Análise: CD The White Room – Jonathan Thulin

Escrito por

em

The White Room (O Quarto Branco), é o novo álbum de Jonathan Thulin, músico sueco, membro da banda Chart Topping Press Play, com quem lançou um álbum em estúdio, além dos dois trabalhos solos: The Anatomy of a Heartflow e o próprio The White Room.

Trazendo uma mistura entre balada heavy, música pop e música eletrônica, o cantor apresenta uma sonoridade rica e vasta em todo seu trabalho.

A primeira canção do álbum, Masquared (Mascarado), é uma denúncia contra cristãos que vivem com máscaras, mentindo, escondendo-se, e vivendo uma vida despreocupada com o Reino.

‘‘Estamos usando máscaras no desfile da verdade, esperando que estas mentiras não sejam reveladas.’’

Abordando guerras, confrontos do ser humano, como enredo, Dead Come To Life (Voltem a viver, mortos!), que conta com a participação de Charmaine Carrasco, baseia-se, implicitamente, em Ezequiel 37. Somos uma terra seca, um vale de ossos, que só pode reviver pelo Senhor. E pela vida que há em Seus olhos, e pelo Seu sopro. Coat Of Arms (Brasão) é complexa, contem leves traços pentatônicos, e é introduzida por tambores, que trazem a idéia de marcha e de guerra. Faz uso da gaita-de-fole, e de uma orquestra de cordas, que remete a música árabe. Sendo, ao mesmo tempo, conduzida por arranjos bem pop. Mas não apenas instrumentalmente, esta é uma canção forte. Sua letra deixa claro a guerra diária que é a vida do homem, cheia de incertezas, dúvidas e confusões:

‘‘O que eu defendo? 

Estou a esquerda ou a direita?

Pelo que estou vivendo? 

Você pode dizer na minha cara pelo que meu coração está batendo?

As palavras que eu falo revelam o que fui chamado a fazer?

O baterista está se preparando, e eu estou tentando manter minhas mãos firmes, logo no início da batalha.’’

Graveyard (Cemitério), aborda relacionamentos, frustrados ou não, conturbados ou não, em crises ou não, que podem se tornar uma lápide apenas, em um dos corações, no entanto podem reviver e descansar, e de novo, ser amor. Fugindo da proposta das faixas anteriores, Graveyard revela-se mais intimista, ou ‘‘romântica’’, bem ajudada não apenas pela interpretação de Thulin, mas também pelo piano e pelas cordas.

Making Of The White Room Clip
Making Of The White Room Clip

Ao ouvir as introduções das músicas, pode-se facilmente ter a mente preenchida por paisagens, lugares, imagens, provocadas e induzidas pela forma tão sutil com a qual Thulin elabora e arranja suas canções. O predomínio de melodias e arranjos menores, causa a sensação de tristeza, drama, pesar, introspecção ou reflexão, exatamente a proposta das letras. E assim, Bombs Away (Bombas de distância), que conta com a participação de Rachael Lampa, que agrega dramaticidade a canção através de sua voz, num grandioso dueto e com um vocal participativo, se firma como uma das maiores músicas neste trabalho, levada pelo violoncelo, destacando-se das cordas, fortes batidas da bateria, e sons eletrônicos.

Love/War (Amor e Guerra) nos faz olhar para nós mesmos, e para os conflitos dentro do nosso interior, que podem ser vencidos por uma única atitude, uma decisão simples. O Amor é uma delas, capaz de cessar guerras, que podem ser enfrentadas com medo, e com a possibilidade de não haver vitórias, mas podem ser travadas.

Jonathan Thulin
Jonathan Thulin

O álbum pode ser dividido ou compreendido em dois momentos. As Batalhas do coração, cantadas nas primeiras músicas. E uma esperança, uma saída, ou uma expectativa, cantadas nas ultimas canções. Os arranjos de outrora, com acordes menores, agora transformam-se pelos acordes maiores, gerando a idéia de recomeço, solução, ou esperança. Assim, surge Torches (Tochas), diferente de todas as demais. Ternária (3/4), causa uma sensação ”circular”, de quem valsa, dança ou brinca. Ou de quem brincou no tempo. E ao som do piano e das cordas, conta-se uma história tão comum ao ser humano. E se pessoas precisassem de você? Se pessoas, de você dependessem, mesmo sem saber de suas escolhas? Se esperassem por alguém que também espera que suas feridas sarem? Uma atitude de esperança revela-se pelos versos de Torches: haverá alguém dependente de nós na jornada, e por mais feridos que estejamos, nunca estaremos totalmente impossibilitados de ajudar, de salvar.

A oitava faixa, I Am Nothing (Nada sou), semelhante a anterior, também é introduzida pelo piano e pelas cordas, e cantada suavemente, como que numa trilha de cinema, em cenas de recomeço, de saudosismo, triunfalismo, ou conquista. Seus versos dizem:

‘‘Eu posso fugir de ti, mas a minha sede nunca cessará.

Porque sou nada sem ti, dentro de mim.

Sou nada. Sem ti, sou incompleto […]

São tantas expectativas, que me perco entre as conversas

Sobre quem tu és e quem eu deveria ser.

Faz-me amar-te de novo pela única razão verdadeira.

Tu morreste para que eu tivesse a liberdade.’’

Um amor livre, que corre pelos campos, e é compartilhado com amigos e inimigos, é o que é cantado em Soon (Em breve), a penúltima faixa, interpretada com suavidade, com um elemento distinto, pizzicato das cordas. A última música, Peeta, fala sobre o desejo de uma vida simples e livre, que assa o pão e despeja o vinho, que vai para onde o vento sopra e segue o som de tambores de guerra.

O álbum, apesar de decrescer em sonoridade e perder o ar de surpresas e suspense que causava a partir da primeira faixa, por exemplo, não deixa de ser um grande disco. O imaginário do ouvinte e do apreciador perdem-se entre o sobe e desce de emoções que os arranjos, os instrumentos e a interpretação de Thulin causam. Não é a toa, que o compositor é conhecido, também, por trazer a seus clipes maior teatralidade que o comum. Então se você deseja viajar pelo seu próprio coração, e entender através de Música, o motivo, ou simplesmente se identificar com a mensagem, não apenas adquira, mas aproprie-se de The White Room. Pois, escuros são os quartos, nos quais ainda não acendemos as luzes do coração.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *