzido nas faixas “Entrega” na qual possui a participação do rapper Lito Atalaia e particularmente é uma das melhores canções do álbum, e “Criador do Mundo“, faixa título, que carrega um lado meio eletrônico.

    É considerável que o disco seja por parte evangelístico e por si só, um protesto sobre a hipocrisia, sendo este segundo tema algo que permeia em 30% das faixas, mesmo que, na maioria das hipóteses, esteja oculto, precisando de mais umas três ouvidas para identificar a crítica. Em “Verdade” temos uma faixa de peso e com uma letra bem elaborada. Também considero o disco bem autobiográfico. “Imensurável” mostra um lado trovador e adorador da cantora. “Deus” e “Jesus” são canções bem bíblicas, de acordo com a vida da autora. “Te Alcançar” volta o logo pop do disco, com back vocal de Leonardo Gonçalves, tendo participação do mesmo em “Porto Seguro“, continuando o lado pop do álbum. Em “Aleluia“, um dos irmãos Arrais contribui nos vocais, deixando o disco com um fim esplêndido! “Me ensina a amar” é uma faixa bônus. Essa volta a temática do primeiro CD da Dani, com um arranjo muito bem elaborado com uma breve sonoridade de acordeon. “Liberdade” também ganhou uma nova versão, agora mais acústica e trovadora, típico da Daniela Araújo.

    Meus pontos e felicitações a esse disco, e, considero um dos melhores lançados em 2014.

  • Análise: CD Pra Onde Iremos? – Gabriela Rocha

    Pra Onde Iremos? é o mais recente álbum de Gabriela Rocha, cantora na qual possui breve carreira, porém altamente promissora.

    O disco, composto por 11 faixas foi produzido por Daniela Araújo e Jorginho Araújo. Aliás, é interessante a participação de Daniela na produção de lançamentos do gospel nacional. Ano passado, Geração de Jesus, de Jotta A se destacou pela evolução do cantor, mas ainda pecava pela forte influência de Araújo nas interpretações vocais e arranjos.

    Ao contrário do álbum de Jotta, o segundo trabalho de Gabriela Rocha chama mais a atenção pela personalidade da artista do que os atributos nos quais a produção musical oferece. As interpretações vocais de Gabriela, assim como no álbum Jesus estão surpreendentes, abrangendo agudos e graves de forma agradável e comedida, como em “Eu Sou Teu“, versão de “Rooftops”. O único aspecto negativo acerca das interpretações de Rocha é a forma em que soa arrastada em algumas músicas, que poderiam ser mais curtas.

    Nota-se que Gabriela Rocha assimilou o uso do pop rock estrangeiro com letras congregacionais como ninguém no mainstream do gospel, tendência cada vez mais forte fora do país. Esta é a explicação mais óbvia para sermos apresentados à músicas como “Teu Santo Nome“, regravação de músicos adventistas da Novo Tempo, mas utilizando-se de sintetizadores e bateria vibrante. Um aspecto inerente em quase todas as faixas de Pra Onde Iremos é a utilização de refrões simples e marcantes, que soam adequados para o êxito comercial do projeto.

    Também com canções festivas, “Vou Te Adorar” e até mesmo a versão de “Wake”, intitulada “Desperta” são pontos altos do trabalho, com influências eletrônicas e alternativas. “Nossa Canção” é positiva pela participação especial de Leonardo Gonçalves, mas não está dentre as melhores do álbum. Os vocais de apoio, no geral não são “danielarizadores“, exceto o de “A Voz“. Este pequeno deslize é um perigo para Daniela Araújo que, apesar de estar desempenhando ótimo papel como produtora não pode influenciar demasiadamente na sonoridade dos discos nos quais trabalha. No entanto, a artista parece aos poucos superar esta lacuna.

    Para Onde Iremos?, portanto se sobressai como um dos melhores lançamentos da cena gospel nacional de 2014 com justiça. Com um repertório coerente ao estilo de Gabriela Rocha, coesivo, e produção musical pertinente e, principalmente interpretações vocais cheias de personalidade e maturidade, é um registro surpreendente de uma cantora de poucos anos de estrada, mas que já conquistou o espaço que merece.