Autor: Tiago Abreu

  • Rocklogia – 15 anos de Resgate

    Várias bandas e artistas de rock tem aquele álbum catastrófico, com músicas medianas (ou até mesmo horríveis). Se a “horripilância” da Oficina G3 é Humanos e do Rebanhão é Vamos Viver o Amor, o do Resgate é, de longe, Eu Continuo de Pé. A única coisa que se salva deste disco é a ótima “Pra Todos os Efeitos”, que até hoje continua no set list de shows da banda. O Resgate até que tentou por “A Resposta”, mas não adiantou. Na coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito a única música do álbum que figurou foi “Pra Todos os Efeitos”, com a banda admitindo que o disco é resultado de uma maré muito baixa nas composições. ““Pra Todos os Efeitos”, é a canção que mais gostamos de um CD que não gostamos. O título era “Eu Continuo de Pé”, tinha uma bela proposta, mas eu acho que foi uma maré baixa nas composições. Ainda assim, tem algumas coisas legais para lembrar, esta música é uma delas, diz Zé Bruno no encarte do álbum. “Amor”, por sua vez, foi regravada no recente disco de 25 anos da banda.

    À exceção disso, Eu Continuo de Pé marca a primeira vez em que o tecladista Dudu Borges integra a banda. O grupo trabalhava com Paulo Anhaia, mas devido ao talento do jovem músico, Dudu tornou-se o produtor da banda nas obras subsequentes. A escolha foi ótima. Dois anos depois, o Resgate grava seu CD e DVD 15 anos – ao vivo, que reúne seus maiores sucessos. Dudu está lá, tocando e produzindo. Dentre as inéditas, temos as ótimas “O Meu Lugar” e “O Rio”. Também temos “Mais Longe”, que é tão ruim quanto as canções do Eu Continuo de Pé.

    Nesta época, para promoverem o álbum, lançaram o clipe de “O Meu Lugar”, que quase ocasionou um acidente fatal com um avião. Ainda bem que o acidente não aconteceu e a banda continua a existir, nos dando boas músicas.

    Em 2005, os demais integrantes do Resgate resolveram aceitar Dudu Borges como integrante do grupo. Dudu, antes era integrante de outra banda chamada Patmus, que se encerrou anos antes de sua entrada. Mais tarde, ele se tornaria um exímio produtor musical no cenário nacional.

  • Rocklogia – Brother Simion na MK Music

    Foto: Canta Rio (2001) | Divulgação MK Music

    Continuando nossa Rocklogia, seguimos num dos pontos altos da carreira de Brother Simion. Após ficar de fora do Katsbarnea e de toda a visibilidade que a mídia da Renascer em Cristo poderia lhe fornecer, o cantor foi indicado pela banda Oficina G3 para a gravadora MK Music. O selo interessou-se por Simion, que o contratou.

    Quem conhece relativamente a carreira de Brother sabe que o artista é muito mais que um cantor e compositor: já fez algumas (poucas) produções musicais, toca vários instrumentos e tem total autonomia artística para produzir um disco. Assim, em 2001, o cantor iniciava as gravações do projeto sucessor de Na Virada do Milênio: Redenção. Em contrapartida, este disco em especial, é muito diferente de Na Virada: desta vez, Brother Simion optou por fazer um som mais contemplativo, introspectivo e pop. O que, provavelmente pode ter sido uma sugestão da gravadora, também encontrou embasamento em uma vibe que o músico ainda não tinha explorado. Particularmente, me agradam bastante as canções “Eclesiastes“, “Redenção” e “É de Manhã”. A capa do disco foi produzida pela esposa do cantor, e Simion tocou vários instrumentos no disco, como piano e guitarra, além de ter assinado a produção musical com Alex Conti. A obra foi masterizada no estúdio Midas.

    Em entrevista ao Super Gospel em 2005, o cantor disse a respeito de Redenção:

    “Foi um bálsamo pra minha vida, fiquei feliz porque recebi muito retorno das pessoas dizendo que foram abençoadas por este trabalho”.

