Análise: CD O Agora e o Eterno – Rosa de Saron

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Fechando a lista dos álbuns que mais me tocaram (espiritualmente falando), falo um pouco do O Agora e o Eterno, décimo primeiro álbum do Rosa de Saron. Particularmente tenho como o melhor trabalho da banda em sua discografia. Considero também a qualidade simplista de Depois do Inverno, de 2002. Essa é mais uma boa obra de divulgação da Som Livre.

O Agora e o Eterno mostra claramente o amadurecimento da banda em suas composições. Mas assim como nem toda laranja é doce, o disco tem lá seus defeitos e um deles é o exagero de músicas: 17 no total. Talvez seja até convincente, porém muitas boas canções deste trabalho ficaram esquecidas no DVD de 25 anos (Latitude, Longitude). O título do álbum é autoexplicativo, aborda temas temporais e atemporais. Fazendo um detalhado setplay das canções, você percebe músicas como “Autor Desconhecido“, “Casino Boulevard“, “Rubra Alma” e “Vendetta! Vendetta!” detalhando temas atuais tal como descaso político, aborto e vingança. 

A obra em si foi muito bem desenvolvida. As composições do Rogério Feltrin continuam seguindo a linha adoração de canções já conhecidas no repertório da banda como “Real em Mim”. Neste trabalho, ele assinou “Rubra Alma” juntamente com o guitarrista Eduardo Faro (que além de um talentoso músico é um excelente letrista) numa composição que fala poeticamente do aborto. E “Quadro Novo” como uma canção que remete a beleza e calmaria do templo. Citando o Edu, ele assinou mais três canções além da parceria com o Rogério, que são “Acenda a Luz“, “As Horas” e “Distante do que sou“. Não consigo afirmar, mas parece que essa fase foi um momento muito difícil na vida do guitarrista, e por isso suas canções neste disco fala muito de esperança, dor e solidão. O principal compositor e o que assina a maioria das composições, é o vocalista Guilherme de Sá que compôs sozinho, 9 das 17 faixas, sendo “Vendetta! Vendetta!” desenvolvida em parceria com Ricardo Domingues, que desde 2009 vem trabalhando nos discos das banda. O mesmo ainda participou como músico convidado agregando uma segunda guitarra.

Ninguém Mais“, “Metade de Mim” e “Última Lágrima” são canções que mais expressam a adoração à Deus. A faixa “Versos” é uma oração mariana, e que substituiu o jargão de “Linda Menina” popularizada no acústico que tem seu refrão explicitamente cantado “Ave Maria!”. “O meio e o fim” e “Jamais será tarde demais” são músicas bem dançantes considerando o lado pop do grupo. E de tanto se falar que as canções da banda eram românticas, o disco trouxe o que há de mais apreciador numa banda de rock: uma balada romântica com a música “Máquina do Tempo” a qual a mesma rendeu um belo clipe. “Vinte e Seis” é uma das minhas favoritas. Remete toda uma vida que buscou tanto algo mas agora encontra-se sozinho e sedenta de Deus.

O baterista Grevão mais uma vez cuidou bem da parte de produção, junto com o Guilherme e o Ricardo. Enfim, O Agora e o Eterno é um maravilhoso disco de rock, deixando uma marca pra lá de positiva no cenário em 2012. “Casino Boulevard” foi o single do disco, mas pra espanto de quem vê a banda como mais uma outra do mundo religioso, e tal não substituiu a força que “Sem você” e “Menos de um segundo” tem. Um disco com bons arranjos, boas reflexões, riffs de guitarra muito bem encaixados, bateria com o peso linear ao contra-baixo, e como disse no início: considero o melhor álbum de estúdio da banda até hoje.

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