Autor: Renan Pablo

  • Baús e Vitrolas – Aclame ao Senhor

    O Baús e Vitrolas de hoje traz uma das canções mais cantadas nos últimos tempos, Shout To The Lord, ou como ficou popularmente conhecida no Brasil: Aclame Ao Senhor.

    Composta aproximadamente em 1993, por Darlene Zschech, uma das maiores ministras de louvor da atualidade, Shout To The Lord tem uma história peculiar. A canção teria sido composta em um período intrigante da autora, quando ela e seu esposo sofriam dificuldades financeiras, com dois filhos. Há relatos, inclusive, de que Darlene teria composto Aclame Ao Senhor após receber o convite para tornar-se líder de louvor na Hillsong Church. Mas Darlene teria escrito este hino, exatamente em um dos quartos da casa do casal Zschech, onde os brinquedos eram guardados, e havia um piano. Ao tocá-la, pela primeira vez, ao então pastor de música da Hillsong Church, Geoff Bulock, ela teria feito um pedido a ele, para que ele virasse o rosto, enquanto ela tocava e cantava a canção.

    Baús e vitrolas - Vinil Mini aclame ao senhorShout To The Lord foi gravada, pela primeira vez, em 1994, no álbum People Just Like Us (Gente como Nós), e já foi regravada em mais de duzentos álbuns, por diferentes artistas e em vários idiomas. Entre eles, Rivers OfJoy, de Don Moen, em 1995; Authentic, de Chris Tomlin, em 1998; Diante do Trono, pela Igreja Batista da Lagoinha, em 1998; Em Tu presencia, com Don Moen, em 1999; Aclame ao Senhor, pela Igreja Batista da Lagoinha, por convite da Integrity Music, em 2000; e mais recentemente pela própria compositora, em seu mais recente álbum ao vivo, Revealing Jesus, em 2012. Outros grandes nomes da música cristã internacional, como Sandi Patty, Michael W Smith, Kevin Jonas, Rich MullinsMatt Redman também a regravaram.

    Shout To The Lord é também a faixa que intitula o primeiro álbum, da Integrity Music, produzido e liderado por uma ministra de louvor, sendo disco de ouro nos EUA, e chegando a ser indicado ao Dove Awards 1997, como álbum de louvor e adoração do ano, e ganhando na categoria de canção do ano, pelo Dove Awards 1998. Ela ainda foi cantada para personalidades como o Papa, e o presidente dos EUA.

    Em abril de 2008, no American Idol, a canção foi executada com a letra alterada, substituindo a palavra “Jesus”, do primeiro verso, por “Pastor”, o que não obteve aprovação nem de Darlene, nem da Hillsong Church. E a canção precisou ser regravada com sua letra original, na abertura do show da noite seguinte, a pedido da equipe do Hillsong.

    Estima-se que este hino seja cantado ao longo dos anos, por cerca de mais de 20 milhões de pessoas, a cada fim de semana, pelo mundo todo.

    No Brasil, além de Ana Pala Valadão que consagrou sua versão em português da canção, com o ministério Diante do Trono, a Igreja Bíblica da Paz e o cantor PG também a regravaram.

    O fato é que Shout To The Lord tornou-se um sucesso, e mesmo após 20 anos de seu surgimento entre as ondas sonoras que ecoam sobre o planeta, milhares de vidas têm sido alcançadas pelas promessas incomparáveis cantadas entre seus versos.

    E sobre tudo o que a canção tem provocado no mundo todo, Darlene diz: “Eu não posso tomar nenhum crédito pelo impacto dela. Deus decidiu colocar Sua bênção sobre esta canção”.

    Assista à canção, regravada recentemente no álbum ao vivo de Darlene Zschech, Revealing Jesus, com Michael W Smith:

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=tk5yLJbQCbI]

  • Baús e Vitrolas – Cem Ovelhas

    Quem nunca cantou um hino chamado Cem Ovelhas, ou o ouviu, ou até leu uma passagem bíblica sobre a ovelha perdida, ou desgarrada, contida no evangelho de Mateus? Tal parábola conhecida pela mensagem de resgate e amor inspirou nosso Baús e Vitrolas de hoje, que traz este clássico da música cristã, não apenas no Brasil, mas no mundo todo.

    Composta por um mexicano, Juan Romero, pastor da Assembleia de Deus nos Estados Unidos da América, que também é professor de matemática e teólogo, e apresentador de um programa de rádio semanal, no estado da Califórnia, a canção Cem Ovelhas tem originalmente o nome de Vision Pastoral (Visão Pastoral), e na verdade foi composta inspirada em acontecimentos no estado do Texas, nos Estados Unidos.

    Em entrevista dada a Revista Patmos Music, da CPAD, Romero relata que havia na congregação um irmão, chamado Ricardo, que servira na igreja e nunca faltara os cultos, porém em um domingo ele não apareceu, nem pela manhã e nem pela noite. Intrigado, Romero e sua esposa decidiram visitá-lo em sua casa, que ficava em uma chácara fora da cidade, cujo acesso era difícil, pois não havia pavimentação, e era necessário caminhar sobre o chão de terra, além do mais naquele momento, chovia bastante, o que, inclusive, impediu o casal de voltar ou de prosseguir. Exatamente neste momento, o pastor Romero avistou a casa do jovem, ao longe, e decidiu descer do carro e caminhar ate lá, atolando-se até as canelas, dado as chuvas. Ao chegar à porta da casa do jovem, ele bateu e foi recebido pelo jovem, cumprimentando-o, porem não obteve resposta além de um balançado de cabeça.

    Baús e vitrolas - Vinil Mini cem ovelhasRicardo caminhara até o centro da sala, e chorou, sem dizer o que lhe ocorrera. Romero disse-lhe: “Chore! É bom chorar!” Assim, o jovem começou a lhe contar o que havia acontecido. Um amigo de infância o agredira com um pedaço de pau, e o ofendera. E sem conseguir lidar com aquela situação, ele decepcionou-se, e decidira não servir mais a Deus. Romero, encharcado e sujo, orou por ele, e ele foi renovado.

