Análise: DVD Aos Vivos – Resgate

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Uma das “modas” que chegaram ao mercado gospel nos últimos anos foram as superproduções audiovisuais. Palcos enigmáticos, edição de vídeo complexa, figurino e iluminação acima da média e outras parafernálias que enriquecem, ou muitas vezes poluem os álbuns, praticamente forçando o telespectador a achar tudo aquilo espetacular, o que geralmente acontece.

Após Até eu Envelhecer – ao vivo, lançado em 2008, o Resgate chega com um novo e inesperado DVD. Aos Vivos não possui praticamente nenhuma característica descrita anteriormente. Para um consumidor comum e desatento, a obra passará batido, mas para um grupo como o Resgate e para seu público, o trabalho está dentro do esperado: A simplicidade e qualidade, atributos que a banda sempre concilia em seus projetos, suficientes para o agrado do seu alvo.

O repertório foi bem escolhido. À exceção de músicas dos DVDs anteriores, o trabalho trouxe as músicas que o público gostaria de ouvir, principalmente dos dois últimos CDs da Sony. Ainda não é o Último está bem representado: “A Hora do Brasil”, uma das melhores do CD com interpretação vibrante, “Depois de Tudo”, single do álbum foi logo selecionada para o início. “Jack, joe and Nancy in The Mall” com sua letra irreverente e inteligente levou o público a delírio. “Vou me Lembrar” tem uma das melhores letras do Resgate, indiscutivelmente sua presença era obrigatória.

De Este Lado para Cima tem seis canções: “Eu Estou Aqui” (que abre muito bem o DVD), “O que não precisa” (com sua letra direta e consciente), “Errando e Aprendendo” (destaque para o uso do ukeleke), “Fora do Sistema” (cheia de antíteses que fazem total sentido), “Eles Precisam Saber” (o destaque do álbum) e “Eu Só Preciso Acreditar”.

O repertório de antigas, representadas em outros DVDs, foram: “Restauração”, “Infinitamente Mais”, “Em Todo Lugar”, “Pra Todos os Efeitos”, “Sete Dias”, “O Nome da Paz”, “A Gente”, “Todo Som”, “5:50 AM” e “Rock da Vovó”. A maioria destas não tiveram mudanças destacáveis no arranjo (exceto por sonoridades acústicas exploradas), mas no mais não contam como ponto negativo pela qualidade das canções que não podem faltar nos shows do Resgate, principalmente as duas últimas. Ainda, a banda apresenta “Quebrantado” e, entre as canções interage com o público de forma descontraída, o que garante, para o telespectador a imagem real dos integrantes do grupo durante os shows.

Alguns defeitos triviais podem ser observados no álbum, como o corte brusco de algumas cenas, sem uma manipulação detalhada do áudio, a sépia exagerada nas canções acústicas, e a falta de um músico tecladista convidado.

Talvez o maior erro de Aos Vivos seja o fato de que não é um álbum bem planejado. Entretanto, este erro pode ser considerado um acerto. A sua simplicidade traz vários aspectos que faltam em algumas das produções atuais. Aos Vivos é um trabalho para ouvir, cantar, refletir e rir com o Resgate, e isto simplesmente basta.

Comentários

One response to “Análise: DVD Aos Vivos – Resgate”

  1. […] lançamento do álbum foi gravado, e mais tarde tornou-se um DVD, de título Aos Vivos. Além dos sucessos, as faixas de Este Lado para Cima, muitas canções de Ainda não É o Último […]

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