Análise: CD Da Eternidade – Fernanda Brum

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O novo álbum da Fernanda Brum, gravado ao vivo na Igreja Batista Central da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, dividiu opiniões. Lançado em 21 de janeiro de 2015, é caracterizado por uma produção musical mais crua e apegada à gravação na igreja.

A grande polêmica acerca do álbum foi sobre sua capa. Fernanda Brum divulgou em sua página no Facebook duas produções para a arte, a fim de que seus fãs pudessem escolher qual seria a capa final. A escolhida rendeu polêmicas por apresentar um símbolo matemático, a Lemniscata, figurando o infinito, universalmente difundido, em todas as culturas. Houve muitas críticas carregadas de religiosidade e ignorância por parte dos internautas. Ao contrário do que parece, esse símbolo não é da Nova Era e nem de nenhuma outra seita maligna. E mesmo que se fosse, é apenas um símbolo, nada mais do que isso. Já passamos dois mil anos da Antiga Aliança para ficarmos consagrando e definindo símbolos sagrados, Deus não habita em símbolos e eles apenas representam uma realidade, não é a existência. A insígnia foi bem escolhida para encanar a ideia do título do álbum, Da Eternidade, expressando a ideia do infinito.

Abrindo a obra, temos Efésios, escrita por Kleber Lucas. A canção possui uma sonoridade pop rock, com guitarras e teclados trazendo uma agitação relativamente melancólica. Diferentemente do pop característico de Brum, nota-se o cunho congregacional empregado no álbum. Sua letra versa sobre seguir a Cristo e de seu retorno à Terra. A interpretação vocal de Fernanda ficou um pouco distinta em relação aos CDs anteriores, sua voz está um bocado mais grave.

O peso das guitarras e o timbre dos teclados de Som do Meu Amado demonstram a melhor performance do álbum. O pop rock acompanha a letra que expressa a vinda de Cristo. Assim como a primeira, tem estilo mais voltado ao congregacional.

Por sua vez, Da Eternidade é mais pop e melancólica. A faixa-título vai de carona da atmosfera dramática dos teclados, até as cordas executadas pelos sintetizadores entrarem empregarem mais densidade à canção. A parte lírica apresenta uma proposta baseada nas promessas de Deus a Abraão, o que pode explicar o “Da Eternidade”, de acordo com as promessas eternas a Abraão.

A quarta composição é mais calma e congregacional, seguindo a proposta do projeto. Troféu é uma exposição sobre o melhor prêmio ser Deus, retornando as bases dos primeiros CDs da cantora. Composição de Anderson Freire. Continuando no mesmo barco das duas canções anteriores e composta por Anderson Freire, Suas Digitais é uma canção que não merecia ter sido escolhida como single do CD. O single do álbum merecia ser uma canção assinada e escrita por Fernanda Brum.

Minha Oferta continua no mesmo rumo do pop da cantora. Conta com a participação de André Leonno, e foi escrita pela dupla Junior Maciel e Josias Teixeira.

Deus Está Me Construindo, escrita pela mesma dupla da anterior, é uma canção melancólica e no mesmo traço congregacional que possui o álbum. Uma letra sobre a construção interna de Deus em nós, sendo nós as Suas casas.

A oitava canção, uma regravação que foi interpretada por vários músicos brasileiros, possui a pior reinterpretação por parte da Fernanda. Não era necessária a mudança na letra de Santo, e a vocalista não cumpriu o que a canção pedia.

A nona faixa é a pior canção do álbum, outra regravação de Voz de Muitas Águas. Com um instrumental equivocado, O Que a Tua Glória Fez Comigo é uma pobreza musical e lírica. A mistura de línguas, o português, inglês, hebraico, em certa parte da duração da canção, foi extremamente desnecessário e terrivelmente infantil. A artista poderia ter dado uma ministração nessa canção baseada no português, sem os exageros da mudança de dialetos, o que não tinha nada a ver com a canção.

Pai dos Orfãos, a terceira regravação do álbum e de Jason Upton, tem uma boa letra, mas um arranjo mediano como algumas canções do álbum. Em Tua Presença, outra regravação de Jason Upton, segue o lado pop da cantora, com uma letra com a mesma proposta de Troféu.

Alguém Vai Me Ouvir é uma canção que retorna a uma das marcas registradas de Brum, a visão missionária. O arranjo é interessante, sentimental, e complementa a música e a proposta da letra. Além disso, é uma canção escrita por Fernanda Brum com parceria com Luiz Arcanjo, o que favorece a composição.

Faz Brilhar encerra o álbum com dramaticidade e com uma letra de vibe pentecostal. É uma composição assinada pelo marido de Fernanda Brum, Emerson Pinheiro.

O CD vem com canções dramáticas, preenchidas por riffs de guitarras, e teve uma boa participação da cozinha instrumental, mas as interpretações vocais de Fernanda deixaram a desejar. O álbum não soa original, criativo, do estilo de Brum, mas uma mistura de músicos, compositores, produtores que não souberam assimilar a identidade que a cantora possui. Isso pode ser negativo ou positivo. Se a proposta era construir um conjunto de músicas que expressem a criatividade de uma reunião de músicos, foi positivo, mas, neste caso, o álbum não deveria entrar para a carreira solo da intérprete.

A produção executiva foi feita pela MK Music, com Emerson Pinheiro cuidando da produção musical, piano e dos arranjos, Leonardo Reis no baixo, Dedy Coutinho no baixo e no backing vocal, Duda Andrade na guitarra (solo) e no violão, Luciano Bill na guitarra (base), Tadeu Chuff nas cordas, Johnny Essi nos teclados e loops e Adelso Freire no backing vocal.

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2 respostas a “Análise: CD Da Eternidade – Fernanda Brum”

  1. […] álbum Da Eternidade, já analisado aqui, receberá um registro em DVD em Israel. Fernanda Brum, juntamente com seu […]

  2. […] Da Eternidade (MK Music/2015): Mal produzido, mal arranjado e mal captado, Da Eternidade é um disco amador, excessivamente cru e pouco convincente. (Nota: ) […]

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