Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

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Depois de mais de dez anos da saída de Brother Simion do Katsbarnea e a atual liderança de Paulinho Makuko, muito ainda se diz no assunto. Até, porque se antes Simion era o “dono” da banda, hoje Makuko representa o mesmo. Entretanto, todas as letras e arranjos experimentais fora do comum não são percebíveis nos últimos trabalhos do grupo como eram nos anos 90. Desta nova fase, o melhor álbum foi A Tinta de Deus, uma espécie de cala a boca para os haters que insistentemente afirmavam que Paulinho nunca faria algo digno no Katsbarnea. E, juntamente com Déio Tambasco, ele fez.

Seis anos se passaram de 2007 pra cá, e somos surpreendidos com o novo lançamento da banda, bastante adiado: Eis que Estou à Porta e Bato. Produção musical assinada por André Kostta e lançado de forma independente, o disco apresenta um bom projeto gráfico, um ponto que a banda raramente deixou a desejar. E provavelmente seja o único realmente excelente do álbum.

A formação atual contém Paulinho Makuko (vocais), Marrash (bateria) e Moisés Brandão (baixo). Juntamente a músicos mais jovens, Makuko continua o mesmo: pretensioso e cheio de energia. O que falta, afinal, são músicas de verdade.

No setlist, onze obras. Infelizmente duas são regravações. “Overdose” e “Jeremias” são oriundas do álbum “12” de Makuko, lançado em 2005. A primeira é de bom gosto, porém, a última citada não, contendo uma letra extremamente confusa e desconexa, iniciando sua mensagem com uma descrição de um personagem fictício, e esquecendo-se de todo este contexto pela expressão de louvor no refrão.

Diferente do A Tinta de Deus, Eis que Estou à Porta e Bato é um álbum tão quente como uma pista de gelo, ecoando a fraqueza lírica do grupo. A melhor canção do álbum, e que mais representa o Kats que todos conhecem é “Mensageiro”. Seu arranjo progressivo, e a letra versando o caos mundial controvertido ao amor de Deus garante o momento mais agradável do projeto. Um solo de guitarra simples, nada rápido e pesado. O single “Nasceu um Novo Dia” aproxima-se com mais fidelidade as músicas de carreira solo de Makuko. Sua versão acústica é superior a original.

“I Can Fly” lembra bem a tendência do Katsbarnea em incluir uma faixa em inglês em suas obras, versando sobre libertação. O groove tentado em “Anjo do Mal” não convence e “A Cabeça de João Batista” começa bem, porém perde-se no refrão. Em contrapartida, “Morra Babilônia” e “Passo a Passo” são canções que agradam, com suas pegadas hard rock. “Verdadeiro Amigo” é o single que o álbum precisava.

O grupo está decaindo com força letristicamente, usando termos de modismo como “chuva”, “bênçãos”, “armas espirituais”, sendo estes objetos de crítica do próprio vocalista Paulinho Makuko em entrevistas, declarando que o conteúdo do gospel está careta. Entretanto, não há diferença alguma entre os pontos negativos observados pelo cantor no gospel em relação à Eis que Estou à Porta e Bato.

O Katsbarnea tem potencial para surpreender positivamente se esforçar a fazer um trabalho melhor que o apresentado, nas letras. Sonoramente, a banda ainda acerta. Finalmente e infelizmente, este é o projeto mais fraco de toda a sua discografia.

Comentários

One response to “Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea”

  1. […] Enfim, Eis que Estou à Porta e Bato foi lançado na segunda metade de 2013, e pode ser resumido da seguinte forma: músicas inéditas, regravações da carreira solo de Makuko, e uma sonoridade mais direta ainda em relação ao ‘A Tinta’, que ainda mergulhava sutilmente em teclados. O grupo lançou também, em divulgação, clipes de algumas canções. […]

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