    No ano seguinte, Simion lançaria outro disco mais básico, desta vez com canções mais hard rock. Era lançado, então, A Volta de Johnny. A canção carro-chefe do disco, claramente, é uma continuação de seu maior sucesso no Kats, “Extra”. Não existem quaisquer informações sobre o desempenho comercial dos álbuns de Brother Simion lançados pela MK Music.

    Em 2003, o cantor lançaria uma biografia, chamada Johnny não morreu, em que o músico conta seu testemunho e algumas histórias de sua vida. Não permanecendo na MK, lançaria um disco ousadíssimo em 2004 de forma independente, o qual veremos em breve.

  • Rocklogia – “a igreja é uma merda!”

    Quem ao menos tem um conhecimento básico sobre jornalismo deve saber que, durante a graduação, numa formação que se preze, os alunos aprendem, ou ao menos são levados a refletir o impacto social, e também pessoal da informação transmitida. Uma notícia pode acabar com uma vida. Um título ambíguo, até explicar que focinho de porco não é tomada já fez muito estrago. Em meados de 2001, um portal de música chamado Usina do Som publicou uma entrevista de uma banda por aí chamada Catedral, com o título Templo Perdido. Já, a primeira frase do texto era: “A igreja é uma merda!“.

    O texto, escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre, conhecido por um material extenso sobre o rock feito no Brasil, foi objeto da maior polêmica na história do Catedral, algo que o próprio autor, em 2013, intitulou de “juízo gospel“. Na mesma época, existiam boatos de que a banda tenha participado do programa do Jô e negado a fé por três vezes. Evidentemente, era um hoax, o qual, até os dias de hoje, não é difícil de ser lido (e ainda há quem acredite).

    Enquanto o Catedral era boicotado por muitos evangélicos, a banda ainda conseguiu manter um público menor diante das polêmicas. Os discos, distribuídos da WEA não venderam tão bem quanto a outros artistas de rock do selo, mas o próprio grupo, mais tarde diria que era culpa da gravadora, que não fez um bom trabalho de divulgação. Por outro lado, a entrevista, em que simplesmente a banda afirmava que o segmento gospel os limitava, foi transcrita com adjetivos e verbos bastante apelativos e sensacionalistas. O resultado foi imediato: foi o conteúdo mais lido na história do finado portal, e em poucos dias teve que sair do ar. Mas o estrago estava feito.

    Com isso, a MK Music se aproveitou da situação e reincidiu, sem maiores explicações, o contrato da carreira solo de Kim. A gravadora publicou que estava cortando relações com a banda pelo fato de não terem nenhum compromisso com o segmento evangélico. A situação foi revoltante para os integrantes do Catedral, que resolveram processar a gravadora, vencendo, muitos anos anos depois, com uma multa no valor de 1 milhão de reais.

    Enquanto isso, as comparações com o Legião Urbana continuavam, e chegaram ao ápice quando o tecladista Carlos Trilha, conhecido por tocar e gravar com o Legião nos anos 90, era indicado a produzir 15º Andar, último álbum do Catedral pela WEA. Em setembro de 2002, o Estadão publicava uma matéria de título “Catedral se converte a Legião Urbana“, explicitando, também, a polêmica protagonizada por Kim com o ex-baterista do LU, Marcelo Bonfá. No ano anterior, Dado Villa-Lobos, em entrevista, afirmou que “Catedral é uma banda Denorex”.

    “Não queria trabalhar com ele de manhã sabendo que, de tarde, ele estaria produzindo o Catedral. Não conheço muitas músicas dessa banda mas o que ouvi achei pobre, cópia paraguaia mal feita. Não conheço os caras, não posso falar nada da pessoa deles. Mas, como música, só sei que o que fazem é uma porcaria”. [Marcelo Bonfá, Estadão, 2002]

    “Quem é Marcelo Bonfá? Pra mim não é nada. Eu respeitava o Renato Russo, mas para o Bonfá não dou a mínima. Só faço uma pergunta: se eles falam tanto de Legião Urbana, por que não continuaram com o grupo depois da morte do Renato Russo? O Catedral está vivo, o Legião acabou”. [Kim, Estadão, 2002]