    Mas a história não acabou ainda. Alguns anos se passaram e pela madrugada o pastor teve uma visão com Ricardo, e começou a cantar: ‘‘Havia cem ovelhas no seu rebanho. Cem ovelhas cuidadas com amor”. E em um determinado dia, apresentando seu tradicional programa de rádio, o telefone tocou. Aquele jovem, resgatado naquele dia chuvoso, ligara chorando para dizer que tinha valido a pena aquela noite, em sua casa, pois ele se tornara pastor também, e passou então a resgatar ovelhas perdidas. Assim, Romero sentiu fortemente uma confirmação do Senhor sobre a música e o ministério.

     Cem ovelhas, de 1969, provavelmente é uma daquelas canções que surge timidamente como a lua, entre as nuvens, até confirmar-se no céu, pela noite, tornando-se um hino que alcançou gerações, percorrendo o mundo todo.

    A letra, no original, diz:

    Havia cem ovelhas no seu rebanho.

    Cem ovelhas cuidadas com amor.

    Mas uma tarde ao contá-las todas,

    Ao pastor uma lhe faltou, e triste chorou.

    Deixou as noventa e nove no aprisco e a montanha foi procurar;

    E Encontrou-a chorando e tremendo.

    Ungiu suas feridas, carregou-a em seus ombros e voltou ao redil.

    Esta velha história se repete,

    Ainda há ovelhas que seguem errantes.

    A alma vaga em vão pelos morros, tremendo de frio,

    Sem Deus e sem Sua luz.

    Mas ainda há pastores que se põem às montanhas para buscá-las,

    E quando as encontram, as tomam pela estrada e as põem no bom caminho,

    Que é Cristo, o Senhor, a Verdade e a Vida.

    Se Sua alma sofre angustiada

    Sentindo-se sozinho em uma escuridão cruel,

    Hoje trago-lhe boas novas de grande alegria.

    É o evangelho que salva, redime e dá luz.

    Seja num vale ou numa montanha, na mata ou num abismo cruel,

    Cristo, o Bom Pastor, em verdes pastos, quer consolar sua alma,

    Enfaixar suas feridas e te dar a paz .

    Provavelmente, em sua vida atarefada de pastor, Romero, que converteu-se aos 7 anos de idade, não imaginaria que, de uma simples missão de resgatar suas ovelhas, o que para muitos, é trabalho árduo, surgiriam mais de duzentas canções, registradas na Oficina dos compositores, em Washington.

    Então, assim como o bom pastor, de Mateus 18:12-13, e como o bom pastor Juan Romero, não percamos a oportunidade de nos lançarmos cem vezes por cada ovelha perdida dos caminhos do Senhor, uma tarefa que não é só dos pastores, intitulados, mas de cada um do Corpo de Cristo. Porque quem sabe de onde ouviremos um telefone tocar, e o que Deus pode fazer de uma simples atitude de compaixão e misericórdia?   No Brasil ela foi amplamente divulgada na voz de Oséias de Paula, confira:

  • 10 motivos para assistir o Filme Noé

    John Snowden, o consultor bíblico para cineastas do filme ‘Noé’ (Noah), responde às críticas recentes em torno do filme.

    Manchetes não dão conta do próximo filme da Paramount Pictures, Noah, ou Noé. Com forte especulação da imprensa sobre quão fiel ou quão distante o filme pode estar da real história do personagem, como descrito na Bíblia.

    Infelizmente, muitos críticos à história, não a assistiram, dificultando o entendimento do que de fato estão criticando. Estou há dois anos trabalhando, envolvido, com o filme, como conselheiro bíblico dos cineastas.

    Confesso que, quando a produtora se aproximou de mim para que eu trabalhasse com este projeto, tive um turbilhão de emoções. Pesei questões como a capacidade que Hollywood tem de tomar liberdade com histórias e valores contra minha visão de uma boa teologia e uma apresentação saudável de histórias da Bíblia. Paramount foi inflexível sobre ter um assessor prático integrado no processo do início ao fim, o que me impressionou e me deixou surpreso.

    Eu li um rascunho do roteiro e fiquei muito admirado com a exploração das ideias de julgamento e misericórdia que tinham. Aceitei a oferta e rapidamente me vi totalmente envolvido com a equipe criativa, e falando bastante sobre Noé, Deus e Jesus, de que eles ouviram, e sobre quem perguntaram. Eu li, provavelmente, mais de 10 rascunhos do roteiro, dando um feedback a cada um e também assisti cada pedaço da filmagem.

    Com todo esse trabalho sobre as minhas costas, e com a estreia a apenas pouco mais de um mês, fico feliz em te oferecer pelo menos  10 razões, pelas quais acredito que nós, como igreja, podemos encontrar reflexões muito valiosas sobre Noé, sobre Deus e sobre a teologia neste filme. Não busco sugerir que o filme corresponde perfeitamente à leitura que todos fizeram sobre Noé, mas gastarmos um tempo valioso compreendendo como um casal de cineastas interage com um personagem como Noé.

    1 – O relacionamento entre Deus e Noé.

    No filme, Noé escuta e é dirigido por Deus, e age totalmente diferente dos seus contemporâneos por seguir as diretrizes de Deus. As escrituras são abertamente citadas pelos personagens.

    Na Bíblia lemos que Deus falou com Noé, mas ela não especifica o tipo de linguagem que Deus usou, se verbal ou por escritos, ainda que a maioria afirme que Deus falou com Noé verbalmente. No nosso filme, Deus dá visões de Noé, assim como deu a vários profetas e muitas figuras bíblicas fundamentais como José, Daniel, Isaías, Ezequiel e João. Eu oro para que um dia meus filhos tenham sonhos e visões da parte de Deus, assim como Ele nos prometeu através do profeta Joel.

    2 – A fidelidade de Noé.

    Todos pecaram, e carecem, então, da glória de Deus, inclusive Noé. No entanto ele se esforça para entender exatamente o que Deus está a dizer, confiando e agindo fielmente. As lutas nem sempre são fáceis de assistir, principalmente nas partes posteriores do filme, mas os valores que saltam desta narrativa são especiais.

