Análise: CD New Way To Be Human – Switchfoot

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New Way to Be Human, a segunda obra de Switchfoot é sem dúvida um progresso em forma de arranjos. Com um álbum anterior orientado pelo post grunge e com pequenas influências do post punk, o novo conjunto de faixas apresentou canções mais trabalhadas e marcantes, sem grandes mudanças no estilo musical. As composições, em sua maior parte foram creditadas a Jon Foreman e a execução das faixas feitas pelo power trio formado pelos irmãos Jon Foreman (vocal e guitarra) e Tim Foreman (baixo e backing vocal), e com Chad Butler na percussão, contando ainda com outros convidados especiais para execução de algumas faixas. O projeto foi gravado e distribuído pela gravadora Re:think Records e produzido por Charles Peacock.

A primeira canção e single da obra, “New Way to Be Human“, faixa-título, introduz bem o CD. Começando com um violão, alguns toques de guitarra, baixo, teclado e uma bateria acompanhando no fundo, já diz bem o que será o segundo álbum da banda, uma mistura de melodias acústicas, lentas, velozes e alternativas. Sua letra se sobressai como o ponto forte da banda, falando de um eu lírico procurando um jeito de viver. A música apresenta essa forma de ser, o “New Way to Be Human”. A canção recebeu um videoclipe e entre as faixas do álbum, listaria como a terceira melhor obra deste.

Incomplete”, com seu riff de introdução, e um estilo meio rock alternativo misturado ao post punk do U2 é a segunda melodia do CD de maior qualidade. A canção, falando de um ser incompleto procurando alguém para completá-lo, desempenha bem seu papel e, seguindo a faixa anterior, mostra o melhor do álbum.

A terceira melodia, “Sooner or Later(Soren’s Song)” demonstra a habilidade conceitual de Jon Foreman ao citar filósofos nas suas composições. A música, calma e com dedilhados simples de guitarra, tendo direito as sons de violinos e outros, até ganhar um peso no meio da sua duração faz referência às ideias do filósofo cristão Søren Kierkegaard de que há uma realidade conflitante no mundo a qual os homens terão que lidar algum dia. Cita também a ideia do filósofo Jean Paul Sartre de que os homens estão condenados a serem livres. A beleza da composição é notada em uma desenvoltura de trabalhar bem com palavras instigando ao ouvinte a pensar e entender a mensagem da letra. O arranjo em si, é simples, sem algo notável e cumpre o papel de uma canção comum.

Company Car”, a quinta faixa, é uma das composições mais conhecidas do projeto, bela como os primeiros arranjos. Destaca-se os instrumentos de sopro encontrados na melodia e a construção da letra, detalhando a vida de um cara que tem um alto cargo e o carro da empresa, mas continua sendo um nada e um ser vazio. Ótima letra, ótima mensagem.

A sexta composição do CD, “Let That Be Enough”, é uma faixa acústica de voz, violão e teclado. Uma canção de arranjo sem excentricidades, mas com uma bonita letra sobre solidão e a vontade de se repousar em Deus. “Something More (Augustine’s Confession)” é uma das melhores composições do álbum. Citando “Confissões”, um livro de um dos pais do cristianismo, Santo Agostinho, tem um arranjo introduzido por riffs de guitarra pegajosos e um refrão com um backing vocal notável. Uma canção com fortes características do post punk, principalmente no refrão.

A sétima canção, “Only Hope”, é sem dúvidas a melhor e mais esplêndida composição do álbum. Uma das canções mais conhecidas do grupo musical, uma melodia semiacústica, com graciosos toques de violino, um belo dedilhado de violão, acompanhada por sons de teclados e em algumas partes por guitarra aliado a uma letra de amor a Deus (a canção é usualmente entendida como uma música romântica), constroem uma bela obra da banda. A composição é um dos maiores sucessos da banda, principalmente pelo cover feito por Mandy Moore no filme “Um Amor para Recordar”.

 “Amy’s Song”, sem grandes detalhes apresenta toques suaves de violão. Fala da garota Amy, uma simbologia a uma pessoa que vive sua vida centrada em Cristo, e que está viva em um mundo morto, em uma bela construção de versos, característica notável da banda quando querem escrever algo.

A penúltima faixa, “I Turn Everything Over”, é uma boa canção. Arranjo com base definida no rock alternativo, no fundo, uma pequena influência do post punk e expressa a fraqueza e a decadência humana em comparação com a grandeza de Deus, nossa única esperança.

A última composição do álbum, “Under the Floor” é uma música simples com uma letra de devoção ao Deus e de reconhecimento de sua Glória. Apesar de sua simplicidade, após o final da canção há um encantador conjunto de vozes mais instrumentos finalizando a melodia e o álbum.

New Way to Be Human representa um bom avanço na carreira da banda, em comparação ao último álbum, notado em suas composições e na criação de canções mais impactantes. Jon Foreman nesse CD mostra novamente seu dom de compor letras sem pieguices e clichês, com versos poéticos e complexos que retratam e buscam a vida de Deus sem falar diretamente de Deus, em virtude da fraqueza e superficialidade humana. Canções como “Only Hope”, “Incomplete”, “New Way to Be Human” e “Something More (Augustine’s Confession)” poderiam ter sido facilmente transformadas em singles da banda.

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