    “A galera do Legião não gostou nada quando ficou sabendo que eu iria produzir o Catedral. Achei um absurdo, parecia que queriam proteger não sei o quê, que o Catedral iria roubar alguma coisa deles. Esta postura é uma bobagem, uma grande besteira”. [Carlos Trilha, Estadão, 2002]

  • Rocklogia – Aeroilis: o início do novo movimento

    Foto: Raphael Campos, vocalista da Aeroilis em show ocorrido em abril de 2003 | Fotolog Aeroilis

    Em meados de 2001, surgia a Aeroilis. Mais que uma banda independente do chamado rock alternativo, ainda incipiente no Brasil como um todo, o grupo se tornaria, com os anos como o precursor de um movimento musical já abordado aqui, o chamado Novo movimento.

    A banda surgiu na cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina no início de 2001, e caracteriza-se, inicialmente por ter iniciado suas atividades em uma região, anteriormente, de pouco destaque na cena do rock feito por indivíduos cristãos. Se antes, os grupos estavam concentrados no eixo Rio-São Paulo, a Aeroilis fez parte desta época, em que novas bandas de outras regiões se destacavam, principalmente oriundas das regiões Centro-Oeste e Sul.

    Segundo Arvid Auras, baterista e principal letrista da Aeroilis, os integrantes já se conheciam e tocavam em outras bandas em anos anteriores, o que colaborou para a formação, em 2001.

    Na verdade a gente já toca junto, em outras bandas, há um bom tempo, eu toco com o Raphael (vocal) desde 94, tocamos juntos no Hadasha e no Nec Plus Ultra, o Fernando (fejão) também tocava no Nec Plus Ultra, assim com o Eduardo, que foi nosso baixista até pouco tempo atrás [Arvid Auras, 2005, Super Gospel]

    Após a formação da banda, o repertório autoral foi surgindo, e o primeiro álbum foi gravado num home estúdio, o La Cruz. O vocalista Raphael Campos, responsável pela maior parte das ideias instrumentais do grupo, foi o produtor da obra, que foi gravada e mixada entre julho de 2003 e janeiro de 2004. O baixista Eduardo Galvani ficou responsável pelo projeto gráfico.

    O CD, distribuído de forma independente, continha onze faixas. Quatro meses depois, a gravadora Bom Pastor interessou-se pela Aeroilis, contratou a banda e o álbum foi relançado nacionalmente, com mais duas novas canções (“Ter Fé” e “Em Meio ao Frio e a Dor”). Inclusive, tais canções não aparecem no encarte do disco, justamente por terem sido incluídas posteriormente.

    Durante a turnê do álbum, Eduardo precisou deixar a banda por questões de tempo, fazendo com que o músico Helon Borba (atualmente vocalista do Quarto Fechado) assumisse o baixo da banda. A banda fez apresentações em vários locais no Brasil. Lembro que, na época, o quarteto fez algumas apresentações em Goiânia, e nas rádios locais, “O Tempo” era bastante executada. Pelo fato da carreira musical não ser o meio de sobrevivência principal dos integrantes, a atividade da banda em lançar o disco seguinte ficou extensamente prejudicada, mas um post próximo abordará isso de forma mais detalhada.

  • Rocklogia – Oficina G3, O Tempo e Rock in Rio

    Com a saída do Catedral do cast da MK, após uma parceria da gravadora com a Warner Music Brasil que rendeu lucros exorbitantes para o selo carioca, era interessante ter outro grupo de rock. A MK Music, de fato, nunca foi a gravadora ideal para bandas de rock cristão, mas, depois da Gospel Records, foi a que mais se propôs a lançar discos do gênero. Tentaram nos anos 90 com o Complexo J, Semeando, Raízes, Contato Vital, e até mesmo com Carlinhos Felix, que aos poucos tendeu mais ao pop. A maioria destes nomes não obtiveram grandes resultados, exceto Carlinhos, que preferiu lançar sua própria gravadora, e o Complexo J, que migrou para a Gospel Records.

    Quando o Catedral lançou seu primeiro álbum pela WEA, o então ex-integrante do Oficina G3, Túlio Régis, ciente da vontade dos integrantes da banda de mudarem de gravadora, tentou contato com a MK para levá-los à gravadora carioca. Em entrevista cedida ao Ruben Mukama, o cantor afirma que, apesar do grupo ser o que mais vendia na Gospel Records, seu contrato era ‘animalesco’.

    Eu sou um dos culpados disto. Um dia disse: por que vocês estão na Gospel Records ainda? Porque eles se submetiam ao distrato que sofriam, como bandinha, deveriam voar mais alto, independente ou indo para uma gravadora melhor; ficaram receosos, porque tinham o apoio de mídia da Renascer e do apóstolo, e temiam retaliação. Comentei sobre a MK Publicitá, e disse que o Marquinhos, um amigo de uma banda legal do RJ poderia dar uma força. Eles ficaram na dúvida. Eu liguei para o Maquinhos, comentei sobre e justamente quando o Catedral havia saído se abriu uma brecha para eles, o Marquinhos não acreditou que poderia ter esta oportunidade boa… Enfim, a negociação foi feita e o Oficina G3 se transferiu para a MK, a condição é que eles não mais teriam mais direitos sobre os diretos das músicas e afins produzidos por eles na Gospel Records, este foi o trato.

    Era fato de que os tempos para a banda eram bons. Luciano Manga fez sua despedida em alto estilo com Indiferença, e os álbuns acústicos com o novo vocalista PG eram comercialmente promissores. Com isso, a presidente da MK, Yvelise de Oliveira, sugeriu à banda que neste primeiro trabalho fizessem canções mais pop, ideia que a banda já cogitava abraçar. Com isso, O Tempo se afastou parcialmente do hard rock dos últimos inéditos, mesclando bastante influências do pop rock.

    Infelizmente, os fãs mais radiciais do Oficina G3 dilaceram o disco, como se um registro pop rock fosse a pior coisa que a banda teria feito. Ocorre que, não é necessária uma análise profunda para notar que, embora comerciais, a maioria das músicas são bem construídas, com arranjos criativos, o que faz o trabalho ter seus grandes méritos. Ainda há de se considerar que o sucesso da banda deve-se muito a este CD, que na época, chegou a vender quase 200 mil cópias e, até hoje é seu o maior sucesso comercial.

    Em 2001, a banda foi convidada para participar do Rock in Rio 3. Até aquele momento, nenhuma banda de rock cristão tinha participado do evento, e o Oficina, além de outro grupo chamado Os Nazaritos (que nunca abordei aqui por não considerar o trabalho deles importante para a história do rock cristão nacional) tiveram a grande chance. Antes mesmo da participação ocorrer, várias igrejas se opuseram ao fato, com acusações ferrenhas ao conjunto. O que parecia soar como uma grande chance de expandir o seu trabalho tornou-se um fracasso, pois a banda foi forçada a iniciar a sua apresentação antes dos portões se abrirem, passando parte do show tocando e cantando para ninguém. Isso os deixou imensamente decepcionados.

    Muitas outras polêmicas aconteceriam com a banda, mas isso é para o próximo post, a respeito do álbum Humanos.

  • Rocklogia – Resgate Praise

    Praise, ou Resgate Praise, é um divisor de águas na carreira do Resgate. Não sou eu quem digo, mas a própria banda. A banda começou a evoluir em On The Rock, continuou evoluindo em Resgate e alcançou um patamar de qualidade ainda maior em Praise. Tudo isso graças à uma peça fundamental, pela qual o quarteto sempre presta elogios: Paulo Anhaia.

    Paulo Anhaia era, e é amigo de Rick Bonadio. Rick foi o primeiro engenheiro de som do Resgate, e os dois primeiros discos da banda foram gravados lá. A partir disso, cada um seguiu o seu caminho. O quarteto começou a trabalhar com Anhaia, enquanto Bonadio tornou-se nacionalmente conhecido através da produção do único álbum de inéditas do Mamonas Assassinas. Tornando-se um produtor musical de notoriedade nacional, seu estúdio Midas tornou-se fortemente requisitado. E no verão de 2000, o Resgate esteve lá.

    As experimentações do álbum Resgate, tanto em suas letras quanto arranjos revelou um potencial que a banda ainda podia explorar. Nesta época, apesar dos integrantes estarem morando à distância, o trabalho foi mais coletivo. Para completar, Estevam Hernandes sugeriu ao grupo que fizessem um álbum com letras de louvor comunitário. Consequentemente, Resgate Praise foi a síntese disso.

    Para completar o time nas guitarras compostas por Zé e Hamilton, a banda teve a participação de Marcus Rampazzo na slide, além de Roberto Pacciello no hammond e pianos, afinal o vintage é uma das características fundamentais da sonoridade do Resgate. Com Esdras Gallo e um time de back vocals, Resgate Praise contém um repertório bastante uniforme, mas envolvente. “Infinitamente Mais”, “Restauração” e “O Nome da Paz” são, certamente, os maiores destaques do projeto, que até hoje é bastante lembrado.

    No encarte de Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito, Zé Bruno diria: “Acho que foi um marco na nossa trajetória. Não sei explicar, mas depois do Praise, a banda foi outra, assim como será depois do Ainda não É o Último. Foi o terceiro CD produzido pelo Paulo Anhaia, e trabalhar com ele é uma mistura de trabalho, curtição e escola, e esse fator pesou muito na nossa história”.

    Após isso, o grupo gravou um disco acústico, e em 2002 viveria uma nova fase, com o encerramento da parceria com Anhaia e a primeira participação de Dudu Borges como músico contratado… mas isso é assunto para um próximo post.

  • Rocklogia – A reformulação e o fim prematuro do Katsbarnea

    Como já dito em um post anterior, após Asas, muitas coisas mudaram na carreira musical de Brother Simion. A música do cantor, principalmente, era composta por uma longa parceria entre ele e Estevam Hernandes. Essa contribuição se encerraria em meados de 1999, quando Simion começou a escrever suas músicas completamente sozinho e desligou-se da Renascer em Cristo.

    Ao deixar a Renascer, Brother automaticamente deixava implícita a continuação de sua carreira solo. Era óbvio que o cantor não estava deixando o Katsbarnea, pois o Kats não existia mais. Era impraticável dar continuidade a uma banda que trocava constantemente de formação, com apenas um vocalista oriundo da formação inicial escrevendo todas as músicas, exceto por um baixista extremamente competente que continuara por quase dez anos atuando no grupo. Banda de rock sem guitarrista fixo é um tanto quanto impraticável. Portanto, a ação de Simion em trazer Jadão para tocar consigo em carreira solo era ótima. Além do mais, a esposa de Brother poderia trabalhar como tecladista nos eventos.

    Ainda no fim de 1999 ao início de 2000, Simion entrou em estúdio para gravar seu álbum mais pretensioso, Na Virada do Milênio, distribuído pela MID Produções em bancas de revistas pelo Brasil. Com influências do rock industrial, utilizando vários efeitos eletrônicos, retoma a parceria do cantor com o produtor Amaury Fontenele, que tinha produzido Asas. Amaury era o nome mais óbvio para inserir Brother Simion no mundo dos loops e programações. Jadão participou em algumas faixas. O registro é, em alguns momentos, extremamente peculiar, mas também chocante. A canção “Caos”, por exemplo, retoma toda a questão do juízo final e a secularização do mundo, tema presente em todo o disco. Há uma influência de blues na monótona “Help”. Mas é claro, um álbum do cantor sem trechos instrumentais ou de humor não é álbum de Simion, e “01001011” brinca muito bem com a linguagem binária. Aliás, todo o conceito gráfico do projeto retoma ao hardware de computadores pessoais, e a “era digital” é por vezes citada nas canções.

    Reza a lenda que, nesta época, também ocorreu um convite para o Katsbarnea se reunir novamente para gravar. Déio Tambasco, Marcelo Gasperini e Jadão foram chamados, embora Simion estivesse ocupado com seu disco solo. Paulinho Makuko, ex-integrante, que vinha com três álbuns solo (A Lei do Rei, Vol. 1 e Limites Invisíveis) acabou se tornando o vocal principal, além de cumprir a velha função de percussionista. Makuko não participava do Kats desde meados de 1993, quando era o baterista da banda, por conta da saída de Marcelo Gasperini. Nesta época, o cantor optou por seguir uma carreira solo. Paulinho, ainda, trabalhou em alguns lançamentos da Gospel Records, como o próprio Asas de Simion, no qual Brother presta agradecimentos ao percussionista. Makuko ainda era responsável pela seleção de repertório de algumas coletâneas, como O Melhor do Rebanhão, mas seu trabalho solo nunca alcançou forte destaque, até porque, o forte do músico é mais como instrumentista do que intérprete.