    A uma mulher de uns 20 e poucos anos, que cresceu na Igreja, porém ficou desanimada, a voz de Deus parecia-lhe muito acessível, ironicamente, ao assistir Noé, uma vez que ela nunca ouviu a voz de Deus, e isto ocorreu exatamente devido à maneira como o personagem mostra sua confiança no que Deus fala.

    3 – Noé e o pecado

    Noé vê o seu próprio pecado como nem melhor nem pior do que o daqueles que vão morrer na enchente. Isto evoca o grande dilema bíblico: o plano de Deus para encher a Terra com a humanidade refletindo Sua glória foi prometido, mas o nosso pecado frustrou tal plano em todos nós. Somente quatro milênios depois de Noé, Jesus faria o trabalho de restauração. O filme concorda que não teríamos ganhado a salvação antes, e que nem estaríamos aqui hoje se não fosse pela graça de Deus. A Arca é, na verdade, um dom, um presente, pelo qual Seus planos se cumpriram e se cumprem em nós, e não o motivo pelo qual podemos nos orgulhar de estarmos vivos, de termos sobrevivido.

    4 – O filme se aproxima mais do texto do que se pode imaginar.

    O filme adere a muitos detalhes importantes do texto, como a construção da Arca, e suas medidas, Matusalém. O dilúvio global, e a morte de todos os povos, que não deveriam sobreviver. Como Deus fala com Noé, e Noé bêbado. A relação entre Noé e seus filhos. A criação a partir do nada. O pecado. A pomba e um arco-íris, e um par de cada animal (sete de cada animal limpo, detalhe que fugiu ao filme), um ramo de oliveira, e as águas que sobe do chão.

    5 – Noé fala e as mulheres tem nomes.

    Na Bíblia, Noé não diz uma única palavra antes que as águas abaixem. No filme, porém, além dele falar, sua esposa e suas noras tem nomes, pontos meramente extra bíblicos. Mas para qualquer contador de histórias, personagens com nomes e falas juntos faz sentido. Mas não é apenas isso. Tais personagens são usados ​​para ajudar a explorar a teologia bíblica. Em nosso mundo atual, as mulheres querem se identificar com as histórias bíblicas, então abrimos uma enorme oportunidade para Emma Watson (como nora de Noé) mergulhar profundamente em um desempenho incrível em torno de temas bíblicos como a esterilidade e a cura milagrosa.

    6 – Noé dá um foco para sua família

    Em meio a um desastre iminente, Noé une sua família em torno de um objetivo, e um foco: a construção da Arca para o cumprimento dos propósitos de Deus. Claro, sua família, no filme, é um pouco mais jovem do que a do texto bíblico. Ele é um pai tentando manter a sua família focada na missão de Deus, agindo com justiça, amando a misericórdia e andando humildemente diante de Deus. Os adolescentes vão se identificar facilmente com os personagens de Logan Lerman, Douglas Booth e Emma Watson e suas labutas como com os seus problemas e os de seus próprios pais. Noé também procura a sabedoria dos mais velhos. Em um mundo pós-moderno que diz nunca confiar em alguém com mais de 30, a história traz Noé buscando ajuda de seu avô, Matusalém, para ajudá-lo a interpretar a visão que ele está recebendo de Deus, e a agir diante dela. Matusalém ainda dá explicações bíblicas fundamentais para explicar o motivo do dilúvio. Prestem atenção.

    7 – A História mostra e personifica a humanidade má de Gênesis 6.

    Alguns riram da inclusão de um vilão por parte de Hollywood, alegando que Noé, na Bíblia, não tinha outro rival, além da chuva. Até certo ponto isso faz sentido. Mas Gênesis é explícito ao dizer que o coração de cada homem estava voltado para o mal o tempo todo era cheio de violência. Os narradores, juntamente com Darren Aronofsky (escritor e diretor) e Ari Handel fizeram algo pertinente, criando o personagem de Ray Winstone como a personificação do mal da humanidade: ele é espetacularmente vil em liderar o povo contra Noé e a arca.

    8 – A Teologia é abraçada pelo Cinema

    Muitos dos rumores sobre o filme são falsos. Ele não aborda a superpopulação, nem o aquecimento global. Mas esquecendo dos rumores, há valores importantíssimos no filme. A compreensão de Noé da justiça e da misericórdia de Deus, dialogando com a questão: “Será que a humanidade merece ser salva?” Embora Noé não se questione com estas palavras, sua batalha é entender como seria se Deus o permitisse morrer com sua família, e se pudesse salvar apenas os animais, já que ele não é melhor que os demais. Contudo, Noé não é Deus, e não pode saber exatamente o que Deus está fazendo.

    -A Importância da Cura Física Sobrenatural na história.

    Um Deus vivo, com um plano, que faz milagres acontecerem. Fazendo ser conhecido Seu propósito do começo ao fim. Seus propósitos permanecerão e Ele fará tudo o que lhe apraz.

    -A Imagem de Deus

    A peça fundamental do núcleo teológico do filme, e o que, pessoalmente, me move, quando estou lutando,  é saber que fomos criados para um propósito à imagem de Deus. Noé é consciente disso.

    -Noé não cede

    Um Noé Hollywoodiano seria extremamente sentimental, ao ponto de sentir-se tentado a resgatar um grupo de seres humanos em um barco, ou três ou quatro lindas girafas, por se sentir mal. Mas Noé não cede. Ele segue firme. Sua missão é clara: ninguém além de sua família sobreviverá.

    9 – As histórias bíblicas de volta em grande forma.

    Uma história desta magnitude requer um elenco com cineastas e atores a altura: Darren Aronofsky, vencedor do Oscar Russell Crowe (Noé), vencedor do Oscar Anthony Hopkins (Matusalém), vencedor do Oscar Jennifer Connelly (Naameh), Emma Watson (Ila), Ray Winstone (Tubal-Caim), Logan Lerman (Ham) e Douglas Booth (Shem). Numa altura em que as conversas de cultura pop tendem a se concentrar em super-heróis de entretenimento dialogando com vampiros e zumbis, as pessoas poderão ser envolvidas com histórias que abordam temas bíblicos.