    Mesmo assim, o Acústico do Katsbarnea foi gravado no final de 1999 e lançado em 2000. O grande diferencial deste disco para os demais acústicos desta época foi justamente a participação do público, que é o maior destaque, fazendo forte presença da primeira a última música. As roupagens para as canções foram muito boas, e ter vendido 100 mil cópias, maior venda de toda a história da banda, foi um marco justo.

    Em toda a história do Kats, Paulinho Makuko escreveu apenas uma música, “Corredor 18”. O cantor provavelmente não tinha repertório inédito até aquele momento, então optou por utilizar outras canções antigas da banda, além de faixas da carreira solo de Simion para compor Profecia, lançado em 2002 (a faixa-título é parte do álbum Na Virada do Milênio). Apesar de não ser um registro completamente acústico, faltava-lhe o clima de novidade. Isso talvez, foi um ponto chave no hiato da banda que durou até 2007 (em um próximo post falaremos mais disso). Além do mais que, a popularidade de outras bandas do rock cristão, como a Oficina G3, Fruto Sagrado e até mesmo a carreira solo de Brother Simion, todos na MK Music estava muito mais alta que a do Kats. É neste momento que Makuko, Jadão e Gasperini saem da banda (Déio Tambasco já estava fora há um bom tempo).

  • Rocklogia – O processo judicial e mudanças estruturais no Fruto Sagrado

    Após O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar, o Fruto Sagrado deixou a Gospel Records e ficou por um tempo sem lançar discos. O guitarrista recém integrado ao grupo, Bene Maldonado, precisou deixar o grupo, pois trabalhava com seu pai em um estúdio, que necessitava de cuidados. O estúdio de Ernani Maldonado era bastante requisitado por cantores na época, como Marina de Oliveira, que compôs músicas em parceria com o produtor.

    Para não deixar o Fruto Sagrado sem guitarrista, Bene trouxe o músico Leonardo Cordeiro, um aluno seu, para tocar o instrumento na banda. Com ele, juntamente aos integrantes da formação inicial, Marcão, Bênlio e Flávio, foi gravado um disco acústico em comemoração dos 10 anos do grupo, já abordado por aqui.

    O acústico do Fruto Sagrado foi distribuído por uma gravadora chamada Salmus Produções. Nesta época, ocorreram duas baixas na banda: Leonardo recebeu uma proposta de tocar com o cantor Kleber Lucas, e optou por deixar o Fruto, ação que foi apoiada pelos demais membros, por Kleber estar em uma fase excelente em sua carreira, o que lhe daria visibilidade. Por outro lado, o baterista Flávio Amorim resolveu deixar a banda¹.

    Com a saída de Leonardo, Bene Maldonado voltou, e trouxe outro músico chamado Sylas Jr., para cumprir a função de baterista. As gravações do disco seguinte, O Segredo, seguiram-se nesta formação. A sonoridade do grupo mudou drasticamente. Sylas trouxe um estilo diferente para as baquetas da banda, e se, antes, a parte musical era fortemente caracterizada pela parceria de Marcão e Bênlio, Bene entrou em cena como principal arranjador, com Marcão limitando-se geralmente como letrista. Neste álbum, ocorre as participações especiais de PG e Marquinhos Gomes, algo que o Fruto já procurava trazer. No acústico, o conjunto trouxe Carlinhos Felix para as gravações.

    O Segredo foi lançado pela gravadora TOP Gospel, o que gerou um processo judicial da Salmus Produções por quebra de contrato. A banda foi condenada a pagar 400 mil reais. Segundo Bênlio Bussinger, Bene e Sylas se recusaram a ajudar a pagar, e com a saída de Flávio Amorim, o tecladista, juntamente com Marcão custearam sozinhos os efeitos da “proeza”. Este acontecimento apenas contribuiria para maiores mudanças estruturais no Fruto Sagrado, as quais veremos em breve, num próximo artigo.

    Apesar disso, o álbum foi melhor recebido pelo público do que O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar, justamente por conter canções mais simples e acessíveis. E claro, no aspecto técnico, a qualidade melhorou bastante.

    ¹um trecho do texto foi suprimido a pedido e em respeito ao músico Flávio Amorim, ex-integrante do Fruto Sagrado, afirmando que a parte anteriormente contida não é verdadeira.
  • TOP 10 – músicas gospel sobre o meio ambiente

    A questão ambiental, a cada ano que passa é tema recorrente e forte em todo o lugar. Na música gospel não é diferente. Por conta disso, o portal O Propagador escolheu 10 músicas gospel que abordam o meio ambiente, a natureza e a destruição do planeta sob diferentes olhares e estilos musicais.

    Vamos lá?

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    Terra – Katsbarnea

    Escrita por Brother Simion em parceria com Estevam Hernandes, “Terra” é uma das canções mais conhecidas do Katsbarnea, lançada no disco Cristo ou Barrabás. O vocalista afirma que nossa morada é uma “forma celestial de vida”, e que seus olhos choram ao ver sua destruição. (1992)

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    [tab title=”9º”]

    Velhos, Vidas e Verdes – Carlinhos Felix

    Uma das primeiras canções da carreira solo de Carlinhos Felix, foi escrita pelo próprio cantor para o seu álbum Coisas da Vida. Com tema diretamente focado na natureza, questiona o sentimento de posse de muitos homens em destruir a natureza e vendê-la no mercado negro. Mas a canção não para por aí e também aborda o tráfico ilegal de pessoas. “Eles estão esquecendo que Deus está vendo / E está tudo escrito na vida de lá“. (1991)

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    [tab title=”8º”]

    Em Nome de Quem? – Resgate

    O Resgate nunca foi uma banda de abordar a causa ambiental, mas o quarteto assim o fez no álbum Este Lado para Cima. A canção, além de questionar as destruições da natureza, questiona a ambição do homem, ao ponto de achar-se como uma espécie de ‘deus’ para definir os rumos da humanidade. (2012)

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    [tab title=”7º”]

    Fim do Mundo – Damares

    A cantora Damares é conhecida por abordar, em algumas canções, o apocalipse. Sabe-se que, com um contexto de apocalipse, a natureza contida na Terra seria destruída agressivamente. Esta é a principal temática de “Fim do Mundo”, do álbum Diamante. (2010)

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    [tab title=”6º”]

    Terra – Ao Cubo

    O Ao Cubo é um dos maiores representantes do rap, tanto no segmento cristão quanto na cena nacional. Em parceria com o cantor Zeider, da banda de reggae Planta & Raiz, “Terra” foi gravada, com um refrão reflexivo: “será que é o fim de tudo isso? / vem cá, quem ‘tá’ no compromisso / de mudar o planeta pra ficar melhor / você já sabe o que fazer de cor“. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=201nAmjmnGU

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    [tab title=”5º”]

    Choro da Natureza – Complexo J

    Do primeiro disco da banda pela MK Music, “Choro da Natureza” aborda, de forma simplista e poética, a destruição da flora, e principalmente da flora no mundo, relacionando com a criação do mundo, obra de Deus. (1992)

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    [tab title=”4º”]

    Princípio – Rebanhão

    Escrita pelo compositor Lucas Ribeiro, a canção foi lançada um tempo após a morte do ativista Chico Mendes, que foi assassinado brutalmente. Seu falecimento foi notícia de repercussão internacional. O Rebanhão a gravou, questionando “até quando vou viver / pra testemunhar / e dizer sim / pra Deus e toda a vida?“. (1990)

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    [tab title=”3º”]