    10 – Há cerca de vinte anos distanciando-se da fé, a América tem uma geração emergente, que é apontada por muitas organizações, como propensa a se distanciar mais da fé.

    Este filme é criado por roteiristas seculares e judeus para um público amplo. Vai envolver um público jovem, secular que estará pensando sobre o grande dilúvio. Se você imagina que um descrente vai entender detalhes da história bíblica de forma errada, eu te encorajo a reler a lista acima e começar a ter belas conversas sobre fé, com um pouco de pipoca e refrigerante de maneira desprendida com pessoas, as quais nunca pode conversar tão livremente. O Evangelho por si só é uma boa notícia, o suficiente, com ou sem um filme, mas quando questões teológicas começam a surgir de dentro de qualquer pessoa, eu preferiria muito mais aliar-me que criticar. Lembre-se, é responsabilidade da igreja difundir o Evangelho –e não Hollywood .

    Podemos nos divertir, discutindo sobre como seria nossa versão do filme Noé, se tivéssemos US$ 125 milhões. Mas é bem melhor nos concentrarmos agora em conversas santas.

    John Snowden atuou como consultor bíblico do filme Noé, desde abril de 2012. Após seis anos pastoreando jovens em West Los Angeles, John se mudou com sua família para Kathmandu, Nepal, onde é vice-presidente de CloudFactory, uma empresa de tecnologia que busca conectar um milhão de pessoas no mundo em desenvolvimento para o trabalho básico do computador.

    Confira o Trailer do filme Noé dublado em Português:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=VG34gXdqR-4]

    Fonte: NRT

  • Baús e Vitrolas – Grande é o Senhor

    O “Baús e Vitrolas” estreia trazendo à memoria um grande sucesso da nossa música cristã congregacional: Great Is The Lord, ou como popularmente é conhecida pela igreja brasileira, Grande É O Senhor.

    Composta por Steve McEwan, e popularizada no Brasil através da voz de Adhemar de Campos, que além de cantor, é pastor e compositor, se parece mais brasileira que estrangeira, sendo cantada e declarada, através de gerações, por várias igrejas pelo país, não importando a roupagem.

    Original:

    Great is the Lord and Most Worthy of praise

    The city of our God, the holy place

    The joy of the whole Earth

    Great is the Lord in whom We have the victory

    He aids us against the enemy

    We bow down on our knees

    And Lord we want to lift Your name on high

    And Lord we want to thank You

    For the works You’ve done in Our lives.

    And Lord we trust in Your unfailing love;

    For You alone are God eternal,

    Throughout Earth and Heaven above.

    Baús e vitrolas - Vinil Mini

    Talvez Steve McEwan jamais imaginasse o alcance que sua composição teria. O fato é que Grande É O Senhor já foi gravada até em Pagode, pelo cantor Xandy e o grupo Harmonia do Samba, no DVD Harmonia Romântico Ao Vivo, em 2008, contando com a participação do Pastor Adhemar.

    Mas como música do Reino é para o Reino, tal Hino firma-se como um clássico da música cristã, por cantar a Palavra. Baseada no Livro de Salmos, capítulo 48, que diz: “Grande é o Senhor e mui digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no Seu monte santo. Formoso de sítio, e alegria de toda a terra é o monte Sião, sobre os lados do Norte, a cidade do grande Rei”.

    E por que Grande É O Senhor? Porque quando contemplamos o Senhor, em Sua bondade, entendemos que não importa como estejamos diante das situações da vida (Sl 27:4), temos a alegria do Senhor, que é a nossa força (Nm 8:9-10). E Ele é um Deus de alegria, que desata nosso pano de saco, transformando nosso choro em motivo para celebrar (Sl 30:11). E nem nossos piores dias, nossos momentos mais difíceis podem mudar esta verdade, ainda que nos cansemos, fiquemos abatidos e enfadados, somos renovados por Ele (II Cor 4:16/Sl 103:5).

    A saudade, a dor do luto ou da distância, a solidão, a perda e a morte, por exemplo, assim como todas as coisas conspiram para o bem daqueles que O amam e são chamados segundo Seus propósitos (Rm 8:28), são juntamente verdadeiros métodos da didática celestial e divina em nossa vida, que produzem intensamente em nós um peso de glória grandioso (II Cor 4: 17).

    E quando o engrandecemos, nosso coração automaticamente o agradece, e quando o agradecemos, o engrandecemos, lembrando-nos dos Seus feitos, e falando bem a respeito do Senhor, sem nos esquecer dos detalhes, das pequenas coisas (Sl 103:1-2). Assim, quando reconhecemos as manifestações da Sua bondade para conosco, como Seus livramentos e providências, todas as vozes, discursos e murmurações, provocadas no calor das batalhas, perdem sentido diante do louvor. Louvor este, que é capaz de fazer com que muitos olhem para nós, temam o Senhor e confiem nEle (Sl 40:3).

    Por isso, como diz a canção, “Queremos o Teu nome engrandecer e agradecer-Te por Tua obra em nossas vidas”, eu te convido a adorá-lo em todo tempo, a cada instante, porque o Senhor é Grande, e mui digno de louvor. Ele é bom, e a Sua misericórdia dura para sempre (Sl 106:1; 136:1).

     

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=Eu6pr3N-UXE]

  • Análise: CD Canto de Sião – Renascer Praise

    No dia 15 de outubro de 2013, em Amnon Beach Kineret, às margens do mar da Galiléia, em Israel, foi gravado o Canto de Sião, décimo oitavo trabalho do Renascer Praise, um dos maiores ministérios de Louvor do Brasil, e da América Latina, durante a Caravana Apostólica, que anualmente é realizada, pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, à Terra Santa.

    Não é a primeira vez que o grupo grava em Israel. Seu sétimo trabalho, Ressurreição, foi o primeiro CD gospel brasileiro gravado na Terra Santa, e o primeiro do mundo gravado em um teatro a céu aberto, em Israel, na cidade de Beht-Shean.

    E não poderia ser de outra maneira; mais uma vez o louvor e a adoração marcaram o trabalho do ministério, que é referencia no meio gospel.

    Diferente das grandes aberturas de projetos anteriores, como o Restauração, Apostólico e Reinando em Vida, Canto de Sião, que abre o projeto, e o intitula também, inicia-se ao som das cordas, com um solo de violino, e de vozes, e com uma pequena palavra da Bispa Sonia Hernandes, sobre Isaías 9, e segue falando sobre a promessa contida em Joel 2:24. Neste mesmo calor, 1000 graus, composta por Clóvis Pinho, assume seu lugar entre os destaques do louvor, e nos mostra o que acontece quando o povo de Deus louva Seu nome, e O adora, a temperatura sobe, pois o fogo cai, e o inimigo vai ao chão. E se o inimigo vai ao chão, a vitória é do Seu povo, como está escrito nos versos de Poderoso nas Batalhas, que engloba um Hino “tradicional”, Se O Espírito De Deus Se Move Em Mim.

    Dom da Fé, composta por Elyas Vianna e Oseas Silva, que também sola a canção, traz uma das mais fortes mensagens de todo o trabalho, uma fé que confia absolutamente em Deus, ao ponto de se lançar nos Seus caminhos, sem duvidar ou desistir. O destaque do arranjo vocal está na rampa (Nada e ninguém pode me parar ou me deter), com uma singela divisão de vozes, que resulta num uníssono no refrão. Esta é uma das canções mais agudas do projeto, alcançando o G3 (Sol3). E por falar em fé e confiança, temos uma Pessoa que nos ajuda a superar cada momento difícil de nossas vidas, quando estes sentimentos falham. É o Espírito Santo, ou como Ele é chamado, Consolador, adjetivo que não apenas representa uma de suas maiores atribuições, mas que também nomeou uma das faixas, de autoria da Bispa Sonia, que explicou que ela mesma tinha uma dor no coração, mas que o Senhor mostrara um caminho. “Ele sempre me deu um louvor!” O que você pode fazer com a saudade, com a dor, com a angústia que sente, com as tristezas, ou com a perda de algo ou alguém? Os versos de Consolador trazem uma resposta:

    “Tem dor que a gente sente que o jeito é sentir.

    Só tem Um que nos entende e o Seu nome é Jesus.

    Ele sabe como fala, como cura o coração.

    Ele supre toda falta, derrama o Espírito e traz consolação.”

    Eu Vou Viver Milagres assume a cena como a sexta faixa. E em vez de priorizar o milagre como tema de uma composição, Bispa Sonia e Clóvis Pinhos, que são os autores, vão além. Afinal não basta apenas cantar, compor ou falar de curas, bênçãos, e favores de Deus. É preciso se santificar, buscar mais unção, conhecê-lo mais do que pelo véu, e ser transformado a imagem dEle. É preciso ter uma atitude, colocar-se numa posição. E se milagres são coisas “de outro mundo”, para muitos ou algo impossível; para Deus, são apenas elementos de Seu currículo, afinal Ele pode todas as coisas. É o que diz Deus Pode, em sua letra, que por si só, engloba vários aspectos pertinentes aos nossos dias. Segundo a Bispa, a composição surgira após o recebimento de um resultado não muito bom. E ela diz: “Como posso não crer ou duvidar, se o Teu amor insiste em me chamar?”. Certamente esta pergunta percorre a mente de muitos de nós, cotidianamente. Por que Deus ainda insiste? Por que quando desistimos e até entregamos os pontos, “algo” faz com que às nossas mãos volte aquilo que entregamos, como cargos, ministérios, trabalhos que desempenhamos? Por que quando não queremos cantar, ou nos sentimos fracos, sem inspiração, somos fortemente usados, levantados e encorajados? Certamente é porque há um amor além. Um Deus que pode fazer muito mais. E como o profeta Isaías declara que sobre os desertos fluiriam rios, somos convidados a cantar: “Somente crer, e o deserto vai florescer”. Pois Deus enxerga bem além do que vemos. Pois Seus caminhos são mais altos que os nossos.

    A oitava faixa do álbum é uma das mais aclamadas: Restitui. E sobre os vários conceitos e visões de restituição, é válido ressaltar que continuamente associamos tal palavra ao que é material, como a perda de um carro, de uma casa, de um emprego, de um relacionamento e de tantas coisas desta terra. Mas a maior restituição é a espiritual. Há pessoas que antes eram frutíferas na Casa do Senhor, e hoje estão “estéreis”. Há pessoas que tinham sonhos, e eram engajadas na obra, que cruzaram os braços. E se falarmos em dons do Espírito, não é difícil encontrar aquele irmão ou aquela irmã que antes eram “fogo puro” e que hoje estão “apagados”. Alegria sobre a depressão e sobre a tristeza; cura sobre anos de doença e resultados desenganadores; ressurreição, prosperidade sobre a fome e sobre a seca. E sobre a seca a chuva e a fartura. Pois Ele é o Poderoso Deus, que conquistou na cruz para nós, através de Jesus, a vida abundante e plena. Homem de dores, que sabe o que é sofrer. E tal história é relembrada por uma palavra do Apóstolo Estevam Hernandes, como de praxe, que fala sobre a passagem de Isaías 53.

    Após a pregação, temos Cria em mim, palavras de Davi, que deve ser uma oração constante no coração de um servo de Deus. Inicia-se com as palavras da Bispa, que remetem a uma antiga composição do grupo, Edifica (Renascer Praise 3). Em um mundo mal, somos constantemente abalados, e se nos permitirmos, moldados à fôrma do mundo. Fôrma do ressentimento, da dor, da raiva e da falta de perdão. E em um coração sujo, contaminado por sentimentos tão podres, o Espírito de Deus não pode habitar. É como uma casa que agregou tanta mobília ao ponto de impedir o próprio dono de entrar. Cria em mim tem um instrumental, que leva à ponte, que nos lembra de My Heart Sings Worthy (CFNI), ou como no Brasil ficou conhecida, Eu canto (Ministério de Louvor Diante do Trono).

    Plano Perfeito é talvez a música que, de todo o projeto, mais chamou a atenção dos fãs. Sua letra associa-se rapidamente a Cruz (Trazendo a Arca), em duas cenas: o palco do amor e o silencio no céu. É a música mais aguda do projeto, chegando ao A3 (Lá3). E encerrando Canto de Sião, vem Santo é o Cordeiro, não aquela gravada há 11 anos, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo, com participação do Shekinah Glory Choir. A nova canção foi composta por Elyas Vianna, e tem na ponte seu maior destaque quando duas coisas acontecem: uma mudança na fórmula de compasso (De 4/4, quaternário, para 6/8, binário composto) e o arranjo vocal, com um jogo de respostas à melodia.

    Sobre outros aspectos, este é o cd com músicas mais agudas do Ministério, e cuja Harmonia foi menos “trabalhada”, diante de outros projetos, deixando-o mais simples. Também não conta com um solo da cantora Eliane, que se destacou nos últimos projetos, como uma das principais líderes de louvor. Ainda teve a participação do grupo de dançarinos da Igreja Renascer, e foi assistido não apenas pela Caravana Apostólica, mas também por moradores da área, e turistas, segundo o site do próprio grupo.

    O sucesso do cd é notório, sendo disco de Ouro, por 40 mil cópias vendidas. Então junte-se também aos mais de 40 mil adoradores que já adquiriram o cd, e cante o Canto De Sião, cante os Seus louvores, até os confins da Terra.

     

  • Análise: CD Revealing Jesus – Darlene Zschech

    Revealing Jesus (Revelando Jesus) é o mais novo trabalho da cantora e pastora australiana, Darlene Zschech, que atualmente segue em carreira solo, após anos liderando o Hillsong, demonstrando total amadurecimento, em relação a seus trabalhos solos anteriores. Esta gravação jamais aconteceria, dependendo da vontade da própria ministra, que explica, que conversando bastante com Deus e com amigos, decidiu então, gravar ao vivo outra vez.

    O palco para esta noite de adoração foi a The Church of the Highlands, em Birmingham (EUA), presidida pelos pastoresChris e Tammy Hodges, nos dias 28 e 29 de Setembro de 2012, durante uma conferência, em um final de semana. E contou com a participação de grandes nomes do cenário gospel internacional, como Michael W. SmithIsrael Houghton eKari Jobe, que entre outros, assinam juntos com Darlene, várias canções deste álbum, que não cantam a história de Jesus, como se presume pelo título, mas lembram importantes momentos da vida do Senhor, como sua crucificação, e sua vinda, e declaram sua fidelidade, e o amor por ele.

    Da primeira canção a última, percebe-se facilmente o jeito Darlene de cantar, e conduzir a congregação. Do mais pop ao mais piano, os arranjos carregam uma mistura entre o atual e o simples, fazendo uma bela transição musical, que pode facilmente tocar o público. Começando em God Is Here (Deus Está Aqui), com arranjos de guitarra que remetem, rapidamente, as músicas celtas; seguimos por Best For Me (O Melhor Por Mim), que tem na bateria sua marca mais forte, e destaca o sacrifício de Jesus como maior razão para se viver uma vida de adoração. All That We Are (Tudo Que Somos), conta com um elemento incomum: os assobios dos próprios cantores, timbrando com a flauta. In Jesus’ name (No Nome De Jesus) configura-se como uma música peculiar, na qual Darlenemostra, além do seu lado cantora, o seu lado pastora, ministrando sobre a vida de mulheres com câncer naquela noite, entoando os versos: ‘‘Não morrerei, mas viverei. O poder da ressurreição está dentro de mim. E eu sou livre em nome de Jesus’’.

    Your Presence Is Heaven To Me (Tua Presença é o Céu), é uma canção comum, não apresentando uma letra marcante ou inovadora. Não ultrapassou em beleza sua versão original, e nem a maioria das versões cantadas por Israel, em várias igrejas, pelo mundo. Mas firma-se como uma oração, um desejo, um clamor pela presença de Deus, nem que seja pelo transbordar de um cálice. Como diz em seus versos: ‘‘Oh Jesus, Tua presença é o céu para mim’’, nos faz lembrar que não precisamos de grandes versos para estarmos diante dele, ou para cantarmos, para Ele.

    Victor’s Crown (A Coroa Do Vencedor) é o carro-chefe de todo o trabalho, e apesar de levar o público ao delírio, e ter tocado facilmente os fãs, mostra-se mais como uma nova It’s Your Love. Tanto em questões melódicas, como harmônicas. Não sendo, nem de longe, uma das melhores e mais surpreendentes composições de ZschechYours Forever (Teu Para Sempre), do último CD da cantora, ganha um novo arranjo, bem como a interpretação de Kari Jobe, que mais uma vez abusa de seu jeito ‘‘meloso e arrastado’’ de cantar, que soa, no entanto, mais confortável e natural, que a própriaZschech.

    Quem conhece a versão original de Magnificent (Magnífico) do Álbum Blessed, reconhece nesta, uma das canções mais fortes do disco, que não se perde ou se enfraquece, na nova versão, levada pelas cordas e pela Harpa, se aproximando mais do angelical, que apenas do grandioso e épico. My Jesus, I Love Thee (Meu Jesus, Eu Te Amo), com letra de William Ralf Featherstone e melodia de Adoniram Gordon, composta no século XIX, agrega ao CD a grandeza de entoar Hinos, algo esquecido nesta geração do Gospel, e cede o lugar para Your name (Teu Nome), que obtém na ponte, exatamente composta pelos versos de Cry Of The Broken (Clamor Do Quebrantado), seu clímax. I Am Yours (Eu Sou Teu), é uma das mais fortes e mais envolventes canções do álbum, despontando na ponte, que canta Apocalipse 5:11-14, também declamados pela ministra, como um dos maiores momentos da noite. Pode-se ouvir os brados da igreja. Jesus At The Center (Jesus No Centro) figura, talvez, como o que há de mais simples em termos de composição, porém, não menos digno de atenção. Seus versos declaram que Jesus deve ser o centro de nossa vida, de tudo o que fazemos, de Sua igreja, do começo até o fim. E do nosso coração até o céu, o centro de tudo, não nos importando mais nada, além dele. Em DVD, ainda pode-se conferir um medley de dois dos maiores hits gospel do mundo: Shout To The Lord e Agnus Dei.

    Musicalmente falando, Revealing Jesus carrega uma sonoridade peculiar, fazendo uso de instrumentos como Harpa, flauta irlandesa, já mencionados anteriormente, e contando com a participação das Cordas da Escola de Belas Artes do Alabama. Do ponto de vista vocal, Darleneexibe sua voz, do G3 (Sol3 – EUA) ao D5 (Ré5 – EUA), quando nos últimos anos apresentou certa dificuldade para emitir confortavelmente tal nota aguda.

    Sem dúvidas, este álbum não pode ser considerado de antemão, o melhor trabalho da música gospel internacional do ano, mas também não fica atrás. Sendo um ótimo disco, não apenas de cabeceira, mas também de coração.

  • Análise: CD The White Room – Jonathan Thulin

    The White Room (O Quarto Branco), é o novo álbum de Jonathan Thulin, músico sueco, membro da banda Chart Topping Press Play, com quem lançou um álbum em estúdio, além dos dois trabalhos solos: The Anatomy of a Heartflow e o próprio The White Room.

    Trazendo uma mistura entre balada heavy, música pop e música eletrônica, o cantor apresenta uma sonoridade rica e vasta em todo seu trabalho.

    A primeira canção do álbum, Masquared (Mascarado), é uma denúncia contra cristãos que vivem com máscaras, mentindo, escondendo-se, e vivendo uma vida despreocupada com o Reino.

    ‘‘Estamos usando máscaras no desfile da verdade, esperando que estas mentiras não sejam reveladas.’’

    Abordando guerras, confrontos do ser humano, como enredo, Dead Come To Life (Voltem a viver, mortos!), que conta com a participação de Charmaine Carrasco, baseia-se, implicitamente, em Ezequiel 37. Somos uma terra seca, um vale de ossos, que só pode reviver pelo Senhor. E pela vida que há em Seus olhos, e pelo Seu sopro. Coat Of Arms (Brasão) é complexa, contem leves traços pentatônicos, e é introduzida por tambores, que trazem a idéia de marcha e de guerra. Faz uso da gaita-de-fole, e de uma orquestra de cordas, que remete a música árabe. Sendo, ao mesmo tempo, conduzida por arranjos bem pop. Mas não apenas instrumentalmente, esta é uma canção forte. Sua letra deixa claro a guerra diária que é a vida do homem, cheia de incertezas, dúvidas e confusões:

    ‘‘O que eu defendo? 

    Estou a esquerda ou a direita?

    Pelo que estou vivendo? 

    Você pode dizer na minha cara pelo que meu coração está batendo?

    As palavras que eu falo revelam o que fui chamado a fazer?

    O baterista está se preparando, e eu estou tentando manter minhas mãos firmes, logo no início da batalha.’’

    Graveyard (Cemitério), aborda relacionamentos, frustrados ou não, conturbados ou não, em crises ou não, que podem se tornar uma lápide apenas, em um dos corações, no entanto podem reviver e descansar, e de novo, ser amor. Fugindo da proposta das faixas anteriores, Graveyard revela-se mais intimista, ou ‘‘romântica’’, bem ajudada não apenas pela interpretação de Thulin, mas também pelo piano e pelas cordas.

    Making Of The White Room Clip
    Making Of The White Room Clip

    Ao ouvir as introduções das músicas, pode-se facilmente ter a mente preenchida por paisagens, lugares, imagens, provocadas e induzidas pela forma tão sutil com a qual Thulin elabora e arranja suas canções. O predomínio de melodias e arranjos menores, causa a sensação de tristeza, drama, pesar, introspecção ou reflexão, exatamente a proposta das letras. E assim, Bombs Away (Bombas de distância), que conta com a participação de Rachael Lampa, que agrega dramaticidade a canção através de sua voz, num grandioso dueto e com um vocal participativo, se firma como uma das maiores músicas neste trabalho, levada pelo violoncelo, destacando-se das cordas, fortes batidas da bateria, e sons eletrônicos.

    Love/War (Amor e Guerra) nos faz olhar para nós mesmos, e para os conflitos dentro do nosso interior, que podem ser vencidos por uma única atitude, uma decisão simples. O Amor é uma delas, capaz de cessar guerras, que podem ser enfrentadas com medo, e com a possibilidade de não haver vitórias, mas podem ser travadas.

    Jonathan Thulin
    Jonathan Thulin

    O álbum pode ser dividido ou compreendido em dois momentos. As Batalhas do coração, cantadas nas primeiras músicas. E uma esperança, uma saída, ou uma expectativa, cantadas nas ultimas canções. Os arranjos de outrora, com acordes menores, agora transformam-se pelos acordes maiores, gerando a idéia de recomeço, solução, ou esperança. Assim, surge Torches (Tochas), diferente de todas as demais. Ternária (3/4), causa uma sensação ”circular”, de quem valsa, dança ou brinca. Ou de quem brincou no tempo. E ao som do piano e das cordas, conta-se uma história tão comum ao ser humano. E se pessoas precisassem de você? Se pessoas, de você dependessem, mesmo sem saber de suas escolhas? Se esperassem por alguém que também espera que suas feridas sarem? Uma atitude de esperança revela-se pelos versos de Torches: haverá alguém dependente de nós na jornada, e por mais feridos que estejamos, nunca estaremos totalmente impossibilitados de ajudar, de salvar.