    Tributo ao Meio Ambiente – Coral Gospel de Curitiba

    Natural de Curitiba, o Coral Gospel de Curitiba tem um trajetória longeva, com vocais de várias denominações cristãs. O álbum Perto Estás, Senhor contém “Tributo ao Meio Ambiente”, terceira posição da nossa lista. (2008)

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    [tab title=”2º”]

    SOS Terra – Brother Simion

    Em Asas, Brother Simion aborda, em suas canções, muitas questões relativas ao meio ambiente. Mas “SOS Terra” é a principal delas. Nesta música, o cantor afirma que “de inferno e miséria já estarmos fartos / nosso planeta clama liberdade / matar esta sede, se libertar“. Com influências do folk rock, é bastante agradável de ouvir. (1998)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Tempo de ser Feliz – Jamily

    O primeiro lugar vai para a cantora Jamily, com “Tempo de ser Feliz”, parte do seu primeiro trabalho, Tempo de Vencer. A canção também foi regravada por Cristina Mel, e aborda diretamente a questão ambiental. Além do mais, foi um grande sucesso. (2002)

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    E aí, o que acharam da lista? Que mais músicas sobre o meio ambiente vocês conhecem?

  • Rocklogia – Catedral e a mudança de mercado

    Uma das histórias mais polêmicas, senão a mais polêmica de toda a pequena história do rock cristão nacional se refere à questão da banda Catedral com as gravadoras MK Music e WEA.

    Há uma série de acontecimentos e questões que devem ser levadas em conta antes da contratação do Catedral com a Warner. A multinacional tentou, durante os anos 90, investir no segmento musical evangélico. Em 1996, a WEA lançou o álbum Por Cima dos Montes do Rebanhão. A parceria com a gravadora não continuou, com o vocalista Pedro Braconnot optando por criar uma gravadora independente ao invés de lançar mais um disco da banda pela Warner. O motivo? Não se sabe, até porque o músico nunca falou a respeito do assunto, se houve quebra de contrato, se a gravadora não se interessou em lançá-los mais, ou se o contrato previa apenas um lançamento. No entanto, Por Cima dos Montes foi o disco de menor sucesso da banda, não emplacou nenhum sucesso nas rádios, o que não acontecia com a banda desde o seu surgimento.

    Enquanto o Rebanhão, como representante do rock cristão nos anos 80/início dos anos 90 aproximava-se de seu fim, uma outra banda vivia exatamente o oposto: o Catedral. Recordista de vendas na MK Music, o trabalho do grupo não possuía mais nenhum espaço de crescimento dentro do gospel, e neste período, surgiu a proposta de migração para a Warner. Através de um acordo bastante lucrativo para a MK, o quarteto foi para a multinacional, enquanto a carreira solo do vocalista Kim continuaria a ser gerenciada pela Publicitá.

    Entender os possíveis motivos que levaram o interesse da WEA em contratar o Catedral é algo importante. Além das vendas e popularidade no meio evangélico, não é nenhuma ingenuidade pensar que a multinacional estava interessada em oferecer ao público uma espécie de “banda substituta” do Legião Urbana. À altura daquele campeonato, as músicas mais recentes do grupo estavam sendo fortemente associadas ao conjunto de Renato Russo. Não cabe julgar aqui se o Catedral propôs-se a soar uma espécie de Legião, até porque não precisa ser músico profissional para notar várias diferenças na música de ambos os grupos.

    Certamente, não dá para definir claramente os projetos do Catedral naquela época. A proposta era, de certa forma, promissora para a banda. Numa gravadora fora do nicho religioso, com possibilidade de levar seu som fora de um rótulo limitante, certamente era atrativo explorar isso. Acontece que, evidentemente, em seus trabalhos anteriores, o conjunto tentava abrir o caminho, mas o estereótipo de “banda gospel” em “gravadora gospel” atrapalhava, assim como atrapalha muitos no dia de hoje.

    Para Todo Mundo foi finalmente lançado, e seguiu a tendência dos discos anteriores. Nada de grandes novidades, não. O disco não foi um divisor de águas na carreira da banda, como muitos por aí insistem em dizer. A MK se beneficiou disso, a Warner e a Catedral, para todo mundo ficar satisfeito. Mas sabemos que o desenrolar da história não foi tão positivo assim…