    A oitava faixa, I Am Nothing (Nada sou), semelhante a anterior, também é introduzida pelo piano e pelas cordas, e cantada suavemente, como que numa trilha de cinema, em cenas de recomeço, de saudosismo, triunfalismo, ou conquista. Seus versos dizem:

    ‘‘Eu posso fugir de ti, mas a minha sede nunca cessará.

    Porque sou nada sem ti, dentro de mim.

    Sou nada. Sem ti, sou incompleto […]

    São tantas expectativas, que me perco entre as conversas

    Sobre quem tu és e quem eu deveria ser.

    Faz-me amar-te de novo pela única razão verdadeira.

    Tu morreste para que eu tivesse a liberdade.’’

    Um amor livre, que corre pelos campos, e é compartilhado com amigos e inimigos, é o que é cantado em Soon (Em breve), a penúltima faixa, interpretada com suavidade, com um elemento distinto, pizzicato das cordas. A última música, Peeta, fala sobre o desejo de uma vida simples e livre, que assa o pão e despeja o vinho, que vai para onde o vento sopra e segue o som de tambores de guerra.

    O álbum, apesar de decrescer em sonoridade e perder o ar de surpresas e suspense que causava a partir da primeira faixa, por exemplo, não deixa de ser um grande disco. O imaginário do ouvinte e do apreciador perdem-se entre o sobe e desce de emoções que os arranjos, os instrumentos e a interpretação de Thulin causam. Não é a toa, que o compositor é conhecido, também, por trazer a seus clipes maior teatralidade que o comum. Então se você deseja viajar pelo seu próprio coração, e entender através de Música, o motivo, ou simplesmente se identificar com a mensagem, não apenas adquira, mas aproprie-se de The White Room. Pois, escuros são os quartos, nos quais ainda não acendemos as luzes do coração.

  • Análise do CD: Still Believe – Kim Walker-Smith

    Still Believe (Creio ainda) é o mais novo trabalho da cantora Kim Walker-Smith, líder de louvor da banda Jesus Culture, conhecida, indubitavelmente, por sua voz diferenciada, numa cultura musical gospel, dominada por cantoras de voz mais aguda e canto meio dramático.

    Gravado ao vivo, no Teatro Cascade, em Redding, na Califórnia, o segundo álbum solo da ministra, após cinco anos do Here Is My Song (Eis Aqui Minha canção), segue a linha de adoração da Jesus Culture, e contem músicas de cantores como Martin Smith, Chris McClarney, Tim Hughes e Christa Black.

    Começando por Alive, introduzida levemente, como um cântico de adoração, que se rompe numa celebração, ao som da guitarra, e se remete, em seu refrão a melodias do Hillsong, o que não a desmerece. Ao som da bateria, e sob acordes menores, Waste It All (Gastar tudo), de Chris McClarney, fala sobre uma entrega, uma rendição sem restrição, sem dar importância a opinião do mundo. Como diz entre seus versos: ‘‘Coberto de vergonha, e escondendo o rosto. Eu possuía uma dívida impagável. Procurando preencher o vazio do meu coração em vão. Desperdiçando meu valor.’’

    A terceira música do cd, The King Is Here (O Rei Está Aqui), vocalmente falando, parte de um F#3 (Fá sustenido 3 – EUA), nota grave para a maioria das vozes femininas. É uma canção de natureza convidativa. Os que apreciam as músicas que falam sobre o Espírito Santo, Sua presença, Sua vinda, e Sua visita, facilmente se identificarão. Yield My Heart (Rendo Meu Coração) e Spirit, Break Out (Espírito, rompe) configuram mais como clamores, que necessariamente ‘‘canções’’. Letristicamente são singelas, salvas, no entanto, pelos arranjos, e pela participação de cordas, ainda que de uma maneira suave.

    Através destas faixas, podemos refletir, num contexto mais abrangente, sobre a importância da complexibilidade, mas também da simplicidade, em uma música. O Bom ou Belo, ou aceitável, não se restringe a um arranjo muito elaborado e uma letra bem articulada. Nem o comum, e o repetitivo, podem ser descartados. E na simplicidade pode-se perceber, bem mais, o coração do próprio compositor, em relação ao que o mesmo compreende e aspira, em se tratando de louvor e adoração. E nesta atmosfera, Spirit, Break Out culmina num cântico espontâneo, que sem dúvidas, agrega ao cd, a imagem de um instrumento de quebrantamento e derramar de Deus, mais que a de um produto.

    Still Believe (Creio ainda), a única faixa escrita apenas por Kim, e que nomeia o álbum, canta a fé, a convicção em um Deus de milagres, mas não pelos milagres apenas, mas pelos feitos de Deus. Um Deus que faz surdos ouvirem, cura doenças, quebra maldições, liberta cativos, restaura corações, transforma o coração duro em perdoador, muda mentes e ergue-nos da morte para a vida.

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    A penúltima faixa, Miracle Maker (Miraculoso), de Delirious?, carrega um sentimento profundo e mais pesado, típico das ‘‘melodias menores’’, através de seu instrumental, principalmente, como um alguém que anseia, espera por algo, como os versos iniciais dizem: ‘‘Estou esperando aqui, que minha vida mude’’. Do ponto de vista vocal, chega a nota mais grave de todo cd. Kim emite facilmente um E3 (Mi 3 – EUA), e para quem não sabe, esta é, por exemplo, a última nota da extensão vocal da maioria dos sopranos. E não sendo, Kim, um soprano, abusa de suas notas médio-graves, com total domínio, controle e facilidade.

    E encerrando o trabalho, Healing Oil (Óleo de cura), se firma, mais como uma ponte de Miracle Maker, embora não seja. A letra diz: ‘‘Posso sentir Teu óleo de cura escorrendo sobre meu rosto. Jamais trocaria o que sinto agora por outra vida.’’

    Em um todo, Still Believe é um disco voltado para a adoração simples e íntima. Seus versos soam mais como orações, petições pela presença do Senhor, que certamente tocarão aqueles que estão em busca de algo a mais em um relacionamento com Deus, principalmente se o canal, for a Música.

    kim